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quarta-feira, 4 de março de 2015

Grécia: resposta aos sofistas

25/2/2015, [*] Stathis Kouvelakis (em gr. Στάθης Κουβελάκης) 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Ver também: 
27/2/2015, redecastorphoto em: Grécia: Fase Um, Stathis Kouvelakis (do Comitê Central do SYRIZA), revista Jacobin (entrevista), traduzida.



Stathis Kouvelakis
Dois sofismas, ou, melhor dizendo, dois sofismas e meio, circulam ultimamente, distribuídos por aqueles e aquelas que se recusam a olhar na cara da realidade e a compreender o recuo a que o SYRIZA foi forçado, assim como as possíveis consequências. Digo “forçado”, sim, porque preso numa estratégia errada; e não digo “traição” nem “renegação”, que são termos moralizantes e absolutamente inúteis para quem queira compreender os processos políticos.

Primeiro sofisma: o SYRIZA “não tinha mandato para sair do euro. Se tivesse ficado nessa posição, não teria sido eleito”. Dito assim, o raciocínio é absurdo. Sim, o SYRIZA não tinha “mandato para sair do euro”. Mas não tinha, com certeza, mandato para abandonar o essencial de seu programa... para permanecer no euro!

E não há dúvidas de que se se tivesse apresentado aos eleitores dizendo “eis meu programa, mas se virmos que a aplicação desse programa não é compatível com a permanência dentro do euro, então esqueçamos o programa”, o SYRIZA não teria tido nem o menor sucesso eleitoral. E não por acaso: a permanência dentro do euro A QUALQUER CUSTO é exatamente o argumento de base dos partidos pró-Memorando que governaram a Grécia durante todos esses anos. E o SYRIZA, ainda que nunca tenha esclarecido sua posição sobre o euro, sempre recusou a lógica do “euro a qualquer custo”.

Recordemos, sobre esse ponto, que, ao contrário do que supõem a maioria dos comentadores, os textos programáticos do SYRIZA não excluem nem a saída do euro como consequência imposta no caso de os europeus recusarem [as propostas do SYRIZA], nem a suspensão dos pagamentos da dívida [calote]. Mas, sim, é verdade que nos últimos tempos esses textos foram postos em surdina.

Etienne Balibar
Variante do primeiro sofisma: “O SYRIZA tinha duplo mandato: romper com a austeridade E permanecer no euro”. Dito assim, soa mais racional que a formulação anterior, mas mesmo assim continua o sofisma. Porque se faz como se os dois objetos do mandato tivessem o mesmo peso e isso (no caso de ser preciso optar e é claro que é preciso optar, todo o problema está aí) legitimaria que se sacrificasse o euro, sendo inevitável, em favor do segundo (romper com a austeridade). E, isso, sem trair o mandado de que se está falando!

Mas... E por que não invertermos o argumento [permanecer no euro E romper com a austeridade], dizendo: “Dado que percebo que os dois termos são incompatíveis, escolho o primeiro, porque, no fundo, o eleitorado grego votou num partido da esquerda radical precisamente para que fizesse isso”. Quer dizer: dar mais valor à ruptura que à “estabilidade”, no marco atual; é o que resulta mais coerente (e é o mínimo que se pode dizer) com a tarefa de um partido de esquerda radical que propõe o socialismo como seu “objetivo estratégico” (embora não tenha sido eleito para esse objetivo).

Terceiro sofisma, de Etienne Balibar e de Sandro Mezzadra que, depois do que aconteceu e depois de terem feito ironias sobre “a esquerda do SYRIZA” que “falava de renúncia” (mesmo que ninguém na esquerda do SYRIZA se tenha jamais servido desse termo, mas vamos em frente), tiram a conclusão de que assim se mostra(ria) “que não se construirá na Europa uma política de liberdade e igualdade baseada só na soberania nacional”.

Para chegar lá, o fundamental seria ganhar tempo, mesmo que a custa de concessões (e aqui fazem a referência indispensável a Lênin, para “avalizar” a radicalidade do que dizem), e permitir que aconteçam futuras vitórias políticas (referem-se ao Estado espanhol) e os movimentos sociais desenvolvam-se, de preferência os “transnacionais”, tipo Blockupy. E seguem a navegar sempre nesse sofisma, com espantosa falsa-pureza de espírito, lógica, apesar de tudo, em ardorosos defensores do “projeto europeu” (apesar de, sim, só na “versão do bem”), como esses dois autores.

Sandro Mezzadra
O problema é que os ritmos das forças políticas e dos movimentos sociais a que se referem Balibar e Mezzadra não estão em sincronia. De hoje até o próximo verão, o governo do SYRIZA terá de fazer frente a desafios mais que pesadíssimos, e não é possível supor que uma manifestação – bem-sucedida, que seja – em Frankfurt, ou uma possível vitória do partido Podemos nas eleições de novembro na Espanha, consiga modificar a situação a favor do SYRIZA.

Essa assincronia entre ritmos temporais é uma das modalidades sob as quais o caráter estratégico do nível nacional apresenta-se aos atores da luta política: o plano nacional é o terreno no qual se condensa de modo decisivo a relação de forças entre as classes.

O que Balibar e Mezzadra subestimam gravemente, além do mais, é o efeito de desmobilização que não deixará de ter, no plano grego interno e no plano europeu, a percepção (que acabará por se impor, apesar dos ataques que lhe fazem os defensores de visão curta do governo grego) de uma Grécia e de um governo do SYRIZA obrigados a curvar-se ante os diktats austeritários da União Europeia. Já não se vê, mesmo na Grécia, o clima de mobilização e confiança que havia nas primeiras semanas depois das eleições. Agora imperam o desassossego e certa confusão. É verdade que as mobilizações podem voltar, mas, por um lado, estarão, agora, dirigidas contra opções de governo; e, por outro lado, não se verão mobilizações rápidas, “a toque de apito”.

Syriza - logotipo
Condicionar uma escolha política à emergência de movimentos é pior que temerário. É um modo de dizer que nada acontecerá se não houver o movimento, ou se o movimento for apenas fraco. Na realidade, trata-se de agir exatamente no sentido inverso. Assumimos uma escolha de ruptura, e isso estimula a mobilização, a qual tem, ou adquire, a própria autonomia. Foi, além do mais, exatamente o que aconteceu na Grécia na fase de “confronto” entre o governo e a União Europeia, entre 5 e 20 de fevereiro/2015, quando dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas, por movimento largamente espontâneo e externo aos quadros partidários.

O argumento do “tempo ganho” persiste quando persiste a ilusão. Durante esses quatro meses de suposto “respiro”, o SYRIZA estará, na realidade, obrigado a mover-se dentro do quadro vigente, a consolidá-lo, portanto, pondo em ação uma grande parte do que a Troïka (reapelidada agora de “Instituições”) exige, “atrasando” a aplicação de medidas−signos de seu programa, precisamente aquelas que teriam permitido “fazer a diferença” e cimentar a aliança social que levou o SYRIZA ao poder.

Esse “tempo ganho” expõe-se ao grave risco de logo se revelar como “tempo perdido”, que desestabilizará a base do SYRIZA e permitirá que os adversários (especialmente a extrema direita) reagrupem suas forças e apresentem-se como únicos defensores de uma “verdadeira ruptura com o sistema”.

Destaquemos também que, apesar da repulsa que qualquer referência à nação provoca nesses fanáticos do europeísmo como Balibar e Mezzadra, os sucessos políticos a que eles se referem, dos partidos SYRIZA e Podemos, só são vitórias no nível nacional, que só modificam a relação de forças no que tenha a ver com forças políticas de esquerda que cheguem a governos de estados nacionais. Esses êxitos, sim, também estão construídos, em grande parte, sobre a base da soberania nacional, em sentido democrático, popular – não nacionalista – e aberto.

Alexis Tsipras (E) e Pablo Iglesias
Nos discursos de Tsipras e de Iglesias abundam, sempre perfeitamente assumidos, o discurso “nacional-popular” e referências ao “patriotismo”, assim como abundam as bandeiras nacionais (grega ou republicana, no caso do Estado espanhol no conjunto), em mãos das massas e dos movimentos “autônomos” (para usar o termo de Mezzadra e Balibar) que enchem as ruas e praças desses países.

Mais que em qualquer outro elemento, aí se vê que a referência nacional é (principalmente nos países dominados da periferia da Europa) terreno de luta – que, em países como o Estado espanhol e a Grécia, as forças progressistas conseguiram hegemonizar para convertê-la num dos motores mais potentes do sucesso que alcançaram até aqui.

Sobre essa base da referência nacional pode-se construir um verdadeiro internacionalismo. Não sobre conversas sem qualquer substância e desconectadas da realidade concreta da luta política, segundo as quais o discurso “deve ser” “europeu” ou “transnacional”, totalmente e sem qualquer mediação.

Uma última coisa, para concluir: há um elemento de verdade dos dois primeiros sofismas, quanto ao “mandato” para sair do euro. Este elemento sempre esteve “ocultado” na contradição que havia dentro da posição majoritária no SYRIZA, a qual, agora, se manifestou muito claramente. A ideia de romper com a austeridade E com o peso da dívida, no marco europeu atual fracassou muito claramente.

Em situações desse tipo, é preciso falar com sinceridade e honestidade e começar por admitir o fracasso. E admitir portanto que é preciso voltar a discutir para encontrar a estratégia mais adequada para conseguir ser fiel aos compromissos assumidos e para tirar o país da encruzilhada em que está, ao mesmo em que enviamos uma mensagem de luta aos muitos e muitas que apostaram na “esperança grega”, e que hoje se recusam, com razão, a admitir qualquer derrota.
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[*] Stathis Kouvelakis ensina Teoria Política no King’s College London e é membro do Comitê Central da Syriza. Obteve Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Universidade de Paris 10 e Doutorado em Filosofia Política pela Universidade de Paris 8. Foi professor na Universidade de Paris 8 e bolsista de investigação na Universidade de Wolverhampton, antes de começar a lecionar no King’s College em setembro de 2003 onde está até hoje.
Seus principais interesses de pesquisa estão nos estudos sobre Marx, Filosofia alemã e Teoria crítica recente. Sua pesquisa tem-se centrado na formação do pensamento político de Marx, a trajetória dos Jovens Hegelianos e na crítica ao liberalismo político. Também pesquisa a Política Francesa Contemporânea e sobre a história dos protestos sociais na França. Kouvelakis está atualmente trabalhando em dois livros, o primeiro sobre a política atual, discutindo as noções de temporalidade e decisão no pensamento político contemporâneo, o segundo sobre o estado atual da Teoria Marxista. Seu projeto de longo prazo inclui um estudo da formação da Teoria de Marx no contexto (político, intelectual e cultural) das Revoluções Europeias de 1848 e suas consequências.
É membro do conselho editorial das revistas francesas Contretemps e La Pensée, do Groupe d'Etudes Sartriennes e da série de livros sobre Materialismo Histórico em Brill Academic Publishers (Leiden, Holanda). 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pepe Escobar: Mais sobre a China

24/2/2015, [*] Pepe Escobar via Facebook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Complemento de: 25/2/2015, redecastorphoto: “Pepe Escobar: Ano da Cabra, Século do Dragão?


De um dos meus leitores norte-americanos, com vasta experiência de negócios com a China.

Há mais de 20 anos indo e vindo; escrevendo sobre como e o quanto os chineses foram bem-sucedidos na complexa engenharia reversa de equipamento-capital, formando na sequência as empresas para produzirem lá mesmo, os seus meios de produção. Ante toda aquela manufatura – meu negócio básico por mais de 30 anos, com muitas ex-empresas norte-americanas – os norte-americanos e europeus fogem da concorrência, porque “está ficando dura demais” e eles preferem o “dinheiro fácil” da finança.

Graduado e pós-graduado em física e mais um pós-doutoramento, maravilho-me ante o mais-que-excelente, altamente rigoroso sistema de educação na China, a tal ponto que não só os alunos chineses de ginásio “derrubam” todos e quaisquer dos seus colegas em idade de “Ameaça Ocidental” em todos os testes inventados pelo ocidente; o mais impressionante é que os engenheiros chineses, bem-formados e bem treinados e muitíssimo produtivos são patrimônio que mais ninguém tem no planeta.

A China já tem tudo que “é preciso” para tornar-se a super-star global em “alta tecnologia”, sem concorrentes imagináveis.

Ele fala, por exemplo, da empresa “Applied Materials”

que foi a maior manufatura de equipamentos para produzir semicondutores (chip) com base nos EUA (San José, CA). Tudo acabou em 2009, quando a empresa transferiu toda a sua operação de Pesquisa & Desenvolvimento para (bem perto, a oeste de) Xian, China.

Perguntado sobre por que fizeram tal coisa, o executivo norte-americano da Applied (cujos filhos estão aprendendo Standard Mandarin), disse que:

(...) o mercado futuro da empresa está na Ásia; e muitos dos bons engenheiros de que a empresa precisará também estão lá, na China.

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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Adquira seu novo livro, Empire of Chaos, que acaba de ser publicado pela Nimble Books. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRES...

6/2/2015, [*] Pepe Escobar, 19h33 – via Facebook
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRES...

Não se sabe grande coisa do tenso encontro em Moscou, entre a Medusa Merkel, o general Hollande e Vlad.

Mas John Kerry, como sempre, já está nas telas mentindo sem parar sobre a viagem da dupla até o Kremlin.

Kerry disse que Putin enviou “algumas poucas ideias” à França e Alemanha, e Merkel/Hollande estariam respondendo. Nonsense.

Merkel/Hollande – em total desespero – correram até Moscou para falar com Putin, porque Putin é quem tem o ÚNICO plano possível para estabilizar a Ucrânia – e já o tem, verdade seja dita, há meses. Sem essa solução, HAVERÁ guerra, que é precisamente o que os “cérebros” do Império do Caos em Washington desejam.

Kerry mentiu deslavadamente quando disse que os EUA quereriam uma solução diplomática. ENTÃO imediatamente voltou à conversa de sempre de “revisar todas as opções”, inclusive a “possibilidade de fornecer sistemas defensivos à Ucrânia”.

Faça isso – e a resposta dos russos será devastadora.

John Kerry, o MENTIROSO
Não surpreende que a absoluta maioria da União Europeia – exceto os lituanos doidos – oponha-se a fornecer armas aos facínoras de Kiev.

Süddeutsche Zeitung – jornal muito decente – mostrou um especialista russo em questões militares, Yevgeny Buchinsky, alertando que, se fizerem tal coisa,

(...) a Rússia terá de intervir e, dito sem meias palavras, tomar Kiev. Nesse caso, a OTAN ficará em situação difícil. E rapidamente vocês terão iniciado a IIIª. Guerra Mundial, que ninguém deseja.

Pode parecer um pouco Dr. Fantásticano demais – mas o Süddeutsche Zeitung acertou na mosca ao enfatizar que, se Washington armar os facínoras de Kiev, a Rússia interpretará o movimento como declaração de guerra.

Publicamente a Medusa Merkel diz que é contra. Mas o Chocolateshenko está totalmente histérico:

Não tenho dúvidas de que os EUA e outros parceiros nos ajudarão com armamento letal, para que a Ucrânia consiga defender-se.

Se acontecer, será o inferno na terra. A Rússia agirá. E Império do Caos pôr-se-á a gritar “nova agressão russa”, a imprensa-empresa fará o eco. A escalada será inevitável. E cada um escolha o cavalo que prefira, para apostar.

Como se poderia prever, a imprensa-empresa ocidental já se pôs a gritar que a débâcle inteira teria acontecido por MEDO DO DIABO (de Vlad). Os medos são visivelmente aparentemente rampantes em Bruxelas e em várias capitais europeias (entre os palhaços políticos, claro; NÃO nas ruas).

Como a imprensa-empresa ocidental pinta Putin...
A retórica é imunda, pior que imunda.

Carl Bildt, ex-ministro de Relações Exteriores da Suécia, disse que a “guerra entre Rússia e o ocidente” já é agora CONCEBÍVEL.

General Hollande falou do risco de “guerra total”, em conversa com jornalistas.

General Sir Richard Shirreff, top bananão britânico, digo, “comandante” da OTAN até março passado, disse que se deve enviar “mensagem forte” a Putin, se A EUROPA CONTINENTAL [orig. MAINLAND EUROPE] (!!!) quiser evitar “guerra total”.

Rasmussen “Fog da Guerra” – a Volta dos Mortos Vivos! – disse que Putin pode expandir o “revisionismo soviético” até a OTAN e a União Europeia. Nos Bálticos, disse que Putin muito apreciaria um pouco de exercício em “guerra híbrida”.

Na 2ª-feira (9/2/2015) haverá mais sanções (pequenas) da União Europeia. As sanções econômicas linha-dura contra bancos e empresas russas só caducam em julho.

Até os burocratas da União Europeia admitem – off the Record – que as sanções são ridículas, sancionando de fato a União Europeia que perde 15% do que exportava para a Rússia. Os britânicos, previsivelmente – as sombras do Grande Jogo nunca morrem – lideram a turma pró-sanções.

Algum idiota que se faz passar por “editor de Europa” do Grauniad (onde será que encontram essa gente? Embebedando-se num pub depois de jogo do Arsenal?) escreveu que: 

Putin é visto cada vez mais como jogador desalmado, que blefa e corre riscos, e é inescrutável, paranoico e imprevisível.

Parece coluna pré-redigida por um daqueles picaretas do Departamento de Estado.

Sanções: Prepare-se para sérias consequências
E mais e mais conversa do mesmo tipo, na mesma toada: o verdadeiro pesadelo para a Europa não é a Ucrânia, mas Vlad, o Demônio. NINGUÉM tem coragem para criticar o Império do Caos.

E assim voltamos à:

... AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRESSÃO RUSSA AGRES...

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Adquira seu novo livro, Empire of Chaos, que acaba de ser publicado pela Nimble Books. 

Império do Caos

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Exército britânico cria força especial de combatentes de Facebook

2/2/2015, [*] As’ad AbuKhalil − The Angry Arab News Service
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O exército britânico está criando uma força especial de combatentes de Facebook, com treinamento para operações psicológicas e uso das mídias sociais para combater em fronts não convencionais da era da informação”.

Além dos britânicos, também os exércitos de Israel e dos EUA investem pesadamente em treinamento para operações psicológicas. Em contexto de combates ininterruptos, 24 horas de noticiário, smartphones e mídias sociais como Facebook e Twitter, a força armada já se prepara para controlar também completamente a narrativa”.

[*] As'ad AbuKhalil (em árabe: أسعد أبو خليل) (nascido em 16/3/1960) libanês−americano é professor de Ciência Política formado pela California State University, Stanislaus. É o autor doHistorical Dictionary of Lebanon (1998), Bin Laden, Islam & America's New "War on Terrorism" (2002) e The Battle for Saudi Arabia (2004). Atualmente anima o blog, The Angry Arab News Service. Abukhalil nasceu em Tiro,no Líbano, e cresceu em Beirute. Recebeu seu bacharelado e mestrado em Ciência Política na American University de Beirute, e Ph.D. em Governo Comparativo na Georgetown University. Abukhalil é atualmente professor na California State Stanislaus. Foi, por curto período, professor visitante na UC Berkeley. Além disso, ele ensinou na Tufts University, Georgetown University, George Washington University, Colorado College, California State University Stanislaus, e Randolph-Macon Woman’s College.Descreve-se como “um ex-marxista-leninista” e “ateu secularista”. É pró−Palestina, descreve-se como anti-sionista que apoia um Estado Palestino secular. É defensor do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Critica o sionismo, a política externa dos EUA, do Irã, da Arábia Saudita e de ambos, Fatah e Hamas, nos TPO’s; e de todas as facções rivais no Líbano, incluindo o xiita Hezbollah. É altamente crítico da influência do lobby de Israel nos EUA. Em um debate televisionado que foi ao ar na TV Al-Jazeera em 23 de fevereiro de 2010 Abukhalil afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, é cúmplice do lobby sionista, tanto em termos de Política Externa como de Política Interna. Abukhalil também afirmou que “Os sionistas querem nos amordaçar, de modo que não possamos fazer oposição às guerras, violência ou ódio a Israel”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Pepe Escobar: — E os EUA? Jogando roleta russa?

18/11/2014, [*] Pepe Escobar (pelo Facebook)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Roleta russa
Vivemos tempos sombrios. Estive trocando e-mails sérios com algumas das minhas fontes profundas – o pessoal que realmente SABE, mas não tem de exibir sabedorias. Estão todos profundamente preocupados. Aí vai o que me escreveu um deles, nova-iorquino. É análise semelhante à que já fizeram, publicamente, dentre outros, os professores Stephen Cohen, Noam Chomsky e Paul Craig Roberts. Escreverei em breve sobre isso.

O ataque de propaganda contra Putin, que o “declarou” igual a Hitler, é ataque de tal violência, tão grave, que é preciso considerar que, doravante, os russos já não acreditem em nada, absolutamente nada, que os EUA lhes digam ou prometam.

Não consigo acreditar que nós mesmos nos tenhamos posto em tal situação, só para proteger ladrões ucranianos, dos quais Putin saberia livrar-se e livrar a Ucrânia, pode-se dizer, sem dificuldade; e, na sequência, cometemos a estupidez arrogante de pôr, na presidência, um dos principais ladrões que havia por lá. Mas isso, agora, já é história.

O que é certo é que o que se conhece como “destruição mútua garantida” (em ing. MAD [lit. louco(a)], de Mutually Assured Destruction) já não é fator de contenção da guerra atômica, porque os dois lados usarão armas atômicas no instante em que qualquer deles concluir que o opositor obteve vantagem decisiva e as usará. A “destruição mútua garantida” como fator de equilibração e mútua contenção já acabou. 

Obama e seus neocons
Pode soar extremo e exagerado – mas é a perfeita extensão lógica do que Putin disse em sua já famosa entrevista à rede alemã ARD de televisão, em Vladivostok, semana passada: o Ocidente está provocando a Rússia para uma Nova Guerra Fria. Concordo integralmente com essa análise.

Putin listou fatos reais, “em campo”:

O número de bases militares dos EUA está aumentando. A Rússia tem bases militares espalhadas pelo mundo? Não. A OTAN e os EUA têm bases militares por todo o planeta, inclusive em regiões próximas de nossas fronteiras, e o número dessas bases só cresce. E recentemente decidiram deslocar também forças de Operações Especiais para bem perto de nossas fronteiras. O senhor [entrevistador] falou também de exercícios, voos, movimentos de navios e tal. Tudo isso está acontecendo de fato? Sim, está.

Na mesma entrevista, Putin disse à coalizão dos vassalos-fantoches sem-noção da União Europeia que a Rússia pode facilmente e legalmente derrubar o castelo de cartas chamado Ucrânia: basta que Moscou exija o pagamento do dinheiro que a Ucrânia lhe deve. Disse também, claramente, que Moscou não permitirá que Kiev destrua/ esmague/ detone o Donbass e promova ali “limpeza étnica”.

Assim, portanto, é claro que está acionada a lógica da escalada. A União Europeia é piada: o que interessa aos EUA é a OTAN. E não se vê nem qualquer mínimo indício de que os EUA tenham alguma vontade de des-escalar.



[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia TodayThe Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro, Empire of Chaos, acaba de ser publicado pela Nimble Books.