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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Brasil: “Espionagem dos EUA deu côs burros n’água”

18/12/2013, Russia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A Suécia não terá Ibrahimovic no Brasil em 2014, mas terá o contrato de 36 Gripen JAS 39
(recorte de jornal e comentário enviados por Pepe Escobar via Facebook)
O Brasil descartou um contrato para compra de jatos F/A-18 da empresa Boeing, para comprar Gripens JAS 39 da empresa sueca Saab. A inesperada decisão de descartar a proposta dos EUA acontece na sequência do escândalo global sobre o envolvimento da Agência de Segurança Nacional dos EUA em atividades de espionagem econômica.

O anúncio da compra dos 36 jatos foi feito ontem pelo Ministro da Defesa, Celso Amorim, e pelo Comandante da Força Aérea do Brasil, Juniti Saito. Os jatos custarão US$4,5 bilhões, bem menos que o valor estimado de mercado (cerca de US$7 bilhões).

Gripen JAS 39 pronto para decolar
Saito disse que o desenvolvimento dos jatos acontecerá em conjunto com a Embraer e outras empresas não especificadas.

Os 12 jatos Mirage atualmente em uso na Força Aérea Brasileira (FAB) serão aposentados até o final desse ano. Foram comprados em 2005. Enquanto espera pelos novos aviões, a FAB usará os jatos estilo F5, viáveis até 2025.

Em visita a Brasília semana passada, o presidente da França, François Hollande, fez-se acompanhar de uma comitiva da qual fazia parte o presidente do Grupo Dassault, o que gerou especulações segundo as quais o fabricante francês teria vencido a disputa contra as empresas Saab e Boeing.

A disputa em torno de qual empresa venderia ao Brasil esses jatos começou no final da década de 1990, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, continuou durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chegou ao governo da atual presidenta Rousseff. Mas relatório da FAB de 2010 já indicava a preferência pelos jatos da Saab sueca, embora se dissesse que o então presidente Lula preferiria os Rafale, da Dassault, mais baratos.

Gripen JAS 39 em voo
No início desse ano, dizia-se que a Boeing norte-americana estaria bem próxima de consumar a venda, mas a descoberta, pelo governo do Brasil, de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA estava espionando, inclusive, as comunicações do gabinete da presidenta Dilma, levaram o governo brasileiro a descartar a possibilidade de qualquer negócio com a empresa norte-americana.

A intromissão dos espiões da Agência de Segurança Nacional dos EUA pôs fim às chances da Boeing – disse à Reuters uma fonte do governo do Brasil.

O Ministro da Defesa, Celso Amorim, disse à rede Bloomberg que a proposta da Boeing, empresa com sede em Chicago, foi rejeitada em função do melhor desempenho e melhor preço dos aviões da sueca Saab e, também, porque os suecos “aceitaram a cláusula de transferência de tecnologia”.

O fracasso da “espionagem econômica”

O Brasil atualmente examina material divulgado pelo ex-empregado (terceirizado) da Agência de Segurança Nacional dos EUA, Edward Snowden, que comprova que a agência de espiões norte-americanos monitorou comunicações pessoais da Presidenta Rousseff e invadiu as redes de comunicações de ministérios brasileiros, procurando obter informação secreta. Dentre as instituições que foram alvo da espionagem norte-americana estão a gigante brasileira de petróleo, Petrobras, e o Ministério de Minas e Energia – o que desmente o que Washington disse, que não estaria interessada em “espionagem econômica”.

Dilma Rousseff e Barack Obama cumprimentam-se em 6/9/2013 (reunião do G20)
Em setembro, em discurso à Assembleia Geral da ONU, a Presidenta Rousseff reagiu com severidade contra a espionagem dos EUA contra seu país, classificando-a como “violação da legislação internacional”. E alertou que a espionagem norte-americana, já descoberta desde junho, ameaça a liberdade de expressão e a democracia.

Snowden prometeu ajudar o Brasil a contestar o programa de espionagem dos EUA contra o Brasil

Vários senadores brasileiros têm-me pedido que colabore nas investigações de crimes contra cidadãos brasileiros – escreveu Snowden em carta aberta publicada pelo jornal [só rindo! 8-)) (NTs)] Folha de S.Paulo. 

Glenn Greenwald (E) e Edward Snowden (D) 
Snowden está atualmente sob asilo temporário na Rússia. O jornalista Glenn Greenwald, ex-Guardian, e que vem publicando o material de Snowden, criticou na 4a-feira a nenhuma reação dos governos da União Europeia às revelações sobre o aparato de vigilância em massa da Agência de Segurança Nacional dos EUA. 

Greenwald também desmentiu declarações de Washington, de que não haveria nenhuma atividade de espionagem econômica na ação da Agência de Segurança Nacional dos EUA. 

Grande parte daquela espionagem nada tem a ver nem com terrorismo nem com segurança nacional. Esse é o pretexto. Ali se trata, sempre, de manipulação diplomática e de obter vantagem econômica – disse ele.

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domingo, 26 de maio de 2013

Fogo e fúria na Suécia pós-neoliberal já desigualitária


26/5/2013, Tom Peck, The Independent, UK
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Entreouvido na Vila Vudu: Os neoliberais da privataria do FHC-Cerra-Aécim-Alckmin conseguiram esculhambá até a Suéééécia! Cróóóózes! [pano rápido].


Comentário do Zé do mé no quiosque do Furado: O IMPRESTÁVEL “jornalismo” das empresas-imprensa brasileiras “noticia”, sobre esses eventos, por ex., o NADA que se lê na Folha de S.Paulo em: Após tumultos, Suécia envia reforço policial à capital.

Henrik Sedin comemora título mundial de hockey sobre o gelo 
A partir do instante em que Henrik Sedin controlou o puck, ainda bem atrás no próprio meio-campo, começou uma noite terrível em Estocolmo. Faltava pouco para as 22h, domingo passado, quando o time de superstars milionários conseguiu enfiar o puck no fundo da rede vazia do adversário: 5-1. Pela primeira vez em sete anos, e em casa, frente à própria torcida, a equipe sueca era campeã mundial de hóquei sobre o gelo.

O Ericsson Dome, na parte sul da cidade, foi ao delírio. Nos pubs irlandeses, nos elegantes quarteirões de Södermalm, rolaram rios de pints de cerveja Guinness.

Mas em Husby, subúrbio no norte da cidade, distante do centro, região superpopulosa onde vivem imigrantes, começava uma conflagração, em tudo diferente do que se via entre os suecos brancos ricos. Um shopping centre foi vandalizado e uma garagem incendiada, o que causou a evacuação dos moradores de um bloco de apartamentos. Quando a polícia chegou, foi recebida a pedradas por mascarados; dois policiais foram feridos. Num vídeo que chocou o país, um terceiro policial caído aparece sendo espancado e chutado; os agressores chutaram também a pistola que se vê no coldre do policial.


Quando o dia clareou, havia mais de cem carros incendiados; e quando os jogadores campeões erguiam a taça, em confraternização com o rei Carl Gustaf XVI no Kungsträdgården, à vista de 20 mil fãs, a Suécia já entrara na primeira manhã dos piores tumultos urbanos de toda a moderna história do país, que continuam.

Centenas de carros e dúzias de prédios foram incendiados, e há mais de 100 presos. Imagens dos policiais feridos e prédios em chamas, na rica, pacífica e igualitária Suécia, surpreenderam o mundo. Mas, para outros muitos, não foi surpresa. Há anos os sindicatos, trabalhadores dos serviços sociais, cientistas políticos, rappers, em confronto com número crescente de extremistas de direita, já contam o Conto das Duas Estocolmos – duas sociedades que coexistem numa mesma cidade dividida e não integrada. Mas nunca se vira oposição e contraste tão declarados quanto naquela primeira noite de fogo nas periferias, que sitiaram a festa do hóquei-sobre-o-gelo do centro.

Suécia avalia os prejuízos de mais uma noite de motins
Para quem esteve em Londres há dois anos, os tumultos em Estocolmo são assustadoramente familiares. Há duas semanas, começaram a circular notícias da morte de um imigrante português, 68 anos, atacado pela polícia dentro do apartamento onde morava em Husby, depois levado ao hospital, onde morreu. Ele teria sequestrado uma mulher, refém no apartamento, e teria recebidos os policiais com um cutelo de açougueiro na mão.

Mas Megafonen, grupo que milita por mudanças sociais nos subúrbios de Estocolmo publicou fotos de um saco do tipo que a Polícia usa para remoção de cadáveres sendo retirado do mesmo apartamento, num carro que parte em seguida. Não uma ambulância: um carro. Mais tarde se soube que a dita “refém” era, de fato, o cadáver da mulher do imigrante português, de 30 anos. Segundo seu cunhado, o homem tinha na mão uma faca de cozinha, não um cutelo de açougueiro; e que tentava defender-se contra uma gangue de mascarados que dias antes perseguira ele e sua mulher. Quando a Polícia bateu à porta do apartamento, a mulher contara ao cunhado, o marido supôs que fossem os mascarados da gangue que os seguia; gritou para assustá-los, talvez um pouco assustadoramente demais; e foi morto a tiros pela Polícia.

Ativistas de esquerda, alvo preferencial, hoje, da Polícia sueca, que os acusa de insuflar os tumultos de rua, dizem que quando essa versão dos eventos chegou aos subúrbios, ajudou a incendiar quatro anos de ressentimento contra a brutalidade policial – queixa já antiga e muito repetida nos subúrbios, onde já praticamente não se veem suecos brancos – e contra o desemprego alto e crescente, a sempre crescente desigualdade, a falta de oportunidades para todos.

Mas, dessa vez, os tumultos espalharam-se pela cidade, também para os subúrbios a oeste e ao sul de Estocolmo e para outras cidades – Malmö, Gothenburg, Örebro – onde escolas, restaurantes e delegacias de Polícia foram incendiadas. É difícil determinar as motivações originais. Mas, o que quer que fosse, na origem, o movimento já está hoje invadido por gangues de rua, pequenos delinquentes, ou grupos de mascarados que, simplesmente, tomaram conta dos bairros mais pobres. Parece que há algo de podre no estado sueco.


A escala dos tumultos não se compara ao que se viu em Paris em 2005 ou em Londres há dois anos, onde aconteceram em áreas distantes do centro das capitais. Na Suécia não houve mortos e houve baixo número de feridos. O pequeno subúrbio de Husby é local agradável de viver, construído para suecos ricos – que já não vivem ali. Nem de longe se parece com o conjunto habitacional Broadwater Farm, de Tottenham, marco zero dos tumultos em Londres.

Hoje, 80% dos que vivem em Husby, Estocolmo, são imigrantes, a maior parte dos quais ali chegaram como refugiados, escapados dos mais diferentes cantos do mundo em guerra – Iraque, Irã, Afeganistão, Somália, Curdistão e, mais recentemente, da Síria – atraídos pela propagada hospitalidade com que os suecos recebem refugiados. Mas o desemprego entre os jovens é alto, pelo menos para os padrões suecos: 6%.

Estão dizendo que é por causa daquele homem que foi morto” – disse Sadiya, 13 anos, somaliana, que faz um curso de arte e artesanato no centro de Husby. “Acho que querem chamar a atenção da Polícia. O pessoal que está fazendo essas coisas é pouco mais velho que eu. Por que se preocupariam com o desemprego? São crianças”.

Na parte externa do centro onde são dados os cursos, durante o dia, mesmo no auge dos tumultos, a vida prosseguiu praticamente normal. As floristas continuaram a vender suas flores, fileiras de pequenos vasos plantados, alinhados na parte externa da loja. Os prédios de apartamentos, todos de média altura, têm jardins externos, bem cuidados. Mas todos os vidros da estação do metrô estão quebrados. As paredes que protegiam um telefone público foram destruídas. Restou o telefone, preso a um poste, no centro do que parece ser uma piscina de vidros quebrados. Na rua, um ônibus articulado foi explodido e incendiado. Há fragmentos de metal e vidro por todos os lados. Os carros incendiados já foram diligentemente removidos pelas autoridades, mas a coisa aqui parece grande demais. Uma colega de Sadiya, Sagal, diz que ninguém ali consegue dormir já há três noites.

Todas as crianças que assistem às aulas, cerca de 25, nasceram na Suécia, mas só uma é filha de pais suecos. Todas as demais são filhas de pais africanos do leste ou do meio-leste da África.

É difícil para nós” – diz Ann-Sofie Ericson, diretora da Escola de Artes da Cidade de Estocolmo que supervisiona a área. – “19% de nossas crianças abandonam a escola a cada ano. Vivo a 15 minutos de carro daqui. Meus vizinhos são iraquianos. Quando as pessoas chegam, vêm para bairros como Husby. Alguns arranjarão emprego, educação, depois se mudam. Alguns não conseguem sair”.


Quase não há pobreza absoluta, mas não é a pobreza absoluta que alimenta os tumultos e levantes urbanos. A sociedade sueca, afamada por ser igualitária, com oferta excepcional de bem-estar para todos, foi construída por 40 anos de governo da democracia social, dos anos 1930s aos anos 1970s. Mas um crash econômico no início dos anos 1990s, e o governo de centro-direita que está no poder desde 2006 impuseram inúmeras restrições ao estado de bem-estar, apesar das condições econômicas relativamente benignas.

Estudo recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revelou que a Suécia tem o mais rápido crescimento da desigualdade dos 34 países do grupo – e surpreendeu muita gente. Por isso, foi muitíssimo citado ao longo da semana que passou.

 

Como vários lembraram, os tumultos urbanos em Londres brotaram ao final de 30 anos de economia neoliberal de linha thatcherista e da “Terceira Via” – com furiosa desregulamentação das finanças justificada pela ideia de que pouco importava aumentar a desigualdade social, se as condições dos mais ricos continuassem a melhorar.

 

O que se vê na Suécia é que a desigualdade crescente está gerando indignação e fúria também crescentes.

 

Em Husby, quando cai a noite – que em maio dura pouco mais de quatro horas – grupos de jovens reúnem-se no centro, todos usando calças e camisetas largas.

 

Acho que tenho até sorte, por estar na Europa” – diz Baraar Mohamed, filho de somalianos, 15 anos, cujos pais garantem que não jogou pedras, nem incendiou coisa alguma. – “Comparado ao pessoal na Somália, talvez seja sorte. Mas não fiz nada, nem ando com eles, e vivo aqui, e tenho de conviver com a brutalidade da Polícia, e não tenho a mesma sorte que outros suecos da minha idade. Eu sou sueco. Sou sueco”.

 

Ken Ring, rapper sueco de origem queniana, que cresceu e ainda vive no subúrbio de Valingby, onde grupos de jovens apedrejaram vagões do metrô e incendiaram carros na 5ª-feira à noite, concorda.

 

Nunca estive em lugar algum, do mundo, onde as pessoas saibam o que é a realidade de viver na Suécia” – diz ele. “Quando veem fotos dos nossos subúrbios, dizem ‘não, não é Estocolmo. Deve ser Londres, Marselha. Estocolmo é hoje uma loucura...”.

 

Hoje com 34 anos, Ring foi nome bastante conhecido nos anos 90s, quando foi preso depois de gravar um rap em que falava de invadir o Castelo Real e estuprar a princesa Madeleine, 3ª na linha de sucessão ao trono, e que se casaria em duas semanas. Por causa do casamento, havia mobilização policial extra. Mas, depois, se reabilitou. “Onde moro vejo crianças de 14, 15 anos usando heroína. Tenho um filho de 12. Há dois anos, outra criança apontou uma arma para a cabeça do meu filho e disse “olhe só, você, assim, fica mais fraco que eu”. É a Suécia hoje. E não era para ser assim”.

 

Suécia em fogo

Não era. O herói do dia, surgido dos tumultos de rua, é um bombeiro, Mattias Lassen, atingido por pedradas quando tentava apagar o fogo em casas próximas de Husby, e que, depois, publicou uma carta aberta aos que o apedrejaram, pelo Facebook.

 

Podem me chamar, se seu pai bater o carro e precisar de ajuda. Posso ajudar sua irmã, se a cozinha dela pegar fogo. E nado na água gelada, para salvar seu irmão pequeno, se ele cair do bote” – escreveu ele. – Também posso ajudar sua avó, se ela tiver um infarto. E posso até ajudar VOCÊ, se acontecer de você pisar em gelo fino no lago, num ensolarado dia de março”.

 

A maré de insatisfação cresce dos dois lados. Nas eleições gerais de 2010, o Partido Sueco Democrático – que faz campanha contra os imigrantes, regularmente descrito como partido de extrema direita, ultrapassou pela primeira vez a cláusula de barreira dos 4% de votos. Elegeu 20 deputados, para o Parlamento, de 349 cadeiras.

 

Na 6ª-feira à noite, com número extra de policiais nas ruas de Estocolmo, onde as coisas estavam comparativamente mais calmas, graves tumultos irromperam em Örebro, a quase 200 quilômetros a leste da capital; e em Tumba, no sul do país. Pela primeira vez, grupos de “vigilantes” de extrema direita tomaram as ruas, depois de postarem fotos de membros do grupo, com rostos mascarados. Em Tumba, a Polícia prendeu 18 deles. A Polícia também está à caça de “uma pequena claque de agitadores profissionais de esquerda”, acusados de estarem viajando de cidade em cidade, usando carros particulares, disseminando táticas que conhecem bem, como destruir calçadas para soltar as pedras, e provocando agitação por onde passam.

 

Suécia em fogo

A grande maioria dos presos durante os primeiros dias de tumultos de rua já foram libertados. O primeiro a comparecer ante o juiz foi um arrependido e trêmulo jovem de 18 anos. “Nunca deveria ter-me juntado a eles” – disse ele. – “Queria ser bombeiro. Agora, acho que nunca conseguirei”.

 

Ontem, em Åkersberga, 60 quilômetros ao norte do centro de Estocolmo, ainda havia incêndios de carros à luz do dia, com a Polícia perseguindo grupos suspeitos, em helicópteros. Ken Ring, embora condene firmemente a violência geral, ainda tem esperanças. “Essas coisas ajudam a chamar a atenção. Os jornais falam, as televisões mostram. O governo não poderá deixar de ver o que está acontecendo”.

 

Depois que acabarem os incêndios provocados, com os ativistas de esquerda, os extremistas da direita fascista e os imigrados irados já julgados em tribunais justos, talvez, então, sim, o mundo perceba o que muitos suecos já perceberam: desde os anos neoliberais, as coisas na Suécia já não são o que parecem.

 


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acusação contra Assange na Suécia pode estar desmoronando


17/9/2012, Natalie Apostolou, The Register
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Natalie Apostolou
O caso contra Julian Assange fundador de WikiLeaks parece ter chegado a ponto de colapso, depois que os advogados de defesa descobriram que o material de prova, sobre o qual se baseou toda a acusação até agora, não contém DNA de Assange.

Segundo detalhes agora expostos à Defesa de Assange, constantes do relatório de 100 páginas da investigação policial, que contém os depoimentos dos interrogados e os laudos periciais, o material recolhido do preservativo apresentado como prova pela mulher que se apresentou como vítima de estupro não contém DNA de Assange.

Julian Assange
A equipe de advogados que cuida da defesa de Assange já encaminhou pedido para que se investigue a possibilidade de a acusadora ter encaminhado material falso à polícia, o que, se comprovado, acarretará a anulação de todo o processo.

O Procurador Geral da Justiça da Suécia ainda não se manifestou sobre o relatório da investigação policial.

Assange permanece na Embaixada do Equador em Londres, depois de receber asilo político, enquanto prossegue a batalha judicial contra a ordem de extradição para a Suécia.

Essa semana, em manifestação simbólica de apoio, uma associação que representa grupos de aborígenes australianos emitiu um passaporte para Assange.

A Associação Indígena de Justiça Social da Austrália está em disputa para ter reconhecida a soberania dos nativos em território da Austrália. Essa semana, membros da Associação declararam irrestrita solidariedade a Assange, que não está recebendo apoio efetivo do governo da Austrália. O passaporte, que só tem valor simbólico, foi emitido em nome do pai biológico de Assange.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Assange será preso ao desembarcar na Suécia


15/6/2012, Juha Saarinen, Wired, blog “Theat Level”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também:

Julian Assange

Julian Assange será preso no momento em que for entregue às autoridades suecas ao ser extraditado e será interrogado durante quatro dias, depois da extradição do Reino Unido; depois do interrogatório, o juiz sueco decidirá se permanecerá preso – como anunciou hoje o governo sueco.

No início dessa semana, a Corte Suprema no Reino Unido decidiu não reabrir o processo de apelação de Assange e manter a decisão anterior, segundo a qual o fundador de Wikileaks deve ser extraditado, para ser julgado em processo por crime sexual pelo qual foi acusado na Suécia.

A Corte Suprema do Reino Unido decidiu que Assange não precisa deixar Londres antes do dia 28/6/2012. A partir dessa data, começa a correr o prazo de dez dias para que seja entregue às autoridades suecas, nos termos da lei europeia, informou o Ministério Público sueco.

No prazo de quatro dias, depois da chegada à Suécia, um tribunal sueco decidirá se Assange deve permanecer sob custódia, para ser interrogado, à disposição do Ministério Público. Também segundo a mesma fonte, cabe apelação em todas essas decisões.

Assange viajará para a Suécia sob a custódia do Departamento de Correição do Reino Unido. Dado que Assange é considerado ameaça à segurança pública, será mantido preso durante o tempo em que permanecer à disposição do Ministério Público sueco.

Mas o gabinete do Procurador Geral sueco informa que Assange não será mantido em cela solitária, poderá ver televisão, ler jornais e manter contato com outros prisioneiros.

Assange está em prisão domiciliar em Londres desde dezembro de 2010, enquanto prosseguem os trâmites dos recursos que seus advogados impetraram nos tribunais britânicos, contra decisão de extraditá-lo para a Suécia. Há temores de que a Suécia esteja exigindo a presença de Assange na Suécia para interrogatório, exclusivamente para poder entregá-lo aos EUA, onde pesam contra ele acusações de espionagem, pela divulgação, pela página WikiLeaks, de telegramas diplomáticos sigilosos do Departamento de Estado dos EUA.
 
As autoridades suecas ordenaram a prisão de Assange, que já estava na Grã-Bretanha, depois que duas mulheres o acusaram, na Suécia de tê-las molestado sexualmente (coerção, estupro e outros crimes menores associados). Assange alega que os encontros e o sexo foram consensuais.

A Procuradora Marianne Ny presidirá o interrogatório de Assange, na Suécia. O gabinete da Procuradoria sueca informou que, depois da chegada de Assange à Suécia, a Procuradoria não mais divulgará qualquer informação sobre o caso, para não tumultuar os interrogatórios e não prejudicar outros envolvidos no processo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

As preocupações de Julian Assange são justificadas: Não há devido processo legal na Suécia


8/6/2012, Wikileaks Australian Citizens Alliance, Per E Samuelson
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Per E Samuelson, advogado sueco, da equipe de defesa de Julian Assange

Per E. Samuelson
O caso de Julian Assange resultou em intensa crítica, internacional, da jurisprudência sueca. O professor de Direito Mårten Schulz insiste que, sim, há devido processo legal na Suécia. Mas não diz que experiência tem do nosso sistema de detenção, restrições, impedimentos às visitas dos advogados etc..  Schulz fala do que não sabe.

É mais que hora de alguém que conheça a realidade bater na mesa e dizer as coisas como as coisas são: não há devido processo legal na Suécia. Na Suécia, de rotina, a detenção é praticamente sempre mal usada. É usada quando não é necessária, é usada para humilhar e impede o acusado de preparar a própria defesa.

Iniciar um processo com prender o suspeito e isolá-lo do mundo é recurso a usar no caso de crime de sangue, e desde que não haja qualquer dúvida sobre a culpa do suspeito. Anders Breivik na Noruega e Mijailovic, assassino de Anna Lindh, são casos exemplares. Deixá-los em liberdade antes do julgamento é impensável e repugnante.

Mas em caso em que se trate de determinar quem diz a verdade e quem mente, entre dois cidadãos normais, membros adaptados da sociedade, dois indivíduos que jamais cometeram crime algum, nesse caso é, sim, indispensável, perguntar por que um deles teria de ser isolado e mantido preso antes de ser julgado. O caso de Assange inscreve-se nessa categoria.

O caso começou em agosto de 2010, com o primeiro interrogatório policial a que Assange respondeu. Até ali, era homem livre. A procuradora requereu outro interrogatório para o final de setembro e insistiu em que Assange respondesse como preso e fosse mantido em isolamento. Para tanto, requereu que Assange fosse preso; emitiu um Mandado Europeu de Prisão; e requreu a extradição de Assange. O Tribunal do Distrito de Estocolmo e a Corte de Apelação de Svea deram-lhe o direito de prender Assange in absentia.

Julian Assange
Mas nem Julian Assange nem o mundo que nos cerca conseguem entender. Por que nem o interrogatório policial seria possível sem Assange estar preso? Assange não vive na Suécia. Trabalha em todo o planeta e seu trabalho exige que viaje livremente. Por que a Suécia não poderia aceitar isso, e mandar interrogá-lo, sem acrescentar as exigências de detenção e isolamento? Ele compareceria aos interrogatórios. O interrogatório aconteceria. E ele iria para onde precisasse ir, seguindo o rumo de sua própria vida. E se houvesse julgamento, ele voltaria para ser julgado. Se a Suécia tivesse encaminhado o processo desse modo, tudo já estaria julgado e decidido há muito tempo.

Mas eles insistem em que o único modo de interrogar Assange é obrigá-lo a ir à Suécia. Na chegada, será imediatamente preso e posto sob custódia da polícia e será levado à prisão. Depois será levado à audiência algemado e será oficialmente preso. E permanecerá preso até o final do julgamento.

Por que Assange, o mundo que nos cerca e eu – um dos advogados encarregados de defendê-lo – criticamos tanto esses procedimentos?

Primeiro: porque não é necessário. A procurador pode suspender o Mandado de Prisão e a detenção, e o interrogatório pode ser marcado e feito muito rapidamente. Ou um interrogatório na Inglaterra, ou na Embaixada da Suécia em Londres. 

Segundo: essas condições são humilhantes. Por que o acusado está sendo tratado como culpado, antes, até, de ser interrogado? Não há acusação, não houve julgamento, não há condenação.

Países nos quais haja justo processo legal prendem os culpados, não os acusados, menos ainda os inocentes. Porque na Suécia prende-se gente antes de saber se são culpados ou não, efeito do mau uso, na Suécia, da detenção, há aqui tantos inocentes presos. É injusto, é revoltante, é repugnante.

Estão criando dificuldades insuperáveis, até, para que Assange prepare a própria defesa. O preso em cela de isolamento, só tem contato, no máximo, com o próprio advogado. Enquanto isso, a acusação e a outra parte podem tranquilamente conversar com testemunhas, discutir e preparar estratégias. Por que só a acusação? Por que se nega igual oportunidade ao acusado?


O caso de Julian Assange é exemplo eloquente do dano provocado pelo mau uso que se dá, na Suécia, à detenção e outras restrições. E a Suécia, evidentemente, está sendo muito criticada por essas práticas. A crítica não vem nem de Assange nem de seus apoiadores, mas de muitos cidadãos respeitáveis em todo o mundo. Nada disso parece ter chegado aos ouvidos do professor Mårten Schulz e de alguns outros suecos. Mantêm-se cegos e surdos a essas verdades, por razões que permanecem obscuras.

Não é fácil pensar fora da caixa. Dá-se por pressuposto que o que se faz está correto, apenas porque foi feito. Mais ainda, em alguns casos, dependendo de quem tenha feito. Muita gente, no sistema judicial, comete esse erro de lógica. E trata-se também de nacionalismo. A crítica internacional aos erros de alguns suecos é vista como ataque contra a Suécia. E os suecos correm para proteger os caixotes lacrados, cujo conteúdo desconhecem.

Fora da Suécia não se conhecem os antolhos que se usam na Suécia. Em outros países, a detenção é significativamente menos mal usada. Praticamente em nenhum caso o acusado é isolado antes, até, de ser interrogado. Há gente libertada sob fiança, que, mesmo acusada, pode voltar ao mundo para preparar a própria defesa – como propusemos à procuradora sueca.

Por tudo isso, aconselho Mårten Schulz e vários suecos: parem de agir como gangue contra Assange, abram os olhos, olhem a realidade em volta! O tratamento que o sistema judiciário sueco preparou para Assange é desnecessário, visa a humilhá-lo, sentencia-o culpado “preventivamente” e o impede de preparar a própria defesa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Suécia reabre investigação contra o fundador do Wikileaks



Quarta-feira, Setembro 01, 2010

“A procuradoria-geral sueca reabriu o inquérito por violação contra o criador do website WikiLeaks, Julian Assange, sustentando que afinal existem “razões para acreditar que foi cometido um crime”.

Há semana e meia, com a diferença de poucas horas, as autoridades suecas emitiram e depois cancelaram um mandado de captura contra o australiano, então argumentando que nada levava a suspeitar das acusações de violação e agressão sexual formuladas contra Assange – alegadamente por duas mulheres diferentes, quando esteve na Suécia em meados de Agosto para participar numa série de conferências.

Em comunicado emitido esta manhã, a procuradora-geral Marianne Ny precisou que o inquérito foi reaberto agora após o caso ter sido “submetido a mais extensa análise”.

Assange, de 39 anos, que se popularizou a divulgar informações militares secretas dos Estados Unidos sobre a guerra no Afeganistão, tem negado desde o início as acusações.

Quando estas alegações surgiram, inicialmente avançadas pelo tablóide sueco “Expressen”, Assange avaliou que era “profundamente inquietante” que tal acontecesse quando o website ia revelar um novo pacote, de mais de 15 mil documentos, embaraçosos para as chefias militares norte-americanas.”

Citando o Jornal Público:

Os comentários ao artigo estão brutais:
“Mesmo?

Estou como os outros: há mesmo violação (que me perdoem as vítimas se for verdade), ou tem qualquer coisita a ver com wikileaks?”

"Ui Ui

Se fosse no tempo das vacas gordas, metiam-lhe um kilo ou dois de branca (cocaína) na mala do carro ou em casa e já estava feito. Só que agora, com a corrupção a bradar em todo o lado, essa branca seria logo desviada pelo pessoal do armazém onde deixassem as "provas" arquivadas. E está visto, o prejuízo era imenso para o orçamento da CIA. Agora em crise, sai mais barato recorrer a prostitutas para este tipo de serviço; encalacrar quem fala demais e tem meios de prova do que diz. Cambada de intrujas nojentos".

“POIS

A CIA nunca brinca em serviço! Então não se viu o caso Português! E já agora, expor documentos não é jornalismo, é informação! Jornalismo hoje em dia será qualquer coisa como impingimento.”

“Pois

A CIA começou o seu trabalho: denegrir a imagem do homem que tenta expor os crimes contra a humanidade perpetuados pelos EUA. Hitler atuava da mesma forma, Stalin atuava da mesma forma, os EUA sempre o fizeram.”

Sem mais...

Entramos numa lógica de caça às bruxas, blogues suprimidos, autores identificados, alvos de processos judiciais noutros países e presos.

Conspiração, não.
Realidade absurda. Em causa estão o Direito e a Liberdade de expressão e ainda as garantias dos cidadãos!

Na imprensa não há lugar para a realidade nua e crua, pois o mundo está pintado de cor de rosa, tudo lhes corria de feição até descobrirem que houve uns marotos que escreviam umas coisas que ninguém lia e lhes boicotaram a vacinação em massa contra a Swine Flu (gripe suína).

Pode ser que algum doido se lembre de convocar uma manifestação pelo telemóvel (celular), como aquela que teve lugar em Moçambique.

'Olha moçambicanos somos órfãos do Estado, avance a manifestação, Guebuza vai, Guebuza sai... Huma Mozaia Wai Sabotara U Hi Sabotara... passa a mensagem', foi esta a mensagem que correu nos celulares na tarde de ontem (31 de Agosto), a mobilizar a população para a manifestação que pôs Maputo em Estado de Sítio.

Aí talvez as pessoas comecem a despertar para a realidade nua e crua que nos querem há muito ocultar.

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