Mostrando postagens com marcador Milícias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Milícias. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Apoio de Irã e Rússia a Assad beneficia os sírios

16/2/2014, [*] Musa al-Gharbi, Press TV, Teerã
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bashar al-Assad
Na segunda rodada das conversações de Genebra-2, o governo aceitou um cessar-fogo temporário em Homs, e a suspensão do bloqueio, para permitir a saída dos cidadãos que quisessem sair e para a entrada de provisões para os que permanecessem.

Imediatamente depois dessa concessão feita pelo governo sírio, os EUA e seus aliados tentaram fazer aprovar uma resolução, pretensamente baseada no Cap. 7º, no Conselho de Segurança da ONU. Sob o pretexto de implantar esse acordo com o governo sírio, aquela Resolução teria declarado que toda a culpa pelo conflito e por todas as atrocidades cometidas na Síria caberia integralmente ao governo sírio. Assim se pavimentaria o caminho para “mudar o equilíbrio de poder em campo”.

Rússia e China declararam o projeto de Resolução morto ainda no ovo. Lavrov acusou os EUA de estarem obstruindo o processo de paz na Síria, com sua insistência em que o único fim aceitável para o conflito teria de implicar a renúncia de al-Assad; e que os EUA repetidamente levantavam a ameaça de intervenção militar.

Impossível não ter, aí, uma sensação de déjà vu:

Em março de 2012, a ONU envolveu-se nas tentativas para negociar um acordo de paz na Síria. Entre março e junho o enviado de paz da ONU, Kofi Annan, trabalhou como intermediário entre o governo e as oposições e conseguiu negociar vários acordos de cessar-fogo e obteve concessões dos lados em guerra. Aqueles esforços foram minados em parte pelo fato de que o chamado Exército Sírio Livre e o chamado Conselho Nacional Sírio absolutamente não tinham controle sobre as milícias, o que tornava difícil fazer valer os acordos de cessar-fogo.

Kofi Annan, Bashar al-Assad, membros da Liga Árabe e das Nações Unidas em 10/3/2012
Mas Annan percebeu claramente que o principal incentivo à continuação dos conflitos na Síria vinha de potências que operavam de fora, especialmente os EUA, sempre insistindo em que a única solução aceitável para o conflito seria a renúncia de al-Assad – que essa sempre seria precondição para qualquer acordo negociado – sempre deixando aberta a ameaça de intervenção militar (através da Líbia) para assegurar uma mudança de regime, se as negociações falhassem.

Em junho de 2012, Annan redigiu o Comunicado de Genebra, no qual se consolidavam as concessões que os dois lados haviam feito nas negociações até ali e traçava-se um mapa do caminho para um processo de reconciliação nacional na Síria.

Importante: apesar de o Comunicado obrigar o governo a transferir a autoridade executiva para um corpo transicional executivo, não impedia que o presidente al-Assad participasse desse corpo, nem o impedia de participar em governos posteriores ou nas eleições.

Além disso, o Comunicado, explícita e claramente, atribuía a responsabilidade pelos conflitos aos grupos de oposição, embora dissesse que ao governo, como ator mais forte, cabia a maior responsabilidade por ajudar a restaurar a ordem. Annan conseguiu que alguns agentes internacionais ativos no conflito sírio assinassem esse acordo (estranhamente, com exceção do Irã) – os quais, contudo, não compreenderam que o alvo do acordo eram eles mesmos, não o governo sírio ou os militantes. O objetivo do Comunicado de Annan era conseguir que a comunidade internacional parasse de intervir nas negociações ou que perpetuasse a guerra.

Pois... já no dia seguinte, depois de assinado o Comunicado, os EUA e seus aliados já tentavam empurrar ao Conselho de Segurança uma Resolução baseada no Capítulo 7º, a qual, em declarado desrespeito e desafio ao Comunicado “declarava” que toda a culpa pelos conflitos cabia ao governo do presidente al-Assad, o que daria motivo para intervenção militar, se as condições que a Resolução impunha não fossem imediata e suficientemente satisfeitas.

Kofi Annan, enviado de paz da ONU, sentiu-se ultrajado por essa jogada dos norte-americanos, que ele viu como traição ao acordo que as potências ocidentais acabavam de assinar – e a jogada dos EUA matou as negociações do processo de paz.

Susan Rice
Ante o fracasso de sua tentativa no Conselho de Segurança da ONU, uma Susan Rice enlouquecida de fúria declarou que, assim sendo, os EUA e seus aliados regionais e da União Europeia teriam de “trabalhar por fora da ONU” para alcançar o objetivo ao qual visavam (vale observar que a maioria dos tais aliados regionais são monarquias, quase todas repressivas; o desejo daqueles aliados de levar “democracia” à Síria sempre seria, de saída, altamente questionável).

Imediatamente, esses estados passaram a financiar, armar, alimentar e treinar milícias rebeldes; mas, como no caso da Líbia, a maioria dos recursos encaminhados para aquelas milícias acabaram em mãos de pessoal de baixa confiabilidade, que passou a acorrer em ondas à Síria, à caça, precisamente, do influxo de recursos e da possibilidade de alguma “mudança de regime” ao estilo do que haviam visto na Líbia.

Incensados pela renovada oferta de recursos e pela reacendida possibilidade de intervenção internacional, além do grande número de combatentes que passaram a chegar à Síria e que, num primeiro momento, fizeram os combates pender a seu favor em algumas áreas, os chamados Exército Sírio Livre e Conselho Nacional Sírio absolutamente recusaram-se a continuar quaisquer negociações ou a respeitar quaisquer cessar-fogos, a menos que al-Assad renunciasse – repetindo, como papagaios, o que diziam seus apoiadores estrangeiros.

Na sequência dessa remontada de dinheiro, armas e homens pagos por potências estrangeiras, a situação na Síria rapidamente se deteriorou. A ONU teve de retirar de lá seus observadores, e Annan renunciou ao cargo, profundamente decepcionado.

Desde então, a ONU repetidas vezes pediu aos EUA e seus aliados que parem de financiar e armar a oposição, porque essas ações só fazem prolongar o conflito e tornam cada dia mais difícil implantar qualquer tipo de acordo (sobretudo porque já ninguém controla as armas que chegam à Síria, nem a ação dos grupos locais; é o que se vê hoje, quando já há uma dramática guerra civil dentro da guerra civil, que está tomando o norte da Síria. Os norte-americanos foram absolutamente surdos a todos os pedidos da ONU.

Milícia terrorista armada pelos EUA e aliados contra a Síria (foto 17/6/2013)
É falso o argumento que os apologistas das “milícias” usam hoje, sugerindo que Rússia e Irã estariam fazendo “a mesma coisa” ao fornecer armas, suprimentos e dinheiro ao governo de al-Assad. Há importante diferença legal e filosófica entre (a) garantir apoio a um governo que enfrenta assalto financiado por potências externas e (b) armar, pagar e treinar grupos não estatais privados, que fazem guerra a um estado e a um governo.

Há outra assimetria nisso, crítica, porque é absolutamente indispensável que o estado sírio permaneça viável: se o governo sírio entrar em colapso desordenado, o desastre será amplíssimo, e só exacerbará radicalmente, em vez de mitigar, o conflito.

Até EUA e a oposição tiveram de admitir isso, a contragosto, pelo menos oficialmente. Mas ainda falta que reconheçam que a ajuda que está mantendo intacto o governo sírio, tanto militarmente como noutros campos, tem de ser reconhecida como crítica para a estabilidade da Síria – componente importante para tornar possível e aplicável em campo qualquer acordo que se venha a alcançar.

Já se vê bem claramente que a ideia divulgada por “cientistas” políticos, de levar o governo sírio à beira do colapso, para arrancar dele um “melhor” acordo, é perfeita loucura – em boa parte porque essa ideia pressupõe que a coalizão liderada pelos EUA conseguirá arrancar a Síria da beira do abismo e evitar o caos total.

Ao longo de todo o conflito, os políticos norte-americanos já mostraram que absolutamente não têm, sequer, compreensão clara da dinâmica na Síria. A ideia de que eles, sabe-se lá como, conseguiriam controlar uma situação complexa e fluida que sequer conhecem, muito menos compreendem, ou que conseguiriam administrar essa estratégia, é ridícula.

Tampouco é claro o que significaria um “melhor” acordo nesse contexto. Melhor, em que sentido? E melhor para quem?

Com certeza, não estão buscando qualquer “melhor” acordo para o povo sírio, que estão em massa a favor do governo de al-Assad contra os terroristas, como o demonstram todas as evidências e todas as pesquisas. A favor dos militantes só se ouvem bobagens, retórica e propaganda oca.

Assim sendo, a mais importante diferença entre o apoio que Rússia e Irã dão ao governo sírio e o apoio que os EUA e as monarquias do Golfo Persa dão aos terroristas é que, sem dúvida possível, Rússia e Irã estão promovendo o desejo e os interesses do povo sírio.

Independente de se o governo sírio alcançará ou não algum acordo com a “oposição”, ou de se a Conferência Genebra-2 poderá fazer com que as potências ocidentais e seus aliados afinal aceitem o que determina o Comunicado de Genebra, fazendo cessar a ação deles que prolonga e perpetua o conflito – esse sempre será o melhor resultado concebível, para ajudar a pôr fim à crise na Síria. Isso, precisamente, era o que se desejava que o Comunicado conseguisse fazer.


[*] Musa al-Gharbi é pesquisador adjunto da Southwest Initiative for the Study of Mideast Conflicts (SISMEC). É mestre em Filosofia pela University of Arizona. Pode ser acompanhado pelo Twitter, em @Musa_alGharbi.

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012: Guerras tribais na Líbia?


Franklin Lamb


30/12-1/1/2012, Franklin Lamb (de Trípoli), Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Até o momento NADA foi realizado pelo novo governo líbio e a revolta popular está aumentando...

Faz um frio incompreensível em Trípoli, nesse fim de semana de Ano Novo, muita chuva que inunda as ruas, o que me faz lembrar Londres nessa época do ano, como se eu não estivesse no litoral Mediterrâneo do Maghreb. Estou hospedado num modesto hotel familiar, perto da rua Omar Muktar, barato e limpo, mas meu quarto não oferece outro aquecimento além de uma pilha de acolchoados turcos, de veludo.

Muito mais importante que os cobertores, para mim e para o outro único hóspede do hotel, um engenheiro líbio de Sirte, cuja casa foi incendiada pelos rebeldes no início de outubro, é o proprietário, que reabriu o hotel no início de dezembro, depois de ter permanecido fechado desde março passado. O homem é uma enciclopédia viva de informação e opinião sobre “a atual situação” por aqui. Mas o dono do hotel e seus dois filhos que falam inglês não são os únicos que começam a falar cada vez mais fortemente, sobre a realidade na “nova Líbia”, já quase dois meses depois de a OTAN ter declarado mais uma vitória e ter parado de, sistematicamente, embora, pelo que se vê aqui, sem olhar para onde atirava, atacar todos os prédios e casas, até reduzir a ruínas esse país essencialmente sem defesa militar, país do Terceiro Mundo, que foi atacado, com todo o mais moderno arsenal bélico, pelos maiores exércitos do Primeiro Mundo.

Conto com a sorte, nessa viagem, para encontrar meu melhor amigo nos meses que passei na Líbia, no verão passado. “Ahmad,” como a maioria dos contatos, desapareceu sem deixar rastro dia 22 de agosto, quando as forças da OTAN tomaram Trípoli. Como muitos disseram a vários de nós, que procurávamos por pessoas conhecidas, as pessoas que conhecemos no verão ou fugiram, ou estão presas ou foram mortas. Mas “Ahmad” ressurgiu em setembro, por e-mail, para dizer que estava escondido. Viajara para o sul da Líbia, para uma pequena vila no Sahara, cujo nome, disse-me ele, nunca seria encontrado em nenhum mapa, muito menos no Google Earth.  Mas depois daquilo Ahmad novamente desapareceu, quando se aventurou a vir a Trípoli ver a família. Foi traído por amigos que receberam dinheiro das milícias para entregá-lo, foi preso, torturado e esquecido na prisão, sem qualquer acusação formal, simplesmente porque sua família é conhecida por apoiar Gaddafi. Na última semana que permaneceu preso (e só foi libertado, porque um dos guardas, seu ex-colega de escola, reconheceu-o), Ahmad e outros mais de 100 prisioneiros, inclusive Sheik Khaled Fantouch, todos mantidos numa grande sala improvisada como prisão pela milícia de Misrata, nada comeram e só se mantiveram vivos porque dividiam entre eles uma pequena ração de água.

A vida é hoje mais complicada na Líbia praticamente para todos, inclusive visitantes estrangeiros. Por exemplo: no verão, antes de 21 de agosto, se você cruzasse numa rua lateral com tipos com caras de poucos amigos e pesadamente armados, boa ideia seria sussurrar “Alá, Muammar, Líbia, al bas(é tudo de que precisamos!), e havia boa chances de você ser bem tratado e bem recebido. Hoje, é muito mais difícil. Mais de 55 diferentes milícias rebeldes, um total de mais de 30 mil homens armados, controlam diferentes áreas de Trípoli, e muitas dessas milícias não têm qualquer ligação direta com o Comandante Belhaj, chefe do Comando Militar de Trípoli, e não se sabe, de fato, a quem obedecem.

Belhaj, ex-comandante da Al-Qeada, esteve preso na Líbia durante sete anos, quando EUA e Grã-Bretanha o entregaram ao governo Gaddafi, como parte de um programa dos serviços secretos daqueles países, que entregavam prisioneiros para serem interrogados em “ditaduras amigas” dos EUA e Grã-Bretanha. O partido de Belhaj, que está sendo formado com quadros da Fraternidade Muçulmana, tem boas chances de vencer as eleições previstas para o próximo mês de junho. A milícia comandada por Belhaj é a terceira, em tamanho, em Trípoli. A maior das milícias que operam na cidade é comandada por Salh Gait, de Trípoli, e, segundo seu vice-comandante, reúne 5.000 homens e continua recrutando.

Nesses dias, em Trípoli, é boa medida de segurança decorar os nomes da maior milícia local e o nome do respectivo comandante. Assim, quando abordado por milicianos na rua, sempre se pode tentar esfregar os dedos indicadores, pronunciar o nome do comandante e acrescentar “mieh, mieh” i.e. “bom, bom.” O maior risco é não coincidirem o nome que você disser e o nome do comandante daquele específico miliciano. As coisas andam difíceis entre as várias milícias que circulam na cidade, depois de semanas de escaramuças sobre as quais nada se noticia.

As escaramuças entre as várias milícias não são noticiadas, embora o governo de transição não faça outra coisa senão repetir que, afinal, há no país total liberdade de imprensa, para os, dizem eles, 43 jornais e revistas editados livremente na cidade. Dito, parece ótimo, embora o número de jornais e revistas varie semanalmente: há muitas promessas de empréstimos estrangeiros para financiar publicações, mas muitas delas jamais se cumprem, ou os empréstimos são suficientes apenas para publicar as primeiras edições de jornais ou revistas, que surgem e logo desaparecem.

O que mais chama atenção nessa “nova Líbia livre, nova imprensa livre” é que 100% de tudo que se publica são matérias favoráveis ao “novo governo”. Sei que, em parte, é temor das consequências, caso alguém destoe do aparente apoio universal ao Governo Nacional de Transição. Outra razão, segundo um embaixador ocidental que voltou ao posto, é que a nova imprensa está nascendo da imensa variedade de milícias, e todos estão presos na armadilha psicológica de, para não verem os problemas muito visíveis, acabarem por não ver, de fato, coisa alguma que acontece ao redor. Ahmad concorda. “Envolveram-se tanto com a OTAN e os rebeldes da OTAN, que não conseguem admitir que erraram muito. Agora, já nem veem o que acontece à frente deles, todos os dias”.

Um caso exemplar aconteceu ontem, à minha frente, na “Praça Verde”. “Todos ainda chamam de “Praça Verde”, não de “Praça dos Mártires”, como o Conselho Nacional de Tradição decidiu batizar a praça” – explicara o proprietário do hotel –, “porque foi “Praça Verde” durante décadas. E, afinal, qual é o problema de a praça ser “Praça Verde”? Se alguém diz que vai se encontrar com você na “Praça dos Mártires”, a coisa soa esquisita para todos, nessa cidade. E se os militares no Egito resolverem mudar o nome da Praça Tahrir? Os egípcios aceitariam?”

O que me surpreendeu ontem é que havia duas manifestações, razoavelmente cheias de gente, ambas contra o Conselho Nacional de Transição, em dois cantos opostos da praça, que é enorme. Uma delas era liderada por duas mulheres que conheci no verão, que eram e dizem abertamente que continuam, apoiadoras do regime de Gaddafi. Uma delas, no verão, animava um grupo de advogadas; a outra, um grupo de feministas. A manifestação liderada pelas duas exigia que se garantisse a cidadania líbia para maridos e filhos de esposas e mães líbias – a mesma luta que continua, década após década, também no Líbano.

A outra manifestação, liderada pela advogada que falou numa conferência no Corinthia Hotel, a que assisti, poucos dias antes da queda de Trípoli, era organizada por um grupo que exigia notícias dos muitos desaparecidos, mantidos presos aos milhares em prisões secretas das várias milícias, por todo o país. Segundo a equipe de pesquisas do próprio grupo, além dos mais de 7.000 apoiadores de Gaddafi que o Conselho Nacional de Transição já anunciou que mantém presos, 80% dos quais identificados pelo nome, o Comitê de Justiça para os Desaparecidos diz que há mais de 35 mil líbios presos em prisões secretas das milícias que não obedecem ao CNT e sequer lhe reconhecem qualquer autoridade. Ahmad concorda com esse número, a partir do que soube na prisão. Disse que pode mostrar uma escola, próxima do meu hotel, fechada para as férias escolares até o dia 7 de janeiro, e onde, se se passa pela rua à noite, quando não há ruídos de trânsito, ouvem-se gritos dos policiais e dos prisioneiros.

Parece que, pelo menos por hora, as manifestações populares estão sendo permitidas, embora sempre se vejam observadores que tudo olham. O que não se sabe é quem é observador a serviço do Conselho Nacional de Transição, quem é das milícias e de que milícia é cada observador.

Ahmad chegou com a notícia de que nenhuma das manifestações do dia anterior foi noticiada nos jornais da manhã seguinte, porque nada se publica que não sejam elogios ao governo da nova Líbia.

A líder do grupo de feministas tem planos para convocar outras manifestações: há muitas mulheres desaparecidas, mas, estranhamente, são mulheres que, de um dia para o outro simplesmente desaparecem das ruas e dos locais onde normalmente moravam e circulavam diariamente.

Uma das suspeitas do grupo de feministas é que muitas delas estejam vivendo em casas que pertenceram a parentes e apoiadores do regime de Gaddafi. Ela estima que haja mais de 90 dessas casas em Trípoli, todas em regiões ricas da cidade, muitas à beira mar, e que foram invadidas por gangues rebeldes, saqueadas, várias delas já vendidas e compradas nos mercados de rua.

Depois de invadidas e saqueadas as casas, muitos membros das milícias parecem ter tido outra ideia. Por que voltarem, por exemplo, para Benghazi ou Misrata, se podiam ficar vivendo em Trípoli, com relativo luxo? Centenas de milicianos estão fazendo isso, diz “Mara”, a líder do grupo de feministas. “São sempre pesadamente armados, vivem do pequeno soldo que as milícias pagam, e moram naquelas casas; alguns até alugam quartos e cobram aluguel. Mara conta:

“Se encontram uma casa vazia, sobretudo se é casa grande, bem construída, logo assumem, quase sempre corretamente, que pertenceu a parente de Gadaffi, alto funcionário ou apoiador do governo Gaddafi. E invadem a casa, como se lhes pertencesse, como parte do butim de guerra. E desafiam qualquer outra milícia ou a inexistente polícia do inexistente novo governo, a tentar desalojá-los. Não têm qualquer intenção de voltar para suas cidades, nem de depor armas. Atualmente, já armazenam armas e explosivos, tanto para se protegerem, como para aumentar o próprio poder de barganha. Pelo que se vê, é como se a Líbia estivesse aberta a qualquer tipo de saque: seja o saqueador, ou líbio, ou de alguma operação estrangeira”.

A mesma senhora diz que a população de Trípoli aumentou em cerca de um milhão de novos moradores, e os locais querem que os “de fora” voltem às suas cidades originais e devolvam Trípoli aos seus moradores, para que possam recomeçar a reconstruir a cidade. Com os recém chegados, aumentaram os problemas de tráfego e aumentou a insegurança, sobretudo noturna, na cidade.

Em muitas das casas invadidas, já moram famílias inteiras vindas de outras partes da Líbia. Em vários casos, há suspeita de que mulheres não líbias, das muitas que viviam no país, vindas de outros países africanos, estejam sejam mantidas em condições de cárcere privado, como empregadas domésticas. Os grupos feministas também suspeitam que as milícias estejam seqüestrando mulheres nas ruas, para mantê-las como serviçais nas casas convertidas em fortalezas das milícias armadas.

O que mais enfurece muitos, hoje, em Trípoli, é que o novo governo não dê qualquer sinal, sequer, de suspeitar da existência desses problemas. É como se o novo governo não tivesse qualquer interesse em qualquer tipo de investigação pela Corte Criminal Internacional, porque não querem investigadores internacionais na cidade, fazendo perguntas.

Líbios que viviam no interior do país, e os que se refugiaram em países vizinhos, estão começando a voltar às suas grandes tribos originais, e começam a organizar-se para pôr fim a esses e a muitos outros problemas.

Um dos locais onde se ouve dizer que a situação está prestes a explodir em violência, áreas como Bani Wallid e Sirte, onde a OTAN e seus aliados locais mataram muitos civis – mortes que nem os grupos de direitos humanos sabem estimar com alguma precisão. Um comandante de uma milícia local disse a mim e a dois outros jornalistas alguma coisa do que ouviu, numa operação de prisão clandestina: “Se, há um ano, havia divisões intratribais ou disputas por território entre as tribos, hoje os problemas estão multiplicados por 500. As tribos estão-se armando e já deram ao novo governo vários prazos para que comece a reconstruir as casas e os estabelecimentos comerciais que foram destruídos, para ajudar as famílias que perderam tudo, para desarmar os milicianos que andam pelas ruas, e para desmobilizar as gangues armadas, fazendo os milicianos voltarem para as cidades de origem. Até agora, o novo governo nada fez nessa direção, e as pessoas estão cada dia mais furiosas.”

Outro problema que provoca profundo descontentamento são os preços, que não param de aumentar – exceto eletricidade, que ninguém no país paga, segundo minhas fontes, desde fevereiro. Mas os cortes de eletricidade são hoje similares aos que aconteciam durante o bombardeio pela OTAN. A falta de dinheiro também é problema, porque ninguém pode retirar dos bancos mais que 750 dinars por mês. O dinheiro é relativamente escasso. Sabe-se que foram sacados dos bancos líbios cerca de 7 bilhões, por ex funcionários e empresários líbios no início da primavera; e que mais de 8 bilhões haviam sido sacados pelos cidadãos, no verão anterior, no pânico que se criou, pouco antes de o governo Gaddafi limitar o saque, nos bancos, a 500 dinars mensais.

Ouvi, pessoalmente, em países vizinhos e dentro da Líbia, dito por funcionários da administração das áreas tribais, que a guerra recomeçará, provavelmente, dia 1º de março. “Nossa história, nossa cultura, nossa dignidade estão ameaçadas. É responsabilidade das tribos limpar o país, expulsar daqui esses fora-da-lei, exatamente como já fizemos com os colonizadores italianos”.

Numa reunião em país vizinho da Líbia, ouvi de um apoiador de Gaddafi: “Sabemos quais as tribos que trabalharam aliadas à OTAN e traíram seus deveres tradicionais. Também aconteceu no tempo dos italianos e ao longo do tempo, quando tribos aliaram-se às empresas estrangeiras de petróleo. Vamos à guerra, para restaurar a trilha dos povos líbios, sem ignorar os erros que foram cometidos pelo governo Gaddafi, mas sem esquecer que temos apoio de 90% da população nas áreas da tribo Wafala, como Ban Walid; e de cerca de 60%, em Trípoli. Gaddafi está morto. Mas muitas de suas boas políticas prosseguirão. Ihshallah.”

domingo, 5 de dezembro de 2010

JOBIM GO HOME - A TAL “LIBERDADE DE EXPRESSÃO...”

Laerte Braga

Segundo os “sérios” e “responsáveis” veículos de comunicação do grupo GLOBO o traficante Fernandinho Beira-Mar teria sugerido aos seus comandados no Rio que seja feito um acordo com as milícias para dificultar a ação policial contra o crime.

Beira-Mar tem o controle da maioria das ações da Polícia Militar do Rio de Janeiro, igualmente da Polícia Civil, chefia o grupo aparentemente mais poderoso do varejo do tráfico e Anthony Garotinho é um dos inspiradores – e comandante – das milícias.

Beira-Mar mexe com drogas e as milícias cobram proteção de comerciantes e moradores nas respectivas áreas onde atuam, para evitar assaltos, estupros, etc., quem não paga está fora do leque de “benefícios” do grupo.

Anos atrás, quando Beira-Mar foi preso no Colômbia, o JORNAL NACIONAL viveu um período de histeria absoluta (estudada e transmitida) para carimbar a opinião pública que o traficante estava aliado às FARCs (exército rebelde) contra o governo “democrático” de Álvaro Uribe.

No sábado, 4 de dezembro, vários veículos do grupo GLOBO divulgaram a suposta proposta de Beira-Mar para um acordo com as milícias e lá está que Beira-Mar foi preso na Colômbia, onde vivia, em 2001, Beira-Mar foi preso em Vichada na Colômbia, onde contava com a proteção dos paramilitares”.

Mentira tem pernas curtas, no caso, nove anos, mas Beira-Mar não tinha e nunca teve nada com as FARCs. A criminalização do movimento rebelde foi ordem de Washington seguida fielmente pelas empresas laranja dos interesses norte-americanos no Brasil, a GLOBO à frente, falo do setor de comunicação.

A suposta “ajuda militar para combater o tráfico de drogas” é um Cavalo de Tróia para a pura e simples ocupação de diversos países alvos, o Brasil é um dos principais e sua conseqüente submissão aos EUA.

No caso do Brasil o Cavalo de Tróia é Nélson Jobim, agente norte-americano disfarçado de brasileiro e Ministro da Defesa confirmado por Dilma Rousseff.

Mas vai daí, que como dizia Sérgio Porto, “vida que segue”, um programa da GLOBONEWS (canal fechado da GLOBO voltado para iludir a classe média e adjacências), no mesmo sábado, quatro de dezembro, 23 horas, junta “especialistas para afirmar que os documentos secretos e não desmentidos pelo governo dos EUA revelados pelo site WikiLeaks prejudicam a “privacidade” das pessoas e coloca em risco “a vida das pessoas”, afirmações que serviram de base para que, no desenrolar a tal “liberdade de expressão”, vire privilégio de empresas como a GLOBO, “sérias”, que só falam a “verdade”, etc, etc..

No resto, a velha censura, como o grupo GLOBO apoiou à época da ditadura militar. O programa foi apresentado pelo “jornalista” William Waack, que, na verdade, nem procura dissimular o caráter de agente estrangeiro, o nome já diz tudo.

Um dos “especialistas” fez parte do governo de FHC.

Os “danos” causados pelos documentos divulgados pelo WikiLeaks revelam que norte-americanos (não é uma nação mais, mas um conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A) são responsáveis por prisões ilegais, tortura, estupros, seqüestros, saques, golpes de estado (há um documento do embaixador dos EUA em Honduras falando explicitamente em golpe contra Zelaya) e é esse tipo de “liberdade de expressão” que a GLOBO, como um todo defende e Jobim é um dos principais porta-vozes.

Mais fácil que negar os fatos, que são inegáveis, é forjar uma acusação de “crime sexual” contra o fundador do site e calar a boca da mídia privada venal e corrupta, caso explícito do grupo GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, etc. Os documentos, mais de 200 mil, afinal, são todos chancelados por timbres, carimbos, assinaturas, essas baboseiras burocráticas.

A propósito, todos esses fatos nos levam a uma pergunta simples, mas antes vejamos: num dos filmes do agente James Bond, aquele que suporta tudo e vence tudo, há uma transformação de um norte-coreano num branco ocidental, europeu, a partir de uma clínica especializada em Havana. Bond consegue identificar tudo, enquanto o filme vai mostrando as “mazelas” dos “inimigos”.

E a pergunta é simples. Será que Obama é o mesmo da campanha eleitoral em que derrotou McCain ou não terão forjado um branco com pele negra e colocado em seu lugar na Casa Branca? Forjado numa dessas clínicas mundo afora?

Nem Hillary agüenta mais, já disse que terminado esse mandato cai fora, sai da vida pública. Sentiu o drama de um difícil segundo mandato.

Outro tipo de especialista afirma que, aliás, vários, esses a partir de dados reais, que o tráfico de drogas movimenta cerca de 400 bilhões de dólares por ano em bancos internacionais e que no momento agudo da crise econômica esse dinheiro foi fundamental para evitar algumas falências. Com certeza muitos dos grandes do tráfico, Beira-Mar é segundo escalão, viraram comendadores com direito a medalhas e diplomas na parede.

Um dos bancos que tem que explicar algumas coisas é o ITAÚ, dito brasileiro, que pegou 10 bilhões de dólares “emprestados” no FED (BANCO CENTRAL DOS EUA). Para uma operação desse vulto é preciso muito “prestígio” junto aos norte-americanos, o Banco Central deles é privatizado, um dos principais acionistas do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A e uma quantia dessas, negócio desse porte, no mínimo, é para evitar que o império “ITAÚ e você” desmorone.

O Cavalo de Tróia, Nélson Jobim, quer o MOSSAD (organização terrorista que chamam de serviço secreto de Israel) “ajudando” o Brasil na segurança da Copa do Mundo de 2014.

Num momento de contenção de gastos, perspectivas de negócios mais difíceis, seria melhor votar uma lei no Congresso acabando com as forças armadas, as polícias (civil e militar) e entregar tudo ao MOSSAD, ficaria mais barato, com certeza.

Terceirizar, moda tucana nascida em Wall Street.

Se por aqui, um País desse tamanho, com generais sempre a se ufanarem de defensores da liberdade, ordem, democracia, etc., precisa do MOSSAD para a segurança da Copa do Mundo, olha, o negócio está pior que pensávamos.

O jornal israelense MAARIV, editado em Jerusalém, afirma que “Israel deve assinar com o Brasil, em breve, vários acordos para fornecer tecnologia de segurança e produtos militares com vistas aos jogos de 2016 e a Copa de 2014”. O acordo segundo o jornal seria assinado pelo ministro da Defesa deles, Ehud Barak, “incluiria aviões e aeronaves de vigilância não tripulados, cercas eletrônicas e muito mais”. O ministro da Defesa daqui, o norte-americano Nélson Jobim, assinaria pelo Brasil.  

Se IMBEL e ENGESA não tivessem sido sucateadas e a EMBRAER privatizada seríamos hoje detentores de tecnologia de ponta no setor.

Em breve muros por todos os cantos à semelhança do que separa o México dos EUA, palestinos de suas terras roubadas por Israel e williamswaaks tentando desqualificar os documentos secretos do WikiLeaks e notícias divulgadas na rede mundial de computadores, onde existem setores livres da influência dos EUA e não compráveis como a mídia privada brasileira.

Como afirma um professor mineiro de nascimento, ora ensinando em Pernambuco, amigo meu de longa data:

“Sempre que se fala em terrorismo, me lembro de um gibi que lia quando criança: a série "Secret Wars" da Marvel, em que todos os heróis da marca foram colocados num planeta para guerrearem entre si etc.

Eis que em certa altura da batalha, o Capitão América (o Tio Sam vomitou num cara, daí a fantasia deste herói), comentando um ataque “terrorista” de Magneto (este havia explodido um submarino nuclear), disse: “propósitos nobres não são desculpa para terrorismo”.

Ao que Wolverine rebateu: “Terrorismo é apenas do que o exército maior chama o exército menor!”

Está num gibi esta definição de terrorismo. Nunca conheci uma melhor”.


JOBIM GO HOME!