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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Exército britânico cria força especial de combatentes de Facebook

2/2/2015, [*] As’ad AbuKhalil − The Angry Arab News Service
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


O exército britânico está criando uma força especial de combatentes de Facebook, com treinamento para operações psicológicas e uso das mídias sociais para combater em fronts não convencionais da era da informação”.

Além dos britânicos, também os exércitos de Israel e dos EUA investem pesadamente em treinamento para operações psicológicas. Em contexto de combates ininterruptos, 24 horas de noticiário, smartphones e mídias sociais como Facebook e Twitter, a força armada já se prepara para controlar também completamente a narrativa”.

[*] As'ad AbuKhalil (em árabe: أسعد أبو خليل) (nascido em 16/3/1960) libanês−americano é professor de Ciência Política formado pela California State University, Stanislaus. É o autor doHistorical Dictionary of Lebanon (1998), Bin Laden, Islam & America's New "War on Terrorism" (2002) e The Battle for Saudi Arabia (2004). Atualmente anima o blog, The Angry Arab News Service. Abukhalil nasceu em Tiro,no Líbano, e cresceu em Beirute. Recebeu seu bacharelado e mestrado em Ciência Política na American University de Beirute, e Ph.D. em Governo Comparativo na Georgetown University. Abukhalil é atualmente professor na California State Stanislaus. Foi, por curto período, professor visitante na UC Berkeley. Além disso, ele ensinou na Tufts University, Georgetown University, George Washington University, Colorado College, California State University Stanislaus, e Randolph-Macon Woman’s College.Descreve-se como “um ex-marxista-leninista” e “ateu secularista”. É pró−Palestina, descreve-se como anti-sionista que apoia um Estado Palestino secular. É defensor do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Critica o sionismo, a política externa dos EUA, do Irã, da Arábia Saudita e de ambos, Fatah e Hamas, nos TPO’s; e de todas as facções rivais no Líbano, incluindo o xiita Hezbollah. É altamente crítico da influência do lobby de Israel nos EUA. Em um debate televisionado que foi ao ar na TV Al-Jazeera em 23 de fevereiro de 2010 Abukhalil afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, é cúmplice do lobby sionista, tanto em termos de Política Externa como de Política Interna. Abukhalil também afirmou que “Os sionistas querem nos amordaçar, de modo que não possamos fazer oposição às guerras, violência ou ódio a Israel”.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A “correspondente” do New York Times, de Gaza: “Jornalismo” de inventar “contextos”

24/7/2014, [*] As’ad AbuKhalil, The Angry Arab
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Já vi essa rotina antes. Quando os fatos em campo falam contra Israel e sua imagem no mundo, os sionistas entram em pânico e põem-se a pressionar os principais jornais nos EUA.

Foi o que fizeram em 1982 e fazem sempre em todos os novos eventos das guerras e massacres israelenses. Acabam sempre arrancando promessas dos editores, de que publicarão mais ‘contextos’ e matérias ‘de contextualização’, para esvaziar de qualquer conteúdo algum noticiário sobre a realidade dos crimes de guerra e massacres israelenses.

Há dois dias, Anne Barnard, correspondente do NYTimes em Gaza, só publica as tais matérias ‘'de contexto'’.

Anne Barnard
Quando noticiou sobre a realidade em Gaza, fez bom trabalho. Mas ultimamente, são só contextos e mais “contextos”, quer dizer: só propaganda para promover os interesses militares de Israel.

Hoje, pelo Twitter, enviei a ela as seguintes perguntas:

1. − A senhora alguma vez escreveu da Síria, sobre como os rebeldes sírios operam em escolas e locais de culto?
2. − E o fato de que os rebeldes sírios usam locais civis apareceu ALGUM DIA nos jornais e na TV dos EUA para justificar que o governo sírio atacasse locais onde se abrigam civis?

O que ela respondeu, já se sabia desde antes de ela responder:

Mas é indiscutível que os militantes operam em áreas civis em Gaza. (???)

É meeeeeeeeeeeeeeesmo, Sra. Barnard?!

E onde a senhora queria que eles operassem? Na lua?! Os combatentes do Hamás são iguais aos combatentes do Hezbollah: são as pessoas que vivem em área ocupada e que se apresentam como voluntários da resistência contra a ocupação. De onde operariam?!

Deveriam talvez reunir-se, digamos, num estádio, e convidar Israel para bombardeá-los? E onde operava a resistência francesa ou a resistência argelina? De outro planeta?!

Nesse ponto, a Sra. Barnard faz uma analogia:

Algumas das táticas do Hamás são cópias das de outros grupos insurgentes, como o IRA (Exército Republicano Irlandês) e os Contras nicaraguenses.

Engraçado! Por que será que a “correspondente” do NYTimes não incluiu em sua listinha os sempre glorificados “rebeldes” sírios?!


_________________

[*] As'ad AbuKhalil (em árabe: أسعد أبو خليل) (nascido em 16/3/1960) libanês−americano  é professor de Ciência Política formado pela California State University, Stanislaus. É o autor do Historical Dictionary of Lebanon (1998), Bin Laden, Islam & America's New "War on Terrorism" (2002) e The Battle for Saudi Arabia (2004). Atualmente anima o blog, The Angry Arab News Service. Abukhalil nasceu em Tiro,no Líbano, e cresceu em Beirute. Recebeu seu bacharelado e mestrado em Ciência Política na American University de Beirute, e Ph.D. em Governo Comparativo na Georgetown University. Abukhalil é atualmente professor na California State Stanislaus. Foi, por curto período, professor visitante na UC Berkeley. Além disso, ele ensinou na Tufts University, Georgetown University, George Washington University, Colorado College, California State University Stanislaus, e Randolph-Macon Woman’s College. Descreve-se como “um ex-marxista-leninista” e “ateu secularista”. É pró−Palestina, descreve-se como anti-sionista que apoia um Estado Palestino secular. É defensor do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Critica o sionismo, a política externa dos EUA, do Irã, da Arábia Saudita e de ambos, Fatah e Hamas, nos TPO’s; e de todas as facções rivais no Líbano, incluindo o xiita Hezbollah. É altamente crítico da influência do lobby de Israel nos EUA. Em um debate televisionado que foi ao ar na TV Al-Jazeera em 23 de fevereiro de 2010 Abukhalil afirmou que o presidente dos EUA, Barack Obama, é cúmplice do lobby sionista, tanto em termos de Política Externa como de Política Interna. Abukhalil também afirmou que “Os sionistas querem nos amordaçar, de modo que não possamos fazer oposição às guerras, violência ou ódio a Israel”.

domingo, 18 de agosto de 2013

Agentes de Sisi no Egito

17/8/2013, As’ad AbuKhalil, The Angry Arab News Service
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Militantes da Fraternidade Muçulmana assassinados pelo exército egípcio em 14/8/2013
Por mais que eu deteste a Ikhwan [Fraternidade Muçulmana], por mais que eu saiba do perigo que representam, e por mais que eu tenha apoiado a repressão relativamente limpa que Nasser moveu contra eles, e por mais que eu saiba do sectarismo da Ikhwan, não tenho, mesmo assim, qualquer dúvida de que os atos de violência contra igrejas e outros alvos esta semana (11 a 17 de ago/2013) foram perpetrados por agentes da polícia secreta de Sisi:
As'ad AbuKhalil

Também parecia haver agentes provocadores. Numa manifestação pró-Mursi, dois homens mascarados com uma metralhadora faziam-se de islamistas. Primeiro, pareciam apoiar a manifestação, tentando seduzir pessoas para suas fileiras. Depois, viraram as armas para as pessoas, que fugiam em pânico. Quem são esses homens armados? – perguntou aterrorizada, uma mulher entre os apoiadores de Mursi.
(em 17/8/2013, no New York Times em: “Blood and Chaos Prevail in Egypt, Testing Control”)

quinta-feira, 7 de março de 2013

Como cobrir notícias da Síria a partir de Beirute


25/2/2013, As'ad AbuKhalil - Angry Corner, AlAkhbar – Beirute, Líbano
Traduzido por Lejeune Mirhan (com ajuda do Google translator)


Ás'ad AbuKhalil
Com base na cobertura jornalística sobre a Síria dada pelos jornais dos Estados Unidos tornou-se possível identificar certas características desta cobertura a partir de Beirute.

1. Escreva os artigos, mas você vai depender de uma série de mal pagos e pobres tradutores locais que podem traduzir e interpretar para você;

2. Ligue para o escritório de imprensa da família Hariri e para as assessorias de imprensa de grupos de exilados sírios que irão direcioná-lo assim que chegar à cidade;

3. Você nem vai precisar sair de sua casa: o trabalho pode requerer apenas o uso de Skype de forma extensiva. Você não precisará nem ter que olhar endereços do Skype: a assessoria de imprensa da família Hariri e seus aliados da oposição síria no exílio irão lhe fornecer nomes e podem até mesmo inventar alguns nomes para você;

4. Você deve ser emotivo em sua cobertura e simpático aos grupos armados sírios, da mesma forma como não é certo ser emocional em cobrir o lado árabe do conflito árabe-israelense;

5. Cubra o sofrimento humano de forma extensiva, a menos que esse sofrimento seja causada justamente pelo grupos armados sírios;

6. Não cite os verdadeiros líderes muçulmanos dos grupos de exilados sírios. Ao invés disso, cite os sírios que vivem em países ocidentais, a fim de dar um rosto ocidentalizado à oposição síria do exterior;

7. Tente minimizar o papel da Arábia Saudita, do Catar, do Kuwait da Turquia que apoiam os grupos armados sírios;

8. Sinta-se à vontade para participar de campanhas que angariem fundos através de seus artigos, fazendo constantes referências às dificuldades e à falta de armas e equipamentos dos grupos de oposição síria armados. Se for possível, mostre algumas pessoas com lágrimas e choros também;

9. Faça uma tentativa de mostrar o lado humano dos grupos armados: publique imagens de umas crianças combatentes, afirmando que elas são filhos e tudo que elas representam a face humana dos grupos armados;

10. Nunca fale com os dois lados do conflito. Um dos lados, apoiado pela Arábia Saudita e Qatar é suficiente;

11. Lembre-se: carros-bomba não são tão ruins quando usados pelo lado apoiado pelos EUA. Carros-bomba são apenas armas de destruição hediondos quando são usados pelos inimigos dos EUA;

12. Nos seus artigos sobre a intervenção estrangeira na Síria, lembre-se que a intervenção da Arábia Saudita, do Qatar, do Bahrein, da Turquia, da Jordânia, da OTAN, de Israel, da União Europeia e dos EUA não é realmente intervenção. Estes países praticam apenas gestos humanitários de boa vontade. Só use o termo “intervenção estrangeira” se você se referir à Rússia, ao Irã e ao Hezbollah;

13. Na cobertura de intervenção de libaneses na Síria, lembre-se que estamos falando apenas sobre o Hezbollah. Intervenção (militar ou não) pela família Hariri e pelos grupos salafistas não conta e não justificar uma intervenção;

14. Lembre-se que o critério do jornalismo profissional na cobertura sobre a Síria é a mídia de príncipes sauditas e da família Hariri;

15. Boatos e mentiras espalhadas pela família Hariri e pela mídia sauditas só devem se servir para a impressão de jornais se servirem aos propósitos da propaganda da coligação liderada pelos EUA;

16. Preconceito e intolerância contra alauitas é essencial para compreender o conflito na Síria. Por favor, consulte todos os alauitas, incluindo bebês, como sendo guerrilheiros. Isto tornará mais fácil para justificar seu assassinato pelos grupos armados;

17. Tente o seu melhor para esconder as lideranças islâmicas, que são fanáticos membros dos grupos armados da oposição síria externa. Em vez disso, tente encontrar alguém usando calça jeans e afirme em seus textos que ele é liberal e secular. Se possível, não o mostre armado;

18. Qualquer história de deserção por uma pessoa, mesmo que seja apenas um soldado, ou um assistente de um motorista de um funcionário menor do governo local, isto deve ser dada mostrado com o maior destaque;

19. Por favor, esqueça a nossa hostilidade passada para a rede de TV Al-Jazeera. Essa TV agora mudou e nós a consideramos como um canal exemplar que representa a propaganda magnífica da família real do Qatar. E está do nosso lado;

20. A família Hariri irá fornecer-lhe todos os nomes e números de telefone de seus homens no departamento de Segurança Interna e todos os libaneses que estão dispostos a fornecer qualquer informação ou rumor que irão contra os interesses do Hezbollah e você poderá citar esses indivíduos como "altos funcionários da segurança libanesa do governo" seja lá o escalão que eles forem;

21. Todos os interesses israelenses devem estar sempre fortemente representados na sua cobertura, e Israel deve ser sempre retratado como o amigo do povo sírio. A sua ocupação e seus ataques ao território sírio não devem ser mencionados;

22. Assim como a cobertura da oposição iraquiana exilada antes de 2003, lembre-se de que todas as figuras da oposição síria no exílio são inteligentes, bem articuladas;

23. Ao falar sobre as armas químicas da Síria, por favor não mencione nunca o arsenal israelense de armas de destruição em massa. Ao invés disso, mostre sempre os israelenses como vítimas. Use imagens de israelenses posando com máscaras de gás, sempre que você escrever sobre as armas químicas da Síria;

24. Lembre-se, seu trabalho serve para elevar a moral e não para "cobrir" a história. Toda semana, você precisa escrever algo que surta como efeito a impressão de que o regime de Bashar está caindo e que os rebeldes estão prestes a assumir o controle de Damasco;

25. É importante lembrar aos leitores que 99% do povo sírio apoia os EUA e Israel e que 99% deles se opõem ferozmente ao regime. Canalhas e bandidos são apenas os apoiadores do regime;

26. Em menor escala, o sucesso da oposição síria no exílio deve ganhar apoio entre todas as minorias na Síria. dessa forma, a assessoria de imprensa da família Hariri em Beirute irá fornecer-lhe os números de telefone de um cristão, um druso, um curdo e até mesmo um alauita que se opõem ao regime de Bashar;

27. Conhecimento da língua árabe: como sempre na cobertura do Oriente Médio, não será necessária. Você precisa apenas saber que é um sanduíche de falafel.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Pepe Escobar – “E aí, meu irmão, cadê você?*”


26/6/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online  - THE ROVING EYE
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Pepe Escobar
O mundo árabe e, de fato, o mundo inteiro, esperava ansiosamente para saber o que diria o novo presidente do Egito, recém eleito, quadro da Fraternidade Muçulmana (FM), Mohammed Mursi, em matéria de política externa, no discurso da vitória.

Clima de anticlímax. Do Egito, falou só de passagem (que respeitará “seus acordos internacionais” – expressão em código, referindo-se aos acordos de Camp David, de 1979, com Israel. Telavive e Washington que não se preocupem. Quanto à rua árabe, pode continuar preocupada.

Lacônico, Mursi parece ter evitado o grande problema. Mas nesse ambiente volátil, ccntrolado de facto pelo orwelliano Conselho Supremo das Forças Armadas, aparelho da ditadura militar egípcia, é como se a FM tivesse dito que não pensará duas vezes, se tiver de jogar os palestinos debaixo de um ônibus lerdo, se esse for o preço para manter-se no poder.

Pois nem isso bastou para acalmar a direitosfera nos EUA – com os cães raivosos de sempre pontificando sobre como o presidente Barack Obama “perdeu” o Egito, como se os EUA estivessem às vésperas de serem soterrados sob uma tempestade de areia movida a al-Qaeda.

As'ad AbuKhalil
Mais uma vez, coube ao blogueiro Angry Arab, As'ad AbuKhalil, introduzir algum muito necessário bom-senso na discussão. As'ad escreveu que:

“... as eleições, no mundo árabe, ficaram resumidas a uma disputa entre o dinheiro saudita e o dinheiro do Qatar”.

E, no Egito, a Casa de Thani, do Qatar venceu.

É sempre importante lembrar que a Casa de Saud e a FM vivem empenhadas em furiosa discussão sobre o significado do Islã puro. A política exterior do Qatar é apoiar a FM, sempre que possível. Do ponto de vista de Doha, a vitória é imensa: há hoje um islamista, na presidência da nação-chave no mundo árabe. Todos os islâmicos comprometidos, do Maghreb a Benghazi, e de Teerã a Kandahar, também têm motivos de júbilo.

Paralelamente, o candidato oficial à presidência dos EUA, a União Europeia, Israel, a Casa de Saud e o Ancient Regime egípcio – o ex-general da Força Aérea do Egito, Ahmed Shafik – perderam. Assim também, em teoria, a contrarrevolução no Egito, perdeu. Não. De fato, não. Ainda não.

Só os ingênuos terminais acreditarão que o orwelliano Conselho Supremo das Forças Armadas governa de facto o Egito sem consultar Washington e a Casa de Saud, a cada passo. Antes de Mursi ser oficialmente declarado vencedor, houve um acerto por trás das cortinas – noticiado em Ahram Online [1].

O acerto CSFA-FM resume-se a Morsi ter sido obrigado a aceitar trabalhar “segundo os parâmetros definidos pelo CSFA”. Implica que o aparelho da ditadura militar mandará em Mursi e mandará no parlamento. Só depois de sacramentado esse acerto, Mursi foi “legitimamente anunciado como presidente eleito”.

Droga! Apostamos no cavalo errado

Mohamed Mursi
A Casa Branca cumprimentou devidamente Mursi – e cumprimentou também o Conselho Supremo das Forças Armadas, aparentemente sem escolher lado. Mas Washington apressou-se a lembrar que o governo egípcio “deve continuar a cumprir o papel de pilar da paz, segurança e estabilidade regionais” (expressão em código equivalente a “nem pensem em rediscutir Camp David”. A Casa Branca também prometeu “manter-se ao lado do povo egípcio”. Com amigos desse tipo, o “povo egípcio” – metade do qual está passando fome – tem, garantido, um luminoso futuro.

Salomônico, Obama telefonou a Mursi e Shafiq, à FM e ao CSFA. Só ingênuos terminais acreditariam que o governo dos EUA tivesse algum temor de que Shafiq – seu candidato preferido – fosse declarado presidente. Por falar em Shafik, ele já não está no Egito: teve de fugir, coberto de infâmia, já na 3ª-feira, quando o Procurador Geral do Egito iniciou processo para investigar seus imundos negócios, durante os oito anos em que serviu como ministro civil da Aviação do governo Mubarak.

Assim sendo, pode-se dizer que, doravante, o Egito seguirá dois projetos de política exterior: o da Fraternidade Muçulmana e o do Conselho Supremo das Forças Armadas. O jogo de forças dependerá de se a Fraternidade Muçulmana conseguirá restaurar o Parlamento (a Câmara Baixa) que foi dissolvido; se obtiver tantos votos num segundo turno de eleições parlamentares quantos obteve no primeiro turno (que foi anulado). Tampouco se sabe que tipo de poder terá o presidente egípcio: a nova constituição ainda não foi redigida.

Ahmed Shafik
Do ponto de vista de Washington, aconteça o que acontecer, nada alterará o rumo do dhow [veleiro] real: apoio cego a Israel, faça o que fizer; mal disfarçado apoio cego à Casa de Saud e ao Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), faça o que fizerem (incluindo repressão violentíssima contra levantes da Primavera Árabe na Arábia Saudita, Bahrain e Omã); e se alguém nos desafiar, bombardeamos ou dronamos o desgraçado, até a morte.

Do ponto de vista de Washington, a Fraternidade Muçulmana, com Mursi, pode ser declarada facilmente “contível”. Mursi não se atreverá a confrontar Israel. Morsi, muito provavelmente, dará uma de Erdogan – o primeiro-ministro da Turquia. Protestos fortes contra o brutal gulag em Gaza imposto por Telavive; apoio firme ao Hamás... mas nada que tire do lugar as relações diplomáticas e o comércio. Eventualmente, pode acontecer de a liderança israelense aceitar, finalmente, que os palestinos também são seres humanos. Mas não se recomenda a ninguém apostar nisso.

Fraternidade Muçulmana
Resta saber, nesse cenário de “dois projetos de política exterior”, que lado prevalecerá no longo prazo, a Fraternidade Muçulmana ou o Conselho Supremo das Forças Armadas. O teste crucial é o Irã. Mursi, se obtiver alguma liderança efetiva, não seguirá cegamente Washington em sua obsessão de “incapacitar” o Irã – como o Iraque foi incapacitado nos anos 1990s (o longo prelúdio antes do golpe “mudança de regime”). Vê-se uma pista do que pode estar por vir: Mursi disse à Agência de Notícias Fars, iraniana, que que que as relações Cairo-Teerã voltem ao normal. Imediatamente depois veio o desmentido do Egito, que só pode ter sido orquestrado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas.

Olivier Roy, professor do European University Institute em Florença adverte, com razão, sobre o Egito:

Foi revolução sem revolucionários. Mesmo assim, a Fraternidade Muçulmana é a única força política organizada. (...) Sua agenda conservadora é adequada a uma sociedade conservadora, que pode acolher avanços democráticos, mas nem por isso se converteu à esquerda.” Para Roy, “a democracia não se institucionalizará no Egito, sem a Fraternidade Muçulmana. [2]

O caminho é longo e pedregoso. Mursi terá de prestar contas não só ao Conselho Supremo das Forças Armadas, mas também aos líderes extremamente conservadores da Fraternidade Muçulmana; afinal de contas, o próprio Mursi, até ontem, não passava de quadro desconhecido do grande público. Mursi sabe que confrontar o Conselho Supremo das Forças Armadas é confrontar Washington. Se tentar qualquer medida mais ousada, logo acharão um jeito de matá-lo softly, suavemente, método muito prezado pela secretária Clinton.

Mas... E se Mursi conseguir mobilizar milhões, nas ruas? Estão abertas as apostas sobre onde está, de fato, esse Irmão.

Nota de rodapé
*Orig. O Brother, Where Art Thou? [lit. “Irmão, onde estais?”] é título de filme dirigido pelos irmãos Coen, 2002, adaptação da Odisseia, no “sul profundo” dos EUA; três fugitivos de uma prisão procuram um tesouro escondido, perseguidos, incansavelmente, pelos guardas e por vários outros tipos de “eventos”. Informações extraídas de “E aí meu irmão, Cadê você?



Notas dos tradutores
[1] 22/6/2012, Al-Ahram Online, Dina Ezzat em: A deal could be reached to end current confrontation: SCAF, Brotherhood sources.
[2] 20/1/2012, Washington Post, Olivier Roy em: A new generation of political Islamists steps forward

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Banco Mundial vomitou mais um “conselho”!

Enviado pelo pessoal da Vila Vudu


Em relatório distribuído hoje, o Banco Mundial recomenda que o mundo gaste mais dinheiro para “construir governos estáveis” (epa!) e para promover a “justiça” (epa! epa!) e as “polícias” (epa! epa! e mais epa!), que em “saúde e educação”.



(agradeço a Hannoud, pela dica). O relatório está em: WDR2011 FULL TEXT. (em inglês)

Blog The Angry Arab, 11/4/2011, em: The World Banks vomits advice

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tunísia lamenta intromissão da entidade sionista e conclamação para que judeus tunisianos abandonem a Tunísia

Começô! As mãos sujas de Israel, dessa vez na Tunísia 

28/3/2011, Angry Arab - As'ad AbuKhalil 

Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu   

O ministério das Relações Exteriores da Tunísia protestou vigorosamente contra o governo de Israel, que está conclamando judeus tunisianos a deixar o país e emigrar para Israel. 
Quem disse que a entidade sionista teria autoridade sobre todos os judeus do mundo?
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Tunísia lamenta intromissão da entidade sionista e conclamação para que judeus tunisianos abandonem a Tunísia
28/3/2011, [Original em árabe]. 

Aqui, tradução automática árabe-português, revista:

O ministério de Relações Exteriores da Tunísia manifestou hoje sua “forte desaprovação” à intromissão de Israel nos assuntos da Tunísia, e a conclamação, por Israel, para que judeus tunisianos emigrem para Israel. Para o governo da Tunísia, trata-se de “grosseira interferência em assuntos internos do país”.

Em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias, o ministério declara que a manobra de Israel foi recebida na Tunísia com “grave ressentimento”. 

“Consideramos grosseira interferência em assuntos internos da Tunísia a manobra da secretária israelense para a imigração, Sophia Ndber, de encorajar judeus tunisianos a imigrar para Israel, e a intenção declarada de Israel de oferecer-lhes vantagens financeiras para que deixem a Tunísia”. 

Para o ministério de Relações Exteriores da Tunísia, a intromissão da entidade sionista em assuntos internos da Tunísia visa a manchar a imagem da Tunísia pós-revolução, e começar a levantar dúvidas sobre a segurança e a estabilidade do país. 

“Essas declarações, partidas de funcionário da entidade sionista são manobra sempre da mesma operação que visa a negar o direito do povo palestino de retornar à casa de seus pais e antepassados, em flagrante desafio ao que manda a lei internacional”.

O ministério também afirma que "os judeus tunisianos, ao longo de toda a história, são parte constitutiva da sociedade tunisiana, onde sempre coexistiram em harmonia, em condições de pleno respeito de todos os seus direitos e liberdade religiosa”.

O jornal israelense Yedioth Ahronoth de Israel já noticiara que o governo de Benjamin Netanyahu discute a compensação a ser concedida aos judeus da Tunísia que migrarem para Israel depois da “Revolução do Jasmim” que derrubou, dia 14/1/2011, a ditadura de Zine El Abidine Ben Ali. 

Segundo aquele jornal, o Ministério da Absorção de Imigrantes e da imigração de Israel declarou que a compensação para os judeus emigrados da Tunísia pode chegar a 825 mil shekels (cerca de 250 mil dólares) por família emigrada. O projeto israelense visa a atrair judeus para Israel, a partir de supostas ameaças que os judeus poderiam vir a enfrentar “se a situação econômica da Tunísia deteriorar”. 

Sophia Ndber, ministra de Israel para Absorção e Imigração, disse que cada judeu tunisiano que chegar a Israel, como imigrante, entre 15 de janeiro e o final de agosto “receberá incentivo de vários milhares de shekels, financiado pelo Ministério e pela Agência Judaica." 

Na Tunísia, que não mantém relações diplomáticas com Israel, vivem cerca de 1.600 judeus.