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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os arquitetos do caos na Ásia Ocidental

3/2/2015, [*] Vijay Prashad, The Hindu, Nova Delhi
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Obama e o rei Salman da Arábia Saudita
Pandemônio, eis o que se vê praticamente sem interrupção, da Líbia ao Iraque. O Presidente Barack Obama dos EUA voou de Nova Delhi diretamente para os braços do rei Salman, novo governante da Arábia Saudita. A dupla tinha muito a discutir. Nem um nem outro pode estar muito satisfeito com a desgraça que seus países fizeram e continuam a distribuir por toda a Ásia Ocidental. Tragicamente, o único caminho que pensam em reforçar é exatamente o mesmo que só aprofundará os problemas e os tormentos nos próximos anos. Claramente o exemplo deles é o Egito, onde a dupla EUA-Arábia Saudita apoiou o golpe do general Abdel Fattah el-Sisi, e agora apoia o governo dele, apesar da repressão contra protestos.

O assassinato de uma jovem socialista, Shaimaa el-Sabbagh, quando depositava uma coroa de flores na Praça Tahrir, no 4º aniversário da revolução contra Mubarak, é sinal da podridão. Não impediu que um destacamento do “Estado Islâmico” (EI) atacasse na Península do Sinai, fazendo 30 mortos, entre militares e civis. Na Líbia, os sauditas e os EUA apoiam o ditador (Khalifa Haftar), como apoiaram no Iêmen (Abdullah Saleh). No Iraque e Síria, EUA e Arábia Saudita não gostaram do que viram e tentaram desfazer tudo. Os sauditas são movidos por sectarismo – sempre contra os xiitas (e a influência do Irã). Por isso, são obcecadamente contra os governos em Damasco e Bagdá, como também se opõem furiosamente aos rebeldes no Iêmen. Obama e o rei Salman não conseguiram resolver os problemas na região: acabaram-se todas as ideias e palpites que tinham a oferecer. Agora, outros terão de indicar o caminho adiante.


Líbia. O Corinthia Hotel é o mais luxuoso de Trípoli. Foi residência de primeiros-ministros sucessivos que temiam pela própria vida naquela capital perigosíssima (o Primeiro-Ministro Ali Zeidan foi raptado desse hotel, em 2013). Também abriga a missão da ONU, que conduziu um Diálogo sobre a Líbia, em Genebra. Dia 27/1/2015, pistoleiros entraram no hotel e mataram guardas e hóspedes estrangeiros (inclusive um mercenário que prestava serviços de segurança aos EUA). O ramo do Estado Islâmico em Trípoli reivindicou os créditos pela operação.


O caos impera na Líbia desde 2011. Dois governos dizem que governam o país – ambos apoiados em milícias e esquadrões-da-morte, ambos com exércitos estrangeiros a lhes dar cobertura. A missão da ONU – da qual o ocidente desertou depois da guerra em 2011 — não conseguiu criar nenhum processo de paz. O governo apoiado internacionalmente do Primeiro-Ministro Abdullah al-Thani enviou delegação a Genebra para unir-se ao processo de paz “conduzido” pela ONU. Os músculos desse processo são os do general renegado Khalifa Haftar, que faz guerra privada, sua, contra as milícias islamistas em Benghazi sob o nome de “Operation Karama” (Dignidade). Mas o governo de al-Thani está na cidade oriental de Tobruk, exilado da capital (Trípoli) e das cidades principais (Benghazi e Misrata). Vive à sombra do Egito e da Arábia Saudita.

O governo de al-Thani é uma concha. É o herdeiro dos que herdaram a Líbia das mãos do ocidente e dos estados do Golfo. As armas em campo não favorecem o grupo governante. Em Benghazi, a maré reinante ainda é comandada por um grupo islamista radical, Ansar al-Sharia, formado depois da queda do coronel Gaddafi. No oeste da Líbia, quem manda é o movimento conhecido como Fajr Líbia (Alvorada Líbia). Inclui o poderoso Escudo Líbio de Misrata e remanescentes do Grupo Islâmico de Combate Líbio. Seu Primeiro-Ministro, Omar al-Hassi, viveu no Hotel Corinthia, de onde teve de ser retirado em segredo por guardas da segurança. O grupo Alvorada Líbia recusou-se a participar das conversações de paz de Genebra. O ator mais poderoso afastou-se do processo anêmico apoiado pelo ocidente. Mostra bem o quanto o ocidente é irrelevante na Líbia contemporânea (a embaixada dos EUA para a Líbia está instalada em Malta). Quem manda na Líbia são Qatar e Turquia, apoiadores estrangeiros do grupo Alvorada Líbia.

É só simples questão de tempo, até que o Estado Islâmico estabeleça bases na Líbia. A cidade de Derna há muito tempo é centro de recrutamento de islamistas radicais. Piada que circula em Derna informa que é a cidade, em todo o mundo, que mandou mais combatentes da liberdade para Iraque e Síria.

Majlis Shura Shabab al-Islam
Em junho passado (2014), o grupo Majlis Shura Shabab al-Islam, um desdobramento do Ansar al-Sharia, aderiu ao Estado Islâmico. Declarou que passava a caçar as marda al-nafous (almas doentes) que ameaçava “esse nosso oprimido Estado Islâmico”. Não é difícil estabelecer laços operacionais entre Derna e Síria-Iraque; os milicianos continuam infatigavelmente a ir e vir o quanto desejem, através da Turquia. Ouvem-se ecos do Estado Islâmico entre Derna e Benghazi, onde os soldados de Ansar al-Sharia beneficiam-se da audácia das declarações de Abu Bakr al-Baghdadi. Do fundo da derrota, arrancam a sensação de vitória.

Ninguém quer paz

Iêmen. Velhas fissuras tribais no Iêmen que isolaram a comunidade dos xiitas zaidistas liderados pela família al-Houthi impuseram-se. Em nome da Guerra ao Terror, em 2004 o velho autocrata do Iêmen, Abdullah Saleh, traiu e matou o líder zaidista Hussein Badreddin al-Houthi. Um acordo político razoável teria posto fim a esse conflito, mas Saleh não quis acordo algum.

Inteiramente apoiado pelo ocidente, Saleh serviu-se de ataques com drones e muito suborno para destruir os inimigos. Atraída pela isca, a Arábia Saudita — que sempre, antes, desprezara Saleh — acabou por ceder aos próprios preconceitos anti-xiitas e aceitou apoiar o ditador em sua guerra contra os zaidistas. Saleh tratou os zaidistas – não a al-Qaeda – como principal inimigo. O grupo terrorista havia desaparecido do Iêmen, mas reapareceu em 2004, resultado de recrutamento nas prisões, experiência na insurgência no Iraque e ódio contra a guerra norte-americana de drones. Mas Saleh não usou todo o seu potencial de fogo contra a al-Qaeda. Seus inimigos estavam noutro lugar.

A “Operation Scorched Earth” [Operação Terra Arrasada] em 2009 levou a uma invasão saudita do Iêmen, para pôr fim à resistência zaidista. Dezenas de milhares de refugiados fugiram da região; não se conhece o número de mortos. Ninguém convocou qualquer processo de paz. Foi luta até o último homem.

Protestos de houthis na capital Sanaa
A Primavera Árabe no Iêmen permitiu que os rebeldes houthis se unissem aos protestos contra o governo de Saleh. A Al-Qaeda, enquanto isso, tomava o controle das cidades de Jaar e al-Husn. Um “diálogo nacional” convocado então não levou a qualquer solução. Os houthis queriam um acordo político. Os governos da Arábia Saudita e do Iêmen conseguiram convencer o ocidente de que os houthis seriam aliados do Irã. A partir disso, todas as atenções concentraram-se em manter os houthis longe do poder. Aí, precisamente é que o “plano” falhou mais fragorosamente; os houthis agora já assumiram o controle de Sana’a (capital do Iêmen). Ainda não se sabe se os houthis serão magnânimos na vitória; mas tampouco se pode adivinhar se os sauditas e o ocidente aceitarão qualquer gesto, mesmo que magnânimo, dos houthis.

Parte de uma guerra maior

Síria. No dia em que o rei saudita Abdullah morreu, o braço armado que representa os sauditas na guerra contra a Síria – o Jaish al-Islam de Zahran Alloush – disparou foguetes contra Damasco. Alloush anunciou por Twitter que faria “chover centenas de foguetes sobre a capital durante o dia todo, em resposta à barbárie que o regime cometera com ataques aéreos no Ghouta”. A guerra entre Alloush e o governo de Bashar al-Assad tornou-se guerra menor, mas nem por isso é escaramuça menos mortal na guerra maior no Iraque e Síria. Os inimigos do Presidente Bashar al-Assad não são absolutamente gentis, e assaltam áreas civis sem descanso e com requintes de crueldade.

Estado Islâmico é mantido por Israel, EUA, Qatar... 
Os ataques israelenses dentro da Síria contra o Hezbollah, da resistência libanesa, só complicarão cada vez mais a situação. Confrontos nas Fazendas Shebaa, uma parte do Líbano ocupada por Israel, poderia ter-se convertido em mais uma guerra de Israel contra o Líbano. Enquanto foguetes voavam nas duas direções, o Estado Islâmico distribuiu documento no qual dizia que seria “prematuro” declarar um emirado no Líbano. Beirute respirou aliviada. São raras as boas notícias na região.

Mais para o norte, o Estado Islâmico sofreu duas derrotas militares. Em Kobane – a Stalingrado dos curdos – as Unidades de Proteção do Povo Curdo [ing. Kurdish People’s Protection Units (YPG) finalmente conseguiram expulsar os milicianos do Estado Islâmico. Ataques pela Força Aérea da coalizão dos EUA ajudaram a cortar as linhas de suprimento do Estado Islâmico, embora a sempre porosa fronteira com a Turquia sempre lhes garanta algum socorro.

Também no Iraque, a Brigada Badr, uma milícias de xiitas, atacou o Estado Islâmico na província de Diyala, que foi libertada. Nem o exército iraquiano nem o exército sírio tiveram qualquer função nessas duas derrotas infligidas ao Estado Islâmicos. Mas o Estado Islâmico é difícil de eliminar. O grupo desapareceu dessas áreas, e encontrou outras áreas onde se abrigar. Um ataque pelo Estado Islâmico em Kirkuk tirou a vida de um respeitado líder curdo-iraquiano, brigadeiro-general Sherko Shwany; o Estado Islâmico mostrou que continua no jogo. Empurrado para fora do Iraque e do norte da Síria, talvez assuma afinal a via que o levará ao norte da Jordânia.

O Estado Islâmico manteve preso um piloto jordaniano, tenente Mu’ath al-Kaseasbeh, durante um mês, mas só ameaçou executá-lo depois da queda de Kobane e Diyala. Disse que pouparia a vida do piloto, se a Jordânia libertasse uma quase-suicida-bomba iraquiana Sajida al-Rishawi (a bomba dela não explodiu, num ataque em 2005 em Amã, Jordânia); mas fracassaram as negociações sobre a libertação da moça, e o Estado Islâmico executou dois reféns japoneses. Ao que se sabe, o piloto jordaniano continua prisioneiro do Estado Islâmico. As tensões estão subindo na Jordânia, sobre o papel do reino na coalizão contra o Estado Islâmico. É precisamente o tipo de fissura que o Estado Islâmico quer ver crescendo na Jordânia. Qualquer passo para o sul, fará soar os sinos de alarme na Arábia Saudita.

Mu’ath al-Kaseasbeh; foto maior, de branco
Entrementes, um alto oficial da inteligência jordaniana me informa que já ruiu completamente a tentativa dos EUA para criarem uma força moderada contra o Estado Islâmico. A [operação] Müs’terek Operasyon Merkezi, que a CIA construiu com aliados na Turquia já fracassou. Um depois do outro, todos os grupos rebeldes que a CIA arregimentara trocaram a CIA por outras formações – mais recentemente, foi o Exército Mujahedin que se uniu à Frente Islâmica, grupo que reúne dois outros afiliados da al-Qaeda, Ahrar al-Sham e a Frente al-Nusra.

Verdade é que nem os EUA nem a Arábia Saudita têm qualquer agenda que faça algum sentido na Síria. Permanecem obcecados com derrubar o governo do presidente Assad, mas já estão em pânico ante o crescimento do Estado Islâmico. Quanto maior a audácia do Estado Islâmico em seu território natal, mais potentes os ecos enviados para a Líbia e para o interior da Península Árabe.



[*] Vijay Prashad é professor de estudos internacionais no Trinity College. Dentre outros livros, é autor de The Darker Nations: A People’s History of the Third World e Arab Spring, Libyan Winter. 
Publica artigos regularmente em Asia Times Online, Frontline Magazine e Counterpunch. É usualmente entrevistado pela TRNN - The Real News Network  sobre Geopolítica e Política internacional; é também Editor-Chefe do LeftWord Books, Nova Delhi. É colunista de al-Araby al-Jadeed e Information Clearing House. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

(a) ISIS/EI promove seu multinacionalismo sangrento e (b) Obama se rende: Assad comandará a transição na Síria

17/11/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

(a) ISIS/EI promove seu multinacionalismo sangrento

Estado Islâmico (ISIS/EI) atual, em preto
Com bem planejada campanha de mídia, em três atos, o Estado Islâmico (EI) anunciou que se está convertendo em entidade multinacional presente em muitos países. E o presidente dos EUA afinal aceitou que o presidente da Síria deve, pelo menos durante a tal “transição”, permanecer onde está [e de onde, por falar nisso, ninguém conseguiu tirá-lo, por mais que tantos tenham tentado (NTs)].

Há uma semana, grupos jihadistas em cinco países árabes publicaram vídeos nos quais juram fidelidade ao Estado Islâmico e ao seu Califa. Os grupos aparecem na Argélia, no Egito (Sinai), na Líbia, no Iêmen e na Arábia Saudita. Os vídeos parecem ter sido editados pelos mesmos profissionais que editam todos os vídeos oficiais do Estado Islâmico, mas incluem tomadas locais de cada país.

Na 5ª-feira (13/11/2014) passada apareceu o segundo ato, quando foi publicada nova fita de áudio, com uma fala do Califa:

O discurso de Baghdadi foi dividido em duas partes principais. A primeira cobria aproximadamente dois terços do tempo da gravação e durava 17 minutos. Baghdadi falou do fracasso das operações da aliança internacional, que ele chama de “campanha dos Cruzados”, e zombou dos árabes que participam daquelas operações. Na segunda parte, que foi a mais perigosa, ele anunciou que o EI está em processo de expansão e surgem novas províncias em vários estados árabes. Essas duas partes foram divulgadas sob a principal manchete de Baghdadi: sua jihad continuará e alcançará todos os povos e todas as terras em todos os tempos.

Um terceiro ato, um vídeo muito bem produzido, foi distribuído, com mais de 16 minutos de duração, que mostrava uma fila de 18 homens do Estado Islâmico, cada um deles degolando um oficial ou piloto sírio capturado. 

Degoladores do ISIS/EI e degolados 
Na cena anterior ao momento dessa foto, vê-se uma cesta com facas bowie e cada degolador pega uma faca. Todos, na cena, usam o mesmo uniforme novo em folha, que não é o uniforme ocidental padrão, mas mostram mangas do tipo das que se veem nos uniformes usados no Afeganistão. (O padrão digital da estampa de camuflagem parece vir dos Emirados Árabes Unidos.) Todos têm mochilas iguais e gorros iguais. Todos os prisioneiros vestem o mesmo tipo de roupa. O único degolador que não aparece uniformizado e o único que tem o rosto coberto é britânico (apelido “Jihadi John”) e já fora visto em outro vídeo de decapitações. Este tem papel especial no final do clip. Todos os degoladores são de diferentes nacionalidades e representam a internacionalização do Estado Islâmico. Há um francês, um saudita, um iemenita, um paquistanês, um afegão, e outros.

A degola é mostrada do começo ao fim, em detalhes, parcialmente em câmera lenta. As decapitações são feitas devagar e sem hesitação. Quando a cabeça está separada do pescoço, é posta sobre o tronco, no chão. Não há gritos nem qualquer tipo de luta. A julgar pelos olhos e pela calma, todos, degoladores e degolados, parecem ter sido drogados, pelo menos superficialmente.

ISIS/EI em ordem unida
O vídeo exibe uma marca que mostra que foi filmado em Dabiq na Síria, o que tem muitos significados simbólicos. Dabiq é um vale no norte de Aleppo, onde o sultão otomano Salim I derrotou os mamelucos egípcios no século XVI. Dabiq é também o local onde, segundo alguns textos islamistas, travar-se-á a batalha do Armageddon, no confronto histórico final entre o bem (muçulmanos) e o mal (cristãos).

A degola dos oficiais sírios toma cerca de 12 minutos e só depois dela é mostrada outra decapitação, a qual, parece, aconteceu antes. O decapitado é Abdul-Rahman Kassig, “ex” soldado Ranger da força especial dos EUA que combateu no Iraque e apareceu depois como “trabalhador humanitário” na Síria, a serviço da oposição. Foi capturado pelo Estado Islâmico em 2013. A degola não é mostrada, mas vê-se a cabeça separada do corpo. O degolador é “Jihadi John” e ele ameaça os EUA e o Reino Unido: “Massacraremos vocês, nas suas ruas”. Nada sugere que seja piada. Parece, isso sim, anúncio de operações já planejadas.

O vídeo e a produção são de excelente qualidade. Com certeza a edição ficou a cargo de alguém que conhece muito bem o “estilo” da narrativa dramática ocidental e, também, da produção ocidental.

ISIS/EI ativo na Argelia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Síria e Iraque
Os valores simbólicos do vídeo não estão tanto propriamente na degola, embora os detalhes pornográficos possam ter sido incluídos para recrutar doentes psicóticos de um determinado tipo. Os pontos simbólicos estão na locação (e no que Dabiq representa) e no próprio grupo multinacional de degoladores, todos, hoje, já alistados como soldados uniformizados do Estado Islâmico.

É esse detalhe, afinal, que faz o vídeo aparecer como terceira parte de uma campanha de mídia muito bem planejada para anunciar e demonstrar o caráter multinacional do Estado Islâmico.

Por mais que tenham aparecido várias colunas escritas nas últimas semanas, sobre derrotas que o Estado Islâmico estaria sofrendo em algumas batalhas pequenas e sem importância no Iraque, a campanha de mídia lançada pelo EI aponta na direção oposta. O Estado Islâmico está crescendo e já é entidade multinacional com ampla distribuição geográfica. E vai-se tornando cada dia mais duro, mais difícil, combater contra ele. Mas significa também que o EI passará a precisar de mais recursos financeiros, que serão difíceis de obter. Significa também mais comunicação entre seus “ramos” – e comunicação é coisa rastreável, detectável e interrompível.

O vídeo acima discutido inclui também uma passagem na qual se explica que o Estado Islâmico e o fato de manter-se embasado em “Tawheed e Jihad” é consequência DIRETA das hostilidades e da ocupação, pelos “cruzados”, do Iraque. É explicação suficiente para pôr fim, de uma vez por todas, à conversa de tantos “especialistas”, que só fazem culpar Malik ou Assad pela ameaça que o EI traz para todos.

(b) Obama se rende: Assad comandará a transição na Síria

Barack Obama discursa na Austrália
Já havia previsto aqui que, para dar combate ao Estado Islâmico, o presidente Obama teria de deixar de lado a obsessão por derrubar o presidente Assad da Síria. Na 6ª-feira (14/11/2014), o primeiro-ministro Davutoğlu  da Turquia disse que recebera fortes sinais de que os EUA mudariam sua política para a Síria e que teriam desistido de derrubar o presidente Assad. Agora, numa conferência de imprensa em Brisbane durante a reunião do G-20, o próprio Obama disse que:

PRESIDENTE OBAMA: [...] Agora, estamos procurando uma solução política, eventualmente dentro da Síria, que inclua todos os grupos que vivem lá – os alawitas, os sunitas, cristãos. E, a certa altura, o povo sírio e os vários atores envolvidos, além de atores regionais – Turquia, Irã, apoiadores de Assad, como a Rússia – terão de se engajar numa conversa política.

E essa é a natureza da diplomacia sempre, com certeza nesse caso, onde você acaba tendo conversas diplomáticas potencialmente com gente de quem você não gosta e de governos dos quais você não gosta. Mas ainda não estamos nem próximos desse estágio.

PERGUNTA: Ok, mas, só para pôr um ponto final nesse assunto: o senhor continua a trabalhar ativamente para encontrar meios para tirar Assad de lá, como parte dessa transição política?

PRESIDENTE OBAMA: Não.

Até agora, os EUA sempre repetiram que Assad não poderia permanecer no governo como parte da tal “transição” (Rússia e Irã sempre insistiram, exatamente, em que Assad ficasse no governo, durante a transição). Assim sendo, aí está uma mudança na política dos EUA para a Síria. E, considerando-se a expansão do Estado Islâmico, é, afinal, mudança importante e sensível.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

sábado, 8 de novembro de 2014

O “treinamento” no ocidente e a luta contra o Estado Islâmico


4/11/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


As únicas entidades competentes e capazes que há hoje na região, para fazer frente ao Estado Islâmico são a Guarda Revolucionária do Irã e o Hezbollah libanês. E serão vãos quaisquer esforços para “treinar” qualquer nova força contra o Estado Islâmico que não inclua esses dois exércitos. (...) Se os EUA quiserem derrotar o Estado Islâmico, terão de “pegar muito leve” com seus outros “inimigos” e terão de deixar que Irã e Hezbollah conduzam e comandem o treinamento e a luta.


Tropas do Hezbollah libanês
“Treinar” tropas estrangeiras parece ser alguma espécie de fórmula mágica para vários problemas de política exterior. “Treinar” um novo exército iraquiano contra o Estado Islâmico é o mais recente sintoma dessa ânsia por milagres. Mas todo o “treinamento” que o ocidente oferece tem gerado mais problemas que soluções.

As diferentes tropas estrangeiras treinadas na infame Escola das Américas do Exército dos EUA revelaram-se muito capazes, mas só como torturadores e esquadrões da morte:

Observadores destacam que os alunos da Escola das Américas incluem 48 de 69 militares salvadorenhos citados no Relatório da Comissão da Verdade da ONU sobre El Salvador e envolvidos em violações de direitos humanos (incluindo 19 de 27 militares implicados no assassinato, em 1989, de seis sacerdotes jesuítas), e mais de 100 militares colombianos acusados de serem responsáveis por violações de direitos humanos em relatório publicado em 1992 e assinado por várias organizações de direitos humanos.

Relatórios de imprensa também informam que, entre os alunos que frequentaram aquela escola, há militares peruanos ligados ao assassinato, em julho de 1992, de nove estudantes e de um professor da Universidade Cantuta; além de vários oficiais militares hondurenhos ligados a uma força militar clandestina conhecida como Batalhão 316, responsável por desaparecimentos no início dos anos 1980s.

Críticos da Escola das Américas insistem que os soldados escolhidos para frequentar a escola não são adequadamente selecionados; resultado é que alguns alunos e instrutores são admitidos na escola depois de implicados em violações de direitos humanos.

Militares estrangeiros treinados ao longo da década passada em vários programas ditos “de antiterrorismo” frequentemente aparecem associados a golpes de estado em seus países de origem:

O oficial de exército que chefiou o golpe em Burkina Faso e contra o qual houve protestos populares na nação localizada no oeste da África foi duas vezes selecionado para frequentar cursos de treinamento antiterrorismo patrocinados pelo governo dos EUA, como informaram militares norte-americanos.

...

Apesar de terem recebido treinamento relativamente curto, a experiência de [tenente-coronel Isaac] Zida de Burkina Faso tem eco na história de outros oficiais militares africanos, que, na sequência, reapareceram chefiando golpes de Estado contra os respectivos governos, depois de selecionados pelo governo dos EUA para receber cursos de educação militar profissional.

Em março de 2012, um capitão do exército no Mali, que frequentara meia dúzia de cursos de treinamento nos EUA também liderou o golpe que depôs o governo democraticamente eleito naquele país.

Tenente-Coronel Isaac Zida, treinado
pelos EUA e golpista em Burkina Faso
O Reino Unido ofereceu-se para treinar 2 mil “soldados” líbios para “limpar” a anarquia que o ataque do próprio Reino Único criou na Líbia. O primeiro grupo de 325 foram recentemente selecionados, “analisados & aprovados” e embarcados para o Reino Unido, para algum tipo de treinamento básico de infantaria. Cerca de 90 deles decidiram que não querem ser soldados e pediram para ser devolvidos à Líbia. E cerca de outros 20 pediram asilo. Os restantes tentaram divertir-se como podiam. Dois roubaram bicicletas, pedalaram até Cambridge e atacaram sexualmente várias mulheres. Alguns outros estupraram um homem. O programa de “treinamento” foi abandonado e os demais, dessa mesma gangue de bandidos “analisados & aprovados”, além de “treinados”, foram mandados de volta para a Líbia, presumivelmente para aprofundar a anarquia que ali continua.

Os EUA treinaram o exército iraquiano ao longo de muitos anos, e ao custo de bilhões de dólares. Tão logo foi atacado, aquele exército ruiu aos pedaços. Quatro divisões fugiram quando foram atacadas por forças do Estado Islâmico significativamente mais fracas.

Mas... nada de desesperar. Os EUA encontraram o jeito perfeito para resolver o problema do Estado Islâmico no Iraque. Agora, simplesmente, os EUA treinarão algumas novas poucas novas divisões, e esses debutantes, com certeza, derrotarão e darão cabo do Estado Islâmico.

Forças de segurança do Iraque, apoiadas por poder de fogo e centenas de conselheiros dos EUA, estão planejando uma grande ofensiva de primavera contra combatentes do Estado Islâmico que chegam em grandes números ao país vindos da Síria, campanha que, contudo, enfrentará muitos desafios logísticos e políticos.

...

Oficiais norte-americanos dizem que a força inicial à qual planejar dar treinamento e aconselhamento não ultrapassará nove brigadas iraquianas e três unidades similares de [guerrilheiros] curdos peshmerga – cerca de 24 mil soldados.

O plano de contra-ataque exige pelo menos o dobro dessa força, com acréscimo de três divisões, cada uma das quais deve contar com de 8 mil a 12 mil soldados.

Os EUA estão confiando nos seus aliados, para ampliar o número de instrutores norte-americanos. Austrália, Canadá e Noruega já prometeram várias centenas de soldados de forças especiais para uma ou mais de uma das missões de treinamento ou de aconselhamento – disse um alto oficial militar dos EUA.

Sobre o que esperar da qualidade dessas forças e treinamento, basta reler os parágrafos acima.

Áreas controladas pelo Estado Islâmico
(ISIS-ISIS) na Síria e no Iraque em 5/11/2014
O Estado Islâmico governa, atualmente, alguma coisa como de 4 a 6 milhões de pessoas. Está recrutando e alistando gente, para aumentar o efetivo de seu próprio exército. Quantos homens jovens e em idade de combater podem ser recrutados entre milhões de pessoas de uma população tradicionalmente muito prolífica? 100 mil? 300 mil? O Estado Islâmico tem instrutores capazes, formados no Exército Iraquiano Baathista e usa um estilo de combate que combina táticas de guerrilha e de guerra convencional. Já capturou armas e munição suficientes para armar dezenas de milhares de soldados.

Mesmo com apoio aéreo, as forças limitadas que os EUA planejam treinar sempre serão insuficientes, tão logo aquelas forças tentem entrar em áreas que o Estado Islâmico não deseje ceder.

O modelo “ocidental” simplesmente não está funcionando, no tipo de conflito que há em outras partes do mundo. As mentalidades, tradições, incentivos ideológicos e níveis de educação são muito diferentes.

“O ocidente” ainda se sente superior ao “resto”, porque, no passado, venceu incontáveis guerras coloniais. Mas como Samuel Huntington escreveu certa vez:

O Ocidente conquistou o mundo não pela superioridade de suas ideias ou valores, mas pela superioridade que manifestou na aplicação da violência organizada. Os ocidentais frequentemente esquecem esse fato; os não ocidentais jamais esquecem.

Foi uma vantagem no campo da tecnologia que permitiu que forças “ocidentais” vencessem guerras coloniais. Mas hoje, pelo menos em guerras de solo, os dois lados usam basicamente a mesma tecnologia e armas similares. Já não há qualquer vantagem técnica, e nenhum “treinamento” básico tem grande serventia para ajudar a escapar de uma rajada de balas quentíssimas de metralhadora. A guerra de independência dos EUA é bom exemplo disso. O exército britânico ainda conseguia vencer outras guerras coloniais, mas foi derrotado na única guerra colonial que foi obrigado a guerrear contra inimigo que estava em nível técnico similar ao seu, mas muitíssimo mais motivado.

Qualquer exército que inventem de mandar lutar contra o Estado Islâmico e seus exércitos terá de ter alguma motivação ideológica e vontade de lutar que sejam, no mínimo, equivalentes às dos combatentes do Estado Islâmico. Como força atacante, também terá de contar com número maior de soldados. Os EUA e outros exércitos “ocidentais” são incapazes de criar esse tipo de força no Iraque.

Aiatolá Ali Khamenei e oficiais generais
da Guarda Revolucionária do Irã
Foto: Aiatolá Ali Khamenei e oficiais máximos da Guarda Revolucionária do Irã

As únicas entidades competentes e capazes para fazer tal coisa e rapidamente, hoje, são a Guarda Revolucionária do Irã e o Hezbollah libanês. E serão vãos quaisquer esforços para “treinar” qualquer nova força contra o Estado Islâmico que não inclua esses dois exércitos.

A história recente do “treinamento ocidental” de forças estrangeiras é história de fracassos e derrotas. É estupidez pretender que, dessa vez, seria diferente.

Se os EUA querem derrotar o Estado Islâmico terão de “pegar muito leve” com seus outros “inimigos” e terão de deixar que Irã e Hezbollah conduzam e comandem o treinamento e a luta. Qualquer outra coisa fracassará e acabará em algumas décadas, muito provavelmente, na situação embaraçosa de os EUA terem de aceitar o surgimento de um novo estado onde um dia existiu Iraque, Síria e o que mais o Estado Islâmico decida fatiar para seu próprio uso.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille(1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Declaração Conjunta Sobre a Coalizão contra o Estado Islâmico (ISIS/ISIL) liderada pelos EUA

16/9/2014, Syria Comment
(introdução e análise aqui omitidas e tradução para o inglês  da “Declaração Conjunta” [excertos], por Aymenn Al-Tamimi)
Excerto  editado e traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Al-Qaeda no Maghreb Islâmico (AQIM) e Al-Qaeda na Península Árabe (AQAP)

Declaração Conjunta (11/9/2014: Declaração n. 1)
Situação: Apoio a muçulmanos, contra a aliança de Cruzados e Apóstatas

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O sofrimento de nosso povo no Iraque e Levante nunca sai de nossos pensamentos, e tudo que ele tem oferecido em corpos martirizados. Tampouco jamais saem de nossos pensamentos as consequências negativas – que advieram para o povo sírio da luta interna entre mujahideen. Nem sai de nossa mente a tristeza das arenas de jihad pela perda de seus melhores comandantes e filhos, vítimas da luta interna – da qual os beneficiários sempre foram e são os sionistas [Israel], os adoradores da cruz, os rafiditas [xiitas], os nusayris [alawitas] e seus seguidores.

Então há os EUA – cabeça da descrença – e símbolo do inimigo e da tirania, que levanta outra vez a cabeça, e alista por trás de si aliados dos Cruzados e seus colaboradores apóstatas, para a tentativa que faz o Cruzado de levar guerra ao Islã e aos muçulmanos, para aumentar ainda mais as desgraças da Ummah [comunidade muçulmana mundial], sob o pretexto de atacar o Estado Islâmico e aniquilá-lo – foi o que disseram!! Pedimos a Deus que os frustre, os derrote e os massacre.

Quanto a esse opressivo esforço dos Cruzados, só podemos nos posicionar ao lado do Islã e dos muçulmanos, contra os EUA Cruzados e sua aliança judeu-cruzados-safavidas-apóstatas – que é o verdadeiro inimigo da Ummah e o Caminho e o primeiro a fazer guerra contra a Xaria, e assim declaramos que essa é a nossa posição, para agradar a Deus: apoiar nossos irmãos mujahideen contra os incréus e defender nosso povo muçulmano onde estiver. Assim sendo, dizemos:

●– Irmãos mujahideen no Iraque e na Síria (...) parem de lutar entre vocês e posicionem-se como fileira única contra a iniciativa dos EUA e sua aliança satânica que só está à espera de que nos dividamos, para nos quebrar cada vez mais e mais. Enfrentem a unidade das nações sem fé contra vocês, com a unidade de vocês contra eles, como nos disse o Todo-Poderoso: “E deem combate aos politeístas como um todo se eles lutarem como um todo contra vocês, e saibam que Deus está com os que sabem de Deus” [...]

●– Oh mujahideen e ansar [ajudadores/apoiadores], parem de ofender-se e lançar insultos uns contra os outros e dirijam as penas que escrevem a verdade e as espadas de gume mortal contra a cabeça dos increus – os EUA – e aquela aliança de opressão e de agressão.

●– A todos os que estão em armas contra o tirano Bashar e seus shabiha: os EUA procurarão subornar vocês com seu jogo duplo e seu fingimento, para que vocês se desviem do caminho de vocês e se transformem em trapos nas mãos deles, para consumarem os interesses deles.

●– Ao nosso povo – a Ahl al-Sunna [os sunitas] no Iraque e na Síria, não esqueçam os crimes que os EUA cometeram contra as terras de vocês e não esqueçam a posição dos EUA nas batalhas de vocês, e que as adagas envenenadas dos EUA continuam plantadas no peito de vocês. Portanto, não deixem aqueles mentirosos, falsos, chicaneiros, enganarem vocês, e não se alistem naquela aliança, nem se convertam em soldados deles, contra os próprios filhosmujahideen de vocês.

●– Convocamos nossa Ummah muçulmana a apoiar nosso povo no Iraque e na Síria e apoiá-los com o que haja de mais caro e precioso, e cerrar fileira contra os EUA, cabeça da descrença, fonte de todo o mal e símbolo de corrupção e opressão.

●– Convocamos nossa Ummah muçulmana a desmentir o que digam os governantes apóstatas e seus colaboradores, a provar que estão errados quando induzem os norte-americanos sem fé a atacar os mujahideen, que impeçam seus filhos alistados de participarem dessa guerra de opressão que só tem por objetivo manter a hegemonia do Cruzado americano sobre nossa Ummah muçulmana e dar cobertura ao estado dos sionistas [Israel].

●– Conclamamos nosso povo na Península Árabe em particular e em todos os estados nessa aliança satânica em geral a postar-se contra seus governos colaboracionistas e a impedir – por todos os meios legais – que avancem nessa guerra contra o Islã, sob o pretexto de combater o terrorismo.

●– Quanto a vocês, oh aliados de descrentes e infiéis, prestem atenção ao medo que aflige o coração de vocês, porque há dias negros à espera de vocês. Porque esses líderes de vocês estão afundando e têm medo de confrontar os cavaleiros do Islã. E verdade é que vocês já conhecem o gosto das espadas dos soldados do Islã e o do assalto dos heróis do Iraque e Síria, e deus já lhes mostrou o que são a derrota e a degradação, e os exércitos de vocês foram derrotados e carregam as consequências do fracasso.

●– Concluímos essa conclamação, recordando a toda nossa Ummah Islâmica as palavras do renovador do tempo e conquistador dos EUA, Sheikh Osama [bin Laden] (que Deus seja generoso com ele e torne leve a terra que o abriga): “Não ouçam nem consultem ninguém, na luta contra os EUA”.  

Na conclusão dessa declaração, apresentamos nossas sinceras condolências aos mujahideen do grupo Ahrar al-Sham (...) e pedimos a Deus que tenha piedade de seus mártires e recompense, eles e nós, de nossos padecimentos, nos tornando melhores que antes. Apresentamos também sinceras condolências a todo o nosso povo em geral na Síria e às famílias dos mártires em particular; e pedimos a Deus Todo-Poderoso, ao Altíssimo, que se conecte com os corações deles e derrame neles fortaleza e coragem.

Deus, dá a essa Ummah uma situação justa, na qual os que te obedecem sejam fortalecidos e os que trazem a desgraça aos que te obedecem sejam derrubados. Deus, traze a vitória aos nossos irmãos mujahideen no Iraque e na Síria e em todo o mundo. Deus, traze ruína sobre os EUA e seus aliados e todos que tomem partido contra os mujahideen. [...]

[assinam] Al Qaeda al-Jihad na Península Árabe e na Terra do Maghreb Islâmico