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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

E volta à cena a Al-Qaeda...

11/1/2014, [*] Eric Margolis, Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bandeiras das "afiliadas" da al-Qaeda
Como é possível que um microscópico grupo anticomunista no Afeganistão, que não tinha mais que 200 membros ativos em 2001, tenha-se tornado suposta ameaça planetária?

Como pode a al-Qaeda estar em todo o Oriente Médio, Norte da África e em grande parte da África negra? E, isso, depois de os EUA terem consumido mais de $1 trilhão para acabar com a al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão?

A resposta é simples. Como organização e ameaça, a al-Qaeda é quase nada. Mas como nome, “al-Qaeda” e “terrorismo” tornaram-se palavras universalmente sempre à mão, para designar grupos que combatem a influência ocidental, a corrupção ou a repressão na Ásia e na África. A al-Qaeda está em lugar algum – mas em todos os lugares.

Se você for um grupo rebelde à procura de publicidade, o caminho mais fácil e declarar-se aliado da fugaz, impalpável, inexistente al-Qaeda.

Tome-se o Iraque, onde a luta avança sem trégua entre governo xiita e milícias sunitas na Província Anbar. Interessante: o levante sunita está centrado em Fallujah, que foi destruída, posta no chão, reduzida a escombros pelos Marines dos EUA e arruinada para sempre por bombas de urânio e munição ilegal de fósforo branco, como “aviso” aos iraquianos que ousassem resistir.

Depois que os EUA invadiram o Iraque em 2003, mais de uma dúzia de grupos iraquianos de resistência surgiram, para lutar contra os norte-americanos e seus recém aparecidos novos aliados xiitas. O principal desses grupos era o Partido Ba’ath de Saddam Hussein e militares veteranos iraquianos. Como já disse várias vezes em grandes redes de TV dos EUA, nunca houve, nem al-Qaeda, nem armas nucleares no Iraque. Agradeçam a George W. Bush pela chamada al-Qaeda do Iraque.

Abu Musab al-Zarqawi
Graças à mágica da manipulação pela imprensa-empresa de massa, Washington conseguiu desviar a atenção, fazendo que todos deixassem de ver os grupos da resistência sunita – “terroristas”, como foram rotulados –, para só verem um único grupo de doidos degoladores liderados por um jordaniano, renegado, misterioso, Abu Musab al-Zarqawi. Todos os demais grupos da resistência sumiram de vista.

Alguns reaparecem agora, no oeste do Iraque, dentre eles, mais falado, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Síria) [orig. Islamic State of Iraq and the Levant (Syria), ISIS). Sempre é dito “ligado à al-Qaeda”, quando a imprensa-empresa ocidental fala dele, mas provar alguma ligação, ninguém jamais provou. E o governo cada dia mais brutal do Iraque também alardeia que estaria lutando contra a al-Qaeda na Província Anbar.

A simples menção da palavra “de trabalho” al-Qaeda bastou para lançar os Republicanos e neoconservadores norte-americanos em estado de frenesi. Exigem que o governo Obama “faça algo”. Talvez... reinvadir o Iraque? Há 10 mil soldados dos EUA bem ali perto, no Kuwait.

Iraque - Região (verde escuro) dominada pela ISIS [orig. Islamic State of Iraq and the Levant (Syria)]
Forças especiais, aviões tripulados “presencialmente” e tripulados à distância, os drones, dos EUA, e mercenários da CIA já estão em ação em torno de Fallujah e Ramadi. Como em outras vezes, a CIA está pagando milhões a tribos sunitas para que combatam forças antigoverno.
Por loucura que pareça, os EUA consideram a possibilidade de comprar helicópteros de ataque da Rússia para dá-los ao regime de Bagdá, como estão fazendo atualmente no Afeganistão com o regime de Cabul.

Leon Panetta
Por falar de Afeganistão, o ex-diretor do Pentágono, Leon Panetta admitiu que não havia mais que de 25 a 50 membros da al-Qaeda no Afeganistão. Mas agora já há al-Qaeda no Paquistão, Jordânia, Arábia Saudita, Iêmen, pelo Norte da África, Nigéria, Mali, República Centro-Africana e por aí vai. O grupo Shebab da Somália, de resistência anti-ocidente, também já é apresentado como “ligado à al-Qaeda”.

Nos tempos da Guerra Fria, praticamente todos os grupos que se opunham à dominação ocidental eram chamados comunistas. Hoje, a al-Qaeda substituiu o comunismo como nome a usar em todas as “emergências”. A ideia generalizada – mas provavelmente errada – segundo a qual a al-Qaeda de Osama bin Laden teria sido responsável pelos ataques do 11/9 converte qualquer coisa “ligada à al-Qaeda” em candidato nato à liquidação sumária.

Rotular seus inimigos como “terroristas” é ótimo modo de deslegitimá-los e negar-lhes qualquer direito político ou humanitário. Foi o que fez Israel, com muita eficácia, contra palestinos desesperados.

Contudo, o problema óbvio aqui é que, ao fazer isso, cria-se suprimento infinito de “terroristas”, o que leva a pressões a favor de guerras contra eles. Isso, e o petróleo, já meteram forças especiais dos EUA África adentro, por toda a África negra. Essa é a “guerra longa”, infinita, que os círculos militaristas e neoconservadores nos EUA desejam, e contra a qual o presidente Dwight Eisenhower tão prescientemente alertou, nos idos dos anos 1950s.

O Egito é mais um trágico exemplo de propaganda distribuída pela imprensa-empresa, que vira “fato”. A maioria do povo egípcio, que votou e elegeu democraticamente um governo, em eleições limpas, e o governo que os egípcios elegeram, já são hoje universalmente condenados como “terroristas” pelos generais bandidos que derrubaram o governo eleito no Cairo. Qualquer um que se oponha à junta militar apoiada pelos EUA e pela Arábia Saudita é “terrorista”. Provavelmente dirigem carros terroristas, comem comida terrorista e têm filhinhos terroristazinhos.
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[*] Eric S. Margolis é colunista internacionalmente premiado. Seus artigos são usualmente publicados no New York Times; International Herald Tribune Los Angeles Times; Times de Londres; Gulf Times; Khaleej Times; Nation- Paquistão; Hurriyet - Turquia, Sun Times - Malásia e outros sites de notícias na Ásia. Anima a página da internet Eric Margolis.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Síria: “Bem-vinda pausa na loucura norte-americana”


11/5/2013, Eric Margolis, Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Leia também:
Sobre o início das conversações de paz na Síria em: 10/5/2013, “Kerry não conseguiu incendiar o rio Moscou”, MK Bhadrakumar, Asia Times Online, traduzido.

Eric Margolis
A terrível guerra civil na Síria empurrou as duas maiores potências nucleares para uma rota de colisão, em que disputavam uma pequena nação do Levante, sem qualquer importância estratégica para Washington. Esse quadro não é admissível.

Notícias de que EUA e Rússia se reunirão conferência de paz, para discutir o que farão, ainda em maio, são bem-vindas: essa conferência já deveria ter acontecido há muito tempo. Como disse sabiamente Benjamin Franklin, “não há guerra boa, nem paz ruim”.

Moscou clama há dois anos por essa reunião. Washington sempre rejeitou a ideia, na esperança de que os ‘rebeldes’ sírios, que os EUA apoiam, conseguissem chegar ao poder. Mas agora, com a situação que se vê, cada dia mais distante desse ‘projeto’ dos EUA, parece que, embora ainda relutantemente, os EUA começam a aceitar contribuir para um esforço diplomático que ponha fim à guerra norte-americana, antes que toda a região se converta num único grande incêndio.

A Síria é o mais recente exemplo do que Henry Kissinger disse certa vez: “muitas vezes, é mais perigoso ser aliado, que inimigo, dos EUA”.

Bashar al-Assad
O governo Assad em Damasco foi, por décadas, aliado tácito do Ocidente, porque reprimia os extremistas islamistas, mantinha em paz a fronteira com Israel e interrogava prisioneiros que os serviços de inteligência dos EUA despachavam para lá. Damasco sequer reagiu com vigor, na defesa do próprio território nas Colinas do Golan, quando Israel anexou ilegalmente a região, depois da guerra de 1967 entre árabes e israelenses.

Mas nem esse bom comportamento ajudou a Síria, quando EUA, Grã-Bretanha, França e Israel decidiram que querem cortar a cabeça do Irã, principal aliado dos sírios. Quando se recusou a unir-se à aliança ocidental liderada pelos EUA e pelas petromonarquias conservadoras, contra o Irã, o presidente Bashar al-Assad selou o próprio destino.

O grito que se ouvia dos militares norte-americanos passou a ser “A estrada para Teerã passa por Damasco”. E a Síria foi condenada a ser destruída, exatamente como o Iraque foi destruído.

Na Síria, Washington estimulou e fez incendiar a mesma animosidade entre muçulmanos sunitas e xiitas, que já lhe fora muito útil no Iraque. Diferenças teológicas foram convertidas em furiosa rivalidade política, movimento construído tendo por alvo também o Irã, para gerar guerra entre sunitas e xiitas em todo o mundo muçulmano.

O que começou na Síria como manifestação pequena e pacífica contra o governo de Assad, e que foi reprimida, foi rapidamente inflada até se converter em rebelião nacional. Repetindo o pequeno levante, produto de aplicada engenharia ocidental, que derrubou Muammar Gadaffi da Líbia, o Ocidente e seus aliados árabes rapidamente armaram, treinaram e dirigiram os insurgentes sírios. E, como na Líbia, a faca de duas lâminas, operante no centro de tudo, foram grupos islamistas armados.

A França, a potência colonial que governou a Síria, teve papel discreto, mas importante, porque forneceu aos rebeldes, desde o início, equipamentos de comunicação e armamento antitanques. A França parece interessada em dar nova vida à sua influência colonial na África Ocidental, no Sahel, no Líbano e na Síria.

Os EUA mantiveram-se por trás das cortinas, fornecendo dinheiro, financiamento, armamento avançado e apoio político. E delegaram à Turquia quase todo o serviço braçal.

Mas tudo isso feito... e passados dois anos de combates ferozes, nada do que estava previsto aconteceu. Um presidente Obama cada dia mais cauteloso, ainda reluta em envolver soldados norte-americanos em campanha direta, em solo, no Oriente Médio – e por boas razões. Os militares norte-americanos estão perigosamente ‘diluídos’ por todo o planeta, e o Tesouro dos EUA sobrevive de dinheiro emprestado por China e Japão. Mas Obama está sendo pressionado por Republicanos pró-guerra, pela extrema direita dos religiosos extremistas e fanáticos e por outros, interessados em que Israel destrua a Síria e, na sequência, também o Irã.

Obama e o tamanho do "pepino" 
Efeito disso, Obama tergiversa, enquanto jorra sangue sírio; e a guerra de Washington já ameaça alastrar-se para a Jordânia, o Líbano e o Iraque (nesse caso, pela segunda vez, depois da “Missão Cumprida” cenografada de Bush). Semana passada, Israel lançou pesados ataques aéreos contra alvos militares sírios – claro ato de guerra – e matou cerca de 80 soldados sírios.

Ainda não se sabe se Israel tentava destruir um comboio que estaria transportando foguetes de longo alcance, do Irã para seu aliado libanês, o Hezbollah, como disseram fontes israelenses; ou se Israel tentava destruir a força aérea e os blindados sírios, tentando derrotar o governo Assad.

Segundo parte da mídia, Israel não comunicou ao governo americano seus planos para atacar a Síria. Aqui em Washington, muitos funcionários da segurança perguntam-se se Israel conseguirá arrastar os EUA também para uma guerra contra o Irã, usando o mesmo “procedimento”.

O que se sabe com certeza é que o Ocidente está destruindo a Síria. Como se viu no Iraque, também a Síria parece estar sendo castigada pela ousadia de manter política independente e por não se ter curvado aos desígnios e planos ocidentais para o Oriente Médio.

A Síria está sendo usada como, nas cortes europeias, usava-se um servo, o qual recebia as chineladas, quando algum príncipe comportava-se mal: estaria apanhando em substituição ao Irã, país cujas riquezas naturais o tornam altamente importante para o Ocidente.

Como “recado” bem claro a Teerã: eis o que acontecerá a vocês, se não cancelarem todo o seu programa nuclear.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O mundo diz NÃO aos dólares "fake" dos EUA

15/11/2010, Eric Margolis, Huffington Post - The World Says No to America's Monopoly Money
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Em bofetada que se ouviu em todo o planeta, a agência estatal chinesa de avaliação de créditos acaba de reduzir a avaliação do crédito dos EUA e questionou os EUA como economia líder do mundo.
Em movimento sem precedentes, a China denunciou "a deterioração da capacidade de pagamento" de Washington e previu que a emissão de bilhões em papel-moeda (operação chamada de "flexibilização quantitativa" [ing. quantitative easing] no jargão financeiro) resultará "fundamentalmente em redução da solvência nacional". 
Ah, como os tempos mudaram! Quando eu era menino, meu pai, financista em New York, chamava os títulos duvidosos de "papel chinês".  Seis décadas depois, é a vez da China zombar dos instrumentos financeiros norte-americanos. A China detém hoje a maior fatia da dívida externa dos EUA.
As monarquias sempre sofreram muito para pagar por suas guerras e conquistas. Os impérios espanhol, francês, holandês e britânico ruíram sob o peso financeiro das guerra e das colônias gigantes. Os EUA hoje padecem da mesma doença imperial.
Desde o Egito antigo, o recurso ao qual tradicionalmente recorrem os impérios com problemas de caixa tem sido reduzir a proporção de ouro na cunhagem das moedas, prática conhecida como "clipping."
Fast forward até Washington, 2010. Hoje, se fala em "flexibilização quantitativa" [ing. "quantitative easing" (QE2)], mas é ainda o mesmo truque tão prestigiado pelos governantes de antigamente.
Washington inundará os mercados financeiros com $600 bilhões de dólares fake, na esperança de que essa maré montante de dinheiro de "Monopólio", o jogo, consiga arrancar os EUA da recessão. É a segunda rodada de "flexibilização quantitativa", chamada hoje de "QE2". E nada tem a ver com transatlântico "Queen Elizabeth 2a".
Os EUA exportam inflação para o mundo inteiro, para reduzir sua gigantesca dívida, pagando os credores com dólares desvalorizados.
Todo o mundo está furioso com Washington, como se viu claramente na reunião do G-20, semana passada na Coreia do Sul e em Yokohama, Japão.
A União Europeia, o Japão, China, Brasil e Rússia uniram-se na oposição à segunda "flexibilização quantitativa" de Washington, vendo nela uma ameaça à estabilidade financeira e ao comércio global. Também muito significativamente, reagiram contra a tentativa, pelos EUA, de culpar a moeda chinesa desvalorizada, pela instabilidade atual. Não se chegou a nenhum acordo na candente questão do câmbio.
Washington acusou a China de manipular sua moeda para mantê-la subvalorizada. Alemanha e Brasil, para grande embaraço dos EUA, acusaram os EUA de também manipular a própria moeda – o que é plenamente verdade.
O dólar depreciado faz crescer as exportações norte-americanas e prejudica as nações que exportam para os EUA. Os economistas chamam isso de "matar de fome o vizinho" – prática comercial destrutiva e predatória que teve papel importante na depressão mundial dos anos 1930.
A onda de dinheiro fake de Washington está provocando erosão no valor do dólar, principal moeda de troca mundial. Nos dois últimos meses, o dólar norte-americano caiu mais de 6% em relação às principais moedas. Investidores assustados estão correndo para o ouro, que já valorizou 17% em 60 dias.
O governo Obama, que acaba de levar "uma surra braba" [ing. "shellacked", palavra que Obama usou em sua primeira fala depois das eleições (NT)] dos eleitores nas eleições de meio de mandato, e precisa desesperadamente reduzir o desemprego, aposta que mais terapia de choque trará a economia de volta à vida. Mas a dívida interna, gigantesca, já levou ao colapso financeiro de 2008, nos EUA.
A dívida interna dos EUA atinge a cifra estratosférica de 14 trilhões de dólares. Ninguém trata vítima de envenenamento com mais veneno. É quimera imaginar que conquistaremos a prosperidade gastando dinheiro emprestado.
Mas políticos em pânico estão dispostos a tentar qualquer remédio econômico à base de mais veneno de cobra, para salvar a própria pele. Antes de 2007, os EUA viveram à larga, crendo em créditos inexistentes. Esse tempo acabou, mas ninguém se atreveu, até agora, a contar aos eleitores.

Além de desestabilizar o câmbio e o comércio, o maremoto de moeda norte-americana jorra sobre os mercados emergentes, onde os investidores norte-americanos vão em busca de melhores taxas de juro que os miseráveis 0,03% que encontram em casa.
Nos anos 1980, frágeis economias asiáticas foram devastadas, quando ondas de investimento norte-americano avançaram sobre elas e rapidamente saíram de lá. Esse processo volta a acontecer agora, devastando a moeda de outros países, cujas exportações perdem competitividade. Barreiras já se erguem contra esse tipo de investimento predatório em todo o mundo, da China ao Brasil.
O presidente Barack Obama recebeu herança muito maldita do governo Bush. Apesar disso, a resposta que dá hoje nada fica a dever aos desmando bushianos: o projeto econômico de Obama ameaça hoje toda a ordem econômica mundial. A moeda é símbolo nacional mais potente que a bandeira.
De fato, é bem possível que os fóruns econômicos da semana passa na Coreia do Sul e no Japão tenham sido o começo do fim da era do dólar norte-americano, que comandou as finanças e o comércio planetário desde 1945. A fonte primária do poder dos EUA é a economia e a força financeira. O dinheiro tem mais poder que aviões bombardeiros e divisões aerotransportadas.
O dólar continua rei, mas a era de sua supremacia internacional parece estar terminando. À medida que o dólar enfraquece, enfraquece o poder dos EUA no mundo. A culpa por tudo isso é, integralmente, dos políticos norte-americanos e dos oligarcas de Wall Street.
Semana passada, Washington foi varrida por rara onda de bom-senso. Painel presidencial bipartidário sobre redução da dívida pública propôs corte de $4 trilhões nos gastos federais.
No alvo dos cortes propostos, todas as vacas sagradas políticas. O corte proposto na carne da mais sagrada delas – o orçamento militar – é da ordem de $700 bilhões. Um terço das bases militares dos EUA pelo mundo terão de ser fechadas. E terá de haver cortes na seguridade social e nos subsídios para hipotecas; aumento na idade mínima para aposentadorias; e congelamento total de vários dos projetos locais dos quais muitos políticos fazem meio de vida. Além de previsível aumento de impostos.
O ranger de dentes já começou. Infelizmente, cortes de gastos drásticos e impopulares são altamente improváveis, sobretudo num Congresso no qual Republicanos e Democratas estarão em eterno empate. Os EUA precisariam de um ditador econômico, para conseguir implementar todo o Plano de salvação proposto pelo Painel.
A China já tem o seu ditador econômico – por ironia, é o Partido Comunista. Os EUA, mortalmente viciados em guerras e dívidas, só têm paralisia política e fiscal.