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quarta-feira, 28 de março de 2012

Obama estende o ramo de oliveira a Putin


28/3/2012, MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O “microfone oculto” tem papel intrigante na diplomacia. Quando o presidente Barack Obama dos EUA e o presidente da França Nicolas Sarkozy “tricotavam” sobre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, no último encontro do G20 em Paris, lá estava o microfone indiscreto a captar tudo, e Paris e Washington viveram momentos de embaraço.

Bem evidentemente, nenhum dos dois presidentes suspeitava de algum microfone indiscreto, a amplificar aqueles dois dedos de prosa “franca” sobre o quanto Netanyahu é “difícil”, como interlocutor. Mas segunda-feira, quando Obama conversava com o presidente Dmitry Medvedev, à margem da Cúpula de Segurança Nuclear, o microfone indiscreto serviu a uma melhor causa.

Obama foi apanhado, na segunda-feira, em conversa gravada, dizendo a Medvedev que os russos melhor fariam se não pressionassem demais, nesse momento, na questão dos mísseis de defesa. Obama disse que precisava de “espaço”, até que passassem as eleições de 2012: “Depois de minha eleição, tenho mais flexibilidade” – disse Obama, sem suspeitar de que a conversa estava sendo gravada por jornalistas. [1]

O contraste não poderia ser maior, se se considera o dia seguinte. Paris entrou rapidamente em ação para “matar” a gravação sobre Netanyahu e esvaziar a cáustica opinião de Sarkozy. Obama fez exatamente o oposto. Confirmou e defendeu o que dissera. No dia seguinte, explicou que “o único jeito de eu acertar essa coisa [as diferenças com Moscou sobre os mísseis de defesa] com o Pentágono, com o Congresso, é ter apoio dos dois partidos, e, sinceramente, eleições não são ambiente para discussões mais demoradas, mais ponderadas”.

Aí, Obama parece ter toda a razão. É verdade: os urubus Republicanos revoam nos tempestuosos céus da política dos EUA, dedicados a esquartejar o presidente em todo e qualquer campo, sobre toda e qualquer questão, inclusive no que tenha a ver com relações e laços com a Rússia (ou a China). E no sistema disfuncional que há hoje nos EUA, Obama também acerta, ao dizer que tentar fazer avançar qualquer tipo de ideia inovadora no front da política exterior é empreitada consideravelmente complexa.

Mas muito me intriga o impacto que esse diz-que-diz terá entre os russos e o que implicações terá no clima das relações entre EUA e Rússia. Evidentemente, os russos estão dedicados 24 horas/dia, 7 dias/semana, a prever como Obama planeja relacionar-se com a Rússia de Putin.

Obama é diplomata consumado. De fato, já virtualmente sinalizou, de Seul, que o “reset” EUA-Rússia está acionado e continua ligado, e que isso não mudará por causa da troca de guarda no Kremlin.

Por que teria optado por enviar aquele sinal? Por uma razão: é importante, para Obama, que Moscou não suba o tom, em questões que podem abalar a segurança internacional (e a reeleição de Obama em novembro), a saber: o Irã, a Síria, o Afeganistão.

Washington jogou muito pesado na campanha e até a eleição de Putin dia 4 de março. Mas os russos são gente de bom coração. Agora, Moscou pode esperar pacientemente pelo segundo mandato de Obama no Salão Oval. Afinal, já recebeu a “garantia presidencial”, no assunto de mais peso nas políticas exterior e de segurança russas, nas próximas décadas: a paridade nuclear com os EUA (que Moscou chama de “balanço estratégico”).

Obama tem boas chances de conseguir o segundo mandato, com a economia entrando em lenta recuperação. Os russos são pragmáticos e também trabalham com projetos de longo prazo.

Evidentemente, Obama supôs que a conversa com Medvedev fosse privada e confidencial. Mas, agora que caiu em domínio público, aquelas palavras terão impacto também em outros países – China, Irã, Síria etc. –, que se porão a conjecturar, a cada evento, se será caso de levar a sério o que se ouça nos contatos entre EUA e Rússia, ou se as “declarações” não passarão de retórica.

Feitas as contas, Obama vence sem dificuldade. Medvedev está correto
[2]: a encenação de Mitt Romney é irracional, desconectada do espírito dos novos tempos.



Notas dos tradutores

[1] 26/3/2012, ABCNews - Na gravação, ouve-se:

Obama: Em todas aquelas questões, mas particularmente nos mísseis de defesa... isso, tudo isso pode ser resolvido, mas é importante que ele me dê espaço.
Medvedev: É, entendo o que você diz sobre espaço. É espaço para você...
Obama: É minha última eleição. Depois da minha eleição, tenho mais flexibilidade.
Medvedev: Entendi. Transmitirei essa informação ao Vladimir.”

[2] 27/3/2012, Reuters Africa, “Medvedev: Romney's anti-Russia comment smacks of Hollywood” [Medvedev: comentários anti-Rússia de Romney cheiram a enredo hollywoodiano]: “Recomendaria aos candidatos à presidência dos EUA, dois cuidados: primeiro, que, ao falar, usem o cérebro, a razão, em vez de repetir bobagens de enredo de novela; segundo, que observem a data de hoje; estamos em 2012, não em meados dos anos 1970s”.


*MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Veterano diplomata americano questiona a narrativa sobre a Síria


10/2/2012, Sharmine Narwani, Al-Akhbar, Beirute
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Sharmine Narwani
O problema da política dos EUA para o Oriente Médio é que ela atualmente só está operando no nível político: longe vão os dias em que havia especialistas pesos-pesados nos centros de decisão, capazes de considerar o contexto histórico, as relações sociais e de levar em conta essas nuances nas decisões políticas.

Hoje, o que se vê são grupos de interesses monolíticos, projetos comerciais, e o impacto sempre presente das eleições, em todas as decisões. Só se vê o quadro de curto prazo: muita tática e nenhuma estratégia, nessas abordagens de ou branco ou preto. Como campanha de publicidade de alta octanagem, todas as discussões se fazem em frases-slogans, em cenários e segundo narrativas inventadas.

Nas últimas semanas, a Síria não saiu das manchetes, em repetição ensurdecedora: o governo massacra a oposição em Homs; China e Rússia são os bandidos; um generoso Conselho de Segurança da ONU, que só pensa em salvar os sírios; o massacre de Hama, de 1982, ressuscitado; e uma embaixadora dos EUA que se declara “disgusted”, ante o atrevimento de outros embaixadores, que vetam, de pleno direito, desejos declarados dos EUA. 

Mas se se baixa o volume da histeria, e se se devolve o debate à voz de observadores mais experientes e comedidos, logo se encontra uma narrativa mais consistente. No fim de semana, tive o privilégio de receber um e-mail que me fez lembrar o tempo em que havia especialistas mais bem qualificados no Departamento de Estado dos EUA, capazes de produzir relatos objetivos dos fatos em campo, o que, no mínimo, possibilitava que se tomassem decisões menos ensandecidas.

A mensagem, vem assinada por um ex-diplomata norte-americano que serviu na Síria, e que pede para não ter seu nome publicado. Publico aqui seu e-mail, para benefício dos leitores:

“Tenho graves restrições ao que se tem dito sobre intervenção militar na Síria. Todos, sobretudo a imprensa, parecem só contar com informações de ativistas da oposição. Como se sabe que ontem o regime sírio matou 260 pessoas em Homs? O número parece saído do que dizem figuras da oposição. Duvido muito desses números.

Servi durante três anos na Embaixada dos EUA em Damasco e sei o quanto é difícil separar fatos e boatos naquela sociedade política fechada. Cuidávamos de sempre verificar todos os boatos que circulavam sobre assassinatos, prisões de opositores políticos, etc., e nesse trabalho de verificação de boatos estava incluída a CIA, que recebia informação tão pouco confiável como nós todos. Hoje, temos lá um esqueleto de embaixada, que com certeza é mantida sob estrita vigilância, com pessoal reduzido, sem condições de andar pelas ruas e ver o que de fato está acontecendo. Estive em Damasco há dois anos, vi a carência de fontes com que a Embaixada trabalha, e não tive boa impressão do modo como compreendia-se, na Embaixada, a dinâmica do que acontecia na Síria. Posso dizer o mesmo, das conversas que tenho tido com funcionários do Departamento de Estado.

A imprensa, e em certa medida também o governo [Obama], personalizaram o conflito sírio, como se só se tratasse de Bashar Assad e sua família. Todos tem subestimado, praticamente sempre, a natureza sectária do conflito naquele país. De modo algum se trata só de Bashar Assad e família, que se agarram ao poder a qualquer custo: trata-se de todo o sistema alawita de controle do país, que inclui os militares, os serviços de segurança e o Partido Baath. Creio que os alawitas creem firmemente que, se perderem o poder, os sunitas os massacrarão. Essa é uma das razões pelas quais Hafez e seu irmão Rifaat foram tão impiedosos em Hama há trinta anos. E, no ocidente, todos esquecem, muito convenientemente, a campanha de assassinatos e suicidas-bombas comandada, três ou quatro anos antes de Hama, pela Fraternidade Muçulmana em todo o país. Testemunhei pessoalmente um desses ataques a bomba, do qual resultaram várias centenas de mortos. Por mais curta que seja a memória histórica do Departamento de Estado, da CIA e de outros órgãos do governo dos EUA, os sírios não esquecem facilmente.

Encontram-se poucas análises sérias sobre o conflito na Síria. Com exceção do que o jornalista Nir Rosen e o International Crisis Group têm publicado, a maioria dos relatos são superficiais e tendenciosos a favor da oposição ao regime sírio. Assim, não há base de informação a partir da qual propor políticas, sobretudo se Washington considera a possibilidade de algum tipo de intervenção militar. Seria como abrir uma caixa de Pandora dos conflitos sectários, que facilmente se espalhariam para o Líbano, Israel, as áreas curdas do Iraque e por toda a região.

Uma das ironias da situação atual, se comparada à situação de trinta anos passados, é o papel do Iraque. Naquele momento, tínhamos informação satisfatoriamente confiável de que Saddam Hussein fornecia armas e explosivos à Fraternidade Muçulmana e facilitava o contrabando desses itens através da fronteira Síria-Iraque. Hoje, o governo Maliki em Bagdá parece apoiar o regime de Assad. E há trinta anos, também tínhamos informação de que os líderes da Fraternidade Muçulmana contavam com a proteção do rei Hussein e dos sauditas, que lhes garantiam santuário na Jordânia e na Arábia Saudita.

Não me parece que os EUA saibamos como jogar nessa arena, assim como tampouco sabemos como jogar na arena do Afeganistão-Paquistão. A intervenção militar norte-americana, embora disfarçada como intervenção da OTAN, ou sob qualquer outro guarda-chuva, pode ter consequências graves e não previstas para os EUA, a Europa e a região. Os funcionários em Washington deveriam receber lições sobre a lei das consequências não previstas, marteladas na cabeça, todos os dias.

São pensamentos de um diplomata dos EUA, com experiência recente e direta na Síria. Por que não se ouvem avaliações assim sóbrias, da boca dos que mandam, em Washington? Parte da razão, é claro, é a super politização do processo de tomada de decisões, que há muito tempo foi sequestrado da mão dos especialistas e entregue no colo dos falcões linha-dura, de ideólogos, de candidatos e de jornalistas “marketeiros” especialistas em campanhas eleitorais.

Deve-se lembrar que muitos dos motivos pelos quais o governo dos EUA está focado na Síria derivam da fixação no Irã. Ao apoiar a ideia do Irã, de que é preciso pôr fim à hegemonia dos EUA e de Israel no Oriente Médio, a Síria pôs-se no centro das prioridades das políticas dos EUA.

David Sanger, do New York Times, escreveu, pouco depois de a Primavera Árabe ter devorado os primeiros dois ditadores, Zine El Abidine Ben Ali da Tunísia, e Hosni Mubarak do Egito:

“Cada decisão – da Líbia ao Iêmen, do Bahrain à Síria – está sendo examinada sob o prisma de como afetará o que era, até meados de janeiro, o projeto dominante na estratégia regional do governo Obama: como conter o progresso nuclear no Irã e acelerar ali as oportunidades de um levante bem sucedido.”

Os esforços para minar o governo de Bashar Assad estão há muito tempo entre os principais objetivos políticos do governo, desde bem antes de as revoltas populares começarem no Oriente Médio em geral, em 2011. WikiLeaks revelou uma verdadeira mina de informações sobre as intervenções dos EUA na Síria, inclusive o financiamento direto, dos EUA, a grupos de oposição [1].

Política suja e dificuldades geopolíticas à parte permanece, no coração dessa questão, um problema que é fundamental para que se proponham melhores políticas, em todos os casos: em que momento narrativas apenas oportunistas convertem-se em mentiras ativas, que geram políticas cada vez piores?

Um telegrama publicado por WikiLeaks, de 2006, ilustra os esforços de Washington para identificar “oportunidades” para expor “vulnerabilidades” no regime sírio e provocar divisão sectária/étnica, discórdia dentro do aparelho militar/de segurança e dificuldades econômicas. Como os EUA fariam isso? O telegrama lista uma série de vulnerabilidades sírias a serem exploradas e recomenda:

“Essas propostas têm de ser dissecadas e convertidas em ações, e temos de estar prontos para nos movimentar rapidamente e extrair vantagens dessas oportunidades. Muitas de nossas sugestões destacam o uso de Diplomacia Pública e de meios mais indiretos para enviar mensagens que influenciem o círculo interno [do poder sírio]”. [2]

Propaganda dirigida à opinião pública nos EUA 

“Diplomacia Pública” significa, de fato, “propaganda” – a qual, nos termos da lei Smith-Mundt, de 1948, especifica os termos nos quais o governo dos EUA pode disseminar informação para públicos estrangeiros. Em 1972, a lei proibiu que cidadãos norte-americanos tivessem acesso a informação orientada para públicos estrangeiros; em outras palavras, é ilegal, nos EUA, que o governo norte-americano faça propaganda dirigida a cidadãos norte-americanos.

Mas Washington encontrou meios para burlar a lei. Afinal, os cidadãos norte-americanos têm de “vir junto” nas muitas aventuras militares além-mar empreendidas por sucessivos governos. Como, então, o governo dos EUA consegue, sem infringir a lei, inundar a sociedade com propaganda, e obter que os norte-americanos abracem tantas guerras (Iraque, Afeganistão, talvez o Irã), aceitem a venda de armas a aliados questionáveis (Arábia Saudita e Israel) e aceitem as muitas violações de direitos humanos (Guantánamo, ataques com aviões-robôs, os drones, a civis)?

A falsa história das armas de destruição em massa que haveria no Iraque, prontas a serem usadas contra os EUA e seus aliados, foi a parte crucial da narrativa que resultou na intervenção militar no Iraque. Impossível esquecer o depoimento do então secretário de Estado Colin Powell, em que disse que havia provas de que Saddam possuía armas de destruição em massa; e o discurso “State of the Union” do presidente Bush, quando mentiu, ao dizer que o Iraque obtinha urânio enriquecido do Niger. A imprensa acabou por revelar as duas mentiras [embora não a tempo de impedir a guerra do Iraque]: a lei proíbe divulgar propaganda mentirosa ao povo norte-americano.

Quando narrativas oportunistas convertem-se em mentiras ativas, que geram políticas viciosas?

Há meios pelos quais é possível escapar à lei Smith-Mundt. O meio mais rápido, para distribuir informação imprecisa, viciosa e às vezes absolutamente falsa, são os “vazamentos”. Basta pesquisar em qualquer jornal ou revista em Washington, New York ou Los Angeles, e facilmente se encontram, nas sessões de política internacional, inúmeros “vazamentos”, em que “autoridades” ou funcionários do governo, “vazam” frases diretamente aos jornalistas.

A internet também é excelente veículo para disseminar desinformação. O alcance planetário, os milhões de blogs com diferentes graus de credibilidade – todos sempre podem servir ao jogo da propaganda, ou “Diplomacia Pública”.

Em abril de 2010, o coronel Lawrence Wilkerson, ex-chefe de gabinete de Powell – mais um coronel e ex-funcionário, dos vários que falaram com franqueza sobre política e os atalhos que há no processo, depois de deixar o posto – disse-me, pessoalmente:

“[O secretário de Defesa Donald] Rumsfeld e outros, por exemplo, simplesmente ignoraram a lei. Mandavam o que queriam que fosse publicado, por exemplo, para um jornal de Sydney, que publicava; em seguida, pela internet, mandavam de volta a “notícia publicada na Austrália”, para os EUA. Fizeram, sim, propaganda dirigida aos cidadãos norte-americanos.”

Wilkerson insiste:

“Temos um conflito de leis, que tem de ser corrigido – a lei diz que não se podem misturar as coisas: há “relações públicas”, dirigidas ao público norte-americano; e há “diplomacia pública”, dirigida a públicos não norte-americanos. Falta uma lei que proíba a propaganda, e ponto final. É importante informar a verdade. Entendo que não se possam publicar segredos de Estado. Mas por que não publicar a verdade?”

O problema das relações internacionais, particularmente no Oriente Médio é, em síntese, quem constrói as decisões – sempre ideólogos, com agendas fixas: contra o Irã e a favor de Israel; contra o “ditador” sírio, mas a favor dos ditadores sauditas, bahrainis, iemenitas, qataris; contra o Irã ter capacidade nuclear, mas a favor de Israel manter suas 200 bombas atômicas; abusar do direito de veto no Conselho de Segurança (os EUA vetaram mais de 80 propostas de resolução no CS!), e apresentar como se fosse crime, o exercício do mesmo direito de veto quando é exercido por outros membros do mesmo Conselho. E a lista é longa.

“Está rachado – é absolutamente disfuncional” – disse Wilkerson, sobre o processo de tomada de decisões no governo dos EUA: “Metem os ideólogos no processo, para encurralar, chantagear, orquestrar, manipular, enganar, confundir os funcionários civis dentro do governo, até que todos façam o que os ideólogos dizem que tem de ser feito”.

De volta à Síria.

Uma jornalista de uma grande rede ocidental de notícias escreveu-me, por e-mail, voltando de viagem à Síria:

“Voltei de Homs, mês passado, sem estar convencida de que havia algum levante popular contra o regime de Assad. E muito longe de estar convencida de que haveria por lá algum “mocinho” contra “bandidos”. 

De fato, sabe-se praticamente nada sobre o que se passa no país. E não necessariamente porque a imprensa seja controlada: o relatório da missão da Liga Árabe lista 147 órgãos da imprensa ocidental e árabe[3] que estão presentes na Síria. 

A razão pela qual continuamos sem nada saber sobre o que está realmente acontecendo em Homs é que está em curso uma feroz batalha pela narrativa dominante. E a narrativa hoje dominante é a que Washington criou. A mesma Washington que, como se lê na notícia direta, colhida de fonte primária, que WikiLeaks publicou, desde 2006 trabalha para colher todas as “oportunidades” de explorar as “vulnerabilidades” e minar o governo de Bashar Assad.

Não oferecer informação correta é uma coisa. Mas outra coisa, bem diferente, é trabalhar para atingir objetivo político sobre o qual os cidadãos dos EUA não foram consultados nem discutiram, porque foram mantidos à margem, sem conhecer os fatos.



Notas dos tradutores
[1]  Ver, por exemplo, telegrama 06DAMASCUS760, 9/2/2012, “EUA trabalha com a oposição na Síria, desde 2006 (em português)  
[2]  Telegrama 04 DAMASCUS 005399, (em inglês).
[3] A relação completa dos 147 órgãos da imprensa ocidental e árabe que estão trabalhando na Síria (entre as quais a BBC, a Associated Press, a rede CBS, a TV estatal italiana, o jornal Guardian, a rede CNN, a rede EFE espanhola, o Financial Times, a rede NBC e mais de uma centena de outros) pode ser lida diretamente do Relatório da Missão da Liga Árabe que visitou a Síria, (em inglês).
Sobre o Relatório da missão da Liga Árabe na Síria, ver 3/2/2012, Pepe Escobar – Vazou! A agenda da Liga Árabe para a Síria (em português)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Desmontando a MENTIRA do Serra

Dados da Receita passeiam em DVDs no centro de São Paulo

2 de setembro de 2010 às 20:40h
Dados da Receita passeiam em DVDs por São Paulo
Entre filmes e jogos piratas, em várias ruas do centro da cidade, qualquer um pode comprar por 100 reais dados sigilosos de todos os contribuintes do país, em DVD e com garantia. Foto: Divulgação/Polícia Civil

Boa parte do sigilo dos contribuintes da Receita Federal passeia em DVDs pelo centro de São Paulo. Na Rua São Bento, entre os prédios do Banco do Brasil e da BM&F, o interessado não demora mais do que cinco minutos para colocar as mãos em milhões de registros sigilosos. Diversos vendedores de DVDs piratas – filmes, jogos de videogame e programas de computador – ficam pelos cantos, com os olhos sempre atentos ao menor movimento da Guarda Civil Metropolitana com seu temido “rapa”.

Qualquer um deles pode informar na hora: temos e custa 100 reais. Referem-se ao DVD que chamam “RF” – de Receita Federal. Nenhum dos CDs e DVDs fica, realmente, em exposição. Para reduzir os prejuízos com apreensões, os ambulantes exibem apenas pedaços de plástico ou papelão com algumas das capas. Feita a encomenda, um dos “funcionários de apoio” vai a um prédio nas imediações para buscar o produto. Talvez conforte saber que seus dados pessoais cadastrados na Receita não ficam expostos ao lado de um DVD de Fifa Soccer, mas o conforto para por aí.

Ao preço de 100 reais, pergunta-se ao vendedor quais são os dados contidos no DVD. Nome, telefone, CPF e endereço completo de cerca de 50 milhões de pessoas. Tudo dividido por estado, em arquivos de Access, programa que faz parte do pacote Office, da Microsoft. Até nisso, monopólio para as ferramentas criadas por Bill Gates. O rapaz demora dois minutos para buscar o dito produto. Eternidade para o vendedor, que muda de lugar três vezes neste curto tempo, driblando a polícia.

“A viatura tá subindo ou descendo?”, pergunta um outro pirata mais abaixo na rua. “Descendo”, responde o vendedor, nervoso. O carro da Guarda Civil vira antes de chegar ao local, imediatamente antes da chegada do “RF”. DVD na mão, dinheiro entregue, e se não funcionar? O vendedor pede uma caneta, anota o próprio nome e dois números de telefone celular em um pedaço de papel. “Se precisar de mais coisa, Junta Comercial, essas coisas, é só ligar”.

Os CDs e DVDs com informações sigilosas são vendidos, também, em outros locais tradicionais de pirataria em São Paulo, como a Rua Santa Ifigênia. Em tempo: não houve necessidade de procuração, ao menos para estes dados mais simples. O DVD comprado pela reportagem não foi copiado, nenhum dos dados foi gravado ou utilizado para qualquer fim e a mídia será entregue às autoridades competentes.

enviado por Tie Brasil

Reportagem CartaCapital

NOVOS "VAZAMENTOS" ATINGEM A CANDIDATURA SERRA!

Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do banco Bradesco, “vazou” nesta 5º feira informações que atingem de forma letal a candidatura Serra. Aspas para as inconfidências de Trabuco:


I] "O que sentimos, tendo por base nosso relacionamento com 1,4 milhões de empresas, é que o Brasil está crescendo em todos os setores. Não há uma dependência setorial";


II] "...11 milhões de brasileiros vão viajar pela primeira vez de avião nos próximos 12 meses" ;


III] "... o Brasil passará nos próximos anos pelo melhor ciclo econômico de sua história; vamos vivenciar, na segunda década do século XXI, aquilo que foi chamado de "sonho americano". Ao longo do dia, de diferentes áreas do governo e da economia, outros vazamentos sacudiriam a combalida higidez da candidatura José Serra, a saber:


a] BC interrompe alta dos juros;

b] carga tributária declina;

c] vendas recordes de automóveis em agosto;

d] massa salarial tem aumento real de 32,7% entre 2004 e 2010;

e] classes C e D já superam a classe B em poder de consumo;

f] setor industrial investe R$ 549 bilhões até 2013;

g] definida a capitalização da Petrobras: fatia estatal da empresa deve saltar de 29% para 42% e garantir --à revelia do condomínio midiático-tucano-- a soberania brasileira no pré-sal;

h] infraestrutura teve R$ 199 bilhões em investimentos entre 2005 e 2008; terá mais R$ 310 bilhões entre 2010-2013;

i] Brasil realiza os três maiores investimentos em geração de energia elétrica do planeta - Jirau e Santo Antônio e Belo Monte;

j] otimismo dos brasileiros atinge o maior nível em 9 anos...


Visivelmente abalado, no final do dia, o candidato tucano retomaria seu discurso contra as FARC, contra Moráles, o narcotráfico, o PT...


extraído de Carta Maior