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domingo, 28 de julho de 2013

O Globo: “Mentira grosseira para desviar atenção”



Publicado em 28/07/2013 por [*]  Mário Augusto Jakobskind

Enquanto o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reconhecia a responsabilidade do Estado por violações dos direitos humanos e infrações ao Direito Internacional Humanitário no prolongado conflito armado naquele país, informação pouco divulgada por aqui, no Rio de Janeiro ocorreu um fato extremamente grave.

Na edição da quarta-feira (25) do jornal O Globo, o repórter Antônio Werneck assinava matéria mentirosa, com chamada de primeira página, revelando que “agente da ABIN foi preso em protesto” e com o complemento de sustentação “vândalo chapa-branca”. O jornal da família Marinho, numa demonstração de baixo jornalismo “informava” sobre a prisão do geógrafo e agente da ABIN, Igor Pouchain Matela junto com a mulher, Carla Hirt.

Mentira grosseira. Carla Hirt foi presa quando fugia da truculência policial sendo agredida, depois de ser ferida por balas de borracha, não tendo jogado pedras em lugar nenhum. O marido, que não estava com ela, foi até a 14a. Delegacia Policial, no Leblon, ao ser avisado pela própria mulher da prisão e agressão por parte de um tenente da PM.

Portanto, ai se esclarece a primeira mentira que tem por visível objetivo induzir o leitor a incriminar a ABIN, desviando a atenção do principal, ou seja, de que a PM de Sergio Cabral infiltra agentes P2 nas manifestações, não propriamente para observar, como alegam as autoridades, mas para provocar tumulto. Vídeos postados nas redes sociais não deixam dúvidas.

Carla foi acusada de formação de quadrilha e ter jogado pedras numa agência bancária. Ela foi presa na rua Redentor e a PM notificou que a prisão ocorreu na Visconde de Pirajá. Portanto, uma nova mentira, como várias outras encontradas na matéria do repórter Antônio Werneck. A indicação da Visconde de Pirajá foi para mostrar que ela estava no centro dos acontecimentos no momento da prisão. Se fosse colocada a rua exata ficaria demonstrado que Carla foi presa fora do local onde a PM agia com truculência, por orientação do trio Sérgio Cabral, José Mariano Beltrame e Coronel Enir Costa Filho, comandante da PM.

Que quadrilha os presos poderiam ter formado se nenhum deles se conhecia? Antes da matéria ter sido divulgada, Carla Hirt deu entrada com uma ação no Ministério Público informando ter sido vítima da truculência policial, agredida e baleada, além de acusada falsamente de formação de quadrilha.

Fonte não revelada - Mas o que também chama a atenção da matéria é o fato dela ter sido divulgada uma semana após os acontecimentos ocorridos na manifestação que começou nas imediações do prédio onde reside o Governador Sérgio Cabral, no bairro do Leblon, dia 18 de julho. Aí que mora também o perigo. A fonte da informação sobre a falsa prisão do agente da ABIN, não citada pelo repórter de O Globo, foi o ex-deputado Marcelo Itagiba, do PSDB.

Itagiba não é flor que se cheire, tendo sido citado numa Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa fluminense sobre a ação das milícias como elemento vinculado a esse grupo criminoso que atua com ramificações no aparelho de Estado. Uma pergunta que não quer calar: quem informou Itagiba sobre a ocorrência na delegacia do Leblon? E por que Antônio Werneck não revelou a fonte da sua mentirosa matéria e fez questão de contatar o ex-deputado? Ele é fonte de O Globo?

Baixo jornalismo - Mas se os leitores imaginam que o baixo jornalismo do jornal se limitou ao que foi mencionado até agora, engana-se. Tem mais. A própria matéria desdiz a chamada de primeira página ao revelar no meio do texto que o agente foi autuado por desacato quando chegou à delegacia. Então, por que ter colocado com chamada de primeira página a mentira de que o agente da ABIN foi preso no protesto? E por que dar ênfase ao “desacato” e relegar a plano secundário a agressão sofrida por Carla Hirt e também colocá-la no texto como agente da ABIN?

Como Igor Matela havia mandado uma carta ao jornal O Globo negando o desacato e informando que ele e Carla Hirt eram alunos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o repórter Antônio Werneck procurou o professor Carlos Wainer, titular do referido instituto, perguntando se “o senhor gostaria de comentar o caso?” e se ”conhecia o casal?”.

Vainer respondeu, mas o que disse não foi divulgado pelo jornal:

Carla é geógrafa, professora, brilhante estudante de doutorado em Planejamento Urbano e Regional. Digna e íntegra, como os milhões de jovens que têm ido às ruas manifestar sua inconformidade com a situação do país. Orgulho-me de ser seu professor. No Rio de Janeiro, o direito de manifestação vem sendo violado por uma polícia inepta, brutal e, como agora se sabe, capaz de forjar autuações fraudulentas para criminalizar manifestantes. Sob pretexto de manter a ordem, a polícia instaura o terror a cada nova manifestação pública. É necessário investigar e punir policiais e autoridades que promovem ou acobertam essas violências. Ouvir a mensagem das ruas, recomendou a Presidente Dilma. Querem, no entanto, calá-la.

Igor Matela garante também que em momento algum deu uma carteirada como agente da ABIN, como insinua O Globo. Ao ser enquadrado, a delegada naquele momento, Flávia Monteiro, pediu seus documentos e que revelasse a profissão. Mostrou então a carteira de motorista e disse ser funcionário público. A delegada insistiu perguntando em que repartição, mencionando então a ABIN. Igor ingressou na ABIN por concurso.

Em suma, como tem acontecido nos últimos tempos, O Globo deu mais uma prova de baixo jornalismo, que precisa ser denunciado em todos os fóruns, sobretudo nas escolas de comunicação onde são formados os futuros repórteres que ocuparão as redações.
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[*] Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE. 

Enviado por Direto da Redação

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Pequenas bombas nucleares




Publicado em 07/08/2012 por Mário Augusto Jakobskind*

Há uns 13 anos, os Estados Unidos e demais países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), entre os quais a Itália, bombardeavam a então Província sérvia de Kosovo. A justificativa era a defesa dos direitos humanos e deter as supostas violações que estavam sendo cometidas pelos “malditos” sérvios comandados por Slobodan Milosevic.

O tempo passou e como sempre acontece depois que um dos lados supera o outro, Kosovo praticamente saiu do noticiário, sobretudo quando se desmembrou da Sérvia tornando-se um país independente.

Agora, Kosovo volta ao noticiário, não totalmente porque a maioria dos meios de comunicação prefere ignorar o tema divulgado na Itália por um sargento que está desenganado, com poucos meses de vida.

Salvo Cannizo, do Regimento San Marco, da Marinha de Guerra italiana, está com câncer no cérebro e responsabiliza os Estados Unidos e a Itália por  envenenamento provocado pela utilização de urânio empobrecido durante os bombardeios.

Cannizo e outros dois mil militares italianos que estiveram em Kosovo estão doentes, segundo informa o jornal italiano Il Fatto Quotidiano, uma das poucas publicações independentes naquele país e que não depende da publicidade oficial do governo.

A denúncia fez aumentar a polêmica em torno da revisão dos gastos do Estado italiano pretendida pelo governo Mario Monti. O governo queria reduzir quase pela metade os gastos destinados ao Fundo para as Vítimas do Urânio Empobrecido. Pressionado pela opinião pública mobilizada por um grupo de ecologistas, o governo acabou voltando atrás.

Salvo Cannizo, de 36 anos, assegura que ficou doente em Djakoviza, durante a guerra de Kosovo, quando a Itália mandou soldados sob a alegação de que cumpririam uma missão de paz, por decisão das Nações Unidas.

A vítima decidiu tornar público tudo o que está passando juntamente com outros dois mil italianos, agora praticamente abandonados pelo Estado, governado por um gerente do capital financeiro internacional, como é Mario Monti.

O Estado não reconhece o mal de que estão padecendo os dois mil italianos que serviam no Kosovo por volta de 1999.

O militar fez graves revelações, inclusive de que os Estados Unidos jogavam bombas com urânio empobrecido, cujo prazo de validade havia se esgotado, e tal procedimento ocorria porque precisavam de qualquer jeito se desfazer do material que ficaria no solo sem detonação, porque eram jogados sem o detonador. Foi a a forma encontrada para renovar o estoque com rapidez, não importando os malefícios que provocariam para quem passasse por perto ficando sujeito aos efeitos da radiação.

As bombas tinham prazo de validade e depois era necessário eliminá-las. Só que o custo era muito alto, sendo mais econômico utilizá-las da forma como foi feito no Kosovo. Cannizo garante que as autoridades italianas sabiam dos malefícios que ajudavam a renovar a indústria armamentista.

Dos nove integrantes do batalhão de Cannizo, cinco contraíram câncer, inclusive um seu irmão, que já morreu. A previsão dos médicos é que Cannizo não sobreviva mais de três meses. Ele prometeu não silenciar até morrer.

Especialistas dizem que as bombas de urânio empobrecido podem ser definidas como “pequenas bombas nucleares”. Depois de Kosovo, essas bombas mortíferas foram utilizadas na primeira guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, em 1991, depois novamente no Iraque, no Afeganistão e mais recentemente na Líbia.  Só em Kosovo foram usadas entre 10 e 15 toneladas de urânio empobrecido.

Pode-se imaginar quantos seres humanos contraíram câncer devido o uso dessas bombas, sob total silêncio dos sucessivos governos estadunidenses que historicamente fazem o jogo da mortífera indústria armamentista.  

Assim caminha essa indústria, que nestes meses está conseguindo escoar a sua produção com o abastecimento que a CIA e outros organismos estadunidenses, junto com a Arábia Saudita, o Qatar e um pouco da Líbia, estão proporcionando aos grupos que tentam derrubar o presidente Bashar al Assad, da Síria, até mesmo com a colaboração de integrantes da al Qaeda. Bassma Kodmani, responsável pelas relações exteriores do Conselho Nacional Sírio (CNS) confirmou a participação dos países árabes mencionados.

Aliás, uma dúvida paira no ar e já pairava o ano passado na Líbia com os acontecimentos que levaram ao assassinato por linchamento de Muammar Khadafi, ou seja, a participação de serviços secretos ocidentais, como a CIA, em ações conjuntas com a al Qaeda, grupo que já teve como líder nada mais nada menos do que Osama Bin Laden.

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Por aqui, o jornal O Globo, agora de cara nova, conseguiu se superar em termos de (des) informação. Furiosos com o fato de a Venezuela ter ingressado no MERCOSUL e desesperados com as pesquisas indicando nova vitória de Hugo Chávez na eleição presidencial de 7 de outubro próximo, em uma só edição o presidente venezuelano apareceu como “ditador”, chefe de um “governo vinculado ao narcotráfico” e de sobra “canceroso”, ou seja, que não conseguiu superar a doença embora tenha informado oficialmente que a venceu.

Com dosagem editorial tão anti, os editores de O Globo acabam fazendo com que o tiro deles saia pela culatra. Isto é, a dose (des) informativa é tão forte e manipuladora que até os leitores mais assíduos começam a ficar com a pulga atrás da orelha em termos de desconfiança do jornal.

Os críticos mais contundentes chegam a afirmar que a editoria internacional é pautada pelos interesses de Washington.

Seja o motivo que for, a verdade é que o mais prejudicado mesmo com tais aberrações é o próprio jornalismo. E os leitores, que muitas vezes compram o jornal para se informar,  mas acabam tendo acesso a produto  manipulado e na base do pensamento único.

Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Os brasiguaios e a mídia no golpe do Paraguai


 

Publicado em 26/06/2012 por Mário Augusto Jakobskind*

No encerramento da Conferência da ONU de Sustentabilidade e Desenvolvimento, a Rio + 20, ocorreu também um retrocesso político de graves consequências no Paraguai com o golpe parlamentar que derrubou o Presidente constitucional Fernando Lugo, assumindo o vice Federico Franco, do Partido Liberal.

Não era de hoje que a elite paraguaia se sentia incomodada com Lugo no governo. O tempo passou e aproveitaram a oportunidade de um grave incidente que pode ter sido armado pelos próprios ruralistas para desencadear a ofensiva que culminou com a derrubada de Lugo. Um retrocesso ao estilo Honduras, cujo governo de Franco não deve ser reconhecido, porque a derrubada de Lugo foi totalmente ilegal.

O Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel comentou que o golpe de estado no Paraguai estava sendo preparado há tempos e faz parte da política continental imposta pelos EUA contra governos democráticos, com a cumplicidade dos poderes econômicos e políticos e ainda mais a traição do vice-presidente Federico Franco.

O golpe teve apoio também dos brasiguaios, os brasileiros donos de terras no Paraguai e segundo Martin Almada, o descobridor dos arquivos da Operação Condor, um dos principais integrantes do setor é um tal de Tranquilo Favero, brasileiro, natural de Santa Catarina, que fez fortuna graças a doação de terras proporcionadas pelo falecido ditador Alfredo Stroessner, que assim retribuiu o apoio do empresário. 

Não é à-toa que Merval Pereira apoiou o golpe no Paraguai e o comparou com o democrático impeachment de Collor em 1992. Um equívoco, na ocasião o então presidente teve todo o tempo do mundo para se defender e a opinião pública estava contra ele. Já Lugo conta com o apoio popular e nem tempo adequado lhe foi dado pelos congressistas para ele se defender.

Merval, como sempre a serviço da direita, jamais tocaria na questão da mídia de mercado, linha auxiliar da oligarquia paraguaia para desfechar o golpe de estado parlamentar. O jornal ABC Color teve papel destacado nos acontecimentos. Possivelmente similares paraguaios de Merval Pereira foram acionados.

***

Ainda estamos nos rescaldos da Rio + 20. A Cúpula dos Povos, além da série de debates, exposições e tomadas de posição produziu um fato político relevante aqui no Rio de Janeiro. Depois da passeata dos 100 mil de 1968 a cidade na semana passada foi palco de uma outra que reuniu cerca de 70 mil pessoas.

Quanto à reunião das Nações Unidas realizada no Rio Centro, a pergunta que não quer calar remete à pergunta: “e agora?”. Qual o avanço verificado?

A semana que passou produziu também uma grande contradição. Enquanto na reunião do G-20, realizada no México, foi aprovado um pacote de cerca de 70 bilhões de euros para o FMI, na verdade para salvar os bancos, na Rio + 20 os países ricos não aceitaram dar pelo menos 30 bilhões para um fundo de preservação do meio ambiente.

Cabe mais uma pergunta: o Planeta continuará convivendo com os violadores do meio ambiente que se escondem na retórica de defensores da ecologia desde criancinha?

Eike Batista, por exemplo, deu palestra no Projeto Humanidade no Forte Copacabana defendendo o meio ambiente, enquanto Israel Klabin escreveu artigo no caderno especial de O Globo sobre a Rio + 20. Quer dizer: mais uma vez os predadores do meio ambiente se colocam exatamente ao contrário do que são.

***

A presença do Presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad no Rio de Janeiro vale um capítulo a parte. Provocou polêmicas das mais variadas.

Ao contrário do que é apresentado diariamente pela mídia de mercado, Ahmadinejad mostrou um discurso conciliador, sem deixar de lado os princípios, reafirmando que o seu país não quer ter bomba atômica. O islamismo não permite, segundo Ahmadinejad.

No encontro que teve com intelectuais, políticos e alguns formadores de opinião, onde ouviu mais do que falou, o presidente iraniano enfatizou a importância da Justiça para o mundo e reafirmou suas críticas a uma ordem mundial injusta que precisa ser modificada.

Na entrevista coletiva , Ahmadinejad destacou, entre outras coisas, a hipocrisia dos Estados Unidos que tinha seis acordos nucleares na época do Xá Pahlevi, quando o Irã vivia uma ditadura, e os suspendeu logo após o triunfo da revolução E agora pressiona o Irã, segundo Ahmadinejad, exatamente para evitar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos.

Mas a presença de Ahmadinejad na Rio + 20, como não poderia deixar de ser, provocou polêmicas e manipulação da informação.

O maior exemplo nesse sentido ficou mais uma vez com O Globo. No suplemento especial sobre o Rio + 20, da quinta-feira (21), na página 4, a única matéria não assinada era sobre Ahmadinejad (“Ahmadinejad discursa contra a desigualdade”) editada de forma totalmente manipulada.

No final da matéria, o jornal dos Marinhos informava que “um forte esquema de segurança impede a circulação de repórteres e curiosos”. Referia-se o “informe” ao Hotel Royal Tulip, em São Conrado.

Os que circularam por lá naqueles dias puderam confirmar que a notícia divulgada não correspondia a realidade. Foi colocada com o objetivo de reforçar a imagem negativa do presidente iraniano.

Os jornalistas independentes que participaram da entrevista coletiva com Ahmadinejad chegaram a comentar como no local estava sendo discreta a segurança do dirigente iraniano que está na bola sete.

Teve jornalista que chegou ao local de carro e nem teve problema para estacionar no pátio do hotel, o que geralmente não é comum nos locais onde circulam autoridades, sobretudo chefes de Estado ou de Governo.

Fica o registro que pode servir de subsídio para os interessados em analisar como os jornais cobriram a intensa movimentação ocorrida no Rio de Janeiro nestes dias.

Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação

terça-feira, 8 de maio de 2012

O ataque de O Globo à blogosfera



Em editorial publicado hoje (08/05/2012), O Globo, no afã de defender sua comparsa de denúncias e factóides, a revista Veja, sobe o tom dos ataques da mídia corporativa contra a blogosfera (leia reprodução comentada no blog da Maria Frô).

A peça, que vem com as digitais do “imortal” Merval Pereira, intitula-se “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, e é nosso dever admitir que, ao menos no título, está certa. Com efeito, o megaempresário proprietário do jornal sensacionalista News of the World é acusado tão-somente de grampear meio mundo no Reino Unido, enquanto as acusações que pesam sobre a publicação de Civita são muito mais sérias, pois - como aponta Luis Nassif - “A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública”.

Quem te viu, quem te vê: O Globo, um jornal sempre tão sensível às denúncias de corrupção, agora que a casa cai descarta como insignificante o envolvimento de Veja com o maior contraventor de nossos dias...

Folha corrida

Em post histórico, Nassif, que tem o mérito indiscutível de ter revelado com grande antecedência o grau de perversidade das práticas de Veja - sofrendo retaliações judiciais e ataques a sua família - elenca nada menos do que nove suspeitas "que necessitam de um inquérito policial para... Continue lendo è

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Porque e a quem interessa paralisar obras estratégicas para o país?

*José Augusto Valente em 11 de novembro de 2010

Obra rodoviária 
Obra rodoviária

Fundamentarei neste artigo as seguintes afirmações e juízos;

a) Não é necessário e, ao contrário, é ineficaz, a paralisação de obras públicas estratégicas para o país. Se o que se pretende é fazer com que a obra tenha um custo adequado, dentro dos princípios constitucionais, há outras penalidades que conseguem punir quem deve ser punido e, ainda recolocar o contrato nos eixos. Neste caso, além de se retomar padrões razoáveis na administração pública, não se penaliza os usuários, a região e o país, com o adiamento de obras vitais para eles.

b) Quanto à outra parte – a quem interessa a paralisação? – só pode ter duas respostas. A mais óbvia é “a ninguém”, pelos motivos expostos acima. A mais maquiavélica é “interessa a quem deseja que o governo não possa capitalizar politicamente os benefícios gerados pelas mesmas”.

c) Interessa ainda menos aos trabalhadores (e suas famílias) que serão demitidos em massa, com a paralisação de obras de grande porte, como as mencionadas nos recentes relatórios do TCU, num momento muito especial de retomada vigorosa do crescimento econômico e social do Brasil.

Vamos às fundamentações.

O Tribunal de Contas da União – TCU é um órgão de assessoramento ao Congresso Nacional, em uma de suas principais atribuições que é a fiscalização do Poder Executivo. Os funcionários do quadro efetivo do TCU são do mais alto nível, aprovados em concursos considerados dos mais difíceis do país. O TCU, portanto, tem um quadro efetivo sobre o qual poucos questionamentos fariam sentido.

Relatórios do TCU, encaminhados ao Congresso Nacional para deliberação, muitas vezes, são instrumentos de utilização pela mídia, para fins de crítica contundente ao Governo em exercício, neste caso, ao Presidente Lula. Até aí, como não somos ingênuos de pensar que a mídia é imparcial, também faz parte do jogo.

Um dos aspectos que mostra certa deturpação da informação é que o TCU não aponta irregularidades, mas “indícios de irregularidades”. Entretanto, as matérias na imprensa informam dessa maneira, como O Globo de ontem, no lide da página 10.

“O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ontem que 32 obras que recebem recursos federais sejam paralisadas por apresentarem graves irregularidades”.

Visto isso, a pergunta que precisa ser respondida é: porque e a quem interessa a paralisação de obras estratégicas para o país?

Não quero discutir se o TCU tem ou não razão em emitir juízo de valor de que ocorreram irregularidades ou mesmo de que há fortes indícios de irregularidades. Estou supondo que os juízos são bem fundamentados e fazem sentido. O que questiono é se faz sentido, ou melhor, se é melhor para o país paralisar uma obra estratégica em andamento, ou se haveria outras formas de encaminhar penalidades aos dirigentes e às empresas executoras que não impliquem em alto custo para o país.

O Presidente Lula está correto em questionar esse ponto, em matéria de hoje do O Globo.

Uma grande obra ao ser paralisada (e temos inúmeros exemplos disso, no Governo Fernando Henrique Cardoso) tem como primeiro impacto impedir que os benefícios que essas obras trariam – para os usuários e para o desenvolvimento regional e nacional – sejam adiados sabe-se lá para quando.

Há caso de obras paralisadas, como duplicações de rodovias, que prorrogaram os infortúnios e elevaram os custos de transportes de milhares de usuários por mais de cinco anos.

O segundo impacto refere-se à elevação substantiva do custo final da obra. Esse é o paradoxo que o TCU precisa resolver: no correto intuito de impedir o mal decorrente dos superfaturamentos e dos sobre-preços, que elevariam o custo final da obra, termina por produzir o mesmo mal, só que num patamar muito mais elevado, que é a elevação do custo final da obra. Isso porque desmobilizar e “re-mobilizar” uma obra acresce a essa um custo muito alto.

Sem contar que, nos casos de obras rodoviárias, perde-se uma grande parte do realizado porque, como não foram concluídas as obras que protegeriam a infra-estrutura dos efeitos climáticos (chuvas, em especial), como revestimento final e drenagem, ao retomar a obra, muitos desse serviços precisam ser refeitos, acrescendo-se, então mais custos de retrabalho.

Reiterando: ao combater o mal, produz um mal ainda maior.

Seja como for, espero ter fundamentado que não faz sentido algum a proposta de paralisação de obras, por supostas ou por constatadas irregularidades.

Penso que o país espera que o Congresso Nacional seja sábio e encaminhe pela punição necessária e suficiente, para que as irregularidades ou indícios de irregularidades sejam corrigidos, sem prejudicar o povo brasileiro, especialmente os trabalhadores que serão demitidos.

*José Augusto Valente é Diretor Técnico do T1

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Por que o PiG (*) insiste em tentar desmoralizar a Petrobrás ?


Na foto, a secreta origem dos ataques do PiG (*)


O Conversa Afiada reproduz texto do Blog da Petrobrás:

Segurança nas plataformas:cartas aos jornais

Carta para o Estadão

A respeito da reportagem “Gabrielli admite corrosão em plataforma” (veja versão on-line), publicada pelo jornal O Estado de São Paulo nesta terça-feira (17/8), a Petrobras ressalta que o presidente da Companhia, José Sergio Gabrielli de Azevedo, afirmou ontem que as plataformas da Petrobras operam em segurança, não oferecendo risco aos trabalhadores embarcados e também não oferecendo riscos em relação à integridade dos equipamentos utilizados.

“Não há nenhum risco operacional nas plataformas, não há nenhum risco à integridade das pessoas, não há nenhum risco à integridade das plataformas, nenhum risco para a atividade”, disse. A Petrobras reafirma que a plataforma P-33 já estava com parada programada para manutenção, ocasião em que possíveis problemas de conservação seriam sanados. A Companhia considera legítima a atuação dos sindicatos dos petroleiros, que encontram-se em plena campanha salarial (data-base em setembro).

Carta para O Globo

A respeito da reportagem “P33 na mira do Ministério Público” (veja a versão on-line), publicada nesta terça-feira (17/8), a Petrobras ressalta que o presidente da Companhia, José Sergio Gabrielli de Azevedo, afirmou ontem que as plataformas da Petrobras operam em segurança, não oferecendo risco aos trabalhadores embarcados e também não oferecendo riscos em relação à integridade dos equipamentos utilizados. “Não há nenhum risco operacional nas plataformas, não há nenhum risco à integridade das pessoas, não há nenhum risco à integridade das plataformas, nenhum risco para a atividade”, disse.

A Petrobras reafirma que a plataforma P-33 já estava com parada programada para manutenção, ocasião em que possíveis problemas de conservação serão sanados.

A Companhia considera legítima a atuação dos sindicatos dos petroleiros e informa que está em negociação com os mesmos, que encontram-se em plena campanha salarial (data-base em setembro).


Navalha

O PiG (*) e a aliança demo-tucana perderam a batalha do pré-sal, personagem importante do programa de estréia da Dilma no horário eleitoral – clique aqui para ler “A Mãe Dilma e o Pai Lula botam o Serra no colo” e aqui para ler “Dilma bate mais na Vox Populi”.

A CPI da Petrobrás, do senador tucano Álvaro Dias, afundou antes de sair do porto.

O regime será o de “partilha” e, não, o de “concessão”, que vem do verbo “conceder” – como era no Governo Serra/FHC (ou FHC/Serra, como preferir o amigo navegante (**)).

A Petrobrás vai tomar conta do negócio.

Para bancar tudo isso, ela vai levantar dinheiro na praça, fazer uma emissão de capital.

E aí entram o PiG (*) e aliança demo-tucana liderada (hoje) por José Serra.

Investidores privados vão querer meter a mão na Petrobrás.

Reduzir o papel da União no controle da empresa e entregar uma fatia maior a alguns dos brilhantes privatizadores do regime FHC/Serra (ou Serra/FHC, como preferir o amigo navegante).

Para facilitar as coisas – e a opinião pública aceite de bom grado, como se fosse sopa no mel – é preciso desmoralizar a Petrobrás.

O PiG (*) ultimamente resolveu transformar a Petrobrás numa British Petroleum e infestar o litoral brasileiro com o petróleo que destruiu a região costeira do Golfo o México.

O campeão nessa batalha são as Organizações (?) Globo, especialmente o jornal.

Isso é mais velho que Mr Link.

Roberto Marinho, de braços dados a Roberto Campos e Assis Chateaubriand, foi sempre um dos mais ardorosos defensores do “Petróleo é Deles”.

As meios mudam.

Os fins são os mesmos.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**)
Clique aqui para ler “FHC traiu o pai, o tio e a si próprio para tentar vender a Petrobrax”

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Impressionante: todos falam (besteiras), mas ninguém se deu ao trabalho de ler a pesquisa rodoviária da CNT!

Enviada em 8 de agosto de 2010

Mais uma vez, a imprensa volta a falar (besteira) na pesquisa rodoviária da CNT (Confederação Nacional dos Transportes) para fazer uma afirmação completamente oposta ao que mostram os resultados da pesquisa 2009.

Leiam o que diz o jornal O Globo, em matéria cujo título é “Rodovias - estudos confirmam críticas / Dados de CNT e IPEA mostram estradas federais em péssimo estado. País também vai mal em portos e aeroportos”. Vejam se não tenho razão!

Já publiquei análises aqui neste T1 mostrando que nenhum desses juízos são sustentados em fatos (clique aqui, aqui e aqui). Além do mais, demonstramos que os estudos do IPEA são tecnicamente mal fundamentados, já que se baseiam em matérias de jornais e revistas, sem ter consultado qualquer estudo sério como o Plano Nacional de Logística e Transportes - PNLT, do MInistério dos Transportes.

1. Um argumento geral que desmonta o juizo de que “tudo vai mal”

A partir de 2002, a corrente de comércio exterior quase triplicou, passando de cerca de US$ 100 bilhões em 2002 para cerca de US$ 280 bilhões em 2007. A quantidade de contêineres (cargas de maior valor agregado) aumentou 2,5 vezes, passando de cerca de dois milhões, em 2002, para cerca de cinco milhões, em 2007.

Essas cargas chegaram aos portos, em grande parte, através de caminhões e trens. Se houve esse crescimento, em apenas cinco anos, significa que as exportações e importações fluíram e tinham custos logísticos adequados para se tornarem competitivos e atraentes, ainda que possam ser menores, no futuro.


2. Pesquisa rodoviária da CNT

A pesquisa, realizada em 2009 e divulgada em 28/10/09, mostra o seguinte quadro, em relação aos 87.552 quilômetros avaliados:

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Pavimentação (págs. 32 a 35, do Relatório Gerencial):

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94,3% não apresentam buracos (87,1% em 2007);
A condição do pavimento não obriga a redução de velocidade em 95,3% da malha (86,4% em 2007);
83,3% dos pavimentos dos acostamentos estão em boas condições (73,2% em 2007);
Em 2007, 94,4% dos pavimentos não apresentavam pontos críticos. Em 2009, não foi feita essa avaliação.

Obs.: A CNT não fez a pesquisa em 2008, daí compararmos com 2007

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Sinalização (págs. 36 a 44):

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• Pinturas das faixas centrais com boa visibilidade: 75,4%
• Pinturas das faixas laterais com boa visibilidade: 64,3%
• Placas existentes de sinalização de limites de velocidade: 70,2%
• Placas existentes de indicação: 68,5%
• Visibilidade das placas: 73,4%
• Legibilidade total das placas: 64,8%

Considerando apenas os números relativos à pavimentação e à sinalização, a pesquisa CNT 2009 mostra que a malha rodoviária nacional (federal e estaduais, concedidas e com operação estatal) melhorou muito nos últimos anos.

Graças aos elevados investimentos realizados pelo governo federal, pelas concessionárias e pelos governos estaduais, via recursos próprios e via repasses da CIDE, pelo governo federal.

A pergunta que fica no ar é: porque ninguém lê a pesquisa da CNT 2009, já que dou o número das páginas do Relatório Gerencial, que mostra o oposto do que se afirma há muitos anos?

Aos repórteres do Globo Geralda Doca e Gustavo Paul recomendo a leitura da pesquisa rodoviária CNT 2009 e, proximamente, a de 2010, que mostrará lá dentro (não no release) que o quadro é muito bom, o que explica o crescimento acelerado da economia.

Ou alguém pode acreditar que a economia estaria crescendo nos patamares em que está sem uma infraestrutura logística adequada?

Numa próxima análise, falaremos sobre os graves erros da mesma matéria sobre o sistema portuário.

Porque os repórteres ficam repetindo o que dizem entidades, sem checar as informações que sustentam os falsos juízos?

José Augusto Valente - Diretor Técnico do T1
extraído do
T1