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quarta-feira, 16 de março de 2011

Julian Assange: A Internet é a “maior máquina de espionagem que o mundo jamais viu”

O fundador da WikiLeaks diz também que acredita que a Internet não é uma tecnologia que favoreça a liberdade de expressão, mas que pode ser tomada pelos ativistas e ter uma trajetória diferente.

Por Patrick KingsleyThe Guardian – UK -

ARTIGO | 16 MARÇO, 2011 - 18:00

Para Assange, os telegramas divulgados pela WikiLeaks desempenharam um papel fundamental para incentivar as sublevações no Oriente Médio
A Internet é a “maior máquina de espionagem que o mundo jamais viu” e não é uma tecnologia que, necessariamente, favoreça a liberdade de expressão, afirmou o co-fundador da WikiLeaks Julian Assange, numa rara aparição pública.

Assange reconheceu que a web pode permitir uma maior transparência do governo e uma melhor cooperação entre os ativistas, mas disse que esta deu às as autoridades a melhor oportunidade de sempre de monitorizar e capturar dissidentes.

“Apesar de a Internet ter, de certa forma, a capacidade de nos permitir o conhecimento, a um nível sem precedentes, do que o governo está a fazer, e de facilitar a cooperação para responsabilizar os governos repressivos e as sociedades repressivas, é também a maior máquina de espionagem que o mundo já viu”, disse aos estudantes da Universidade de Cambridge. Centenas fizeram fila durante horas para assistir à palestra.

Assange prosseguiu: “Ela [a web] não é uma tecnologia que favoreça a liberdade de expressão. Não é uma tecnologia que favoreça os direitos humanos. Não é uma tecnologia que favoreça a vida civil. É mais uma tecnologia que pode ser usada para estabelecer um regime totalitário de espionagem, de contornos nunca vistos. Ou, por outro lado, se tomada por nós, se tomada por ativistas e por todos aqueles que querem uma trajetória diferente para o mundo tecnológico, pode ser algo que todos esperamos. "

O co-fundador da WikiLeaks também sugeriu que o Facebook e o Twitter desempenharam um papel menos importante nos levantamentos no Médio Oriente do que o que foi antes argumentado pelos comentadores dos média sociais e pelos políticos.

Assange disse: “Sim, [o Twitter e o Facebook] tiveram um papel, embora nem de perto tão grande quanto a Al-Jazeera. Mas o guia elaborado pelos revolucionários egípcios... diz na primeira página: ‹‹Não usar o Facebook e o Twitter››, e diz na última página: ‹‹Não usar o Facebook e o Twitter››”.

“Há uma razão para isso. Havia realmente uma revolta no Facebook, no Cairo, há três ou quatro anos. Era muito pequena.. e o Facebook foi usado para perseguir os principais participantes. Foram espancados, presos e interrogados”.

Para Assange, os telegramas divulgados pela WikiLeaks desempenharam um papel fundamental para incentivar as sublevações no Oriente Médio e forçar o governo dos EUA a não apoiar o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak.

Assange disse que os telegramas diplomáticos sobre as atitudes dos EUA em relação ao antigo regime tunisiano fortaleceram as forças revolucionárias em toda a região.

“Os telegramas da Tunísia mostraram claramente que, se se chegasse ao ponto de um conflito entre as forças armadas, por um lado, e o regime de Ben Ali, por outro lado, os EUA, provavelmente, apoiariam os militares”.

E continuou: “Isso deve ter sido a causa de os países vizinhos da Tunísia pensarem: se houver intervenção militar, eles podem estar do mesmo lado que os Estados Unidos”.

Assange, que fez um apelo contra a sua extradição para a Suécia por supostas acusações sexuais, disse que as divulgações da WikiLeaks também forçaram os EUA a abandonar o seu apoio tácito a Mubarak.

“A divulgação de telegramas sobre a aprovação de Mubarak aos métodos de tortura de Suleiman, impediu que Joseph Biden repetisse a sua afirmação anterior de que Mubarak não era um ditador. Não foi possível que Hillary Clinton publicamente saísse em apoio ao regime de Mubarak”.

Respondendo a uma pergunta sobre Bradley Manning, o soldado dos EUA preso por supostamente divulgar informações confidenciais, Assange disse: “Nós não temos ideia se ele é uma das nossas fontes. Toda a nossa tecnologia foi preparada para assegurar que não saibamos”

O co-fundador da WikiLeaks expressou simpatia por Manning. “Ele está numa situação terrível. E se não está ligado a nós, [então] está lá como inocente... e se ele for, de alguma forma, ligado às nossas publicações, então, é claro, que temos alguma responsabilidade. Dito isto, não há qualquer alegação de que ele tenha sido preso por ter alguma coisa a ver conosco. A alegação é que ele foi preso por ter falado à revista Wired, nos Estados Unidos. "

Assange também criticou o New York Times, dizendo que este jornal suprimiu artigos sobre a atividade militar secreta americana no Afeganistão.

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net 
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quinta-feira, 10 de março de 2011

WikiLeaks amplia parcerias

No centésimo dia da divulgação dos telegramas da diplomacia dos EUA, a WikiLeaks anuncia a ampliação das parcerias com órgãos de comunicação e grupos de ativistas em todo o mundo. Leia o editorial publicado no site oficial.

ARTIGO | 10 MARÇO, 2011 - 16:16

Cada telegrama que a WikiLeaks publica agora é 
automaticamente reproduzido em mais de 1.800 sites.
Cem dias de Cablegate

Esta semana marca o centésimo dia desde que a Wikileaks divulgou o primeiro lote de Telegramas das Embaixadas – a revelação mais importante da história geopolítica.

Trabalhando primeiro com a Der Spiegel, o El País, o Le Monde, o The New York Times e o The Guardian, a WikiLeaks tem vindo a expandir esta cooperação para trabalhar com o que é agora um grupo de mais cinquenta parceiros de média de todo o mundo, incluindo: o The Sydney Morning Herald (Austrália), a Televisão Sueca, o The Sunday Star Times (Nova Zelândia), o NOS (Holanda), a Folha de S. Paul e O Estado de S. Paulo (Brasil), a Nova Gazetta o Repórter Russo (Rússia), o RUV (Islândia) o Al Akhbar (Líbano), o Al-Masry Al Youm (Egipto), o El Comercio (Peru), o L'Espresso (Itália), o Daily Nation e o The Star (Quênia e Uganda), o CIPER (Chile) e muitos outros (para a lista completa, veja aqui). Nesta fase, a WikiLeaks publicou mais de 5.000 dos 251.587 telegramas, enviados de embaixadas dos EUA em todo o mundo para Washington.

Estas primeiras publicações já ajudaram a mudar o mundo e a percepção que temos dele: a revolução da Tunísia derrubou um ditador que estava no cargo há 23 anos, agora sabemos que países árabes pediram aos EUA que empreendesse uma ação militar contra o Irão, porque é que a China reprimiu o Google, que o governo britânico ofereceu-se para “proteger os interesses dos EUA” durante o seu inquérito sobre a guerra do Iraque, que figuras-chave na Suécia trabalharam com os EUA para esconder do parlamento sueco operações de espionagem, como o governo iemenita aceitou encobrir ataques aéreos dos EUA no seu território, e que diplomatas dos EUA receberam ordens para se tornarem espiões e roubar o DNA e outras informações de funcionários da ONU e de ONG's

Mas o trabalho ainda está no início. Até à data, pouco mais de 2% dos telegramas foram publicados, todos editados pelos parceiros de média para minimizar possíveis, embora improváveis, danos a indivíduos inocentes nomeados nos telegramas. A WikiLeaks pretende continuar esse processo até que todos os telegramas tenham entrado no domínio público, onde todos se possam informar.

É por isso que a fase dois do projeto Telegramas das Embaixadas oficialmente começa hoje. No início, em Novembro, a WikiLeaks teve cinco parceiros, agora temos mais de 50 em todos os cantos do globo. Publicações influentes, grupos activistas e instituições benévolas estão a receber acesso a centenas – ou milhares, nalguns casos – de telegramas relevantes para as suas regiões ou causas.

A secretária de Estado Hillary Clinton, o porta-voz, funcionários e senadores fizeram fila para condenar os esforços da WikiLeaks de permitir que o mundo conheça a realidade da política externa dos EUA, muitas vezes ignorando a proteção das fontes da Wikileaks, e “esquecendo” que a WikiLeaks é uma organização jornalística protegida pela Primeira Emenda. Pelo seu lado, o Departamento de Estado recusou-se terminantemente a detalhar quaisquer preocupações que o material pudesse levantar.

O governo dos EUA não se ficou pelas palavras: empresas multinacionais, incluindo o Bank of America, a Visa, a Mastercard, o Paypal, a Amazon, o Swiss Post Finance, o Money Bookers, e outros cortaram os serviços que prestavam à Wikileaks devido às pressões exercidas pelo Departamento de Estado e por senadores de linha-dura – tudo completamente fora de qualquer processo judicial ou administrativo. Foi publicamente anunciada a criação de forças-tarefa sobre a WikiLeaks por uma série de agências dos EUA, incluindo a CIA, o FBI, o Departamento de Estado, e até uma unidade de 120 homens do Pentágono. Jovens voluntários que apoiaram os nossos esforços são rotineiramente detidos e têm telefones e computadores apreendidos nas fronteiras dos EUA. Uma alegada fonte, Bradley Manning, foi mantida em severas condições de confinamento solitário por mais de 280 dias. As leis militares dos EUA permitem um máximo de 120 dias de detenção antes do julgamento.

Essas tentativas não conseguiram, nem vão conseguir deter as nossas contínuas revelações ao público. Na esteira dos ataques que sofremos, centenas primeiro, e depois milhares de pessoas corajosas e de empresas de todo o mundo decidiram juntar-se a nós na luta contra a censura. Cada telegrama que a WikiLeaks publica agora é automaticamente reproduzido em mais de 1.800 sites. As verdades contidas nesses telegramas não podem ser suprimidas.

A intenção da divulgação gradual não é minimizar os problemas: trata-se de maximizar o impacto. Mesmo apenas um punhado destes telegramas cobre contratos do petróleo venezuelano, vendas ilícitas de armas em África, corrupção na fronteira de Gaza, crimes de guerra no Sri Lanka, falsificadores de mercúrio vermelho e empresas que contornam sanções.

Os telegramas contêm materiais importantes sobre quase todos os temas sérios em todos os países do mundo. Sabemos por experiência que a divulgação de tudo num dia levaria os primeiros artigos mais importantes a afogarem-se no meio de todos os outros.

Trabalhar com jornalistas especializados e aproveitar o seu conhecimento local e contactos, garante que são publicadas as peças importantes para cada país do mundo. Este procedimento custa tempo e recursos. Mas a divulgação dia-a-dia e semana após semana faz com que o seu impacto seja sentido por semanas, meses e anos vindouros.

A WikiLeaks depende totalmente do público para o financiamento, por favor mantenha-nos fortes durante esta difícil mas importante missão fazendo doações  
Para mais informações consulte a WL Central: “Revelações que marcaram os 100 dias desde que começou o Cablegate”.
Recursos do Cablegate -8 de Março de 2011
Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

Outros artigos

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pentágono apresenta 22 acusações contra Bradley Manning

A mais grave é a de ajudar o inimigo, que poderia levar à pena de morte. Procurador afastou a pena máxima, mas o soldado de 23 anos pode vir a ser condenado a prisão perpétua.

ARTIGO | 3 MARÇO, 2011 - 03:31
O Pentágono não quis esclarecer se houve mortes diretamente relacionadas com a fuga de informação. Foto wikimedia commons
O Pentágono apresentou 22 acusações contra o soldado Bradley Manning, que está preso a aguardar julgamento numa base militar da Virgínia, por alegadamente ter entregue documentos sigilosos do Exército e do Departamento de Estado para a WikiLeaks. A acusação mais grave é a de ajuda ao inimigo, porque o Departamento de Defesa considera que a informação divulgada ajudou os Talibã e a Al Qaeda na guerra do Afeganistão. A pena máxima para esse crime é a morte, mas o porta-voz do Pentágono anunciou que não vai pedi-la para Manning.

Mas o soldado, de 23 anos, pode vir a ser condenado a prisão perpétua. O Pentágono não quis esclarecer se houve mortes directamente relacionadas com a fuga de informação.

Manning foi detido em Maio passado, graças à denúncia do hacker americano Adrian Lamo, que entrou em contacto com o soldado através da Internet.

Em Julho do ano passado, o Exército já apresentara duas acusações formais contra Manning pela fuga de dois vídeos de guerra, um deles divulgado pela WikiLeaks, e 50 telegramas classificados do Departamento de Estado.

“As novas acusações refletem de forma muito mais exata a vasta gama de crimes de que acusamos o [soldado] Manning”, afirmou em comunicado o capitão John Haberland, porta-voz do tribunal do distrito militar do exército de Washington.

São 22 as acusações contra Manning: uma por ajudar o inimigo, outra por publicação indevida de informação na Internet, sabendo que seria acessível ao inimigo, mais cinco por roubo de informações de propriedade pública, oito por transmissão de informações relativas à defesa do país, duas acusações adicionais por fraude e atividades relacionadas através do uso de computadores e, finalmente, cinco acusações de violação de normas internas do Exército

domingo, 23 de janeiro de 2011

Advogado de Manning pede fim de isolamento

Soldado norte americano acusado de passar informações confidenciais ao WikiLeaks foi sujeito a condições de encarceramento mais restritas, sendo privado da única hora de que dispunha para exercício diário e tendo-lhe sido retirada toda a sua roupa. Defesa pede fim de isolamento.


ARTIGO | 22 JANEIRO, 2011 - 15:04
Porta-voz de Quantico, afirmou ao Washington Post que Manning foi colocado em custódia
máxima porque, segundo as autoridades, “a fuga pode representar um risco para a vida, a propriedade ou a segurança nacional”.
Apesar de as avaliações psiquiátricas concluírem que Bradley Manning não incorre em risco de suicídio e que não existiria sequer justificação para mantê-lo sobre condições mais restritivas com o argumento de que este poderia auto-lesionar-se, Manning foi privado da única hora de que dispunha para exercício diário e foi-lhe retirada toda a sua roupa, com excepção das peças de roupa íntima.

Segundo relatou David Coombs, advogado de Manning, na passada quarta-feira, e contra a recomendação de dois psiquiatras forenses, James Averhart, comandante da base militar de Quantico, determinou que Bradley Manning deveria ser sujeito a um regime de encarceramento mais restritivo, sobre o argumento de que existiria o risco de suicídio.

Bradley Manning, de 23 anos, foi “despojado de toda a sua roupa, com exceção das suas cuecas. Os seus óculos graduados foram-lhe retirados. Ele foi forçado a permanecer em cegueira total, com exceção dos momentos em que lhe é permitido ler ou ver televisão”, afirmou Coombs.

Perante a deterioração das condições de encarceramento do seu cliente, David Coombs apresentou uma queixa ao comandante da base militar de alta segurança no estado da Virginia, Estados Unidos, contra as condições da sua detenção, isolamento e vigilância constante dos guardas.

O advogado de Manning pretende que o seu cliente seja colocado em condições de encarceramento menos drásticas e retirado da cela de isolamento.

O primeiro tenente Scott Villiard, porta-voz de Quantico, afirmou ao Washington Post que Manning está sendo tratado como qualquer outro recluso que tenha a mesma classificação – custódia máxima ou prevenção de lesões – e que o soldado norte-americano foi colocado em custódia máxima porque, segundo as autoridades, “a fuga pode representar um risco para a vida, a propriedade ou a segurança nacional”.

Extraído do Esquerda.net

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Militar protesta contra tratamento dado a Bradley Manning

Veterano da Guerra da Coreia e ex-comandante do quartel de Quantico pede uma mudança de tratamento dado a Manning, lembra o direito a um julgamento rápido e público, e sugere tratamento igual ao dado a Oliver North.

Artigo | 20 Janeiro, 2011 - 17:50


Bradley Manning
David C. MacMichael, ex-comandante do quartel de Quantico – onde está preso o soldado Bradley Manning, acusado de ser o autor do desvio dos telegramas da diplomacia americana para a WikiLeaks – escreveu uma carta ao general James F. Amos, Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, em que protesta contra as condições prisionais de Manning.

MacMichael, veterano da Guerra da Coreia, diz que se for correta a acusação de que Manning violou as disposições do Código Uniforme de Justiça Militar, fornecendo a pessoas não autorizadas informação classificada relativa às operações militares dos EUA e a comunicações do Departamento de Estado, ele deve comparecer diante de um tribunal marcial e, se for considerado culpado, condenado em conformidade com o Código.

“O que me preocupa aqui”, diz MacMichael, “e apresso-me a admitir que respeito os motivos de Manning, é a maneira pela qual a ação legal contra ele está sendo conduzida. Pergunto-me, em primeiro lugar, porque um homem alistado no Exército está detido numa instalação do Corpo de Fuzileiros Navais. Em segundo lugar, questiono a duração do confinamento anterior à realização do tribunal marcial. A sexta emenda à Constituição dos EUA, garantindo ao acusado em qualquer processo criminal o direito a um julgamento rápido e público, estende-se àqueles que estão sendo processados no sistema de Justiça Militar. Em terceiro lugar, duvido seriamente que as condições do seu confinamento – em solitária, com interrupção do sono, privação de todo o exercício físico, excepto o mínimo, etc. – sejam necessárias, ou estejam em conformidade com a lei, seja dos EUA ou internacional”.

O ex-comandante exorta o general James F. Amos a usar sua autoridade para tornar as condições confinamento do soldado Manning menos extremas. E recorda o tratamento dado ao tenente-coronel Oliver North, “que claramente violou o UCMJ – e, em minha opinião, desgraçou o nosso serviço – e não foi submetido a tribunal marcial”. North foi protagonista do famoso caso Irã-Contras, revelado em Novembro de 1986, durante o segundo mandato do presidente Ronald Reagan, no qual figuras-chave da CIA facilitaram o tráfico de armas para o Irã, que estava sujeito a um embargo internacional de armamento, para assegurar a libertação de reféns e para financiar os Contras nicaraguenses.

Quando MacMichael perguntou, na época, por que North não foi processado no âmbito do Código Uniforme de Justiça Militar, foi informado que quando oficiais são nomeados para funções na Casa Branca, NSC, ou similares, de certa forma deixam legalmente de estar nas Forças Armadas. No entanto, observa o militar, ele continuou a receber a sua remuneração militar e benefícios, a aumentar a sua antiguidade, a ser promovido, e apareceu de uniforme ao testemunhar a respeito de violações da legislação dos EUA perante o Congresso.

Não querendo equiparar o caso North a Manning, MacMichael sugere “que o tratamento igual perante a lei é um dos princípios americanos e que o Corpo de Fuzileiros Navais existe para o proteger”.

extraído do Esquerda.net

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Assange promete revelar detalhes fiscais de 2.000 ricos


Banqueiro suíço entrega ao fundador da WikiLeaks dados “para educar a sociedade” sobre o montante da receita fiscal potencialmente perdida em esquemas offshore.
Por Esther Addley, The Guardian

ARTIGO | 18 JANEIRO, 2011 - 16:43

Julian Assange e Rudolf Elmer: acusações de evasão fiscal e lavagem de dinheiro em offshores
Julian Assange, o fundador da WikiLeaks, comprometeu-se esta terça-feira a tornar públicas as informações confidenciais fiscais de 2.000 indivíduos ricos e proeminentes, após ter recebido os dados de um banqueiro suíço que afirma que as informações potencialmente expõem casos de lavagem de dinheiro e de evasão fiscal ilegal em grande escala.


Numa entrega cuidadosamente coreografada, em Londres, Rudolf Elmer, ex-executivo sénior do banco suíço Julius Baer, com sede nas ilhas Caimã, disse que estava entregando os dados à WikiLeaks como parte de uma tentativa de “educar a sociedade” sobre o montante das receitas fiscais potencialmente perdidas devido aos regimes de offshore e de lavagem de dinheiro.

“Como banqueiro, tenho o direito de me erguer contra algo que está errado”, disse ele. “Eu sou contra o sistema. Eu sei como funciona o sistema e conheço o dia-a-dia do negócio. Quero que a sociedade saiba como funciona esse sistema, porque é prejudicial à sociedade”, disse.

Elmer vai comparecer num tribunal suíço esta quarta-feira, acusado de infringir as leis de sigilo bancário suíço, de falsificação de documentos e envio de mensagens ameaçadoras a dois funcionários da sua antiga entidade patronal.

Ele nega as acusações.

Elmer recusou-se a comentar sobre o espaço de tempo coberto pelos dados, contidos em dois CDs, ou a precisa fonte das informações, e também não forneceu os nomes de quaisquer empresas ou indivíduos cujos detalhes bancários estão nos CDs, dizendo que as informações precisam ser investigadas antes de ser levadas ao domínio público.

Assange, que fez a sua primeira aparição pública desde que em Dezembro saiu da prisão sob fiança, devido a alegações de agressão sexual, pelas quais a Suécia procura obter a sua extradição, disse que iria passar as informações para o Serious Fraud Office (SFO), examiná-las, para garantir que as fontes ficam protegidas e, em seguida publicá-las no site da WikiLeaks, potencialmente dentro de “duas semanas”.

“Logo que verificarmos os dados, sim, haverá uma divulgação completa”, disse.

Ele não quis comentar perguntas relativas ao processo de extradição, que será decidido pelos magistrados do tribunal de Belmarsh em 7 de Fevereiro, ou sobre outras fugas de informação que prometeu divulgar em breve, incluindo informação relativa a um “grande banco dos EUA”, que muitos acreditam ser o Bank of America.

O site ainda não está totalmente funcional, disse. “Ainda não estamos abertos aos negócios públicos. O volume de material que receberíamos é muito alto para os nossos mecanismos internos, mas estamos recebendo de outras formas, como esta”, disse. A divulgação de telegramas da diplomacia dos EUA, que o site originalmente fez através do The Guardian e outros quatro meios de comunicação, continuará.

Elmer disse que estava a entregar as informações para a WikiLeaks porque já tinha antes abordado universidades com as informações, mas não lhe deram seguimento. Ele disse que as suas tentativas de interessar os média suíços tiveram apenas como consequência ser apontado como “uma pessoa paranóica, mentalmente doente”.

“Eu estava quase desistindo, mas depois um amigo disse-me: -Há a WikiLeaks”. Olhei para ele e pensei: -Esta é a única esperança que tenho para fazer com que a sociedade saiba o que está acontecendo”.

Em 2008, ele entregou ao site um conjunto muito menor de documentos, também detalhando as informações fiscais de alguns dos clientes do banco. Embora o site nunca tenha publicado essa informação, Julius Baer conseguiu brevemente tirar de linha o site Wikileaks.org, até que o site, apoiado por alguns média dos EUA e organizações de liberdades civis, conseguiu derrubar a medida judicial. Ele também passou a informação às autoridades fiscais dos EUA.

Os dados foram mais tarde vistos pelo Guardian, que encontrou “detalhes de numerosos fundos em que os ricos tinham colocado capital. Isso permite-lhes evitar pagar impostos sobre os lucros, uma vez que legalmente o dinheiro pertence ao fundo.” Os dados também “[parecem] incluir vários casos em que indivíduos ricos tentaram utilizar o dinheiro do fundo, como se fosse seu.”

Numa declaração ao Observer na sexta-feira, Julius Baer disse: “O objetivo das ações [de Elmer] foi, e é, desacreditar Julius Baer, bem como os clientes, aos olhos do público. Com este objetivo em mente, o senhor Elmer espalhou acusações infundadas e repassou documentos ilegalmente adquiridos para os média, e mais tarde também para a WikiLeaks. Para dar apoio à sua campanha, ele também usou documentos falsificados”.

Uma porta-voz do Serious Fraud Office disse que iria “analisar as alegações feitas para determinar se o assunto é da sua competência e está no âmbito dos seus critérios de investigação ou se, possivelmente, é para outra autoridade analisar”.


Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Extradição de Assange será decidida em Fevereiro

Defesa argumenta que há um risco de Assange ser extraditado da Suécia para os EUA, o que violaria o artigo 3 da Convenção europeia sobre direitos humanos.

ARTIGO | 11 JANEIRO, 2011 - 17:47

Assange disse estar muito contente com o resultado desta audiência.
 Foto de a.powers-fudyma, FlickR


Um tribunal de Londres decidiu esta terça-feira que o pedido de extradição apresentado pela Suécia contra Julian Assange, fundador da WikiLeaks, por supostos crimes sexuais, será examinado a 7 e 8 de Fevereiro.

Assange disse estar muito contente com o resultado desta audiência, onde as condições da sua liberdade condicional foram alteradas, de forma a que ele possa dormir em Londres nos dias em que a sua extradição será decidida. O juiz decidiu que nas noites de 6 e 7 de Fevereiro, Assange poderá residir no Frontline Club de Londres, um clube de jornalistas fundado pelo seu amigo Vaughan Smith, que também é proprietário da casa de campo onde o porta-voz da WikiLeaks mora desde que lhe foi concedida liberdade condicional.

“O nosso trabalho com a WikiLeaks não diminuiu e estamos a ampliar a publicação de assuntos relacionados ao “cablegate” e outros materiais”, disse à porta do tribunal.

Os advogados de Assange anunciaram a intenção de esgotar todos os recursos para evitar a sua extradição para a Suécia. Eles contestam o pedido de extradição com base em vários argumentos:

·        O procurador sueco não tem autoridade para emitir uma ordem de prisão europeia neste caso;

·        Procura-se obter a extradição com um objetivo incorreto – interrogar, e não processar;

·        Os crimes não são de extradição:

·        O procurador sueco cometeu abusos, nomeadamente ter dito à imprensa que Assange é suspeito de violação, ter-se recusado a interrogá-lo nas datas em que Assange estava na Suécia e se disponibilizou, e a recusa de atender aos pedidos que as provas contra ele estivessem em inglês;

·        Finalmente, a defesa argumenta que há um risco de Assange ser extraditado da Suécia para os EUA, o que violaria o artigo 3 da Convenção europeia sobre direitos humanos.

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, confirmou recentemente que o departamento de Justiça procurava vias legais para processar Assange, a quem qualificou de "terrorista de alta tecnologia".

Em Abril, deve ser posta à venda a versão em inglês de um livro autobiográfico de Assange.

“Não queria escrever este livro, mas tenho de fazê-lo. Gastei umas 200.000 libras em custas legais e tenho que me defender, bem como garantir a sobrevivência da WikiLeaks”, declarou.

Extraído do WikiFugas – Esquerda.net

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

EUA intimam Twitter a fornecer dados da WikiLeaks

Intimação atinge colaboradores, incluindo uma deputada islandesa. Facebook e Google podem também ter sido intimados. Governo islandês pede explicações a embaixador dos EUA.

ARTIGO | 10 JANEIRO, 2011 - 02:41

A deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir
O pedido inclui a informação detalhada das contas do Twitter, como mensagens privadas, acessos de IP, e-mails, moradas, contas bancárias e cartões de crédito de Julian Assange e de Bradley Manning, da deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir, e dos ativistas da WikiLeaks Jacob Appelbaum e Rop Gonggrijp.

A intimação foi emitida em 14 de Dezembro, dava um prazo de três dias ao Twitter para que fosse cumprida e impedia a empresa de revelar fosse o que fosse aos visados. O Twitter, porém, apelou, pedindo que os visados fossem notificados e tivessem um prazo de dez dias para se pronunciarem. O tribunal acedeu, e só assim a intimação foi tornada pública.

Facebook e Google também foram intimados?

Em comunicado, a WikiLeaks afirmou que a intimação é parte de uma investigação secreta de Washington por espionagem. "Se o governo iraniano tentasse mediante coerção obter informação sobre jornalistas e ativistas estrangeiros, os grupos de direitos humanos ao redor do mundo pronunciar-se-iam a esse respeito", afirmou a nota.

Como a abrangência do caso parece grande e a WikiLeaks só foi informada pelo Twitter, a organização suspeita que outras redes sociais também estejam a ser sendo intimadas a revelar informações sigilosas dos seus clientes. Assim, a WikiLeaks pediu que Facebook e Google revelem "qualquer intimação que tenham recebido da Justiça americana”.

 Ögmundur Jónasson
Reação da Islândia

O ministro do Interior da Islândia, Ögmundur Jónasson, considerou que o pedido de fornecimento dos dados privados da deputada islandesa Birgitta Jónsdóttir é "muito estranho e grave."

"Claro que é um assunto muito sério. Ela é deputada do Parlamento islandês e, além disso, também é membro da comissão de Relações Exteriores do Parlamento".

E prosseguiu: "As informações da WikiLeaks apenas atingiram pessoas que trabalham nos bastidores. Acho que se conseguirmos fazer um governo transparente e dar a todos uma percepção do que está a acontecer em países envolvidos em guerra, só pode ser para o bem”.

Oessur Skarphedinsson
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros islandês, Oessur Skarphedinsson, não é aceitável a atitude das autoridades dos EUA. "De acordo com os documentos que vi, um parlamentar da Islândia está a ser investigado num caso criminal nos Estados Unidos por nenhuma razão", disse Skarphedinsson à rádio pública.

"É intolerável que um representante eleito esteja a ser tratado assim", disse. O governo islandês pediu explicações ao embaixador dos EUA.

A deputada islandesa viaja na terça para o Canadá, para participar de um seminário, e disse que precisa saber se é seguro viajar para o exterior. "Eu não sei se posso ir para os EUA, sem arriscar que o meu telefone ou o computador sejam confiscados."