Mostrando postagens com marcador Thomas Shannon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Thomas Shannon. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Espionagem total dos EUA contra o Brasil: Querem saber o quê?

15/8/2013, [*] Nil Nikandrov, Strategic Culture

The US’ All-Out Espionage Against Brazil. To what end?

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ler também: 
1/7/2013, redecastorphoto,  Nil Nikandrov em: Quem agita o Brasil e por quê

Edward Snowden
A primeira visita de estado da presidenta Dilma Rousseff aos EUA deve acontecer dia 23/10. A preparação para essa visita foi obscurecida pelas revelações de Edward Snowden. Documentos sugerem que o Brasil é o país, de todo o hemisfério ocidental, no qual o trabalho de inteligência dos serviços de segurança dos EUA é mais ativo. Segundo informações vazadas para a mídia, os norte-americanos interessam-se por tudo – da estratégia de desenvolvimento das Forças Armadas e os conteúdos de seus programas de cooperação técnico-militar com China, Rússia e Índia, à vida pessoal de líderes políticos e comandantes militares brasileiros. E grande parte do trabalho é tentar encontrar imundícies que envolvam a presidenta Dilma e as figuras de seu círculo mais próximo...

Em décadas recentes, Washington tem considerado o Brasil como seu principal rival na região; o acelerado desenvolvimento do país em setores como modernas tecnologias, energia, indústria de defesa e tecnologia espacial ao longo dos últimos 20-25 anos, levou a vasta maioria dos países latino-americanos a consolidarem-se em torno do Brasil. O projeto de integração pan-americano concebido pelos EUA, o Free Trade Agreement of the Americas (FTAA) [Acordo de Livre Comércio das Américas] fracassou espetacularmente durante a Cúpula das Américas, na cidade argentina de Mar del Plata em 2005. Brasil, Argentina, Venezuela e outros países do continente disseram “não” a Washington e, em seguida, puseram-se a trabalhar na direção de uma verdadeira integração latino-americana. O Brasil tem papel legítimo de liderança na região, posto que, diferente dos EUA, jamais atuou como “polícia regional”.

John Kerry
Se a visita do secretário de Estado John Kerry ao Brasil, antes da fuga de Snowden e antes da visita de Rousseff a Washington, foi em larga medida visita organizacional, agora a agenda está praticamente concentrada em torno da questão da espionagem norte-americana. Não é difícil entender a indignação dos brasileiros. 

Por um lado, Washington continua a reiterar que o Brasil é seu principal aliado na América Latina; por outro, está sequestrando segredos militares do país e copiando correspondência da presidenta, dos ministros de Defesa e Relações Exteriores e de outros altos funcionários responsáveis por importantes decisões. Com que finalidade? Só para saber? Ou tenta reunir material que possa ser usado para intimidar o mais alto nível do governo do Brasil, no caso de surgirem impasses graves nas relações bilaterais? Em alguns países da África, Ásia e da Europa Oriental, o método deu certo. Obama talvez conte com repetir aqueles “sucessos” também nos contatos com o Brasil.

Elias Jaua
Dia 5/8/2013, os ministros de Relações Exteriores dos países do Mercosul reuniram-se com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, para manifestar preocupação e indignação contra ações dos norte-americanos nas operações de ampliação de seu sistema de espionagem global. O ministro venezuelano, Elias Jaua, falou em nome dos ministros regionais:

Essa prática é completa violação da legislação internacional e da soberania dos países e agride os direitos fundamentais de todos os seres humanos, em todo o planeta.

Todas as organizações regionais, inclusive a CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe) e a UNASUR (União das Nações Sul-americanas), também manifestaram seu protesto. E a ação avançará além dos protestos. Nos próximos dois ou três anos, o Brasil e outros grandes países líderes na América Latina planejam criar canais independentes de comunicação eletrônica, com servidores localizados fora de território americano. E tomar-se-ão medidas preventivas, que protegerão esses canais contra qualquer intrusão hostil.

Antonio Patriota
Washington deu algumas explicações relativas à espionagem contra o Brasil, que o Ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota considerou insuficientes. Em resposta, o Departamento de Estado convidou-o, com outros funcionários brasileiros, para visitarem os EUA e verificarem in situ o trabalho da Agência de Segurança Nacional, evidentemente, para convencerem-se de que o Brasil não estaria sob vigilância eletrônica. Na superfície, é gesto de boa-vontade. Na realidade, a suposta abertura visa a objetivos de propaganda: “Temos feito o possível para tranquilizar nossos aliados ao sul do Rio Grande”. Vãs esperanças. Nenhum dos aliados dos EUA na região está tranquilo.

Ao expor a política de duas caras dos EUA na América Latina, Snowden acertou golpe tão devastador, que de agora em diante, até o fim de seu segundo mandato, Obama sempre aparecerá marcado como hipócrita e mentiroso, nos contatos com seus parceiros latino-americanos.

O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, está para deixar o posto, de onde partirá sem glória. Tentou posicionar-se como político versátil, objetivo e responsável, disposto a diálogo construtivo. Ao final, verificou-se que Shannon em nada se diferencia da “geração império” de diplomatas norte-americanos, ativos durante os governos de George W. Bush e Barack Obama. Declarem o que declararem, prometam o que prometerem e garantam o que garantirem... tudo muda quando se trata de promover os objetivos da política externa intervencionista dos EUA. Então se desdizem e abandonam qualquer promessa, qualquer compromisso.

Esse hábito de mentir abertamente que o Departamento de Estado dos EUA desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos e o desejo assumido de fazer tudo a seu modo, a qualquer custo, agindo como superpotência ostensivamente capaz de fazer o que bem entenda, já causaram danos substanciais e continuam a prejudicar gravemente a diplomacia dos EUA.

Thomas Shannon
Thomas Shannon é responsável por um fosso que corta hoje as relações entre Brasil e Venezuela, dedicado durante anos a convencer [jornalistas e formadores de opinião] brasileiros de que “a ideologia populista de Chávez” acabará, mais dia menos dia, por desestabilizar o Brasil; e que melhor seria se o Brasil tivesse ali um regime politicamente mais moderado. De fato, nada faz, além de trabalhar para facilitar os movimentos de uma oposição-fantoche na Venezuela, financiada com dinheiro norte-americano e informação das agências norte-americanas de segurança, que sempre foi hostil a qualquer aliança entre Brasil e Venezuela. Essa política anti-Venezuela da Embaixada dos EUA no Brasil sempre foi mantida contra Hugo Chávez e prossegue contra o presidente Nicolás Maduro, atualmente sob ataque.

Informação publicada no portal BAE-Mundo mostra que Shannon, ainda como Secretário de Estado assistente em 2009, enviou correspondência marcada “secreta” a Keith Alexander, diretor da Agência de Segurança Nacional, na qual lhe agradece pela inestimável ajuda na preparação da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago. O Departamento de Estado dos EUA recebeu então mais de cem documentos da Agência de Segurança Nacional, obtidos por espionagem em gabinetes presidenciais e nos ministérios de Relações Exteriores de vários países do continente. Shannon agradece com especial ênfase, porque:

(...) os documentos da Agência de Segurança Nacional nos deram compreensão profunda dos planos e intenções de outros membros do fórum e garantiram que nossos diplomatas estivessem preparados para dar assistência qualificada ao presidente Barack Obama e à secretária de Estado Hillary Clinton.

A informação ajudou Washington a planejar o curso de sua ação relacionada a questões complexas como a inclusão de Cuba na Cúpula das Américas. Também construíram ação estratégica, contra oponentes difíceis como Hugo Chávez. Na essência, foi estratégia de “promessas preventivas”! Resultado dela, Obama pôde fazer pose de líder disposto a iniciar diálogo com a América Latina para “construir relações positivas e produtivas” com os vizinhos dos EUA no Hemisfério Ocidental.

Nossos rivais na região preparavam-se para nos envergonhar e nos criar problemas. Mas conseguimos sucesso onde eles falharam – Shannon escreveu com satisfação na carta ao diretor da Agência Nacional de Segurança.

Liliana Ayalde
Divulgou-se recentemente que Liliana Ayalde, com seus quase 30 anos de experiência no campo internacional, foi nomeada nova embaixadora dos EUA no Brasil. Não é difícil identificar o viés que marca toda a carreira dela: elos muito íntimos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (orig. United States Agency for International Development, USAID), com foco na América Latina e Caribe. 

Essa organização trabalha em contato direto com a CIA, a Agência de Inteligência da Defesa e outras agências de inteligência dos EUA, tradicionalmente para dar “cobertura” a Ayalde em suas operações. Como diretora de missão da USAID, Ayalde atuou na Nicarágua e em outros países da América Central, e esteve envolvida na implementação do “Plano Colômbia” – cujo mais importante objetivo foi impor pressão estratégico-militar sobre a Venezuela e o Brasil.

De 2008 a 2011, Ayalde foi embaixadora dos EUA no Paraguai, e teve participação significativa no golpe que derrubou o presidente Lugo.

Nos últimos dois anos, Ayalde trabalhou como vice-secretária assistente do Departamento de Estado, para o Caribe, América Central e Questões Cubanas. Não há dúvidas de que Ayalde vai para o Brasil para introduzir agressivamente, nos círculos do governo [e da mídia], seu relacionamento hostil com o governo de Raúl Castro, uma vez que, como se sabe, a presidenta Dilma Rousseff, como o antecessor, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, veem Cuba como aliado chave do Brasil no Caribe.

Todd Chapman
O número dois na equipe da embaixada, que ali estará para ser observado por Ayalde por dois anos, será Todd Chapman, recentemente retornado de missão no Afeganistão, onde cuidou da “coordenação do desenvolvimento e da economia”. A lista das universidades pelas quais Chapman é titulado, além da elitista Duke University, inclui o National Defense Intelligence College do Departamento de Defesa dos EUA. Estudou economia e temas de interesse para a inteligência, dentre os quais energia em geral, petróleo e gás, finanças e comércio internacional. Chapman trabalhou na Bolívia de 2004 a 2006; de 2007 a 2010 foi Chargé d’Affaires em Moçambique. Serviu em outras missões, muitas das quais envolveram elementos de improvisação. Chapman sempre foi mandado para áreas complexas, motivo pelo qual chega agora ao Brasil.

Há dúzias de empregados de agências de inteligência que servem hoje na embaixada e nos consulados dos EUA no Brasil. 

Um dos servidores do sistema da Agência de Segurança Nacional dos EUA de vigilância total opera no próprio prédio da embaixada em Brasília. É usado para interceptar a comunicação da presidenta, dos ministros, das agências brasileiras de segurança e do Parlamento brasileiro. 

Não importa que promessas John Kerry tenha feito durante sua estadia no Brasil ainda no início do “escândalo da espionagem”: nada mudará nos fronts da guerra clandestina que as agências de inteligência dos EUA fazem em todo o mundo. 

O exército invisível da espionagem total continua a operar.
___________________________

[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas.Especializou-se em desmascar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Quem agita o Brasil e por quê

1/7/2013, Nil NIKANDROV, Strategic Culture  
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Nil Nikandrov
Os protestos de rua no Brasil continuam. A maioria dos que se manifestam não pertencem a qualquer partido político e não são liderados por ninguém com quem as autoridades possam negociar para encaminhar solução para as demandas. Tudo começou com um grupo de descontentes da classe média e residentes das periferias mais pobres, ante um aumento anunciado nas tarifas do transporte público. As tarifas já eram altas e o novo aumento disparou a indignação de usuários de transportes públicos nas grandes cidades.

No Brasil, os transportes públicos são objeto frequente de muitas críticas. Muitos brasileiros consomem um total de 5-6 horas diárias para ir trabalhar e voltar para casa. O descontentamento popular foi estimulado pela divulgação pelas redes sociais, como movimento que pareceu organizado, de muito material de propaganda sobre “gastos milionários de dinheiro público” para a construção dos locais e eventos da Copa do Mundo de Futebol, em 2014; e dos Jogos Olímpicos (de verão) em 2016. 

Protestos no Brasil
Cartazes escritos à mão apareceram nas manifestações, dizendo que nem todos os brasileiros vivem para o futebol e recordes olímpicos: “Queremos transporte público moderno, educação de qualidade, serviços de saúde e garantia de emprego”. Ouviram-se também gritos de luta contra a corrupção. O boom “esportivo” aparece quase sempre associado, na opinião pública, com corrupção no governo e “conexões mutuamente vantajosas” para membros do governo e empresas construtoras e círculos financeiros e empresariais em geral. Segundo as primeiras estimativas, as manifestações começaram com algo entre 300 e 500 pessoas que se manifestaram em torno de um “Movimento Passe Livre” (MPL). E os protestos prosseguem. (...)

A convocação para os protestos surgiram em páginas anônimas de Facebook, que “mobilizavam” usuários de transporte público. A origem dessas páginas está sendo investigada, mas ainda não há informação segura, embora haja várias conjecturas. Por exemplo, no dia 19/6, a página brasileira de uma comunidade de “Direitos Humanos” publicou foto em que se via o proprietário da empresa, Mark Zuckerberg, exibindo um cartaz em que se lê “Não são os 20 centavos!” #ChangeBrasil!”.

Mark Zuckerberg (dono do Facebook)
São bem conhecidos os laços que unem o início da carreira empresarial de Zuckerberg e a CIA. Os contatos foram muitos e sabe-se que a CIA financiou o início de seu negócio. Zuckerberg tem também contatos estreitos com a Agência de Segurança Nacional dos EUA [orig. U.S. National Security Agency (NSA)], os quais não são segredo para ninguém. Difícil acreditar que Zuckerberg tenha-se envolvido por iniciativa sua nos protestos no Brasil (e ainda mais difícil, que tenha passado, repentinamente, a preocupar-se com o preço dos transportes públicos por lá).

Slogans de “luta para mudar” sempre são bem-sucedidos em campanhas em universidades e instituições de ensino superior. Estudantes sempre se apresentam como vanguarda na luta por direitos sociais e políticos. De novidade, agora, no caso do Brasil, que os manipuladores que operam nesses setores não conseguiram, até agora, criar lideranças centralizadas, em nenhum dos protestos de rua.

Edward Snowden
Mas o modo como a inteligência dos EUA opera, esse sim, acaba de ser revelado por Edward Snowden: tudo faz crer que a atividade no Brasil e em vários outros países já esteja em andamento, tratada como os EUA tratam o que definem como “ameaça de nível elevado”.

A contrainteligência brasileira e os serviços de investigadores policiais já trabalham para identificar quem se teria infiltrado nos movimentos do Brasil. Também se investiga o “uso hostil” das redes sociais. Mais de 80 milhões de pessoas são usuários de internet no Brasil; e 140 milhões usam telefones celulares. É claro que slogans construídos para desestabilizar o quadro sociopolítico no Brasil circulam nessas redes. E há também ONGs e agentes que operam através da embaixada dos EUA, como, igualmente, dos escritórios da USAID no Brasil – exatamente como em todo o mundo. Blogueiros brasileiros interessados em estudar as tendências das manifestações já observaram que só houve grandes concentrações populares em cidades nas quais operam escritórios de representação diplomática ou comercial dos EUA – na capital, Brasília; no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, dentre as principais.

Thomas Shannon
Hoje, como se sabe, está operando no Brasil uma das maiores bases organizadas da CIA e da inteligência militar dos EUA, do mundo. O coordenador político dessas operações no Brasil é o Embaixador Thomas Shannon. [1] Pode-se tomar como fato absolutamente verdadeiro que o embaixador Shannon está ocupado em tempo integral com o “despertar o gigante sul-americano”.

Os protestos de junho continuarão pelo mês de julho e, em grande medida, já começam a afetar a imagem que o Brasil oferecia ao mundo, de país bem-sucedido em seu projeto de desenvolvimento com orientação social.

Em outubro de 2014 haverá eleições presidenciais no Brasil; a atual presidenta Dilma Rousseff é candidata a um segundo mandato. Nesse contexto, qualquer ação para desestabilizar seu governo é apresentada como tentativa dos adversários políticos, com olhos nas eleições: “Estão nos testando”.

De início, as autoridades de alguns estados responderam com extrema dureza aos manifestantes. A presidenta Rousseff condenou o “uso de força excessiva” pelas Polícias Militares dos estados.

Há muitos no Brasil que se opõem a “governos de esquerda” e sentem que, nos dez anos dos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff “o regime corrompeu-se” e que, por isso, tem de ser mudado. Não admitem continuar afastados do poder federal por mais quatro anos.

Dilma Rousseff
Ao analisar os eventos em curso no Brasil, mais de um cientista político brasileiro já comentou que a presidenta e seu governo foram colhidos de surpresa pelos eventos; que a presidenta teve de cancelar uma visita programada ao Japão. Depois de várias reuniões, com ministros e especialistas, a presidenta Rousseff adotou a única via de ação possível: uma rota de conciliação, não confrontacional que aqueceria ainda mais as paixões. Disse, essencialmente, que apóia os manifestantes. Em pronunciamento ao país, por televisão, disse que se orgulha de tantos brasileiros desejarem lutar por um futuro melhor para o país. Enfatizou que em nenhum caso admitiria que se realizassem eventos esportivos internacionais a custa de dinheiro público retirado de programas sociais.

Na tentativa para conter a onda de protestos, Dilma Rousseff sugeriu que se realize um “plebiscito” cujas decisões orientarão uma reforma política de fundo a ser feita no país. O plebiscito deve levar, em momento posterior, à convocação de uma Assembleia Constituinte, com poderes para alterar amplamente a Constituição vigente. Todos esses planos enchem de preocupações as elites financeiras brasileiras. A oposição à presidenta Rousseff entende que “o projeto Lula-Dilma de modernização sociopolítica” nos levará na direção de um “regime populista” semelhante ao de Hugo Chavez.

O governo Obama já está fazendo tudo que esteja ao seu alcance para impedir tal desenrolar.

Hoje, está criando a Aliança Pacífica, [2] unindo quatro países da região – México, Colômbia, Peru e Chile – sob comando dos EUA. Do ponto de vista de Washington, a Aliança Pacífica, dentre outros efeitos, ajudará a limitar a influência do Brasil no hemisfério ocidental e criará “um poderoso contrapeso geoestratégico à expansão do Brasil”. Sob vários pretextos, o Pentágono está organizando exercícios armados conjuntos com países vizinhos do Brasil – Trinidad e Tobago, Suriname, Guiana e Peru. Na essência os EUA estudam um futuro teatro de operações militares. A 4ª Frota dos EUA patrulha as regiões do Oceano Atlântico próximas dos depósitos de petróleo da plataforma continental brasileira. Os EUA farão todos os esforços para enfraquecer os aliados e parceiros do Brasil na região, a começar por Venezuela, Equador, Nicarágua e Cuba. A reaproximação entre OTAN e Colômbia também se explica em parte como projeto para criar mais um “fator de pressão” sobre o Brasil.

Os protestos continuam. Começam a aparecer também detalhes sobre as condições desumanas em que vivem as populações em torno dos estádios (dos antigos e dos que estão sendo construídos) e sobre a violência das “desocupações” e operações para “limpar” as áreas dos elementos considerados “perigosos”, com imagens sobre como as casas dos mais pobres estão sendo demolidas para construção de novas edificações, sem a necessária indenização aos proprietários anteriores. O governo central está tendo de responder por ações de governadores e prefeitos, autoridades locais.

Os eventos no Brasil estão sendo acompanhados pela mídia ocidental em todos os detalhes. Cientistas políticos avaliam a ação das empresas locais de imprensa como operação deliberada para comprometer a imagem do Brasil e a capacidade do país para organizar grandes eventos esportivos internacionais. Não faltou sequer quem dissesse que a Copa do Mundo de futebol devesse ser cancelada, por o país não poder dar garantias de vida aos jogadores e torcedores.

O que se viu agora, na “Copa das Confederações” pode ser considerado como ensaio geral do que se verá acontecer em futuros eventos esportivos no Brasil. Tudo para pressionar o país, em questões e interesses que nada têm a ver com esportes...



Notas dos tradutores

[1]
Sobre o embaixador Thomas Shannon e seus contatos no Brasil ver, dentre outros muitos telegramas Wikivazados: