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quarta-feira, 10 de abril de 2013

A jornada de Oliver Stone: De Guerreiro da Guerra Fria a “A História Não Contada dos EUA” (Parte 2 de 2)


8/4/2013, Paul Jay entrevista Oliver Stone, TRNN (17’29”) (Parte 2).
Oliver Stone’s Journey from Cold Warrior to America’s Untold History
Oliver Stone and the Curve of the Ball
Entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Assista/leia antes:


JAY: Você viu uma tensão, um dilema, talvez, entre contar histórias, o que exige grandes personagens, heróis e anti-heróis, e falar das forças que conduzem a história, e que absolutamente não tratam desses indivíduos e que de algum modo subjazem a eles? Esse é dilema difícil de resolver numa série em que há tanta história a narrar, mas cuja narrativa tem de ser dramática e que envolve também as pessoas?

STONE: Tive essa mesma preocupação. Quero dizer... Concordo integralmente com Peter. Fizemos uma tentativa de contar de cima para baixo. Mas também a decisão de enfrentar a questão da bomba atômica foi decisão de cima para baixo. O povo não foi consultado.

Nós também lidamos com os movimentos contra a Guerra do Vietnã. Com o movimento pelos direitos civis. Com o movimento pelo congelamento nuclear nos anos 1980s, contra Reagan. Tudo isso se vê no filme. E damos muitos créditos ao movimento sindicalista, em muitos dos avanços de nossa sociedade, sobretudo naqueles capítulos de introdução, que você ainda não viu, mas verá quando forem distribuídos. A morte do movimento sindical trabalhista é coisa que se deveria lamentar mais.

Mas... Estou pensando em termos históricos. Num certo sentido, como diz Paul Kennedy, porque somos um império, porque temos alcance tão imenso – e é claro que outros não podem pagar por toda essa estrutura –, é claro que estamos nos ferindo nós mesmos, nos ferindo aqui, dentro de casa, por mantermos essas bases militares distantes e toda essa infraestrutura. Por que sobreviveríamos só nós, quando todos os impérios da história sempre fracassaram? Se se consideram essas coisas, parece, sim, que andamos naquela direção, porque estávamos avançando e continuamos avançando mesmo depois que os soviéticos sumiram, o nosso inimigo fantasma de 1991. Não paramos. Houve um momento para um dividendo pacífico, mas, de fato, não aconteceu.

...

NARRADOR: Como Harry Truman depois da 2ª Guerra Mundial, ele cercou-se de conservadores antissoviéticos, dentre os quais Dick Cheney como seu Secretário da Defesa, e seu vice-conselheiro para segurança nacional Robert Gates, o homem que ascendeu como vice do fanático William Casey. Todos concordam: aceitar a proposta de Gorbachev enfraqueceria o poder ocidental. Enquanto Gorbachev pregava a eliminação de todas as armas nucleares táticas na Europa, ideia que muitos europeus aplaudiram, os EUA responderam com a exigência de que a União Soviética retirasse 325 mil soldados, em troca de um corte de apenas 30 mil soldados nas tropas norte-americanas.

...

STONE: E em um ano, Bush estava no Kuwait; e nós estávamos no Panamá um mês depois de o Muro de Berlim ser derrubado. Os EUA jamais tiveram qualquer intenção de parar. Os sinais que enviamos a Gorbachev foram claramente expansionistas. A OTAN continuou a crescer com Clinton e Bush.

Mas... O caso é que parece que não estamos no controle do império. Há essa força dominante na história que empurra todos os países na direção de maximizarem o próprio poder. Quando há essa força, ela nunca cede, nunca bate em retirada.

Não sou historiador. Falo pela minha intuição. Acho interessante o Império Otomano, porque durou tanto, tanto tempo, porque, embora fosse império agressivo, não se expandiu nas dimensões em que outros impérios expandiram-se. Os impérios chineses também são interessantes, porque se mantiveram sempre dentro de seus próprios limites, na própria esfera.

JAY: No fim, você disse que a curva da bola poderia ter quebrado de outra maneira...

STONE: É. É isso. É.

JAY: Se tenho algo a contra-argumentar aos seus documentários é que acho que não quebraria de outro modo. Se não tivesse sido Truman, seria algum outro. Que as circunstâncias objetivas estavam ali, na saída da 2ª Guerra Mundial, que seria mundo de uma única superpotência. O sistema faria nascer um presidente que tiraria vantagem daquelas circunstâncias. Havia imensos conflitos militares criados ao final da 2ª Guerra Mundial. Nada os faria sumir.

STONE: “a curva da bola poderia ter quebrado de outra maneira...”, é isso? Foi o que eu disse.

JAY: Sim.

STONE: Lembro disso, porque sinto que poderia ser diferente, nunca se sabe. E nunca se saberá, porque Claude Pepper [1] estava a sete segundos dali. E foi momento de virada, porque acho que Claude Pepper, se tivesse sido eleito ali, conseguiria seduzir toda a Câmara. Tiveram de detê-lo antes. Foi erro grave.

JAY: Para os que não se recordem dos detalhes dessa parte da história, voltem e revejam essa parte dos documentários: Wallace estava às vésperas de obter a indicação do Partido para candidatar-se a vice-presidência. Foi quando fecharam a entrada da convenção e impediram que Pepper entrasse.

...

NARRADOR: Mas poucos lembrarão o quanto Wallace esteve próximo de conseguir a indicação para vice-presidente, naquela noite nevoenta, em julho de 1944, em Chicago. Ali Roosevelt cometeu o maior, mais grave e mais catastrófico erro de sua esplêndida carreira, aceitando a vontade dos chefões do partido, que queriam Harry Truman.

...

STONE: Mas digamos que Pepper tivesse entrado. Teria sido...

JAY: Nesse caso, acho que teria sido assassinado.

STONE: É possível, mas [fala cruzada] uma hipótese.

JAY: Teria sido derrotado na eleição seguinte. Mas o que quero dizer é que aquelas forças político-econômicas que emergiram do modo como o capitalismo desenvolveu-se nos EUA ao longo dos últimos cem anos...

STONE: Mas você não poderia prever – quem teria previsto que Eisenhower se tornaria aquele Guerreiro da Guerra Fria, depois de ter sido o general da 2ª Guerra Mundial? Dulles teve uma influência nefasta sobre ele? Por que, quando Stálin morreu, ele não fez algum esforço para responder de modo mais positivo aos soviéticos? Ou a morte de John Kennedy em Dallas, em 1963, foi assassinato doido, enlouquecido, mas muito bem planejado. Mas ele... Se tivesse prestado alguma atenção, qualquer pequena atenção, que fosse; se tivesse optado por limousine fechada, com capota, se tivesse tomado mais cuidado com ele mesmo, se não tivesse ido ao Texas com Lyndon Johnson, que tanto queria vê-lo lá, se não tivesse ido... Adlai Stevenson sofrera um atentado em Dallas, poucas semanas antes. Tinha havido tentativas contra a vida de Kennedy em Miami, em Chicago. Ele sabia que havia entrado no campo de mira. Não sei por que Kennedy foi tão... não sei como você diria... No documentário, falo de ele posicionar-se “superior ao medo”.

JAY: Voltando... Uma das coisas que sempre me incomodou, intrigou-me, e ainda me intriga mesmo depois de assistir ao documentário, é por que Eisenhower fez aquele discurso contra o complexo industrial-militar (mas não se pode dizer “antimilitarista”).

...

NARRADOR: No memorável discurso de despedida em janeiro de 1961, Eisenhower pareceu ter entendido a monstruosidade que criara. Pareceu, quase, pedir absolvição.

DWIGHT D. EISENHOWER, Presidente dos EUA: Fomos compelidos a criar uma indústria permanente de armamentos de vastas proporções. 3,5 milhões de homens e mulheres estão diretamente engajados no establishment de Defesa. A total influência, econômica, política, até espiritual, sente-se em cada cidade, cada parlamento estadual, cada gabinete do governo federal. Nos conselhos do governo, temos de nos precaver contra a aquisição de influência não desejada, buscada ou não buscada, pelo complexo industrial-militar. Não podemos permitir que, jamais, essa combinação ameace nossas liberdades e processos democráticos.

...

JAY: E dei-me conta de repente, hoje, que foi Eisenhower... Agora sabemos que é um guerreiro da guerra fria. Sabemos que Eisenhower é imperialista. Que quer os EUA dominem...

STONE: É. É dos piores.

JAY: ... o mundo. Você mostra isso bem claramente...

STONE: Intervieram em tantos países pela primeira vez. Países do Terceiro Mundo, em nível muito muito extenso.

JAY: E fixaram todo o padrão. No seu filme, você fala do Irã. Poderia ter falado também do desenvolvimento dos sauditas em termos de projetarem o poder dos sauditas por todo o Oriente Médio e noutras e noutras partes.

STONE: Aí está. Isso também começou com Roosevelt.

JAY: Sim, no encontro com Ibn Saud, sim. Mas o que Eisenhower diz é que não deixem que a política externa seja orientada por interesses econômicos de curto prazo, dos fabricantes de armas! Construam projeto imperialista mais racional que simples projetos de poder. O que me preocupa é se não estamos vendo exatamente isso, na fala de Obama sobre o Irã. O Irã não é nosso problema; nossa estratégia tem de ser nós todos olhando para a China. E isso é a abordagem imperialista racional, cercar a China; o Irã seria distração, onde os outros estariam como que mais arrastados por interesses de curto prazo desse complexo militar.

STONE: [fala cruzada] os neoconservadores.

JAY: É, os neoconservadores, sim.

STONE: Há, sim, aquela direita dura, nos EUA. Está mais forte, mas existia em 1946. Começou a existir na era Roosevelt. Roosevelt combateu-os com sucesso, Mas eram, eu diria, direita radical. Começou a aparecer a partir da 2ª Guerra Mundial, em 44, livrando-se de Wallace, em nas eleições de 46. Os Republicanos diziam que só se podia ser ou Republicano, ou comunista. Basicamente, era isso. Diziam que os Democratas estavam em conluio om os comunistas. Acusavam Truman de viver cercado de espiões comunistas, que seu governo era cheio de vazamentos, espiões, que dormiam com comunistas. Foi insano, uma loucura. E continua hoje. Aí estão os iranianos, os norte-coreanos demonizados.

Mas você está certo. A questão maior ainda é o imperialismo de Obama. É um Eisenhower, no sentido de que está empurrando o jogo para o leste. Mas decidiu que, há alguns anos, quando íamos destruir o Irã... Quer dizer, íamos destruir o Iraque, depois o Afeganistão. Foi o que Hillary Clinton disse. Agora, estamos olhando para a China, o tal [movimento de] “pivô” para a Ásia.

...

NARRADOR: Em novembro de 2011, a secretária de Estado Clinton jogou a luva na direção da China, quando escreveu: “Com a guerra no Iraque já arrefecendo, os EUA começando a retirar suas forças do Afeganistão, estamos num movimento de pivô”. E disse que esse seria “o Século do Pacífico”, para os EUA. Falava de envolvimento militar substancialmente aumentado na região do Pacífico Asiático para conter a China.

...

JAY: O que quero dizer é que acho que Obama é essencialmente “brzezinsquiano”.[2]

STONE: “brzezinsquiano” ou “kissingeriano [3]?

JAY: Bem... Brzezinski é contra qualquer guerra contra o Irã, pelas mesmas razões: porque a questão tem de ser a China.

STONE: Acho que os EUA estão cometendo erro imenso com todas essas pessoas. Temos de modificar nossa política externa. Temos de aceitar o que chamo de equilíbrio regional, poder regional. E, de certo modo, acho que Kissinger, se vivêssemos em mundo perfeito, concordaria comigo nisso: que é necessário algum equilíbrio de poder.

E somos hegemônicos, hoje; somos única potência dominante, e queremos continuar a ser. Foi o que Hillary Clinton anunciou. E Obama reafirmou a mesma coisa, não reafirmou?

Mas... Em que pé estamos? Não conseguimos fazer nada disso. E como Alfred McCoy lembra, no episódio n. 10, é com se fosse possível para nós avançar contra as expectativas, ganhar, com larga margem, contra as expectativas. Ele lembra que os nazistas também supuseram que poderiam dominar, com tecnologia, eternamente.

...

NARRADOR: O historiador Alfred McCoy delineou o que realmente está em jogo, ao escrever que, já em 2020, o Pentágono conta patrulhar incessamente, incansavelmente, com um escudo triplo numa nave espacial, que alcançará da estratosfera à exosfera, comandada por drones armados com mísseis ágeis. Esse escudo triplo deve impedir completamente a visão de um exército inteiro: bloqueará as comunicações, a aviônica e a navegação naval. Mas, como McCoy alerta, a ilusão da invencibilidade e informação tecnológica sobre missões já derrotou muitas nações arrogantes no passado – como o provam o destino da Alemanha na 2ª Guerra Mundial e dos EUA no Vietnam. Com trágica ironia, McCoy nos lembra que o veto dos EUA à letalidade global pode ser um equalizador para qualquer perda de força econômica; e que o destino dos EUA pode ser determinado pelo que vier primeiro nesse ciclo de um século: o débâcle militar a partir da ilusão do controle tecnológico; ou um novo regime tecnológico, suficientemente poderoso para perpetuar a dominação global dos EUA.

...

STONE: Obama, ao destruir o Iraque e o Afeganistão, anunciou que estaria, basicamente, “pivoteando-se” na direção da Ásia. E está – embora não tenhamos poder militar de proporções iguais ao que dizemos – fazendo cortes na infantaria e, claro, mandando mais dinheiro para a ciberguerra. Implica que ainda estamos buscando a dominação de pleno espectro em todo o mundo: em terra, ar, mar, espaço e ciberesepaço.

E estamos lá. Sempre anunciamos nossos novos programas, como no ciberespaço, como manobra defensiva contra a superioridade de outro sistema, ou russo, ou chinês ou o sistema iraniano. Mas somos nós, nós, que instituímos a ciberguerra contra o Irã! E agora, quando recebemos como resposta esse Stuxnet, nem sei o nome da coisa, esses vírus que mandam por aí, é preciso parar e pensar quem começou tudo isso. E fomos nós, com tecnologia.

Se vendemos 78% das armas que se vendem no mundo, estamos gerando o problema, porque vamos tornando o mundo mais intenso, mais feroz. Enviamos – $12 bilhões em armas vendidas, “made by” Mr. Obama, para Taiwan, ao longo de dois anos, 2010 e 11, me parece. Os chineses estão enfurecidos. Fizemos alianças militares, armamento vendido ao Japão. O Japão está hoje pesadamente armado. E a Coreia do Sul, Filipinas, Austrália, Vietnam, Tailândia. Se eu fosse chinês, não estaria confortável com os EUA. Mas como Peter e eu dissemos no documentário, é muito parecido com a política de contenção que mantivemos e usamos contra a União Soviética.

JAY: É. Há esse grupo em Washington (acho que se autodenominam “grupo azul” – é uma espécie de grupo de política externa cujo pressuposto central é que o caso é a China; o Irã distrai nossa atenção do que interessa. A questão é a China.
Mas, já estamos quase sem tempo e sei que você tem de correr, mas. Por favor, permita que apresente outro tipo, outra espécie de crítica.

STONE: Sim.

JAY: Você encerra a série de documentários com uma frase do presidente Kennedy, que diz, essencialmente, que estamos todos no mesmo planeta, respiramos o mesmo ar. E na entrevista, você muitas vezes falou de “nós” – que estamos fazendo isso, que estamos fazendo aquilo. Você sabe que há certa gente nesse país que se aproveita de toda essa política externa, e muita gente, não. O presidente Obama vive a dizer que estamos todos no mesmo barco, que não há estados Republicanos e estados Democratas, só Estados Unidos. E até Jon Stewart faz isso, em The Hill, todos, sempre essa conversa de que estamos juntos nisso. Mas não estamos. Não estamos juntos. Você sabe que somos sociedade onde há uma elite. E pode-se dizer que essa política é boa para eles, para a elite. Absolutamente não é boa para o resto de nós.

STONE: Não. Parece haver quatro setores que governam o país. Um seria o Pentágono. E Wall Street e, na Wall Street, o mercado de ações. E o governo dos EUA mais ou menos também participa, como um terceiro elemento. E pode-se incluir, como quarto setor, a imprensa-empresa. Diria que esses quatro setores dominam o modo como pensamos e como agimos.
E “nós”, “nós” é o governo. Um “nós” oficial. O outro “nós”, não oficial, a maioria, a vasta maioria. E como fazemos para reaver, para nós, o poder?

...

NARRADOR: A história mostrou-nos que a curva da bola poderia ter quebrado de outro modo. Esses momentos voltarão, sob outra forma. Estaremos preparados? Acalmar as situações que aconteçam, deixar as coisas acontecerem sem hiper reagir, ver o mundo também como o veem os nossos adversários, isso depende de partilharmos as necessidades de outros países com empatia e compaixão verdadeiras, confiar num desejo coletivo desse planeta que quer sobreviver para a próxima era, depois de termos posto fim às ameaças de aniquilação nuclear e aquecimento global. Não podemos nos despir de nosso excepcionalismo e de nossa arrogância? Não podemos pôr fim à conversa da dominação? Não podemos parar de pedir que Deus abençoe os EUA, acima de todas as demais nações? Nacionalistas e políticos de linha dura em geral se oporão, mas a via deles, já se sabe, não é a melhor via.

...

STONE: Quero dizer que acredito em fazer as coisas atentamente, uma a uma, uma de cada vez, em andar por aí e ver. Acredito em jabear, proteger-se e provocar, para que eles se desgastem, até poder atacar, como no boxe, porque são forças muito grandes, muito vastas. Mas acredito que se quebrarão por dentro. A curva da bola pode quebrar de outro jeito. Acredito nisso.

[agradecimentos e despedidas. Fim da entrevista] 



Notas dos tradutores

[1] Claude Pepper (1900-1989) foi eleito senador pela Flórida, pelo Partido Democrata, em 1936 (eleições extra, depois da morte do representante da Flórida). No Senado, tornou-se um dos mais destacados defensores e propagandistas da política do “New Deal” e aliado muito próximo do presidente Franklin D. Roosevelt. Era homem excepcionalmente inteligente, orador articulado e tinha contatos profundos com os principais sindicatos norte-americanos. Várias vezes liderou o bloco de mais extrema esquerda representado no Senado. Foi reeleito em primárias disputadíssimas em 1938, o que solidificou sua posição como o mais destacado senador do campo da esquerda no Congresso dos EUA (...). Em 1950, o presidente Harry Truman convocou outro político Democrata da Flórida, que disputava os mesmos votos que Pepper – George Smathers –, para reunião na Casa Braca; reza a história, que, ali Truman teria dito a Smathers: “Quero que você me faça um favor: acabe com a raça de Claude Pepper, aquele comunista filho da puta”.

[2] Adjetivo derivado do sobrenome de Zbigniew Brzezinski, conselheiro militar de Jimmy Carter.

[3] Adjetivo derivado do sobrenome de  Henry Kissinger; Kissinger foi conselheiro para a política estrangeira de todos os presidentes dos EUA de Eisenhower a Gerald Ford, ainda ativo. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

A jornada de Oliver Stone: De Guerreiro da Guerra Fria a “A História Não Contada dos EUA” (Parte 1 de 2)


8/4/2013, Paul Jay entrevista Oliver Stone, TRNN  (17’40) (Parte 1).
Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu


PAUL JAY, editor sênior de The Real News Network, TRNN: Bem-vindos a The Real News Network. Sou Paul Jay.

O documentário em dez episódios, A História Não Contada dos EUA [The Untold History of the United States [1]] desmonta grande parte da narrativa convencional da história dos EUA pós-Guerra Fria. Organizamos uma série em vários episódios, com Peter Kuznick, coautor do documentário, com Oliver Stone.

Oliver Stone, como muitos de vocês sabem, é um dos mais celebrados cineastas norte-americanos. Tem três Óscars, como diretor e roteirista. É veterano da Guerra do Vietnam. Fez quase duas dúzias de filmes aclamados, entre os quais Platoon, Wall Street, Nascido em 4 de julho, JFK, Nixon, W., e Wall Street e Wall Street 2.

Agora, Oliver Stone, com Peter Kuznick, produziu esse seriado em dez episódios, que está no ar no canal Showtime, The Untold History of the United States [A História Não Contada dos EUA. Hoje, conversamos no estúdio com Oliver.

Obrigado por nos receber.

OLIVER STONE: Obrigado, Paul.

JAY: Então, antes de tudo, parabéns. Vocês enfrentaram alguns dos assuntos tabu, da história dos EUA. Não preciso repetir, porque já discuti com Peter. Ainda estou surpreso, de certa maneira, por o documentário estar sendo exibido no canal Showtime [2].

Mas comecemos pelo fim do seriado. E o último episódio trata do final do governo Bush e início do governo Obama. E o presidente Obama, quando candidato em 2008, quando alguém lhe perguntou sobre as raízes de seu projeto de política externa, respondeu que começavam com Truman e terminavam com Reagan. Essa, me parece, é a tese de fundo, do seu filme. Todo o arco da série é uma demonstração de que a política do presidente Obama é um continuum. Que continua aquela política externa dos EUA. Fale um pouco dessas raízes e de porque você entende que Obama segue um continuum.

STONE: É isso mesmo. Você conhece a palavra teleológico? Sabe o que significa? [3]

JAY: Sei.

STONE: Foi a palavra que me ocorreu, quando você falava sobre isso. E pensei: o único modo de pensar sobre o filme é do fim para o começo. É preciso conhecer o fim da história, para desemaranhar o início. E sempre foi essa a minha ideia.

JAY: Pensei nisso, porque é assim que se deveria ensinar história. Observar o que acontece hoje e partir, do presente, para o passado.

STONE: [fala cruzada] ... e andar para trás. É. O que vivemos hoje é o que conhecemos... mas não vemos o passado. É o que chamo de “tirania do agora”. Somos soterrados por detalhes e eventos diários, e somos arrastados nesse vento.

Aí está a beleza de poder parar e fazer isso que fizemos, Peter e eu. É um projeto imenso que começa nos anos 1940s. De fato, começa em 1900, e estão em produção dois capítulos extras, o prólogo. Os capítulos A e B serão lançados em DVD em setembro-outubro, pela Warner Brothers, uma caixa, com 12 horas de filme. Mas o que você disse sobre Obama, sim, é o meu pensamento.

JAY: E anda para trás até McKinley, não é?

STONE: É. Até McKinley e Bryan na eleição de 1900, e daí prossegue, até as duas guerras.

A Primeira Guerra Mundial é imensa. É a mãe de todas as guerras. É a mãe da Segunda Guerra Mundial.

Mas, sabe... Eu me fiz a mesma pergunta. Quando decidi iniciar esse projeto, em 2008. Estava, então, com 62 anos. E pensei: estou chegando ao fim de minha pequena passagem por aqui. E quero saber: Que negócio foi esse, Oliver? Sabe, qual o sentido disso tudo? O que significou? O que ficou escondido. Porque a coisa toda começou, para mim, na semana em que Wallace, Henry Wallace, foi demitido. Nasci naquela semana. Uma espécie de ironia. Na semana daquela coisa toda [o discurso de Wallace e sua demissão] no Madison Square Garden[4]

Nasci em New York, meus pais eram norte-americanos típicos daquela geração otimista da 2ª Guerra Mundial. Meu pai era militar. E o mundo era tão grande, tão luminoso, e New York era o centro daquele mundo. E eu estava ali. Ironicamente, acabei indo para o Vietnam. E minha vida, você sabe, parte dela, o cinema, os filmes... Acho que tentei escapar outra vez para o mundo da fantasia.

Mas fato é que toda a minha geração, meus colegas na Universidade de Yale, a Hill School, quase todos eles tornaram-se os principais agentes do poder do meu tempo: Bill Clinton. George Bush foi meu colega de turma, em Yale, turma de 68. E era típico daquela geração de títulos e privilégios, que assumiam que os EUA eram o centro do mundo e nós tínhamos o direito de fazer o que quiséssemos.

JAY: Uma geração e uma classe.

STONE: É. E aquele direito nos fora dado pela bomba. E, hoje, já ninguém sabe disso. É o que mais me assusta. Quero dizer, todos sabemos, mas é como se não soubéssemos. Não reconhecemos. E muito me incomoda. Acho que... porque sou dramaturgo, parte do que faço é entrar pelo subconsciente da geração, o subconsciente da raça, e tento trazer à tona coisa primais, coisas sobre as quais não se fala nas festas, nos coquetéis.

Sempre senti, no meu coração, que tudo mudou, nos EUA, com a bomba atômica. A bomba nos deu o direito de fazer o que quiséssemos. E, porque a bomba tinha poder, nós tínhamos o poder ao nosso lado. E se tínhamos a força, tínhamos o direito. Para nós, tudo se misturou: a força com o direito; a força e a habilidade de fazer o bem. Como se fazer o bem fosse consequência automática de ter a força. E assim fomos, até aqui, onde inventamos nossa própria moral, enquanto avançávamos. Nunca pedimos desculpas! Nunca sequer consideramos a possibilidade de pedir desculpas por ter lançado a bomba atômica sobre o Japão. Nunca nos ocorreu que fosse necessário, porque sempre pensamos que era necessário, para pôr fim à guerra.

E a saga da minha vida começa com o clímax da 2ª Guerra Mundial. E vencemos com a bomba atômica. O Japão foi destruído. Não há mito maior que esse. É falso. Acho que conseguimos elaborar essa história com detalhes. A bomba é o mito fundante da sociedade norte-americana. Estou tentando dar conta de sua pergunta sobre Obama, porque estou indo ao fundo, para chegar ao fim, hoje.

JAY: É, porque também aconteceu por ação do Partido Democrata. O partido Democrata estava no poder. Foram os Democratas que construíram e lançaram a bomba atômica.

STONE: É. Sim. O Partido Democrata, com poucas exceções, formou um dueto com o Partido Republicano. 1946 foi um ano chave. Ano da primeira eleição pós-guerra. As eleições parlamentares de 1946, trouxeram os Republicanos fumegando, de volta a Washington. Havia muita gente muito furiosa, com tudo aquilo, contra Roosevelt.

E Roosevelt adivinhou. Acho que aí está uma provável razão pela qual se separou de Wallace, ou virou-se contra ele. Acho que farejou um retorno dos conservadores, já de volta desde 44. Todos os chefões partidários e os Democratas fizeram campanha para livrar-se de Wallace e substituí-lo por Harry Truman.

Mas os Republicanos, de fato, todo o país, também tinham medo, depois da guerra. Todos temiam uma recaída numa depressão. O medo foi espantado pela “nossa força”, a bomba, a arma nuclear – podíamos ameaçar quem quiséssemos. Lançamos a bomba contra o Japão. Mas sentimos – como disse Edward R. Murrow – sentíamos medo. Havia medo no ar, e ninguém conseguia localizá-lo, explicá-lo. Os russos demoraram ainda três anos para ter a bomba. Mesmo assim, estávamos com medo. E os Republicanos aproveitaram-se desse medo nas eleições. Assim, Truman estava, em certo sentido, também reagindo ao medo.

O medo sempre foi predominante na minha vida – medo da bomba, medo de crescer, medo de ser atacado pelos russos. Estava lá. Meu pai costumava falar da conspiração mundial dos russos, que tentariam tomar o poder mundial. Para mim, era verdade bíblica, como Deus. Quero dizer, ele acreditava nisso, que os russos eram o inimigo. A China era também aliada deles e a Guerra da Coreia inflou esses medos. E quando fui para o Vietnam, sabe, eu era um indivíduo com muito medo, como muitos norte-americanos.

E olha-se então para o que temos hoje, com o Sr. Obama, e é triste, porque não aprendemos. Por isso nós escrevemos esse livro e fizemos o documentário seriado. Na esperança de que as pessoas digam, aquela história é mito que nos foi impingido. A história real é essa. Eis o que os EUA fizeram nesses anos. E se fôssemos capazes de encarar a verdade, firme e honestamente, como tanta gente derrotada em guerra encara suas verdades – os alemães, os cidadãos alemães, encararam suas verdades alemãs; os japoneses encararam as verdades japonesas. Precisamos, francamente... Precisamos ainda de uma enorme derrota, da qual aprender. Nunca fomos derrotados.
JAY: E quando você exibe o documentário e fala com pessoas que votaram no presidente Obama, e em Hollywood ainda há muita gente ainda muito entusiasmada com o presidente Obama, e toda aquela mentalidade, essa gente, encarando a verdade da própria história. Parece que não conseguem....

...

JAY: Quando você falou com gente em Hollywood, que continua entusiasmada com o presidente Obama, gente que racionaliza esses ataques com os drones, que consegue racionalizar essas leis NDAA que... você sabe, permite que os militares mantenham pessoas presas por tempo indefinido... Eles encontram meios para racionalizar e continuam a repetir que estão certos, que são os “mocinhos”, que ainda vivemos em democracia, que ainda defendemos a democracia, que somos os civilizadores, os senhores da moral.

STONE: Está tudo fora de lugar. Tudo. Tudo de cabeça para baixo. E teleologicamente de pés para cima. E como olhar por um telescópio. Mas não se vê a própria imagem. É como se a imagem estivesse “flipada”, como se faz no cinema. Pode-se inverter tudo, pegar a história, chacoalhar e mostrá-la ao contrário, exibi-la de cabeça para baixo e pés para cima, ao contrário do esperado, para ver melhor. Pegue um aluno de história, faça-o ver os fatos, faça-o debater, debate real, sobre tudo isso, e tome cada um desses eventos, da bomba atômica até hoje – e é obrigatório começar pela bomba atômica, que mudou tudo. Pode-se começar pelo próprio conceito da 2ª Guerra Mundial e o papel dos EUA na 2ª Guerra Mundial.

E se se puder ter esse debate com um aluno, pelo menos há chance de sermos mais humildes, e há chance de entender que nem todos nós somos o mal, mas que com certeza não somos todos bons, não fomos tocados pela divindade e que Deus não está do nosso lado.

JAY: Bem, você estava dizendo que cresceu acreditando em muito dessa mitologia. Quando foi que a ficha caiu, para você?

STONE: Cresci, mesmo. Por isso acho que posso... A ficha, no meu caso, caiu aos 40 anos. As pessoas dizem que fui para o Vietnam e voltei radical. Nada disso. Fiz um filme sobre um homem ao qual isso aconteceu, Ron Kovic [Nascido em 4 de julho, 1989], que é um sujeito maravilhoso. Voltou numa cadeira de rodas e furioso, e entendo por quê. Eu era mais bobo, mais apático, digamos apático. Ou entre uma coisa e outra. Demorou vários anos, depois de voltar, para... Fiquei em cima do muro. Com certeza não me sentia bem com o Vietnam. Mas falando com outras pessoas, me autoeducando. Nasci numa família profundamente conservadora, compreenda... Republicanos. Eisenhower, Castro é o demônio, Kennedy era o demônio, Roosevelt sempre foi o arquidemônio.

JAY: Esse era o seu sistema de crenças.

STONE: Era o meu contexto. Lá pelos anos 1970s, com as audiências sobre Watergate e a Comissão Church, comecei a ter brigas terríveis com o meu pai sobre essa coisa toda. Ele sempre chamou o Vietnam de “ação policial”. Feria meus sentimentos, porque participei de combate ativo, muitas vezes, e ele me feria quando dizia “pare com isso, o Vietnam não foi como a 2ª Guerra Mundial, não passou de ação policial”, como se quisesse esconder um erro debaixo do tapete, como a Coreia estava metida sob o tapete.

Mas, não, comigo, não. Não foi “ação policial”. Foi guerra enorme – e hoje sabemos, pelas baixas e pela quantidade de vietnamitas mortos, que foi guerra massiva, massiva, e suja, muito, muito suja.

Mesmo assim, só à altura dos anos 1980s – sou lento mesmo. Mas você tem de me acompanhar. Estou em cima do muro. Acredito na Comissão Church. Estou horrorizado, ao saber o que a CIA faz, os golpes.

Lá pelos anos 1980, Reagan foi eleito. Ainda apoiei Reagan, acredite ou não, porque Carter, para mim – ainda acreditava na imprensa, acreditava que Carter tinha feito um estrago e acreditava que Reagan podia acertar as coisas. Então, em 1984, foi para a América Central, com Richard Boyle, para fazer Salvador [1986]. E, de repente, tive essa espécie de flashbacks, porque via soldados norte-americanos nas ruas de Tegucigalpa, em Honduras, homens e mulheres uniformizados, parecidos comigo no Vietnam... e contam a mesma história sobre o que fazem ali, aquela história, você sabe – os comunistas estão ali, ao lado, na Nicarágua, e vão invadir... – Basicamente, Reagan estava ali, dizendo que os comunistas vão atravessar a fronteira e... os russos os apoiam, os cubanos os apoiam, armas, suprimentos. E então, ali eu já sabia que aquilo tudo era mentira, merda. Fui a Salvador, a Honduras, à Guatemala, que é um pesadelo de esquadrões da morte, e Reagan... De repente, vi Reagan de outro modo, sob outra luz. Voltei aos EUA. Fiz Salvador – não sei se você assistiu, mas...

JAY: Sim, assisti.

STONE: ... é filme progresssista, com visão progressista de Salvador.

JAY: Sem dúvida, é. Ia dizer que ninguém jamais suporia que aquele cineasta tenha saído de tantas ideias da Guerra Fria.

STONE: É, saiu. Saiu do abuso contra os camponeses, as classes empobrecidas. E tudo isso estava lá, também, no Vietnam. Vietnam e América Central, para mim, era a mesma coisa. E sofri por aquele povo. E fiz o filme.

E daí em diante, já aos 40 anos – bem tarde, na minha vida - comecei a reexaminar realmente essa coisa toda e lentamente. Porque cada um daqueles filmes – JFK,Nixon, os filmes do Vietnam – levou-me para diferentes locais de pesquisa. E em Washington tinha pesquisa de frente – sobre Nixon, aquela coisa toda, JFK.

Fiquei chocado com o que vi para fazer JFK, porque estávamos tentando lidar honestamente com transparência, num governo transparente. Chocou-me muito que o movimento conservador nos EUA tenha atacado tanto o filme. Porque eu acreditava que os conservadores se alinhariam conosco. Goldwater dizia, transparência, façamos as coisas com transparência, vamos descobrir o que realmente aconteceu. Mas ninguém queria descobrir coisa alguma. Assim, a imprensa, de repente, pôs-se mais violentamente contra mim, mais que nunca, porque me atacavam de todos os lados, no caso desse filme, JFK, dizendo que eu falsificara a história.

E assim fui andando. E em 2008, quando fiz W., que foi minha tentativa para falar da presidência de George Bush com esse viés de humor, porque era tudo tão ofensivo – uma sátira, digamos assim – que era o que nós víamos.

Agora decidi que tenho de ir além e, pelos meus filhos, fazer uma coisa maior, mais definitiva, e tentar lidar com a coisa toda, tudo que vi desde os anos 1940s até agora. E a história de Peter Kuznick, com Henry Wallace sendo despachado para fora da cena, em 44, amarra-se muito ironicamente com a bomba atômica. Assim sendo, se você quer falar sobre bomba atômica, achamos que esse poderia ser a porta de entrada – voltar até Wallace nos levou logo à história da bomba, à candidatura Truman. E assim chegamos à Guerra Fria.

JAY: OK, obrigado. Esse encontro continuará.

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Não perca!
A jornada de Oliver Stone: De Guerreiro da Guerra Fria a “A História Não Contada dos EUA” (2 de 2)
8/4/2013, Paul Jay entrevista Oliver Stone, The Real News Network, TRNN (17’29”) (Parte 2).



Notas dos tradutores

[1]  Baixam-se alguns episódios, legendados em português, em: Oliver Stones Untold History Of The United States.

[2]  Episódios gratuitos em: Oliver Stone's Untold History of the United States (Website). Alguns episódios gratuitos em Showtime (Website)  (ambos em inglês).

[3]  Teleológico. Adj. 2 fil que relaciona um fato com sua causa final (diz-se de argumento, explicação ou conhecimento). Houaiss.  
[4]  Discurso, no Madison Square Garden, em que Wallace argumentou contra a obcecada preocupação dos EUA com os russos:

Para alcançar paz duradoura, temos de estudar em detalhe o modo como se formou o caráter dos russos. (...) E acrescente-se a tudo isso a tremenda potência emocional que o marxismo e o leninismo dão aos líderes russos. É absolutamente evidente que enfrentamos uma força que não conseguiremos manobrar com políticas de “endureçam mais contra os russos. Ataquem antes”. “Atacar” jamais trouxe benefício verdadeiro e duradouro – nem para crianças malcriadas, nem para empresários, nem para potências mundiais. Quanto mais endurecermos, mais os russos endurecerão.

Dias depois, em 20/9/1946, o presidente Truman demitiu-o do cargo de secretário [ministro] da Agricultura, acusando-o de “pôr sob risco a segurança dos EUA”. E Roosevelt excluiu-o de sua chapa, onde concorria como vice-presidente às eleições daquele ano. Wallace é conhecido como “o último New Dealer” (NTs com informações de The Wrong Ways, “Henry Wallace: The Last New Dealer”)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

AO SUL DA FRONTEIRA – Documentário de Oliver Stone (Completo - 8 partes)

Num momento em que o Brasil elege a Sra. Dilma Rousseff como a primeira Presidenta da República em toda sua história, quebrando com isso preconceitos e tabus conservadores predominantes em nossa sociedade que é ainda machista; num momento em que no Uruguai foi eleito - tal como aconteceu com a Sra.Dilma - um ex-guerrilheiro como Presidente da Republica, o pequeno agricultor Sr. José Mujica; num momento em que a Sra. Cristina Kirchner poderá ser reeleita no próximo ano Presidenta da Argentina; num momento em que o Sr. Hugo Chávez radicaliza a revolução bolivariana da Venezuela rumo ao socialismo – nesse momento histórico para a América Latina e mundo, surge um dos documentários mais esperados do ano! Do aclamado diretor Oliver Stone estadunidense, “South of the Border” é certamente um filme que irá fazer despertar muita gente!

A imprensa latino-americana é por tradição alinhada com a norte americana. Se pensarmos que esses grupos na verdade fazem parte de oligarquias que não só atuam na midia, mas também nas grandes petroleiras, nas empresas farmacêuticas multinacionais, nos grandes bancos, etc. e que detém cerca de 80% de todos os canais de TV, das rádios, jornais e revistas do mundo ocidental, fica fácil saber o porquê desse alinhamento.

E não é difícil notar que tais grupos constantemente influenciam a opinião pública através de notícias plantadas, embasadas na idéia equivocada de que sempre estamos sendo ameaçados por alguma terrível nação ou ditador, que merecem, por isso, serem alvos de golpes de Estado e Guerras (caso típico da guerra contra o terrorismo desencadeada pelos Estados Unidos em nível mundial ou do medo de que as necessárias mudanças estruturais realizadas nos paises periféricos possam ameaçar o “establishiment neoliberal” dos paises centrais. 

Mas, nos últimos anos, a América do Sul mudou radicalmente a forma de ver seus governantes. Apesar de 95% da mídia tradicional massacrar diariamente os presidentes “desobedientes” em relação às políticas dos Estados Unidos, todos contando com enorme apoio popular, mas mesmo assim o povo está reagindo e por isso tais governantes continuam sendo eleitos ou reeleitos. 

Provavelmente o mais desobediente de todos seja Hugo Chávez, e que por isso seja tão demonizado por quase toda a mídia internacional. Essa demonização é arquitetada atualmente pela Sra. Hillary Clinton digna representante do sionismo internacional que juntamente com seus aliados capitalistas europeus ocidentais estão substituindo à altura o renegado e odiado George W. Bush e seus aliados neoconservadores.  

O documentário visa justamente quebrar alguns dos mitos criados pela mídia oligárquica, desmascararando as mentiras noticiadas frequentemente e trazendo uma mensagem de esperança para o surgimento de sociedades mais justas e equânimes. A Integração Latina Americana, está atualmente embasada no fortalecimento do MERCOSUL, da UNASUL (União das Nações da América do Sul), do BANSUL (Banco do Sul), da TELESUL, da ALBA (Aliança Bolivariana dos Povos das Américas) e da futura CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) onde os Estados Unidos e Canadá não participarão. Uma integração não meramente de retórica, mas extremamente prática e objetiva.

Os endereços dos vídeos estão abaixo transcritos e foram divididos em 8 partes devido ao fato de que não podem ultrapassar certos limites de tempo quando reproduzidos no YouTube. (legendas em português)

Saudações
Jacob David Blinder









Enviado por Jacob David Blinder e Vanderley Caixe