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terça-feira, 10 de março de 2015

Mohammad Javad Zarif, Ministro de Relações Exteriores do Irã entrevistado pela NBC News em 4/3/2015 – Parte 2

4/3/2015, Ann Curry  da NBC entrevista Mohammad Javad Zarif – Parte 2
Traduzida da transcrição pelo pessoal da Vila Vudu


Leia antes a Parte 1

O problema é que para Netanyahu a grande ameaça existencial é a paz. Esse é problema dele. Não é problema do Irã.
O problema é que é impossível acordar alguém que finge que está dormindo. As pessoas passaram décadas e décadas fingindo que não sabiam que alguns países, sim, estavam construindo e construíram bombas atômicas. Alguns até receberam ajuda para construir suas bombas. Agora, esses mesmos veem bombas atômicas em cada esquina...
Javad Zarif


NBC News: Espionagem?

JAVAD ZARIF: Sim. Tentaram até espionagem. Israel tentou assassinar cientistas nucleares iranianos. Cinco cientistas nucelares iranianos foram assassinados em ataques terroristas no Irã, nos últimos vários anos. Os EUA tentaram sanções. Provavelmente, as sanções mais destrutivas, como eles dizem, “incapacitantes”, que os EUA jamais usaram contra outros povos, que privaram os iranianos até de comprar matéria-prima para medicamentos, ou de mandar fazer exames de sangue no exterior. São sanções desse tipo que os EUA aplicaram contra o Irã. Mas... e para quê? Que resultado obtiveram de tudo isso? Acho que o presidente Obama acertou quando disse que as sanções levaram o Irã a, partindo de menos de 200, termos hoje mais de 20 mil centrífugas.

Acho que o fato de os EUA terem reconhecido a futilidade da pressão contra o Irã, a futilidade das sanções contra o Irã, o fato de que reconheceram que sanções não funcionam, que essas pressões não funcionam que ameaças não funcionam, já mostraram ao mundo que o único modo de negociar com o Irã é mediante negociações respeitosas. E já andamos muito.

O Primeiro-Ministro Netanyahu, por exemplo, acreditava que não cumpriríamos os termos do plano de ação conjunta que adotamos em Genebra. A senhora lembra o estardalhaço que foi feito sobre isso, há cerca de dois anos, quando adotamos o plano, em novembro de 2013. Mas, relatório após relatoria, a AIEA só fez comprovar que o Irã cumprira o que fora acertado, cada um dos compromissos que assumimos naquele acordo. Todos sabem que o Irã cumpre o que assina. Sempre mantivemos nossa palavra. E fomos ludibriados. O povo iraniano foi ludibriado.

Mas somos gente que perdoa. Voltamos à mesa de negociações para mostrar ao mundo que nada temos a esconder, que queremos viver em paz, que queremos exercitar nosso direito à tecnologia nuclear para objetivos pacíficos. Estamos dispostos a aceitar restrições, e é claro que respeitaremos todos os padrões internacionais. Esse processo levará o Irã a aceitar o processo mais pervasivo, o processo mais rigoroso de inspeção internacional que existe. É o que se chama “protocolo adicional”. Ainda é preciso que o Parlamento iraniano aprove. Já aceitamos até essa história da... da... “cláusula de prazo” [orig. sunset clause [NTs]), aliás, não passa de mais uma tática para meter medo. O Irã aceita, já aceitou, de fato, pois somos membros do Tratado de Não Proliferação. Temos obrigação de não desenvolver armas nucleares. Estaremos para sempre sob inspeção, como qualquer outro país. As negociações não existem para garantir passe livre ao Irã. E nem precisamos de nada disso, porque o Irã não tem interesse em construir nenhuma bomba atômica, nem está planejando fazê-lo.

Alguns, porque têm, eles sim, programa nuclear clandestino, várias centenas de ogivas nucleares, pensam que todos acreditam, como eles, que seja possível construir segurança sobre um arsenal de bombas atômicas. Não pensamos assim. Para nós, nossa segurança nunca seria aumentada com um armazém cheio de bombas atômicas. De fato, o Irã sabe que quanto mais bombas atômicas tenhamos em casa, menor a segurança. Acreditamos que armas nucleares reduzem a segurança, não aumentam segurança de ninguém.

NBC News: O presidente Obama, na 2ª-feira (2/3/2015), disse que o Irã deve informar toda atividade nuclear sensível durante dez anos, se quiser algum acordo. O senhor está reclamando contra isso?

JAVAD ZARIF: Não, não estou negociando em público. Estamos discutindo várias medidas, medidas de transparência e medidas de limitações voluntárias em nosso programa nuclear – com o programa Uni, digo Cinco mais Um, mas, basicamente, primariamente, com os EUA, e outros membros do Cinco mais Um. Acreditamos que não são necessárias. Mas estamos preparados para andar ainda mais, sendo necessário, para convencer a comunidade internacional de que nosso programa nuclear é exclusivamente pacífico. Estamos engajados em discussões muito sérias, altamente técnicas, discussões nas quais estão envolvidos muitos físicos nucleares, incluindo os chefes de nossa organização de energia atômica e o secretário de Energia dos EUA, os quais, ambos, são físicos nucleares, e trabalham para confirmar que o programa nuclear do Irã sempre será pacífico.

Não temos qualquer problema com isso, porque o Irã deseja que seu programa nuclear que é pacífico continue pacífico. Queremos que nosso programa nuclear seja visto como pacífico. Porque é o que desejamos e é o que nos interessa. Não nos estamos engajando em qualquer modalidade de contenção nuclear. Entendemos que a ‘lógica’ da contenção nuclear é literalmente MAD [ing. “louca”], como no conceito de Mutually Assured Destruction [Destruição Mútua Garantida], MAD [louca]. Absolutamente não nos interessa.

Ao Irã, o que nos interessa é desenvolver nosso potencial científico. Temos sido impedidos, nos negam acesso à tecnologia. E por isso os nossos cientistas tiveram de desenvolver soluções nossas. Hoje temos ciência iraniana, produzida no Irã. Um pouco copiamos de fora. Mas agora já produzimos nossa própria ciência. Nossos cientistas desenvolveram nossa ciência apesar de todas as dificuldades que nos impuseram de fora.

Por isso a ciência iraniana é motivo de orgulho, é uma fonte legítima da dignidade nacional. Absolutamente não se trata de armas. Trata-se de ciência, de tecnologia nossa, de respeito e de dignidade. Trata-se de haver quem se interesse por impedir que o povo iraniano se beneficie dos frutos de nossa ciência e de nosso trabalho – ciência e trabalho que tiveram alto preço, para nós, em sangue.

Como já disse, muitos de nossos cientistas nucleares foram assassinados por agentes israelenses, infelizmente. E ninguém condenou esses crimes. Esses são fatos comprovados várias, várias vezes. Nada disso funcionará. É preciso ter um acordo negociado no qual se registrem todas as garantias que a comunidade internacional merece – e quando digo “comunidade internacional” falo da comunidade internacional capaz de reconhecer o direito que o Irã temos à nossa tecnologia nuclear iraniana para fins pacíficos. Porque outros países têm programa similar ao nosso, e se trata de tecnologia de ponta.

A energia nuclear é produto de tecnologia avançada, que será o futuro de outras gerações, produzindo energia limpa, energia que não destrói o meio ambiente nem produz gases de efeito estufa. Há aí áreas importantes de desenvolvimento. E nosso país quer beneficiar-se desse desenvolvimento; e temos base científica para tanto.

Por tudo isso – se alguém estiver realmente preocupado com proliferação de armas nucleares –, o melhor modo é assegurar que as coisas no Irã continuem como até agora, porque essa ciência, que é nossa, não é importada e ninguém poderá tirar de nós, nunca causará dano a ninguém. O melhor meio para garantir que essa energia continue absolutamente pacífica é permitir que seja produzida e usada de modo transparente. Ora! O Irã aceita muita coisa. Mas não pode aceitar coisa alguma até que tenhamos um acordo.

Não entendo por que há quem não admite que haja acordo. Porque, se não tivermos um acordo, não concordaremos, não aceitaremos coisa alguma. Assim, sem acordo, é como sempre se volta à situação de quanto mais pressão contra o Irã, mais centrífugas!

Não vamos desenvolver armas nucleares. Mas se nunca param de nos pressionar, nunca obterão mais transparência. A única coisa que obterão é mais centrífugas.

Mas, se querem mais transparência, se querem menos centrífugas, se querem um programa de fases exclusivamente para conter, para limitar a capacidade científica que temos hoje, nesse caso produziremos dezenas de milhares de centrífugas.

Estamos dispostos a aceitar limitações, exclusivamente para chegarmos a um acordo internacional. Estamos dispostos a aceitar até medidas extras de transparência para reduzir preocupações que, no nosso modo de ver, são deslocadas, não fazem sentido algum.

Entendemos que essas preocupações foram infladas pelo clima reinante de histeria que gente como Netanyahu & companhia têm interesse em inflar sempre e cada vez mais. Mas mesmo assim estamos preparados para agir, para implantar medidas, para aliviar aquelas preocupações e aliviar tantos medos. Porque entendemos que essa nossa atitude é do nosso interesse e do interesse de todos. Mas...

O primeiro-ministro Netanyahu sabe que, se as coisas forem feitas como o Irã propõe, todas as mentiras dele serão expostas ante toda a comunidade internacional, como já foram expostas incontáveis vezes. (...) Agora, com um acordo, tudo isso terá, afinal, fim. O problema é que para Netanyahu a paz é ameaça existencial. Esse é problema dele. Não é problema do Irã.

NBC News: Bem... Uma das questões levantadas é que, se se marca um prazo, digamos, dez anos... A questão então se converte em “E depois? O que acontecerá depois?” Por que não fazer durar para sempre qualquer acordo que, essencialmente, congelará a atividade iraniana sensível? (...)

JAVAD ZARIF: Difícil entender por que teríamos de assinar acordos eternos sobre uma bomba atômica que não existe, na qual não estamos trabalhando e que não nos interessa. Mas, sim, podemos até congelar para sempre qualquer coisa que tenha a ver com qualquer bomba atômica. A questão é que o Irã nunca fala de bomba atômica: o Irã sempre fala de tecnologia de enriquecimento para produzir combustível para nossos próprios reatores. Absolutamente não se trata de bomba alguma.

Estamos dispostos a aceitar limites por algum tempo. Depois, estaríamos submetidos às mesmas leis e regras que criam deveres e obrigações para o resto da comunidade internacional. Todo mundo sabe que Israel não tem de cumprir nenhuma legislação, porque Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação. Por que não assinou? Coisa mais estranha é que quem mais fala sobre o Tratado de Não Proliferação... nunca assinou o tratado! Não é um assombro? Israel não é membro do TNP.

Mesmo assim, Netanyahu vive a dar lições de não proliferação. Justamente o mais feroz proliferador da história recente, com 200 – 200! – ogivas nucleares em seu arsenal. E fala de não proliferação.

O Irã pode, sim, aceitar alguma limitação por algum tempo, mesmo que consideremos obrigação sem sentido algum, só porque nos parece interessante como prova de boa fé, não como obrigação.

Estamos dispostos a aceitar obrigações, não obrigações que Israel jamais teve de aceitar, mas obrigações que outros países, membros do TNP, podem aceitar; as salvaguardas, o protocolo adicional, todos os demais instrumentos que proíbem o desenvolvimento de armas nucleares. Porque o Irã não tem interesse algum em desenvolver bombas atômicas.

As cláusulas que proíbem o desenvolvimento de armas atômicas não têm prazo para acabar, nada de cláusula de fechamento. O Irã jamais será ‘liberado’ da obrigação de não desenvolver bombas atômicas dentro de 20 anos, 50 anos. São obrigações vigentes para sempre que o Irã assumiu quando assinou e ratificou o Tratado de Não Proliferação.

Assim se vê que toda essa conversa sobre ‘cláusulas’ com prazo ou sem prazo não passa hoje, como nunca passou, de demagogia. Nunca, em tempo algum, acordo algum jamais disse que em tal dia, de tal ano, alguém ficará livre para começar a produzir bombas atômicas. O Irã não quer produzir bombas atômicas. E já assinamos um acordo – que sempre cumprimos – que nos proíbe e proíbe todos os países signatários, no futuro. (...)

NBC News: Por que os norte-americanos teriam de confiar no Irã?

JAVAD ZARIF: Ora... Não estamos pedindo que ninguém confie em nós. Há um sistema internacional que...

NBC News: Sim, estão. Se estão tentando conseguir um acordo.

JAVAD ZARIF: Não.

NBC News: Claro que vocês estão pedindo que confiem em vocês.

JAVAD ZARIF: Não, não, não e não. Não estamos pedindo que ninguém confie em nós. Conhecemos bem o alto nível de desconfiança mútua que há entre o Irã e os EUA. Infelizmente, também entre os EUA e vários países. Mas o povo iraniano não tem dúvida alguma, porque viram acontecer, de que os EUA não deram nenhuma atenção ao fato de que o Irã foi invadido por país vizinho; que não deram qualquer atenção ao fato de que foram usadas armas químicas contra nós, por Saddam Hussein.

Pode parecer história velha para muitos. Mas é história ainda viva na memória dos iranianos. Portanto, se não confiamos, tampouco contamos com que alguém confie em nós. Estamos negociando, sim, um passo de cada vez.

O acordo é muito viável. Será examinado e fiscalizado. Não estamos pedindo que confiem em nós. Queremos ver instalados os mecanismos de verificação e fiscalização. Já aceitamos as verificações. E entendo que qualquer pessoa, em seu perfeito juízo, deve encorajar, deve considerar bem-vindo o acordo, que terá seu próprio mecanismo de verificação e fiscalização, para comprovar, uma vez mais, que o Irã sempre cumpre seus compromissos.

NBC News: Como o senhor sabe e eu também sei, o processo de verificação não impediu algumas nações de construir a bomba atômica.

JAVAD ZARIF: Em tempos recentes, os sistemas de verificação mudaram. E, além do mais, estamos aceitando mecanismos adicionais de fiscalização e verificação. E daremos a toda a comunidade internacional garantias de que o Irã nunca produzirá bombas atômicas.

O problema é que é impossível acordar alguém que finge que está dormindo... As pessoas passaram décadas e décadas fingindo que não sabiam que alguns países, sim, estavam construindo e construíram bombas atômicas. Alguns até receberam ajuda para construir suas bombas. Agora, esses todos veem bombas atômicas em cada esquina...

O Irã não está produzindo nem produzirá bombas atômicas. O Irã não quer produzir bombas atômicas. O Irã não produzirá armas nucleares. E temos a nosso favor os necessários mecanismos internacionais.

Se se lê o relatório geral da AIEA, não o relatório sobre o Irã, o outro, o relatório geral sobre como os demais países estão cumprindo as normas, se se lê aquele relatório, vê-se que, depois do Japão, o Irã é o país que passou pelo maior número de visitas de inspeção. Essas inspeções determinaram índice de menos de 1% de desvio nas restrições.

Outros países que não estão submetidos a nenhuma restrição, que não aceitaram nenhuma limitação mostram índices de infração de 30, 40, 50, e até há alguns poucos países com 100% de infração. Está tudo bem claro, no relatório, basta examinar, a senhora pode constatar, no relatório de 2013 da AIEA, o mais recente que foi divulgado.

[Continua]

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Espionagem total dos EUA contra o Brasil: Querem saber o quê?

15/8/2013, [*] Nil Nikandrov, Strategic Culture

The US’ All-Out Espionage Against Brazil. To what end?

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ler também: 
1/7/2013, redecastorphoto,  Nil Nikandrov em: Quem agita o Brasil e por quê

Edward Snowden
A primeira visita de estado da presidenta Dilma Rousseff aos EUA deve acontecer dia 23/10. A preparação para essa visita foi obscurecida pelas revelações de Edward Snowden. Documentos sugerem que o Brasil é o país, de todo o hemisfério ocidental, no qual o trabalho de inteligência dos serviços de segurança dos EUA é mais ativo. Segundo informações vazadas para a mídia, os norte-americanos interessam-se por tudo – da estratégia de desenvolvimento das Forças Armadas e os conteúdos de seus programas de cooperação técnico-militar com China, Rússia e Índia, à vida pessoal de líderes políticos e comandantes militares brasileiros. E grande parte do trabalho é tentar encontrar imundícies que envolvam a presidenta Dilma e as figuras de seu círculo mais próximo...

Em décadas recentes, Washington tem considerado o Brasil como seu principal rival na região; o acelerado desenvolvimento do país em setores como modernas tecnologias, energia, indústria de defesa e tecnologia espacial ao longo dos últimos 20-25 anos, levou a vasta maioria dos países latino-americanos a consolidarem-se em torno do Brasil. O projeto de integração pan-americano concebido pelos EUA, o Free Trade Agreement of the Americas (FTAA) [Acordo de Livre Comércio das Américas] fracassou espetacularmente durante a Cúpula das Américas, na cidade argentina de Mar del Plata em 2005. Brasil, Argentina, Venezuela e outros países do continente disseram “não” a Washington e, em seguida, puseram-se a trabalhar na direção de uma verdadeira integração latino-americana. O Brasil tem papel legítimo de liderança na região, posto que, diferente dos EUA, jamais atuou como “polícia regional”.

John Kerry
Se a visita do secretário de Estado John Kerry ao Brasil, antes da fuga de Snowden e antes da visita de Rousseff a Washington, foi em larga medida visita organizacional, agora a agenda está praticamente concentrada em torno da questão da espionagem norte-americana. Não é difícil entender a indignação dos brasileiros. 

Por um lado, Washington continua a reiterar que o Brasil é seu principal aliado na América Latina; por outro, está sequestrando segredos militares do país e copiando correspondência da presidenta, dos ministros de Defesa e Relações Exteriores e de outros altos funcionários responsáveis por importantes decisões. Com que finalidade? Só para saber? Ou tenta reunir material que possa ser usado para intimidar o mais alto nível do governo do Brasil, no caso de surgirem impasses graves nas relações bilaterais? Em alguns países da África, Ásia e da Europa Oriental, o método deu certo. Obama talvez conte com repetir aqueles “sucessos” também nos contatos com o Brasil.

Elias Jaua
Dia 5/8/2013, os ministros de Relações Exteriores dos países do Mercosul reuniram-se com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, para manifestar preocupação e indignação contra ações dos norte-americanos nas operações de ampliação de seu sistema de espionagem global. O ministro venezuelano, Elias Jaua, falou em nome dos ministros regionais:

Essa prática é completa violação da legislação internacional e da soberania dos países e agride os direitos fundamentais de todos os seres humanos, em todo o planeta.

Todas as organizações regionais, inclusive a CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe) e a UNASUR (União das Nações Sul-americanas), também manifestaram seu protesto. E a ação avançará além dos protestos. Nos próximos dois ou três anos, o Brasil e outros grandes países líderes na América Latina planejam criar canais independentes de comunicação eletrônica, com servidores localizados fora de território americano. E tomar-se-ão medidas preventivas, que protegerão esses canais contra qualquer intrusão hostil.

Antonio Patriota
Washington deu algumas explicações relativas à espionagem contra o Brasil, que o Ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota considerou insuficientes. Em resposta, o Departamento de Estado convidou-o, com outros funcionários brasileiros, para visitarem os EUA e verificarem in situ o trabalho da Agência de Segurança Nacional, evidentemente, para convencerem-se de que o Brasil não estaria sob vigilância eletrônica. Na superfície, é gesto de boa-vontade. Na realidade, a suposta abertura visa a objetivos de propaganda: “Temos feito o possível para tranquilizar nossos aliados ao sul do Rio Grande”. Vãs esperanças. Nenhum dos aliados dos EUA na região está tranquilo.

Ao expor a política de duas caras dos EUA na América Latina, Snowden acertou golpe tão devastador, que de agora em diante, até o fim de seu segundo mandato, Obama sempre aparecerá marcado como hipócrita e mentiroso, nos contatos com seus parceiros latino-americanos.

O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, está para deixar o posto, de onde partirá sem glória. Tentou posicionar-se como político versátil, objetivo e responsável, disposto a diálogo construtivo. Ao final, verificou-se que Shannon em nada se diferencia da “geração império” de diplomatas norte-americanos, ativos durante os governos de George W. Bush e Barack Obama. Declarem o que declararem, prometam o que prometerem e garantam o que garantirem... tudo muda quando se trata de promover os objetivos da política externa intervencionista dos EUA. Então se desdizem e abandonam qualquer promessa, qualquer compromisso.

Esse hábito de mentir abertamente que o Departamento de Estado dos EUA desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos e o desejo assumido de fazer tudo a seu modo, a qualquer custo, agindo como superpotência ostensivamente capaz de fazer o que bem entenda, já causaram danos substanciais e continuam a prejudicar gravemente a diplomacia dos EUA.

Thomas Shannon
Thomas Shannon é responsável por um fosso que corta hoje as relações entre Brasil e Venezuela, dedicado durante anos a convencer [jornalistas e formadores de opinião] brasileiros de que “a ideologia populista de Chávez” acabará, mais dia menos dia, por desestabilizar o Brasil; e que melhor seria se o Brasil tivesse ali um regime politicamente mais moderado. De fato, nada faz, além de trabalhar para facilitar os movimentos de uma oposição-fantoche na Venezuela, financiada com dinheiro norte-americano e informação das agências norte-americanas de segurança, que sempre foi hostil a qualquer aliança entre Brasil e Venezuela. Essa política anti-Venezuela da Embaixada dos EUA no Brasil sempre foi mantida contra Hugo Chávez e prossegue contra o presidente Nicolás Maduro, atualmente sob ataque.

Informação publicada no portal BAE-Mundo mostra que Shannon, ainda como Secretário de Estado assistente em 2009, enviou correspondência marcada “secreta” a Keith Alexander, diretor da Agência de Segurança Nacional, na qual lhe agradece pela inestimável ajuda na preparação da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago. O Departamento de Estado dos EUA recebeu então mais de cem documentos da Agência de Segurança Nacional, obtidos por espionagem em gabinetes presidenciais e nos ministérios de Relações Exteriores de vários países do continente. Shannon agradece com especial ênfase, porque:

(...) os documentos da Agência de Segurança Nacional nos deram compreensão profunda dos planos e intenções de outros membros do fórum e garantiram que nossos diplomatas estivessem preparados para dar assistência qualificada ao presidente Barack Obama e à secretária de Estado Hillary Clinton.

A informação ajudou Washington a planejar o curso de sua ação relacionada a questões complexas como a inclusão de Cuba na Cúpula das Américas. Também construíram ação estratégica, contra oponentes difíceis como Hugo Chávez. Na essência, foi estratégia de “promessas preventivas”! Resultado dela, Obama pôde fazer pose de líder disposto a iniciar diálogo com a América Latina para “construir relações positivas e produtivas” com os vizinhos dos EUA no Hemisfério Ocidental.

Nossos rivais na região preparavam-se para nos envergonhar e nos criar problemas. Mas conseguimos sucesso onde eles falharam – Shannon escreveu com satisfação na carta ao diretor da Agência Nacional de Segurança.

Liliana Ayalde
Divulgou-se recentemente que Liliana Ayalde, com seus quase 30 anos de experiência no campo internacional, foi nomeada nova embaixadora dos EUA no Brasil. Não é difícil identificar o viés que marca toda a carreira dela: elos muito íntimos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (orig. United States Agency for International Development, USAID), com foco na América Latina e Caribe. 

Essa organização trabalha em contato direto com a CIA, a Agência de Inteligência da Defesa e outras agências de inteligência dos EUA, tradicionalmente para dar “cobertura” a Ayalde em suas operações. Como diretora de missão da USAID, Ayalde atuou na Nicarágua e em outros países da América Central, e esteve envolvida na implementação do “Plano Colômbia” – cujo mais importante objetivo foi impor pressão estratégico-militar sobre a Venezuela e o Brasil.

De 2008 a 2011, Ayalde foi embaixadora dos EUA no Paraguai, e teve participação significativa no golpe que derrubou o presidente Lugo.

Nos últimos dois anos, Ayalde trabalhou como vice-secretária assistente do Departamento de Estado, para o Caribe, América Central e Questões Cubanas. Não há dúvidas de que Ayalde vai para o Brasil para introduzir agressivamente, nos círculos do governo [e da mídia], seu relacionamento hostil com o governo de Raúl Castro, uma vez que, como se sabe, a presidenta Dilma Rousseff, como o antecessor, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, veem Cuba como aliado chave do Brasil no Caribe.

Todd Chapman
O número dois na equipe da embaixada, que ali estará para ser observado por Ayalde por dois anos, será Todd Chapman, recentemente retornado de missão no Afeganistão, onde cuidou da “coordenação do desenvolvimento e da economia”. A lista das universidades pelas quais Chapman é titulado, além da elitista Duke University, inclui o National Defense Intelligence College do Departamento de Defesa dos EUA. Estudou economia e temas de interesse para a inteligência, dentre os quais energia em geral, petróleo e gás, finanças e comércio internacional. Chapman trabalhou na Bolívia de 2004 a 2006; de 2007 a 2010 foi Chargé d’Affaires em Moçambique. Serviu em outras missões, muitas das quais envolveram elementos de improvisação. Chapman sempre foi mandado para áreas complexas, motivo pelo qual chega agora ao Brasil.

Há dúzias de empregados de agências de inteligência que servem hoje na embaixada e nos consulados dos EUA no Brasil. 

Um dos servidores do sistema da Agência de Segurança Nacional dos EUA de vigilância total opera no próprio prédio da embaixada em Brasília. É usado para interceptar a comunicação da presidenta, dos ministros, das agências brasileiras de segurança e do Parlamento brasileiro. 

Não importa que promessas John Kerry tenha feito durante sua estadia no Brasil ainda no início do “escândalo da espionagem”: nada mudará nos fronts da guerra clandestina que as agências de inteligência dos EUA fazem em todo o mundo. 

O exército invisível da espionagem total continua a operar.
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[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas.Especializou-se em desmascar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros - tanto de ficção e estudos documentais - dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pepe Escobar: “O que há de tão sexy em Benghazi?”


16/11/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Pepe Escobar
O Pentágono do Amor – como no affair Petraeus-Broadwell-Kelley-Allen-agente-de-torso-nu-do-FBI – é farsa que continua a dar flor. O problema é que não se trata de sexo, mentiras & e-mails. Trata-se, sempre e só, de Benghazi.

Com escândalo ou sem, o general David Petraeus finalmente aceitou depor, em data ainda a ser marcada, ante a Comissão de Inteligência do Senado sobre o 11/9, o ataque, em 2012, ao consulado dos EUA na Líbia, no qual foram mortos o embaixador Chris Stevens e três outros cidadãos norte-americanos; é possível que lhe perguntem sobre o que a CIA fazia lá antes, durante e depois do ataque.

Barack Obama
Quanto ao presidente Obama, na primeira conferência de imprensa depois de reeleito, tratou de alertar os Republicanos – que, há semanas, vêm tentando distorcer Benghazi para que sirva aos seus objetivos – de que “me perseguirem”; perseguirem a embaixadora na ONU, Susan Rice, “que nada teve a ver com Benghazi, e apenas fazia uma apresentação baseada em informes de segurança que recebeu”; e “enlamear sua reputação” (tudo isso) é “revoltante, inadmissível”.

Mais do que os Republicanos enfrentarem problemas com o presidente, a coisa parece que tem a ver com Petraeus enfrentar problemas com a nação. Sempre em surto de negação obsessiva, os Republicanos evidentemente pirarão quando Petraeus contar ao Senado exatamente o que contou à Casa Branca há dois meses. O general – e em seguida a secretária de Estado Hillary Clinton, mais Susan Rice – todos, disseram que o ataque em Benghazi foi resultado daquele filme ridículo sobre o profeta Maomé que circulou em vídeo pelo YouTube.

David Petraeus
Àquela altura, o affair de Petraeus com a biógrafa-gata Paula Broadwell, já era passado. Mas o general, provavelmente, não sabia que já estava fisgado também na investigação que a socialite de Tampa, Jill Kelley, inspirara ao FBI, sobre e-mails persecutórios que ela recebera de Paula. E aí, semana passada, a investigação veio miraculosamente à tona, imediatamente depois das eleições, exatamente quando Petraeus foi convocado a depor no Senado. O general, ao que tudo indica, errou as contas estratégicas e não conseguiu salvar o próprio emprego. Mas não há o que leve a duvidar de que ele terá bom desempenho em seu “Especial Benghazi”.

A lean, mean killing machine [1]

Paula Broadwell
A possibilidade de que o general, hoje caído em desgraça, sairá limpo no que tenha a ver com o atual modus operandi da CIA é tão remota quando vermos Paula Broadwell no papel de Branca de Neve. Desde que Petraeus foi nomeado por Obama para dirigir a CIA, a agência foi convertida em máquina paramilitar de matar – não exatamente um paraíso de Inteligência Humana (HUMINT). Só ações clandestinas, agentes mascarados nas sombras, distante de qualquer controle pelo Executivo, Legislativo ou Judiciário ou pela mídia; de fato, absolutamente fora de qualquer controle.

Essa militarização linha duríssima da CIA implica a agência jamais ter reconhecido a Guerra dos Drones. Para nem falar sobre como se decidem os alvos dos assassinatos predefinidos, do Chifre da África à Península Arábica e as áreas tribais do Paquistão; e sobre quem é sorteado para ganhar ou mais um dia de vida ou a morte. O que torna tudo ainda mais absurdo é que a CIA recebeu, da Casa Branca, a missão de investigar com imparcialidade a sua própria empreitada de guerra suja.

Dick Chaney
Tudo isso nos leva inevitavelmente de volta a Benghazi – e à notícia-bomba, divulgada pelo canal Fox News, [2]citando fonte anônima de Washington, segundo a qual havia, no consulado em Benghazi, um “anexo da CIA” onde estavam “detidos” três combatentes de milícias líbias (leia-se: jihadistas salafistas) para interrogatórios (leia-se: para atividades aquáticas de recreação e afogamento à moda Dick Cheney).

As sessões de interrogatório estariam sob responsabilidade de “empresas terceirizadas”, uma coleção sombria de “ex” Agentes Especiais (a própria CIA encarregou-se de lembrar à opinião pública que “desde janeiro de 2009 já não tinha autoridade para fazer prisioneiros, nos termos da Lei [orig. Executive Order] 13.491)”.

Antes, também foram “hóspedes” em Benghazi combatentes de várias guerras e conflitos no Norte da África e no Oriente Médio. Em resumo: o tal “anexo” da CIA era um dos principais buracos negros de todo o Norte da África.

Assim sendo, temos uma prisão “secreta” da CIA funcionando dentro de um consulado norte-americano – e, obviamente sem responder ao Departamento de Estado – ocupada por “ex” e atuais empresas privadas de Forças Especiais contratadas, recebendo “entregas especiais” de prisioneiros para interrogatório e cuidando de práticas de “detenção” (leia-se: tortura) que são ilegais nos EUA. Toda essa gente trabalhava para Petraeus – não para Hillary Clinton.

É mais do que provável que não seja o único desses estabelecimentos recreacionais – porque há Forças Especiais em ação por todo o Norte da África - e já se sabe que a CIA mantém outra dessas prisões ilegais na Somália.

Aposto um celeiro cheio de garrafas de Chateau Petrus, que o general não dirá palavra sobre tudo isso, no depoimento ao Senado. O general repetirá que a culpa de tudo que houve em Benghazi é do vídeo sobre o Profeta Maomé.

E há também o caso das Gataghazis

Gataghazis (Broadwell&Kelley)
O caso das Gataghazis é o máximo: a Biógrafa-Gata Paula e sua briga virtual de foice no escuro contra Jill Kelley (gata libanesa-norte-americana, também conhecida pelos codinomes de Jill Khawam, Gilberte J Kelley, Gigi Khawam, Gigi Kelley, que mantinha um negócio de “planejamento de eventos sociais” gratuitos na base do Comando Central (CENTCOM) em Tampa, Flórida. E, isso, ainda sem falar da espantosissimamente trabalhosa troca de e-mails (mais de 30 mensagens por dia) todos os dias, entre Kelley e o general John Allen e que durou, no mínimo, com certeza, três anos. É claro que o general Allen não tinha mãos para cuidar daquele amaldiçoado, chatíssimo, problema dos Talibã.

O Tampa Bay Times tem publicado vastas matérias, todos os dias, sobre a metamorfose da “reputação, consagrada por décadas, de hospitalidade e acolhimento gentil dos militares”. O jornal diz que o “marco zero” das novas travessuras sexuais “não é o Pentágono, mas uma mansão no bulevar Bayshore, onde vive uma família com apetites lascivos insaciáveis e dívidas gigantescas”: é onde moram os Kelleys [3].

Com tanta torpeza e lascívia no mercado dos contatos “sociais”, difícil é alguém pensar em política externa. Mesmo assim, tudo leva a crer que Benghazi seja só um aperitivo do que está cozinhando na Síria.

Benghazi – como Darnah, no litoral – alimentou a guerra da OTAN na Líbia fornecendo incontáveis jihadistas salafistas, inclusive gente ligada à al-Qaeda, através do “ex” Grupo Islâmico de Combate Líbio [orig. Libya Islamic Fighting Group (LIFG)].

Abdelhakim Belhadj
Não há dúvida alguma de que o embaixador Chris Stevens estava em contato íntimo com essa poderosa linha “rebelde” – inclusive com o superastro islamista Abdelhakim Belhadj. Depois que o coronel Gaddafi foi capturado e assassinado pelos “rebeldes” – com amplo apoio dos mísseis dos EUA e de soldados de Forças Especiais do Qatar por terra – islamistas líbios, com Belhaj à frente, começaram a contrabandear jihadistas salafistas armados até os dentes para juntar-se aos rebeldes sírios que querem derrubar o governo de Assad.

Demorou, mas afinal Hillary e o Departamento de Estado acordaram e perceberam o risco a que se expunham, de um contragolpe. Essa é uma das principais razões pelas quais Hillary tem tanta pressa para “refundar” a liderança da oposição síria, o que foi sacramentado no último fim de semana em Doha.

Na sua primeira conferência de imprensa, Obama limitou-se a repetir platitudes sobre a Síria (“estivemos sempre em contato com a comunidade internacional” e “consultamos repetidas vezes a oposição”, além de Turquia, Jordânia e Israel; muito significativamente, Obama não citou dois atores chaves do Conselho de Cooperação do Golfo, anti-Assad: a Arábia Saudita e o Qatar). Alertou sobre “elementos extremistas” infiltrados na oposição Síria; e não se comprometeu a armá-los. Não, pelo menos, oficialmente.

Hillary Clinton
Amanhã, 6ª-feira (16/11/2012), começa em Londres a segunda reunião de “amigos” da Síria – para dar sequência aos planos de Hillary para demitir uns e empossar outros dos tais “amigos”. O ocidente será então oficialmente apresentado ao novo líder da oposição, Maaz al-Khatib – que toda a empresa-imprensa ocidental repete, em frenesi, que seria “moderado”, com “impecáveis credenciais revolucionárias” e que deseja, segundo suas próprias palavras, conduzir a Síria na direção de converter-se em “estado cívico”.

É farsa tão ridícula quanto os contos das Gataghazis. Al-Khatib já disse que os problemas sírios só se resolvem com “armas”. A França – a qual, sob Hollande, permanece tão pateticamente neocolonialista quanto nos idos do rei Sarkô – já o reconheceu como líder e também reconheceu a nova oposição, criada essencialmente por pressão dos EUA e do Qatar, sob vagas promessas de muito dinheiro.

Maaz al-Khatib
Al-Khatib – ex imã da mesquita Umayyad em Damasco, posição que jamais obteria sem o aval da inteligência síria – é conhecido por ter convocado a Jihad para salvar o mundo muçulmano (há notícia em árabe, mas nada que o Google Translate não dê conta [4]). E o golpe fatal: Al-Khatib está convencido de que Facebook é complô de EUA-Israel contra os árabes. [5]

Com amigos como EUA, França, Arábia Saudita, Qatar e Turquia, a Síria não precisa de inimigos. Quanto à volta do chicote no lombo de quem chicoteia, preparem-se: o que aconteceu em Benghazi é só o aperitivo do que os inimigos dos EUA estão preparando.

Os EUA já não podem contar, nem com Petraeus, nem com Allen para defender a pátria? Ora! Podem convocar Jill Kelley! Ela a-do-ra quatro estrelas!



Notas de rodapé

[1]  Aprox., “uma máquina de matar enxuta”. A expressão aplica-se aos Marines e circulou muito, em tom de elogio e propaganda em 2004, na tomada de Fallujah, no Iraque. Vídeo a seguir:


[2]  Vídeo a seguir:


[4]  27/10/2012, Darbuna, Ahmed Maaz Khatib al-Hassani em: Arquivo Diário de 27/10/2012(Para ler em português acione o Google Translate).

[5] 17/2/2008, Darbuna, Ahmed Maaz Khatib al-Hassani em: “Arquivo Diário de 17/2/2008  (Para ler em português acione o Google Translate).