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segunda-feira, 15 de junho de 2015

O plano de Israel é roubar mais terras da Síria


14/6/2015, [*] Moon of Alabama
Tradução: mberublue

Campo de Treinamento da Jabhat Al-Nusra na Síria
A Al Qaeda na Síria, também conhecida como Jabhat Al-Nusra, está sendo ativamente ajudada por Israel através de ataques de artilharia contra o Exército Árabe Sírio. Observadores das Nações Unidas no alto das colinas do Golan relataram contatos entre o Exército de Israel e os terroristas da Al Qaeda. Israel fornece equipamentos para a Al Qaeda e, principalmente, fornece ajuda médica para os feridos entre terroristas da Al Qaeda.
Notadamente, também a CIA está ajudando a Al Qaeda, através do patrocínio dos “rebeldes moderados” na Síria e provendo armas ao custo de US$ 1 bilhão/ano. Tais armas, assim como os lutadores treinados pela CIA, acabam inevitavelmente engrossando as fileiras dos jihadistas.
Mais que fornecer apoio para a Al Qaeda, uma parte do plano de Israel é prejudicar o máximo possível o Estado Sírio. Uma Síria destruída deixa de ser uma ameaça para Israel, mas a destruição da Síria também passará a ser uma excelente desculpa para buscar ainda mais ajuda militar entre os aliados de Israel, por causa do “Caos” em suas fronteiras. Outra parte do plano é simples: roubar ainda mais território da Síria. Israel já ocupou o sul ocidental das Colinas de Golan, com posições nos terrenos mais altos. Agora, está planejando roubar o nordeste das terras do Golan, com o intuito de controlar os valiosos recursos aquáticos nas colinas.
A “desculpa” para fazer isso seria o caos, mesmo tendo sido criado por Israel através do apoio à Al Qaeda contra o Exército Sírio e a ameaça que a Al Qaeda representa contra a população nos pontos mais elevados da Síria.
Relatos pelo sítio israelense Walla no domingo (7/6/2015) à tarde, afirmam que Israel está desenvolvendo planos para a criação de uma zona especial de segurança no território sírio destinada a permitir segurança e ajuda humanitária aos refugiados drusos na Síria que encaram a ameaça de massacre nas mãos do Estado Islâmico e outros grupos jihadistas como a Frente Al Nusra, afiliada da Al Qaeda na Síria.
Uma eventual “zona de segurança” acabará por se tornar terra ocupada por Israel e com o passar do tempo, terreno para ainda mais assentamentos judaicos.

Terroristas da Jabhat Al-Nusra equipados por Israel usam veículos roubados da ONU

Avaliando erroneamente as circunstâncias, os drusos na Síria tomaram uma posição neutra na guerra na Síria e não defendem o Estado Sírio. Cerca de 27.000 deles fugiram da conscrição obrigatória no Exército Sírio. Apenas alguns dias depois, os terroristas da Al Qaeda mataram cerca de 20 pessoas em uma aldeia drusa. Com recursos cada vez mais escassos, o exército da Síria não mais pode e não mais defenderá os enclaves drusos e o povo druso encara agora duas possibilidades: a de ficar sob o controle dos jihadistas e converter-se ao Wahhabismo islâmico ou se ver de repente debaixo da ocupação brutal de Israel.
Outras comunidades minoritárias da Síria que não apoiaram ou que não apoiam o Estado Sírio provavelmente muito em breve se verão frente a essa escolha trágica.
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[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Erdogan usa a al-Qaeda para encobrir sua invasão à Síria

Vazamentos (tudo traduzido! É nóiz!):

27/3/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Uma das igrejas armênias profanadas pelas afiliadas da al-Qaeda em Latakia antes e
depois da troca de cruzes por bandeiras negras
Dia 23/3, os grupos Jabhat al Nusra e Ahrar al-Shams afiliados da Al-Qaeda, formados de estrangeiros, cruzaram a fronteira vindos da Turquia e atacaram a província de Latakia, no oeste da Síria. Tomaram o posto de fronteira de Kasab e a cidade armênia de Kessab. A população fugiu, enquanto os jihadistas removiam as cruzes das igrejas armênias e as substituíam por suas bandeiras negras. Os grupos jihadistas receberam apoio de artilharia e antiaéreo da Turquia. Um avião sírio que atacava os jihadistas foi abatido pela força aérea turca.

Os jihadistas conseguiram capturar várias colinas antes de serem detidos por forças sírias de reforço. Depois que o avião foi derrubado, os radares antiaéreos sírios localizaram todos os aviões turcos que se aproximavam de suas fronteiras e prepararam-se para derrubá-los. Sabe-se que foi usada artilharia pesada contra os intrusos e que houve, entre eles, pesadas baixas. Os feridos deles foram transportados para a fronteira turca e atendidos em hospitais turcos. A campanha jihadista está claramente em dificuldades e bastarão apenas poucos dias até que tenham de bater em retirada.

Mas o Primeiro-Ministro turco Erdogan e seu Ministro de Relações Externas, Davutoglu ainda têm outros planos. Dizem que o Túmulo de Süleyman Shah, uma pequena porção de terra na Síria, a 25 km da fronteira turca, mas que é solo turco, está ameaçado de ataque pelo grupo jihadista Estado Islâmico no Iraque e Levante (ISIS). E dizem que tropas turcas estão prontas para defender o Túmulo. É claramente ameaça de invasão, segundo a rádio Gleiwitz.

Recep Tayyp Erdogan (E) e Ahmet Davutoglu
Hoje, vazaram gravações de dois telefonemas (em turco; já com transcrição para o inglês [e já traduzidas para o português do Brasil] entre Davutoglu, o chefe da inteligência turca, Hakan Fidan e outros. As gravações parecem confirmar que o plano é, de fato, usar a al-Qaeda como “anteparo” para invadir a Síria.

Hakan Fidan
  • Fidan oferece a Davutoglu enviar mísseis à Síria para bombardear a Turquia (e gerar um casus belli).
  • Depois que Davutoglu rejeita a ideia, Fidan oferece-se para bombardear o Túmulo de Süleyman Shah.
  • E fala sobre as necessidades dos jihadistas (que estão precisando mais de munição, que de armas).
  • Fidan diz que entregaram 2 mil caminhões de armas aos insurgentes.
  • Davutoglu diz que Kerry perguntou se os turcos poderiam invadir a Síria e pressionou para que o fizessem.
  • Davutoglu diz também que eles têm planos para implantar uma zona aérea de exclusão sobre a Síria e já entregaram esses planos à OTAN.
  • Davutoglu assegura a Fidan que Erdogan concordou com todos esses planos.
  • Fidan diz que as coisas não vão bem para os insurgentes e que a Turquia enviou um general para ajudá-los.

Pouco depois que esses telefonemas vazaram por Youtube, a Turquia bloqueou todos os acessos locais a Youtube. As gravações são agora acessíveis no Vimeo e em outros canais. A fita divulgada, apenas a última de uma série maior, surgiu depois que a polícia turca invadiu uma empresa holding ligada ao movimento religioso Gülen, ex-aliado de Erdogan, agora convertido em seu mais feroz inimigo. Uma estação de TV relacionada a Gülen também foi tomada.

Haverá eleições locais na Turquia dia 30/3, e o partido AKP [“Justiça e Desenvolvimento”] de Erdogan pode perder as prefeituras de Istambul e/ou Ankara. Erdogan está usando uma estratégia de desmonetização contra todos – Twitter, Gülen, Israel, Síria, quem for – para manter sua grande base popular. Mas ela talvez já não seja suficiente para lhe garantir vitórias eleitorais.


O governo Obama também já começou a plantar histórias sobre novas “preocupações” sobre ataques jihadistas contra interesses “ocidentais” no norte e no leste da Síria. Esses “ataques” podem ser facilmente forjados e usados para “justificar” uma intervenção ‘'ocidental'’ e renovar a discussão sobre uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.

Um ataque ao norte da Síria surge em momento em que outro ataque longamente anunciado pelo sul não consegue materializar-se. Já se viram novas armas antitanques chinesas no sul, mas não há sinal de campanha coordenada. De fato, há dúvidas sobre a real existência da anunciada Frente Sul. A conversa sobre isso pode ter sido meio de distrair as atenções para longe do ataque no norte.

Turquia e EUA que sejam muito cuidadosos nesses sonhos de invadir a Síria. Os dois podem deixar-se embriagar nesses jogos, e há tropas russas de prontidão na fronteira leste da Ucrânia. Um movimento num ponto pode resultar em contramovimento noutro ponto.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:


sábado, 28 de setembro de 2013

Pepe Escobar: “Como os EUA estão criando o Siriastão”

27/9/2013, [*] Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Terroristas da Frente al-Nusra /al-Qaeda armados e pagos pelos EUA e Arabia Saudita 
Se ainda faltasse alguma prova extra para destroçar o mito de uma luta “revolucionária” para alguma futura Síria “democrática”, as manchetes da semana acabaram com qualquer dúvida remanescente.

11, 13 ou 14 brigadas “rebeldes” (o número varia conforme a fonte) já fizeram descarrilar o tal Conselho Nacional Sírio, dito “moderado” e mantido pelos EUA, e o nada livre Exército Sírio Livre. Os líderes do bando são os jihadistas dementes da Frente al-Nusra – mas o bando inclui outras imundícies, como as brigadas Tawhid e Tajammu Fastaqim Kama Ummirat em Aleppo, algumas imundícies das quais eram, até recentemente, parte do Exército Sírio Livre, já em pleno colapso.

Na prática, os jihadis ordenaram que a miríade de “moderados” se submetessem, que se “unificassem num quadro claramente islamista” e que jurassem fidelidade a uma Síria futura na qual a lei da Xaria seja “a fonte única da legislação”.

Ayman al-Zawahiri
Um certo Ayman al-Zawahiri deve estar em festa, dançando em seu esconderijo confortável, à prova de drones, em algum ponto dos Waziristões. Não só porque sua conclamação para uma jihad multinacional – à moda do Afeganistão nos anos 1980s – está funcionando; também porque o Conselho Nacional Sírio comandado pelos EUA já está exposto como o roedor desdentado que de fato é.

E fatos em campo só fazem comprovar exatamente isso. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante, promovido pela al-Qaeda, acaba de tomar uma cidade próxima do ponto de passagem de Bab al-Salam na fronteira com a Turquia, que estava sob controle do Exército Sírio Livre, porque o Exército Sírio Livre foi acusado de lutar por “democracia” e de manter laços com o Ocidente. Errado. O Exército Sírio Livre deseja esses laços com o ocidente, sim; mas sob regime controlado pela Fraternidade Muçulmana. E o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – do qual a Frente al-Nusra é o principal membro sírio – deseja um Siriastão talibanizado.

As gangues de jihadis linha duríssima na Síria somam cerca de 10 mil jihadistas; mas correspondem a cerca de 90% dos combates pesados, porque são os únicos com real experiência de combate (incluindo iraquianos que combateram contra norte-americanos, e chechenos que combateram contra russos).

Bandar bin Sultan
Paralelamente, e não por acaso, desde que o príncipe Bandar bin Sultan, codinome Bandar Bush, foi nomeado pelo rei saudita Abdullah para comandar a jihad síria, com instruções para não deixar nem levar prisioneiros vivos, o Conselho Nacional Sírio dito “moderado” e aliado da Fraternidade Muçulmana do Qatar passou a ser cada dia mais deixado de lado.

Cortem a cabeça desses “pacifistas”

E, em matéria de descarrilamento catastrófico, nada se compara à desculpa do governo Obama para uma “estratégia”, a qual, teoricamente, se resume a armar e treinar extensivamente o elo mais fraco – gangues selecionadas do Exército Sírio Livre infiltradas por agentes da CIA – e que “impediriam” que as armas caíssem em mãos de jihadistas. Como se a CIA tivesse inteligência local confiável sobre as fontes do Golfo que garantem dinheiro e apoio logístico aos milhares de jihadistas.

O Conselho Nacional Sírio, o Exército Sírio Livre e o chamado “Comando Militar Supremo” (de exilados) comandado pelo grandiloquente general Salim Idriss já não passam, hoje, de piada.

A coisa toda aconteceu enquanto o presidente da Coalizão de Oposição Síria [Ahmed Asi] Al-Jerba, estava na Assembleia Geral da ONU em New York – onde se encontrou com o secretário de Estado John ("Assad é como Hitler”) Kerry. Kerry não falou sobre armas, mas sobre mais “ajuda” e futuras negociações na perenemente adiada Conferência Genebra-2. Al-Jerba ficou furioso. E, para piorar, várias das gangues do seu Exército Sírio Livre declaradamente bandearam-se para a al-Qaeda.

A Frente al-Nusra/al-Qaeda executa civis na região de Aleppo (Síria)
Por quê? Sigam o dinheiro. É assim que funciona. Pelo menos metade das “brigadas” do Exército Sírio Livre são mercenários – financiados do exterior. Lutam onde os patrões – que lhes pagam e lhes fornecem armas – mandam lutar. O “Comando Supremo” controla, no máximo, 20% das brigadas. E essa gente sequer vive na Síria; têm bases do lado turco ou jordaniano da fronteira.

Mas esses jihadis mercenários combatem em tempo integral. Eles são a efetiva força combatente, recebem salários em dia e suas famílias são protegidas e mantidas.

Assim sendo, trata-se hoje de guerra entre o Exército Sírio Árabe e um bando de jihadistas. Claro: nada disso será JAMAIS bem explicado pela imprensa-empresa à opinião pública ocidental.

Imaginem, então, se esses degoladores, comedores de fígados, fãs da Xaria, teriam algum desejo de aparecer na conferência Genebra-2 para negociar um cessar-fogo com o governo sírio e um possível acordo de paz com o eixo OTAN-Casa de Saud. Evidentemente nunca acontecerá – como Bandar Bush deixou bem claro, pessoalmente, em Moscou, para o presidente Vladimir Putin.

O pior, do ponto de vista de Washington, é que não há como explicar por que não pode acontecer nenhuma negociação significativa. Até os mais descerebrados infiéis que habitam os círculos do poder em Washington já viram que há conexão direta entre todas as hordas de “rebeldes”, e também, é claro, com os “rebeldes” sírios que abraçaram a al-Qaeda imediatamente depois que o grupo al-Shabaab atacou o shopping center Westgate em Nairobi.

Os degoladores da Frente al-Nusra/al Qaeda (financiados e armados pelos EUA via Arabia Saudita, Jordânia e Turquia) distribuem fotos e vídeos de seus "feitos e conquistas"  na internet

Nem é preciso dizer que Bagdá entrou em surto, ante esses desenvolvimentos. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante já aumentou os atentados com carros-bomba e homens-bomba no próprio Iraque – porque o governo de al-Maliki, “apóstata” xiita, é tão alvo preferencial quando o governo do secular Bashar al-Assad.

Quase nem acredito que há apenas cinco meses, eu mesmo escrevi sobre o advento do Emirado Islâmico do Siriastão. Agora já está bem claro que e como o “invisível” al-Zawahiri e o esperto Bandar Bush se apropriaram da “estratégia” de Washington para chegar, realmente, onde querem chegar.



[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista e correspondente das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu, no blog redecastorphoto.
Livros


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Só a imprensa-empresa não sabe?! “Obama! Obama! Aqui somos todos Osama”


EUA-OTAN financiam e armam a al-Qaeda

16/4/2013, Information Clearing House – vídeo
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu


Vídeo filmado em Latakia (Síria). Mostra militantes da al-Qaeda, do grupo conhecido  como Jabhat al-Nusra (“Frente al-Nusra”), que está recebendo armas do ocidente para derrubar o governo do presidente Bashar al-Assad.

Ouvem-se aí, de viva voz, suas palavras-de-ordem: “Nossa via é a Jihad!” e “Obama! Obama! Aqui somos todos Osama”.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Pepe Escobar: “O Emirado Islâmico do Siriastão”


12/4/2013, Pepe Escobar, Asia Times Online - The Rovig Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Pepe Escobar
PARIS. E agora, as mais recentes notícias, recém chegadas do Emirado Islâmico do Siriastão. Esse programa chega até vocês graças ao alto patrocínio da empresa CCGOTAN (o Conselho de Cooperação do Golfo, também chamado Conselho Contrarrevolucionário do Golfo; e a Organização do Tratado do Atlântico Norte). Não deixem de assistir, please, à mensagem de nossos patrocinadores: os governos dos EUA, Grã-Bretanha, França, Turquia, além da Casa de Saud (Arábia Saudita) e do Emir do Qatar.

Tudo começou nos primeiros dias dessa semana, com uma proclamação de um elusivo líder da al-Qaeda Central,
Ayman al-Zawahiri
Ayman “O Doutor” al-Zawahiri, de algum local desconhecido nas áreas tribais do Paquistão (não se sabe é como O-O-Obama, com lista & licença para matar e toda aquela esquadrilha de drones, não consegue encontrá-lo).

Al-Zawahiri conclamou todas as brigadas islamistas envolvidas no Jihad-business de lutar contra o governo do presidente sírio Bashar al-Assad, a fundar um emirado islâmico, passport du jour que levará a um califato islâmico.

Dois dias depois, o Estado Islâmico do Iraque – “al-Qaeda no Iraque”, para todas as finalidades práticas – anunciou, em vídeo estrelado pelo líder Abu Bakr al-Husseini al- Qurashi al-Baghdadi, um espetacular affair de fusão & aquisição: doravante, a al-Qaeda de al-Baghdadi operará unida com o grupo jihadista Jabhat al-Nusra, da oposição síria. A nova empresa atenderá pelo nome de “Estado Islâmico do Iraque e Levante”.

Mas, logo no dia seguinte, o líder supremo do Jabhat al-Nusra, o sombrio Abu Muhammad al-Joulani, disse que sim, juramos fidelidade ao Xeique da al-Qaeda, Doutor al-Zawahiri. Mas nada de affair de fusão & aquisição com a al-Qaeda no Iraque. Nem pensar.

Monty Python, genial grupo inglês de comédia em: A Piada Mais Engraçada do Mundo

Infiéis desentendidos e intrigados de Washington a Pequim talvez suponham, se quiserem, que seja enredo de Monty Python. Mas é mortalmente sério; sobretudo porque a Casa de Saud; o Emir do Qatar; Erdogan, o turco neo-otomano; e o Reizinho de Playstation da Jordânia – apoiados por Washington – continuam a armar os “rebeldes” sírios e assim continuarão até o Juízo Final. E um dos principais beneficiários dessa orgia de armas a mancheias foi e é – e quem mais seria?! – a gangue do tal affair de fusão & aquisições conhecida como o Emirado Islâmico do Iraque e Levante.

Espancá-los com a nossa opção

Todos os grãos de areia do deserto sírio-iraquiano sabem que os “rebeldes” que realmente fazem a diferença em termos de combates na Síria são os militantes da frente Jabhat al-Nusra – centenas de transnacionais degoladores, dados a suicídios-bomba.

Mapa atualizado da atividade dos "rebeldes" da CCG-OTAN na Síria
Eles controlam, no caso em tela, alguns importantes subúrbios de Aleppo. Já perpetraram montanhas de sequestros, torturas e execuções sumárias. E, no que mais conta, já assassinaram montanhas de civis. E trabalham para impor a lei da Xaria sem concessões. Não surpreende que sírios de classe média letrados os temam mais que qualquer coisa letal à qual o governo de Assad recorra.

Al-Baghdadi admitiu o óbvio: que os jihadis sírios são anexos aos jihadis iraquianos, dos quais – crucialmente importante – estão obtendo experiência de combate real. Afinal, foram esses iraquianos hardcore que combateram contra o exército dos EUA, especialmente entre 2004 e 2007. O tomate do kebab é que a própria frente al-Nusra foi fundada por sunitas sírios que combateram ao lado de sunitas iraquianos no Iraque.

E eis aí a tarefa a que se dedica a Casa de Saud. Os sauditas competem numa maratona regional contra a al-Qaeda, para ver quem arregimenta maior número de sunitas fanáticos para combater os apóstatas iranianos, tanto no Iraque como no norte do Levante. A Casa de Saud é doida por qualquer jihadi, local ou transnacional, desde que não inventem de infernizar dentro da Arábia Saudita.

John Kerry
A sopa de letras que são as agências de inteligência dos EUA já devem saber disso tudo. Ou logo se confirmará a suspeita de que passem o tempo assistindo a reprises dos filmes de Monty Python. Alguma razão parecia estar prevalecendo, quando um confuso, atrapalhadíssimo Departamento de Estado, em discurso de John Kerry, reverteu a síndrome de Ártemis de Hillary Clinton e, mês passado, falou de o governo de Assad e os “rebeldes” negociarem – qualquer coisa. Mas de pouco serviu, porque, na mesma cena, Kerry cometeu ato de grave temeridade, ao proclamar que, entre os jihadistas, haveria “moderados”.

Mas foi quando, no início dessa semana em Jerusalém, bem quando estava para ser anunciado o affair de fusão & aquisição entre jihadismos Síria-Iraque... Kerry repetiu que, para Obama, “todas as opções permanecem sobre a mesa”, em termos de ataque norte-americano contra... o Irã!  
Abandonai toda a esperança, vós, corretores geopolíticos, nesse vale de lágrimas. O Departamento do Estado continua tão confuso e sem noção como sempre; nenhum adulto racional dá sinal de perceber qualquer diferença entre jihadistas sunitas linha-duríssima – do tipo que faz acontecer o 11/9 – e iranianos tipo “eixo do mal”.

Organização Jabhat al-Nusra, grupo terrorista ligado a alQaeda atuando na Síria.
É financiado pelos EUA-OTAN e petromonarquias do Oriente Médio
Os europeus parecem ter, pelo menos, segundas intenções. Os franceses anunciaram essa semana que querem convencer a União Europeia e o Conselho de Segurança da ONU a listar a frente Jabhat al-Nusra, como “organização terrorista”. Mas escafedem-se todos, à procura de toca para se esconder, quando se levanta a questão de o que acontece, nesse caso, com o processo de fornecer armamento aos “rebeldes” sírios. É óbvio que, nesse status quo, a frente Jabhat al-Nusra está fazendo a maior festa.

Pois semana que vem, todos se encontrarão novamente – os principais produtores desse filme horrendo, abaixo de qualquer classificação, intitulado “Operação Especial de Mudança de Regime”, com alguns atores marginais-coadjuvantes. Lá estarão EUA, britânicos e franceses, Turquia, Alemanha, Itália, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Arábia Saudita. Concordarão com manter a operação de armar o pessoal-lá – e planejam super turbinar o processo.

Nuri al-Maliki
E o que anda fazendo a CIA, nessa confusão toda? Sempre, como sempre, obrando para que a confusão aumente bem: estão apoiado as milícias xiitas iraquianas aprovadas por Bagdá, para que se ponham a caçar os jihadis superstars do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O Primeiro-Ministro do Iraque, al-Maliki até já requereu que lhe sejam fornecidos drones da CIA, para bombardeá-los diretamente para o paraíso. Por sorte ainda não teve sorte. Por enquanto.

Bagdá já entendeu os sinais que veem no vento: consequência direta da ideia de dividir para governar, os jogos de sunitas-contra-xiitas dos norte-americanos foram incansavelmente estimulados ao longo de, já, dez anos; o próximo estágio é mais uma guerra civil, à moda do que está sendo feito na Síria, também no Iraque. A inteligência iraquiana está perigosamente infiltrada por jihadistas do Emirado Islâmico do Iraque. No deserto, não há fronteiras: a província de Anbar assiste atentamente ao que se desenrola na Síria, como ensaio final, figurino e maquiagem, do que acontecerá no Iraque.

É como se o recém nascido Emirado Islâmico do Iraque e do Levante mal pudesse esperar para retornar àqueles dias macabros, sinistros, de 2004 a 2008, quando o número de cadáveres empilhados fazia tremer qualquer Bruce Willis. E o que poderá fazer um Pentágono que já bate em retirada? Mais operação choque-e-pavor, tudo outra vez? Não, claro que não. Essa opção não está na mesa para o Iraque, nem para o Emirado Islâmico do Siriastão: só está na mesa para o Irã.