sábado, 30 de março de 2013
O Lado Negro do Chocolate
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Adolescentes e outros 43 são libertados do cultivo de morangos
Duas fazendas na região de Pouso Alegre (MG) foram inspecionadas. De acordo com auditora que esteve nos locais, 46 trabalhadores enfrentavam péssimas condições sanitárias e estavam perigosmente expostos a agrotóxicos
Por Rodrigo Rocha
Duas adolecentes de 14 e 16 anos de idade e outro jovem com menos de 18 foram libertados de condições degradantes, junto com outras 43 pessoas, de duas áreas produtoras de morango na região de Pouso Alegre (MG). A operação envolveu a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
As vítimas estavam no máximo há quatro meses nas fazendas e eram moradores da região. Elas eram responsáveis pela limpeza das plantações e colheita, seleção e embalagem dos morangos; alguns ainda eram responsáveis pelo preparo e aplicação dos agrotóxicos.
Segundo a auditora da SRTE/MG, Valéria Guerra Mendes, o principal problema que determinou o resgate foi a condição degradante, combinada com a perigosa exposição aos agrotóxicos. "A situação era de risco grave e iminente por conta da possibilidade de contaminação por agrotóxicos e das péssimas condições sanitárias. A situação era de trabalho degradante, uma das características do trabalho análogo ao de escravo".
As libertações ocorreram em duas propriedades. O Sítio Pinhal, em Estiva (MG), de propriedade de Nelson Luiz Pereira, possui cerca 500 mil pés de morango. No local, foram encontradas 24 pessoas em situação degradante, duas delas eram jovens com menos de 18 anos de idade (um rapaz com 17 e uma adolescentes de apenas 14) e oito eram mulheres.
A segunda área pertence a Sebastião Roelto Andrade. Os sítios Pinhalzinho dos Policas e Lagoinha formam um imóvel único que ocupa área contígua nos municípios de Itapeva (MG) e Senador Amaral (MG). Neste caso, foram libertadas 22 pessoas: nove mulheres, incluindo uma jovem de 16 anos. Mais de 300 mil pés de morango eram cultivados no local.
Na fazenda de Nelson Pereira, oito trabalhadores não eram registrados e recebiam como diaristas. Outros 15 ainda estavam com anotações irregulares na carteira de trabalho. Foram encontrados problemas como ausência de locais para refeição e de pausas para descanso. A conservação, manutenção, limpeza e utilização de equipamentos para a aplicação de agrotóxicos eram realizadas sem nenhum tipo de treinamento e proteção.
Os produtos eram armazenados em local inadequado, uma espécie de rancho onde eram também selecionadas e embaladas as frutas. Segundo a auditora do SRTE/MG, ainda havia a construção de um banheiro que não tinha nem mesmo uma fossa, contaminando o ambiente.
Outro problema constatado foi um alojamento precário que era utilizado por dois trabalhadores, feito de lona e ripas de madeira. Os "colchões" se resumiam a pedaços finos de espuma. Também foram encontrados irregularidades no ônibus que transportava os trabalhadores. O veículo sofrera modificações irregulares e tinha problemas nos freios. O ônibus, o alojamento e a área de cultivo foram interditadas pela fiscalização.
Na propriedade de Sebastião Andrade, todos os trabalhadores libertados recebiam como diaristas, sem nenhum registro em carteira. As condições eram semelhantes às encontradas na outra fazenda, inclusive com relação à exposição dos trabalhadores aos agrotóxicos. Ainda foi inspecionado e interditado um galpão onde eram armazenados os agrotóxicos e materiais utilizados na seleção e embalagem dos morangos colhidos.
A auditora Valéria comentou ainda que os únicos que recebiam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) eram os responsáveis pela preparação dos agrotóxicos aplicados na lavoura. "Mesmo assim, eles recebiam EPI não individualizados e danificados", acrescenta a auditora. Os trabalhadores também não recebiam pelo dia de descanso semanal.
As verbas rescisórias chegaram a aproximadamente R$ 246 mil. Sebastião Roelto Andrade recebeu 30 autos de infração e pagou quase R$ 85 mil em verbas rescisórias e pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não depositado. Nelson Luiz Pereira pagou mais de R$ 160 mil aos trabalhadores libertados de sua fazenda. Com exceção daqueles que ainda não tinham completado 18 anos, todos os demais ainda tiveram direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.
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extraído do Repórter Brasil em 02/08/2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Área de ex-governador e chiqueiro abrigavam escravos em SC
Operações libertaram 165 pessoas de duas propriedades: 153 de plantação de maçã da empresa do ex-governador Henrique Córdova; e 12 (incluindo dois adolescentes) que colhiam erva-mate e estavam alojados em chiqueiro
Por Bianca Pyl
Operações conjuntas da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Santa Catarina (SRTE/SC) com Ministério Público do Trabalho (MPT) libertaram mais de 165 trabalhadores de duas propriedades em Santa Catarina. Uma delas pertence ao ex-governador Henrique Helion Velho de Córdova, que esteve à frente da administração estadual de 1982 a 1983, pelo já extinto Partido Democrático Social (PDS) - criado a partir de ex-integrantes da Arena e que depois veio a originar o Partido da Frente Liberal (PFL) hoje reunido como Democratas (DEM). Na segunda fazenda fiscalizada, 12 pessoas que trabalhavam na colheita de erva mate (duas delas jovens com menos de 18 anos de idade), estavam alojadas literalmente num chiqueiro.
| Frase escrita na parede revela sentimento de um dos trabalhadores libertados (Foto: SRTE/SC) |
| Trabalhadores não tinham acesso à água potável e utilizavam o mesmo copo (Foto: SRTE/SC) |
Nas frentes de trabalho, foram encontrados empregados bebendo água em garrafas de plástico e de forma coletiva. Os banheiros das frentes de trabalho não possuíam sequer papel higiênico. Os agrotóxicos não eram armazenados corretamente; ficavam espalhados ao ar livre. Os empregados não recebiam roupas especiais para a aplicação dos produtos.
A empresa não mantinha as fichas de registro no local de trabalho, dificultando a análise da fiscalização. "Os representantes da empresa prestaram informações que não correspondiam à realidade, por mais de uma vez. Eles nos informaram que a relação de empregados encontrada na mesa do escritório da fazenda (em folha de papel) não representava empregados em serviço, mas apenas candidatos ao trabalho, o que foi desmentido na visita à frente de trabalho", completa Lilian. Foi possível comprovar também, de acordo com ela, que não eram concedidos intervalos para alimentação.
A empresa fraudava o contrato de trabalho por safra, dividindo um mesmo contrato em até três outros. "Após a orientação da fiscalização anterior sobre a irregularidade dos diversos contratos com um mesmo empregado, a empresa passou alternar, nesta safra, os contratos em nome da empresa e em nome do Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o CEI, do proprietário. Para confundir a fiscalização e não gerar um único contrato". A São Luís Fruticultura Ltda. também apresenta pendências no pagamento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS).
Após a fiscalização, a empresa não aceitou quitar as verbas rescisórias no valor calculado. "Eles desconsideraram os contratos a prazo determinado sucessivos para estabelecer um contrato a prazo indeterminado na hora de pagar as verbas", relata a auditora fiscal que esteve na fazenda. Os trabalhadores receberam as verbas e retornaram às suas cidades de origem.
O proprietário assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), proposto pelo procurador do trabalho Marcelo D´Ambroso, do MPT de Santa Catarina. Cada trabalhador recebeu R$ 500 a título de danos morais individuais, além do acerto das dívidas previdenciárias. Outros R$ 200 mil serão pagos por dano moral coletivo para órgãos públicos ou filantrópicos de assistência ao trabalhador ou pessoas carentes, conforme os termos do TAC.
| Chiqueiro servia como alojamento, alimentos se misturavam com roupas (Foto: SRTE/SC) |
| Local onde o adolescente preparava suas refeições: improviso e sujeira (Foto: SRTE/SC) |
| As vítimas dormiam em colchões no chão, sem o menor conforto e higiene (Foto SRTE/SC) |

