Num
momento como esse, é preciso denunciar novamente que
as “ocupações” dos morros pelos militares e policiais não têm nada a ver com o
combate ao tráfico (de drogas e de armas) ou ao “crime organizado”, e sim com
uma reorganização dessas atividades tão lucrativas. Além disso, passam pela
reorganização da própria cidade, sempre pautada pela especulação imobiliária e
pelo interesse dos grandes grupos econômicos, e nunca pelos interesses da
população pobre.
Mas,
como de costume, nesse tipo de situação acontece uma mágica; os governantes e a
grande mídia transformam invasão em “ocupação; militarização em “pacificação”;
já o terror é chamado de “ordem”; o medo vira “respeito”; a especulação
imobiliária passa a ser “interesse social”, e por aí vai.
Todo
mundo sabe que a maior parte do dinheiro que o tráfico movimenta não fica na
quebrada, mas sim no bolso dos grandes empresários, banqueiros, políticos,
juízes, etc., pelo mundo afora. Outra parte importante vai para a polícia. Não é
à toa que as milícias, que aterrorizam várias quebradas cariocas, e estão se
expandindo cada vez mais (não só na cidade do Rio de Janeiro, mas em vários
estados do Brasil) são formadas principalmente por
policiais, na ativa ou não, cada uma
ligada a vereadores, deputados estaduais, federais, juízes, membros da
Prefeitura, do Governo estadual, etc. E essas milícias estão envolvidas não
somente com a extorsão, mas com o tráfico de drogas e de armas.
O
verdadeiro crime organizado tá na direção do Estado e das grandes empresas. E os
que fazem a tal “política de segurança” são os mesmos que lucram com as chamadas
atividades criminosas.
Haja hipocrisia…
Enviado por Rede Extremo Sul

