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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Por que combater o ISIS/ISIL? E como combater o ISIS/ISIL, se não há aliados?

9/9/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

ISIS/ISIL alistando jovens árabes aos milhares
De onde vem esse pânico artificial sobre o ISIS/ISIL nos EUA? Por quê? Por que alguma maioria concorda com lançar ataques aéreos contra o ISIS/ISIL, “estratégia” que tem tudo para fracassar e que, com certeza, produzirá mais gente enfurecida disposta a combater contra “o ocidente”?

Nada nessa “questão” faz sentido. Sim, o ISIS/ISIL é perigoso e erigiu-se sobre uma ideologia brutal e rígida que pode atrair muitos, muitos seguidores. Surgiu imediatamente depois do ataque dos EUA ao Iraque. O czar [Paul] Bremmer dos EUA desmontou o exército do Iraque, com o que produziu um exército de várias centenas de milhares de soldados desempregados. Como se não bastasse, sua campanha de des-Baathificação converteu em miseráveis dezenas de milhares de funcionários públicos e tecnocratas sunitas. A Constituição do Iraque escrita pelos EUA consagrou, de vez, o sectarismo.

Os contos narrados pela propaganda “ocidental” sobre o governo sírio que “massacrava sunitas” – apesar de a maioria do governo sírio ser então, como até hoje, constituído de sunitas – jamais fez sentido algum. Mas aquelas sandices, repetidas incansavelmente sempre e sempre, combinadas a palavras ocas sobre “liberdade” e “democracia”, ajudaram a mobilizar uma excepcional força de combatentes estrangeiros, os quais, agora, se uniram aoISIS/ISIL.

Paul Bremer (de terno) no Iraque
O ISIS/ISIL é perigoso para quem viva no Iraque e na Síria. É ameaça para alguns dos governos na área. Mas absolutamente não é ameaça para os EUA nem para a Europa. Mesmo que gente influenciada pelo ISIS/ISIL explodisse alguma coisa em algum ponto da Europa, seria apenas mais um evento numa década de eventos de crescente terror gerado por lá mesmo. De onde teria saído a ideia de que seria necessário combater contra o ISIS/ISIL?

E combater contra o ISIS/ISIL com que aliados?

No Iraque, os EUA pressionaram para acelerar o fim do governo do primeiro-ministro Maliki. O novo primeiro-ministro Abadi é tão sectário quanto Maliki. O novo gabinete tem agora 11 membros sunitas, quando o de Maliki tinha 15. Os curdos uniram-se ao novo governo só por um período de testes, três meses, e os dois mais importantes ministérios, do Interior e da Defesa, ficam, como no tempo de Maliki, nas mãos o próprio primeiro-ministro. Quem disse que esse movimento de “mudança de regime” contra Maliki mudou, de fato, alguma coisa? Qualquer ajuda iraquiana contra o ISIS/ISIL será massacre sectário. Qualquer ajuda curda ou dos xiitas, será malversada e usada exclusivamente para gerar ganhos para aquelas comunidades.

Os “rebeldes moderados” do “exército sírio livre” (ESL) que a CIA alimenta com dólares e armas sauditas não passam de gangue e farsa. São criminosos ou fanáticos religiosos e a diferença é mínima, entre eles e o ISIS/ISIL. No Líbano, o “Exército Sírio Livre” está abertamente cooperando com o ISIS/ISIL:

Estamos colaborando com o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, atacando as reunião do Exército Sírio em (...) Qalamoun, disse Bassel Idriss, comandante de uma brigada rebelde aliado do Exército Sírio Livre.

Foto tomada no início de julho de 2014
Alguns grupos do ESL parecem ser os responsáveis pelo sequestro do jornalista (e, pelo que se diz, espião do Mossad?) Steven Sotloff e depois o venderam ao ISIS/ISIL. A posterior degola de Sotloff pelo ISIS/ISIL foi propagandeada−marquetada pelo governo Obama como uma das razões para bombardear o grupo. Nesse caso... por que não bombardear o Exército Sírio Livre que o sequestrou no começo de toda a história? Armas entregues pela CIA a rebeldes do Exército Sírio Livre estão, hoje, em mãos de combatentes do ISIS/ISIL. Qualquer ideia de que grupos do Exército Sírio Livre, com certeza já infiltrados de simpatizantes do ISIS/ISIL, poderiam, seja como for, ajudar em campanha contra oISIS/ISIL é pura loucura, ou sandice.

E há também a questão da total falta de cooperação internacional na área. Os dois únicos países que realmente ofereceram ajuda aos EUA foram Irã e Síria.

A Jordânia pediu para não ser (oficialmente) envolvida, porque teme rebelião interna.

A Turquia, governada por um islamista, garante conforto e apoio logístico ao ISIS/ISIL; e a Turquia nem declarou o ISIS/ISIL organização terrorista.

Israel acaba de ajudar a Frente al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda, a tomar uma estação de fronteira síria no Golan, bombardeando a posição do governo sírio que tentava impedir aquele avanço.

Os curdos estão ocupados defendendo o próprio lar nas montanhas contra incursões do ISIS/ISIL. Nem têm meios nem vontade para ação de agressão militar.

Soldado Peshmerga (curdo) observa aldeia de Baretle (ao fundo) dominada pelo ISIS/ISIL em 8/9/2014
Os ditadores da Arábia Saudita temem o ISIS/ISIL, porque é wahhabismo mais verdadeiro que a farsa que é o Estado Islâmico Wahhabi construído na Arábia Saudita. Ironicamente, tudo faz crer que o ISIS/ISIL venha a atacar em breve o estado saudita, cuja ideologia e cujo dinheiro tanto ajudaram no nascimento do grupo. Os sauditas não ajudarão na luta contra o ISIS/ISIL, seus irmãos de crença, de medo da luta interna que estariam fomentando.

Nenhum dos aliados locais que os EUA querem usar contra o ISIS/ISIL quer ajudar ou tem meios para ajudar. E os EUA consideram hostis, as três únicas forças que ofereceram ajuda e podem ajudar (Síria, Irã e Hezbollah) contra o ISIS/ISIL...

Como, então, tudo isso considerado, é possível que alguém nos EUA ainda fale de campanha militar contra o ISIS/ISIL? Com que aliados locais? Sem coturnos em solo? Sem, sequer, coturnos−amigos em solo?

Agora, os EUA querem alguma espécie de “resolução” do Conselho de Segurança da ONU, contra o ISIS/ISIL. Rússia e China serão muito, muito cautelosas. Há alto risco de os EUA darem uso abusivo a qualquer Resolução, para “justificarem” novo ataque contra a Síria.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ouvir versão em performance de Tim van Broekhuizen.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Conflicts Fórum: Comentário semanal de 8−15/8/2014, Iraque ressurgente?

25/8/2014, Conflict Forum
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Aiatolá Khamenei saúda o novo PM do Iraque
“Irã deseja que o novo primeiro-ministro do Irã comece imediatamente a trabalhar”; “Líder iraniano saúda o fim do impasse político no Iraque”: na 4ª-feira (13/8/2014), o Supremo Líder do Irã saudou a indicação do novo primeiro-ministro iraquiano (...) “se Deus quiser, o impasse terminará com a indicação do novo primeiro-ministro iraquiano; e o governo será formado para iniciar seu trabalho”.

Essas citações extraídas de matéria distribuída pela Agência de Notícias Fars (muito próxima do Corpo de Guardas Revolucionários) deixam as coisas bem claras: o Irã redirecionou o apoio que dava, de al-Maliki para o indivíduo que o Irã acredita que conte hoje com apoio majoritário, seja dentro da coalizão xiita (maior) seja na coalizão (menor) do [partido] Estado de Direito de al-Malaki. Em resumo, Maliki perdeu o apoio do Irã – e dos principais grupos de milicianos xiitas que o apoiavam. Com isso, é improvável que venha a conseguir alavancar os elementos das forças de segurança que ainda lhe permanecem leais, para fazer valer algum direito que tenha de tentar formar um governo.

Al-Maliki perdeu o apoio dos dois grupos principais de milicianos: o Asa’ib Ahl al-Haq (AAH) e a Organização Badr, que transferiram seu apoio para al-Abadi. A troca de lado dessas duas milícias é forte indicação de que o Irã (com o Aiatolá Sistani, o poderoso Mar’jah iraquiano) estão dando maior importância à preservação do estado iraquiano, que à salvação do governo de Maliki, agora que os partidos políticos xiitas uniram-se em torno de um candidato a primeiro-ministro. Al-Maliki talvez ainda conserve a lealdade de um pequeno círculo íntimo e de sua guarda pretoriana, mas essa deveria ser capaz de ler o que já está aparecendo “escrito na parede”: a hegemonia política de Maliki foi quebrada. O melhor que ele pode ainda esperar é receber uma função não executiva de vice-presidente (que lhe garantiria imunidade/impunidade contra qualquer tipo de processo judicial).

Haidar al-Abadi o novo PM do Iraque
Há um meme segundo o qual al-Abadi é homem da Grã-Bretanha (viveu lá por muitos anos, até 2003) e dos EUA, imposto sobre a classe política iraquiana graças ao trabalho intenso de Washington operando por telefone. É simplesmente implausível. Sim, com certeza o governo dos EUA muito trabalhou por telefone, mas a realidade foi a mudança tectônica que houve, por consenso, em Najaf e Bagdá – e esse consenso é que foi, na sequência, endossado em Teerã e Qom. O endosso de Qom, é claro, foi crucial, para operar, ou fazer-ser, a mudança. E, embora Abadi sem dúvida tenha seus laços britânicos, é conhecido em Teerã por ser muito próximo de Ibrahim al-Jaafari, líder do [partido] Da’wa, que sempre foi mais próximo de Teerã que al-Maliki.

O inglês perfeito de Al-Abadi (que Maliki não tinha) e seus laços ocidentais podem não ter sido vistos como “desqualificadores” no Irã: talvez, antes, o contrário. E isso é significativo. Diz muito sobre como o Irã está abordando a crise iraquiana. Além das declarações muito claras de apoio a Abadi, de todos os cantos do Irã, o Ministro de Relações Exteriores do Irã deu destaque especial, em telefonema ao seu contraparte italiano, à necessidade de o novo governo iraquiano ser amplamente inclusivo.

Que o Irã se empenhe a favor de governo inclusivo no Iraque nada tem de novidade – é o que o Irã sempre disse a Maliki que fizesse (sem sucesso algum) e à liderança política dos xiitas há muito tempo – mas o ímpeto de todas essas declarações iranianas é importante. Apesar do fracasso das conversações “de fase inicial” do P5+1, o Irã continua aberto à diplomacia internacional sobre a crise no Iraque, e para resolver o desafio do ISIL.

O Irã leva o ISIL muito a sério (talvez com mais seriedade que qualquer outro país na região e fora de lá).

P5+1 e Irã 
O Irã então, manifestamente emprestou seu total apoio a um líder iraquiano que fala inglês, e que, como o próprio Ministro de Relações Exteriores do Irã, tem meios para interagir efetivamente com o ocidente. Esse é um sinal claro: o Irã está claramente reagindo – não com escalada contra o ocidente (pós P5+1) – mas com atenção à preservação e à defesa do Estado [orig. statesmanship].

Há aí também, é claro, autointeresse: o Irã claramente fixou, como prioridade, a necessidade, para o governo de Bagdá, de manter o maior número de líderes tribais sunitas o mais longe possível do ISIL, e de trazer também os curdos (em seu estado hoje enfraquecido e vulnerável) de volta para o estado iraquiano.

A primeira questão é se os EUA conseguirão interpretar corretamente esses sinais. São sinais bem claros: o Irã não está escalando contra interesses ocidentais, mas está aberto a cooperar em questões nas quais os interesses mútuos fazem intersecção (derrotar o ISIL e estabilizar o Iraque e a Síria). Nada disso deve ser visto como sinal de fraqueza, ou de que o Irã está disposto a uma colusão militar com os EUA – porque não é sinal de fraqueza, nem o Irã está disposto a isso.

Mais significativa que a questão de se os sinais que o Irã está emitindo serão corretamente interpretados, porém, é a questão de se o ocidente será capaz de reagir positivamente a eles.

Já discutimos noutro artigo, que o surgimento em cena de um movimento jihadista sunita radical que realmente ameaça a mão saudita que os arrancou da prisão onde viviam presos dentro da lâmpada mágica é evidência do fracasso de décadas de política ocidental. O ocidente tornou-se pesadamente dependente da crença de que a Arábia Saudita – não se sabe como – seria capaz de administrar o sunismo radical, simultaneamente na direção dos interesses dos sunitas e dos interesses do ocidente. Agora essa “hipótese” já se mostra tragicamente errada.

O presidente Obama, até agora mal molhou a ponta do dedinho na água, no que tenha a ver com enfrentar o ISIL. Até o Diretor de Operações dos EUA (do Comando do Estado-Maior) admite que os EUA não estão tendo ação efetiva:

Avaliamos que os ataques aéreos dos EUA no norte do Iraque podem ter contido o ritmo operacional do ISIL, tornando-o mais lento; e que interrompemos temporariamente o avanço deles em direção à província de Erbil. Mas esses ataques não afetarão as capacidades gerais do ISIL, nem suas operações em áreas do Iraque e Síria [negritos nossos].

De fato, o presidente Obama usou o pretexto dos iazidis supostamente sitiados no topo de uma montanha, para mandar algumas aeronaves de um porta-aviões que estava no Golfo, para atacar as forças do ISIL que ameaçavam Erbil (onde há bases chaves da CIA e do Mossad, um aeroporto estratégico e instalações administrativas e comerciais de várias empresas internacionais de petróleo). A maior parte dos iazidis, de fato, já havia sido evacuada em segurança para a Síria, antes de os ataques aéreos começarem – cortesia das forças (sírias) do YPG e do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Hillary Clinton nos 25 anos da queda do muro de Berlim (31/7/2014)
Por que Obama hesita tanto? Afinal, está sendo atacado pelos dois flancos: é vergastado por sua ex-secretária de Estado Hilary Clinton, e por John McCain pela [ainda mais] direita, por seu fracasso, quando nada fez contra essa nova “ameaça islamista contra a pátria norte-americana”. É verdade, sim, que a opinião pública norte-americana opõe-se a qualquer novo envolvimento militar dos EUA. Mas a explicação mais provável para a inação é que Obama não obteve “luz verde” dos sauditas (não esqueçamos que o embaixador saudita em Londres alertou recentemente em Londres que qualquer ataque ocidental contra o ISIL seria considerado ataque contra o Islã sunita como um todo)[negritos redecastorphoto].

Claro que o Reino Saudita está mais preocupado a cada dia. Claro que se sente profundamente atraído pela criação dramática de um novo estado sunita, estado profundamente enraizado numa ideologia (revisionista) wahhabista; e estado cuja “criação” conseguiu separar Irã e Síria. Mas, ao mesmo tempo, o alarme do Reino Saudita só cresce ante os riscos que se erguem à frente da própria continuação do próprio reino. Seja como for, não passou despercebida aos olhos de muitos iraquianos a recusa dos EUA, que não moveram um dedo pelo Iraque (ostensivamente, só enquanto Maliki lá permanecesse), mas correram pressurosos para salvar curdos pró-ocidente. OK. Agora, Maliki já está de saída. Resta saber o que os EUA farão.

Parece que os próprios iraquianos, o Irã e os EUA (e, talvez, também a Arábia Saudita) estão apostando muitas fichas na ideia de que a mudança de primeiro-ministro poderá fazer virar a maré contra o ISIL: será só pensamento desejante?

Um observador astuto – que chama a coisa de a falácia da troca das cabeças (Moon of Alabama) – observa que tendemos a dar muita importância à troca de líder/autocrata:

É velha falácia da política externa dos EUA que, se se troca o cabeça – sempre declarado “um novo Hitler”, tudo estaria resolvido. A falácia acaba sempre por se autoaplicar, sempre se autoconfirmando. Começa por algum “alto funcionário do governo” que vaza para a “mídia” que fulano pode não ser o anjo que se supunha que fosse. Jornalistas então põem-se a recolher (ou inventar) e repetir histórias, boatos, diz-que-disses e “citações” que apoiam qualquer coisa que qualquer um tenha “declarado” à “mídia” sobre o fulano caído em desgraça.

Dia seguinte, o tal “alto funcionário do governo” lê o New York Times ou assiste à CNN e constata “a veracidade” do que ele próprio disse e a “solidez” da sua própria posição no governo, porque, sacomé, fulano é realmente um bandido – e o único real e grave problema a ser enfrentado – e as “provas” ali estão, na “mídia”. 

Mas em geral não é quem governa uma nação que faz a nação. A nação e sua situação é que estão formando, pelo menos na mesma medida, a pessoa que a governa. Gaddafi não era o que era “porque” tivesse criado a Líbia à sua semelhança, mas porque, governando com sucesso uma Líbia unida exigia que ele fosse como era. A Rússia não está ressurgindo “por causa” de Putin, mas porque Putin deu forma às suas políticas conforme o que a Rússia é. É isso, não a personalidade dele, que lhe estão dando índices de aprovação que já atingem a estratosfera.

Maliki governou o Iraque de um modo que lhe garantiu o apoio da maioria dos eleitores no país dele. Não cedeu à chantagem pelas tribos sunitas já viciadas nas propinas que os militares norte-americanos sempre fizeram chover sobre elas. Foi essa falta de “disposição para incluir” que o fez tão bem-sucedido. Se al-Abadi modifica as principais políticas de Maliki, não terá o apoio da maioria dos eleitores e terminará, ou convertido em ditador brutal ou morto.”

Expansão do ISIS/ISIL na Síria e no Iraque
O ponto chave aqui é que é mais fácil pôr-se a exigir  “inclusividade” irrefletidamente, que considerar refletidamente as possibilidades reais. O exército iraquiano e o establishment  político em Bagdá só fazem irradiar indisfarçável fraqueza e confusão generalizada desde o início da campanha do ISIL. Muitas das tribos sunitas no norte já sinalizaram apoio assegurado ao ISIL, não a Bagdá; de fato, o ISIL vem construindo suas relações com as lideranças tribais sunitas, a partir de sua base em Mosul, desde pelo menos 2010.

Abu Bakr (o novo “Califa”) também construiu, ao longo desse tempo, um comando militar extremamente efetivo (composto principalmente de ex-oficiais militares iraquianos, que gozam de alta credibilidade dentro da esfera sunita); o Califato é rico em dinheiro e tem muitas armas. Projeta força; projeta determinação; e projeta competência militar. Bagdá não reflete nenhum desses atributos. Não é portanto muito mais provável que as tribos sunitas venham a ser atraídas pela “força” do ISIL, muito mais do que pela “fraqueza”, desarranjo militar e divisões políticas de Bagdá? (Os políticos xiitas do Iraque são conhecidos mais pela contenção, do que pela unidade).

O Iraque não é a Síria. Na Síria, pode-se dizer que o ISIL não foi bem-sucedido (mas mesmo assim ainda controla parte considerável de território no extremo oeste limítrofe com o Iraque); mas no Iraque o ISIL teve lançamento mundial digno de pop-star. Por quê?

Porque, por mais que tantas coisas possam ter dado errado, a Síria mesmo assim tem liderança motivada, de pensamento claro; o governo não rachou nem se deixou fraturar (apesar de todas as pressões e tentativas de golpe); manteve íntegro um forte senso do que seja ser “sírio”; e contou com um núcleo duro muito resistente – que Bashar al-Assad já havia constituído e organizado – de cerca de 80 comandantes militares fortes, resistentes e eficazes.

Guerrilheiro Peshmerga (Curdistão)
Voltando à questão da “inclusividade”, talvez a melhor aposta, para Bagdá, sejam os curdos (embora eles, até agora, tenham mostrado tendência oposta a qualquer “inclusivismo”). Se Bagdá e seu exército só fizeram exibir fraqueza crônica desde junho, o Governo Regional Curdo não fez muito melhor. O GRC exibiu divisão política e (o que para muitos foi surpresa) e o fracasso militar da guerrilha Peshmerga – há muito tempo considerada modelo de competência militar.

Essa fraqueza, ela também, terá consequência geoestratégica profunda. Barzani, como Maliki, está, até certo ponto, desacreditado (o ex-presidente Talibani teve de voltar ao Iraque, para tentar impor alguma liderança, em situação que se deteriorava rapidamente). Militarmente, o Governo Regional Curdo está implorando que os EUA o ajude): vocês são nossa “última chance”, disse Barzani ao Grupo Aspen. Ao que se sabe, Barzani – e seus advogados em Washington – pediu aos norte-americanos mísseis Javelin antitanques, sistemas integrados de defesa aérea, carros blindados para transporte de tropas, drones de vigilância e equipamento de visão noturna, de 3ª geração. A lista – ela própria – já diz muito sobre como está o Governo Regional Curdo.

A política oportunista de Barzani, de atropelar Bagdá para vender petróleo “curdo” diretamente através da Turquia (ato que viola dispositivos da Constituição do Iraque) só encontrou um único comprador (pelo que se sabe, um bilionário ucraniano nos EUA), e está em crise. Bagdá retaliou devidamente contra esse movimento ilegal e suspendeu o financiamento que o governo central dava ao Governo Regional Curdo, o qual agora está com dificuldades para pagar salários aos funcionários públicos (depois do fracasso da iniciativa de vender petróleo “por fora”). Os turcos apelaram aos EUA para que ajudem o Governo Regional Curdo a vender seu petróleo “independentemente” – mas é claro que os EUA não podem exigir “inclusividade” com uma mão e, com a outra, obrar para excluir e, de fato, assaltar, o Iraque (ou, quem sabe, talvez possam?).

O governo central fareja a extensão da dificuldade em que está Barzani. Como disse o Ministro de Relações Exteriores do Governo Regional Curdo, em tom de lamento,

A paisagem política mudou no Iraque (...) o equilíbrio do poder mudou (...)Hoje, o nosso vizinho não é o Iraque; nosso vizinho é o ISIL.

Em resumo, de repente, o Governo Regional Curdo precisa urgentemente de Bagdá. Quanto vale, agora, a independência dos curdos?

Embora seja verdade que a guerrilha curda Peshmerga (com apoio aéreo dos EUA) conseguiu desalojar o ISIL de várias vilas e cidades que estavam sob controle do Califato desde a recente marcha sobre Erbil, já mesmo enquanto isso acontecia o ISIL estava tomando várias outras cidades na província de Diyala – e, pode-se dizer, cidades mais importantes. O território controlado pelo ISIL, assim sendo, aumentou; agora, os combatentes do ISIL estão-se concentrando perto de Qara Tappa, a pouco mais de 100km de distância da capital, Bagdá, segundo fontes da segurança iraquiana.

Resumo disso tudo é que o ISIL está consolidando sua posição: os ataques aéreos norte-americanos fazem diferença apenas marginal (e, de qualquer modo, só visam os arredores de Erbil). O ISIL responderá, chegando a hora, à campanha aérea dos EUA (como fizeram em Aleppo), dispersando as suas grandes formações e, em vez delas, infiltrando silenciosamente os seus homens em áreas urbanas, onde os EUA estão absolutamente impedidos de atacar. Ao mesmo tempo, proibirão as populações de deixarem as cidades. OISIL orgulha-se de declarar que sua estratégia militar é a de uma víbora entre rochas. Em resumo, farão pausa; ignorarão as “rochas” difíceis – e atacarão quando estiverem prontos.

ISIL/ISIS consolidando posições na região
Aqui está o busílis para al-Abadi: não há dúvidas de que Qassem Soleimani é estrategista militar de muitos talentos, mas está começando do marco zero, no que tenha a ver com construir um exército iraquiano. O velho exército é confusão completa, com o moral quebrado, inexistente. Está agora num processo de trocar comandantes desacreditados e inefetivos por oficiais militares experientes selecionados entre os que compuseram a Organização Badr. Tudo isso é ótimo, mas mudar o ethos de um exército exige anos, não meses. Há um descompasso, aqui: a ameaça é imediata, mas a resposta terá de esperar pelos resultados do projeto de reconstruir um exército, que é projeto de longo prazo.

Tudo considerado, a situação não é promissora. Parece haver considerável elemento de pensamento desejante na expectativa de todos de que a simples nomeação de al-Abadi – só ela – conseguiria “gerar” um governo inclusivo, forte e competente de sunitas, xiitas e curdos, todos trabalhando em perfeita harmonia em Bagdá. O governo continuará a ser corrupto e fraco. O ISIL parece decidido a deixar-se ficar por aí ainda por algum tempo – e o “estado” sunita tornar-se-á a “cunha” metida no coração do mundo muçulmano – fraturando para sempre a ordem pós-IIª Guerra Mundial.
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[*] Conflicts Fórum visa mudar a opinião ocidental em direção a uma compreensão mais profunda, menos rígida, linear e compartimentada do Islã e do Oriente Médio. Faz isso por olhar para as causas por trás de narrativas contrastantes: observando como as estruturas de linguagem e interpretações que são projetadas para eventos de um modelo de expectativas anteriores discretamente determinam a forma como pensamos - atravessando as pré-suposições, premissas ocultas e até mesmo metafísicas enterradas que se escondem por trás de certas narrativas, desafiando interpretações ocidentais de “extremismo” e as políticas resultantes; e por trabalhar com grupos políticos, movimentos e estados para abrir um novo pensamento sobre os potenciais políticos no mundo.

sábado, 23 de agosto de 2014

IRAQUE: Relatório de Situação, SITREP − 16-19/8/2014, Mindfriedo: Batalha pela Barragem de Mosul

19/8/2014, The SakerThe Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Contando, ninguém acredita, mas...“19/8/2014: A ONU decidiu entregar suprimentos para meio milhão de refugiados iraquianos. A ajuda incluirá tendas, alimento e água e medicamentos básicos. A maior parte da ajuda chegará pela Turquia e Jordânia. São as mesmas rotas pelas quais o ISIL chegou à região”.


The Saker
Nosso profundo agradecimento ao Saker que permite que esses Relatórios de Situação (SITREP ou RELSIT) sejam publicados aqui, e por ele sempre combater o bom combate. Que Deus continue a inspirá-lo. Farei o possível para redigir SITREPs ou RELSITs mais frequentes.

ISIS-ISIL - Mapa da atual situação (22/8/2014)

  • 16/8/2014: Autoridades curdas planejam rearmar suas forças com equipamento pesado, mais moderno.

  • 16/8/2014: Mohammad Ali al-Hakim, Ministro de Relações Exteriores do Iraque à ONU pede que todas as nações do mundo declarem o ISILorganização terrorista e trabalhem coletivamente contra ela.

  • 16/8/2014: Aviões norte-americanos estão atirando contra alvos do ISIL em torno da barragem de Mosul, no que será operação conjunta Iraque-Peshmerga [1] curda em assalto por terra para tentar recapturar a barragem tomada pelo ISIL. Acredita-se que o ISIL não bombardeou a barragem nem abriu comportas, o que teria inundado as próprias áreas onde eles estão. A barragem exige manutenção constante e acredita-se que tenha sido gravemente danificada durante o curto tempo em que esteve sob controle do ISIL.

  • 16/8/2014: Walter Steinmeier, ministro de Relações Exteriores da Alemanha chega a Bagdá para coordenar a entrega de ajuda humanitária. Deve visitar também o Curdistão Iraquiano.

  • 16/8/2014: Três homens que se acredita que sejam de milícias xiitas foram mortos e 10 foram feridos num ataque de bomba junto à estrada no sul de Samarra.

  • 16/8/2014: A Força Aérea Iraquiana bombardeou um comboio de 30 veículos de combatentes rebeldes/ISIL próximo da Barragem de Mosul.

  • 16/8/2014: Ataques aéreos iraquianos contra uma reunião de rebeldes ISIL em Qaim, oeste de Anbar; os seguintes altos comandantes do ISIL foram notificados mortos: Abu Mohammed al-Shami, Abu Fatima Moroccan, Sami Mahlawi , Abu Anas al-Samarrai, Omar al-Shishani , Ahmed Awad e Abu Mohammed al-Adnani.

  • 16/8/2014: Em outro ataque em Jurk al-Sakher, norte de Babil morreram 22 rebeldes do ISIL, inclusive sete estrangeiros.

  • 16/8/2014: Malik al-Arak, líder do ISIL foi morto por foguete teleguiado em ataque pelas forças de segurança do Iraque em Latifiya, ao sul de Bagdá. Dois terroristas do ISIL que o acompanhavam também foram mortos.

  • 17/8/2014: As forças Peshmerga continuam a avançar em direção à barragem de Mosul, ajudadas pela força aérea dos EUA. Forças curdas combatem nas áreas de Baqofa e Babera e avançam em direção a Tilkaif , al-Qwesat e Wank.
Curdistão Iraquiano - Região Autônoma

  • 17/8/2014: Os Peshmergas também receberam armamento avançado de países ocidentais para combater o ISIL. Os Peshmerga estão preparando assalto na região de Sinjar e reganharam território do qual haviam fugido.

  • 17/8/2014: O Comando Central dos EUA (CENTCOM) anuncia que realizou nove ataques aéreos perto da barragem de Mosul e perto de Erbil que “destruíram ou danificaram quatro carros blindados de transporte de pessoal, sete veículos blindados, Humvees e um outro tipo de veículo blindado”. Os ataques aéreos foram realizados por jatos pilotados presencialmente e por drones.

  • 17/8/2014: Um grande assalto contra a cidade de Dhuluiya, Salah id Din, por combatentes do ISIL foi neutralizado pela força policial local e por combatentes tribais pró-governo e anti-ISIL. Três policiais foram feridos e há notícias de que 12 combatentes do ISIL foram mortos.

  • 17/8/2014: Há notícias de que combatentes do ISIL estão-se reagrupando em Tikrit e preparando trincheiras, antecipando um ataque do exército iraquiano.

  • 17/8/2014: A Aliança Nacional e seu candidato a primeiro-ministro nomeou uma comissão de negociação que se reunirá com outros blocos políticos para acelerar a formação do novo governo. A Coalizão Estado de Direito reitera que Haider Al Abadi negociará a formação do governo com outros blocos; que considerará demandas cabíveis nos termos da Constituição do Iraque e rejeitará as que contrariem dispositivos constitucionais.

  • 17/8/2014: Os cinco principais partidos políticos curdos formam uma equipe conjunta de negociação para discutir a formação do governo em Bagdá.

  • 17/8/2014: Kisho Amo Selo, sobrevivente do massacre/genocídio em Kojo, diz que, depois de dez dias de cerco, quando se esperava que a população se convertesse ao islamismo, o ISIL entrou na cidade e assassinou centenas de jovens iazidis, homens e rapazes, e levou 500 mulheres e meninas para Tal Afar.

  • 17/8/2014: Ghayeb Sarhan Sahlab, líder do ISIL, é morto em ataques aéreos na província de Salah al Din.

  • 17/8/2014: As forças de segurança iraquianas dizem que retomaram o controle de uma refinaria em Haditha, com ajuda da Força Aérea.
Abu Bakr al-Baghdadi


  • 17/8/2014: O comandante supremo do ISIL, Abu Bakr Al Baghdadi foi alvo de um ataque por drone dos EUA junto à fronteira Iraque-Síria, mas sobreviveu.

  • 18/8/2014: Políticos curdos têm falado sobre a indicação de Haider Al Abadi ao posto de primeiro-ministro, como uma oportunidade de ouro para o Iraque. Agora, os três grupos étnicos podem sentar juntos e negociar

  • 18/8/2014: Em movimento inesperado, o ISIL libertou 300 refugiados iazidis de Sinjar e autorizou-os a voltar à montanha Sinjar [não é “monte”, é montanha].

  • 18/8/2014: O ISIL executa Abu Jafar Naqshbandi, ex-oficial do exército e líder no grupo “Naqshabandi Order”, e o irmão dele, em Jalawla, por se terem recusado a seguir ordens do ISIL.

  • 18/8/2014: Apesar do colapso já quase total da resistência, as forças Peshmergaestão avançando com cautela na direção da cidade de Tilkaif ao sul da Barragem Mosul. Os que lutam na vanguarda frente à morte [obrigado pela colaboração do leitor-comentarista (ver nota 1)] temem carros-bomba ou dispositivos explosivos implantados na estrada.

  • 19/8/2014: Forças aéreas dos EUA atacam às costas do ISIL perto da Barragem de Mosul, abrindo caminho para que as forças Peshmerga assumam o controle sobre o complexo. O ISIL havia levado para lá um engenheiro de nacionalidade líbia para operar a Barragem.

  • 19/8/2014: O ISIL decidiu retirar suas forças que estavam sendo duramente atacadas por bombardeio sustentado e acurado. Mas o ISIL minou a área e deixou armadilhas para as forças Peshmerga, em residências, prédios públicos e até em corpos de combatentes mortos do ISIL.
Distâncias relativas das localidades atacadas - Iraque

  • 19/8/2014: As forças do ISIL começaram a ruir dia 17/8/2014. Pode-se dizer que, de modo geral, abandonaram as áreas de Tilkaif, Khorsapad, Bashiqa e Bartalah e fugiram para a cidade de Mosul.

  • 19/8/2014: A ONU decidiu entregar suprimentos para meio milhão de refugiados iraquianos. A ajuda incluirá tendas, alimento e água e medicamentos básicos. A maior parte da ajuda será embarcada pela Turquia e Jordânia. São as mesmas rotas pelas quais o ISIL chegou à região.

  • 19/8/2014: O sul do Iraque flutua num oceano de petróleo. A Lukoil russa despachou um navio-tanque do campo Qurna 2 Oeste, que se estima que contenha 13 bilhões de barris de petróleo. O Império da Ganância e da Arrogância jamais permitirá que o sul xiita tenha paz, ou que prospere.

  • 19/8/2014: O exército iraquiano limpou duas áreas ao norte de Bagdá: al-Thaar e Tal Tasa, de qualquer presença do ISIL.

  • 19/8/2014: Milícias xiitas, um longo caminho a percorrer: O Exército do Iraque lançou ataque contra Tikrit, hoje cedo. O exército está sendo apoiado por milícias xiitas e combatentes xiitas voluntários e por combatentes de tribos locais.

  • 19/8/2014: Feroz resistência das forças do ISIL obrigaram o exército a retirar-se, depois de sofrer uma morte e cinco feridos. O exército perdeu suas posições no sul de Tikrit e teve de retirar-se ainda mais para o sul. Falta de efetiva cobertura por ar está sendo referida como uma das razões do fracasso dessa ação. O exército iraquiano têm dito que os líderes internos do ISIL já deixaram Tikrit.

  • 19/8/2014: As forças do ISIL retiraram-se do distrito de Al-Alam, a leste de Tikrit. O ISIL também minou essa área (há dispositivos explosivos improvisados distribuídos por todas as principais estradas em Tikrit), principalmente as vias centrais da cidade.

  • 19/8/2014: Abu Mohammed al- Adnani, porta-voz do ISIL, e Saeed Arif, da Frente Al-Nusra, estão com os nomes nas listas de sanções dos EUA. É lista farsesca, que inclui também russos e iranianos. Enquanto isso, os EUA já confirmaram que o ISIL está usando carros blindados norte-americanos, para transporte de pessoal, que incluem modificações feitas pelos israelenses. Os veículos foram projetados para resistir a explosão de dispositivos explosivos improvisados e de minas, e para resistir a tiros de armas de fogo pequenas usadas pelos ISIL contra os curdos e outros grupos rebeldes na Síria. O ISIL também está usando artilharia fabricada nos EUA.
Barack Obama

  • 19/8/2014: Obama pediu que os iraquianos formem um governo de unidade e não se mostrou mais complacente, agora que os EUA estão bombardeando o ISIL. Os EUA executaram 68 ataques aéreos desde o dia 8/8/2014, para, principalmente, ajudar os curdos no norte.

  • 19/8/2014: Wasit, no sul do Iraque, recebeu 21 mil refugiados de Mosul. Acredita-se que a maioria seja xiita.

  • 19/8/2014: Todo nosso amor aos curdos. A Suécia emitiu declaração em que apoia o Curdistão Iraquiano em sua luta contra o terrorismo e apoia os refugiados curdos. Massoud Barzani agradeceu a declaração sueca e repetiu que os curdos precisam de mais armas e de armas melhores, em sua luta contra “o terrorismo”.

  • 19/8/2014: A Grã-Bretanha é afeto só. Stewart Rory, presidente da Comissão de Defesa do Parlamento Britânico reuniu-se com Massoud Barzani e apresentou-lhes saudações e lembranças de David Cameron.

  • 19/8/2014: Ibrahim al-Jaafari da Aliança Nacional Xiita reuniu-se com Saleh al-Mutlaq do partido sunita al-Arabiya para discutir a formação do governo e o status dos refugiados no Iraque.

  • 19/8/2014: Três bandeiras do ISIL apareceram hasteadas em estacas e postes de luz no distrito de Dhi Qar, sudeste de Najaf.

  • 19/8/2014: As contas do governo, para o dia de hoje: 33 combatentes do ISIL mortos em ataques aéreos em Babil. 22 combatentes do ISIL mortos em ataque da artilharia do Exército do Iraque, em suas posições em Fallujah.

  • 19/8/2014: As contas dos EUA, para o dia de hoje: 17 combatentes do ISIL mortos em ataques aéreos ao norte de Mosul.

Tema relacionado:

  • 18/8/2014: Está circulando um vídeo em que se vê um japonês preso por terroristas do ISIL na Síria, sendo espancado por seus captores. Que Deus o proteja.

  • 19/8/2014: Abu Abdullah al-Iraqi, comandante do ISIL, foi morto pelo Exército Sírio em Qalamoun. Acredita-se que seja o responsável por vários atentados com carros bombas e suicidas-bomba no Líbano.

  • 19/8/2014: Daily Star noticiou que o Hezbollah teria planejado a complexa e sofisticada ação que resultou na morte do responsável por muitos ataques em áreas xiitas do Líbano.

  • 19/8/2014: Para conter o revide: O Grande Mufti saudita Sheikh Abdul Aziz al-Sheikh, cego desde os 18 anos, declarou a al- Qaeda e o ISIL os Inimigos n. 1 do Islã.

  • 19/8/2014: Jebran Bassil, ministro libanês de Relações Exteriores declara que os refugiados iraquianos não são bem-vindos ao Líbano e que devem permanecer no Iraque.

  • 19/8/2014: O ISIL distribuiu vídeo em que se assiste à execução do jornalista norte-americano James Foley. Deus amaldiçoa os opressores (ISIL). O ISIL distribuiu vídeo em que ameaça norte-americanos, onde estejam, por atacá-los no Iraque.
James Foley



Nota dos tradutores
[1] “Escrevo só para informar que “Peshmerga” não significa “os que correm para a morte”. Significa os que enfrentam a morte ou os que lutam na vanguarda, frente à morte. Pesh é preposição que significa literalmente “em frente de”; e merga é a palavra para “morte” (extraído dos Comentários ao Relatório de Situação Iraque 16-19/8, 20/8/2014, 2h21).