Mostrando postagens com marcador Ouro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ouro. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de dezembro de 2014

Putin: o Grande-Mestre e o “ferrolho de ouro”


12/12/2014, Dmitry Kalinichenko, Investcafe.ru (trad. ao ing. Kristina Rus)

ЗАПАДНЫЙ КАПКАН ГРОССМЕЙСТЕРА ПУТИНА

Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu


O que os países BRICS, liderados por Rússia e China, estão fazendo atualmente é alterar realmente o papel e o status do dólar norte-americano no Sistema Monetário Global. De meio de pagamento derradeiro-essencial, e de derradeiro-essencial ativo para acumulação, a moeda nacional dos EUA, por ação conjunta de Moscou e Pequim, está convertida em simples meio de pagamento intermediário. Sua serventia é “fazer a ponte”, até ser trocado pelo derradeiro-essencial ativo financeiro: o ouro. É assim que o dólar norte-americano perde seu papel de derradeiro-essencial meio de pagamento e derradeiro-essencial ativo para acumulação ‒ e cede o trono a outro ativo monetário reverenciado, sem pátria ou nação ou aliados ou inimigos: o ouro.


Entreouvido quiosque do Frozô na Vila Vudu: “Não sei se é verdade, ou tudo mentira e só propaganda. Sei, com certeza, que o editorial da revista Época, do grupo Globo, ensinando privatização & ladroeira à moda da privataria tucana, é TOTALMENTE PROPAGANDA, vendida aos otários como se fosse jornalismo.

OK. É jornalismo de fascistização, mas, como diria qualquer fascista: “É jornalismo, uai!”

Daí concluo que “jornalismo democrático”, só se tiver boooooa propaganda/publicidade prôs dois, três, quatro, mil lados (mas, no mínimo, pra DOIS!). Na página de “Tendências & debates”, publicar-se-ia o besteirol lá de karké daqueles tucano-sem-votos iradinhos, na parte de cima (afinal, o jornal é deles, né?); e, na parte de baixo, esse artigo aí, do russo Dmitry Kalinichenko.O cara é advogado, dos que sabem muito de moeda & pregão & bolsa de valores, parecido com uns que as rádios paulistas entrevistam TOOOODAS as manhãs e depois repetem sem parar até à noite, pra eles dizerem como o dólar está forte e poderoso contra o real, o rublo...

Por que o “especialista” aí não pode ser entrevistado pela Jovem-Pan em Sampa?! Pourquoi pas?! Ou pela BandNews?! Só porque ele diz que o dólar tá é fodido, como fodidos estão os EUA e resto por lá por cima do Equador, do lado “ocidental”?!

Bóra traduzir e publicar. Todo mundo tem de ler. Depois a gente discute.

“Chegaremos à fartura!” (Stálin vive) [pano rápido]


Vladimir Putin e Xi Jinping
As acusações mais frequentes que o ocidente tem feito contra Putin têm a ver com ele ter prestado serviços à KGB. Portanto, é pessoa sanguinária e imoral. Tudo é culpa de Putin. Mas ninguém até hoje o declarou burro [como Kerry] ou doido [como o senador McCain].

Tudo que dizem contra o homem só faz enfatizar sua capacidade para pensar analiticamente e com objetividade, e para tomar decisões políticas e econômicas claras e equilibradas.

Seguidamente, a imprensa-empresa ocidental compara a capacidade do presidente Putin à habilidade dos Grandes-Mestres, capazes de jogar várias partidas simultâneas de xadrez em público. Desenvolvimentos recentes na economia dos EUA e do ocidente em geral permitem-nos concluir que nesse ponto, ao avaliar esses específicos traços da personalidade de Putin, a imprensa-empresa ocidental, finalmente, está absolutamente certa.

Por mais que Fox News e CNN, hoje, só façam repetir elogios aos sucessos econômicos do ocidente, a economia ocidental, levando à frente os EUA, está completamente presa na armadilha que Putin montou para ela, e ninguém no ocidente sabe como sair dessa arapuca. Quanto mais o ocidente esperneia tentando escapar, mais o ocidente se enreda na armadilha.

Qual é o destino realmente trágico no qual estão enredados o ocidente e os EUA? E por que a imprensa-empresa ocidental e os “especialistas” ocidentais midiáticos no campo da Economia mantêm o mais impenetrável silêncio sobre a coisa toda? Tentemos compreender no contexto da economia a essência dos eventos econômicos em curso, deixando de lado os fatores de moralismo, ética e geopolítica.

Depois de dar-se conta do fracasso de suas ações na Ucrânia, o ocidente, comandado pelos EUA, decidiu destruir a economia russa, fazendo desabar os preços do petróleo e também do gás, sabidamente itens principais de entradas no orçamento de exportações e fonte de recursos para recompor as reservas russas de ouro.

Deve-se observar que o principal fracasso do ocidente na Ucrânia não é nem militar nem político, mas, isso sim, não ter conseguido de Putin que ele aceitasse financiar o projeto ocidental da Ucrânia, à custa do orçamento da Federação Russa. E essa decisão de Putin tornou inviável o projeto ocidental no futuro próximo e inevitável.

De outra vez, sob o governo do presidente Reagan, esse tipo de movimento, de o ocidente baixar os preços do petróleo, teve “sucesso” e levou ao colapso da URSS. Mas a história não se repete sempre, e nunca do mesmo modo. Dessa vez, as coisas estão diferentes para o ocidente. A resposta de Putin ao ocidente parece mistura de xadrez com judô – quando você usa contra o inimigo a força que o inimigo usa contra você, com mínimo desgaste da força e dos recursos de quem se defenda. As reais políticas de Putin não são objeto de interesse da imprensa-empresa. Por isso, Putin pode manter-se sempre mais focado na eficiência, que em obter efeitos de impacto instantâneo e passageiro.

Poucos são os que compreendem o que Putin está fazendo nesse momento. E quase ninguém compreende o que ele fará na sequência.

Não importa o quanto pareça estranho, fato é que, hoje, a Rússia só está vendendo petróleo e gás a quem aceite pagar em ouro físico (Gráfico 1).



Putin não está espalhando a notícias aos quatro cantos do mundo. E, claro, ainda aceita dólares norte-americanos como meio de pagamento intermediário. Mas imediatamente converte todos os dólares que receba da venda de petróleo e gás, em ouro físico.

Para compreender, basta observar a dinâmica do crescimento das reservas russas em ouro, e comparar esse dado com o que a Federação Russa recebe da venda de petróleo e gás no mesmo período.

Além do mais, no 3º trimestre, as compras russas de ouro físico alcançaram o ponto máximo histórico, nível recorde. No 3º trimestre desse ano, a Rússia comprou a incrível quantidade de 55 toneladas de ouro. É mais que todo o ouro que há em todos os bancos centrais de todos os países (segundo dados oficiais) somados.

No total, os bancos centrais de todos os países do mundo compraram 93 toneladas de ouro no 3º trimestre de 2014. Foi o 15º trimestre consecutivo de compras líquidas de ouro, pelos bancos centrais. Das 93 toneladas de ouro que os bancos centrais de todo o mundo compraram nesse período, a “fatia” russa é de 55 toneladas (Gráfico 2)


Não faz muito tempo, cientistas britânicos já haviam chegado a uma conclusão, que foi publicada no relatório U.S. Geological. A saber: a Europa não conseguirá sobreviver sem a energia que compra da Rússia. Traduzido para qualquer idioma do mundo, significa: “O mundo não conseguirá sobreviver, se o petróleo e o gás russos forem excluídos da massa global de oferta de energia”.

Implica, pois, que o mundo ocidental, construído sobre a hegemonia do petrodólar, está em situação catastrófica. Não sabe sobreviver sem o petróleo e o gás que recebe da Rússia, e agora a Rússia só se interessa por vender petróleo e gás ao ocidente em troca de ouro físico. O “truque”, na jogada de Putin, é que o mecanismo para a venda de energia ao ocidente em troca de ouro funciona sempre, mesmo quando, como agora, o ocidente pague pelo gás e petróleo russos com o seu dólar artificialmente desvalorizado.

Porque a Rússia, tendo fluxo regular de dólares da venda de petróleo e gás, em todos os casos, sempre, pode converter os dólares em ouro aos preços atuais, que o ocidente oferece a preços deprimidos. Quer dizer, com o preço do ouro, que foi artificial e meticulosamente rebaixado várias vezes pelo Fed e pelo Fundo de Estabilização do Câmbio, departamento especial do governo dos EUA (Exchange Stabilization Fund, ESF), contra o poder de compra artificialmente inflado do dólar mediante a manipulação dos mercados.

Fato relevante: Desde 2012, a manipulação dos preços do ouro para baixo, pelo Fundo de Estabilização do Câmbio, departamento especial do governo dos EUA – com o objetivo de estabilizar o dólar – foi convertida em lei nos EUA.

No mundo financeiro aceita-se como dado indiscutível que o ouro é um antidólar.

Em 1971, o presidente Nixon dos EUA fechou a “janela ouro”, pondo fim ao livre câmbio de dólares por ouro, garantido pelos EUA em 1944 em Bretton Woods.

Em 2014, o presidente Putin da Rússia reabriu a “janela ouro” – sem pedir licença a Washington.

Atualmente, o ocidente consome muito de seus esforços e recursos para manter deprimidos os preços do ouro e do petróleo. Por um lado, para distorcer a realidade econômica a favor do dólar norte-americano; por outro lado, para destruir a economia russa, que se recusa a fazer o papel de vassalo obediente do Ocidente.

Hoje, ativos como ouro e petróleo parecem proporcionalmente enfraquecidos e excessivamente desvalorizados contra o dólar norte-americano. É efeito do enorme esforço econômico que o ocidente está fazendo.

E agora Putin vende recursos energéticos russos em troca desses dólares artificialmente inflados por esforços do ocidente. Com os dólares inflados, ele imediatamente compra ouro, artificialmente desvalorizado em relação ao dólar dos EUA... por empenho do próprio ocidente!

Há mais um elemento interessante no jogo de Putin. É o urânio russo. 1/6 de todas as lâmpadas que há nos EUA dependem do suprimento russo de urânio. Que a Rússia vende aos EUA em troca de dólares, é claro.

Em troca do óleo, do gás e do urânio russos, o ocidente paga à Rússia em dólares, moeda cujo poder de compra está artificialmente inflado contra o petróleo e o ouro, por efeito de esforços do ocidente. Mas Putin usa os mesmos dólares para tirar ouro do ocidente, pelo preço em dólares norte-americanos que o próprio ocidente baixou tanto!

Assim, nessa dança e contradança brilhantes, Putin põe o ocidente, com os EUA à frente, na posição da cobra que furiosamente, agressivamente e aplicadamente vai devorando o próprio rabo.

A ideia dessa armadilha econômica para “segurar” o ocidente pode, muito provavelmente, ter saído da cabeça do próprio Putin. Mais provavelmente, foi ideia do Dr. Sergey Glazyev, Conselheiro da presidência russa para Questões Econômicas. Se não por isso, por que Glazyev, burocrata sem envolvimento no mundo comercial-empresarial, foi incluído, com vários empresários russos, na lista das sanções de Washington? E a ideia do economista foi brilhantemente aplicada por Putin, completamente apoiada por seu colega chinês – XI Jinping.

Particularmente interessante, nesse contexto, é a declaração feita em novembro, pela primeira vice-presidente do Banco Central da Rússia (BCR), Ksenia Yudaeva, que disse que BCR pode usar o ouro das reservas para pagar por importações, sendo necessário. Claro que, no que tenha a ver com as sanções, a declaração visa aos países BRICS, em primeiro lugar à China. Para a Rússia, a disposição dos russos de servir-se do ouro ocidental para pagar por importações, é altamente conveniente. Eis por quê:

– Recentemente, a China anunciou que deixaria de ampliar suas reservas em ativos denominados em dólares norte-americanos. Considerando o crescente déficit comercial entre EUA e China (a diferença hoje é cinco vezes, favorável à China), essa declaração, traduzida do idioma financeiro, significa: “A China parou de aceitar dólares em pagamento pelo que exporta”.

A imprensa-empresa mundial escolhe não noticiar esse que é o mais importante “evento” de toda a história monetária recente. A questão não é que a China literalmente se recuse a vender seus produtos para receber em dólares norte-americanos. É claro que a China continuará a aceitar dólares norte-americanos como pagamento “intermediário” por seus bens. Mas, recebidos os dólares, a China imediatamente cuidará de livrar-se deles e de substituí-lo por algo com mais “substância” nas suas reservas ouro e moedas.

Se não se assume tudo isso, não há como compreender as recentes declarações das autoridades monetárias chinesas: “Estamos detendo o crescimento de nossas reservas ouro e monetárias denominadas em dólares norte-americanos”. Significa que a China não mais comprará bônus do Tesouro dos EUA em troca de dólares armazenados do comércio com outros países, como fazia.


A China substituirá todos os dólares que receberá pelos bens vendidos, não aos EUA, mas ao mundo todo, com algo que não é denominado em dólares norte-americanos. A pergunta seguinte é interessante: com o que a China substituirá todos os dólares de seus negócios? Com que moeda, com que tipo de ativo? Análises da atual política monetária chinesa mostram que muito provavelmente os dólares que venham do comércio, ou parte considerável deles, a China os substituirá em silêncio – de fato, já estão sendo substituídos – por Ouro.

Nesse aspecto, a parceria solitária de russos e chineses é extremamente bem-sucedida para Moscou e para Pequim. A Rússia compra bens da China pelos quais paga diretamente em ouro, aos preços atuais. E a China compra recursos energéticos russos pelos quais paga diretamente em ouro, aos preços atuais. Nesse festival de celebração da vida entre russos e chineses, há espaço para tudo: bens chineses, recursos energéticos russos e ouro – como meio de pagamento nas duas direções. O dólar norte-americano é a única moeda que não tem lugar nesse festival de celebração da vida e da paz.

De fato, não é surpresa. Afinal, o dólar norte-americano não é nem produto chinês, nem recurso energético russo. Não passa de instrumento financeiro intermediário de quitação – e intermediário desnecessário.

Todos os intermediários desnecessários sempre serão, como sempre foram, excluídos de qualquer interação entre parceiros comerciais independentes.

Deve-se observar à parte que o mercado global para ouro físico é extremamente restrito, se comparado ao mercado mundial para petróleo físico. E o mercado para ouro físico é microscópico, comparado à totalidade dos mercados mundiais para entregas físicas de petróleo, gás, urânio e bens manufaturados. Repete-se sempre a expressão “ouro físico”, porque, no pagamento em vendas de recursos de energia, a Rússia não recebe recursos energéticos “de papel”. A Rússia está extraindo ouro do oriente, sempre em sua forma física, não na forma “papel”. É o que a China obtém, ao receber do ocidente o ouro “físico” desvalorizado, como pagamento por entrega física de produtos reais ao ocidente.

As esperanças do ocidente, de que China e Rússia aceitariam, para pagamento por bens e recursos energéticos, as chamadas moedas-merda, “merda-coin” [orig. shitcoin] ou o chamado “papel-ouro” de vários tipos, não se realizaram. À Rússia e à China só interessa o ouro, e como metal físico, como meio final de pagamento.

PARA REFERÊNCIA: O turnover do mercado de papel ouro, só de ouro futuro, é estimado em US$ 360 bilhões/mês. Mas a entrega de ouro físico é de apenas US$ 280 milhões/mês. A proporção entre papel-ouro e ouro físico é de 1.000:1.

Ao servir-se do mecanismo de retirar ativamente do mercado, um ativo financeiro artificialmente desvalorizado pelo ocidente (ouro), em troca de outro ativo financeiro, mas artificialmente sobrevalorizado pelo ocidente (o dólar norte-americano), Putin iniciou a contagem regressiva que leva ao fim da hegemonia mundial do petrodólar. E Putin empurrou o ocidente para um impasse, porque não há nenhuma perspectiva econômica positiva.

O ocidente pode consumir quantos esforços e recursos deseje para engordar artificialmente o poder de compra do dólar, baixar os preços do petróleo e baixar artificialmente o poder de compra do dólar. O problema, para o ocidente, é que os estoques de ouro físico que hoje estão no ocidente não são ilimitados. Assim sendo, quanto mais o ocidente desvalorize o petróleo e o ouro em relação ao dólar norte-americano, mais depressa o ocidente perde, porque desvaloriza o ouro que guarda em suas reservas finitas.

Nessa jogada brilhante de combinação econômica que Putin ativou, o ouro físico que sai das reservas ocidentais está rapidamente fluindo para Rússia, China, Brasil, Cazaquistão e Índia, os países BRICS. Ao ritmo atual de redução de reservas de ouro físico, o ocidente simplesmente não tem tempo para fazer qualquer coisa contra a Rússia de Putin, antes do desabamento e colapso de todo o mundo do petrodólar ocidental. No xadrez contra o relógio, a situação em que Putin meteu o ocidente – com os EUA à frente – chama-se “falta de tempo”, em alemão Zeitnot.

O mundo ocidental jamais antes assistiu aos eventos e fenômenos econômicos aos quais assistem hoje. A URSS vendeu ouro rapidamente quando os preços do petróleo desceram. A Rússia rapidamente compra ouro quando os preços do petróleo descem. Implica que a Rússia impõe hoje ameaça real contra o modelo norte-americano de dominação mundial pelo petrodólar.

O princípio chave do modelo do petrodólar mundial é permitir que os países ocidentais liderados pelos EUA vivessem à custa do sangue, do trabalho e dos recursos de outros países e povos, a partir do papel que tem a moeda norte-americana, dominante no sistema monetário global (SMG). O papel do dólar norte-americano no SMG é que é (ou foi) o meio derradeiro de pagamento. Significa que a moeda nacional dos EUA, na estrutura do SMG, é (ou foi) o derradeiro ativo para acumulação, que não faria jamais sentido cambiar por qualquer outro ativo.

BRICS
O que os países BRICS, liderados por Rússia e China, estão fazendo atualmente é alterar realmente o papel e o status do dólar norte-americano no Sistema Monetário Global. De meio de pagamento derradeiro-essencial, e de derradeiro-essencial ativo para acumulação, a moeda nacional dos EUA, por ação conjunta de Moscou e Pequim, está convertida em nada além de meio de pagamento intermediário. Sua serventia é “fazer a ponte”, até ser trocado pelo derradeiro-essencial ativo financeiro: o ouro. É assim que o dólar norte-americano perde seu papel de derradeiro-essencial meio de pagamento e derradeiro-essencial ativo para acumulação – e cede o trono a outro ativo monetário reverenciado, sem pátria ou nação ou aliados ou inimigos: o ouro.

Tradicionalmente, o ocidente sempre usou dois métodos para eliminar qualquer ameaça contra a hegemonia do modelo do petrodólar no mundo e todos os descabidos privilégios para o ocidente. Um desses métodos: as revoluções “coloridas”. O segundo método, comumente aplicado pelo ocidente quando falha o primeiro: agressão militar e bombardeio.

Mas no caso da Rússia esses dois métodos são ou impossíveis ou inaceitáveis no ocidente.

Porque, em primeiro lugar, a população da Rússia, diferente de muitos outros povos, não deseja trocar a própria independência e o futuro dos próprios filhos, pelos sanduichões apodrecidos que o ocidente chama de comida. Vê-se bem claro, pelos índices de aprovação de Putin, que as grandes agências ocidentais não se cansam de ‘pesquisar’ e, depois, têm de publicar.

A descoberta de que Alexei Navalny mantém relações estreitíssimas com o Senador McCain e com Washington derrubou toda a credibilidade que tivesse. A notícia do relacionamento entre eles foi assunto de noticiário.

Na sequência, 98% da população russa passou a ver Navalny [vive de denunciar “corrupções”, até agora sem qualquer prova contra Putin, e chegou a ser uma espécie de Aécim russo – embora mais rico, muito mais bonito e muuuuuuuito mais macho que o minerin (NTs)], apenas como sabujo, fantoche e vassalo de Washington e traidor dos interesses nacionais dos russos. E os “especialistas” ocidentais que ainda não enlouqueceram totalmente sabem perfeitamente que “revolução colorida” nunca funcionará no caso da Rússia.

Quanto ao segundo modo tradicional ocidental, da agressão militar direta, evidentemente Rússia não é Iugoslávia, nem Iraque nem Líbia. Em qualquer operação militar não nuclear contra a Rússia, em território russo, o ocidente, com os EUA à frente, estão condenados ao mais fragoroso desastre. E os generais do Pentágono, que são os comandantes de fato das forças da OTAN, já sabem disso.

Ataque nuclear à Rússia também é sem esperanças, inclusive o chamado “ataque nuclear preventivo para desarme”. A OTAN é simplesmente incapaz, em termos técnicos, de lançar qualquer ataque que desarmasse completamente todo o potencial nuclear da Rússia em suas diferentes manifestações. Um ataque massivo nuclear de retaliação contra inimigo ou pool de inimigos atacantes é absolutamente incontornável, se a Rússia for atacada. E a capacidade nuclear total dos russos é suficiente para que os sobreviventes invejem a sorte dos mortos.

Assim se esclarece suficientemente que atacar com armamento nuclear um país como a Rússia não é solução a ser considerada, para resolver o “problema” do colapso do mundo do petrodólar. No melhor dos casos, seria um último acorde no funeral do petrodólar. No pior dos casos, um inverno atômico, o fim da vida no planeta Terra, que ficará entregue a bactérias alteradas pela radiação.

O establishment econômico ocidental sabe e compreende a essência da situação, gravíssima e sem saída, em que o ocidente acabou preso, na armadilha com ferrolho de ouro que Putin urdiu. Afinal de contas, desde os acordos de Bretton Woods todos conhecemos a regra fundamental: “Quem tem mais ouro fixa a regra fundamental.” Mas ninguém, no ocidente, fala sobre a coisa. Não porque o ocidente não saiba onde está metido. Mas porque ninguém no ocidente sabe como o ocidente se safará, se safar-se.

Se se explicar ao público ocidental todos os detalhes do desastre econômico que se aproxima, o povo perguntará aos apoiadores do mundo do petrodólar a mais terrível das perguntas, que se pode formular mais ou menos assim:

– E por quanto tempo o ocidente consegue continuar a comprar petróleo e gás da Rússia e pagar com ouro físico?

E o que acontecerá ao petrodólar norte-americano depois que acabar o ouro físico no ocidente para pagar pelo petróleo, pelo gás e pelo urânio russos, além de outros produtos russos?

Ninguém no ocidente hoje sabe responder essas duas perguntas aparentemente simplíssimas. O nome técnico é xeque-mate, senhoras e senhores. 

Fim de jogo. 

A brincadeira acabou

sábado, 13 de dezembro de 2014

Pepe Escobar: O novo “arco de instabilidade” europeu

10/12/2014, [*] Pepe Escobar, RT − Rússia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Conselho Europeu de Relações Exteriores
(foto: Chris Hondros)

O think-tank Friedrich Ebert Stiftung de Berlim e o Conselho Europeu de Relações Exteriores e acabam de chegar mais ou menos à mesma conclusão.

Se o perigoso impasse entre a União Europeia (UE) e a Rússia por causa da Ucrânia não for resolvido, a UE enfrentará, mais tardar até 2030, ameaçadora acumulação de tensão militar no leste europeu; uma nova corrida armamentista, com a OTAN como protagonista; e uma “zona de instabilidade” semipermanente do Báltico aos Bálcãs e o Mar Negro.

O que esses dois think-tanks não reconhecem – nem jamais reconhecerão – é que esse novo “arco de instabilidade” do Báltico ao Mar Negro – como eu e vários analistas independentes temos repetido – é exatamente o que o Império do Caos e a OTAN, seu braço armado, estão construindo para impedir qualquer integração mais firme na Eurásia.

O Pentágono, por falar dele, acumula notório saber na fabricação de “arcos de instabilidade”.Antes do mais recente, construiu – e ela lá permanece – uma grande área de instabilidade que vai do Maghreb a Xinjiang na China ocidental, atravessando o Oriente Médio e a Ásia Central.

Moscou já identificou e decifrou completamente o golpe. O Ministro de Relações Exteriores, Sergey Lavrov, mais uma vez explicou tudo com total clareza, em detalhes [entrevista (longa) está sendo traduzida (NTs)].

Sergey Lavrov na entrevista de 9/12/1024
Crucialmente importante: também alguns setores influentes na Alemanha já entenderam e estão explicando, com membros da elite cultural alemã já trabalhando para destruir qualquer ideia de nova guerra na Europa: “Não no nosso nome”. O mesmo se pode dizer de alguns que sempre pregaram maior cooperação transatlântica, que viviam a louvar o papel de “definição” que os EUA têm na Alemanha e muito repetiam que a Alemanha seria o “mais norte-americano” dos países europeus; é o caso do jornal Frankfurter Allgemeine – ativo no coração do establishment político e econômico na Alemanha.

A coisa ainda está em estágio embrionário, e a chanceler Angela Merkel ainda não viu a luz; mas não há dúvidas de que já está em andamento na Alemanha uma operação de reengenharia reversa das relações atlanticistas.


Enquanto isso, o proverbial grupo de senadores norte-americanos extremistas, mais os conhecidos poodles/vassalos britânicos e poloneses, não pararam de fazer lobby para expulsar a Rússia da Cooperativa para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais, criada e mantida pelo Acordo SWIFT – exatamente como fizeram com o Irã.

Seria, precisa e exatamente, mais uma declaração de guerra (econômica) – ou o contraponto econômico da histeria da OTAN. Verdade seja dita: grande parte da União Europeia – especialmente a Alemanha – sabe que essa coisa é loucura e nada mais.

O principal jornal alemão de finanças, Handelsblatt, publicou recentemente uma entrevista decisivamente importante, feita com o presidente do VTB-Bank, Andrei Kostin, que ainda não apareceu traduzida em nenhum grande jornal em inglês.

Taxa do rublo em Moscou em 9/12/2014
Kostin, naquela entrevista, vai diretamente ao ponto:

É claro que há um plano B [para o caso de a Rússia ser impedida de operar com o sistema bancário mundial pela rede SWIFT]. Mas em minha opinião pessoal, se tal tipo de sanção for introduzido, haverá guerra. Foi o que EUA e Europa fizeram contra o Irã, mas com o Irã naquele momento não havia relações diplomáticas, só “contenção” militar (...) Se o acesso à rede SWIFT foi negado aos bancos russos, no mesmo dia o embaixador dos EUA em Moscou terá de fazer as malas e deixar o país. As relações diplomáticas serão declaradas rompidas. O sistema de banking é a parte mais vulnerável da economia russa, porque todo ele é muito fortemente dependente do dólar e do euro.

No próximo mês de maio (2015), o Banco Central da Rússia deverá pôr em operação uma cooperativa de telecomunicações análoga à rede SWIFT – depois de concluídas as consultas e entendimentos chaves com a China. Sempre importante manter em mente que a China mantém já em operação uma rede paralela semelhante à SWIFT para os negócios que faz com o Irã, desde o início das sanções. Mas há aí uma “janela” de quatro meses, tempo bastante para toda uma longa enfiada de operações imundas, sobretudo depois que o Senado controlado pelos Republicanos tomar posse nos EUA em janeiro.

Tudo que reluz...

E há a tal “proporção áurea”. Por que a Rússia está comprando tanto ouro? Com o dólar norte-americano forçado para cima e o ouro forçado para baixo, faz perfeito sentido comercial vender gás a gordos preços em dólares inflados e comprar ouro a preços deprimidos; é o que os chineses chamam de “ganha-ganha”. Claro também que o ocidente perde (nas duas pontas).

As elites de Washington/Wall Street sabem perfeitamente que Moscou e Pequim não estão acumulando e nunca mais acumularão reservas em dólares norte-americanos. Dado que os plutocratas Mestres do Universo que manipulam/controlam o valor do dólar norte-americano não jogam para perder dinheiro, é bem razoável supor que um dos objetivos deles seja hoje arruinar a base industrial e as classes médias nos EUA.

Moscou acumula reservas em ouro
Moscou, por sua vez, já se ajustou à nova “instabilidade”. O fraco rublo teve efeito positivo – como o presidente Putin já observou – porque forçou a Rússia a diversificar a manufatura e tornar-se mais autossuficiente.

Claro: o problema persiste, para a Rússia, de pagar os juros da dívida externa em dólares norte-americanos. Moscou sempre pode declarar-se em moratória e não pagar. O rublo cairia ainda mais. Mas, uma vez que qualquer um, de Lukoil a Rosneft converte mais dólares em rublos, o processo faria o rublo voltar a subir. O resumo disso tudo é que Moscou já aprendeu mais uma lição útil para o futuro imediato: nada dever ao ocidente.

Certo é que o Império do Caos não aliviará em sua estratégia de aquecer o mais possível o novo arco de instabilidade – dentro da Europa, atravessando o espectro econômico/ financeiro – e instrumentalizando sua Neo-Cortina de Ferro pré-fabricada, do Báltico ao Mar Negro.

Saker
O Kremlin parece saber exatamente a que ponto as apostas subiram. Como me escreveu o Saker, por e-mail:

Putin está dizendo a russos e a ocidentais que está em curso uma longa guerra e que o povo russo tem de estar moralmente preparado para aceitar sacrifícios pela sobrevivência da Rússia. É mais um passo na ‘'saída do armário'’ dos que eu chamo de “Soberanistas Eurasianos”, processo no qual os EUA já foram abertamente declarados inimigos russofóbicos da Rússia (odeiam a Rússia e têm medo da Rússia); e os europeus já foram desmascarados como colônia impotente. O poder militar não é, nisso, fator diretamente decisivo; o fator diretamente decisivo é o equilíbrio interno de poder, em Moscou, entre os “Atlanticistas Integracionistas” pró-ocidente e os “Soberanistas Eurasianos”.

Está tudo brilhantemente explicado por Mikhail Khazin, da débâcle do regime de Bretton Woods, até a crise atual, crise provocada. Rússia rocks. E o ocidente?


[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.
− Seu novo livro, Empire of Chaos, acaba de ser publicado pela Nimble Books.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Manipulações do MERCADO, cada vez mais ARRISCADAS... e DESEPERADAS

7/2/2014, [*]Paul Craig Roberts e [**] Dave Kranzler - IPE
Traduzido por João Aroldo


Manipulando o mercado do OURO
Em dois artigos recentes nós explicamos os comos e os porquês da manipulação do preço do ouro. As manipulações estão se tornando cada vez mais evidentes. Em 6 de fevereiro os preços do mercado futuro de ouro e de ações foram simultaneamente manipulados.

Em várias ocasiões recentes o ouro tentou forçar um preço de 1.270 dólares por onça. Se o preço do ouro sobe além desse nível, isso provocaria uma enxurrada de cobertura de posições vendidas pelos fundos de hedge que pegam “carona” na manipulação do ouro dos bancos. As compras por parte dos fundos de hedge, a fim de cobrir as suas posições vendidas, levaria o preço do ouro para cima.

Com a pressão exercida pela pouca oferta de barras de ouro físicas disponíveis para entrega à China, o Fed está ficando mais desesperado para conter o preço do ouro. A recente grande queda no mercado de ações ameaçou a política do Fed de tirar a pressão do dólar cortando as compras de títulos e reduzindo a quantidade de monetização da dívida.

Quinta-feira, 6/2/2014, fornece uma imagem clara de como o Fed protege sua política através da manipulação dos mercados de ouro e ações. O ouro começou a subir na noite anterior quando os mercados asiáticos abriam. O ouro aumentou de forma constante, de 1.254 dólares/onça  até um máximo de 1.267 dólares/onça logo após a abertura da Comex (08h20 horário de NY). O pico na abertura da Comex reflete uma corrida de cobertura de posições vendidas, e o mercado futuro de ações parecia que estava prestes a tornar-se negativo durante o dia. No entanto, a partir das 08h50, eis o que aconteceu com futuros Comex e ações futuras da S&P 500:

(clique no gráfico para aumentar)

Às 08h50, horário de NY (o horário do gráfico é hora de Denver), havia 3.225 contratos no chão da Comex. Durante as últimas 14 horas e 50 minutos de negociação, cerca de 76 mil contratos totais para abril foram negociados (sistema Globex computador + chão Comex), menos de uma média de 85 contratos por minuto. Os 3.225 contratos de futuros vendidos em um minuto causou um declínio de US$ 15 dólares no preço do ouro. Ao mesmo tempo, o mercado de ações futuro misteriosamente atingia um pico:

(clique no gráfico para aumentar)

A economia está ficando mais fraca. A política do Fed está, obviamente, falhando, apesar de pronunciamentos oficiais recentes de que a economia está melhorando e de que as políticas monetárias de Bernanke tiveram sucesso. Um estudo recém-publicado de Jing Cynthia Wu e Fan Dora Zia conclui que o impacto positivo da política do Federal Reserve de flexibilização quantitativa é tão pequena a ponto de ser insignificante. A expansão de multitrilhões de dólares no balanço da Federal Reserve baixou a taxa de desemprego em pouco mais de dois décimos de um por cento, elevou o índice de produção industrial em 2 por cento, e meras 34 mil novas casas.

A renovação da batalha sobre o limite do teto da dívida tem viés de alta para o ouro e de baixa para as ações. No entanto, com a manipulação constante do preço do ouro e médias de ações via ouro e mercado de futuros, o funcionamento normal dos mercados que estabelecem valores verdadeiros é interrompido.

Um problema crescente para os manipuladores é que o Ocidente está com pouco ouro disponível para entregar à China e outros compradores asiáticos. Em janeiro, a China recebeu uma quantidade recorde de ouro. A China está fechada desde sexta-feira passada na celebração do Ano-Novo Chinês. Quando a China retomar as compras, a inadimplência na entrega se aproxima.


Uma maneira para o Fed e os bancos de ouro adiar o calote em compras chinesas é forçar os titulares de contratos futuros de ouro a pagar em dinheiro, não em entrega de ouro, levando o preço para baixo durante períodos pesados de entrega Comex. Isto é o que provavelmente ocorreu em 6 de fevereiro, além da manutenção de preços de ouro rotineira do Fed.

Segundo o relatório Comex de quinta-feira (6/2/2014) para fechamento de quarta-feira (5/2/2014), havia cerca de 616 mil onças de ouro disponíveis para serem entregues a partir dos cofres Comex para os contratos de fevereiro, totalizando pouco mais de 400 mil onças, dos quais os avisos de entrega para 100 mil onças foram dados na noite de quarta-feira passada (5/2/2014). Se os detentores dos outros 300.000 contratos optarem por receber a entrega, em vez de acerto em dinheiro, os contratos de fevereiro iriam absorver dois terços do ouro Comex disponíveis para entrega.

Estoques de ouro da COMEX decaem rapidamente...
O estoque de ouro Comex tem sido uma grande fonte de remessas de ouro do Ocidente para o Oriente, resultando em um declínio do estoque de ouro Comex por mais de 4 milhões de onças - 113 toneladas-durante o ano de 2013. Sabemos, a partir de relatórios de refinarias de barras suíças, que as barras de ouro Comex de 100 onças estão sendo recebidas por estas refinarias e refundidas em barras de um quilo preferidas pelos chineses e enviadas para Hong Kong. Com a quantidade de ouro físico nos cofres da Comex sendo rapidamente removida, o Fed e os bancos de ouro usam táticas de emboscada do mercado, como as que descrevemos acima, para aumentar e conservar a oferta de ouro disponível para entrega.

Os leitores têm perguntado se o ouro pode continuar a ter posições cobertas na Comex, já que não há ouro para a entrega. Pelo que vimos, a manipulação da taxa LIBOR, do preço do ouro em Londres, das taxas de câmbio, do preço das ações e da manipulação de futuros do ouro e dos preços do mercado de ações - não sabemos qual é o limite para a capacidade do Fed, do Tesouro, da Plunge Protection Team (Equipe de Proteção de Queda), o Exchange Stabilization Fund (Fundo de Estabilização de Câmbio), e dos bancos para manipular os mercados.
________________

[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week eScripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 
Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus   o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.



[**] Dave Kranzler foi comerciante de títulos de alto rendimento para Bankers Trust por uma década. É co-fundador e diretor da Golden Returns Capital LLC e gerente do Precious Metals Opportunity Fund.