Notadamente, também aCIA está ajudando a Al Qaeda, através do patrocínio dos “rebeldes moderados” na Síria e provendo armas ao custo de US$ 1 bilhão/ano. Tais armas, assim como os lutadores treinados pela CIA, acabam inevitavelmente engrossando as fileiras dos jihadistas.
Mais que fornecer apoio para a Al Qaeda, uma parte do plano de Israel é prejudicar o máximo possível o Estado Sírio. Uma Síria destruída deixa de ser uma ameaça para Israel, mas a destruição da Síria também passará a ser uma excelente desculpa para buscar ainda mais ajuda militar entre os aliados de Israel, por causa do “Caos” em suas fronteiras. Outra parte do plano é simples: roubar ainda mais território da Síria. Israel já ocupou o sul ocidental das Colinas de Golan, com posições nos terrenos mais altos. Agora, está planejando roubar o nordeste das terras do Golan, com o intuito de controlar os valiosos recursos aquáticos nas colinas.
A “desculpa” para fazer isso seria o caos, mesmo tendo sido criado por Israel através do apoio à Al Qaeda contra o Exército Sírio e a ameaça que a Al Qaeda representa contra a população nos pontos mais elevados da Síria.
Relatos pelosítio israelense Walla no domingo (7/6/2015) à tarde, afirmam que Israel está desenvolvendo planos para a criação de uma zona especial de segurança no território sírio destinada a permitir segurança e ajuda humanitária aos refugiados drusos na Síria que encaram a ameaça de massacre nas mãos do Estado Islâmico e outros grupos jihadistas como a Frente Al Nusra, afiliada da Al Qaeda na Síria.
Uma eventual “zona de segurança” acabará por se tornar terra ocupada por Israel e com o passar do tempo, terreno para ainda mais assentamentos judaicos.
Terroristas da Jabhat Al-Nusra equipados por
Israel usam veículos roubados da ONU
Avaliando erroneamente as circunstâncias, os drusos na Síria tomaram uma posição neutra na guerra na Síria e não defendem o Estado Sírio. Cerca de 27.000 deles fugiram da conscrição obrigatória no Exército Sírio. Apenas alguns dias depois,os terroristas da Al Qaeda mataram cerca de 20 pessoas em uma aldeia drusa. Com recursos cada vez mais escassos, o exército da Síria não mais pode e não mais defenderá os enclaves drusos e o povo druso encara agora duas possibilidades: a de ficar sob o controle dos jihadistas e converter-se ao Wahhabismo islâmico ou se ver de repente debaixo da ocupação brutal de Israel.
Outras comunidades minoritárias da Síria que não apoiaram ou que não apoiam o Estado Sírio provavelmente muito em breve se verão frente a essa escolha trágica.
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[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.
Uma das igrejas armênias profanadas pelas afiliadas da al-Qaeda em Latakia antes e depois da troca de cruzes por bandeiras negras
Dia 23/3,
os grupos Jabhat al Nusra e Ahrar al-Shams afiliados da Al-Qaeda, formados de
estrangeiros, cruzaram a fronteira vindos da Turquia e atacaram a província de
Latakia, no oeste da Síria. Tomaram o posto de fronteira de Kasab e a cidade
armênia de Kessab. A população fugiu, enquanto os jihadistas
removiam as cruzes das igrejas armênias e as substituíam
por suas bandeiras negras. Os grupos jihadistas receberam apoio de
artilharia e antiaéreo da Turquia. Um avião sírio que atacava os jihadistas foi
abatido pela força aérea turca.
Os
jihadistas conseguiram capturar várias colinas antes de serem detidos por
forças sírias de reforço. Depois que o avião foi derrubado, os radares
antiaéreos sírios localizaram
todos os aviões turcos que se aproximavam de suas fronteiras e
prepararam-se para derrubá-los. Sabe-se que foi usada artilharia pesada contra
os intrusos e que houve, entre eles, pesadas baixas. Os feridos deles foram
transportados para a fronteira turca e atendidos em hospitais turcos. A
campanha jihadista está claramente em dificuldades e bastarão apenas poucos
dias até que tenham de bater em retirada.
Mas o
Primeiro-Ministro turco Erdogan e seu Ministro de Relações Externas, Davutoglu
ainda têm outros planos. Dizem que o Túmulo de Süleyman Shah, uma pequena
porção de terra na Síria, a 25
km da fronteira turca, mas que é solo turco, está
ameaçado de ataque pelo grupo jihadista Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIS).
E dizem que tropas turcas estão prontas para defender o Túmulo. É claramente
ameaça de invasão, segundo a rádio Gleiwitz.
Recep Tayyp Erdogan (E) e Ahmet Davutoglu
Hoje, vazaramgravações dedois
telefonemas (em turco; já com transcrição para o inglês [e já traduzidas
para o português do Brasil] entre Davutoglu, o chefe da inteligência
turca, Hakan Fidan e outros. As gravações parecem confirmar que o plano é, de
fato, usar a al-Qaeda como “anteparo” para invadir a Síria.
Hakan Fidan
Fidan oferece a Davutoglu enviar mísseis à Síria
para bombardear a Turquia (e gerar um casus belli).
Depois que Davutoglu rejeita a ideia, Fidan
oferece-se para bombardear o Túmulo de Süleyman Shah.
E fala sobre as necessidades dos jihadistas (que
estão precisando mais de munição, que de armas).
Fidan diz que entregaram 2 mil caminhões de
armas aos insurgentes.
Davutoglu diz que Kerry perguntou se os turcos
poderiam invadir a Síria e pressionou para que o fizessem.
Davutoglu diz também que eles têm planos para
implantar uma zona aérea de exclusão sobre a Síria e já entregaram esses
planos à OTAN.
Davutoglu assegura a Fidan que Erdogan concordou
com todos esses planos.
Fidan diz que as coisas não vão bem para os
insurgentes e que a Turquia enviou um general para ajudá-los.
Pouco
depois que esses telefonemas vazaram por Youtube, a Turquia bloqueou
todos os acessos locais a Youtube. As gravações são agora acessíveis no Vimeo e em
outros canais. A fita divulgada, apenas a
últimade uma série maior, surgiu depois que a polícia
turca invadiu uma empresa holding ligada ao movimento
religioso Gülen, ex-aliado de Erdogan, agora convertido em seu mais
feroz inimigo. Uma estação de TV relacionada a Gülen também foi tomada.
Haverá
eleições locais na Turquia dia 30/3, e o partido AKP [“Justiça e
Desenvolvimento”] de Erdogan pode perder as prefeituras de Istambul e/ou
Ankara. Erdogan está usando uma estratégia de desmonetização
contra todos – Twitter, Gülen, Israel, Síria, quem for – para manter sua grande
base popular. Mas ela talvez já não seja suficiente para lhe garantir
vitórias eleitorais.
O governo
Obama também já começou a plantar
histórias sobre novas “preocupações” sobre ataques jihadistas contra
interesses “ocidentais” no norte e no leste da Síria. Esses “ataques” podem ser
facilmente
forjados e usados para “justificar” uma intervenção ‘'ocidental'’ e
renovar a discussão sobre uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.
Um ataque
ao norte da Síria surge em momento em que outro ataque longamente anunciado
pelo sul não consegue materializar-se. Já se viram novas armas antitanques
chinesas no sul, mas não há sinal de campanha coordenada. De fato, há dúvidas sobre a
real existência da anunciada Frente Sul. A conversa sobre isso pode ter
sido meio de distrair as atenções para longe do ataque no norte.
Turquia e
EUA que sejam muito cuidadosos nesses sonhos de invadir a Síria. Os dois podem
deixar-se embriagar nesses jogos, e há tropas russas de prontidão na fronteira
leste da Ucrânia. Um movimento num ponto pode resultar em contramovimento
noutro ponto.
[*] “Moon of Alabama” é título popular
de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre
outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de
Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois
autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny.
Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no
primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre
aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os
quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão
SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”,
que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa
de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:
Terroristas da Frente al-Nusra /al-Qaeda armados e pagos pelos EUA e Arabia Saudita
Se
ainda faltasse alguma prova extra para destroçar o mito de uma luta
“revolucionária” para alguma futura Síria “democrática”, as manchetes da semana
acabaram com qualquer dúvida remanescente.
11,
13 ou 14 brigadas “rebeldes” (o número varia conforme a fonte) já fizeram
descarrilar o tal Conselho Nacional Sírio, dito “moderado” e mantido pelos EUA,
e o nada livre Exército Sírio Livre. Os líderes do bando são os
jihadistas dementes da Frente al-Nusra – mas o bando inclui outras
imundícies, como as brigadas Tawhid e Tajammu Fastaqim Kama Ummirat em Aleppo,
algumas imundícies das quais eram, até recentemente, parte do Exército Sírio
Livre, já em pleno colapso.
Na
prática, os jihadis ordenaram que a miríade de “moderados” se
submetessem, que se “unificassem num quadro claramente islamista” e que jurassem
fidelidade a uma Síria futura na qual a lei da Xaria seja “a fonte única da
legislação”.
Ayman al-Zawahiri
Um
certo Ayman al-Zawahiri deve estar em festa, dançando em seu esconderijo
confortável, à prova de drones, em algum ponto dos Waziristões. Não só
porque sua conclamação para uma jihad multinacional – à moda do
Afeganistão nos anos 1980s – está funcionando; também porque o Conselho Nacional
Sírio comandado pelos EUA já está exposto como o roedor desdentado que de fato
é.
E
fatos em campo só fazem comprovar exatamente isso. O Estado Islâmico do Iraque e
do Levante, promovido pela al-Qaeda, acaba de tomar uma cidade próxima do ponto
de passagem de Bab al-Salam na fronteira com a Turquia, que estava sob controle
do Exército Sírio Livre, porque o Exército Sírio Livre foi acusado de lutar por
“democracia” e de manter laços com o Ocidente. Errado. O Exército Sírio Livre
deseja esses laços com o ocidente, sim; mas sob regime controlado pela
Fraternidade Muçulmana. E o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – do qual a
Frente al-Nusra é o principal membro sírio – deseja um Siriastão talibanizado.
As
gangues de jihadis linha duríssima na Síria somam cerca de 10 mil
jihadistas; mas correspondem a cerca de 90% dos combates pesados, porque são os
únicos com real experiência de combate (incluindo iraquianos que combateram
contra norte-americanos, e chechenos que combateram contra russos).
Bandar bin Sultan
Paralelamente,
e não por acaso, desde que o príncipe Bandar bin Sultan, codinome Bandar Bush,
foi nomeado pelo rei saudita Abdullah para comandar a jihad síria, com
instruções para não deixar nem levar prisioneiros vivos, o Conselho Nacional
Sírio dito “moderado” e aliado da Fraternidade Muçulmana do Qatar passou a ser
cada dia mais deixado de lado.
Cortem
a cabeça desses “pacifistas”
E,
em matéria de descarrilamento catastrófico, nada se compara à desculpa do
governo Obama para uma “estratégia”, a qual, teoricamente, se resume a armar e
treinar extensivamente o elo mais fraco – gangues selecionadas do Exército Sírio
Livre infiltradas por agentes da CIA – e que “impediriam” que as armas caíssem
em mãos de jihadistas. Como se a CIA tivesse inteligência local confiável sobre
as fontes do Golfo que garantem dinheiro e apoio logístico aos milhares de
jihadistas.
O
Conselho Nacional Sírio, o Exército Sírio Livre e o chamado “Comando Militar
Supremo” (de exilados) comandado pelo grandiloquente general Salim Idriss já não
passam, hoje, de piada.
A
coisa toda aconteceu enquanto o presidente da Coalizão de Oposição Síria [Ahmed
Asi] Al-Jerba, estava na Assembleia Geral da ONU em New York – onde se encontrou com o
secretário de Estado John ("Assad é como Hitler”) Kerry. Kerry não falou sobre
armas, mas sobre mais “ajuda” e futuras negociações na perenemente adiada
Conferência Genebra-2. Al-Jerba ficou furioso. E, para piorar, várias das
gangues do seu Exército Sírio Livre declaradamente bandearam-se para a al-Qaeda.
A Frente al-Nusra/al-Qaeda executa civis na região de Aleppo (Síria)
Por
quê? Sigam o dinheiro. É assim que funciona. Pelo menos metade das “brigadas” do
Exército Sírio Livre são mercenários – financiados do exterior. Lutam onde os
patrões – que lhes pagam e lhes fornecem armas – mandam lutar. O “Comando
Supremo” controla, no máximo, 20% das brigadas. E essa gente sequer vive na
Síria; têm bases do lado turco ou jordaniano da fronteira.
Mas
esses jihadis mercenários combatem em tempo integral. Eles são a efetiva
força combatente, recebem salários em dia e suas famílias são protegidas e
mantidas.
Assim
sendo, trata-se hoje de guerra entre o Exército Sírio Árabe e um bando de
jihadistas. Claro: nada disso será JAMAIS bem explicado pela imprensa-empresa à
opinião pública ocidental.
Imaginem,
então, se esses degoladores, comedores de fígados, fãs da Xaria, teriam algum
desejo de aparecer na conferência Genebra-2 para negociar um cessar-fogo com o
governo sírio e um possível acordo de paz com o eixo OTAN-Casa de Saud.
Evidentemente nunca acontecerá – como Bandar Bush deixou bem claro,
pessoalmente, em Moscou, para o presidente Vladimir Putin.
O
pior, do ponto de vista de Washington, é que não há como explicar por que não
pode acontecer nenhuma negociação significativa. Até os mais descerebrados
infiéis que habitam os círculos do poder em Washington já viram que há conexão
direta entre todas as hordas de “rebeldes”, e também, é claro, com os “rebeldes”
sírios que abraçaram a al-Qaeda imediatamente depois que o grupo al-Shabaab
atacou o shopping centerWestgate em Nairobi.
Os degoladores da Frente al-Nusra/al Qaeda (financiados e armados pelos EUA via Arabia Saudita, Jordânia e Turquia) distribuem fotos e vídeos de seus "feitos e conquistas" na internet
Nem
é preciso dizer que Bagdá entrou em surto, ante esses desenvolvimentos. O Estado
Islâmico do Iraque e do Levante já aumentou os atentados com carros-bomba e
homens-bomba no próprio Iraque – porque o governo de al-Maliki, “apóstata”
xiita, é tão alvo preferencial quando o governo do secular Bashar al-Assad.
Quase
nem acredito que há apenas cinco meses, eu mesmo escrevi sobre o advento do Emirado Islâmico do Siriastão. Agora já
está bem claro que e como o “invisível” al-Zawahiri e o esperto Bandar Bush se
apropriaram da “estratégia” de Washington para chegar, realmente, onde querem
chegar.
[*]
Pepe Escobar (1954)
é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica
exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times
Online; é também analista e correspondente das redes Russia
Today, The Real News NetworkTelevison e Al-Jazeera.
Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de
Tradutores da Vila Vudu, noblog
redecastorphoto.
Vídeo filmado em Latakia (Síria).
Mostra militantes da al-Qaeda, do grupo conhecido como
Jabhat al-Nusra (“Frente al-Nusra”), que está recebendo armas
do ocidente para derrubar o governo do presidente Bashar al-Assad.
Ouvem-se aí, de viva voz, suas
palavras-de-ordem: “Nossa via é a Jihad!” e “Obama!
Obama! Aqui somos todos Osama”.
PARIS.
E agora, as mais recentes notícias, recém chegadas do Emirado Islâmico do
Siriastão. Esse programa chega até vocês graças ao alto patrocínio da empresa
CCGOTAN (o Conselho de Cooperação do Golfo, também chamado Conselho
Contrarrevolucionário do Golfo; e a Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Não deixem de assistir, please, à mensagem de nossos patrocinadores: os
governos dos EUA, Grã-Bretanha, França, Turquia, além da Casa de Saud (Arábia
Saudita) e do Emir do Qatar.
Tudo
começou nos primeiros dias dessa semana, com uma proclamação de um elusivo líder
da al-Qaeda Central,
Ayman al-Zawahiri
Ayman “O Doutor” al-Zawahiri, de algum local desconhecido
nas áreas tribais do Paquistão (não se sabe é como O-O-Obama, com lista &
licença para matar e toda aquela esquadrilha de drones, não consegue
encontrá-lo).
Al-Zawahiri
conclamou todas as brigadas islamistas envolvidas no
Jihad-business de lutar contra o governo do presidente sírio
Bashar al-Assad, a fundar um emirado islâmico, passport du jour que
levará a um califato islâmico.
Dois
dias depois, o Estado Islâmico do Iraque – “al-Qaeda no Iraque”, para todas as
finalidades práticas – anunciou, em vídeo estrelado pelo líder Abu Bakr
al-Husseini al- Qurashi al-Baghdadi, um espetacular affair de fusão &
aquisição: doravante, a al-Qaeda de al-Baghdadi operará unida com o grupo
jihadista Jabhat al-Nusra, da oposição síria. A nova empresa atenderá pelo nome
de “Estado Islâmico do Iraque e Levante”.
Mas,
logo no dia seguinte, o líder supremo do Jabhat al-Nusra, o sombrio Abu Muhammad
al-Joulani, disse que sim, juramos fidelidade ao Xeique da al-Qaeda, Doutor
al-Zawahiri. Mas nada de affair de fusão & aquisição com a al-Qaeda
no Iraque. Nem pensar.
Monty Python, genial grupo inglês de comédia em: A Piada Mais Engraçada do Mundo
Infiéis
desentendidos e intrigados de Washington a Pequim talvez suponham, se quiserem,
que seja enredo de Monty Python. Mas é mortalmente sério; sobretudo porque a Casa de Saud; o Emir do Qatar;
Erdogan, o turco neo-otomano; e o Reizinho de Playstation da Jordânia – apoiados por
Washington – continuam a armar os “rebeldes” sírios e assim continuarão até o
Juízo Final. E um dos principais beneficiários dessa orgia de armas a mancheias
foi e é – e quem mais seria?! – a gangue do tal affair de fusão &
aquisições conhecida como o Emirado Islâmico do Iraque e Levante.
Espancá-los
com a nossa opção
Todos
os grãos de areia do deserto sírio-iraquiano sabem que os “rebeldes” que
realmente fazem a diferença em termos de combates na Síria são os militantes da
frente Jabhat al-Nusra – centenas de transnacionais degoladores, dados a
suicídios-bomba.
Mapa atualizado da atividade dos "rebeldes" da CCG-OTAN na Síria
Eles
controlam, no caso em tela, alguns importantes subúrbios de Aleppo. Já
perpetraram montanhas de sequestros, torturas e execuções sumárias. E, no que
mais conta, já assassinaram montanhas de civis. E trabalham para impor a lei da
Xaria sem concessões. Não surpreende que sírios de classe média letrados os
temam mais que qualquer coisa letal à qual o governo de Assad recorra.
Al-Baghdadi
admitiu o óbvio: que os jihadis sírios são anexos aos jihadis
iraquianos, dos quais – crucialmente importante – estão obtendo experiência de
combate real. Afinal, foram esses iraquianos hardcore que combateram
contra o exército dos EUA, especialmente entre 2004 e 2007. O tomate do kebab é que a própria frente al-Nusra
foi fundada por sunitas sírios que combateram ao lado de sunitas iraquianos no
Iraque.
E
eis aí a tarefa a que se dedica a Casa de Saud. Os sauditas competem numa
maratona regional contra a al-Qaeda, para ver quem arregimenta maior número de
sunitas fanáticos para combater os apóstatas iranianos, tanto no Iraque como no
norte do Levante. A Casa de Saud é doida por qualquer jihadi, local ou
transnacional, desde que não inventem de infernizar dentro da Arábia Saudita.
John Kerry
A
sopa de letras que são as agências de inteligência dos EUA já devem saber disso
tudo. Ou logo se confirmará a suspeita de que passem o tempo assistindo a
reprises dos filmes de Monty Python.
Alguma razão parecia estar prevalecendo, quando um confuso, atrapalhadíssimo
Departamento de Estado, em discurso de John
Kerry, reverteu a síndrome de Ártemis de Hillary Clinton e, mês
passado, falou de o governo de Assad e os “rebeldes” negociarem – qualquer
coisa. Mas de pouco serviu, porque, na mesma cena, Kerry cometeu ato de grave
temeridade, ao proclamar que, entre os jihadistas, haveria “moderados”.
Mas foi quando, no início dessa
semana em Jerusalém, bem quando estava para ser anunciado o affair de
fusão & aquisição entre jihadismos Síria-Iraque... Kerry repetiu
que, para Obama, “todas as opções permanecem sobre a mesa”, em termos
de ataque norte-americano contra... o Irã!
Abandonai
toda a esperança, vós, corretores geopolíticos, nesse vale de lágrimas. O
Departamento do Estado continua tão confuso e sem noção como sempre; nenhum
adulto racional dá sinal de perceber qualquer diferença entre jihadistas sunitas linha-duríssima – do
tipo que faz acontecer o 11/9 – e iranianos tipo “eixo do mal”.
Organização Jabhat al-Nusra, grupo terrorista ligado a alQaeda atuando na Síria. É financiado pelos EUA-OTAN e petromonarquias do Oriente Médio
Os
europeus parecem ter, pelo menos, segundas intenções. Os franceses anunciaram
essa semana que querem convencer a União Europeia e o Conselho de Segurança da
ONU a listar a frente Jabhat al-Nusra, como “organização terrorista”. Mas
escafedem-se todos, à procura de toca para se esconder, quando se levanta a
questão de o que acontece, nesse caso, com o processo de fornecer armamento aos
“rebeldes” sírios. É óbvio que, nesse status quo, a frente Jabhat
al-Nusra está fazendo a maior festa.
Pois
semana que vem, todos se encontrarão novamente – os principais produtores desse
filme horrendo, abaixo de qualquer classificação, intitulado “Operação Especial
de Mudança de Regime”, com alguns atores marginais-coadjuvantes. Lá estarão EUA,
britânicos e franceses, Turquia, Alemanha, Itália, Jordânia, Emirados Árabes
Unidos, Qatar e Arábia Saudita. Concordarão com manter a operação de armar o
pessoal-lá – e planejam super turbinar o processo.
Nuri al-Maliki
E
o que anda fazendo a CIA, nessa confusão toda? Sempre, como sempre, obrando para
que a confusão aumente bem: estão apoiado as milícias xiitas iraquianas
aprovadas por Bagdá, para que se ponham a caçar os jihadis superstars do
Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O Primeiro-Ministro do Iraque, al-Maliki
até já requereu que lhe sejam fornecidos drones da CIA, para
bombardeá-los diretamente para o paraíso. Por sorte ainda não teve sorte. Por
enquanto.
Bagdá
já entendeu os sinais que veem no vento: consequência direta da ideia de dividir
para governar, os jogos de sunitas-contra-xiitas dos norte-americanos foram
incansavelmente estimulados ao longo de, já, dez anos; o próximo estágio é mais
uma guerra civil, à moda do que está sendo feito na Síria, também no Iraque. A
inteligência iraquiana está perigosamente infiltrada por jihadistas do Emirado Islâmico do
Iraque. No deserto, não há fronteiras: a província de Anbar assiste atentamente
ao que se desenrola na Síria, como ensaio final, figurino e maquiagem, do que
acontecerá no Iraque.
É
como se o recém nascido Emirado Islâmico do Iraque e do Levante mal pudesse
esperar para retornar àqueles dias macabros, sinistros, de 2004 a 2008, quando o número
de cadáveres empilhados fazia tremer qualquer Bruce Willis. E o que poderá fazer
um Pentágono que já bate em retirada? Mais operação
choque-e-pavor, tudo outra vez? Não, claro que não. Essa opção não está na mesa
para o Iraque, nem para o Emirado Islâmico do Siriastão: só está na mesa para o
Irã.