segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Santa Cruzada de Santo Obama

23/9/2014, [*] Manlio Dinucci, Il Manifesto, It. (em Global Research)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama
“Que Deus abençoe nossos soldados. Que Deus abençoe os Estados Unidos da América”. Com essas palavras (convidamos o papa Francisco a comentá-las), termina a solene “Declaração sobre o ISIS/ISIL”, com a qual o presidente Barack Obama, metido no fraque de “comandante-em-chefe”, dirigiu-se na 4ª-feira, 10/9/2014, não só aos seus concidadãos, mas ao mundo inteiro.

“Os EUA”, explica Obama, fazem jus às bênçãos, “porque assumem as tarefas mais difíceis, a começar pela “responsabilidade de exercer a liderança”. Num “mundo incerto” como o nosso atual mundo, “a liderança pelos EUA é a única constante”. De fato, só “os EUA” têm “a capacidade e a vontade de mobilizar o mundo contra os terroristas”. “Os EUA” foi quem “reuniu o mundo contra a agressão russa”. “Os EUA” é quem “pode conter e eliminar a epidemia de ebola”.

Em tom que faz pensar em pregador medieval do tempo da peste – e pondo “a agressão russa” no mesmo plano que a epidemia de ebola – o presidente dos EUA proclama a nova cruzada contra o “Estado Islâmico no Iraque e Levante [Síria] (ISIS/ISIL), advertindo que “será preciso tempo para erradicar um câncer como este”. Apesar de tudo que os EUA fizeram até agora para combater o terrorismo, Obama insiste, “continuamos a enfrentar uma ameaça terrorista” porque “não podemos apagar do mundo todos os rastros do Mal”.

Com essa advertência, que faz recordar as cruzadas do Republicano Ronald Reagan contra “o Império do Mal” (a URSS) e do também Republicano George W. Bush contra “o inimigo escondido em algum rincão escuro da Terra” (al-Qaeda), o Democrata Obama anunciou “a estratégia dos EUA para vencer o ISIS/ISIL”, estratégia constituída de quatro pontos:

● — Uma campanha sistemática de ataques aéreos contra o ISIS/ISIL”, na Síria e no Iraque.
● — Crescente apoio às forças que combatem o ISIS/ISIL em campo”: com a diferença, em relação às intervenções anteriores no Iraque e no Afeganistão, dessa vez os EUA não enviarão forças terrestres, só conselheiros e instrutores (mais 475 chegarão em breve ao Iraque). Também haverá financiamento e armas para os “locais”, graças ao Congresso dos EUA que aprovou uma lei ad hoc: para forças iraquianas e curdas e, na Síria, para grupos que combatem contra “o regime de Assad que aterroriza o próprio povo” e contra “extremistas como o ISIS/ISIL”.
● — Continuar aproveitando nossas consideráveis capacidades em matéria de antiterrorismo para impedir ataques do ISIS/ISIL”, o que se conseguirá trabalhando em contato estreito com os parceiros – Israel, por exemplo, que já se ofereceu para compartilhar a informação recolhida por seus próprios serviços de inteligência.
● — “Prestar assistência humanitária a civis inocentes expulsos de suas casas” pelo ISIS/ISIL.

John Kerry, Secretário de Estado dos EUA
Os EUA já montaram “ampla coalizão de associados” que aportam “bilhões de dólares em ajuda humanitária, armas e apoio às forças de segurança iraquiana e à oposição síria”. Nos próximos dias o Secretário de Estado, John Kerry, viajará ao Oriente Médio e Europa para “recrutar associados para essa luta”.

O que o governo Obama anunciou não é estratégia que o presidente teve de autorizar depois de ter subestimado a ameaça do Emirado Islâmico – segundo versão que os jornais da imprensa-empresa não se cansam nunca de repetir – mas estratégia que já está traçada há anos.

Como já se comprovou amplamente, os primeiros focos do futuro Emirado Islâmico formaram-se quando, para derrubar Gaddafi na Líbia – em 2011 – a OTAN – obedecendo ordens dos EUA – pôs-se a financiar e armar grupos jihadistas até pouco antes considerados terroristas. Depois de ter ajudado a derrubar Gaddafi, aqueles jihadistas mudaram-se para a Síria, para derrubar Assad. E é na Síria, em 2013, onde nasce o Emirado Islâmico, que imediatamente passou a ser ajudado, através de Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Turquia e Jordânia, que também fornecem armas e dinheiro, no quadro de um amplo programa coordenado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA).

Em maio de 2013, um mês depois de ter fundado o Estado Islâmico no Iraque e Levante, Ibrahim al-Badri – o hoje Califa, que adotou o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi –  reúne-se na Síria com o senador John McCain, a quem Obama entregou a execução de várias operações secretas para o governo dos EUA. Depois daquela reunião, o Estado Islâmico, ainda então chamado apenas  ISIL, começou sua ofensiva no Iraque, no preciso instante em que o governo do primeiro-ministro al-Maliki distanciava-se de Washington, para aproximar-se de China e Rússia.

John McCain reunido com terroristas na Síria incluindo Abu Bakr al-Baghdadi (no círculo vermelho) em maio de 2013

John McCain (clandestino), na Síria(maio-2013). Em primeiro plano, à direita, vê-se Mouaz Moustafa, diretor da Força Tarefa de Emergência terrorista treinado pelos EUA e “expert” do Instituto Washington para a Política do Oriente Médio, um think-tank sionista. Na porta, ao centro, é Mohammad Nour, da al-Qaeda, sequestrador 11 peregrinos.
O verdadeiro objetivo da Santa Cruzada de Santo Obama é destruir a Síria e reocupar o Iraque. Por outro lado, ao implicar seus aliados europeus numa nova frente de guerra no Oriente Médio, e também na frente oriental contra a Rússia, os EUA reforçam a própria influência sobre a União Europeia, cuja unidade só interessa a Washington, se o continente se mantiver sob a liderança dos EUA. 
_____________________________

[*] Manlio Dinucci é geógrafo e geopoliticólogo italiano. Últimas publicações:  Geocommunity Ed. Zanichelli 2013; Geografia del ventunesimo secolo, Zanichelli 2010;  Escalation. Anatomia della guerra infinita, Ed. Derive Approdi 2005.

O império anglo-sionista está em guerra contra a Rússia (Parte 1 de 2)

27/9/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A Rússia está hoje oficialmente sob a mira do Império Anglo-Sionista que inclui, não só três países nuclearizados (EUA, Reino Unido e França), como também a mais poderosa força militar do planeta (EUA+OTAN) e as maiores economias do mundo (EUA+União Europeia). Acho que todos concordamos que a ameaça gerada por esse Império Anglo-Sionista não é ameaça trivial; e que a Rússia acerta ao lidar muito cuidadosamente com ela.


The Saker
O contexto: a dupla declaração de guerra

Se se ouve Poroshenko há alguns dias e, na sequência, se se ouve Obama na Assembleia Geral da ONU, não há dúvida possível: o Império Anglo-sionista está em guerra contra a Rússia. Mas para muitos a resposta russa a essa realidade tem sido inadequada. E há também fluxo sustentado de acusações contra Putin sobre políticas para enfrentar a crise na Ucrânia.

Nesse postado, proponho-me a oferecer alguns lembretes básicos sobre Putin, suas obrigações e suas opções.

Em primeiro lugar e mais importante, Putin não foi eleito para a função de policial global ou salvador do mundo: só foi eleito para presidir a Rússia. Parece óbvio, mas muitos parecem assumir que, de algum modo, Putin estaria moralmente obrigado a fazer algo para proteger a Síria, a Novorússia ou qualquer outra região desse nosso atormentado mundo. Nada disso.

Sim, é verdade que a Rússia é o líder de facto dos países BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai, e a Rússia aceita esse fato, mas Putin tem o dever legal e moral de cuidar, primeiro, do povo russo.

Em segundo lugar, a Rússia está hoje oficialmente sob a mira do Império Anglo-Sionista, que inclui, não só três países nuclearizados (EUA, Reino Unido e França), como também a mais poderosa força militar do planeta (EUA+OTAN) e as maiores economias do mundo (EUA+União Europeia). Acho que todos concordamos que a ameaça gerada por esse império anglo-sionista não é ameaça trivial; e que a Rússia acerta ao lidar muito cuidadosamente com ela.

Mirar Putin e errar o alvo

Agora, estranhamente, muitos dos que acusam Putin de ser tímido e lento, ou traidor ou Pollyanna ingênua, também esbravejam que o ocidente está preparando guerra nuclear contra a Rússia. Se é realmente o caso, é preciso perguntar: se há risco real de guerra, nuclear ou não, Putin não estará fazendo a coisa certa ao não agir de modo intransigente ou ameaçador? Alguns dirão que o Ocidente irá à guerra, faça Putin o que fizer. OK, é bem possível; mas, nesse caso, ganhar o maior tempo possível antes que o inevitável aconteça não será, precisamente, a coisa mais certa a fazer?!

Em terceiro lugar, sobre a questão dos EUA versus ISIL, muitos comentários aqui nesta webpage acusaram Putin de ter apunhalado Assad pelas costas, porque a Rússia apoiou a proposta dos EUA no Conselho de Segurança da ONU.

E o que Putin deveria ter feito?! Mandar a Força Aérea russa para a Síria, defender a fronteira síria? E Assad? Por acaso despachou sua própria Força Aérea para deter os EUA, ou calmamente propôs um acordo: bombardeiem “eles”, não nós; e me comprometo a protestar, mas não fazer coisa alguma contra vocês? Bem obviamente escolheu essa segunda via.

De fato, Putin e Assad têm exatamente a mesma posição: protestar contra o caráter unilateral dos ataques; exigir Resolução na ONU; e, assistir com calma ao Tio Sam atirar contra suas próprias criaturas e, agora, tentar destruí-las.

Sergey Lavrov - MRE da Rússia
Eu ainda acrescentaria que Lavrov já disse, com extrema lógica, que ali não há “bons terroristas”. Ele sabe que o ISIS/ISIL nada é além de uma continuação da insurgência síria que os EUA criaram, ela própria uma continuação da al-Qaeda, que os EUA também criaram. De um ponto de vista russo, a escolha é simples: o que é melhor, que os EUA usem suas forças e homens para matar os doidos wahabistas, ou ser Assad a ter de matá-los? E se o ISIS/ISIL for bem sucedido no Iraque, quanto tempo demorará até que voltem à Chechênia? Ou à Crimeia? Ou ao Tartarstão? Por que arriscar a vida de soldados russos ou sírios, se lá está a Força Aérea dos EUA, tão disposta fazer o serviço, por nós?

Há uma doce ironia no fato de que os EUA tenham agora de bombardear sua própria criatura; que bombardeiem. Assad foi avisado, embora não formalmente nem pela via e da forma legal, e obviamente nada tem contra os ataques contra o ISIS/ISIL.

Finalmente, com ONU ou sem ONU, os EUA já tomaram a decisão de bombardear o ISIS/ISIL. Que sentido teria bloquear uma Resolução da ONU que nada tinha de errado? Seria autoderrotar-se. De fato, essa Resolução pode até ser usada pela Rússia para impedir que EUA e Reino Unido sirvam como base de retaguarda para extremistas wahabista (a Resolução proíbe, e é Resolução cogente, nos termos do Capítulo VII, do Conselho de Segurança da ONU).

Pois mesmo com tudo isso, alguns ainda dizem que Putin jogou Assad debaixo do ônibus. É preciso ser doido ou estúpido, para supor que guerra e política funcionem desse modo, mas, se Putin quisesse jogar Assad debaixo do ônibus, por que não fez isso, no ano passado?

[...]

De fato, entendo que haja três fenômenos bem diferentes que se manifestam todos ao mesmo tempo:

1) Uma campanha organizada para insultar e desqualificar Putin, iniciada por ramos dos governos de EUA e Reino Unido cuja missão é manipular a opinião pública pela imprensa-empresa em geral.

2) Um movimento espontâneo para insultar e desqualificar Putin, conduzida por círculos nacionais-bolcheviques russos (Limonov, Dugin & Co.).

3) A expressão de sinceros incômodo, irritação e frustração, por gente bem intencionada, para quem a atual posição da Rússia realmente não faz sentido algum.

O restante desse postado será inteiramente dedicado a tentar explicar a posição da Rússia a quem se enquadre nesse 3º grupo (não há diálogo racional possível com os grupos 1 e 2 acima).


Tentando entender uma política aparentemente ilógica

Na introdução acima, eu disse que o que já se vê é guerra contra a Rússia, não é (ainda?) guerra quente, mas tampouco é guerra ao estilo da velha Guerra Fria. Essencialmente, o que os anglo-sionistas estão fazendo é bem claro e vários comentaristas russos chegaram a essa conclusão: os EUA estão em guerra contra a Rússia, razão pela qual lutarão até o último ucraniano.

Assim sendo, do ponto de vista do Império, nenhum “sucesso” será jamais definido em disputa que tenha a ver com a Ucrânia, porque, como já disse, não é a Ucrânia que está em disputa nessa guerra (não é guerra pela Ucrânia). Para o Império, “sucesso” só haverá quando o Império alcançar um específico resultado na Rússia: uma mudança de regime. Examinemos como o Império planeja alcançar esse resultado.

O plano original era simplório, típico do modo como os neoconservadores norte-americanos planejam seus golpes: derrubar Yanukovich; meter a Ucrânia na União Europeia e na OTAN; mover politicamente a fronteira da OTAN até a fronteira russa; e, militarmente, entrar na Crimeia. Esse plano fracassou. A Rússia aceitou a reincorporação da Crimeia na Federação Russa, e a Ucrânia colapsou numa terrível guerra civil acoplada a crise econômica terminal. Os neoconservadores dos EUA ficaram com o Plano B.

O Plano B também era simplório: empurrar a Rússia para intervenção militar no Donbass; e usar a intervenção resultante como pretexto para uma Guerra-Fria versão 2, com tensões ao estilo dos anos 1950s entre Leste e Oeste, políticas de indução ao medo em todo o ocidente; e rompimento total de todos os contatos comerciais entre Rússia e União Europeia. Ruim foi que esse plano também falhou.

A Rússia não mordeu a isca e, em vez de intervir diretamente no Donbass, iniciou massiva operação clandestina de apoio a forças antinazistas na Novorússia. O plano russo, sim, funcionou; e as Forças de Repressão da Junta (FRJ) neonazista em Kiev foram fragorosamente derrotadas pelas Forças Armadas da Novorrússia (FAN), apesar de as forças novorussas, no início, sofrerem de grave inferioridade de poder de fogo, equipamento, especialistas e soldados (gradualmente, a ajuda não oficial dos russos inverteu essa correlação de forças).

Nesse momento, a plutocracia anglo-sionista realmente enlouqueceu, no momento em que percebeu que seu plano caía em cacos e que nada havia que pudesse ser feito para resgatá-lo (uma opção militar era totalmente impossível, como já expliquei). Tentaram sanções econômicas, mas elas só conseguiram empurrar Putin na direção de reformas já necessárias há muito tempo. Mas o pior de tudo foi ver que, cada vez que o ocidente esperava que Putin fizesse algo, ele fazia exatamente o contrário:

  • Ninguém esperava que Putin usasse força militar na Crimeia; ele usou, em operação-relâmpago que já entrou para a história como, no mínimo, tão excelentemente concebida e executada quanto a operação Storm-333.
  • Todo mundo (inclusive eu) esperava que Putin enviasse forças para a Novorússia. Ele não enviou.
  • Ninguém esperava que contrassanções russas ferissem tão duramente o setor agrícola da União Europeia.
  • Todo mundo esperava que Putin retaliasse depois da mais recente rodada de sanções. Ele não retaliou.

Vladimir Putin, o JUDOCA
Aqui se vê um padrão, que é básico em todas as artes marciais:

  • primeiro, jamais deixe ver suas intenções;
  • segundo, sirva-se de ardis e negaças; e
  • terceiro, ataque onde o adversário não preveja que será atacado.
Simultaneamente, há duas coisas profundamente inseridas na mentalidade política ocidental, que Putin jamais faz: ele jamais ameaça e jamais se exibe diferente do que é. Por exemplo, no mesmo momento em que os EUA já fazem guerra contra a Rússia, a Rússia não pensa duas vezes para votar a favor da resolução que os EUA propuseram sobre o ISIS/ISIL; se a resolução interessa à Rússia, ela não obstrui. Os diplomatas russos continuarão a falar de “nossos parceiros norte-americanos” e de “nossos amigos norte-americanos”, exatamente ao mesmo tempo em que estarão fazendo mais que todo o resto do planeta somado, para derrubar o Império Anglo-Sionista.

Rápida passada de olhos no currículo de Putin

Como já escrevi, diferente de outros blogueiros e comentaristas, não sou nem adivinho nem profeta, e não posso saber o que Putin pensa ou o que fará amanhã. Mas posso, sim, dizer o que Putin fez no passado (não necessariamente na ordem da lista abaixo):

  • Quebrou a espinha dorsal da oligarquia russa apoiada pelos anglo-sionistas;
  • Alcançou sucesso realmente miraculoso na Chechênia (que ninguém, nem os adivinhos nem os profetas, previram).
  • Literalmente conseguiu a ressurreição da economia russa.
  • Reconstruiu as forças militares, de segurança e da inteligência da Rússia.
  • Reduziu muitíssimo a capacidade de Organizações Não Governamentais (ONGs) mantidas por interesses estrangeiros, promover subversão na Rússia.
  • Fez mais pela des-dolarização do planeta que qualquer outro governante antes dele.
  • Pôs a Rússia na liderança dos dois grupos: BRICS e Organização de Cooperação de Xangai.
  • Desafiou abertamente o monopólio informacional da máquina de propaganda que é a imprensa-empresa ocidental (com projetos como RussiaToday).
  • Fez parar um ataque iminente de EUA/OTAN contra a Síria, enviando para lá uma Força Expedicionária da Marinha Russa (o que garantiu à Síria cobertura por radar de absolutamente toda a região).
  • Tornou possível, para o presidente Assad, assumir o controle, na guerra civil síria.
  • Rejeitou abertamente o “modelo civilizacional universal” e declarou seu apoio a outro, um modelo baseado na religião e na tradição.
  • Rejeitou abertamente uma “Nova Ordem Mundial” unipolar e comandada pelos anglo-sionistas, e declarou seu apoio a uma ordem mundial multipolar.
  • Apoiou Assange (através de RussiaToday) e garantiu proteção a Snowden.
  • Criou e promoveu um novo modelo de aliança entre o Cristianismo e o Islã, pondo abaixo, com isso, o paradigma do “choque de civilizações”.
  • Chutou os anglo-sionistas para fora de locações chaves no Cáucaso (Chechênia, Ossetia).
  • Chutou os anglo-sionistas para fora de locações chaves na Ásia Central (base de Manas no Quirguistão).
  • Deu à Rússia os meios para defender seus interesses na região Ártica, inclusive meios militares.
  • Estabeleceu uma aliança estratégica de pleno espectro com a China, que é o coração dos BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai.
  • Está agora construindo e fazendo aprovar leis que impedem que interesses estrangeiros controlem a imprensa-empresa na Rússia.
  • Deu ao Irã os meios para desenvolver um muito necessário programa nuclear para finalidades civis.
  • Está trabalhando com a China para criar um sistema financeiro completamente separado do atualmente existente, que é controlado pelo Império Anglo-Sionista (incluindo o comércio em rublos ou renminbi).
  • Re-estabeleceu o apoio político e econômico da Rússia para Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Brasil, Nicarágua e Argentina.
  • Esvaziou muito efetivamente a “revolução colorida” pró-EUA na Rússia.
  • Organizou o “Voentorg” (caminho pelo qual foi possível armar as Forças Armadas da Novorússia).
  • Garantiu refúgio a centenas de milhares de refugiados ucranianos.
  • Enviou e fez chegar ao destino a ajuda humanitária de que a Novorússia precisava vitalmente.
  • Proveu suporte de fogo russo direto e, talvez, também cobertura aérea às Forças Armadas da Novorússia em locações cruciais (no “caldeirão sul”, por exemplo).
  • Por fim, mas não menos importante, falou abertamente sobre a necessidade de a Rússia se “soberanizar” e impor-se contra a 5ª coluna pró-EUA...
(...) e a lista continua e continua. O que estou querendo ilustrar é que há muitas e fortes razões para o ódio que Putin inspira ao Império Anglo-Sionista: é uma longa folha de serviços prestados, de luta efetiva e bem-sucedida contra, precisamente, o Império Anglo-Sionista.

Assim sendo, a menos que assumamos que Putin tenha sofrido alguma transmutação profunda, ou que perdeu completamente ou a energia ou a coragem, parece-me absolutamente irracional qualquer noção de que teria invertido a direção de tudo que fez ao longo de toda a vida. É preciso tentar explicá-las, mas, como tentarei a seguir, todas as atuais políticas de Putin fazem completo (e o mesmo) sentido de todos os seus feitos e ações acima listados.

Se você é do grupo dos “Putin-traiu-a-Novorússia”, por favor suspenda sua crença por um instante e, só para que seja possível argumentar, assumamos que Putin age por princípios e logicamente. O que, afinal, ele poderia estar fazendo na Ucrânia? Que sentido se pode extrair do que se observa?


Imperativos que a Rússia não pode ignorar

Considero indiscutível a sequência seguinte:

  • Primeiro, a Rússia tem de vencer a guerra em curso que o Império Anglo-Sionista faz contra ela. O que o Império quer ver é mudança de regime na Rússia, seguida de completa absorção do país na esfera ocidental de influência com, muito provavelmente, a pulverização da Rússia. O que está sob ameaça é a própria existência da civilização russa.
  • Segundo, a Rússia jamais estará segura, se houver um regime neonazista russofóbico no poder em Kiev. Os doidos nacionalistas Ukies já provaram que é impossível negociar com eles (desrespeitaram literalmente todos os acordos assinados até agora); odeiam a Rússia com ódio total (como se comprova nas repetidas referências ao uso de – hipotéticas – armas atômicas contra a Rússia). Assim sendo:
  • Terceiro, mudança de regime em Kiev, seguida de total des-nazificação, é a única maneira possível de a Rússia alcançar seus objetivos vitais.

Aleksandr Dugin
Mais uma vez, e mesmo correndo o risco de minhas palavras serem distorcidas e desvirtuadas, tenho de repetir aqui que não é a Novorússia que está em jogo aqui. Não se trata, sequer, do futuro da Ucrânia. O que está em jogo aqui é um confronto planetário (é a tese de [Aleksander] Dugin [1]  com a qual concordo integralmente).

O futuro do planeta depende da capacidade de os países BRICS/OCX substituírem o Império Anglo-Sionista por outra ordem internacional multipolar, muito diferente da atual. A Rússia é crucial e indispensável nesse esforço (qualquer esforço desse tipo, sem a Rússia, está condenado a fracassar); e o futuro da Rússia está sendo decidido agora, pelo que a Rússia venha a fazer na Ucrânia. Quanto ao futuro da Ucrânia, depende, em enorme medida, do que aconteça à Novorússia, mas não exclusivamente. Paradoxalmente, a Novorússia é mais importante para a Rússia que para a Ucrânia. Explico por quê.

[Continua]


Nota dos tradutores
[1] Simplesmente NÃO HÁ na internet, em língua portuguesa, sequer UMA ÚNICA PÁGINA que ofereça informação confiável sobre quem seja esse Aleksandr Dugin. Para começar a entender por quê, pode-se ler uma página de Portugal, ou, então, o surto de Olavo de Carvalho, de “Mídia sem Máscara”.

EUA: Guerra ao ISIS/ISIL é cortina de fumaça para guerra contra Síria e Irã

26/9/2014, [*] Mahdi Darius NAZEMROAYA, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

ISIS/ISIL armado e mantido pelos EUA
A chamada “ameaça” do ISIS/ISIL [ing. para “Estado Islâmico no Iraque e Levante”], ou Estado Islâmico (EI) é cortina de fumaça. A força do ISIS/ISIL foi deliberadamente inflada para conquistar apoio público para o Pentágono e justificar o bombardeio ilegal contra a Síria. Está também sendo usada para justificar a mobilização do que a cada dia mais claramente se vê que é montagem de ataque militar de grande escala liderado pelos EUA no Oriente Médio. O poder de fato e contingentes militares que estão sendo mobilizados excedem em muito o que seria necessário para combater simplesmente os esquadrões da morte do ISIS/ISIL.

Por mais que os EUA tentem convencer seus cidadãos e o mundo de que não haverá tropas em solo, é muito improvável que assim seja. É muito improvável, em primeiro lugar, porque é indispensável que haja coturnos em solo para monitorar e selecionar alvos. Além do mais, Washington vê a campanha contra os combatentes do ISIS/ISIL como guerra que durará anos. É puro duplifalar. O que está sendo imposto à opinião pública norte-americana e mundial é deslocamento militar permanente; no caso do Iraque é redeslocamento para lugar que os EUA já invadiram e ocuparam em 2003. A força militar que está sendo mobilizada nesse caso pode, em todos os casos, ser convertida em forças de assalto gigante contra Síria, Irã e Líbano.

Diálogo de segurança EUA-Síria e EUA-Irã?

Antes do início dos bombardeios dos EUA na Síria, circularam boatos não confirmados de que Washington teria iniciado um diálogo com Damasco, através de canais russos e iraquianos, para discutir coordenação militar e a campanha do Pentágono de bombardeio em território sírio. Ideia absolutamente impensável e completamente improvável. Agentes de confusão operavam em tempo integral para tentar dar qualquer legitimidade ao bombardeio contra a República Árabe Síria.

As “notícias” de cooperação EUA-Síria com intermediação de russos e iraquianos são parte de uma série sinistra de desinformação e contrainformação. Antes de surgirem as “notícias” sobre cooperação entre EUA e Síria, circularam “notícias” sobre cooperação EUA-Irã no Iraque.

Mais cedo, Washington e a mídia norte-americana haviam tentado dar a impressão de que haveria algum acordo para cooperação militar entre os EUA e Teerã, para combater contra oISIS/ISIL e cooperarem dentro do Iraque. As “notícias” foram amplamente refutadas nos termos mais incisivos por vários membros do establishment político iraniano e também por comandantes iranianos de alta patente, como simples campanha de desinformação.

Depois que os iranianos indicaram claramente que as declarações de Washington não passavam de ficção, os EUA começaram a dizer que não seria adequado para o Irã unir-se à coalizão anti-ISIS/ISIL. O Irã retrucou. Washington estava outra vez distorcendo os fatos; a verdade é que funcionários dos EUA várias vezes pediram que Teerã se integrasse à coalizão anti-ISIS/ISIL.

Ainda antes de deixar o hospital depois de passar por uma cirurgia na próstata, o Aiatolá Ali Khamenei, o mais alto governante do Irã, disse à televisão iraniana, dia 9/9/2014, que os EUA haviam solicitado em três diferentes ocasiões, que Teerã cooperasse com Washington. Explicou que o embaixador dos EUA no Iraque fizera chegar mensagem ao embaixador do Irã no Iraque, solicitando que o Irã se unisse aos EUA naquele momento. Depois – palavras do Aiatolá Khamenei – “o mesmo [John Kerry] — que havia dito frente às câmeras e aos olhos de todo o mundo, que os EUA não queriam a cooperação do Irã – pediram através do Dr. Zarif que o Irã cooperasse com os EUA nessa questão. O Dr. Zarif negou-se a atender o pedido”. E o pedido foi repetido pela subsecretária norte-americana Wendy Sherman, ao vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

Khamenei também disse que já descartara categórica e absolutamente qualquer cooperação com Washington nessa questão. “Absolutamente não cooperaremos com os EUA, especialmente porque as mãos dos EUA estão sujas” – repetiu o Aiatolá publicamente, ao explicar que não havia qualquer dúvida de que Washington tem as intenções mais perversas no Iraque e na Síria.

Como a Rússia, o Irã já apoia a Síria e o Iraque contra o ISIS/ISIL. Também como Moscou, Teerã luta contra os terroristas, mas não se integrará a coalizão anti-ISIS/ISIL de Washington.

Nova(s) invasão(ões) e golpe(s) para Mudança de Regime no entorno do óleogasoduto?

Oleogasoduto Irã-Iraque-Síria (linhas amarelas)
Como se disse dia 20/6/2014, aos olhos de Washington era indispensável remover o governo federal de Nouri Al-Malaki em Bagdá, porque se recusava a unir-se ao cerco contra os sírios comandando pelos EUA; porque se mantinha aliado ao Irã; porque continuava a vender petróleo aos chineses; e a comprar armas da Federação Russa. A decisão do Iraque de Al-Maliki de integrar-se ao óleogasoduto Irã-Iraque-Síria também criava dificuldades contra os objetivos dos EUA e aliados, de [1] 

(I) controlarem todo o fluxo de energia no Oriente Médio; e
(II) impedir a integração da Eurásia.  

O governo de Al-Maliki cometeu também dois outros pecados capitais em Bagdá, pela avaliação dos EUA. Mas essas ofensas, para serem bem compreendidas, têm de ser postas em contexto geopolítico.

Ninguém esqueceu a frase de propaganda criada no governo de Bush Filho depois do 11/9 e no início de suas guerras seriais:

“Qualquer um vai para Bagdá; homem que é homem vai para Teerã”.

O xis da questão dessa frase belicista, construída como slogan de propaganda, é que Bagdá e Damasco já então eram vistas pelo Pentágono como rotas possíveis que levariam a Teerã. [2]

Como no caso da Síria, os pecados mortais de Al-Maliki também estavam relacionados a impedir o caminho dos EUA até Teerã.

Primeiro, o governo do Iraque expulsou o Pentágono do Iraque no final de 2011, com o que removeu as tropas norte-americanas plantadas exatamente na fronteira oeste do Irã.

Segundo, o governo federal iraquiano trabalhava para expulsar do Iraque militantes iranianos que se opõem ao governo iraniano e para fechar o Camp Ashraf, que sempre poderia ser usado em guerra ou em operações para mudança de regime contra o Irã.

Iraque, localização do Camp Ashraf
Ashraf serviu como base para a ala militar dos Mujahidin-e-Khalq (MEK/MOK/MKO) com base no Iraque. O grupo MEK é organização de iranianos antigoverno, que trabalha a favor do golpe para mudança de regime em Teerã. Já declarou apoio aos ataques liderados pelos EUA contra Irã e Síria.

Embora oficialmente o governo dos EUA classifique os MEK como organização terrorista, Washington já começara a aprofundar os contatos com os MEK quando norte-americanos e britânicos invadiram o Iraque. Ironicamente (e mal intencionados) EUA e Grã-Bretanha usaram o apoio aos MEK para rotular o Iraque como estado patrocinador de terroristas (?!) e, também, para justificar a invasão anglo-norte-americana ao Iraque. Desde essa época, os EUA “alimentam” e mantêm os terroristas do MEK.

Desde 2003, os EUA financiam os MEK. Washington lhes dá proteção, porque quer conservá-los como instrumento a ser usado contra Teerã, ou para manter a opção de, algum dia, instalar o MEK no poder em Teerã, como parte de um golpe para mudança de regime contra o Irã. O MEK já foi, literalmente, incorporado na caixa de ferramentas do Pentágono e da CIA contra Teerã. Mesmo quando os EUA transferiram o controle do Camp Ashraf para o governo de Bagdá, o Pentágono manteve forças suas entre os MEK.

Eventualmente, as forças do MEK seriam, na maioria, realocadas em 2012 para a antiga base dos EUA conhecida como Acampamento Liberty. Esse Acampamento Liberty é hoje mais conhecido por um nome árabe, Acampamento Hurriya.

Scott Peterson, diretor da sucursal de Istambul do Christian Science Monitor, explica como funcionários dos EUA começaram a realmente apoiar os MEK no início da “Primavera Árabe” de 2011. É projeto também ligado aos sonhos de Washington, de golpe para mudança de regime. Peterson escreveu que funcionários do governo dos EUA “raramente mencionam o passado violentamente anti-EUA dos MEK, e falam do grupo não como terroristas, mas como combatentes da liberdade com “valores iguais aos nossos”, como “democratas à espera” de poderem servir como uma vanguarda para mudança de regime no Irã”. [3]

Washington não abandonou os sonhos de golpe para mudança de regime em Teerã

Washington não abandonou os sonhos de golpe para mudança de regime em Teerã. Seria coincidência que esteja aumentando o apoio que EUA e União Europeia dão hoje aos MEK, sobretudo quando a ameaça do ISIS/ISIL dentro do Iraque começa a ser comentada e noticiada publicamente?

600 deputados e políticos de quase todos os países da OTAN foram levados para participar de uma grande reunião dos MEK dia 27/6/2014, no nordeste da capital francesa, no subúrbio de Villepinte, que convocou para o golpe de mudança de regime no Irã. Os tipos mais conhecidos pela dedicação com que trabalham pró mais e mais guerras no mundo (o ex-senador dos EUA, Joseph Lieberman; o porta-voz e apologista de Israel, Alan Dershowhitz; o ex-funcionário do governo de Bush Filho e “especialista” contratado da Fox News, John Bolton; o ex-prefeito de New York, Rudy Giuliani; o ex-ministro francês e chefe da Missão Provisória da ONU para governo do Kosovo (UNIMIK), Bernard Kouchner; todos esses se reuniram com o MEK para promover o golpe para mudança de regime no Irã, e, claro, mais guerra. O que é o MEK? Assista vídeo a seguir - em inglês;  entrevista com Webster Tarpley:


Segundo o MEK, mais de 80 mil pessoas compareceram ao comício para promover a mudança de regime no Irã. Lá estavam também militantes da oposição no Iraque e Síria; todos, a pedir “mudança de regime” também no Irã.

A ironia do “evento” é que o dinheiro foi fornecido, praticamente todo, pelos EUA, com alguma contribuição dos aliados. Os gastos foram, sobretudo, para as iniciativas de lobby desse MEK no Congresso dos EUA e no Departamento de Estado, o que, de fato, não passa de “reciclagem” de dinheiro. Gente como Ruddy Giuliani – provavelmente um dos mais odiados prefeitos da história da cidade de New York, até que usou a favor da própria imagem os eventos trágicos do 11/9/2001 – trabalham hoje, de fato, como lobbyistas para o MEK. “Muitos desses ex-altos funcionários do governo dos EUA – que representam todo o pleno espectro político – têm recebido dezenas de milhares de dólares só para falar bem do MEK”, segundo o Christian Science Monitor. [4]

Giuliani vive a discursar em eventos pró MEK pelo menos desde 2010. Em 2011, falou num comício do MEK que promovia o golpe para mudança de regime em Teerã e Damasco. “E se fizéssemos, depois de uma Primavera Árabe, um Verão Persa?”, perguntou Giuliani, retórico. [5] E a sentença seguinte de Giuliani, na mesma ocasião, nada esconde sobre o que é, de fato, a iniciativa dos EUA de apoiar o MEK: “Precisamos de mudança de regime no Irã, ainda mais do que no Egito ou na Líbia, e tanto quanto na Síria”. [6]

Joseph Lieberman, amigo e parceiro na propaganda e promoção de guerras e mais guerras do senador John McCain não pôde viajar até o subúrbio parisiense em Seine-Saint-Denis, mas falou por vídeo, na reunião para mudança de regime. O Deputado Edward Royce Hello, presidente da Comissão de Assuntos Externos da Câmara de Deputados dos EUA, também falou por videoconferência a favor de mudança de regime no Irã. E o mesmo fizeram os senadores Carl Levin e Robert Menendez.

Alguns dos "notáveis" dos EUA em Villepinte,  sempre apoiando terroristas
Estavam presentes grandes delegações de EUA, França, Espanha, Canadá e Albânia. Além dos já mencionados, outros norte-americanos notáveis também participaram do comício de 27/6/2014, além de vários franceses e espanhóis igualmente notáveis, e de muito notáveis euro-atlanticistas.

A seguir lista de nomes dos principais participantes copiados da lista original (em inglês):

Estados Unidos:

1. Newt Gingrich, the former speaker of the lower chamber (House of Representatives) in the bicameral US Congress;
2. John Dennis Hastert; another former speaker of the House of Representatives;
3. George William Casey Jr., who commanded the multinational military force that invaded and occupied Iraq;
4. Hugh Shelton, a computer software executive and former chairman of the US Joint Chiefs of Staff;
5. James Conway, the former chief of the US Marine Corps
6. Louis Freeh, the former director of the Federal Bureau of Investigation (FBI);
7. Lloyd Poe, the US Representative who sits on (1) the US House Subcommittee on Europe, Eurasia, and Emerging Threats and chairs (2) the US House Subcommittee on Terrorism, Non‐proliferation and Trade;
8. Daniel Davis, a US Representative from Illinois;
9. Loretta Sánchez, a US Representative from California;
10. Michael B. Mukasey, a former attorney-general of the US;
11. Howard Dean, the former governor of Vermont;
12. William Richardson, the former secretary of the US Department of Energy;
13. Robert Torricelli, a former legislator in the US House of Representatives and the US Senate senator who is the legally representative of the MEK in Iraq;
14. Francis Townsend, former Homeland Security advisor to George W. Bush Jr.;
15. Linda Chavez, a former chief White House director;
16. Robert Joseph, the former US undersecretary that ran the (1) Bureau of Arms Control, Verification, and Compliance, (2) the Bureau of International Security and Nonproliferation, and the (3) Bureau of Political-Military Affairs;
17. Philip Crowley, the former assistant-secretary of state responsible for public affairs;
18. David Phillips, the military police commander who restructured the Iraqi police and was responsible for guarding Camp Ashraf and Saddam Hussein as a prisoner;
19. Marc Ginsberg, the senior vice-president of the public relations firm APCO Worldwide and former US ambassador and US presidential advisor for Middle East policy

Da França ao lado de Bernard Kouchner:

1. Michèle Alliot-Marie, a French politician who among her cabinet portfolios was responsible for the military and foreign affairs at different times; 
2. Rama Yade, vice president of the conservative Radical Party of France;
3. Gilbert Mitterrand, the president of the human rights foundation France Libertés, which has focused on ethnic groups such as Kurds, Chechens, and Tibetans;
4. Martin Vallton, the mayor of Villepinte.

Da Espanha:

1. Pedro Agramunt Font de Mora, the Spanish chair of the European People’s Party (EPP) and its allies in the Council of Europe;
2. Jordi Xucla, the Spanish chair of the Alliance of Liberals and Democrats for Europe (ALDE) Group in the Council of Europe;
3. Alejo Vidal-Quadras, a Spanish politician and one of the fourteen vice-presidents of the European Union’s European Parliament;
4. José Luis Rodriguez Zapatero, the former prime minister of Spain (who was also visibly accompanied by his wife Sonsoles Espinosa Díaz)/

De outros países:

1. Pandli Majko, the former prime minster of Albania;
2. Kim Campbell, the former prime minister of Canada
3. Geir Haarde, the former prime minister of Iceland;
4. Ingrid Betancourt, a former Colombian senator;
5. Alexander Carile, a member of the British House of Lords, the upper house of the British Parliament 
6. Giulio Maria Terzi, the former foreign minister of Italy;
7. Adrianus Melkert, a former Dutch cabinet minister, a former World Bank executive, and UN Secretary-General Ban Ki-moon’s former special envoy to Iraq.

E não se falou só de golpe para mudança de regime; fala-se também da crise nas regiões de fronteira no Iraque e na Síria. Fox News deu cobertura especial àquele evento do MEK. Em julho, a liderança do MEK havia condenado o apoio do Irã ao governo federal do Iraque em sua luta contra o ISIS/ISIL; depois que os EUA começaram a falar de combater ISIS/ISIL, calaram-se.

A comandante do grupo terrorista MEK, Maryan Rajavi com Ruddy Giuliani  em Villepinte
Antes do comício para promoção do golpe de mudança de regime, a líder dos MEK, Maryam Rajavi — que os MEK indicaram presidenta do Irã desde 1993 — até se encontrou com o líder-fantoche do Conselho Nacional Sírio, Ahmed Jarba, em Paris, dia 23/5/2014, para discutirem cooperação.

Golpe para mudança de regime em Damasco mediante “extensão - distorção” da “missão” na Síria

A campanha de bombardeio que os EUA iniciaram na Síria é ilegal e viola a Carta da ONU. Por isso o Pentágono tomou a providência de “declarar” que a campanha de bombardeio liderada pelos EUA seria necessária, por causa de ameaça de um ataque “iminente” que estaria sendo planejado contra o território dos EUA. Isso foi feito para dar alguma cobertura pseudo legal ao bombardeio contra território sírio, servindo-se do argumento, distorcido, de que o Artigo 51 da Carta da ONU permite que estado membro ataque legalmente outro estado, se houver ameaça de ataque iminente, por aquele país, contra membro da ONU.

Barack Obama e o governo dos EUA fizeram o possível para confundir encobrir a realidade mediante alguns passos tomados para fazer crer que seria legítimo violar a lei internacional e bombardear a Síria sem autorização de Damasco. A embaixadora dos EUA, Samantha Powers deu conhecimento ao representante permanente da Síria na ONU que os EUA atacariam o Governato de Al-Raqqa, informando Bashar Al-Jaafari mediante uma notificação unilateral, que absolutamente não significa que os EUA tivessem obtido o consentimento legal da Síria.

Os ataques norte-americanos contra a Síria não têm tampouco o apoio do Conselho de Segurança da ONU. Mas o governo dos EUA tentou fazer-crer que a reunião do Conselho de Segurança da ONU do dia 19/9/2014, que foi presidida por John Kerry seria sinal de que o Conselho de Segurança da ONU e a comunidade internacional estariam apoiando a campanha de bombardeamento contra a Síria.

Não foi tampouco por coincidência que, exatamente quando os EUA montavam sua coalizão multinacional para dar combate ao ISIS/ISIL e àquele pseudo-Califato, John Kerry mencione, convenientemente, que a Síria teria violado a Convenção das Armas Químicas (CAQ) [orig. Chemical Weapons Convention (CWC)]. Ao mesmo tempo em que admitia que a Síria não usou qualquer material proibido pela CAQ, Kerry, muito incoerentemente disse aos deputados, dia 18/9/2014, que Damasco teria desrespeitado a CAQ.

John Kerry - MENTIROSO
Em resumo, Washington já está dizendo absolutamente qualquer coisa, não importa o quando seja absurdo ou inverossímil, para dar início ao golpe para mudança de regime em Damasco. Se o já exposto até aqui não bastar para mostrar isso, o fato de que os EUA usarão território da Arábia Saudita para treinar ainda mais forças antigoverno sírio [7] com certeza o mostra.

Os EUA têm em vista uma campanha de bombardeio de longa duração, que também ameaça o Líbano e o Irã. Segundo o Aiatolá Ali Khamenei, os EUA planejam bombardear Iraque e Síria servindo-se do ISIS/ISIL como cortina de fumaça, seguindo o modelo já usado no Paquistão. Mais corretamente, seguindo o modelo do que os EUA chamavam “AfPak”. Os EUA usaram os efeitos da instabilidade que extravasaram do Afeganistão para o Paquistão, e a expansão dos Talibã, como pretexto para bombardearem o Paquistão. Iraque e Síria também já estão “unidos” numa só zona de conflito, para o qual Ibrahim Al-Marashi criou a neologia “Siriaque” [ing. “Syraq”].

O objetivo mais amplo: impedir a integração da Eurásia

Enquanto os EUA estão ocupados fingindo que combatem os mesmos esquadrões da morte e terroristas que criaram e armaram, os chineses e seu parceiros trabalhavam muito para integrar a Eurásia. Enquanto os EUA faziam sua Guerra Global ao Terror (GGaT), a Eurásia assistia à reconstrução da Rota da Seda. Isso, afinal, é a história de fundo e o verdadeiro motivo da insistência de Washington, que não para de manter guerras em cursos e criar mais e mais novas guerras e remobilizar todo o Oriente Médio. É a razão também pela qual os EUA só fazem empurrar a Ucrânia para um confronto com a Rússia; e é também a razão para as sanções da União Europeia contra a Federação Russa.

Os EUA tentam impedir a re-emergência da Rota da Seda e a expansão dessa rede comercial. Ao mesmo tempo em que Kerry só faz tentar apavorar as pessoas com ameaças doISIS/ISIL e suas atrocidades, os chineses só fizeram ampliar seus mapas com negócios e mais negócios por toda a Ásia e o Oceano Índico. É parte da marcha para o oeste, do dragão chinês.

Paralelamente às viagens de Kerry, o presidente da China, Xi Jinping, visitou o Sri Lanka e foi às Maldivas. Sri Lanka já é parte do projeto chinês da Rota Marítima da Seda. As Maldivas são mais recentemente chegadas ao mesmo projeto; construíram-se acordos para incluir a ilha-nação também na rede e na infraestrutura da Rota Marítima da Seda que a China dedica-se a construir para expandir o comércio marítimo entre o Leste da Ásia, o Oriente Médio, a África e a Europa. Também não é coincidência que os dois destróieres chineses ancorados no porto iraniano de Bandar Abbas no Golfo Pérsico estejam fazendo manobras conjuntas com naves de guerra iranianas no Golfo Pérsico.

Nursultan Nazarbayev e Hassan Rouhani fecharam acordos comerciais importantes
Paralela à rede leste-oeste, uma rede de comércio e transporte norte-sul está sendo também desenvolvida. O presidente Hassan Rouhani do Irã esteve no Cazaquistão recentemente, onde, com seu contraparte cazaque, Nursultan Nazarbayev, confirmaram que haverá desdobramentos comerciais importantes. Aguarda-se também a conclusão da estrada de ferro Cazaquistão-Turcomenistão-Irã, que criará uma rota de trânsito norte sul. E os dois presidentes também discutiram a cooperação entre Teerã e a União Eurasiana. Do lado ocidental do Mar Cáspio, planeja-se também um corredor paralelo norte-sul, da Rússia ao Irã atravessando a República do Azerbaijão.

As sanções anti-Rússia já começam a causar mal-estar na União Europeia, quem mais perde no processo. A Rússia já mostrou que tem opções. Moscou já começou a construir o mega gasoduto para gás natural Yakutia-Khabarovsk-Vladivostok (também chamado gasoduto Poder da Sibéria) para entregar gás à China. E a África do Sul, parceira da Rússia nos grupo BRICS, assinou acordo histórico de energia nuclear com a empresa russa Rosatom.

A importância da Rússia no cenário mundial é bem clara e vem aumentando no Oriente Médio e na América Latina. Até mesmo no Afeganistão, feudo da OTAN, a influência russa está crescendo. O governo russo compilou recentemente uma lista de mais de 100 antigos projetos soviéticos de construção, que lhe parecem importantes para serem recuperados.

Alternativa às sanções de EUA e União Europeia começa a emergir na Eurásia. Além do acordo para troca de petróleo-por-produtos que Teerã e Moscou assinaram, o ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, anunciou que Irã e Rússia já têm novos acordos no total de 70 bilhões de euros. Em breve se verá que as sanções só isolarão os EUA e a União Europeia. Os iranianos também anunciaram que estão trabalhando com seus parceiros chineses e russos para superar o regime de sanções de EUA e União Europeia.

Os EUA estão tendo de se recolher. Não podem “pivotear-se” para o Pacífico Asiático, enquanto não resolverem as coisas no Oriente Médio e no leste da Europa, onde estão em guerra contra Rússia, Irã, Síria e seus aliados. Por isso Washington dedica-se em tempo integral a fraturar, dividir, intrigar, chantagear e corromper, no esforço para co-optar. Assim, afinal, se pode entender que os EUA não estão absolutamente preocupados em dar combate ao ISIS/ISIL, que sempre serviu aos interesses dos EUA no Oriente Médio. Os EUA só têm duas principais preocupações: tentar impedir que seu império desmonte-se aos pedaços e tentar impedir a integração eurasiana.


Notas de rodapé:

[1] Mahdi Darius Nazemroaya, “America pursuing regime change in Iraq again”, 20/6/2014.
[2] Mahdi Darius Nazemroaya, “The Síria Endgame: Strategic Stage in the Pentagon’s Covert War on Iran”, Global Research, 7/1/2013.
[3] Scott Peterson, “Iranian group’s big-money push to get off US terrorist list”, Christian Science Monitor, 8/8/2011.
[4] Scott Peterson, “Iranian group’s big-money push to get off US terrorist list”, Christian Science Monitor, 8/8/2011.
[5] Scott Peterson, “Iranian group’s big-money push to get off US terrorist list”, Christian Science Monitor, 8/8/2011.
[6] Scott Peterson, “Iranian group’s big-money push to get off US terrorist list”, Christian Science Monitor, 8/8/2011.
[7] Matt Spetalnick, Jeff Mason e Julia Edwards, “Saudi Arabia agrees to host training of moderate Syria rebels”, Caren Bohan, Grant McCool, and Eric Walsh (eds.), Reuters, 10/9/2014.
________________________

[*] Mahdi Darius Nazemroaya é cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras são reconhecidas internacionalmente em uma ampla série de publicações e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alemão, árabe, italiano, russo, turco, espanhol, português, chinês, coreano, polonês, armênio, persa, holandês e romeno. Seu trabalho em ciências geopolíticas e estudos estratégicos tem sido usado por várias instituições acadêmicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparatórias de oficiais militares. É convidado freqüente em redes internacionais de notícias como analista de geopolítica e especialista em Oriente Médio.   
Recentemente, em viagem pela América Central, contactou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua base em León, na Nicarágua. Como Observador Internacional esteve em El Salvador no primeiro turno das eleições.