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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Comandante norte-americano alerta que: “Brasil pode controlar militarmente toda a Baía de Guanabara!”

27/11/2014, The SakerThe Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 
The Saker



Que tal lhes parece a manchete acima [adaptada], candidata a manchete “jornalística” mais imbecil do século? Gostaram?
Pois é perfeitamente equivalente, com variação só de detalhes, a uma manchete de hoje, na BBC:

Comandante da OTAN alerta que Rússia pode controlar todo o Mar Negro!


Se não acreditam, expliquemos melhor:

O mais alto comandante das forças militares russas, general Valerii Gerasimov, alertou que a “militarização” pelos EUA, da península (anexada) da Flórida, pode ser usada para controlar todo o Golfo do México.

Calma. O artigo realmente publicado na BBC é um pouco diferente (pouco):

O mais alto comandante militar da OTAN, general Philip Breedlove, alertou que a “militarização”, pela Rússia, da península da Crimeia, pode ser usada para controlar todo o Mar Negro.


Philip Breedlove mostra o tamanho...
Há grandes diferenças? Evidentemente, não. A única diferença é o “excepcionalismo norte-americano”. Quer dizer... pensando bem, há outra diferença: os EUA e a OTAN, sim, tentaram assumir o controle da Crimeia, servindo-se, para o atentado-golpe, da “revolução colorida” que inventaram na Praça Maidan. E a Rússia NUNCA tentou anexar a Flórida.

Claro que se impõe também a seguinte pergunta: se EUA e OTAN tanto temem que a Rússia venha a usar a península da Crimeia para controlar todo o Mar Negro... O que, exatamente, EUA e OTAN esperavam obter, se tivessem conseguido – eles – ocupar a Crimeia?!

Tudo isso é absolutamente ridículo e serve, só, como mais um exemplo da enlouquecedora hiprocrisia e infindáveis mentiras e mais mentiras de que a imprensa-empresa ocidental fez meio de vida. A coisa é “noticiada” assim: EUA no Golfo do México? Bom. EUA no Mar Vermelho? Ótimo. Rússia no Mar Negro? Ruim. Rússia no Golfo do México [e na Baía de Guanabara (NTs)]? Inimaginável-impensável.

A subserviência da Europa...
E o pior aqui nem é a arrogância e a húbris imperialista dos EUA: é a assumida subserviência dos europeus, ao Tio Sam. Todos sabem disso. Mas fingem que não estão vendo acontecer.

E do que disse o general Breedlove, aproveita-se alguma coisa? Ah, sim, aproveita-se. A Crimeia sim, de fato, assegurará à Rússia total controle sobre o Mar Negro e adiante do Mar Negro. A Rússia instalará ali, no mínimo, um míssil cruzador, vários submarinos ultramodernos de ataque, movidos a diesel (ideais para operar em águas marrons e verdes), bombardeiros super-sônicos de alcance médio armados com mísseis cruzadores, artilharia costeira e baterias de mísseis cruzadores, barcos de ataque rápido, aeronaves em terra e no ar para ação antissubmarinos, etc.. Pode-se ver a Crimeia, vendo-a como um mega porta-aviões à prova de naufrágio. Como uma espécie de Flórida.

The Saker

sábado, 17 de maio de 2014

Eu amo a BBC!


16/5/2014, The SalkerThe Vineyard of the Saker
Traduzido por mberublue


The Saker
Eu realmente amo a BBC. Amo odiá-la, é isso. Eles acabaram de postar um artigo sobre o fato da Rússia agora querer pré pagamento para o gás que vende à Ucrânia, concluindo com esta formidável sentença:

É perigoso para as nações da União Europeia que a Ucrânia comece a tomar o gás que a Rússia destinou para seus clientes europeus, o que já fizeram quando de disputa anterior com a Rússia nos idos de 2006 e 2009.

Jennifer Psaki
É ou não é para deixar Psaki orgulhosa? Em vez de escrever que a Ucrânia começará a sequestrar, desfalcar, pilhar, saquear ou simplesmente ROUBAR com apropriação indébita o gás que a Rússia vende à União Européia, escrevem “tomar”.

Como se um mercado de energia fosse como um buffet de self-service, para comer à vontade, onde cada um pode pegar o que quiser.

Em Kiev existe uma gangue de bandidos que chegaram ao poder através de uma insurreição ilegal armada, massacrando civis com o que chamam de exército em seu ridículo Banderastão.

Esse bando de celerados enlouquecidos está prestes a roubar o gás da União Europeia que pagou por ele em euros e a BBC chama isso de “tomar”?

Realmente, eu amo odiar a BBC.

Boa noite.

The Saker

domingo, 17 de junho de 2012

BBC: agência ou depto de propaganda?


Escrito e enviado por Rui Martins*

Leia também:


Comentário da redecastorphoto: É muito claro que existe a prática de dumping em praticamente todo o jornalismo internacional veiculado no Brasil, mas não é só por parte da BBC; vale também para outras agências estatais.

O FATO é que o jornalismo e jornalistas brasileiros são, regra geral, PÉSSIMOS (extremamente ignorantes, quando não, venais). 

Isso é facilmente constatável ao ler o OI (Observatório da Imprensa) e verificar o quase NADA do noticiário nacional, mais ainda o internacional que é apenas jornalismo-de-repetição (meros papagaios das agências externas) onde o OI, não muito diferente do que os ridículos, p.ex., da GloboNews-  williamswaacks, demétriosmagnolis, celsoslafers, etc. - tenta comicamente “observar”.

Aliás, o OI, tal como a GloboNews, para nós da redecastorphoto, é apenas um “Seinfeld” ou um dos “Comedy Capers” que torna digestivo o NADA que é o nosso desinformativo jornalismo-de-mercado.

Este blog sempre teve a preocupação de levar aos nossos correspondentes e seguidores – nem sempre com sucesso, é claro, mas com muito esforço – o que consideramos de melhor na mídia internacional e alguma coisa da mídia nacional.

Depois de 2 anos de prática – completados em 28/5 p.p. - e 3.600 postagens, consideramos ter contribuído muito mais na informação aos nossos correspondentes que a grande maioria dos “jornais/jornalistas-de-fancaria” atualmente empregados na imprensa-de-mercado.

Não cremos que a melhoria da “formação de jovens jornalistas” tenha algo a ver com o óbvio dumping praticado pelas agências internacionais.

A baixíssima qualidade dos nossos jornalistas está na sua FORMAÇÃO, seja universitária ou não, e na impossibilidade de haver congruência entre o fato real (ou notícia) e o interesse político/editorial.

Berna (Suiça) - É uma questão de raciocínio simples. Vejam bem, a grande imprensa brasileira é contra o estatismo, e mais ainda no ramo da mídia. Basta se lembrar os protestos pela criação da TV Brasil. 

Porém, isso não impede que usem e abusem do material de imprensa, áudio e escrito, de uma empresa estatal estrangeira, se podem economizar com isso. Não, não se trata da Agência Nova China, nem do serviço brasileiro do Pravda russo. Nossos amigos da CBN, do Estadão, da Folha online e outros mais, adoram os informativos, reportagens, notícias, entrevistas do Foreign Office londrino.

E é verdade, a qualidade do material informativo que nos é enviado pelos ingleses é bem superior à média da mídia brasileira, além de serem noticiários postados com rapidez, já traduzidos e geralmente na frente das agências France Presse ou EFE.

Vocês, ardorosos utilizadores, já perceberam que estou falando da BBC Brasil. A favor da BBC (a da velha ilha inglesa, como dizia o disquinho Subdesenvolvido do Centro de Cultura Popular, da época das Reformas de Base e de Jango-Brizola) existe aquela figura antológica dos noticiários da Segunda Guerra Mundial, o Iberê da BBC. E, embora não ouvisse por já viver fora do Brasil, os noticiários não censurados do tempo da nossa ditadura militar.

Já houve quem quisesse fechar a BBC, única coisa que restou do império da rainha Vitória, no qual o Sol nunca se deitava. Hoje existe o Commonwealth, mas já não é a mesma coisa. Se não me engano foi Margareth Thatcher que impôs um regime na BBC, mas pode ter sido um primeiro-ministro anterior. Em suma, o Sol continua não se pondo no imperial reinado da BBC.

E todos os anos, o Parlamento inglês renova o orçamento da maior cadeia de mídia estatal do mundo, maior que a Voz da América e já nem se fala mais da Rádio Moscou, que começava suas transmissões não com a Internacional, mas com o hino soviético. 

E por que será que, durante 24 horas por dia, speakers, redatores se revezam para fornecer em áudio ou nos portais de idiomas diferentes as últimas notícias ? Será pelo amor dos nossos filhinhos? Claro que não, faz parte da manutenção do prestígio da marca inglesa em todo mundo, como foi importante na luta do chamado Mundo Livre contra a Cortina de Ferro. É informação mas tem política e propaganda no meio.

Tudo bem, há países ricos com menor ambição, cujas transmissões se destinam principalmente aos seus emigrantes, para não perderem o contato, a cultura com seu país de origem, como parece ser o caso da isolada Suíça, que, depois de acabar com seu serviço de ondas-curtas, pensa agora em fechar a versão Internet, o Swissinfo.

Mas o que há de errado na BBC? já deve estar perguntando um indignado ouvinte das reportagens rebroadcastingadas pela CBN, Eldorado ou outras tantas, espalhadas pelo Brasil. Um sucesso muito maior do obtido pelos americanos que, logo depois da Guerra, em plena guerra-fria, distribuíam junto com o leite em pó, os comentários de Al Netto (deve ser com certeza com dois tês).

Acho que foi, em 2000, que pedi ao Benê da CBN, depois de um de meus boletins, que entidade reunia, em termos de categoria profissional, os jornalistas. E ele, sempre bem informado, me disse – a Fenaj. E por que cargas d’água esse meu interesse ? Porque foi por ali que começou a se criar a atual Rede BBC Brasil e porque comecei a me preocupar pelos jovens jornalistas que iriam nos suceder, a mim e meus colegas correspondentes, nessa ingrata, mas maravilhosa, profissão.

Era o começo do rebroadcasting, ou seja, uma rádio fabrica no seu estúdio um áudio e manda de graça, ali na bandeja, para rádios locais utilizarem. A idéia do rebroadcasting era, no princípio, bem samaritana: levar programas de rádio instrutivos e educativos às pequenas comunidades. E, antes da revolução da Internet, fazia-se isso com fitas gravadas (que as rádios acabavam usando para gravar outros programas), elepês ou cassetes, ou a rádio beneficiada com os programas gravava o som transmitido por ondas-curtas ou recebia por telefone.

O rebroadcasting samaritano não tem nada de mal e pode até ser equiparado aos esforços de uma UNICEF para levar a cultura e orientação sanitária aos pequenos povoados e vilarejos. Atualmente, há muito rebroadcasting para a África, onde numerosos países vivem ainda na miséria. Porém, algumas rádios mais sensatas preferem juntar ao rebroadcasting a formação de jornalistas locais em cursos no próprio país ou no exterior, para não serem chamadas de neocolonialistas. 

Onde é que o rebroadcasting é ruim ? Quando o material da rádio estrangeira, preparado no nosso idioma, não se destina à Rádio de Catacoquinho ou de Judas Perdeu as Botas, mas para as rádios comerciais, para os portais diversos de grande frequência e com bastante publicidade.

Se uma rádio estrangeira, financiada pelo dinheiro público do seu país, portanto uma potência com a qual não se pode competir, começa a fornecer seu material áudio e mesmo escrito para rádios comerciais e para jornais brasileiros de grande tiragem, cria-se uma situação estranha. 

Américo Martins, comentando em 2002 o fornecimento de material da sua BBC para a CBN falava na criação de uma parceria, ou troca de informações. Só que não se vê no portal da BBC o material brasileiro fornecido pela CBN, mesmo porque é a BBC quem tem a maior e melhor rede de informação. 

Trata-se, portanto, de uma parceria unilateral, que satisfaz a BBC por lhe dar grande visibilidade junto ao público brasileiro. Nada a ver com a época em que os jornalistas e radialistas do serviço brasileiro de ondas-curtas da BBC, com encontro marcado no dial e com hora certa, sentiam-se como se falassem apenas aos seus familiares. Uma época da qual, Ivan Lessa, o decano desse enorme polvo da informação, se lembrava. 

A descoberta do rebroadcasting conjugado com o contrato jurídico da parceria permitiram o fornecimento de material jornalístico gratuito, sem causar desconfianças. Entretanto, o sucesso dessa fórmula mostrou a ocorrência de dois vícios de procedimento em termos de mercado e de trabalho – o dumping e a concorrência desleal.

O dumping é o fornecimento de um produto ou serviço por preço abaixo do normal ou abaixo do custo, gerando a concorrência desleal, pois o concorrente não tem condições para competir. Dumping por empresa estrangeira, é o fornecimento de um produto ou serviço por preço sem concorrência. 

No caso da BBC, as parcerias incluem empresas comerciais de mídia (nada samaritanas) com a TV Bandeirantes; Rádios CBN e Rádio Globo (não vi Eldorado na lista, mas era uma antiga parceira) e numerosos portais e serviços Internet como Folha online, Globo online, Terra, UOL, Estadão online, Correio Braziliense online, Paraná online. 

Embora empresas representativas da grande mídia brasileira, seus diretores não se acanham com essas parcerias. Mariza Tavares explica, numa entrevista ao Observatório da Imprensa que, por economia, deixou de ter correspondente na Europa e optou pela parceria com a BBC.

E aí está o problema – o dumping e a concorrência desleal da BBC matam no ovo a possibilidade dos nossos jovens estudantes de jornalismo serem correspondentes de jornais, revistas e rádios brasileiros. Além disso, mesmo se o material fornecido é considerado bom, ocorre uma padronização por não se favorecer mais a diversidade informativa. Ainda nos anos 90, as revistas, jornais e rádios brasileiros tinham correspondentes, hoje pode haver um ou outro, mas não fixos com salário mensal e sim frilas, ganhando por matéria.

Aos jovens jornalistas só resta a possibilidade de uma carreira no Exterior, se trabalharem para a BBC e, provavelmente, como frilas.

Aqui entra a Fenaj, Federação Nacional de Jornalistas. A prática de dumping e concorrência desleal no comércio mundial pode ser denunciada, em Genebra, na OMC, desde que apresentada por um órgão da categoria e isso também inclui os sindicatos estaduais de jornalistas. A Fenaj parece disposta a topar essa parada e se houver sindicatos solidários, é só enviar o contato. Queixa de categoria profissional pode também ser apresentada, contra dumping e concorrência desleal, junto à Organização Internacional do Trabalho.

Além disso, o Brasil começa a se tornar uma grande potência e está na hora de ter um jornalismo realmente nacional e independente. Já bastam os estragos causados pela Time-Life na nossa imprensa escrita.

Rui Martins*: jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress.





sábado, 16 de junho de 2012

Do editor da BBC-Londres (no blog): “A cobertura da BBC do massacre de Houla só reproduziu propaganda da oposição síria”

15/6/2012, Chris Marsden, Countercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jon Williams
O mais discretamente possível, o editor de noticiário internacional da BBC, Jon Williams, admite afinal que a cobertura que a emissora e agência noticiosa britânica distribuiu, do massacre em Houla, Síria – matéria selecionada de agências e trabalho dos próprios jornalistas “da casa” – não passou de seleto compêndio de mentiras.

Em postado do dia 7/6, 16h23, em seu blog pessoal [1], Williams afinal confessa o que vários críticos já haviam observado e denunciado [2]: que não há qualquer prova que permita afirmar que o massacre do dia 25/5, no qual morreram mais de 100 pessoas, tenha sido perpetrado pelo Exército Sírio ou por milícias apoiadas pelo governo alawita de Al-Assad.

Fortemente sugerida nas entrelinhas no mesmo postado, há também a confissão de que o noticiário da BBC reproduziu material de propaganda distribuído pelos sunitas, que operam para derrubar o governo do alawita Bashar al-Assad.

Depois de algumas linhas introdutórias de autojustificação “preventiva”, em que fala da “complexidade da situação em campo na Síria”; da “necessidade de tentar separar fato e ficção”; e da “longa tradição síria [sic]” de “noticiar boatos como se fossem fatos”, Williams escreve:

Logo depois do massacre em Houla mês passado, as primeiras notícias falavam de cerca de 49 crianças e 34 mulheres decapitadas. Em Damasco, agentes ocidentais disseram-me que investigações posteriores não encontraram qualquer vestígios desse tipo de atrocidade. E que, porque o Exército Sírio havia bombardeado a área pouco antes, não havia absolutamente nenhuma certeza sobre a autoria do massacre ou sobre o que realmente aconteceu em Houla.

Por isso, conclui o jornalista e editor da BBC – em conclusão que chega, de fato, muito atrasada:

Nessas circunstâncias é mais importante do que nunca informar também sobre o que não sabemos, não só sobre o que se sabe. Em Houla, e agora também em Qubair, todas as evidências sugerem que os responsáveis pelo massacre em Houla tenham sido membros da milícia Shabiha. Mas, à parte o trágico número de vítimas, praticamente não há certeza de nada, nem sobre quem ordenou as mortes, nem por quê.

Infelizmente, a BBC, até agora, sempre noticiou [e vendeu suas notícias! E a Folha de S.Paulo, o Estadão e O Globo COMPRAM essas notícias e as REVENDEM a leitores brasileiros incautos!] como se tivesse certeza de tudo, da autoria e dos motivos de tudo que se passa na Síria; a BBC e, aliás, todos os grandes jornais britânicos [e dos brasileiros, então, que vivem de requentar noticiário internacional requentado, desses NEM SE FALA! Vide Notas de rodapé].

Em lugar de operar como agência de produção e distribuição de informação aproveitável, a BBC operou como ativo braço de propaganda de uma falsa indignação “humanitária” e correspondentes “certezas” fabricadas em Londres, Washington - e até, na ONU – em todos os casos divulgando, como se fosse fato, que o Exército Sírio ou milícias armadas que operariam sob as ordens do governo, ou ambos, seriam responsáveis pelo massacre.

Exemplo típico desse jornalismo de desinformação é a matéria publicada dia 28/5, “Syria Houla massacre: Survivors recount horror” [3], [reproduzida sem tirar nem por, título e tudo, no Brasil, pela Folha de S.Paulo, e, pra piorar, em TRADUÇÃO HORRÍÍÍÍÍÍÍÍVEL!]:

Os membros da milícia “Shabiha” atacou (sic) as casas. Eles não tiveram compaixão. Nós fotografamos crianças com menos de 10 anos de idade, com suas [4] mãos amarradas e mortas com tiros à queima-roupa, a 10cm de distância, apenas 10 cm. Eles cortaram seus [5] pescoços com facas, não todo o pescoço, mas eles fizeram um buraco no pescoço, um buraco nos olhos. [6]

Em momento algum se cogita de lembrar os leitores da possibilidade – se os “depoimentos” não forem integralmente inventados! – de esses “depoimentos” virem de pessoas politicamente alinhadas com a oposição síria, agindo e falando sob instruções de um ativo programa de propaganda.

E, só agora, Williams/BBC [mas não os jornais e os jornalistas do Grupo GAFE (Globo/Abril/FSP/Estadão), no Brasil, pelo menos até esse momento] lembra de lembrar que:

Dadas as dificuldades para o trabalho de reportagem na Síria, vídeos postados em Twitter, Facebook e YouTube podem servir como guia para conhecer os fatos em campo. Mas os fatos nunca são branco ou preto – quase sempre são cheios de nuances cinzentas. Os que se opõem ao presidente Assad têm agenda própria. Um alto funcionário ocidental chegou a descrever a estratégia de comunicação da oposição síria pelo YouTube, como “brilhante”. Mas lembrou também das técnicas de “guerra psicológica” e de lavagem cerebral, de propaganda, que militares norte-americanos e outros usam frequentemente, para convencer pessoas de versões que nem sempre são verdadeiras. [7]

Williams sabe bem do que está falando.

Dia 27/5, a BBC distribuiu uma foto, apresentada como se fosse recente e tirada em Houla, para “comprovar” o show: “corpos de crianças em Houla, ainda insepultos”.

A foto mentirosa da BBC denunciada por di Lauro
Mentira. Nada além de exemplo da propaganda a favor do golpe contra o governo de Assad, e que nada tem de “brilhante”. A foto de corpos enrolados em mortalhas brancas foi tirada pelo fotógrafo Marco di Lauro no Iraque, há quase dez anos, dia 27/3/2003. E eram ossadas descobertas num deserto, ao sul de Bagdá.

Di Lauro comentou:

O que muito me surpreende é que uma agência de notícias como a BBC não verifique suas fontes. Alguém está usando trabalho do outros para fazer propaganda de mentiras. Mas... A BBC?! [8] (...)

É perfeitamente possível que o mea culpa de Williams tenha motivos dignos, de preocupação com o papel que ele e outros jornalistas desempenham, de porta-vozes de uma campanha para derrubar mais um governante no mundo árabe, conhecida hoje, eufemisticamente, como “troca de regime”. Mas de pouco servirá a “confissão”, lá, escondida num blog da empresa (BBC British Broadcasting Corporation).

Porque fato é que, na BBC [como na Folha de S.Paulo, no Estadão e n’O Globo, no Brasil! (NTs)] a mesma propaganda – vendida como se fosse jornalismo a consumidores PAGANTES – continua, sem qualquer modificação, como se vê na cobertura, dia 6/6, de outro massacre, dessa vez na vila de Qubair.

Dessa vez, o correspondente da BBC, Paul Danahar, que viaja no comboio dos monitores da ONU, “noticiou” que escrevia “de uma casa devorada pela chamas”, “sentindo cheiro de carne calcinada”, cercado de “pedaços de cadáveres”. “Noticia” também que “massacrar o povo não satisfaz a fúria do exército de Assad. Agora matam também os animais”. E a matéria é ilustrada pela foto de um burro morto, que nada mostra, além do burro morto. Em seguida, sobre imagens de marcas de pneus numa estrada de terra, o mesmo Paul Danahar “noticia”: “Veem-se evidentes tentativas para apagar rastros de pneus e outros detalhes das atrocidades”. É possível que haja as tais “evidentes” tentativas. Mas nada, no jornalismo da BBC comprova o que o jornalista “noticia”. (...)

E é desnecessário lembrar que a BBC (a Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo, claro!) não dizem uma palavra sobre matéria publicada dia 7/6 pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung, com muitas evidências de que o massacre de Houla tenha sido cometido pelo Exército Síria Livre. 

A matéria oferece depoimentos recolhidos entre os habitantes da região, por grupos que se opõem ao governo de Assad e também se opõem ao Exército Síria Livre e a outras milícias também pagas e armadas (e noticiadas) pelo ocidente.



Notas de rodapé
[1] 7/6/2012, Jon Williams, Blog, BBC-Londres em: “Reporting conflict in Syria

[2] Em Portugal, o blog Clube dos Jornalistas já sabia das mentiras da BBC.

[3] 28/5/2012, BBC - Londres, em: Syria Houla massacre: Survivors recount horror”. E idêntico besteirol aparece copiado-publicado e REVENDIDO a leitores consumidores PAGANTES, no Brasil:

(1) Na FOLHA DE S.PAULO, no mesmo dia 28/5/2012 em: Sobreviventes relatam horrores de massacre na Síria”. E, claro, aparece também repetido...
(2) N’O ESTADO DE S.PAULO, dia 31/5, em: Perigo de guerra civil na Síria aumenta após massacre de Houla. E também, porque a copiação, por aqui, nunca falha, o mesmo besteirol TAMBÉM está publicado, igualzinho,

[4] E de quem, diabos, seriam as mãos?! Tradução ginasiana, amadora, infantiloide, debiloide... E os assinantes da Folha de S.Paulo PAGAM pra ler esse lixo!

[5] E de quem, diabos, seriam os pescoços?! Tradução ginasiana, amadora, infantiloide, debiloide e errada... E os assinantes da Folha de S.Paulo PAGAM pra ler esse lixo!

[6] 28/5/2012, Folha de S.Paulo/UOL, em: “Sobreviventes relatam horrores de massacre na Síria

[7] 28/5/2012, BBC -Londres, em: vide nota [3]
 
[8] Do Blog VigilantCitizen, 29/5/2012, em: BBC Uses a 2003 Picture from Iraq to Incite War Against Syria

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Arma Secreta de Israel


Arma Secreta de Israel (2003) from Malandro on Vimeo.
.

.Título Original: Israel's Secret Weapon, 2003, (44 minutos)
.Realização: Olenka Frenkiel, BBC.
.Tradução e legendas: Malandro (Português)
.Fundamental! - Sinopse de Malandro
. Enviado por João Pedro (Liberdade 074)

Mordechai Vanunu
A Arma Secreta de Israel é um documentário realizado pela BBC em 2003, que conta a história de Mordechai Vanunu, o denunciante das armas nucleares israelitas, que foi sentenciado a 18 anos de prisão pelo seu Governo, dos quais 11 foram passados em isolamento.

Tendo sido transmitido pela primeira vez em 2003, poucos dias antes do início guerra do Iraque, este é um importante documentário que nos mostra como a suposta “única democracia do Oriente Médio”, raptou um dos seus cidadãos em solo estrangeiro, tendo depois julgado-o secretamente, por este ter revelado ao mundo aquilo que já se suspeitava. Que Israel tem um programa nuclear bastante avançado, calculando-se que o país possui um arsenal nuclear com cerca de 100 a 200 bombas atômicas, as quais, nunca foram inspecionadas pela comunidade internacional.

Este é um dos poucos documentários realizados sobre o assunto e que nos revela também o secretismo existente na sociedade israelita em todos os seus setores.

Um documentário bastante atual. Basta para isso, trocar a então situação do Iraque com a atual situação do Irã, para verificarmos que a retórica usada é mesma. Dois pesos e duas medidas.

O mundo exige tudo do Irã e nada de Israel.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Hackers planejam lançar satélites contra a censura na rede


David Meyer

30/12/2011, David Meyer (editor de Tecnologia), BBC-Londres
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também

A comunidade hacker planeja pôr a Internet fora do alcance dos censores. Para isso, trabalham para pôr em órbita seus próprios satélites de comunicação. O esquema foi delineado no Congresso Caos de Comunicação, em Berlim, em agosto de 2011[1].

Os organizadores do projeto dizem que sua Rede Hacker-espacial Global [ing. Hackerspace Global Grid] também implica desenvolver uma rede de estações em terra, que fará a intercomunicação entre os satélites e as estações em terra.

Como projeto de longo prazo, trabalham para pôr na Lua um astronauta-hacker amador.

Sputinik - 50 anos depois hackers pretendem
colocar em órbita seu próprio satélite.
Amadores e aficionados já puseram alguns pequenos satélites em órbita – quase todos por curtos períodos de tempo –, mas o rastreamento dos satélites revelou-se difícil, para projetos de baixo orçamento.

Nick Farr, ativista hacker, lançou a primeira convocação, à procura de interessados em participar do projeto, em agosto. Disse que a ameaça crescente de censura à internet foi a principal motivação para esse trabalho.

“O principal objetivo é criar uma internet completamente incensurável, no espaço. Precisamos tirar a internet que conhecemos, do alcance dos censores. Para isso, é preciso pô-la fora do alcance das entidades terrestres que funcionam hoje” – disse Farr.

Além dos balões 

Farr lembrou a lei SOPA [Stop Online Piracy Act (Lei de Combate à Pirataria Online) nos EUA, como exemplo do tipo de ameaça que já existe contra a liberdade nas redes e na Internet. Se aprovada, a lei SOPA nos EUA permitirá que algumas páginas na Internet sejam bloqueadas, sob o argumento de que agridem direitos comerciais de autor.

Até agora, todas as ações e intervenções no espaço sideral têm sido prerrogativa de agências nacionais e de empresas gigantes de comunicação. Mas alguns amadores dedicados já puseram em órbita, recentemente, alguns pequenos satélites.

A Rede Hacker-espacial Global [ing. Hackerspace Global Grid][2]

Aqueles “satélites” já lançados foram postos em órbita com balões, mas é extremamente difícil rastreá-los da Terra.

Segundo Armin Bauer, 26 anos, de Stuttgart, que já trabalha no projeto da Rede Hacker-espacial Global, o principal problema são os custos do projeto.

“É perfeitamente possível rastrear os satélites a partir de bases em solo, mas em geral ninguém precisa fazer isso, porque, se você tem muito dinheiro [e usa um foguete para lançar um satélite e pô-lo em órbita], você já põe o satélite exatamente na órbita na qual você deseja que ele fique” – explicou Bauer.

Trabalhando com um prazo de 23 anos, já há a ideia de um projeto aero-hacker-espacial para pôr na Lua um hacker astronauta amador. Bauer explicou que

“É viável, mas muito ambicioso. Então pensamos: vamos começar por uma coisa menor”. 

A rede terrestre de rastreamento 

A conferência de Berlim foi a mais recente, organizada pelo “Chaos Computer Club”[3], grupo de hackers alemão que trabalha há décadas e já comprovou sua influência, não só entre os interessados em explorar ou em aprimorar a segurança dos sistemas computacionais, mas também entre amadores que exploram, como hobby, os limites dos equipamentos e programas de computação.

Quando Farr lançou sua convocação, à procura de interessados em trabalhar no projeto da Rede Hacker-espacial Global, Bauer e outros decidiram concentrar-se nos aspectos da infraestrutura de comunicação do esquema.

Bauer diz que os satélites podem garantir a comunicação, e ajudarão a pôr um amador no espaço sideral. Ele e sua equipe trabalham nessa parte do projeto com o grupo Constellation, iniciativa já existente na pesquisa aeroespacial alemã, que é, basicamente, uma rede interconectada de projeto de estudantes.

No espírito hacker, de sempre defender o código aberto, Bauer e alguns amigos tiveram a ideia de produzir uma rede de estações de rastreamento em terra, de baixo custo, que pudesse ser comprada ou produzida pelos próprios usuários.

Reunidas numa rede global, essas estações poderiam rastrear e localizar os satélites a qualquer momento, o que, ao mesmo tempo, tornaria mais fácil e daria mais confiabilidade à operação dos satélites, de enviar dados de volta à Terra. “É uma espécie de GPS ao contrário” – explicou Bauer.

“O GPS usa os satélites para calcular a exata localização de cada um de nós. O mesmo processo serve também para nos dizer onde estão os satélites. Podemos usar as coordenadas de GPS, mas também podemos melhorá-las, se tivermos pontos fixos, em locais perfeitamente localizados”. 

Armin Bauer
Bauer garante que a equipe já terá três protótipos de estações em terra, na primeira metade de 2012; e, no próximo Congresso de Comunicação do Coletivo Caos, em 2012, espera já poder mostrar alguns modelos em operação.

O equipamento será vendido, sem finalidades lucrativas. Bauer explica que “Nosso preço limite é 100 euros (£84) por estação em terra. É o que o pessoal nos disse que pode gastar para comprar a estação.” 

Complicações

Os especialistas dizem que o projeto do hacker-satélite é exequível, mas enfrentará limitações técnicas.

“Satélites de órbita terrestre de baixa altitude, como os que já foram lançados por amadores, não são fixos: eles se movem em órbita; em teoria, mudam de posição a cada 90 minutos” – diz o professor Alan Woodward do departamento de computação da University of Surrey.

“Não significa que não possam ser usados para comunicação, mas, obviamente, só por curtos períodos de tempo, só enquanto nós os vemos. É difícil ver como esses satélites poderiam ser ligados numa rede viável de comunicação, porque a comunicação aconteceria “com saltos”, mesmo que se reunisse uma constelação de estações de rastreamento em terra”. 

Esse problema pode ser evitado, se os hackers conseguirem pôr seus satélites em órbitas geoestacionárias acima do Equador. Com isso, os satélites acompanhariam o movimento da Terra e estariam como que imóveis, vistos da Terra. Mas isso criaria outro problema.

“Os satélites estarão tão distantes da Terra, que haverá atraso considerável na recepção dos sinais, o que pode interferir em alguns aplicativos de Internet” – disse o professor Woodward. – Mas ainda uma interessante dimensão legal no projeto, porque o espaço sideral não é governado por cada país “abaixo” dele. Por isso, sim, em teoria, o espaço sideral pode ser lugar ideal onde fazer prosperar todas as comunicações ilegais. O corolário, nesse caso, é que cada país tomaria a lei nas próprias mãos e neutralizaria os satélites.” 

A necessidade de construir conhecimento 

Até hoje, satélites foram considerados
caros demais para grupos amadores
Além da rede de rastreamento em solo, outros aspectos da Rede Hacker-espacial Global estão sendo explorados, entre os quais o desenvolvimento de novos objetos eletrônicos que possam sobreviver no espaço, e de veículos de lançamento, para começar.

Segundo Farr, o “único motivo” que inspira a ideia de uma Rede Hacker-espacial Global é o conhecimento. Diz que muitos presentes ao Congresso do Coletivo Caos lembraram que desde a Missão Apollo 17, em 1972, ninguém mais for posto em órbita terrestre.

“Essa comunidade [hacker] pode, afinal, dar algum sentido à ideia de pôr a humanidade de volta no espaço sideral” – disse Farr. – “Nosso objetivo é voltar ao ponto em que estávamos nos anos 1970s. Os hackers não entendem por que, se já tínhamos a tecnologia necessária para nos pôr no espaço desde antes de muitos de nós termos nascido, nunca mais voltamos para lá. Muitos se sentem ofendidos, excluídos”. 

Perguntado sobre se não os preocupam as implicações de segurança da ideia de haver hackers ativos também no espaço sideral, Farr disse que o único problema é “haver quem se interesse tanto por censurar nossa internet.” 

“Os hackers só se interessam por garantir informação livre e aberta” – acrescentou Farr.

– “Nós acreditamos que a comunicação é um dos direitos humanos básicos”. 



Notas dos tradutores
[1]  Veja o programa do “Encontro do Coletivo Caos, realizado em agosto de 2011.
[2]  Leia o Projeto e veja  uma lista de “tarefas abertas”, para quem se interesse em trabalhar junto com o Coletivo Caos.
[3]  Ver 14/11/2011, “30 anos de hacking político”.