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| Jean-Luc Mélenchon |
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| Comissão Interamericana de DD HH |
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| Corte Interamericana de DDHH |
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| Hugo Chávez |
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| Conselho de DD HH da ONU |
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| CIA vista por WikiLeaks |
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| Delfim Netto |

por Mark Weisbrot, no jornal britânico The Guardian, em 26.06.2010
No filme “Guantanamera”, o último do renomado diretor cubano Tomás Gutiérrez Alea, o mito de criação iorubá é apresentado como metáfora para as dificuldades
Aqui em Washington, muitas vezes só a morte ou aposentadoria permitem a possibilidade de mudança — e ainda assim as instituições permanecem imortais e muitas vezes imutáveis. Em nenhum outro lugar isso é mais verdadeiro que no establishment de política externa.
Nas últimas semanas eu visitei cinco países e participei de numerosos eventos que cercaram o lançamento recente de um documentário — como Guantanamera, “South of the Border” também é um road movie — que Oliver Stone dirigiu e eu escrevi com Tariq Ali. Retornando a Washington, a grande distância que separa a elite da política externa dos Estados Unidos da vasta maioria de seus vizinhos ao Sul nos atinge como um choque cultural.
Para as pessoas dessa elite, as mudanças históricas que varreram a América Latina — especialmente a América do Sul — na última década são vistas através das lentes da mentalidade da Guerra Fria que julga toda mudança em termos de como ela afeta o poder dos Estados Unidos na região.
Jorge Castañeda é um ex-ministro das relações exteriores do México que ensina na Universidade de Nova York e se tornou um porta-voz na mídia para o establishment de política externa de Washington. Em um recente artigo, ele divide o continente entre “aqueles que são neutros no confronto entre Estados Unidos e o presidente venezuelano Hugo Chávez (e Cuba), ou que se opõem abertamente aos assim chamados governos ‘bolivarianos’ da Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela”, que ele rotula de “Americas-2″ e “esquerda radical”.
Para Castañeda, como para a secretária de Estado Hillary Clinton, é particularmente irritante que “tão recentemente quanto em 7 de junho, os países bolivarianos foram capazes de evitar o restabelecimento de Honduras à Organização dos Estados Americanos, apesar das eleições essencialmente livres e justas que foram realizadas em novembro passado”.
Mas não foram apenas os “paises bolivarianos” que não aceitaram eleições realizadas sob ditadura como “livres e justas”. O Brasil, a Argentina e governos representando a maior parte do hemisfério estão no mesmo campo. Na verdade, quando o Grupo do Rio divulgou sua declaração em novembro de 2009 dizendo que a imediata restituição de Mel Zelaya era uma condição necessária para o reconhecimento das eleições, mesmo os governos de direita aliados de Obama — Colômbia, Peru e Panamá — se sentiram obrigados a apoiar.
O golpe de Honduras, promovido por aliados dos Estados Unidos e por oficiais treinados pelos Estados Unidos contra um presidente eleito democraticamente, foi um marco nas relações entre Washington e a América Latina. Foi mais ou menos um ano atrás, em 28 de junho, que a esperança de que o governo Obama trataria seus vizinhos ao Sul de forma diferente do que fazia o time de Bush, foi destruída. Enquanto o confidente e assessor dos Clinton, Lanny Davis, aconselhava e fazia lobby em nome do regime golpista, o governo Obama fez tudo o que pôde para ajudar a ditadura sobreviver e se legitimar.
Isso apesar de resoluções unânimes da OEA e das Nações Unidas pedindo o “restabelecimento imediato e incondicional” do presidente Zelaya, duas palavras que o governo Obama nunca pronunciou, assim como ignorou por mais de cinco meses os assassinatos, o fechamento de órgãos da mídia e outras violações maciças de direitos humanos que tornaram o “livres e justas” das eleições de novembro em Honduras uma piada doentia. A União Europeia e a Organização dos Estados Americanos nem mesmo mandaram observadores.
Mas com Washington ainda lutando para legitimar o governo hondurenho — apesar do assassinato de dezenas de ativistas políticos e de nove jornalistas desde que o governo “eleito” assumiu o poder — é típico retratar essa tentativa como uma luta contra governos “inimigos” em vez de uma disputa com a maior parte da região. O que essas pessoas não podem reconhecer, ou talvez nem mesmo entendam, é que se trata de uma questão de independência e autodeterminação, assim como de democracia.
Michele Bachelet do Chile e Lula da Silva do Brasil ficaram tão revoltados quanto os governos “Americas 2″ quando o governo Obama decidiu em agosto passado expandir sua presença em sete bases militares na Colômbia. E foi Felipe Calderón, o presidente direitista do México, que sediou a conferência de fevereiro em Cancún que decidiu criar uma nova organização para as Américas, que poderia eventualmente substituir a OEA, sem Estados Unidos e Canadá. O papel dos Estados Unidos e do Canadá ao bloquear medidas mais fortes da OEA contra a ditadura de Honduras sem dúvida jogou um papel motivador nessa medida.
Naturalmente, Washington tem o poder de tornar sua visão de Guerra Fria em relação ao hemisfério parecer meio real, ao adotar medidas de tratamento especial para governos mais à esquerda. Na Bolívia, a eleição de Evo Morales causou mudanças análogas ao fim do apartheid na África do Sul, com a maioria indígena do país ganhando voz em seu governo pela primeira vez em 500 anos. Seria o caso de imaginar que o governo Obama teria senso comum no cérebro para entrar do lado certo nesta questão. Mas não, eles continuam a aplicar sanções comerciais impostas inicialmente pelo governo Bush contra a Bolívia sob o assim chamado Andean Trade Promotion and Drug Eradication Act (ATPDEA), retiraram a certificação da Bolívia como país que coopera com a Guerra contra as Drogas e continuam a não informar quem exatamente os Estados Unidos financiam na Bolívia — isto é, quais grupos de oposição — com dinheiro do Departamento de Estado.
Tive o privilégio de assistir “South of the Border” em um estádio com mais de 6 mil pessoas
Evo então olha para a câmera e diz: “Agora somos milhões”.
Ao contrário do que acontece em Washington, toda pessoa que estava naquele estádio sabia exatamente o que Evo queria dizer.
O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Will the US ever get Latin America?
expropriado do Viomundo - Blog do Azenha
Comentário de Arnaldo Carrilho – Embaixador do Brasil na RDPC
É verdade, e quando se trata do Brasil, então, a incompreensão torna-se maior. Somos o "complicador" latino-americano por excelência, por idioma, cultura e costumes. O incômodo causado em Washington pela existência de uma Monarquia no Sul do Quintal, ao longo de 67 anos, aumentou mais ainda esse misto de desdém e paternalismo dos gringos a que já nos habituamos.
Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Hollanda, Caio Prado Jr e o bando de Brazilianists jamais atingiram o nervo do interesse deles por nós.
Só uma vez despertamos a atenção dos gringos: era a Protuberância Nordestina, que eles invadiriam, se Getulio não lhes cedesse as bases. O restante são aqueles notórios 500 anos de periferia (Samuel Pinheiro Guimarães) ou os cem anos de solidão (Gabo). Mas o Governo Lula quebrou com essas condenações, e pelo gasganete. Não tem volta ao statu quo. Com Dilma, é de esperar-se que Washington tente "das suas", mas nossa candidata é de extração guevariana, doce e de ferro.
Abraços do
Arnaldo C.

Nos últimos anos cinco anos, desde a fundação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), os orçamentos militares dos países da região consumiram 125 bilhões de dólares, além dos 25 bilhões investidos na compra de sistemas bélicos novos. Nos próximos cinco anos, os gastos com armas deverão chegar a 35 bilhões de dólares. Apenas com esse valor seria possível assegurar o acesso a água potável, energia elétrica e educação, bem como assistência médica a 50 milhões de pessoas, contabiliza García.
Desde a fundação da OEA, há 40 anos, os gastos com a compra de armas no continente chegaram a 100 bilhões de dólares, "que poderiam ter sido aplicados no bem-estar das populações", lembrou o presidente peruano.
Contra a resistência de Washington, García se empenhou em incluir o armamentismo na pauta do encontro. "Nem 5% dessas armas foram utilizadas em conflitos nos últimos anos", acrescenta o presidente peruano, defendendo um cerceamento e controle da compra de armas em todo o continente americano.
Maior transparência
Detlef Nolte, do Instituto Giga de Estudos Latino-Americanos, sediado em Hamburgo, não acredita que a retórica desarmamentista dê frutos na América Latina. Por um lado, porque os contratos de compra de armas já estão, hoje, em sua maioria concretizados. E por outro, porque o próprio García não se dispõe a tomar nenhuma iniciativa nesse sentido, alegando a ameaça da modernização militar do Chile, por um lado, e a aquisição de armamentos novos pelo Equador, do outro.
Na opinião de Nolte, a única coisa viável seria uma "maior transparência nos gastos com armamentos, porque há uma grande defasagem na divulgação dessas despesas e das armas adquiridas. Mas, na realidade, não vai acontecer muita coisa nesse sentido", estima Nolte.
Washington acirra controle de imigração
A polêmica lei de imigração do estado do Arizona, nos EUA, que deverá entrar em vigor em fins de julho próximo, foi outro ponto criticado antes do encontro da OEA em Lima.
Felipe Calderón e Alan García, presidentes do México e do Peru, apresentaram recentemente a Barack Obama reclamações oficiais contra o planejado acirramento do controle policial e contra a temida discriminação de imigrantes latino-americanos nos EUA.

Fronteira do México com os EUA: nova lei de imigração vai acirrar controle
A referida lei de imigração, observa Nolte, representa um problema sério para as relações entre os EUA e os países latino-americanos. "É preciso lembrar que, no que diz respeito à legislação de imigração, há claras diferenças de opinião entre os EUA e a maioria dos outros Estados latino-americanos. E como se trata da lei de um estado norte-americano, Obama fica de mãos atadas", observa o especialista alemão.
O presidente norte-americano considera "errônea" a lei do Arizona, mas uma reforma da legislação de imigração em nível federal não obteria a aprovação do Congresso por causa da resistência dos republicanos.
"De início, Obama foi recebido com grandes expectativas na América Latina", constata Nolte, recordando o encontro de cúpula das Américas realizado em Trinidad e Tobago: "Na América Latina, saudou-se muito um novo presidente que também sabia ouvir e não tentava simplesmente impor coisas aos Estados latino-americanos".
Hoje, no entanto, o senso de realidade é maior. "A acusação que pesa contra Obama é a de que não basta simplesmente não ser George W. Bush. É preciso tomar medidas concretas.
Ao observar vários campos da política, como a legislação de imigração, a política das drogas, os pontos estratégicos dos EUA na América Latina, percebe-se que muito pouco mudou. O governo norte-americano também tem muito poucas iniciativas novas de teor político concreto", completa Nolte.
Relação ambivalente com o Brasil

Lula no Irã: mediação não é vista com bons olhos pelos EUA
Desde que o Brasil, ao lado da Turquia, interferiu nas negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano e passou a dialogar com Teerã, as relações entre Washington e Brasília começaram a esfriar. Durante cúpula da OEA em Lima, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que "ajudar o Irã a ganhar tempo significa tornar este mundo mais perigoso" e acrescentou que "o Irã está usando o Brasil para ganhar tempo".
Por mais paradoxal que seja, George W. Bush tinha melhores relações com o governo brasileiro do que tem Obama no momento, afirma o alemão Detlef Nolte.
"Isso porque o Brasil, em função de seu peso dentro da América Latina e na política internacional, vai passar a desempenhar um papel maior a partir de agora. E não só na América Latina, onde há algum tempo já existe uma certa concorrência pela liderança sul-americana, mas também em questões globais, como recentemente em relação à política nuclear do Irã", conclui Nolte.
Autora: Mirjam Gehrke (dpa/efe/rtr/afp)
Revisão: Simone Lopes
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5664010,00.html
