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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Philippe Corcuff: “A esquerda está em estado de morte cerebral”


Set. 2012, Philippe Corcuff (entrevista a Mathieu Deslandes) - Rue89 
Entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu


Excerto da Ata de Reunião dos tradutores: Essa entrevista não é nenhuma brastemp: muito critica e pouco propõe. Além disso, os jornalistas do Blog Rue89 creem firmemente que Hollande, na presidência da França – dado que ele não é a fascista Marinne Le Pen – seria alguma “esquerda”. Mas o entrevistado faz retrato interessante, pensado com cuidado, de uma autoproclamada esquerda não comunista (no Brasil, é a chamada “a militância” petista e inclui também os marina-silvistas “ecológicos à moda Al Gore & créditos de carbono" que, estes, são o NADA absoluto), que abunda nesses tempos pós-neoliberais ou, talvez, melhor dito, nesses tempos de neoliberalismo terminal, mas de neoliberalismo ainda sobrevivente no PSDB e na imprensa-empresa e, ativo, portanto, ainda, nas discussões sociais no Brasil (embora o entrevistado só fale da França). Então, decidimos traduzir.


Philippe Corcuff em Lyon (9/2012). Foto de Mathieu Deslandes - Rue 89
O sociólogo Philippe Corcuff  conhece bem as esquerdas: milita há 35 anos. Trocou o Partido Socialista pelos Movimento dos Cidadãos, depois pelos Verdes, de onde partiu para a Liga Comunista Revolucionária (LCR), que se converteu em Novo Partido Anticapitalista (NPA). Novamente decepcionado, diz que talvez se una à Federação Anarquista. Frequenta também a Associação pró-Taxação das Transações financeiras e pela Ação Cidadã (ATTAC), altermundista, e o sindicato Unitários Solidários Democráticos [orig. Solidaires Unitaires Démocratiques, SUD-Education].

Mathieu Deslandes
Mantendo-se conectado a todos os ambientes militantes que pôde atravessar, Corduff alarma-se, há meses, com o embrutecimento intelectual dos militantes. Da experiência, extraiu um livreto, “A esquerda está em estado de morte cerebral?” [Orig. La Gauche est-elle en état de mort cérébrale? éd. Textuel), que essa semana chegará às livrarias.

Em sua sala, no Instituto de Estudos Políticos de Lyon, descreve o quadro mental da “esquerda à Hollande”, dos “esquerdistas do esquerdismo”, e suas patologias mentais. Explica por que os think tanks são total fracasso, por que “os indignados trazem alguma esperança”, milita para que a política aprenda com o RAP e que ouse tentar, que ouse experimentar.

Rue89 : Qual o papel das ideias, na reconquista do poder [na França], pela esquerda?

Antonio Gramsci
Philippe Corcuff: Instalou-se um “esquemão”, ligado a uma determinada leitura super simplificada de Antonio Gramsci, pensador marxista: a ideia de que a conquista do poder político teria de, antes, passar por uma fase de hegemonia cultural ou intelectual.

Minha hipótese caminha na direção exatamente oposta, para a situação atual: a esquerda só conseguiu vencer eleitoralmente, quando já estava em estado de decomposição intelectual.

Rue89 : O “sonho francês” de François Hollande, nesse caso, foi o quê?

Philippe Corcuff: Confundem-se hoje ideias e slogans de marketing, na discussão política. Ideias têm a ver com trabalho intelectual. Na tradição da esquerda, é confrontar os preconceitos, criticar as ideias feitas e os lugares-comuns, buscar distanciar-se de qualquer sinal de imediatismo, reformular frases, estabelecer relações entre diferentes dimensões... É precisamente tudo que já praticamente não se encontra, ou encontra-se cada vez menos.

Discutem-se, praticamente sempre, ideias apenas empilhadas umas sobre as outras, mas nada é retrabalhado, nada é pensado. E a publicidade e o jornalismo-que-há arrancam daí slogans lisos e consensuais.

Rue89 : Desde quando a esquerda está nesse estado de morte cerebral, como você diz?

Pierre Moscovici
Philippe Corcuff: É resultado de várias evoluções misturadas.

  • Há, para começar, um movimento contínuo de profissionalização política e, nele, os recursos intelectuais são cada vez menos valorizados. Por exemplo: até há poucos anos, Pierre Moscovici,  que tinha imagem de intelectual, pôs-se a explicar ao jornal Libération  que não, que era homem de aparelho. Como se fosse melhor negócio, para ele, expor-se como apparatchik que como intelectual.
  • Há também o movimento de tecnocratização. Os tecnólogos participam cada vez mais da definição do que seja a política. Passaram a ocupar, simultaneamente, o posto de alto funcionário do Estado, o mais alto cargo político e ocupam também uma parte do poder econômico. Assim se forjou uma visão particular, muito fragmentada. A realidade foi recortada e surgem casos ditos “técnicos”: “a imigração”, “o emprego”, “o déficit no orçamento”, “a delinquência”... Segmentam-se os problemas, sem estabelecer qualquer relação entre eles. Examinam-se pequenos trechos das grandes engrenagens sociais, e ignora-se a totalidade.
    François Hartog
  • Em seguida, não surgiu nenhum corpo teórico englobante que substituísse o marxismo, em declínio a partir do início dos anos 1980s. Não lastimo a ausência do peso muito exclusivo que se dava às referências marxistas nos anos 50-70, mas a ausência de qualquer teoria totalizante, englobante, que, sim, o marxismo oferecia.
  • Por último, o que o historiador François Hartog  chama de “presentismo” [orig. “le présentisme”]. As sociedades tradicionais tinham, para referência, o passado; as sociedades modernas (no sentido de “o Iluminismo”) voltavam-se para o futuro, mediante o progresso; hoje, uma espécie de presente perpétuo substituiu tudo isso, sem apoio nem no passado nem no futuro, para avaliar o que acontece. De fato, a política está convertida, cada dia mais, numa esquete de marionetes do imediatismo.
Rue89 : E por que lhe parece grave?

Philippe Corcuff: É grave, se se considera a história da esquerda, que sempre foi a luta, ao mesmo tempo, por justiça e por verdade. O mundo sobreviveu ao fim dos dinossauros, a esquerda bem pode sobreviver ao sumiço do trabalho intelectual dentro dela mesma, mas haverá uma perda, que já se constata na própria definição do que conhecíamos como “a esquerda”.


Rue89 : E os think-tanks que pululam fora da Academia? Não criaram material de pensamento?

Philippe Corcuff: Mantiveram-se e mantêm-se sempre num domínio limitado: dos intelectuais segmentados por expertise e pela lógica programática. Só fazem elaborar “respostas aos problemas” da “escola”, da “imigração”, do “déficit de orçamento”, só respostas a “problemas”, sem qualquer reflexão sobre o quadro geral onde cada “problema” se insere.

Isso não basta, para que a esquerda reelabore o que chamo “os programas” [lit. os softwares (NTs)] da crítica social e da emancipação, quero dizer, os modos de formular as questões, antes de começar a pensar em respostas.

Rue89 : Como você definiria o quadro intelectual da esquerda no governo [da França]?

Anthony Giddens
Philippe Corcuff: Apesar de os socialistas franceses rejeitarem a palavra, o quadro intelectual, ali, é social-liberal. O sociólogo Anthony Giddens,  intelectual farol da “terceira via” britânica defendida por Tony Blair, disse bem claramente:

  • havia a social-democracia que defendia o Estado social;
  • houve Thatcher, com o neoliberalismo que atacava o Estado social; e
  • veio o social-liberalismo, que ficou entre os dois anteriores.

Essa esquerda à Hollande entende que a globalização neoliberal e o recuo do Estado social são fatos consumados, são irremediáveis e irreversíveis. Contenta-se com arranjos societais justos, mas limitados (como o casamento homossexual, por exemplo, uma causa que, no fundo, é a consagração do casamento burguês mais conservador). Hollande, especificamente, defende os quadros da Educação nacional e, em certa medida, dos funcionários da Polícia e do Judiciário, mas o restante dos serviços públicos estão já na lógica dos “cortes” e mais “cortes” neoliberais.

François Hollande
Como nada disso pode ser claramente assumido, o que se vê é o distanciamento entre os discursos e as práticas.

Rue89 : Como você definiria o quadro intelectual dos “esquerdistas da esquerda”?

Philippe Corcuff : É o que chamo, provocativamente, de “pensamento Le Monde Diplo”. Não penso especificamente no jornal mensal Le Monde diplomatique, das raras publicações da imprensa-empresa comercial que resistiu à virada neoliberal de 1983. Mas já se passaram 30 anos! E, pouco a pouco, aqueles esquemas maniqueístas viraram rotina de pensamento.

Havia “o mal” (o mercado, o individualismo) e “o bem” (o Estado, o coletivo e, cada vez mais a nação, sob o tema da “desglobalização”). E a luta entre o bem e o mal favoreceria “o mal” por causa “da mídia”, grande “o mal”, que aliena e embrutece todo mundo – exceto, evidentemente, os senhores desse específico discurso, sempre preservados por obra e graça do Espírito Santo!

Esse “pensamento Le Monde Diplo” não se caracteriza tanto pela indignação ou pelo engajamento. O que ele faz é, ininterruptamente “se lamentar”, lastimar-se, deplorar que as coisas não sejam... o que não são. Os automatismos de hiper-simplificação dessa doxa crítica têm ecos na Front de Gauche, no grupo Attac, no Novo Partido Anticapitalista (NPA) – no qual milito – na esquerda do Partido Socialista, entre os ecologistas... Mas, sobretudo, entre grande número de simpatizantes “críticos”.

O pensamento “lamentativo” é pensamento paralisante, que, hoje, é dos principais obstáculos à reconstrução intelectual das esquerdas. Por exemplo: a esquerda, hoje, jura por todos os santos ante a dupla fé de que ‘tudo será diferente’ quando o mundo livrar-se do “individualismo” e der jeito “na mídia dominante”.

O que se vê aí, operante, nesse caso, é uma das manifestações de uma patologia intelectual que atravessa todas as esquerdas: o essencialismo, quero dizer: ver o mundo através de essências, de entidades homogêneas e estáveis. Fala-se de “os muçulmanos”, de “a Europa”, “a mídia”, “os EUA”, “Israel”, “Venezuela”... como se fossem essências imutáveis.

E ninguém cuida de observar que, na realidade, só há contradições, lógicas diversas, mais ou menos variadas, resistências, transformações. O livro de Alain Badiou sobre Sarkozy é tipicamente essencialista: fez do sarkozysmo uma essência atemporal: um “transcendental Pétainista”.

Philippe Corcuff  em Lyon (9/2012). Foto de Mathieu Deslandes - Rue 89
Rue89 : Como você chegou à conclusão de que as teorias da conspiração também são característica que atravessa todos os campos de pensamento da esquerda?

Philippe Corcuff: No que tenha a ver com análise dos meios de comunicação e das relações internacionais, dei-me conta de que havia esquemas muito presentes entre os militantes e simpatizantes de esquerda, em total contradição com os esquemas das ciências sociais nesses domínios.

No quadro conspiracional/conspiracionista, o principal, de tudo que acontece, é fruto de manipulações conscientes e ocultadas de algumas elites. Ora, tudo que aprendi nas Ciências Sociais, de Marx a Bourdieu, me diz que o que mais opera são limitações de estruturas não personalizadas, impessoais.

O capitalismo é Matrix ou Skynet  em Terminator: um maquinário impessoal que constrange e pouco a pouco domina o mundo. A máquina não tem piloto, ninguém a controla completamente: foi o que se viu na crise das hipotecas podres, quando alguns dos que se sentiam ‘pilotos’ foram eliminados, outros mal tiveram tempo de salvar a própria pele... A evidência de que há quem se aproveite do sistema não implica que os mesmos controlem o sistema.

Aí se vê, cara a cara, como no caso do essencialismo, outra patologia intelectual importante da esquerda.

Rue89? E há outras?

Philippe Corcuff  Uma visão implícita assombra as esquerdas: a passagem sub-reptícia do verbo pronominal reflexivo “emancipar-se”, para o verbo transitivo “emancipar” [quase sempre “o outro”].

A maioria dos que falam publicamente no campo da esquerda usam mais a primeira acepção, no caso da autoemancipação dos oprimidos, mas são quase sempre leninistas: uma vanguarda esclarecida (antiliberal, anticapitalista, laica, feminista) que deverá arrancar, da caverna para a luz, a massa que os meios de comunicação teriam alienado completamente, alienada também pelo trabalho, pelo consumo e/ou pelo Islã.

Esses homens e mulheres embrutecidos pelo trabalho, essas mulheres com véus embrutecidas pelo patriarcado, as prostitutas embrutecidas pelos cafetões, e eu, profeta feminista, as conduzirei das trevas à luz...

Rue89: E como se sai disso?

Philippe Corcuff: Os partidos políticos têm cada vez menos relações, para se revigorarem, com os movimentos sociais – e é no que deu a hegemonia da visão tecnocrática –, ou com os intelectuais seriamente críticos.

Quando estão à procura de ideias, escolhem ou tecnocratas especialistas num ou noutro domínio, ou intelectuais “de televisão” – os Alain Minc, Jacques Attali, Bernard Henry-Levi, Caroline Fourest... – Quer dizer: procuram gente que fala de tudo com aplomb sem saber coisa alguma de coisa alguma.

As universidades populares alternativas são experiências interessantes, mas apresentam-se mais como locais de difusão de recursos críticos, que como locais de elaboração.

Grupos como o Conselho Científico de ATTAC  e a Fundação Copérnico  oferecem a contraexpertise útil para enfrentar cenários tecnocráticos, mas, para fazê-lo, correm o risco de continuar prisioneiros de uma visão segmentada das coisas.

Há também revistas interessantes (Multitudes, Vacarme, ContreTemps, Agone, Réfractions, EcoRev’, La Revue des livres...), mas nem sempre conseguem evitar o fechamento intelectualista. Tem havido algum contato e interações com grupos de ação – entre Vacarme e Act Up, entre Multitudes e a coordenação dos trabalhadores precários e intermitentes da Ile-de-France, entre ContreTemps e o Novo Partido Anticapitalista – mas as interações mais produtivas só duraram pouco tempo.

Sinto também que muitos esperam que surja “o grande pensador”. Não me parece coisa que se deva desejar, se se pensa de uma perspectiva democrática. Alguns grandes intelectuais franceses desempenharam (como Foucault, Bourdieu, etc.) e podem ainda desempenhar certo papel, mas isso, para mim, não é o principal : os programas [no sentido de softwares, orig. les logiciels] da esquerda não podem ser reinventados só por uma casta de intelectuais profissionais.

Sonho com clubes nos quais os militantes dos movimentos sociais, pesquisadores, políticos de partido, artistas possam dialogar, e nos quais podem desenvolver-se ideias renovadas, a partir de uma relação crítica com tradições que cada grupo traga.

Rue89 : O movimentos dos “Indignados” poderia revificar intelectualmente a esquerda, não?

Philippe Corcuff: É um pouco o que se vê na Espanha e nos EUA: há um começo de reelaboração intelectual do que é a esquerda e que aproxima novos meios militantes e meios intelectuais e culturais.

Rue89: Mas estão esboçando conceitos? Ou é só a união de categorias que, até aqui, nunca haviam trabalhado juntas?

Judith Butler
Philippe Corcuff: A visão da sociedade construída em torno da clivagem 1% versus 99% permitiu que convergissem pessoas preocupadas com moradia, os sindicalistas, militantes das minorias, teóricos do gênero, de relações pós-coloniais, marxistas, ecologistas, artistas…

Há um cadinho favorável à emergência de algo que brote simultaneamente do mais antigo e do mais novo. O movimento “Occupy” produziu uma revista: Tidal. Leem-se artigos de Judith Butler  e outros. Começaram a fazer “a quente” o que eu sonhava em fazer “a frio”, naquele clube de que falei.

Rue89: As esquerdas francesas são mais preguiçosas que outras esquerdas?

Philippe Corcuff: Diferente da Alemanha e dos EUA, a esquerda francesa é carente de cultura experimental. É ligada à valorização da política como combate (os que pensam que a política é, sobretudo, questão de ter colhões presidenciais ou revolucionários) e do centralismo estatal. Por aqui se experimenta menos, outros modos de viver, de trabalhar, de decidir, de pensar... Há algumas experiências, como Lip  e, depois, passa-se tempos e tempos falando delas.

Melhor que se afundar nas lamentações e no ressentimento do “pensamento Monde Diplo” (“é culpa da mídia, do individualismo, do Grupo de Bilderberg da Troika...”), seria lançar-se na aventura de outras práticas sociais, políticas e intelectuais.

Ouço, seguidamente me dizem: essas suas histórias de experiências são boas para os burguesinhos ‘de balada’ [orig. bobos, de bourgeois bohémien (NTs)]. Mas as pessoas que fizeram emergir as ideias de consciência de classe e de movimento operário entre 1830 e 1848 na França, viviam em situação bem mais miserável que hoje.

De fato, vez ou outra, bastam alguns dispositivos absolutamente simples, para começar a pensar e agir. Por exemplo: numa oficina, na Universidade Popular de Lyon, mandei os alunos lerem dois textos : um de Michel Onfray, um de Bernard-Henri Lévy. E os fiz discutir: 100% dos alunos “detonaram” o artigo assinado por BHL. Mas eu trocara os autores. Apenas uma ideia de experiência que mostra a dificuldade de “pensar pela própria cabeça”, na prática.

Rue89: Você escreve que seria preciso buscar o RAP, dentre outros grupos, para inventar novas linguagens políticas. Que novidade há aí, além do modismo?

Philippe Corcuff: Quando, como agora, vivemos em sociedades individualistas, as pessoas fortemente presas à própria individualidade, a maioria dos grupos de esquerda só sabem dar respostas, principalmente, coletivas. É o que chamo de hegemonia, na esquerda, do “software coletivista”.

Contudo, umas das fontes importantes de anticapitalismo, hoje, sobrevive na intimidade sonhadora e agredida das pessoas. Dei-me conta disso, ao fazer um estudo de recepção do seriado norte-americano de televisão “Ally McBeal”,  com uma centena de telespectadoras. Não raro, o ápice do autoesquecimento de si mesmo, um cerne de não egoísmo capitalista, é vivido sob a forma de uma amizade ou de um amor no qual não vigem leis de interesse. Há aí, portanto, valores anticapitalistas.

Nas letras de RAP de Keny Arkana Casey  ou La Rumeur vê-se, precisamente, pessoas que nos falam da opressão social, e, simultaneamente, do vivido individual. A linguagem política teria de conseguir associar assim os quadros coletivos e as subjetividades individuais.

Rue89: Mais ou menos o discurso de Martine Aubry sobre “o cuidar” e “o cuidado... 

Philippe Corcuff: O problema é que ali se deu uso “marketado” à coisa: ela falou um pouco, porque parecia chique, e logo mudou de assunto.

Sandra Laugier
Mas, sim, há trabalhos sobre o cuidado e o cuidar, dos quais participa minha amiga a filósofa Sandra Laugier que, sim, são apaixonantes : associam dimensões afetivas e pessoais, à questão da proteção social. Mas seria necessário que os filósofos que se interessam pelo cuidado e pelo cuidar, políticos, trabalhadores sociais, sindicalistas e militantes feministas pudessem pensar juntos.

Em todos os casos, é importante distinguir bem claramente o que é reposicionamento e realinhamento das esquerdas em face do trabalho intelectual, e o que, bem diferente, não passam de brilharecos superficiais e modismos temporários ou “marketing político”.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ô Obama, vessessetóca [Mr. President]


20/7/2012, KimDotcom,
“Kim Dotcom - Mr President”
Tradução de trabalho, só pra ajudar a ler, do pessoal da Vila Vudu


Essa canção foi produzida por Kim Dotcom (do site Megaupload), Printz Board e Sleep Deez.
Versos e vocal: Kim Dotcom e amigos

Começou a guerra pra ver quem manda na Internet.
Hollywood manda na política.
O governo está matando a criação.
Isso não vai ficar assim!

Tenho um sonho, como o Dr. King,
é hora de dar um basta. Lutar!
Lute do jeito que dê. Se não nos mexermos,
“eles” vão continuam mentindo que a questão é o copyright.

Não deixe cair o movimento.
O movimento não pode parar.
Tuíte! O movimento não pode parar.
Não deixe cair o movimento.
A luta pela felicidade.
Felicidade. Felicidade. Felicidade.
Procurar a felicidade.

Vamos juntos, vamos, unidos,
ou eles conseguem tudo que queiram.
Vamos juntos, vamos unidos,
ou eles fazem tudo que queiram.

E a liberdade de expressão, Mr. President?
E a tal da “mudança”, Mr. President?
Voc não fala, pra não se autoincriminar, Mr. President?
Coméquié, Mr. President? Vamdá jeito nesse negócio!

Temos de nos opor. Não vote nessa gente
que nos arrasta prô atraso.
Temos de mostrar quem são
os que transformaram INVENTAR, em crime.

Vamos juntos, vamos, unidos,
ou eles conseguem tudo que queiram.
Vamos juntos, vamos unidos,
ou eles fazem tudo que queiram.

E a liberdade de expressão, Mr. President?
E a tal da “mudança”, Mr. President?
Você não fala, pra não se autoincriminar, Mr. President?
Coméquié, Mr. President? Vamdá jeito nesse negócio!

Marionetes de Hollywood,
querendo mandar na nossa Internet!
Vamos pegar esses caras. Vamos pegar esses caras.
Eles não podem escapar tão fácil.

Começa assim: eu e você, você e eu.
E estamos fazendo história.
Começa assim: eu e você, você e eu.
E estamos fazendo história.

Vamos juntos, vamos, unidos,
ou eles conseguem tudo que queiram.
Vamos juntos, vamos unidos,
ou eles fazem tudo que queiram.

E a liberdade de expressão, Mr. President?
E a tal da “mudança”, Mr. President?
Você não fala, pra não se autoincriminar, Mr. President?
Coméquié, Mr. President? Vamdá jeito nesse negócio!

Distribua esse filme.
Se você não tem blog, tuíte.
Se você não tuíta, entenda o que estamos dizendo.
Faça como puder. Só não deixe de passar adiante!
But just this song :-)

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Créditos e agradecimentos:
Andy Chiabrando
ANIMALNewYork
Jakob Kangur
Utopie TV
Lost in Stockholm (
vimeo.com/lostinstockholm)
Vit Jurek
Piotr Marciniak
Polygoon-Profilti / Nederlands Instituut voor Beeld en Geluid
YaBasta5000
19Alcibiades87

Distribua esse vídeo para os amigos. 
Temos de responder.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

“Nenhuma revolução nasce do governo” (2/2)


Alí Rodriguez Araque


Mario Antonio Santucho, Revista Crisis, n.5, jun-jul. 2011
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Leia antes: 10/6/2012, redecastorphoto em: “Nenhuma revolução nasce do governo” (1/2)

Entrevista com: Alí Rodríguez Araque, Ministro de Energia Elétrica da Venezuela (2/2)

Mario Antonio Santucho
Crisis: E que papel desempenha o Brasil, nesse esquema? 

Alí Rodríguez: O Brasil é um grande consumidor que pouco a pouco se foi convertendo, felizmente, em grande produtor. Ainda não está na OPEP, mas a Venezuela já o está convidando. Porque só na medida em que se possa regular o mercado petroleiro mundial, será possível manter os preços num nível adequado, que não implique carga pesada demais para os consumidores, sobretudo os países pobres. Busca-se um ponto de equilíbrio entre os dois interesses, coisa muito difícil, porque os capitalistas são de fato muito vorazes, o apetite deles não tem limites.

Crisis: Quando o Brasil acorda com os EUA priorizar a produção do etanol, para energia, por exemplo, influi nessa discussão no plano global?

Alí Rodríguez: Influi, na medida em que afeta o aumento dos preços dos alimentos, mas não no cenário do petróleo mundial. O maior competidor potencial do petróleo é o hidrogênio, recurso natural muitíssimo abundante e não contaminante. Mas os custos altíssimos ainda não permitem que se o veja como concorrente. Veja o que acontece com a energia nuclear.

O duplo poder 

O tempo de Alí Rodríguez move-se ao ritmo da crise elétrica. Nossa conversa avança aos saltos e termina de repente. Um assessor pede desculpas pela interrupção, e informa o ministro sobre a queda de uma linha de transmissão que deixou províncias inteiras na escuridão. O ministro faz algumas perguntas curtas, diagnostica a origem da falha, manda informar a presidência e redigir uma declaração oficial. Bom momento para perguntar-lhe sobre os paradoxos que marcam o “socialismo século 21”, especialmente sobre a tentativa para criar de cima para baixo o que, naturalmente, deveria emergir de baixo para cima. É incongruência não se resolve no plano da lógica e impõe limites bem definidos à experimentação.

Alí Rodríguez: “Os revolucionários devem precaver-se para não ser dogmaticamente contra a política porque a política, como todos os fatos humanos é dinâmica e sempre dominada por muitos fatores. Se você, dogmatiza a luta armada, por exemplo, você vira, no melhor caso, um quisto que pode crescer, mas não avança, que não encontra correspondente no movimento social, um mal crônico que não gera efeitos na sociedade. Nosso processo, na Venezuela, é inédito, sobretudo pelos êxitos. É tentativa, pela via eleitoral, como também aconteceu no Chile entre 1970 e 1973, mas aqui o movimento foi vitorioso nos confrontos que vieram depois das eleições, como aconteceu no golpe de estado de 2002 e no golpe das petroleiras em dezembro daquele ano.

Com a derrota do golpe militar, a oligarquia venezuelana perdeu o poder que tinha no seio das forças armadas, mas continuava a manter o grande poder econômico da PDVSA. Derrotados no golpe das petroleiras, perderam também esse poder. Mas ainda há confronto muito agudo no plano político. Por isso temos de renovar constantemente as nossas posições, porque, se você para no jogo político, você vira passado, porque o processo nunca para de mover-se.

Crisis: Conseguiram avançar na transformação produtiva do país? 

Alí Rodríguez: Um dos principais problemas que surgiram, como consequência do processo de que acabo de falar, é que a produção agrícola foi duramente afetada, o que provocou violenta migração, do campo para a cidade. Hoje, mais de 90% da população concentra-se nas cidades e há vastas áreas de território que estão desabitadas. O desenvolvimento econômico do país, entre finais dos anos 30s e começo dos 70s, foi determinado pelo violento processo de urbanização e pela demanda decorrente, por moradias. As cidades chegaram à saturação e em seguida ao declínio, que ainda não conseguimos interromper. Durante muito tempo falou-se dos limites do pequeno mercado interno, mas sem jamais explicar por que as coisas são como são.

Crisis: E como é possível sair dessa espiral que parece não ter freio?

Alí Rodríguez: Temos dois grandes assuntos a abordar: por um lado, o desenvolvimento da produção de alimentos, não só pela soberania alimentar, que já bastaria e explica a necessidade desse desenvolvimento, mas também porque, só na medida em que o campo converta-se em fator produtivo que gere demandas industriais que possam ser internamente satisfeitas, haverá desenvolvimento industrial na Venezuela. Por outro lado, uma segunda fase de reurbanização do país, questão que estamos encarando exatamente agora, com a Misión Vivienda [Missão Moradia]. A ideia é que a economia nacional acomode-se de modo a poder satisfazer as grandes demandas a serem geradas pelo objetivo de construir dois milhões de moradias em apenas 4 ou 5 anos.

Crisis: Para os governos de esquerda da região, não parece ser operar transformações profundas na sociedade. Como fazer para não se deixar assimilar pelos mecanismos do sistema político tradicional e pelas lógicas burocráticas estatais?

Alí Rodríguez: Em 98 nós assumimos o governo, mas não o poder político. São duas coisas diferentes. Nenhuma revolução nasce do governo. Por isso ainda nem se pode dizer que essa revolução na Venezuela seja irreversível. Para que haja hegemonia, é preciso desenvolver o poder popular organizado, os Conselhos Comunais e as Comunas têm de assumir cada vez mais espaços de poder, e realmente exercitar o comando, conduzir a revolução. Se não for assim, essa revolução fracassa. Porque no nosso caso, também há um duplo poder. O Estado que temos não é o Estado para fazer a revolução, nem é ainda expressão das mudanças no país. O Estado que temos é Estado burocrático, pesado, é um obstáculo às mudanças revolucionárias na Venezuela. Só quando o povo organizado assumir o poder e governar, e comandar, e assumir a hegemonia política no país, será possível dizer que a revolução é irreversível.

Reflexos condicionados

Erika Farías
A deputada Erika Farías teve a seu cargo a responsabilidade de dar forma ao Ministério do Poder Popular. No dia seguinte, depois de entrevistar o ministro Alí, visitamos a deputada, para conhecer melhor os personagens de um Estado que se diz revolucionário, mas que só confia em bases populares auto-organizadas.

Erika conta que a construção dos Conselhos Comunais começou em 2006, com o objetivo de canalizar recursos diretamente do Executivo Nacional para os Conselhos Locais, sem a intermediação das estruturas provinciais e municipais. 

Erika Farias: Estamos falando de uma experiência que vai completar cinco anos, uma experiência recente. Não é perfeita, é claro, mas, dentro do que temos, é uma instância revolucionária. No plano nacional, há 41 mil equipes de trabalho, espalhadas por praticamente todo o país. Desde o início, criou-se um fundo de recursos que em quatro anos de governo já administrou mais de 10 bilhões de bolívares fuertes, o equivalente a mais de dois bilhões de dólares. Com o tempo, começaram a ser transferidos não só recursos econômicos, mas também técnicos, máquinas, formação, experiências de caráter científico que permitiu que os Conselhos melhorassem o trabalho e começassem a pagar a dívida social que herdamos da IV República.

Houve avanços, houve tempos de ritmo mais lento, mas a ideia de que quem tem de assumir o poder é o Poder Popular nunca saiu de nossa agenda. Pode-se dizer que nossa debilidade é a falta de partidos revolucionários. Por isso começamos e estimular a organização popular a partir do governo, o que para nós não é defeito, mas experiência que nos toca e da qual podemos aprender. Temos, isso sim, de tomar cuidado para não levar ao povo as mesmas misérias do institucionalismo burguês, porque, sim, ainda há muito disso, na Venezuela.

Crisis: Um ponto básico do pensamento revolucionário é que é impossível mudar o Estado de dentro para fora. Contudo, o que se vê na Venezuela é um governo que se propõe como motor da transformação e como artífice a partir do qual o povo está sendo mobilizado.

Erika (risos): Aí há um detalhe “engendrado”, mas, veja bem: como organizar a implosão do Estado, se não há base popular organizada? A Revolução começou com um levante militar que falhou, depois de o levante popular de 27/2/1989 também ter fracassado. O que podíamos fazer? Durante 1987, houve grande debate, para que assumíssemos a via eleitoral. A maioria adotamos essa via, o Comandante venceu as eleições e começamos, sim, a partir do Estado. O que fizemos nesses 12 anos? Devolver ao povo o poder do conhecimento, por a economia a serviço do povo, recuperar os instrumentos de governo. Uma das coisas que nós queríamos superar com a reforma constitucional era a divisão político-territorial. Por causa dela, perdemos o plebiscito de dezembro de 2007. Nos propúnhamos a modificar a organização municipal, paroquial e estatal, para que o povo começasse a exercer suas novas formas de governo. Mas não conseguimos. Fomos impedidos pela própria força do Estado que não quer morrer. 

Vê-se assim que temos uma limitação original, no fato de que a revolução na Venezuela está sendo empurrada adiante pelo Estado... Mas chegará o momento em que as próprias pessoas dirão “é hora de superar esses instrumentos e instituições velhas”. 

Em certo sentido, já está acontecendo. Apenas que nós não podemos meter os pés pelas mãos. Há instituições do Estado que ainda existem, mesmo que sem terem sentido, mas nem por isso podemos atropelá-las. Você pergunta se há uma burocracia socialista. Acho que sim, e que se manifesta dentro das próprias instituições da Revolução, inclusive na população, porque administrar dinheiro e recursos gera burocracias. Há casos nos quais se repete o que já se conhece e outros nos quais aparece algo de novo. E assim vamos andando. Não idealizamos o processo, nem temos com ele uma relação idílica. Sabemos que há problemas e não temos medo deles. Mas temos de entender que não existe socialismo num país só. Há situações na região, há coisas de que temos de cuidar, relações que temos de manter, níveis que temos de ir harmonizando. E com calma.

Crisis: Nesse contexto complexo, como você resumiria a contribuição específica das instâncias do Poder Popular?

Erika: Os Conselhos nos ajudaram muito a avançar no plano ‘micro’, porque sempre, aqui na Venezuela, se veem só os grandes problemas, mas há os problemas pequenos, quotidianos, os quais, se não são enfrentados, acabam por desgastar a força popular. São pequenos problemas dos quais o governo não se ocupa porque não os vê, não tem com vê-los, embora deva esforçar-se. Mas há núcleos de governo popular que veem os problemas porque sofrem os problemas e podem resolvê-los por seu próprio esforço.

Nas instituições há burocracias, não burocratas

Além do enquadramento projetado pelo governo bolivariano, embora se sintam partícipes entusiastas do processo revolucionário, há quantidade enorme de coletivos, que tentam perfurar as onipresentes calosidades burocráticas. São os novos protagonistas sociais que, nos momentos de perigo, sempre fizeram a diferença. São inimigos da corrupção, mas não pelos parâmetros moralistas da oposição anti-Chávez. Para eles, a corrupção é tendência institucional permanente que tende a sufocá-los, dando forma ou privada ou estatal aos produtos da luta e da criatividade dos muitos.

Máster [Jorney Madriz] integra a rede Hip Hop Revolución [1], rede nacional de RAPeiros fundada há seis anos.

Máster e seu grupo de"rapeiros"
Máster: É preciso nos esforçar, para não acabar absorvidos na instituição. Não esqueça que se pode estar num estado revolucionário, mas o Estado não foi inventado pela revolução. É negócio inventado por outros, estruturas completamente verticais, e a revolução ainda não conseguiu quebrar a dinâmica do Estado. Ao mesmo tempo em que nós revolucionamos aquelas estruturas, elas também em parte nos vão absorvendo. Há companheiros que querem fazer mudanças de lá para cá, do Estado para cá, e acabam pondo a revolução abaixo da estrutura. Essa estrutura asfixia nosso processo, afoga o nosso modo de trabalhar, o modo como fazemos música, como nos reunimos. E não é porque o Estado seja bom ou ruim. É porque essa estrutura é alheia, nada tem a ver conosco. Essa é a luta que sempre há, sempre que trabalhamos com o Estado – e não quero ofender os funcionários do Estado, mas eles têm de aceitar a verdade. 

Picky Figueroa é um dos fundadores do núcleo endógeno “Tiuna, el fuerte”, espaço de experimentação política e cultural onde se reúnem os chamos e malandros do bairro El Valle, na periferia de Caracas, e dos bairros com mais tradição combativa.

Picky Figueroa: Há corrupção, coño, abuso de poder, é uma luta, a burocracia dá um trabalho tremendo. Atrasa todos os processos, não vê, não entendem nada. Chávez faz o possível para enfraquecer o Estado e cria organizações alternativas para que o dinheiro chegue ao povo. Entra a burocracia e cria formulários a preencher e planilhas. Temem que nos transformemos em ilha pirata, ou corrente armada. Porque Chávez também está na luta eleitoral; por isso cria exércitos, digamos assim, cria organizações gigantes. As Missões, coño, são soluções alternativas aos ministérios que não respondem nunca, mas também são exércitos de gente com necessidades comuns e, ao mesmo tempo, votos.”

Máster: Vou ser mais claro. Nós vemos o Comandante como o líder de um processo, mas, ao mesmo tempo, também o vemos como companheiro infiltrado no Estado. Chávez é um dos nossos, que se infiltrou numa estrutura perigosíssima, que, cada dia mais, trabalha para enforcá-lo. Nós temos de continuar ajudando Chávez, sempre e enquanto continue falando como nós falamos e fazendo as coisas que nós faríamos se estivéssemos no lugar dele”. 

A seguir, Máster chama os companheiros e nos convida a ouvir um dos seus RAPs [2], gravado no último disco:

Incapaces con disfraces entorpecen
pasos firmes
y ante ninguno de ellos
yo tengo por qué rendirme.
Llegará el día que mi corazón no lata
y ya no eviten mi opinión
con excusas baratas.
Y el interés que te delata:
tú, el de la corbata
si fuera tuya no gastarías tanta plata.
Y eso sólo en viáticos de menesteres,
justifique el sueldo:
¡ve, anda y cumple tus deberes!
Tú llenándote de enseres
y dándote buena vida
con aire acondicionado
cinco pisos arriba
donde el sol te pega a ti
pero no ves para la salida.
Asómate, ve la cola,
puras caras decaídas.
¿Dónde está la solución
a situaciones tan precarias
si en Información
no atiende ni la secretaria?
Necesaria es la acción
que nos rectifique
donde el sujeto aplique
el verbo que predique.
No más retraso en indisposiciones
no más burócratas en las instituciones
no a la mentira que intoxica
dentro de sus corazones
y mientras existan
ellos sabrán de mí. 



Nota dos tradutores

[1] Sobre Máster ver, logo abaixo, trecho de “Inside the Revolution: A Journey into the Heart of Venezuela” (documentário, dir. Pablo Navarrete, 2009)  e “Hip Hop Revolución”: On Culture and Revolution in Venezuela, 7/6/2012, CeaseFire.