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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Risco geofinanceiro depois das “guerras do Tesouro” e a direção dos fluxos de energia


16/4/2015, [*] Conflict’s Forum - Alastair Crooke, Valdai Discussion Club
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Risco ↔ Recompensa
Já é costume considerar os negócios de energia em termos de riscos políticos (governos falidos, agitação interna, etc.) e em termos de risco econômico convencional. E no passado considerava-se primordial avaliar o risco geopolítico. Entendia-se que a política determinava largamente as condições financeiras e de energia. Uma vinha depois da outra, e não mudava. Mas [esse modelo] será ainda apropriado hoje?
Talvez devamos começar a reavaliar – porque hoje, cada vez mais, é o risco geofinanceiro que está modelando o risco geopolítico.
Na circunstância especial do pós-guerra, a economia dos EUA efetivamente era a única economia desenvolvida que permanecia em pé (dominava 50% do comércio mundial); e os EUA podiam modelar as estruturas de Bretton Woods a favor da sua própria agenda – com o US$ na posição indiscutível de moeda global de reserva, e com influência dominante no FMI e no Banco Mundial. Assim os EUA conseguiram pegar para eles a governança econômica global.
Depois, passada a infeliz experiência dos EUA e suas intervenções militares decisivas por todo o mundo para manter seu controle sobre a ordem global, o Tesouro dos EUA passou a alavancar a posição privilegiada do dólar com o que se pode chamar de “guerras do Tesouro”. Usando com liberalidade, a favor de seus objetivos políticos a sua bomba (financeira) de nêutrons: a exclusão do comércio e do sistema financeiro baseados no dólar.
Hoje, temos guerra geofinanceira movida contra a Rússia (em menor extensão também contra a China) e o Irã, dentre outros. E a mesma ferramenta tem sido usada mais discretamente para deslocar chefes de governos europeus. Em resumo, as guerras do Tesouro tem usado guerra de informação, guerra psicológica, drones e “operações especiais” como ferramentas principais para manter o controle numa ordem global que se está desintegrando.
Guerra do Tesouro
A questão é que ao introduzir nova dimensão de risco, empurrando Rússia e China a desenvolver sistema de comércio e de trocas financeiras não baseado no dólar com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade desses dois estados à ação dos EUA na jurisdição do dólar, os EUA embarcaram numa competição que afetará todos – mas muito particularmente o Oriente Médio. Já se veem Irã, Turquia e Egito (três pilares do Oriente Médio) – por diferentes razões – já se transferindo para o bloco eurasiano do não dólar.
Inevitavelmente os fluxos de energia para o futuro serão afetados pelo resultado dessa “guerra” geofinanceira. Nada faz supor que o modelo de diferentes alianças geofinanceiras que emerge dessa ‘guerra’ venha a corresponder ao mapa político hoje existente (pós Guerra Fria).
O mais provável é que os dois lados venham a se “interpenetrar”. Por exemplo, no Oriente Médio, haverá vencedores e perdedores entre os produtores de energia: alguns estados da OPEP podem acabar num lado da guerra financeira, outros, no lado oposto.
O que faz aumentar os riscos (e a imprevisibilidade) dessa nova modalidade de guerra, é que acontece num momento em que as políticas de juros zero [ZIPR, zero interest rate policy] e de Alívio Quantitativo [QE, quantitative easing] criaram uma imensa dívida (US$ 9 trilhões) denominada em dólar e muito vulnerável a oscilação da taxa de câmbio – mas isso é, precisamente, o que temos hoje.
A “guerra” dos preços do petróleo contribuiu para as guerras da moeda: temos “guerra” de sanções operando ao lado da “guerra” das taxas de câmbio, ao lado das “guerras” da moeda e das “guerras” dos preços da energia – e tudo isso acontecendo ao mesmo tempo em que foi inflada uma das maiores bolhas de ativos na história, e que foi inflada pelo nosso tsunami, sem precedentes, de emissão de moeda.
"Quantitative Easing"+Alívio Quantitativo
Ninguém sabe o que resultará dessa mistura incendiária (a economia tradicional pouco pode ajudar) – mas o que é certo é que produtores e consumidores de energia, ambos, têm de examinar os riscos, de um ponto de vista radicalmente diferente.
Esse ponto de vista mistura a realidade da vulnerabilidade financeira sistêmica, com a dinâmica da guerra geofinanceira que alguns países estão fazendo, ao mesmo tempo em que outros países e regiões buscam escapar da hegemonia dos EUA, construindo contexto de não-dólar.
Não há dúvidas de que o mapa dos oleodutos futuros e a direção do fluxo do óleo que eles transportarão serão largamente determinados por essa guerra complexa. Haverá perdedores gigantes e vencedores idem.
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[*] Alastair Crooke, às vezes erroneamente referido como Alistair Crooke, (nascido em 1950) é um diplomata britânico, fundador e diretor do Conflicts Forum, uma organização que defende o engajamento entre o Islã político e o Ocidente. Anteriormente, foi figura proeminente, tanto da Inteligência Britânica (MI6) como da diplomacia da União Europeia como conselheiro para assuntos do Oriente Médio de Javier Solana (1997-2003), no cargo de High Representative for Common Foreign and Security Policy da União Europeia. Foi ácido crítico da violência e saques militares contra os territórios palestinos e movimentos islâmicos de 2000-2003. Esteve envolvido nos esforços diplomáticos no Cerco da Igreja da Natividade, em Belém. Foi membro do Comitê Mitchell sobre as causas da Segunda Intifada, em 2000. Manteve encontros clandestinos com a liderança do Hamas em junho de 2002. É defensor ativo do engajamento do Hamas no processo de paz na Palestina, a quem ele se referiu como “Combatentes da Resistência".
Crooke estudou na University of St Andrews (1968–1972) do qual ele obteve um mestrado em Política e Economia. Seu livro Resistance: The Essence of the Islamist Revolution fornece informações sobre o que ele chama de “revolução islâmica” no Oriente Médio, ajudando a oferecer insights estratégicos sobre as origens e a lógica de grupos islâmicos que adotaram resistência militar como uma tática, incluindo Hamas e Hezbollah. Seguindo a essência da Revolução islâmica desde as suas origens no Egito, através de Najaf, Líbano, Irã e da Revolução Iraniana até os dias de hoje, desbloqueando algumas das questões mais espinhosas que cercam estabilidade na atual paisagem do Oriente Médio.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Devastador amanhecer para o US$: China lança comércio bilateral e Rublos e Yuans

29/12/2013, Russia Today
Enviado pelo pessoal da Vila Vudu (trad. por redecastorphoto)


Na última 2ª feira de 2013 (29/12) o mundo despertou para uma nova realidade devastadora para o US$ (dólar americano). China e Rússia lançaram comércio bilateral em Rublos e Yuans

O Banco Popular da China fechou em princípios de outubro contrato de “swap” cambial com o Banco Central da Rússia com o objetivo de reduzir o papel do US$ para cooperação mútua visando superar a crise de liquidez atual.

O acordo inicial prevê um aporte equivalente a US$150 bilhões, conforme o portal Zero Hedge que informa adicionalmente que o golpe sobre o US$ será devastador.

A China permitirá intercâmbios comerciais entre o Yuan e mais 3 moedas (por enquanto) com a intenção de reduzir riscos de fala de liquidez em contexto de elevada volatilidade nos mercados dos países em desenvolvimento, informou a agência Bloomberg.

Desdolarização
A China começará a implementação do novo sistema nos contratos com o Ringgit da Malásia, o Rublo russo e o Dólar da Nova Zelândia a partir de 29/12/2013, segundo comunicado do Banco Popular da China.

Segundo Roman Terejin, Chefe do Centro Independente de Peritagem Comercial Obschestvennaya Duma, citado pelo portal Regnum, o comércio entre Yuans e Rublos aliviará a dependência da economia russa do US$ e deverá estabilizar a Taxa de Câmbio de US$ e Euro em relação ao Rublo.

sábado, 2 de agosto de 2014

Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe “Aliança Antidólar”

18/6/2014, [*] Tyler Durden, ZeroHedge
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Uma coalização antidólar será o primeiro passo para criar-se uma coalizão antiguerra capaz de deter a agressão norte-americana.

Já faz algum tempo que tanto a Ucrânia como a resposta russa às sanções (que puseram em movimento o grande eixo eurasiano, aproximando China e Rússia e acelerando o negócio “Santo Graal” de gás entre os dois países) deixaram as manchetes. Mas ainda não se entendeu por que a imprensa-empresa ucraniana largou a cobertura da Ucrânia como se fosse batata quente, sobretudo porque a guerra civil prossegue no Donbass ucraniano e continua a fazer dúzias de mortos dos dois lados.
O mais provável é que o público tenha-se cansado de ouvir metáforas sobre jogos de xadrez ou de damas entre Putin e Obama, e tenha sido despachado para ler a propaganda que cerca as metáforas “analíticas” e os eventos mortais da IIIª guerra do Iraque, como há tantas décadas.
Mas é provável que “sair do foco” seja exatamente o que mais deseja a elite política russa. De fato – como noticia Valentin Mândrăşescu, editor de Voice of Russia – enquanto a grande máquina norte-americana de distrair a atenção popular foca-se em outros temas, a Rússia já se prepara para os passos seguintes.
Assim se chega a um conselheiro de Putin, Sergey Glazyev – o homem que, no início de março, foi o primeiro a sugerir que a Rússia se livrasse dos títulos dos EUA e abandonasse o sistema do dólar, como retaliação contra as sanções – estratégia que funcionou naquele momento, porque, apesar de o Kremlin ter conservado integralmente o controle sobre a Crimeia, as sanções ocidentais pararam como por passe de mágica. (E não só isso como, também, como acaba de informar o banco centra da Rússia, o superávit do país em conta corrente de 2014 pode alcançar US$ 35 bilhões, bem superior aos US$ 33 bilhões de 2013, e distantíssimo dos inventados “mais de $200 bilhões” de capitais que fugiriam da Rússia e sobre os quais muito falava recentemente Mario Draghi).
Sergey Glazyev
Glazyev foi também quem empurrou o Kremlin a aproximar-se da China e forçou que os russos assinassem o acordo de gás com Pequim (mesmo que não tenha sido assinado nos termos que mais interessariam à Rússia naquele momento).
É esse o Glazyev que publicou artigo na revista russa Argumenty Nedeli, no qual delineou um plano para “minar a força econômica dos EUA” e, assim, forçar os EUA a pôr fim à guerra civil na Ucrânia. Glazyev entende que o único meio para impedir que os EUA iniciem uma nova guerra fria é pôr abaixo o sistema do dólar.
Como Voice of Rússia resume o artigo publicado em Argumenty Nedeli, o conselheiro econômico de Putin e homem que concebeu a União Econômica Eurasiana argumenta que Washington está tentando provocar uma intervenção militar da Rússia na Ucrânia, usando a Junta de Kiev como isca. Se desse certo, o plano daria a Washington várias importantes vantagens.
Primeiro, permitiria que os EUA introduzissem novas sanções contra a Rússia, riscando as posições russas em papéis do Tesouro dos EUA. Mais importante: uma nova onda de sanções criará uma situação na qual empresas russas não terão como honrar os juros de suas dívidas com bancos europeus.
Nas palavras de Glazyev, a chamada “terceira fase” de sanções contra a Rússia terá custo tremendo para a União Europeia. O total da perda estimada será superior a 1 trilhão de euros. Essas perdas ferirão gravemente a economia europeia, convertendo os EUA em único “paraíso seguro” do planeta. Sanções fortes contra a Rússia também deslocarão dos mercados europeus de energia a empresa russa Gazprom, o que deixará aqueles mercados abertos à entrada do gás natural liquefeito – muito mais caro – que os EUA têm para vender.
Gafanhotos!
Co-optar os países europeus para uma nova corrida armamentista e de operação militar contra a Rússia fará aumentar também a influência política dos EUA na Europa, e ajudará os EUA a forçar a União Europeia a engolir a versão norte-americana do Tratado TTIP [Transatlantic Trade and Investment Partnership] – acordo comercial que, basicamente, converterá a União Europeia em grande colônia econômica dos EUA.
Glazyev entende que iniciar uma nova guerra na Europa trará só benefícios para os EUA e só problemas para a União Europeia. Em inúmeras vezes, Washington já usou guerras globais e regionais como ferramentas para favorecer a economia norte-americana; agora, a Casa Branca tenta usar a guerra civil na Ucrânia como pretexto para repetir o velho truque.
Glazyev: “Só nos resta atacar a máquina de imprimir dinheiro do FED”
O conjunto de contramedidas que Glazyev propõe toma por alvo, especificamente, o coração que bombeia ‘energia’ para a máquina de guerra dos EUA: as impressoras que imprimem dinheiro no FED.
O conselheiro de Putin propõe que se crie uma “ampla aliança antidólar” de países que desejem e possam extrair o dólar de seu comércio internacional. Membros da aliança também têm de abandonar instrumentos de reservas denominados em dólares.
Glazyev aconselha tratar os instrumentos denominados em dólares como papeis-lixo [1] e que os reguladores devem exigir colateralização total desses papeis. Uma coalização antidólar será o primeiro passo para a criação de uma coalizão antiguerra capaz de deter a agressão norte-americana.
US$ Bond = Junk Bond

Não surpreendentemente, Sergey Glazyev entende que o papel principal para que se crie essa coalizão política deve caber à comunidade empresarial e de negócios da Europa, porque as tentativas dos EUA para iniciar grande guerra na Europa e guerra fria contra a Rússia ameaçam, em primeiro lugar, o big business europeu.
A julgar pelos recentes esforços para deter as sanções contra a Rússia empreendidos por líderes empresariais alemães, franceses, italianos e austríacos, o conselheiro de Putin está correto em sua avaliação. Washington não parece ter previsto que a guerra pela Ucrânia pode, em pouco tempo, converter-se em guerra pela independência da Europa – que pode interessar-se por livrar-se do domínio pelos EUA – e guerra contra o dólar.
Nota dos tradutores

[1] Orig. Junk Bond – Expressão coloquial que designa papeis de alto risco ou não recomendados para investimento. São instrumentos de renda fixa que recebem grau “BB” ou inferior da agência de avaliação de risco Standard & Poor's, ou “Ba”, da Moody's. Junk Bonds são chamados assim por causa do mais alto grau de risco de não serem pagos em relação aos papeis com boa avaliação para investimento.

[*] Tyler Durden é o apelido de numerosos blogueiros que comentam no Zero Hedge. O nome foi copiado de personagem do romance de Chuck Palahniuk (depois filme) Fight Club (Clube de Luta).

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Rússia e China prestes a anunciar o fim da era do dólar americano?

Semana que vem, o mundo talvez já seja TOTALMENTE OUTRO!

18/5/2014, [*] Jeffrey Berwick, The Daily Bell
Tradução mberublue

A queda do poder de compra (inflação) do US$ (dólar americano) ao longo do tempo
Por todo o mundo estão acontecendo reuniões de países, com uma meta comum que tem muito a ver com você, seja você ou não cidadão dos EUA: abandonar o dólar americano. Desde o início da crise da Ucrânia, o fim do dólar americano está cada vez mais perto. Movimento após movimento, Rússia e China estreitaram relações e tornaram-se aliadas mais próximas. Exemplos abundam. Para encurtar, aí vão dois exemplos recentes que chamam a atenção.

A Gazprom (maior empresa russa, décima maior do mundo e a maior exportadora mundial de gás natural – controlada pelo Estado, embora tenha ações no mercado [NT]) acaba de lançar títulos na moeda chinesa, o Yuan. Rússia e China assinaram um acordo para a venda de gás. 40 bancos centrais começam a apostar que no futuro, a moeda de reserva será o Yuan.

Yuan chinês deverá ser a próxima moeda de reserva
Até o início de 2014, as histórias sobre o colapso do dólar soavam ainda como maluquices conspiratórias, e pouco efeito tinham sobre a geopolítica. Este ano, tudo mudou. Parece que as nações-estados pelo mundo afora estão se movendo na direção de um mundo pós-dólar americano. Já não é uma questão de “se”, mas de “quando”. E se você não é capaz de entender o passo-a-passo do que virá, há alto risco de acabar chocado e... assombrado.

Já não cabe dúvida de que, tão logo a Rússia, juntamente com seus numerosos aliados, faça o movimento fatal, será seguida por muitas outras nações (várias delas já estão, mesmo, tentando). Por quê?

Porque os EUA são a força mais destrutiva do planeta; e seu calcanhar de Aquiles é o “privilégio exorbitante”, que a maioria conhece como “dólar americano”; e que o Federal Reserve Note [1] chama de só contaram p’rá mim”.

O significado será hiperinflação, caos social, guerra civil, dentre outras desarticulações. Parece-lhes que exagero? Pois, não, não há exagero algum. Para que se tenha ideia de o quanto tudo isso pode ser ruim, péssimo, pense no que já se vê acontecendo em qualquer república socialista “de bananas”; em seguida imagine que piore muito, muito! Por que pioraria “muito-muito”? Porque essas repúblicas “de bananas” não emitem a moeda usada como moeda planetária de reserva.

Os Estados Unidos nada produzem, a não ser o dólar americano – coisa facílima, aliás, de produzir, como se comprovou no Canadá, com o suor de um único canadense. Operação muito, muito simples: o tal canadense emitiu milhões de dólares americanos e os colocou em circulação. Mais: o Canadá preferiu não extraditá-lo; o sujeito vive lá, como homem livre.

Agora, grandes nações-estados pretendem sair juntas do sistema do dólar americano. Um mundo “desdolarizado” – como a Rússia já diz com frequência – pode vir a afetar a vida de milhões de norte americanos.

A Ascensão da Rússia & China

De acordo com A Voz da Rússia, o Ministro russo das Finanças pretende um aumento significativo do papel do rublo russo nas operações de exportação, reduzindo dessa forma as transações fechadas em dólar, no comércio exterior da Rússia. Acredita-se na Rússia que o setor bancário do país está “pronto para lidar com um maior número de transações assinadas em rublo”.

A agência Prime News relata que em abril de 2014 o governo realizou uma reunião que foi integralmente dedicada a encontrar soluções para tirar o dólar das operações russas de exportação. Especialistas de ponta de bancos, governo e setor energético elaboraram nestas reuniões uma série de propostas, perfeitamente efetivas, para responder às tais sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra a Rússia.

Igor Shuvalov
A reunião de “desdolarização” foi presidida pelo Vice-Primeiro-Ministro da Federação Russa, Igor Shuvalov: é sinal de que o movimento russo para descartar o dólar é, sim senhor, coisa séria. Depois houve outra reunião, quando se discutiram procedimentos para elevar o número de operações recebíveis em rublo, dessa vez presidida pelo Vice-Ministro das Finanças, Alexey Moiseev. Segundo Moiseev, nenhum dos especialistas e representantes de bancos viu qualquer problema nos planos governamentais para incrementar o comércio com pagamento em rublos. Afinal... o dólar já vem em queda livre desde a invocação do Federal Reserve e a lei relativa ao imposto sobre a renda, em 1913.

Agora, parece que até o pouco que ainda sobra já está por um fio.

A Rússia não está só.

Se não tivesse apoio, a Rússia não estaria tão audaciosa. Outras nações pelo mundo também têm interesse em aderir a um movimento de desdolarização. China e Irã, por exemplo, têm manifestado crescente interesse em levar avante esse plano. Líderes de outros países também já se manifestaram nesse sentido; em todos os casos, bateram de cara contra as conhecidas sanções-“mísseis” dos EUA.

Hoje, a especulação que corre o planeta fala da próxima visita de Putin à China, amanhã, dia 20/5: serão assinados contratos gigantes de petróleo e gás... e talvez sejam assinados com pagamentos previstos em Rublos e Yuans, não mais em dólares americanos. Implica dizer que dentro de uma semana, talvez já estejamos vivendo em mundo muito, muito, muito diferente do que temos hoje [mesmo que o “jornalismo”, os “jornais” e os “jornalistas” OCIDENTAIS absolutamente naaaaaaaaada noticiem dessas notícias radicalmente importantes (NTs)].

Com russófobos controlando a políticaexterna dos Estados Unidos, o ocidente está sem qualquer controle, andando a passos largos em direção ao buraco. Consequência disso é que os EUA prosseguirão, hostilizando cada vez mais a Rússia e outras nações. Com mais hostilidade, mais se fortalecerá a tendência de Rússia, China e inúmeros outros países, pelo mundo, a se separarem do dólar.

O mundo já trabalha hoje para criar uma nova infraestrutura econômica e financeira a qual, simplesmente, ignorará os Estados Unidos.

Cesta de moedas poderá substituir o US$ (dólar americano) nas transações internacionais
E, em reação e resposta, o que fazem os EUA? Bombardeiam mais civis. Matam mais gente. Provocam mais guerras.

Verdade é que já não tenho muita certeza de que os EUA consigam manter esse “padrão” hoje, com o mesmo “sucesso” com que o mantiveram há, apenas, uma década.

Bem ou mal, a humanidade começa a despertar para esse estado de coisas. Já aconteceu até de a opinião pública no mundo conseguir impedir que os EUA fizessem mais uma guerra – e a Síria foi salva. A oposição popular certamente impedirá que os EUA façam mais guerras.

Há evidência que todos já veem com clareza e que comprometem hoje terrivelmente as posições que os EUA têm adotado: Rússia e a China jogam xadrez e pensam no bem do mundo. Obama joga damas, bolinha de gude, sabe-se lá o que joga; e não pensa no bem do mundo.

A China já queria nova moeda de reserva, desde 2013

Japão e Índia já têm um acordo para moeda de reserva própria, desde 2011.
No Golfo Pérsico os árabes, junto com China, Japão, Rússia e França, já planejam pôr fim aos negócios de petróleo feitos pelo dólar americano; e trabalham para pôr no lugar desse dólar uma cesta de moedas que pode incluir o Iene japonês, o Yuan chinês, ouro, Euros e uma nova moeda unificada especialmente pensada para uso das nações do Conselho de Cooperação do Golfo (o que incluiria nessa negociação/nova cesta de moedas, também Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuwait e Qatar).

O fim do sistema monetário como o conhecemos

Estamos na iminência de uma mudança massiva nos parâmetros do sistema monetário mundial... todos os especialistas sabem disso (é absolutamente claro que sabem!), mas o “noticiário” prossegue como se nada estivesse já acontecendo. Empresários norte-americanos ou gastam ou mentem que gastam como se os EUA estivéssemos em plena recuperação econômica. Cidadãos dos Estados Unidos continuam gastando dinheiro ou mentindo que gastam e em todos os casos continuam poupando pouco, talvez com a mesma expectativa que os empresários. Os investidores continuam a investir ou a mentir que continuam a investir como se tudo estivesse às mil maravilhas.

Os EUA devem tanto, mas tanto que já não há mais meios de salvar o US $ (dólar americano)
Parece que todos esses atores têm dificuldade para contextualizar e apreender a verdade sobre a economia dos EUA. E essa verdade é a seguinte: os EUA devem tanto, tanto, tanto, que a mente humana não tem meios para compreender a sua real extensão desse endividamento. E a imprensa-empresa comercial, que existe para desinformar, desinforma o mais que pode e completa o serviço de ensinar a des-compreender (seja o que for).

O capital exposto ao risco de ser queimado, virar fumaça, é da ordem de trilhões de dólares. O mundo ocidental corre o risco de entrar numa era sombria, que o futuro conhecerá, durante séculos, como o “Grande Colapso”. Bem contados, não chega a 1% dos cidadãos o número dos norte-americanos e norte-americanas que se pode acreditar que saibam disso e compreendam com clareza o movimento.

Essa minoria, sim, entende o que está acontecendo; mas tem ativos em bens tangíveis e internacionalizados [metais preciosos fora do sistema financeiro] e terão boa chance de sobreviver bem às mudanças que certamente virão.

Nunca foi mais importante, necessário, prioritário, vitalmente decisivo, desligar a televisão e não tomar conhecimento do que a imprensa-empresa comercial “informe” ou “noticie”. Cada um terá de fazer as próprias contas e assumir o controle da própria situação financeira.

ATENÇÃO: Desligue a TV. Não leia jornais. Demita todos os jornalistas que você ajuda a sustentar cada vez que paga para ler material produzido pela imprensa-empresa comercial, seja pelo rádio, seja impressa, seja pela internet ou pela televisão. E NÃO ESQUEÇA: AQUI VOCÊ TERÁ COBERTURA DESJORNALÍSTICA, EM TEMPO REAL!

[*] Jeffrey Berwick define-se como anarcocapitalista libertarista. Lutador [de luta-livre] contra o que considera dois dos maiores inimigos da humanidade: o Estado e os Bancos Centrais. Atualmente é Editorialista do The Dayly Bell, Fundador do site The Dollar Vigilante, CEO da TDV Mídia e Serviços.




Nota dos tradutores

[1] Em explicação muito resumida: o dinheiro (divisa) americano não é emitido pelo governo americano, mas pelo Federal Reserve Note (que o empresta ao governo dos EUA) e que na realidade é um banco PRIVADO, propriedade de um poderosíssimo grupo de banqueiros internacionais que o manejam conforme seus interesses. Para entender melhor acesse: Já é matematicamente impossível liquidar a dívida nacional dos EUA