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terça-feira, 28 de maio de 2013

Esqueceram dos empresários




Publicado em 28/05/2013 por Mário Augusto Jakobskind [*]

Causou estranheza o fato de a Comissão Nacional da Verdade ao apresentar um balanço sobre um ano de atividades dedicasse pouca informação relacionada com a participação do setor empresarial na ditadura. Para se passar o país a limpo será necessário ir fundo nessa questão, porque muitos apoiadores do regime de força hoje se apresentam como democratas desde criancinha, na prática enganando a opinião pública.

A área de mídia também merece uma investigação profunda, porque muitos veículos além de silenciarem na época deram apoio ostensivo ao regime ditatorial. O Globo é um exemplo, embora alguns digam que o patrono da empresa, Roberto Marinho, tenha livrado a cara de jornalistas que não eram bem vistos pelo regime. Mas os mais críticos, em função da subserviência aos generais de plantão, não absolvem as Organizações Globo, mesmo se eventualmente o seu patrono tenha livrado a cara de um ou outro jornalista do seu quadro das garras da repressão.

Não há notícias de que as Organizações Globo chegassem a ceder veículos para o aparelho repressivo, como fez o grupo Folhas, de Octávio Frias, em São Paulo. Os veículos de comunicação dos Marinhos se limitaram a abrir seus espaços de forma áulica aos generais de plantão e seus seguidores.

É preciso que os brasileiros, sobretudo os das novas gerações, sejam informados sobre o que se passou nos anos de chumbo e como se comportaram alguns setores que hoje se dizem defensores da democracia.

No relatório apresentado pela Comissão da Verdade, alguns fatos tornados públicos não chegam a ser novidade, como, por exemplo, que os que pegaram o poder à força torturavam opositores logo depois da derrubada do presidente constitucional João Goulart.

A tortura, portanto, não foi instituída a partir de 1968 com a promulgação do AI-5, como alguns ainda hoje apoiadores do regime justificam. Esta gente, que navega nas ondas do Clube Militar, ao deturpar a história diz que o regime ficou mais duro para enfrentar a guerrilha. Omitem o que acontecia antes de 13 de dezembro de 1968. E que a ação do próprio regime fez com que alguns setores da oposição, de forma precária, partissem para a luta armada por entenderem que seria o único caminho para acabar com o estado repressivo.

Exemplo argentino - A Argentina tem dado exemplo de como ir fundo nas questões da repressão. Além de julgar agentes do Estado que fizeram barbaridades em matéria de violações dos direitos humanos, agora mesmo a Justiça processou três ex-diretores da filial da Ford no contexto de uma causa que investiga o sequestro de trabalhadores em uma filial da empresa norte-americana.

Por ordem da juíza federal Alicia Vence, os acusados, Pedro Muller, do setor de manufaturas, Guillermo Galarraga, da área de relações trabalhistas e Héctor Francisco Jesús Sibilla, ex-chefe de segurança da empresa estão respondendo na Justiça pelo sequestro de 24 trabalhadores da Ford, na localidade de Pacheco, próximo a Buenos Aires, ocorrida entre 24 de março e 20 de agosto de 1976.

Os três, segundo a juíza, facilitaram informações sobre os trabalhadores à repressão. Ou seja, eram dedos-duros, fornecendo até fotografias e os endereços particulares para que as autoridades os prendessem.

Embora os acusados tenham sido considerados “participantes primários dos crimes de privação ilegal da liberdade dos trabalhadores, duplamente agravada por ter sido cometida por abuso funcional, com violência e ameaças”, mesmo assim a juíza ordenou o embargo dos bens dos processados, até alcançar a soma de 750 mil pesos, correspondente a cerca de 143 mil dólares.

É bem possível que a Comissão da Verdade destas bandas esmiuçando arquivos e toda a papelada da repressão possa chegar aos dedos-duros que infelicitaram a vida de muitos brasileiros, ajudando inclusive o trabalho da repressão, e seguem por aí como se não tivessem nenhuma responsabilidade sobre os acontecimentos.

Em suma, não basta conhecer os 1.500 agentes do estado ditatorial brasileiro, sejam militares ou civis, que cometeram atrocidades, inclusive estupros de opositoras, como informa a Comissão Nacional da Verdade. Para virar a página definitivamente é preciso fazer o mesmo que está sendo feito na Argentina. 

Por lá, em um primeiro momento duas leis, Ponto Final e Obediência Devida, livravam a cara dos que cometeram violações dos direitos humanos. Bastou aparecer um Presidente com vontade política, como Nestor Kirchner, para que a lei de anistia fosse revogada em 2003. A Corte Suprema em 2005 confirmou a constitucionalidade da decisão e começaram os julgamentos.

Por aqui, a instância máxima da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento lamentável, confirmou a Lei da Anistia que deixa impunes agentes do Estado que cometeram crimes de lesa humanidade. E ainda não apareceu um Presidente que tivesse vontade política para levar adiante para o Congresso o mesmo que aconteceu na Argentina.
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Mário Augusto Jakobskind [*] é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação


 

domingo, 18 de março de 2012

Os marqueteiros de Sérgio Cabral e do anti-Chávez



O Anti - Chávez

Publicado em 18/03/2012 por *Mário Augusto Jakobskind

O foco da direita de todos os quadrantes do mundo volta-se com toda a força para a Venezuela. Por lá haverá eleição presidencial em outubro. Hugo Chávez se recupera de uma cirurgia de extração de um tumor maligno. A mídia de mercado de um modo geral tem reproduzido informes do colunista de O Globo, Merval Pereira, que, com base na revelação de um médico, o presidente venezuelano não tem dois anos de vida.

A informação é, no mínimo, questionável, pois não apresenta nada de concreto a não ser a palavra de um suspeito. No currículo apresentado pelo médico consta que ele é anticomunista. Esta é a fonte do colunista, que não esconde sua preferência pelo candidato de oposição de nome Henrique Capriles Radonsky (foto).

Este senhor, de origem judaica, converteu-se ao catolicismo e se vinculou sempre a setores mais à direita da referida religião, como a Opus Dei, segundo analistas de linha oposta a de Merval Pereira.

Capriles participou ativamente da tentativa de golpe contra Chávez, em abril de 2002. Esteve presente numa manifestação que tinha por objetivo ocupar a embaixada cubana em Caracas. Capriles Radonski é extremista de direita e nunca escondeu tal fato até bem pouco tempo.

Só que agora, como candidato da oposição tenta vender imagem de político moderado e chegou até a dizer que se eleito seguirá a linha de Lula. Para mudar a sua imagem, o candidato contratou, possivelmente a peso ouro, dois marqueteiros brasileiros, Renato Pereira e Chico Mendes, da agência Prole.

Fontes fidedignas garantem que os dois foram indicados à oposição venezuelana nada mais nada menos que pelo Governador Sergio Cabral, a quem prestam serviços de propaganda enganosa.

Tem lógica. Os marqueteiros de Cabral conseguiram vender uma marca podre elegendo-o com 63% votos. Convenhamos, tiveram um árduo trabalho, que foi possível dar certo graças a inestimável colaboração da maquina fisiológica do PMDB e da mídia de mercado.

Moldar a imagem de Capriles Radonski para apresentá-lo como democrata desde criancinha convenhamos, nem mesmo um milagre dos céus como pretende a Opus Dei.

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Segundo as últimas informações, a Presidenta Dilma Rousseff está para anunciar os nomes dos sete integrantes da Comissão da Verdade, que terão a incumbência de realizar o trabalho de investigação das violações dos direitos humanos, sobretudo depois de abril de 1964.

Muitas verdades ainda estão ocultas e quem tem a revelação são civis e militares com culpa no cartório, ou seja, agentes do Estado ainda vivos, comprometidos até a medula com a repressão e o regime vigente naquele período.

Curió, Brilhante Ustra e outras figuras da ditadura seguem impunes até agora. O Ministério Público pretendia investigar Curió, responsável por crimes imprescritíveis relacionados com o desaparecimento de combatentes da guerrilha do Araguaia, mas a Justiça no Pará recusou o pedido sob a alegação de sempre, ou seja, que está em vigor a Lei da Anistia.

Os mencionados e outros ainda vivos precisam ser investigados com rigor.

Mas as investigações não podem ficar resumidas a eles. Tem gente e grupos mais poderosos escondidos debaixo do tapete da história, como, por exemplo, empresários financiadores da repressão, grupos midiáticos comprometidos desde o início com o golpe civil militar que derrubou o presidente constitucional João Goulart e também a participação de professores de torturas, de nacionalidade estadunidense, contratados para ministrar, in loco, o seu know how; entre os quais Dan Mitrione.

Para o conhecimento verdadeiro do passado é preciso também ouvir o depoimento de testemunhas como o professor Moniz Bandeira, já mencionado neste espaço, que quando preso no Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) viu e ouviu a fala de agentes norte-americanos com sotaque carregado circulando livremente e instruindo torturadores.

É preciso deixar claro também que Curió, Brilhante Ustra, etc não são casos isolados ou desvios, como querem alguns, mas foram peças de engrenagem montada e ajeitada a partir de quebra constitucional de abrtil de 1964, a partir do primeiro general de plantão, Humberto de Alencar Castelo Branco.

Enfim, faço minhas as palavras do Deputado Chico Alencar –

“Brasileiro não tem memória, diz o senso comum. Entretanto, um povo só avança em civilização conhecendo sua própria história. Esquecer períodos é postura obscurantista e perigosa, quem não se recorda do passado corre o risco de revivê-lo”



*Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.


Enviado por Direto da Redação

UM MOMENTO DE DECISÃO



Laerte Braga

O que os militares dessa geração pós golpe de 1964 precisam enxergar é que não há revanchismo nos trabalhos da Comissão da Verdade, nas denúncias de tortura, assassinatos e nas várias ações para que a História de um período brutal seja conhecida por todos os brasileiros.

Houve um golpe de estado em 1964, foi organizado e comandado por potência estrangeira através de dois agentes, o embaixador Lincoln Gordon e o general Vernon Walters, contra um governo legítimo, dentro de um processo maior, a guerra-fria.

A máxima de Nixon “para onde se inclinar o Brasil se inclinará a América Latina” foi dita anos depois, mas não passou de uma constatação da realidade daquela época. E tanto é assim que golpes semelhantes foram desfechados em países desta parte do mundo, alguns, com níveis de estupidez absolutos. Caso da Argentina e do Chile.

A ação dos governos gerados pelos golpes foi de caça pura e simples dos adversários, inclusive e grande número de militares comprometidos com o seu país.

A forma de agir em momento algum fugiu do comando externo. O que foi a Operação Condor? Uma aliança de governos golpistas do chamado Cone Sul para promover o assassinato de líderes oposicionistas exilados em qualquer parte do mundo. Orlando Letelier, ex-chanceler do governo de Salvador Allende, foi morto em New York, onde ocupava um cargo de funcionário nas Nações Unidas.

Os chamados projetos nacionais, ou seja, de busca do crescimento econômico para esses países circunscreveram-se ao permitido por Washington e às políticas de dominação impostas pelos EUA. Nada além.

No breve momento que o Brasil virou exportador de armas, por exemplo, a ENGESA, estatal que produzia artefatos bélicos de alta qualidade, foi sufocada violentamente pelo governo dos EUA, inclusive com sequestro em alto mar de navios brasileiros que levavam seus produtos para compradores no Oriente Médio.

Em linhas gerais não mudou essa característica nos últimos anos, com alguns intervalos no governo Lula.

O Brasil não conseguiu ainda sair da rede tecida durante os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso e nosso crescimento econômico, ou nossa condição de potência emergente, não é capaz de produzir um carro nacional.

Somos dependentes em tudo e por quase tudo de tecnologias estrangeiras e gradativamente, mas de forma acelerada, vamos voltando à condição de exportadores de matérias primas.

Ou seja, andando para trás, por maiores que sejam os números do PIB.

Num mundo unipolar, onde o controle se exerce a partir de um complexo militar/terrorista ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A, gerido por bancos, grandes conglomerados e latifúndio, não percebemos que estamos sendo engolidos pelas beiradas e na prática somos potência de ocasião até que caia a ficha e tenhamos que refazer um caminho que já poderia ter sido feito desde muito.

Forças armadas existem para a garantia da soberania nacional, da integridade do território nacional e para isso devem estar preparadas e equipadas. Não duvido da capacidade dos nossos militares, mas num eventual conflito hoje, só para citar, iríamos de mosquetão, contra inimigos com bombas de alto poder destrutivo.

Ignorar essa realidade é desconhecer o tamanho do buraco aberto pelos golpes militares, pelos governos inconseqüentes de Sarney e Collor e pela trama consciente e traidora de Fernando Henrique Cardoso e tucanos no todo.

A primeira atitude de Collor, depois de confiscar o dinheiro dos brasileiros, foi fechar o buraco da Serra do Cachimbo, sinalizando aos EUA que estava cumprindo rigorosamente o que fora acordado com intermediação da GLOBO.

Deixar de lado as atrocidades cometidas por militares como Curió (ficou milionário achacando garimpeiros em Serra Pelada), Brilhante Ulstra e outros tantos é macular a história das forças armadas brasileiras e transformá-las, hoje, em cúmplices de um tempo sombrio, cruel e anti-nacional.

Puro espírito de corpo sem sentido e sem razão de ser, pois acaba sendo mancha. Inserir as forças armadas no processo de construção democrática e popular do Brasil, isso sim, dá um desenho claro das obrigações de garantir a soberania nacional e a integridade de nosso território.

As privatizações da VALE e da EMBRAER, para ficar em duas, foram dois crimes de lesa pátria sem tamanho.

A constituição de 1946, feita por liberais em sua maioria, garantiu ao Brasil a posse do seu subsolo. Hoje sequer somos proprietários do solo que começa a ser comprado em várias regiões brasileiras por grupos estrangeiros.

Ou seja, reiterando, somos uma potência de ocasião, um entreposto do grande capital internacional. Esse papo de Eike Batista como um dos mais ricos do mundo não exclui a participação estrangeira nos seus negócios e ser mais do rico mundo, ou um dos, não significa progresso que é algo que tem que ser comum a todos e não privilégio de alguns.

Ou os militares da nova geração entendem que os golpistas de 1964, notadamente os torturadores, os assassinos, os estupradores, são criminosos e praticaram crimes imprescritíveis – já denunciados por organizações internacionais - ou essa mancha vai atravancar o cumprimento do real papel de uma força armada nacional.

Têm que responder pelos seus crimes. Esses enxovalham inclusive as Forças Armadas através do falso patriotismo, aquele que Samuel Johnson chama de “último refúgio dos canalhas”. Foi a estupidez dita por um general num programa de televisão que “tortura existe em qualquer época, até hoje”.

O fato da tortura existir não significa que deixa de ser crime. Pelo contrário, se existe, tem que ser combatida. E boa parte da tortura que ainda resiste no Brasil é herança acumulada desde tempos do Brasil colônia, até os tempos da ditadura militar, exatamente por nunca ter sido punida, combatida de peito aberto e através de aparelhos que, numa democracia, no chamado estado de direito, não têm sentido, caso das polícias militares. Polícia é uma instituição civil.

Nesta semana a jornalista Hildegard Angel enviou uma carta a um ato de homenagem às vítimas da ditadura militar onde fala de justiça. Sua mãe Zuzu Angel foi morta pela ditadura ao buscar o paradeiro de seu filho Stuart Angel, também executado pela ditadura. O prestígio internacional de Zuzu e a mobilização que promovia, estavam incomodando e trazendo transtornos a um regime que usou o pretexto de restaurar “a ordem e a democracia”, para derrubar um governo legítimo.

Um documento comovente e repleto de sensatez.

Dilma Rousseff dá sinais que começa acordar para a realidade de seu governo. Isola o partido dos pastores, sempre com os olhos ávidos – eles pastores – nos ministérios mais rentáveis para a “obra divina”, ou o loteamento que abriram no “paraíso”.

É uma das ameaças mais graves e sérias que o País enfrenta e da qual apenas começa a se dar conta. O velho expediente de transformar a fé – direito de consciência de cada um e indiscutível e inalienável – em instrumento de político a partir das cúpulas.

A débâcle da Igreja Católica Apostólica Romana, no retrocesso dos papados de João Paulo II e agora de Bento XVI (estão sendo acusados de permitir lavagem de dinheiro criminoso no banco do Vaticano e cardeais disputam abertamente o butim); a perseguição implacável aos sobreviventes da Teologia da Libertação, escancara as portas para a venda de sprays que espantam o “capeta” e que transformam legiões de incautos ludibriados em sua boa fé em eleitores cegos e conduzidos qual manada de cordeiros. The silence of the lambs. O sangue que escorre é o do trabalhador.

Ou Dilma encurrala os bandidos na beira do despenhadeiro, ou 2014 será o ano da tragédia prevista para 2012, pelo menos no Brasil; com as alianças espúrias capazes de levar qualquer Aécio Neves ao poder, seja ele José Serra ou Geraldo Alckmin e busca traduzir o seu governo em luta popular, como deveria ter feito desde o primeiro momento, a sua história sinaliza isso. Um retrocesso significa passar a escritura definitiva do Brasil e incorporá-lo ao complexo militar e terrorista que controla o que chamam de “globalização”.

FHC e dois outros ex-presidentes latino-americanos foram à Venezuela a convite de um “banco privado”, para aconselhar o candidato de oposição a Chávez. As eleições de outubro naquele país são o alvo preferencial do complexo terrorista e militar em se tratando de América Latina.

A mídia de mercado faz sua parte, vai manipulando as notícias sobre o estado de saúde de Chávez, da mesma forma que o faz em relação à Síria e ignora o prenúncio de uma crise entre Israel e o Egito, reflexo da vontade popular dos egípcios manifesta em eleições livres e democráticas.

Democracia e capitalismo são incompatíveis. Como água e óleo. Não se misturam, exceto como farsa.

Um acordo de Obama com Israel vai deixar o ataque ao Irã para depois das eleições nos EUA, em novembro. A posição da Rússia e da China contrárias as sanções maiores ao Irã, logo, contra esse tipo de ação militar, além do desconhecimento da real capacidade de defesa daquele país, recomendam cautela, caldo de galinha e prudência.

Um desastre militar antes das eleições seria o caos para o presidente em seu projeto de reeleição. E ainda mais se levarmos em conta que seus adversários – Rick Santorum e Milt Romney – estão criticando a saída das tropas “humanitárias” do Iraque e do Afeganistão. Destruíram, não alcançaram a totalidade de seus objetivos, mas na Líbia e no Iraque ficaram com o petróleo.

A filha do senador John McCain, um dos arquitetos do golpe militar em Honduras, disse em seu blog que se seu pai tivesse sido eleito presidente ela seria a primeira filha “mais doida de todos os tempos”. Megham McCain afirma taxativamente que com o pai a situação no Iraque e no Afeganistão seria outra.

Em Itaguaçu, Espírito Santo, feudo de companhias como a ARACRUZ, a VALE, a CST e outras, uma estrada vicinal aumenta de custo várias vezes a inflação somada de três anos. Passa de 600 mil reais o quilômetro, para 2,3 milhões e vereadores, prefeito e a mídia local, se irritam com denúncias de irregularidades.

O latifúndio agradece.

Nos EUA um grupo de cidadãos ainda não afetados pelo vírus da mediocridade que domina a maior parte da população (aquela que limpa boca depois de um sanduíche do McDonald’s com as costas da mão), inicia uma campanha contra a MONSANTO. A empresa é uma das responsáveis pelo veneno de cada dia em nossas mesas, o transgênico com molho de agrotóxicos. Querem produtos orgânicos.

Para fechar, nesta semana, nenhum tresloucado invadiu alguma escola nos EUA e disparou contra professores e colegas. O alerta deve aumentar, significa que breve outra loucura desse gênero vai acontecer, embora em território afegão um ataque de nervos – versão oficial – levou um soldado do Tio Sam a matar civis indefesos.

Bradley Manning, acusado de vazar documentos secretos divulgados pelo site Wikileaks continua preso em condições desumanas, denunciam organizações internacionais dos direitos humanos. É a tática de fazer servir de exemplo para dissuadir a outros de feitos dessa natureza. Mostrar a podridão.

A STRATFOR, companhia privada de inteligência, com sede no Texas, contrata jornalistas para veicular a “verdade” do grande espetáculo de Hollywood por todo o mundo. No Brasil é desnecessário dizer quais, até Hillary Clinton, a possessa, tem um preferido.

No fundo é tudo culpa do Irã ou dos palestinos. O governo de Israel é de santos, ou de profetas enviados por Jeová. Por via das dúvidas, com um vasto arsenal nuclear. Deve ser por isso, parceria, que Edir Macedo montou umas igrejas por lá. O próprio povo judeu começa a acordar da insânia de seus governantes.   

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os perdoados da ditadura



Publicado em 01/12/2011 por Urariano Motta*


Recife (PE) - A revista Época No. 706 traz uma boa reportagem sob o nome de “Os infiltrados da ditadura”. Antes de continuar, é bom esclarecer que a reportagem é boa pelo assunto e por alguma verdade que deixa escapar, apesar da pauta e direção da revista. O fato é que, num surto de bom tema, a reportagem traz a público os perfis breves de cinco agentes do Centro de Informações da Marinha, que se infiltraram na resistência à ditadura.  

Assim, ficamos sabendo dos infiltrados Manoel Antonio Rodrigues, Gilberto de Oliveira Melo, Álvaro Bandarra, este na cúpula do PCB, de Maria Thereza Ribeiro da Silva, no PCBR, e mais Vanderli Pinheiro dos Santos, executor da sua farsa de tal maneira, que recebeu da Comissão da Anistia 234 mil reais e pensão acima de 3 mil por mês. Mas claro, recebeu e recebe porque alegou haver sofrido perseguição e torturas, ao requerer o benefício a pessoas de boa-fé na Anistia. Se uma pesquisa rigorosa se fizer, deve haver outros em igual situação, pois a decência é terra estranha a bandidos e assemelhados.   

No sentido acima, a reportagem marca um tento. Os agentes duplos, as infiltrações nos partidos e movimentos clandestinos, cujo maior exemplo é o senhor cabo Anselmo, começam a aparecer. Esse é um terreno fértil de sombras e traições, que o Brasil inteiro ainda muito saberá, a partir da abertura dos arquivos e do trabalho da Comissão da Verdade. Sim, a partir dela, que hoje recebe ataques à ultradireita e à sectária esquerda. Da direita, por absoluto conhecimento do que pode vir da Comissão. Da esquerda à esquerda, por um desejo precoce de resultados, enquanto vira palmatória dos que julga vacilantes.       

Importa agora destacar o quanto a orientação da revista limitou a exploração da mina da luta e infâmia. O quanto há de conflito entre a reportagem, o mundo terrível que revela, e a ideologia da empresa. São palavras do Diretor de Redação da revista Época, ao tentar pôr venda nos olhos do leitor:

“Na reportagem fica claro como é impossível separar bandidos e mocinhos de modo categórico. Havia, de ambos os lados, seres humanos movidos por medos, angústias e tensões – alguns deles capazes de todos os tipos de ação, do assalto ou justiçamento à tortura e execução. O repórter Leonel descreve, em especial, a realidade ambígua daqueles que foram infiltrados pelos órgãos da repressão nos movimentos de esquerda. Ele descobriu onde vivem alguns hoje e, ao conversar com eles, testemunhou como a ditadura marcou suas vidas.

As histórias narradas pelo repórter revelam como é simplista a visão daqueles defensores da Comissão da Verdade que tentam disfarçar seu desejo de vingança com a mais nobre roupagem de defesa dos direitos humanos... Porque, se há algo essencial a dizer a respeito daquele passado, é que ele felizmente passou”.

Se esses não fossem os ferros a prender o repórter, ele teria ouvido os feridos sobreviventes à delação, que até hoje estão machucados no corpo e na alma. E escrever isso não é rascunhar uma frase de retórica. Por exemplo, deveria ter ouvido Maria do Carmo, companheira de Juarez, da VPR, que ainda sofre dores atrozes no espírito por viver depois do então companheiro. Em lugar de “a vida dos infiltrados era cheia de medo, dúvida e tensão”, como está na reportagem, seria informado que a vida dos militantes socialistas era cheia de contínuo terror, tortura e assassinatos. Mas que ainda assim continuavam, pois não podiam deixar de crer em um Brasil fraterno.          

No editorial da revista, as operações mentais, as táticas do discurso são conhecidas: relativiza-se para nivelar executores e executados, torturados e torturadores. No passo seguinte, instaura-se o reino de lobos a lamber carinhosos ovelhas, de leões a serem puxados pelos bigodes por zebras, porque todo o sangue e ferocidade é passado. Porque o passado, como diria o Marquês de Maricá, o passado passou. No entanto a realidade resiste a tão bons e piedosos propósitos. Perguntem a todo o mundo civilizado sobre os crimes de guerra de nazistas e se diga aos “vingativos” netos das vítimas que o passado passou. E nem se precisa perguntar aos humilhados e pisados no oriente. Aqui perto, na Argentina, perguntem. Se a humanidade assim concordar, poderemos todos chamar os companheiros de Fleury para um jantar de confraternização, ao som de “hoje é um novo dia, um novo tempo já começou”.

Mas enquanto esse futuro bobo não chega, que venha e se aprofunde a Comissão da Verdade.

Urgente, já.

Urariano Motta* é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997).

Enviado por Direto da Redação

Quantas comissões forem necessárias




Publicado em 01/12/2011 por *Mair Pena Neto

Os países precisam se confrontar com seus horrores para se encontrarem consigo mesmo. A Alemanha precisa de um museu do Holocausto para saber o que provocou de barbárie e de dor. Imagino como deva ser sofrido a cada alemão entrar neste museu, em Berlim. Os que apoiaram o nazismo se vêem diante do espelho. Os filhos dos que apoiaram Hitler testemunham do que seus pais foram capazes. E os que estão mais afastados do que aconteceu no regime fascista conhecem a história do país para não repeti-la.

 Este expurgo é necessário para virar a página. Sem ele, o trauma fica lá, guardado, sem resolução, pronto a ser expelido a qualquer momento, de uma forma ou de outra. Esta é a necessidade de uma comissão da verdade no Brasil, que passe a limpo a história do país durante a ditadura militar que nos governou por duas décadas. Ela é imprescindível para que o país siga adiante e irá acontecer da forma como é necessária.

Mas se uma comissão está a caminho, qual a razão deste discurso? É que a comissão anunciada nasce meio tolhida, constrangida, premida por prazos curtos como se estivesse avançando um sinal proibido. Pisa-se em ovos para não melindrar os antigos donos do poder, que estão na berlinda. A filha de Rubens Paiva foi impedida de discursar no ato de assinatura da lei que criava a Comissão da Verdade para que os militares não se sentissem ofendidos. Ora, o propósito da comissão, como se deduz de seu próprio nome, é trazer a verdade à tona. E a verdade incomoda. Se fosse ao contrário, sua existência não se justificaria.

Vera Paiva iria cobrar, como se viu no discurso que publicou na internet, que a comissão fosse autônoma e soberana de fato para investigar a verdade dos fatos terríveis que afetaram e ainda afetam a vida de muitas famílias brasileiras até hoje. As revelações serão incômodas, não apenas para militares e policiais, mas para civis e empresários que apoiaram o regime, inclusive financeiramente, conscientes de que estas verbas financiavam a repressão política e seus centros de tortura.

Esta Comissão da Verdade é, inequivocamente, um avanço, mas enfrentará resistência de muitas partes. Se conseguir trabalhar livremente, ter acesso ao maior número de documentos, inquirir os que tentam ocultá-los e desfrutar de um espaço permanente de divulgação de suas ações, poderá fazer um bom trabalho. Caso não seja possível, não será o fim da história.

O Brasil passará por tantas comissões quantas forem necessárias até recontar cada detalhe do que foi o negro período do terror de Estado promovido pelos militares. O Museu do Holocausto, em Berlim, levou 60 anos após a derrota do nazismo para ser construído e ainda o foi a tempo. Se a Comissão da Verdade não funcionar como a da África do Sul, após o apartheid, ou não conseguir ir tão a fundo como as de nossos vizinhos chilenos e argentinos, ela renascerá em outro momento para finalizar o que ficar inacabado. O próprio Chile é um exemplo neste sentido. Uma primeira comissão de verdade e reconciliação, criada em 1991, reconheceu pouco mais de duas mil mortes durante o regime de Pinochet. Sabia-se que o número era muito superior, e uma nova comissão nasceu, dois anos depois, para constatar, em uma segunda reabertura, em 2009, que os mortos eram mais de 3 mil e que as vítimas da ditadura, incluindo mortos, presos ou torturados alcançava 40 mil pessoas.

Este é um processo sem ponto final, como governantes conservadores tentaram fazer na Argentina. Lá, leis semelhantes à da Anistia, que impediam os julgamentos dos responsáveis pelas torturas, desaparecimentos e mortes, foram atropeladas pelo vagão da história, e cerca de 500 envolvidos no terrorismo de Estado estão na cadeia, incluindo ex-integrantes da junta militar, como Jorge Videla. A nossa Comissão da Verdade deve ser vista como um primeiro passo rumo ao esclarecimento do que se passou por aqui nos anos de chumbo. Muita coisa acontecerá depois que os fatos de causar horror vierem ao conhecimento público com detalhes ainda desconhecidos.

*Mair Pena Neto é jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.

Enviado por Direto da Redação

domingo, 25 de setembro de 2011

Verdades ainda ocultas

 

Publicado em 25/09/2011 por *Mário Augusto Jakobskind

A Câmara dos Deputados aprovou a Comissão da Verdade depois de um acordo generalizado com todas as correntes políticas e muito mais ainda nos bastidores. Do jeito que está posta, a Comissão corre o risco de se tornar uma Comissão de meia verdade ou mesmo de mentira.

Ela terá dois anos para realizar seu trabalho. Sete integrantes serão escolhidos para levar adiante o que se propõe e mais 14 servidores auxiliarão nos trabalhos. Já se fala que um dos indicados poderá ser Fernando Henrique Cardoso, pode-se imaginar o resto. Além do mais, sabe-se lá por qual motivo, ficou estabelecido que serão apurados (ou “apurados” entre aspas) as violações dos direitos humanos entre 1946 e 1988, um tempo muito extenso, quando o o motivo da criação da Comissão são os fatos graves ocorridos a partir do golpe civil militar de 1 de abril de 1964. A dotação orçamentária para o trabalho ficará por conta da Casa Civil

Em outros países onde aconteceram Comissões da Verdade, como no Uruguai, por exemplo, o número de investigadores era pelo menos cerca de 30 vezes mais e o tempo para o desenvolvimento do trabalho bem maior. Na África do Sul os acusados reconheciam publicamente os erros cometidos durante o regime do apartheid e assim sucessivamente.

No campo dos direitos humanos o Brasil ficou para trás, Enquanto nossos vizinhos já instalaram comissões do gênero há uns 20 anos, por aqui o parto foi difícil e pode estar nascendo algo para inglês ver, isso sem falar que ninguém será punido porque o Estado brasileiro entende que a lei da Anistia de 1979, sancionada em plena ditadura pelo último general de plantão, é a que vale.

Mesmo violações dos direitos humanos ocorridas depois da anistia assinada por João Batista Figueiredo não foram investigadas como deveriam ser e muito menos alguém foi punido. Os jornalistas argentinos Norberto Haeberger e Horacio Domingo Campiglia desapareceram no aeroporto do Galeão, hoje Tom Jobim, em 12 de março 1980, portanto depois da anistia. O mesmo aconteceu com Mónica Pinus Binstock, Lorenzo Ismael Viñas e o padre Jorge Oscar Adur, não no Rio, mas no Estado do Rio Grande do Sul. 

Todos eles despareceram depois da promulgação da lei de anistia, de setembro de 1979, e no âmbito da Operação Condor. Os responsáveis não foram localizados e a impunidade prevaleceu. Nos casos em questão não se pode alegar como justificativa para a impunidade a lei da anistia.

O historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, quando esteve preso no Cenimar (Centro de Investigações da Marinha), testemunhou a presença de agentes norte-americanos nas dependências daquele organismo da repressão. Quantos brasileiros passaram por lá e qual teria sido a participação de agentes estadunidenses?

E é preciso que os brasileiros saibam os nomes das empresas que finaciaram a repressão para ver que fim levaram as mesmas depois da democratização e se por acaso hoje bancam candidaturas nos pleitos nacionais e regionais.

São perguntas sem respostas até agora e uma Comissão da Verdade para valer poderia responder. Será que vai se ter oportunidade agora de se esclarecer tais fatos com a Comissão recém-aprovada na Câmara dos Deputados e que vai ser votada também no Senado?

Em termos de manipulação da informação, mais uma vez O Globo se supera. Em matéria sobre a participação do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad na Assembleia Geral das Nações Unidas há um trecho assinalando que ele “voltou a por em dúvida o Holocausto”. Mas ao se ler o restante da “informação” do maior jornal do Rio, constata-se que não há referências à negativa propriamente da tragédia da II Guerra Mundial, mas sim o questionamento de se usar o Holocausto “para dar apoio a Israel na opressão contra os palestinos”.

Não é só Ahmadinejad que tem essa opinião, mas muitos outros que não questionam a existência do Holocausto e sim o seu uso político. É o caso do sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein e o linguista Noam Chomsky, dois importantes pensadores, inclusive de origem judaica.

Na verdade, a direita de Israel, cuja política levou o país ao isolamento, aproveita o sentimento de repulsa natural ao Holocausto para justificar a ação política que levou ao impasse com os palestinos. Figuras como o primeiro-ministro israelense Benyamin Netanyahu e o ministro do Exterior Avigdor Lieberman são exemplos mais notórios de truculência política que querem posar como vítimas, mas na verdade são algozes.

Mahmoud Abbas pediu na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas o ingresso da Palestina como membro efetivo na entidade. Um pleito justo e que está atrasado no tempo mais de 60 anos. Como resposta obteve a negativa de Barack Obama e ameaças de Netanyahu.

O primeiro ministro israelense ocupou a tribuna da Assembléia e discursou de forma hipócrita falando em paz e negociações quando se sabe que cerca de 500 mil israelenses ocupam terras palestinas e impedem que o novo Estado seja criado.

Netanyahu mente, porque no fundo ele não quer a paz, ou melhor, quer a submissão dos palestinos em terras que sofram solução de continuidade,  exatamente por causa dos assentamentos.

Aqui no Brasil, políticos sem bandeiras, como o senador e ex-motorista do guerrilheiro Carlos Marighela, Aloisio Ferreira Nunes, criticaram a presidenta Dilma Rousseff pela posição favorável ao pleito palestino. Se Dilma falasse ao contrário e se alinhasse com Barack Obama seria criticada pela oposição também. É o tipo de posicionamento de quem realmente não tem bandeira.

*Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE