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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A lista dos países EUA-torturadores, vergonha do mundo

10/9/2014, Relatório atualizado por Andrew Prokop em 9/12/2014
Comentado e enviado pelo pessoal da Vila Vudu



Aqui, a lista dos países que receberam [e torturaram] gente sequestrada e presa pela CIA-EUA, entregues a eles para ser torturada.

São os países que mantêm com a CIA-EUA os infames programas de “entrega especial” [orig. “extraordinary rendition”], vergonha do mundo.

Nessa relação da vergonha do mundo NÃO ESTÃO: Brasil, Rússia, Índia, China – países BRIC – nem Argentina, Bolívia, Cuba, Equador, Uruguai, Venezuela, dentre outros. Graças a Deus. São os únicos países que conseguiram manter-se a salvo da infâmia que os EUA disseminam pelo planeta há décadas.

Esses são os países vitoriosos. A lista dos países desmoralizados pelos EUA aí vai.

Vejam aí:

EUA-Afghanistan; Afeganistão
EUA-Austria; Áustria
EUA-Australia; Austrália
EUA-Albania; Albânia
EUA-Algeria; Argélia
EUA-Azerbaijan; Azerbaijão
EUA-Belgium; Bélgica
EUA-Bosnia-Herzegovina; Bósnia-Herzegovina
EUA-Canada; Canadá
EUA-Croatia; Croácia
EUA-Cyprus; Chipre
EUA-Czech Republic; República Checa
EUA-Denmark; Dinamarca
EUA-Djibouti; Jibuti
EUA-Egypt; Egito
EUA-Ethiopia; Etiópia
EUA-Finland; Finlândia
EUA-Gambia; Gâmbia
EUA-Georgia; Geórgia
EUA-Germany; Alemanha
EUA-Greece; Grécia
EUA-Hong Kong; Hong Kong
EUA-Iceland; Islândia
EUA-Indonesia; Indonésia
EUA-Iran; Irã
EUA-Ireland; Irlanda
EUA-Italy; Itália
EUA-Jordan; Jordânia
EUA-Kenya; Quênia
EUA-Libya; Líbia
EUA-Lithuania; Lituânia
EUA-Malawi; Maláui
EUA-Malaysia; Malásia
EUA-Mauritania; Mauritânia
EUA-Morocco; Marrocos
EUA-Pakistan; Paquistão
EUA-Poland; Polônia
EUA-Portugal; Portugal
EUA-Romania; Romênia
EUA-Saudi Arabia; Arábia Saudita
EUA-Somalia; Somália
EUA-South Africa; África do Sul
EUA-Spain; Espanha
EUA-Sri Lanka; (antigo Ceilão)
EUA-Sweden; Suécia
EUA-Syria; Síria
EUA-Thailand; Tailândia
EUA-Turkey; Turquia
EUA-United Arab Emirates ; Emirados Árabes Unidos
EUA-United Kingdom; Inglaterra
EUA-Uzbekistan; Uzbequistão
EUA-Yemen; Iêmen
EUA-Zimbabwe. Zimbábue
EUA-Israel, vergonha do mundo.
(Ah! Esqueceram de incluir aí EUA-Israel? Esquecimento. Claro.)


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é “caso” antigo

12/9/2014, [*]  Nil NikandrovStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

George Soros e Marina Silva
Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele “compromisso”: ela rapidamente se transferiu para a “proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica.

CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político.

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize. [1]E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de “candidatos” que a CIA tem interesse em promover, que o “candidato” seja coberto de medalhas e condecorações.

Marina Silva serviu como Ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em”‘voos mais altos” e, preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT. Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores.

Marina Silva no Governo Lula
Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu “não partido”, mas “rede”, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014.

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidenta brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protesto. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou.

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro de 2014. E Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos “espontâneos”, que encheram algumas ruas e foram amplamente “repercutidos” na imprensa-empresa, nos quais os “manifestantes” pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique “mudança de regime”) e o fim das “velhas políticas” [de fato, nenhuma política é ou algum dia será “mais velha” que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs)]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT.

Alguma dúvida?
Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua “rede” Sustentabilidade. A nova “organização” visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou “velhos”. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova “rede”. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada.

Dia 13 de agosto de 2014, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial de Santos, próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro de 2014. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva. 

Dilma Rousseff e Eduardo Campos
Para alguns comentaristas brasileiros e dos EUA, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito,  demorará ainda mais.

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de “imprecisão” que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva  mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (...)

BRICS
De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou “dúvidas” sobre o Conselho Sul-Americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao MERCOSUL e à UNASUL (União das Nações Sul-Americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o MERCOSUL e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA.

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços.

Se Marina Silva chegar à presidência (George Soros, magnata norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular. Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de “gerar” “protestos” naquele país.
___________________

Nota dos tradutores:
[1] Conheça o Goldman Environmental Prize; além de Marina Silva, outro brasileiro recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG Instituto Socioambiental, em 1992.
___________________

[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mais e mais “promoção de democracia” na Líbia

14/2/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Líbia, por Latuff/2011
O principal homem da CIA (e dos sauditas) na Líbia  – o general Khalifa Haftar, anti-Gaddaffi – está encenando um golpe contra o governo fantoche, mas que (sabe-se lá como e por quê) foi eleito na Líbia:

Khalifa Haftar
Um comandante militar líbio exigiu na 6ª-feira (7/2/2014) a suspensão dos trabalhos do Parlamento “de transição”, e a formação de uma comissão presidencial para governar o país até que se façam novas eleições.
...

“O comandante nacional do exército líbio está inaugurando um movimento para um novo mapa do caminho” – disse Haftar, na declaração na qual disse também que as forças armadas estão exigindo que o país seja “resgatado” de mais esse impasse.

Claro que ninguém em Washington, como já aconteceu no caso do Egito, chamará esse outro golpe, de golpe. Vemos aí, novamente em cena, mais um episódio patrocinado pelos EUA de “promoção de democracia”.

Não é coincidência que o golpe aconteça no momento em que as bandeiras verdes do movimento de Gaddafi estão voltando a ser hasteadas em inúmeras partes do território líbio.

Líbia, bandeiras verdes de Gaddafi voltando a ser hasteadas... (22/1/2014)
O serviço de Haftar será, mais uma vez, ajudar e garantir apoio a forças ligadas à Al-Qaeda do leste da Líbia, para lutarem contra os gaddafistas que estão voltando à cena no sul e no oeste. Mas sem o apoio aéreo da OTAN – que, dessa vez, dificilmente surgirá dos céus – as forças de Haftar têm baixíssima probabilidade de sucesso.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Protestos orquestrados pelos EUA estão desestabilizando a Ucrânia

Ucrânia, um exemplo a ser evitado pelo Brasil

12/2/2014, [*] Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido por João Aroldo


Manifestante ucraniano provoca violência e queima de pneus em Kiev
Os protestos na Ucrânia ocidental são organizados pela CIA, o Departamento de Estado dos EUA, e organizações não governamentais (ONGs) financiadas por Washington e pela UE e que trabalham em conjunto com a CIA e o Departamento de Estado. O objetivo dos protestos é derrubar a decisão do governo independente da Ucrânia de não aderir à UE (União Europeia) .

Os EUA e a UE estavam inicialmente cooperando no esforço de destruir a independência da Ucrânia e torná-la uma entidade subserviente ao governo da UE em Bruxelas. Para o governo da UE, o objetivo é expandir a UE. Para os EUA, os objetivos são tornar a Ucrânia disponível para saques por bancos e empresas norte-americanas e trazer a Ucrânia à OTAN para que Washington possa ganhar mais bases militares na fronteira da Rússia. Há três países que estão no caminho da hegemonia de Washington sobre o mundo a Rússia, China e o Irã. Cada um destes países é alvo de Washington para ser derrubado ou para ter sua soberania degradada pela propaganda e bases militares dos EUA que deixam os países vulneráveis a ataques, coagindo-os a aceitar a vontade de Washington.

O problema que surgiu entre os EUA e a UE no que respeita à Ucrânia é que os europeus já perceberam que a conquista da Ucrânia é uma ameaça direta para a Rússia, que pode cortar o óleo e gás natural para a Europa e, se houver guerra, destruir completamente a Europa. Consequentemente, a UE tornou-se disposta a parar de provocar os protestos na Ucrânia.

Victoria "F*ck European Union" Nuland
A resposta da secretária de Estado adjunto neoconservadora, Victoria Nuland, nomeada pelo ambíguo Obama, foi foda-se a União Europeia, após o que ela passou a descrever os membros do governo da Ucrânia que Washington tende a impor a um povo tão inconsciente a ponto de acreditar que eles estão conseguindo independência correndo para os braços de Washington. Eu pensava que nenhuma população pode ser tão inconsciente como a população dos EUA. Mas eu estava errado. Os ucranianos ocidentais são mais inconscientes do que os americanos.

A orquestração da “crise” na Ucrânia é fácil. A secretária-assistente de Estado neoconservadora Victoria Nuland disse ao National Press Club em Washington, em 13 de dezembro de 2013, que os EUA têm “investido” 5 bilhões de dólares em agitação na Ucrânia. Assista vídeo a seguir (em inglês):


A crise reside essencialmente no oeste da Ucrânia, onde ideias românticas sobre a opressão da Rússia são fortes, e a população é menos russa que no leste da Ucrânia.

O ódio da Rússia na Ucrânia ocidental é tão disfuncional que os manifestantes enganados não percebem que a adesão à UE significa o fim da independência e domínio pelos burocratas da UE em Bruxelas, o Banco Central Europeu e as corporações dos EUA. Talvez a Ucrânia seja dois países. A metade ocidental poderia ser dada à União Europeia e às corporações norte-americanas, e a metade oriental poderia ser reincorporada como parte da Rússia, onde toda a Ucrânia residiu por tanto tempo quanto existem os EUA.

O descontentamento da Rússia que existe no oeste da Ucrânia torna mais fácil para a UE e os EUA causarem problemas. Aqueles em Washington e na Europa que desejam destruir a independência da Ucrânia retratam uma Ucrânia independente como refém da Rússia, enquanto uma Ucrânia na UE estaria, alegadamente, sob a proteção dos EUA e Europa. As grandes quantias de dinheiro que Washington envia para ONGs na Ucrânia propagam essa ideia e trabalham a população em um frenesi sem sentido. Eu nunca na minha vida presenciei pessoas tão estúpidas como os manifestantes ucranianos que estão destruindo a independência de seu país.

Grupo Pussy Riot em apresentação
As ONGs financiadas pelos EUA e pela UE são quintas colunas concebidas para destruir a independência dos países em que operam. Algumas fingem ser "organizações de direitos humanos." Outras doutrinam as pessoas sob o disfarce de "programas de educação" e "construção da democracia". Outras, especialmente as que são geridas pela CIA, especializam-se em provocações como Pussy Riot. Poucas destas ONGs são legítimas, se é que existe alguma legítima. Mas elas são arrogantes. O chefe de uma das ONGs anunciou antes das eleições iranianas em que Mousavi era o candidato de Washington e da CIA que a eleição resultaria em uma Revolução Verde. Ele sabia disso de antemão, porque ajudou a financiá-la com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Eu escrevi sobre isso naquele momento. O artigo pode ser encontrado em meu site, e em meu livro recém-publicado, How America Was Lost.

Os “manifestantes” ucranianos têm sido violentos, mas a polícia tem sido contida. Washington tem interesse em manter os protestos na esperança de transformá-los em revolta para que Washington possa tomar a Ucrânia. Esta semana, a Câmara dos EUA aprovou uma resolução ameaçando sanções caso os protestos violentos sejam reprimidos pela polícia.

Em outras palavras, se a polícia ucraniana se comportar com os manifestantes violentos da maneira que a polícia dos Estados Unidos se comporta em relação aos manifestantes pacíficos, é razão para Washington interferir nos assuntos internos da Ucrânia. Washington está usando os protestos para destruir a independência da Ucrânia e tem pronta a lista de fantoches que Washington pretende instalar no próximo governo da Ucrânia.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 
Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Líbia, Síria e agora Ucrânia – Revolução Colorida à força

27/1/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Roupas usadas pelos "Black bloc"  e recomendadas por organização
financiada pela CIA. (Clique na imagem para aumentar)
As mesmas forças que instigaram manifestações em 2011 na Síria agora instigam as mesmas manifestações na Ucrânia. Isso, pelo menos, o que se conclui do fato de que os mesmos impressos e desenhos são usados para treinar manifestantes “decididos”, dispostos a enfrentar tudo e todos.

Que outra explicação haveria para os dois panfletos que se veem na imagem aqui incluída, um escrito em árabe, o outro em letras cirílicas?

As manifestações e a ocupação de prédios do governo, ações nos dois casos ilegais, são igualmente brutais; como são ilegais e brutais os ataques criminosos contra policiais e outras forças do estado. Na Síria, a parte “muscular” da violência ficou a cargo de jihadistas pagos por interessados estrangeiros; na Ucrânia, foram usadas gangues de neonazistas.

As manifestações e os ataques contra o estado ucraniano são planejados e andam juntos. Nada há de “pacífico” nas manifestações de rua em Kiev.

As manifestações de rua são só fachada, espécie de ação de Relações Públicas, para encobrir o ataque contra o estado ucraniano. E políticos e agentes da empresa-imprensa imediatamente se puseram a manifestar “preocupações” e a ver “grave ameaça” nas respostas absolutamente legais e normais que o estado ucraniano deu àquelas manifestações nada pacíficas. Lixo e mais lixo: tudo está sendo feito para mascarar o apoio ocidental aos manifestantes nacionalistas neonazistas e para gerar cada vez mais violência.

Neonazistas ucranianos paramentados conforme recomendado pela CIA aos "Black bloc"
O objetivo é “mudança de regime”: mudar regimes de governos legítimos, por regimes de governos de alguns pequenos grupos. No caso de o regime legítimo resistir, o “plano B” é destruir o estado e toda a sociedade. Sobre isso, ninguém manifesta “preocupação” alguma, nem ninguém vê aí qualquer “grave ameaça”.

Vários veículos da imprensa-empresa alemã repetiram hoje essa mesma conversa sobre “manifestações pacíficas”, e nem uma palavra sobre os policiais que, em Kiev, estão sendo agredidos com coquetéis Molotov.

O que está acontecendo é absolutamente claro, e a imprensa-empresa faz o mesmo jogo dos políticos, dos militares e dos serviços secretos que estão agindo por trás dessas “revoluções”.

As velhas “revoluções coloridas” já se tornaram óbvias demais, e o modelo perdeu a serventia. O conceito então foi expandido: passou a usar amplamente a força, com mercenários armados e apoio externo para esses mercenários, com armas, munição, treinamento e outros meios.

Depois da Líbia, onde forças gadaffistas ainda resistem, a Síria foi destruída e, agora, o alvo é a Ucrânia. Provavelmente há listas de outros países a serem atacados por esses mesmos meios e planos. O que está realmente por trás das manifestações do parque-Gezi na Turquia? E por trás dos protestos em Bangkok? Há potências estrangeiras também por trás desses protestos? Ou não passam de macaqueação, por grupos locais, do que aprendem pela televisão e jornais? E onde entra o Egito, nisso tudo?

E qual a melhor defesa legítima que um governo pode construir para resistir?

E como devem os governos reagir contra esse tipo de ataque-intervenção?
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[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille  (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir: