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domingo, 28 de abril de 2013

Robert Fisk - Síria: repete-se o teatro do “gás sarin”


Conversa dos EUA é repetição de repetição de repetição...

28/4/2012, Robert Fisk, The Independent
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Comentário/pergunta enviado por e-mail para a redecastorphoto:
“Será que o povo dos EUA é tão IDIOTA que não percebe a FARSA recidiva dos seus POLÍTICOS e da IMPRENSA-EMPRESA “morteamericana”?

Robert Fisk
Será que não há meio para escaparmos do teatro das armas químicas? Primeiro, a “inteligência militar” de Israel diz que o exército da Síria teria usado/provavelmente usou/poderia talvez usar armas químicas. Depois, Chuck Hagel, secretário de Defesa dos EUA, surge em Israel, para prometer mais armas para Israel já super mega over militarizada – nem menciona as mais de 200 bombas atômicas do arsenal de Israel – e repete a conversa da “inteligência” de Israel sobre o uso/provável uso/possível uso/talvez uso de armas químicas pelo governo sírio.

Aí então o bom velho Chuck volta a Washington e conta ao mundo que:

(...) esse negócio é sério. Temos de reunir todos os fatos.

Dianne Feinstein
A Casa Branca conta ao Congresso que agências da inteligência dos EUA, presumivelmente as mesmas antes referidas como “inteligência” de Israel, porque o pessoal ali trabalha sempre em perfeita harmonia, têm “graus variáveis de confiança” na avaliação. Mas a senadora Dianne Feinstein, presidente da Comissão de Inteligência do Senado – a mesma que deu jeito de defender todas as ações de Israel em 1996, depois de Israel ter massacrado 105 civis, a maioria crianças, em Qana no Líbano – já diz, da Síria, que:

(...) as linhas vermelhas foram evidente e claramente transgredidas e é preciso agir para evitar uso em larga escala.

E lá vem o mais velho e gasto clichê da Casa Branca – ultimamente usado exclusivamente contra o Irã e o provável/possível desenvolvimento de armas atômicas:

Todas as opções estão sobre a mesa.

Qualquer sociedade normal já estaria em estado de atenção, sirenes tocando, sobretudo nas redações das empresas-imprensa. Mas, não.

Jornalistas dedicam-se a lembrar o mundo que Obama disse, sim, que o uso de armas químicas na Síria “mudaria o jogo” – pelo menos, os jornalistas norte-americanos admitem que a coisa é jogo. – E jornalistas e mais jornalistas “confirmam”, pela repetição, o que ninguém, até agora, confirmou.

Usaram armas químicas. Em dois estúdios da televisão canadense, os produtores me abordam brandindo a mesma manchete. Digo logo que, se me perguntarem, desmontarei, ao vivo, aquela “prova” lixo. Então, repentinamente, a matéria desaparece dos dois programas de entrevista. Não porque não venham a usar a “prova” lixo (usarão logo depois), mas porque não querem correr o risco de alguém dizer, pela televisão, que aquilo tudo pode bem ser um amontoado de sandices.

A CNN não se inibe. Perguntaram ao repórter da CNN em Amã o que se sabe sobre o uso de armas químicas. E ele:

Menos do que o mundo gostaria de saber. É a psique do regime de Assad...

Mas... e alguém tentou saber alguma coisa? Ou algum jornalista perguntou a pergunta óbvia que ouvi de um homem da inteligência síria, em Damasco, semana passada:

Dado que a Síria pode causar dano infinitamente maior se usar os seus jatos bombardeiros MiG, por que usaria armas químicas?

Além disso, dado que tanto o governo Assad quanto seus inimigos acusaram-se mutuamente de estar usando armas químicas... Por que Chuck teme mais as armas químicas do governo sírio? As armas químicas dos “rebeldes” estariam, talvez, liberadas?

Tudo se resume àquele clichê, o mais infantil dos clichês: que EUA e Israel teme(ria)m que as armas químicas de Assad “caiam em mãos erradas”. Em outras palavras, temem que todas essas “químicas” acabem no arsenal dos mesmíssimos “rebeldes”, sobretudo islamistas fundamentalistas, que Washington, Londres, Paris, Qatar e Arábia Saudita estão apoiando. Se essas mãos são “erradas”, então as armas do arsenal de Assad estariam em “mãos certas”.

Era exatamente o que se dizia, exatamente, das armas químicas que havia no arsenal de Saddam Hussein – até que foram usadas contra os curdos.

Dizem os jornalistas que em três incidentes específicos pode(ria)m ter sido usadas armas químicas na Síria: em Aleppo, onde os dois lados acusam-se (mas os vídeos de hospitais foram publicados pela televisão estatal síria); em Homs, aparentemente, em pequena escala; e nos arredores de Damasco. E, embora a Casa Branca pareça ter esquecido esse detalhe, três crianças sírias refugiadas chegaram ao hospital no norte de Trípoli, no Líbano, com profundas, terríveis queimaduras pelo corpo.


Há aí vários problemas. As bombas de fósforo provocam queimaduras profundas e é possível que gerem defeitos em fetos. Mas os EUA não estão dizendo que o exército sírio teria usado bombas de fósforo (que é bomba química). Afinal de contas, os EUA usaram bombas de fósforo na cidade iraquiana de Fallujah, onde há hoje um assustador aumento no número de nascituros com defeitos de formação.

Talvez o horror que o governo sírio provoca no ocidente deva-se às notícias sobre tortura pela polícia secreta síria. Mas aqui também há um problema: há apenas dez anos, os EUA também faziam “entrega especial” de homens inocentes, entre os quais um cidadão canadense, exatamente àquelas mesmas prisões sírias, para serem interrogados e torturados pelos mesmos torturadores da mesma polícia secreta síria.

E, já que se falou de armas químicas de Saddam, há mais uma: os componentes químicos dessas armas hoje amaldiçoadas eram (então) fabricados por uma empresa de New Jersey e entregues em Bagdá pelos EUA.

Mas nas redações, hoje, não se fala de nada disso, é claro. Quem entre em qualquer redação de qualquer rede de televisão, só vê jornalistas que leem jornais. E quem entre em qualquer redação de jornais... só vê jornalistas que assistem à televisão, dia e noite. O sistema é osmótico. Todas as manchetes são a mesma manchete: o governo sírio usa armas químicas. E assim seque o teatrinho.

 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Um caso emblemático




Publicado em 10/07/2012 por Mário Augusto Jakobskind*

No próximo dia 9 de outubro completam-se 22 anos da morte do cadete Márcio Lapoente da Silveira na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Por sugestão do Grupo Tortura Nunca Mais,  familiares de Márcio  entraram com uma ação na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Isso aconteceu em 2004.

Foi reconhecido então ter sido o cadete Márcio, de 19 anos, vítima de torturas e maus tratos que o levaram à morte. Um caso considerado pela OEA como grave violação aos direitos humanos.

Ficou decidido também que na AMAN, em Resende, será inaugurada uma placa em homenagem a Márcio e aos cadetes falecidos em atividade de instrução no decorrer do Curso de Formação de Oficiais. O Exército brasileiro reconheceu a sentença, mas alguns militares da reserva, em linguagem odiosa de sempre, não aceitam a decisão e alguns disseram que reagirão. A placa será fixada e permanentemente mantida nas instalações da Academia Militar das Agulhas Negras com os seguintes dizeres:

Homenagem do Exército Brasileiro e da Academia Militar das Agulhas Negras aos cadetes falecidos em atividade de instrução no decorrer do Curso de Formação de Oficiais. Homenagem do Exército Brasileiro e da Academia Militar das Agulhas Negras decorrente do Acordo de Solução Amistosa junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, referente ao Cadete Lapoente da Silveira.

O acordo entre a família do Cadete e o Exército ficou de ser divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, no Diário Oficial e em um quarto de página em um jornal de ampla circulação nacional. A Advocacia-Geral da União e o Ministério da Defesa darão publicidade em seus sítios na Internet.

Aguarda-se a realização da cerimônia. Será uma forma também de demonstrar que o processo democrático avança no Brasil e que os defensores da democracia não se intimidam diante da linguagem de ódio dos militares da reserva, gênero óleo queimado da história.

Na OEA, o Estado brasileiro se comprometeu a ampliar o ensino de direitos humanos no currículo de formação militar, conforme previsão da Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Decreto n. 6.703, de 18 de dezembro de 2008. E também, por meio da Secretaria de Direitos Humanos, se comprometeu a solicitar ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) que analise 23 casos de supostas violações aos direitos humanos ocorridas no âmbito das Forças Armadas, conforme estudo elaborado pelo Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM/RJ).

Para complementar, os próprios militares deveriam aceitar as sugestões crescentes no sentido de reformar o currículo da Academia Militar das Agulhas Negras, adaptá-lo à realidade atual, totalmente diferente dos tempos hediondos da ditadura e da Guerra Fria.

Eleição na Líbia: uma farsa

Na área internacional, a farsa da semana ficou por conta da eleição na Líbia. Como comentou um cidadão líbio: "como se fazer eleições em um momento em que se vendem armas nas ruas, que existem mercados de armas em vez de mercados de alimentos (...)  em um país onde se vais ao banco não te dão teu próprio dinheiro, a comida está três vezes mais cara, saindo a rua com um carro te matam para roubá-lo,  se falas sobre o governo anterior te prendem, não podes deslocar-se de uma cidade a outra sem que grupos internacionais te parem para assaltar-te".

Como se tudo isso não bastasse, ocorrem constantes bombardeios em cidades onde o novo governo vem sendo questionado. Não se realizaram eleições nas cidades de Tarhuna, Ben Walit, Al-Kufrah. Na capital Trípoli muitos líbios ficaram em casa ou porque não podiam votar ou não queriam compactuar com a obra de teatro montada sob a proteção de milícias internacionais.

 E em meio a esse quadro, o presidente Barack Obama considerou a eleição líbia um avanço. É a continuidade do seu ponto de vista favorável aos bombardeios da OTAN.

O golpe contra Fernando Lugo

No Paraguai foi constatado oficialmente que os 17 mortos (11 camponeses e seis policiais) foram atingidos pelas mesmas balas. Neste caso, chega-se a uma verdade, qual seja, a de que ocorreu mesmo uma armadilha preparada exatamente para desestabilizar o governo de Fernando Lugo e derrubá-lo.

Neste caso, os países do MERCOSUL agora poderiam fazer mais exigências no sentido de acabar no Paraguai com o golpe parlamentar, considerado já por muitos países como algo definitivo.

E esperar a eleição de um novo presidente para tudo voltar à normalidade não resolverá o problema. Até porque, como será uma campanha eleitoral em um país em que o Congresso conservador fez o que fez.

Os integrantes do atual Congresso vão querer retornar e para isso vão remover tudo que estiver pela frente, para não falar dos gastos de campanha a serem financiados muitas vezes pelos protagonistas que armaram a deposição de Fernando Lugo.

Militares britânicos no interior da Síria

A se confirmar informação da mídia eletrônica israelense Debka, a crise na Síria pode estar entrando numa nova fase. Segundo a publicação, militares britânicos teriam avançado dez quilômetros no interior da Síria a partir da fronteira com a Turquia.

O objetivo seria tentar estabelecer uma zona de segurança naquela área dando início a uma intervenção militar do Ocidente que levaria a derrubada do Presidente Bashar al- Assad.

Ou seja, da mesma forma que na Líbia, o projeto dos países colonialistas seria levar a “democracia” à Síria..

Seria cômico se não fosse trágico.

Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação

domingo, 16 de outubro de 2011

EUA preparam terreno no Irã


Publicado em 16/10/2011 – por *Mário Augusto Jakobskind

Será que chegou a vez do Irã ser palco de uma nova operação militar do gênero realizada mais recentemente na Líbia? A Arábia Saudita e Israel, dois países fundamentalistas a sua maneira, um muçulmano sunita e outro judaico, há tempos pressionam os Estados Unidos no sentido de iniciar uma ação militar contra o regime dos aiatolás. Documentos do site Wikileaks revelam esse interesse. E então surge mais uma história estapafúrdia envolvendo a CIA, narcotraficantes mexicanos e dois agentes do regime iraniano que preparavam um suposto atentado contra a vida do embaixador saudita nos Estados Unidos.

O que se pergunta é qual exatamente seria o interesse do regime iraniano em assassinar um representante saudita exatamente nos Estados Unidos e ainda por cima em um restaurante, o que provocaria vítimas civis? Mas antes mesmo de esclarecer o fato, que não se sustenta, diga-se de passagem, a Secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton sai em campo para convencer os mesmos governos de sempre a adotarem mais represálias contra o Irã.

O Pentágono não fez por menos. Segundo declarou um dos porta-vozes, George Little, “o objetivo por enquanto é seguir impondo uma pressão financeira e diplomática sobre os iranianos". Ressalta-se o “por enquanto”, pois o resto vai depender de como as autoridades estadunidenses conseguirem convencer os demais governos no episódio.

A União Europeia segue o mesmo diapasão dos EUA e a mídia de mercado de todos os quadrantes do mundo dá o maior destaque ao suposto preparativo do atentado. A notícia é espalhada pelo mundo como se fosse uma verdade absoluta, praticamente sem contestação, apesar do desmentido veemente do governo de Mohamed Ahmadinejad. O dirigente iraniano não só negou como ainda assinalou que “assassinato é coisa de vocês"(estadunidenses).

Cria-se o clima propício para o Ocidente, com o apoio de monarquias do Golfo que abrigam bases militares dos EUA, como Bahrein e a própria Arábia Saudita, a aumentar a demonização do regime iraniano

Não é de hoje que os serviços secretos dos EUA, de Israel e da Arábia Saudita estão mobilizados na cruzada para preparar o terreno no sentido de ampliar as represálias contra o Irã e até mesmo em determinado momento iniciar uma ação militar com a colaboração inestimável da Organização do Tratado do Atlântico Norte

Para que isso aconteça é necessário criar fatos. Todas as recentes ações militares dos EUA foram precedidas de denúncias que geralmente depois não se comprovaram, como no caso do Iraque e mais recentemente da própria Líbia

A propósito deste país do Norte da África, as batalhas continuam em Sirte e Bani Walid, que o Conselho Nacional de Transição (CNT)  havia anunciado que estavam praticamente controladas por suas forças. Os fatos demonstraram que as informações não passavam de uma estratégia de manipulação midiática

Neste mesmo contexto insere-se o fato mais recente da prisão de um dos filhos de Muammar Kadhafi. Os opositores de Kadhafi em um primeiro momento anunciaram com toda a pompa a prisão em Sirte de Muatassim Kadhafi e complementaram informando que ele estava sendo conduzido para Benghazi. Nenhuma foto foi apresentada e horas depois a notícia foi desmentida. Repetiu-se a história de outro filho, Seif al-Islan Kadhafi, que tinha sido anunciado como preso e posteriormente apareceu conversando tranquilamente com jornalistas que se encontravam em Trípoli

A Anistia Internacional acusou o CNT de desrespeitar os direitos humanos com a prisão indiscriminada de 2.500 homens das forças de Kadhafi.  Mas isso pouco importa à OTAN, que com o tempo vai criar o seu primeiro protetorado na África. É tudo uma questão de tempo.

Em relação ao ex-presidente George W. Bush, os seus crimes cometidos durante dois mandatos presidenciais não foram esquecidos. Tanto assim que a Anistia Internacional (AI) pediu às autoridades canadenses para prendê-lo e processá-lo judicialmente por crimes cometidos contra o direito internacional. A Anistia entende que isso poderá ser feito quando o ex-presidente estadunidense estiver no Canadá na próxima quinta-feira (20)

No entender de Susan Lee, diretora da Anistia para a região das Américas, “o Canadá deve cumprir as suas obrigações internacionais e prender e processar judicialmente o ex-presidente Bush, dada a sua responsabilidade em crimes contra o direito internacional, incluindo tortura”. 

As acusações estão relacionadas com um programa secreto da CIA, aplicado entre 2002 e 2009, que segundo a AI permitia contra os detidos o uso “de tortura e de outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes”.

No mais, na próxima quarta-feira (19), dentro das atividades da Semana de Democratização da Mídia, de 17 a 21 de outubro, entidades dos movimentos sociais estarão promovendo a faxina da calçada de TV Globo, a partir das 14 horas, na rua Von Martius, no Jardim Botânico, em protesto contra a manipulação da informação produzida pela emissora.

*Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A guerra ao terror é uma falsificação

Paul Craig Roberts


Na década passada, Washington matou, mutilou, deslocou e tornou viúvas e órfãos milhões de muçulmanos em seis países, tudo em nome da "guerra ao terror". Os ataques de Washington a outros países constituem agressão nua e impactam primariamente populações civis e infraestrutura – e, por isso, constituem crimes de guerra segundo a lei. Nazis foram executados precisamente pelo que Washington está fazendo hoje.

Além disso, as guerras e ataques militarem custaram aos contribuintes americanos em prejuízos e custos a serem incorridos no futuro pelo menos 4 trilhões de dólares – um terço da dívida pública acumulada – o que resultou numa crise do déficit dos EUA que ameaça a segurança social, o valor do US dólar e o seu papel de divisa de reserva, enquanto enriquece para além de tudo o já visto na história o complexo militar/segurança e seus apologistas.

Talvez o mais elevado custo da “guerra ao terror” de Washington tenha sido pago pela Constituição dos Estados Unidos e as suas liberdades civis. Qualquer cidadão dos EUA que Washington acuse é privado de todos os direitos legais e constitucionais. Os regimes Bush-Cheney-Obama arruinaram a maior conquista da humanidade – a responsabilidade do governo perante a lei.


Se olharmos em torno para o terror de que a polícia de estado e uma década de guerra alegadamente nos protegeu, o terror é difícil de descobrir. Exceto para o próprio 11/Set, assumindo que aceitamos a improvável teoria conspirativa do governo, não houve ataques terroristas nos EUA. Na verdade, como destacou o RT em 23/Agosto/2011, um programa de investigação da Universidade da Califórnia descobriu que as “tramas de terror” interno publicadas na imprensa foram preparadas por agentes do FBI.

O número de agentes encobertos do FBI agora ascende a 15 mil, dez vezes o número existente durante os protestos contra a guerra do Vietnã quando manifestantes eram acusados de simpatias comunistas. Como aparentemente não há conspirações reais de terror para esta enorme força de trabalho descobrir, o FBI justifica seu orçamento, alertas de terror e buscas invasivas de cidadãos americanos criando “tramas de terror” e descobrindo alguns indivíduos dementes para capturar. Exemplo: a trama da bomba no Metro de Washington DC, a trama do metro na cidade de Nova York, a trama para explodir a Sears Tower em Chicago foram todos estratagemas organizados e geridos por agentes do FBI.

O RT informa que apenas três destas tramas podem ter sido independentes do FBI, mas como nenhuma das três funcionou, elas obviamente não foram obra de uma organização profissional de terror como se pretende que seja a Al Qaeda. O carro bomba em Times Square não explodiu e aparentemente não podia ter explodido.

O mais recente laço armado pelo FBI é um homem de Boston, Rezwan Ferdaus, o qual é acusado de planejar atacar o Pentágono e o Capitólio dos EUA com modelos de aviões carregados com explosivos C-4. O Promotor dos EUA, Carmen Ortiz, assegurou aos americanos que eles nunca estiveram em perigo porque os agentes encobertos do FBI estavam controlando a trama.

A trama de Ferdaus organizada pelo FBI para explodir o Pentágono e o Capitólio com modelos de aviões provocou acusações de que ele proporcionou “apoio material a uma organização terrorista” e conspirou para destruir edifícios federais – a acusação mais grave, a qual implica 20 anos de aprisionamento por cada edifício alvejado.

Qual é a organização terrorista a que serve Ferdaus? Certamente não a al Qaeda, a qual alegadamente passou a perna a todos os 16 serviços de inteligência, todos os serviços de inteligência dos EUA, NATO, israelenses, NORAD, o National Security Council, Air Traffic Control, Dick Cheney e a segurança de aeroportos estadunidenses quatro vezes em uma hora na mesma manhã. Uma organização de terror tão altamente capaz não estaria envolvida numa trama tão sem sentido como explodir o Pentágono com um modelo de avião.

Como um americano que esteve no serviço público durante anos e que sempre defendeu a Constituição, um dever patriótico, devo esperar que a pergunta já tenha disparado nas cabeças dos leitores: por que esperam que acreditemos que um pequeno avião modelo seja capaz de explodir o Pentágono quando um avião 757 carregado com jet fuel foi incapaz de efetuar a tarefa, fazendo meramente um buraco não suficientemente grande para um avião de carreira.

Quando observo a credulidade dos meus concidadãos para com as absurdas “tramas de terror” que o governo dos EUA fabrica, isso leva-me a perceber que o medo é a mais poderosa arma que tem qualquer governo para avançar uma agenda não declarada. Se Ferdaus for levado a julgamento, não há dúvida de que um júri o condenará por uma trama para explodir o Pentágono e o Capitólio com aviões modelo. Mais provavelmente ele será torturado ou coagido a um acordo de cooperação (plea bargain).

Aparentemente, os americanos, ou a maior parte deles, estão tão dominados pelo medo que não sofrem remorsos pelo fato de o “seu” governo assassinar e deslocar milhões de pessoas inocentes. Na mente americana, 1 bilhão de “cabeças de pano” (towel-heads) foram reduzidas a terroristas que merecem ser exterminados. Os EUA estão no caminho de um holocausto que tornam os terrores dos judeus face ao nacional-socialismo um mero precursor.

Pense acerca disto: Não será admirável que após uma década (2,5 vezes a extensão da IIa. Guerra Mundial) de matança de muçulmanos, de destruição de famílias e das suas perspectivas em seis países não haja eventos terroristas reais nos EUA?

Pense por um minuto quão fácil seria o terrorismo nos EUA se houvesse quaisquer terroristas. Será que um terrorista da Al Qaeda, a organização que alegadamente conseguiu o 11/Set – a mais humilhante derrota sofrida por uma potência ocidental, ainda mais “a única superpotência do mundo” – mesmo face a toda a filtragem ainda estaria a tentar sequestrar ou explodir um avião?

Certamente não quando há tantos alvos fáceis. Se a América estivesse realmente infectada por uma “ameaça terrorista”, um terrorista simplesmente entraria nas maciças filas de espera da “segurança” de aeroportos e largaria ali a sua bomba. Isso mataria muito mais pessoas do que poderia ser alcançado explodindo um avião e tornaria completamente claro que “segurança de aeroporto” não significa que o mesmo seja seguro.

Seria uma brincadeira de criança para terroristas explodir subestações elétricas, pois ninguém estará lá, nada, exceto um cadeado na cerca de arame. Seria fácil para terroristas explodirem centros comerciais. Seria fácil para terroristas despejarem caixas de pregos em ruas congestionadas e auto-estradas durante horas de ponta, interrompendo o tráfego de artérias importantes durante dias.

Antes, caro leitor, de me acusar de dar ideias terroristas, pensa realmente que elas já não teriam ocorrido a terroristas capazes de executar o 11/Set?

Mas nada acontece. Então o FBI prende um rapaz por planejar explodir a América com modelos de aviões. É realmente deprimente [verificar] quantos americanos acreditarão nisto.

Considere também que neoconservadores americanos, os quais orquestraram a “guerra ao terror”, não tem seja o que for de proteção e que a proteção do Serviço Secreto de Bush e Cheney é mínima. Se a América realmente enfrentasse uma ameaça terrorista, especialmente uma tão profissional como a que executou o 11/Set, todo neoconservador juntamente com Bush e Cheney poderiam ser assassinados dentro uma hora numa manha ou numa noite.

O fato de neoconservadores tais como Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld, Condi Rice, Richard Perle, Douglas Feith, John Bolton, William Kristol, Libby, Addington, et. al., viverem desprotegidos e livres do medo é prova de que a América não enfrenta ameaça terrorista.

Pense agora acerca da trama do sapato-bomba, da trama do shampoo engarrafado e da trama da bomba nas cuecas. Peritos, outros que não as prostitutas contratadas pelo governo estadunidense, dizem que tais tramas não têm sentido. O “sapato-bomba” e a “bomba nas cuecas” eram fogos de artifício coloridos incapazes de explodir uma lata de comida. A bomba líquida, alegadamente misturada na toilette de um avião, foi considerada pelos peritos como fantasia.

Qual a finalidade destas tramas falsas? E recorde que todas as informações confirmam que a “bomba nas cuecas” foi trazida para dentro do avião por um oficial, apesar do fato de o “bombardeador de cuecas” não ter passaporte. Nenhuma investigação foi efetuada pelo FBI, CIA ou quem quer que seja quanto à razão porque foi permitido um passageiro sem passaporte num voo internacional.

A finalidade destas pretensas tramas é despertar o nível de medo e criar oportunidade para o ex czar da Homeland Security, Michael Chertoff, ganhar uma fortuna a vender porno - scanners à Transportation Security Administration (TSA).

O resultado destas publicadas “tramas terroristas” é que todo cidadão americano, mesmo com altas posições no governo e certificados de segurança, não pode embarcar num voo comercial sem tirar os sapatos, o casaco, o cinto, submeter-se a um porno - scanner ou ser sexualmente apalpado. Nada podia tornar as coisas mais simples do que uma “segurança de aeroporto” que não pode distinguir um terrorista muçulmano de um entusiástico patriota americano, de um senador, de um general da Marinha ou de um operacional da CIA.

Se um passageiro precisa, por razões de saúde ou outras, quantidades de líquidos e cremes para além dos limites impostos à pasta de dente, shampoo, alimentos ou medicamentos, ele deve obter previamente autorização da TSA, a qual raramente funciona. Um dos mais admiráveis momentos da América é o caso, documentado no YouTube, de uma mulher moribunda numa cadeira de rodas, que exige alimentação especial, tendo o seu alimento jogado fora pela Gestapo TSA apesar da aprovação escrita da Transportation Safety Administration, com a sua filha presa por protestar e a mulher moribunda abandonada sozinha no aeroporto.

Isto é a América de hoje. Estes assaltos a cidadãos inocentes são justificados pela extrema-direita estúpida como “protegendo-nos contra o terrorismo”, uma “ameaça” que toda evidência mostra que não é existente.

Nenhum americano hoje está seguro. Sou um antigo associado da equipe do subcomitê da House Defense Appropriations. Requeria altas autorizações (clearances) de segurança, pois tenho acesso a informação respeitante a todos os programas americanos de armas. Como economista chefe do House Budget Committee tenho informação respeitante aos orçamentos militares e de segurança dos EUA. Quando secretário assistente do Tesouro dos EUA, era-me fornecida toda manhã o relatório da CIA ao Presidente bem como infindável informação de segurança.

Quando deixei o Tesouro, o Presidente Reagan nomeou-me para um comitê supersecreto destinado a investigar a avaliação da CIA da capacidade soviética. Resumindo, eu era consultor do Pentágono. Tinha toda espécie de autorização de segurança.

Apesar do meu registro das mais altas autorizações de segurança e da confiança do governo dos EUA em mim, incluindo confirmação pelo Senado numa nomeação presidencial, a polícia aérea não pode distinguir-me de um terrorista.

Se eu brincasse com modelismo de aviões ou comparecesse a manifestações anti-guerra, há pouca dúvida de que também seria preso.

Após o meu serviço público no último quartel do século XX, experimentei durante a primeira década do século XXI todas as conquistas da América, apesar das suas falhas, serem apagadas. No seu lugar foi erigido um monstruoso desejo de hegemonia e de riqueza altamente concentrada. A maior parte dos meus amigos e concidadãos em geral é capaz de reconhecer a transformação da América num estado policial belicista que tem a pior distribuição de rendimento de qualquer país desenvolvido.

É extraordinário que tantos cidadãos americanos, cidadãos da única superpotência do mundo, realmente acreditem que estão a ser ameaçados por povos muçulmanos que não têm unidade, nem marinha, nem força aérea, nem armas nucleares, nem mísseis capazes de cruzar os oceanos.

Na verdade, grandes percentagens destas “populações ameaçadoras”, especialmente entre os jovens, estão enamoradas da liberdade sexual que existe na América. Mesmo os iranianos tolos da “Revolução Verde” orquestrada pela CIA esqueceram o derrube por Washington na década de 1950 do seu governo eleito. Apesar de uma década de ações militares abusivas contra povos muçulmanos, muitos muçulmanos ainda olham para a América como a sua salvação.

Seus “líderes” são simplesmente subornados com grandes somas de dinheiro.

Com a “ameaça terrorista” e a Al Qaeda esvaziada com o alegado assassínio pelo presidente Obama do seu líder, Osama bin Laden, o qual fora deixado desprotegido e desarmado pela sua “organização terrorista de âmbito mundial”, Washington produziu um novo bicho-papão – os Haqqanis.

Segundo John Glaser e anônimo responsáveis da CIA, o presidente do US Joint Chiefs of Staff, Mike Mullen “exagerou” o caso contra o grupo insurgente Haqqani quando afirmou, determinando uma invasão estadunidense do Paquistão, que os Hagganis eram um braço operacional do serviço secreto do governo do Paquistão, o ISI. O almirante Mullen está agora afastando-se do seu “exagero”, um eufemismo para uma mentira. Seu ajudante, capitão John Kirby, disse que “as acusações de Mullen foram destinadas a influenciar os paquistaneses a romper a Rede Haqqani”. Por outras palavras, os paquistaneses deveriam matar mais gente do seu próprio povo para salvar os americanos de perturbações.

Se não sabe o que é a Rede Haqqani, não fique surpreendido. Você nunca ouviu falar da Al Qaeda antes do 11/Set. O governo dos EUA cria, não importa a que seja, d novos bicho-papão e são necessários incidentes para prover a agenda neoconservadora de hegemonia mundial e de lucros mais altos para a indústria de armamentos.

Durante dez anos, a população da “superpotência” americana sentou aí, sendo apavorada pelas mentiras do governo. Enquanto americanos assentam no medo de “terroristas” não existentes, milhões de pessoas em seis países tiveram suas vidas destruídas. Tanto quanto existe de evidência, a vasta maioria dos americanos não está perturbada pelo assassínio desumano de outras pessoas em países que não são capazes de localizar nos mapas.

Realmente, a Amerika é uma luz para o mundo, um exemplo para todos.

30/Setembro/2011

O original encontra-se em: Is The War On Terror A Hoax
Esta tradução foi extraída de Resistir.info  
Adaptação ao português do Brasil: redecastorphoto