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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Noam Chomsky: “ISIS e a nossa era”

6/9/2014, [*]Noam ChomskyInformation Clearing House
Traduzido por mberublue


Minerva com sua Coruja 
Não é prazeroso ficar a matutar sobre a ideia de que, enquanto o crepúsculo cai sobre o mundo, passa pela cabeça da coruja de Minerva a dura tarefa de assumir a interpretação da atual era da civilização humana, que hoje está se aproximando de seu inglório fim.

A era teve início há cerca de 10.000 anos no Crescente Fértil, alongando-se por terras do Tigre e do Eufrates, através de Fenícia na costa oriental do Mediterrâneo até ao Vale do Nilo, e de lá para a Grécia e além. O que acontece hodiernamente nessas regiões, nos dá uma dolorosa lição sobre as profundezas para a qual a espécie mergulha.

O Crescente Fértil inclui a Mesopotâmia
A terra do Tigre e do Eufrates é o palco onde ocorrem cenas, nos anos recentes, de horrores indescritíveis. A agressão promovida em 2003 por George W. Bush/Tony Blair que muitos iraquianos comparam com a invasão mongol no século XIII, foi mais um golpe letal. Destruiu muito do que havia sobrevivido no Iraque à política de sanções impostas pela ONU, manipulada por Bill Clinton, condenada como “genocida” pelos eminentes diplomatas Denis Halliday e Hans Von Sponeck, que a administraram antes de renunciarem em protesto. O relato devastador de Halliday e Von Sponeck recebeu o tratamento comum ministrado aos fatos indesejados quando vêm à luz.

Uma das terríveis consequências da invasão patrocinada por EUA e Reino Unido é descrita no “guia visual da crise no Iraque e Síria” do The New York Times: a mudança radical que aconteceu em Bagdá, de uma vizinhança miscigenada e pacífica em 2003 para os enclaves sectários mergulhados em ódio amargo dos dias atuais.

Grande parte da área do Tigre/Eufrates hoje se encontra nas mãos do ISIS/ISIL e seu auto declarado Estado Islâmico, uma sinistra caricatura do Islã radical extremista que tem sua casa na Arábia Saudita. Patrick Cockburn, um correspondente do jornal inglês The Independent e um dos mais bem informados analistas sobre o ISIS/ISIL o descreve como

(...) uma organização horrível, fascista de muitos modos, extremamente sectária, que assassina qualquer um que não acredite em sua particular e rigorosa maneira de culto ao Islã.

Cockburn também salienta a contradição que existe na reação do ocidente à emergência do ISIS/ISIL: Ao mesmo tempo em que tenta deter seu avanço, também se esforça para enfraquecer o seu maior oponente na Síria, o regime de Bashar al-Assad. Ao mesmo tempo, a maior barreira à difusão da praga ISIS/ISIL para o Líbano é o Hezbollah, odiado inimigo dos Estados Unidos e seu aliado Israel. Para complicar ainda mais a situação, os Estados Unidos e o Irã agora dividem uma justificada preocupação com o crescimento do Estado Islâmico, assim como de outros naquela região altamente conflitada.

ISIS/ISIL marcham em Mosul, Iraque
O Egito se encontra mergulhado em dias sombrios, sufocado por uma ditadura militar que continua a receber apoio dos Estados Unidos. Não estava escrito nas estrelas o destino do Egito. Por séculos, sendas alternativas foram possíveis e não sem freqüência uma pesada mão imperial barrou estes caminhos.

Depois dos renovados horrores presenciados pelo mundo nas últimas semanas, torna-se desnecessário comentar o que vem de Israel, que na história remota foi considerado como uma reserva moral.

Há cerca de oitenta anos, Martin Heidegger saudava o surgimento da Alemanha Nazista como a esperança que o mundo proporcionava para resgatar os valores e a glória da civilização grega em contraposição aos bárbaros do ocidente e do oriente. Hoje, a Alemanha esmaga a Grécia sob o tacão da bota dos banqueiros e um regime econômico destinado a manter a sua riqueza e o poder.

A previsão mais provável para efetivamente acontecer está contida em um relatório preliminar expedido pelo Comitê Intergovernamental para a Mudança Climática (Intergovernmental Panel on Climate Change) o monitor, geralmente conservador, do que está acontecendo com o mundo físico.

O relatório conclui que o risco cada vez mais crescente de emissão de gás de efeito estufa “terá impacto severo, generalizado e irreversível sobre pessoas e ecossistemas” nas próximas décadas. O mundo se aproxima cada vez mais da temperatura através da qual a perda do imenso manto de gelo que cobre a Groenlândia se tornará irreversível. Junto com o derretimento do gelo da Antártida, isso pode elevar o nível dos oceanos até a inundação de grandes cidades, bem como de planícies costeiras.

A era da civilização coincide aproximadamente com a época geológica do Holoceno, que teve seu início há cerca de 11.000 anos. A época anterior, o Pleistoceno, durou por 2,5 milhões de anos. Atualmente, os cientistas sugerem que a nova época seja chamada de Antropoceno, começando 250 anos atrás, o que faria desta época a que marca o período em que a atividade humana tem um impacto dramático no mundo físico. É difícil ignorar o ritmo de mudança dessa época geológica.

Um dos índices do impacto do surgimento dos seres humanos é a extinção das espécies, agora estimado como sendo do mesmo nível de 65 milhões de anos atrás, quando um asteróide colidiu com a Terra. Presume-se que seja esta a causa da extinção dos dinossauros, o que abriu a possibilidade para o progresso e proliferação dos mamíferos, que acabou resultando nos seres humanos. Hoje o asteroide são os humanos, que condenam a maior parte da vida à extinção.

Reservas mundias de gás
(clique na imagem para aumentar)
O relatório do IPCC reafirma que a “grande maioria” das reservas conhecidas do combustível fóssil deveria ser deixada no subsolo por trazer riscos intoleráveis para as gerações futuras. Enquanto isso, as maiores corporações energéticas não fazem segredo de sua meta de explorar essas reservas e descobrir novos campos de exploração.

Apenas um dia antes da publicação do resumo das conclusões do IPCC, o jornal The New York Times relatou que muito do estoque de grãos do Centro Oeste dos EUA estava apodrecendo para que o óleo extraído no recente boom de petróleo de Dakota do Norte pudesse ser transportado por via férrea e enviado para a Europa e Ásia.

Uma das consequências mais temidas do perigo antropogênico global é a possibilidade de derretimento das regiões de pergelissolo (permafrost no original – NT). Um estudo da Science Magazine alerta que

(...) mesmo um pequeno aumento da temperatura (menor do que o que pode ocorrer [e já se antecipa] nos próximos anos) pode começar o derretimento do pergelissolo, o que por sua vez ameaça disparar o gatilho da liberação de grandes massas de gás de efeito estufa atualmente presos no gelo, com conseqüências possivelmente fatais para o clima global.

Glaciar Siachen
Arundhati Roy lembra que “a metáfora mais apropriada para ilustrar a insanidade em nossos dias” é o Glaciar Siachen, onde soldados hindus e paquistaneses mataram uns aos outros na luta que aconteceu no campo de batalha mais alto do mundo até hoje. Hodiernamente, o glaciar está se derretendo, revelando “milhares de cápsulas usadas de artilharia, tambores de combustível vazios, machados de gelo, velhas botas, barracas e outras coisas aos milhares, que humanos produzem quando em guerra uns contra os outros nos seus estúpidos conflitos”. Agora, com o derretimento do glaciar, Índia e Paquistão estão face a face com desastres indescritíveis.

Triste espécie. Pobre Coruja.
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[*] Noam Chomsky, nasceu Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Seu nome está associado à criação da gramática ge(ne)rativa transformacional. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais, sendo o seu nome associado à chamada Hierarquia de Chomsky. Seus trabalhos, combinando uma abordagem matemática dos fenômenos da linguagem com uma crítica do behaviorismo, nos quais a linguagem é conceituada como uma propriedade inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para a formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas. Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Temos que construir Belo Monte!


Sonia Montenegro

Recebi de um amigo uma propaganda de artistas globais contra a construção de Belo Monte, e coletei uns tantos textos que defendem a construção da usina, que como abaixo:

PS: Se não tiver saco para ler tudo, faça pelo menos uma leitura dinâmica, para sentir que faz sentido á defesa da construção da hidrelétrica.

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Sonia Montenegro - 6.9.2011

Dito isso, vamos ver outras opiniões:

Mauro Santayana - Revista do Brasil No. 47 - 19.5.2010

Delfim Neto - Carta Capital - 13.4.2011 

Reportagem do jornal Hora do Povo – 29.7.2011

Eron Bezerra no Portal Vermelho – 20.4.2010

Alexandre Porto no Blog do Ale - 18 1. 2011

Miguel do Rosário -  Blog Óleo do Diabo  - 27.4.2010

 Claudio Julio Tognolli - Brasil 247 - 14.11.2011

Um fantasma ronda o mundo: a farsa de que o superaquecimento global só ocorre por fatores endógenos, ou a emissão de poluentes na terra.

Por que você acha que o Príncipe Charles, e outros milionários de países de primeiro mundo, são patrocinadores e padroeiros do WWF?

Porque a nova ideologia faz uso de ongueiros preservadores da natureza para drogar jovens com a febre anti-desenvolvimentista.

Neil Young, que há duas semanas saiu nas Páginas Amarelas de Veja, veio aqui no SWU com um único papel: ele é agente do capetalismo internacional, contra o desenvolvimento do parque industrial brasileiro.

Vale lembrar que há no Brasil 340 mil ONGs...

Quem são? Quem financia? Quais seus interesses? O capital estrangeiro é de quais países? Em que áreas atuam? Como e em quais localidades brasileiras, estrangeiras e em seus países de origem atuam?

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Finalmente, dou os meus pitacos:

Confio muito mais na opinião dos textos acima do que qualquer bandeira da Globo, e as razões já disse acima. Quanto aos artistas globais, ou podem ser usados como inocentes úteis (na melhor das hipóteses), ou estão defendendo seus interesses, puxando o saco do seu patrão.

Tem um vídeo que rola na internet de Orlando Villas Boas, sertanista falecido em dezembro de 2002, que dedicou sua vida à causa dos índios e principal criador do Parque Nacional do Xingu.

Orlando faz nele uma grave advertência aos brasileiros: disse que algo entre 10 ou 15 Ianomâmi, os mais destacados da comunidade, estão na América, aprendendo inglês, aprendendo uma porção de coisas e aprendendo a política.


E essa política vai resultar em que? Eles vão voltar dentro de uns 2 ou 3 anos para as tribos ianomâmis, falando inglês, com outra mentalidade. E o que eles vão fazer? Eles vão pedir o território ianomâmi desmembrado do Brasil, e a ONU vai dar. E dá como tutora, no começo dessa nova gleba à América do Norte. Isso é amor dos norte-americanos pelos ianomâmis? Não! Não senhor!

Eu gostaria de saber com que direito o magnata cineasta James Cameron se arvora no direito de se meter na política de um país soberano, afirmando que vai impedir a construção da usina de Belo Monte? Como ele se locomove pelo mundo? Com certeza, não é a pé ou de bicicleta e muito menos em aviões comerciais. Ele não está preocupado com planeta, quando se trata do seu próprio conforto.

Por que ele não faz uma campanha no seu rico país, para reflorestar as 96% das florestas que devastaram? Os EUA possuem 5% da população do mundo e consomem 30% dos recursos naturais do planeta. Se todo o mundo consumisse como eles, seriam necessários de 3 a 5 planetas. E ele vem se meter onde não foi chamado?

E as guerras que a grande nação norte-americana promove continuamente, desde a guerra da independência? Bomba não polui? Destruir infra-estrutura construída com o dinheiro da população de diversos países, como vem acontecendo, para depois auferir lucros na reconstrução é o que? Isso poderia ser chamado de ecologicamente certo?

A “grande” nação norte-americana jamais assumiu que invadiria um país para lhe roubar. Sempre tiveram um discurso “politicamente certo”: “contra os comunistas que comem criancinhas”, nos tempos da guerra-fria; que uma vez acabada, levou a outras justificativas, como: “vamos levar a liberdade”.

Historicamente, apoiaram ditadores sanguinários, desde que fossem “amigos”. Derrubaram um número enorme de governos democraticamente eleitos, e os substituíram por ditaduras “amigas”. Não foi a custa de justiça que se tornaram uma potência hegemônica.

Agora o discurso é ecologia, ou você acha que essa onda ecológica nasceu espontaneamente? E a hipocrisia é tamanha que exigem dos outros o que não fazem, porque não assinaram nem o protocolo de Kioto. Foram eles que instituíram essa “sociedade de consumo”, e pior, nada fizeram para mudar.

Então que vão catar coquinhos, e eu estou disposta a ir para a rua para defender a construção de Belo Monte, apesar da Globo e dos globais!

Sonia Montenegro

sábado, 14 de agosto de 2010

No telejornal: como a mudança climática te afeta



Imagens como esta revelam a mudança climática, o aquecimento global e a cumplicidade das autoridades chinesas com as tragédias anunciadas.

13 de agosto de 2010, coluna semanal de Amy Goodman

As reportagens diárias a respeito do clima e da previsão do tempo, apresentadas alegremente com gráficos coloridos e animação de última geração, parecem transmitir cada vez mais informação.

No entanto, sem importar o quão chamativa seja a apresentação, um fato fundamental é sistematicamente omitido. Imaginemos se, depois de salientar a expressão “condições climáticas extremas” para chamar nossa atenção, os relatórios indicassem o termo genérico “aquecimento global”. Então não ficaríamos apenas inteirados se devemos pôr roupas mais leves ou levar guarda-chuvas, senão de que temos que fazer algo a respeito da mudança climática.

Apresentei esta questão a Jeff Masters, co-fundador e diretor de meteorologia de Weather Underground, um serviço de informação meteorológica através da Internet. Masters escreve um blog sobre o clima que tem muitos leitores e não evita vincular as condições meteorológicas extremas com a mudança climática:

“Calor, calor, calor é o nome do jogo neste ano no planeta Terra”, diz o meteorologista Jeff Masters, enquanto o mundo está afetado por eventos climatológicos extremos que têm provocado a morte de milhares de pessoas e a deslocação de milhões.

Os incêndios florestais na Rússia cobriram o país de fumaça, exacerbando o que tem sido o verão mais quente nesse país nos últimos mil anos. As chuvas torrenciais na Ásia provocaram grandes inundações e deslizamentos de terra mortais no Paquistão, Cachemira, Afeganistão e China. Um grande bloco de gelo desprendeu-se da Groenlândia, deixando uma ilha de gelo quatro vezes maior do que a ilha de Manhattan navegando no oceano. A seca ameaça ao Níger e à toda região africana do Sahel.

Masters relaciona estatísticas nuas e cruas entre si:

- Em 2010 registraram-se temperaturas máximas históricas em mais países no mundo em um único ano: 17.

- A última década foi a mais quente já registrada.

- A primeira metade de 2010 foi o semestre mais quente na história do planeta.

- Os cinco meses mais quentes da história na zona tropical do Atlântico ocorreram neste ano (o que provavelmente provocará furacões mais freqüentes e severos no oceano Atlântico).

“Cada vez mais teremos anos como este, quando ocorrem acontecimentos de uma magnitude incrível, provocando mortes e uma tremenda destruição. O que me preocupa é que na medida em que estas condições climáticas extremas continuem aumentando nas próximas décadas, e também aumente a população, a capacidade da comunidade internacional de responder a estes desastres e brindar ajuda às vítimas se verá forçada ao limite”.

E, no entanto, as negociações da ONU sobre mudança climática parecem estar rumando para um fracasso.

As negociações sobre o clima, realizadas na cidade de Copenhague em dezembro do ano passado chegaram a um ponto morto, depois de que as nações industrializadas encabeçadas por Estados Unidos ofereceram um acordo do tipo de ’é pegar ou largar’. Muitos países em desenvolvimento decidiram por ‘largar’. O chamado Acordo de Copenhague é visto como um documento fraco e não vinculante, um texto imposto aos países mais pobres como um estratagema para permitir a países como Estados Unidos, Canadá e Chinesa escapar das metas legalmente vinculantes de redução de emissões de gases de efeito estufa estipuladas no Protocolo de Kioto, tratado este que deve ser renovado em 2012.

A Bolívia, por exemplo, busca um acordo mundial sobre emissões mais agressivo. Está pedindo limites estritos às emissões, legalmente vinculantes, em lugar das metas voluntárias estabelecidas no Acordo de Copenhague. Depois de que a Bolívia se negou a assinar o acordo, os Estados Unidos retirou milhões de dólares em ajuda já prometidos. O embaixador de Bolívia na ONU, Pablo Solón, me disse: “Disseram que nós não apoiamos o Acordo de Copenhague, e nós dissemos: ’Podem ficar com o dinheiro. Não vamos brigar por umas moedas. Estamos lutando pela vida’”.

Ainda que a Bolívia tenha conseguido aprovar uma resolução na ONU no mês passado, reconhecendo a água e o saneamento como um direito humano, algo sem precedentes para este órgão internacional, isto não muda o fato de que à medida que se derretam as neves perenes da Bolívia, como conseqüência da mudança climática, seu fornecimento de água está sob ameaça.

As nações localizadas em ilhas do Pacífico, como Tuvalu, poderiam desaparecer do planeta se os níveis do mar continuar aumentando, o que é outra conseqüência do aquecimento global.

A próxima conferência da ONU sobre a mudança climática vai acontecer em Cancun, México, em dezembro deste ano. As perspectivas de conseguir ali um consenso mundial com compromissos vinculantes parecem cada vez mais improváveis. Em definitiva, a política dos Estados Unidos, o maior contaminador na história da humanidade, tem de mudar. Isto somente acontecerá se o povo estadunidense fizer a conexão necessária entre o clima local do país e a mudança climática mundial. Sendo esta a necessidade, quer maneira melhor para fazer essa conexão do que replicar diariamente esta ameaça através das reportagens e matérias de serviço de previsão do tempo? A este respeito, o meteorologista Jeff Masters explicou qual é o ponto crucial do problema:

“Muitos meteorologistas da televisão são muito céticos, não crêem realmente que a mudança climática seja provocado pelo homem. Foram seduzidos pela opinião imposta pela indústria dos combustíveis fósseis de que os seres humanos não são realmente responsáveis, e por isso podem inventar qualquer tipo de desculpas. Eu não sei se já escutei a todas estas mentiras, tais como: que os cientistas do clima estão fazendo isto para captar atenção e dinheiro para pesquisa, que os registros de temperatura são alterados porque a ilha de calor afeta às cidades, e por aí vai. Mas tudo isso não passa de propaganda imposta pelos escritórios de relações públicas da indústria dos combustíveis fósseis, e têm convencido a muitos meteorologistas da televisão. Então, é um caminho difícil porque estamos travando uma batalha contra um inimigo que está muito bem financiado, e que está decidido a desinformar sobre o que diz a verdadeira ciência”.

Quem sabe não deveria ser um meteorologista a dizer para onde o vento está soprando.
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Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.

© 2010
Amy Goodman

Texto traduzido do castelhano e revisado do original em inglês por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em português em Estratégia & Análise

extraído de
Democracy Now!