quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Por que o Hezbollah apóia o regime de Assad


Amal Saad-Ghorayeb

1/11/2011, Amal Saad-Ghorayeb, 
Conflicts Forum. Listening to Political Islam (resumo) 
Resumo traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Monografia completa (em inglês)
  
Embora o Hezbollah realmente dependa do regime de Assad para receber armas, só isso não basta para realmente entender toda essa relação complexa, nem explica satisfatoriamente a firmeza da aliança entre o Hezbollah e a Síria. Reduzir a forte aliança que há entre o Hezbollah e o regime de Assad à logística de mísseis deixa escapar inúmeros outros fatores e considerações que dão fundamento à aliança.

A inabalável firmeza com que o Hezbollah defende o regime de Assad até nos momentos mais incômodos e difíceis tem de ser considerada no contexto da luta regional entre o “projeto nacionalista e de resistência” liderado por Irã, Síria, Hezbollah e Hamás, também conhecido como o “jabhit al mumana’a” (“eixo da resistência”, como dizem alguns no ocidente), de um lado, e, de outro lado, o “projeto dos EUA”, ao qual se associam os aliados árabes dos EUA que formam um dito “eixo moderado”. Considerado nesse contexto regional mais amplo, o valor estratégico da Síria não está apenas no papel de fornecedor de armas, mas deriva, sobretudo, de seu status de base árabe institucional de toda a frente de resistência, ou, nas palavras de Nasrallah, “o único regime de resistência na região”.

Para o Hezbollah, “o governo sírio sempre teve o mérito de preservar e manter viva a causa palestina”. O regime de Assad é tão indispensável para a Palestina, que Nasrallah disse claramente: “a configuração dessa posição síria” (e, por implicação, a preservação do regime) é “precondição para que se possa continuar a defender a causa dos palestinos”. Assim sendo, qualquer ameaça à segurança e à sobrevivência do regime de Assad é “um perigo”, não só para a Síria, mas para a Palestina e – considerando o papel que teve a Síria para pôr fim à guerra do Líbano – também para o Líbano.

Os protestos na Síria são uma espécie de “colusão” com potências de fora que querem substituir o governo de Assad por “outro governo, semelhante aos governos árabes ditos moderados, todos prontos para assinar qualquer acordo de capitulação com Israel.” Assim, diferente de querer instituir reformas ou alguma democracia na Síria, a mais recente política de Washington visa, essencialmente, a instituir a subserviência: “se o presidente Bashar al-Assad renunciasse e aceitasse o que os americanos querem, a Síria já estaria em paz.” 

Além de fatores estratégicos que explicam o apoio continuado do Hezbollah ao regime de Assad, a posição do movimento também se explica por considerações teóricas. As posições revolucionárias do Hezbollah nesse caso consideram dois critérios convergentes: primeiro, “o modo como o regime sírio relaciona-se e posiciona-se em relação ao projeto de EUA-Israel na região”; e, segundo, o potencial para reformas que se vê no regime de Assad. A posição pró-resistência do regime de Assad e seu papel na região, combinados com a disposição do regime para fazer reformas, são dois traços que não se veem nos ‘rebeldes’ sírios. O Hezbollah, nesse contexto, de modo algum “apóia ou apoiará a derrubada de um governo resistente, um regime mumani’i, que também já iniciou reformas”.

O conceito de liberdade, como o Hezbollah o entende, como liberdade positiva para que cada um controle o próprio destino e alcance a autodeterminação, é, ao mesmo tempo, diferente e mais amplo que o conceito liberal, que só se ocupa com uma liberdade negativa, no sentido de os indivíduos verem-se livres de imposições e limitações externas.

Ser livre não é ser deixado só para poder fazer o que cada um deseje; ser livre é ser livre para poder continuar lutando por justiça.

Por essa razão, e sobre esse fundamento moral, o Hezbollah opõe-se de forma absolutamente antagônica a levantes de base liberal, como o que se vê na Síria, nos quais todos os esforços visam a libertar o indivíduo do controle pelo estado e, para isso, cedem, como preço a pagar na troca, toda a capacidade para resistir e lutar contra projeto de EUA e Israel, quer dizer, contra o colonialismo.

Fim do resumo.

Monografia completa (em inglês)

Sítuação na Líbia – Vídeo CENSURADO no YouTube


Testemunho de Lizzie Phelan - Jornalista
Legendas em espanhol e publicação: Georgina Miller Carrasco

Testigo de la situacion en Libia - video censurado en youtube from Georgina Miller Carrasco on Vimeo.


Vídeo enviado por Luís Giannini de Freitas

Pepe Escobar – “Love story: o Pentágono e a Primavera Árabe”


1/11/2011, Pepe Escobar, ATol
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Quem tenha acreditado que a Primavera Árabe tomaria o Golfo Persa e aquelas terras conhecidas antigamente como Arabia Felix  [1] tem hoje muitos motivos para afundar em tristeza. 

A contrarrevolução árabe está mais forte que nunca – comandada pela Casa de Saud e suas monarquias aliadas do Clube Contrarrevolucionário do Golfo (CCG), conhecido oficialmente como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). E seu mais precioso aliado é o Pentágono. 

O New York Times oficializou a coisa, repetindo discurso dos especialistas da Casa Branca/Pentágono. Considerando-se que o NYT não é exatamente um ícone da credibilidade jornalística desde que, em 2002/2003, publicou como matéria de capa aquelas estrondosas mentiras sobre o arsenal atômico e/ou armas de destruição em massa que haveria no Iraque e as relações carnais que haveria entre o Iraque e a al-Qaeda, a fala dos especialistas tem de ser traduzida. 

A crescente militarização do Golfo Persa contrarrevolucionário – que se dá, sobretudo, pelo aumento no número de coturnos no solo do Kuwait, e mais navios de combate – está sendo vendida como “resposta a um colapso da segurança no Iraque ou a um confronto militar com o Irã”. [2] Observe-se que as duas “respostas” são pura futurologia desejante. As fontes marciais do NYT insistem: “a retirada [saída dos EUA, do Iraque] pode deixar instabilidade”. O fato é que o governo de Nuri al-Maliki em Bagdá efetivamente pôs os EUA para fora de lá (o Pentágono queria deixar pelo menos 20 mil pares de coturnos no solo iraquiano, depois do fim de 2011). 

Daí a necessidade de rearranjar a novilíngua do Comando Central do Pentágono [ing. Pentagon Central Command (Centcom)], como se houvesse um Plano B, uma nova grande “arquitetura da segurança” para o Golfo Persa, já engarrafado de aviões e navios de guerra e até de mísseis de defesa, tudo vendido como se fosse mero “marcar presença na região, pós-Iraque”. 

Quanto à “ameaça de um Irã beligerante”, interesses bem precisos – partes do complexo industrial-militar, todo o Partido Republicano, o lobby pró-Israel, a maior parte das corporações de mídia – pedem, há anos, um ataque ao Irã. 

O major-general Karl R Horst, chefe do estado-maior do Centcom, é grande fã do “empenho em construir capacidades parceiras e parceiros capazes” (traduzindo: “ou vai, ou racha”). Horst vendeu ao NYT o aumento de poder de fogo no Golfo Persa como se fosse doce estratégia hollywwodiana, tipo “de volta para o futuro”, focada em “deslocamentos menores, mas de melhores capacidades, e treinamento de parcerias com militares regionais”. 

Traduzindo: muitas forças especiais, muitos aviões-robôs comandados à distância, os drones armados, e uma inflação das tais “parcerias” de que o Pentágono e a Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, tanto gostam. Isso é vendido como “modos mais eficientes para deslocar tropas e maximizar a cooperação com parceiros regionais”; ou como o melhor modo para “expandir relações de segurança”, sobretudo quando haverá “acentuado decréscimo no número de analistas de segurança designados para a região” (traduzindo: os do lençol na cabeça que façam o trabalho pesado). 

Também ajuda, que o Qatar e os Emirados Árabes Unidos (EAU) provaram seu ilimitado amor pela OTAN na guerra da Líbia (enquanto o Bahrain e os EAU garantem os coturnos no solo, no Afeganistão). Essa prontidão árabe para satisfazer os patrões vai um passo além do mantra padrão (“os EUA não abandonarão seus compromissos no Golfo Persa”). 

Resumo da ópera: pensem nisso tudo com o Clube Contrarrevolucionário do Golfo (CCG), também conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), lá implantado como um anexo de fato, da OTAN. 

Por trás da “arquitetura da segurança” 

Lá, longe, no Tadjiquistão – por onde andou examinando a não-proliferação da Primavera Árabe na Ásia Central – a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton encorajou o que imediatamente foi vazado para o NYT como “robusta presença continuada” numa região que “deve ser liberta de qualquer interferência externa para que persevere num caminho para a democracia”. [3]

Quer dizer que... maior militarização do Golfo Persa é resposta contra a interferência externa de EUA/Arábia Saudita que atrapalham o curso para a democracia? Não, não pode ser. Alguém aí terá de reescrever o script. 

Todo esse cenário já era previsível desde quando Washington fechou negócio com Riad para consolidar a contrarrevolução árabe: você nos dá o voto da Liga Árabe para derrubarmos Muammar Gaddafi; e nós deixamos você em paz para fazer o que quiser no Golfo Persa (ver “Exposed: The US-Saudi”, Asia Times Online, 2/4/2011.

Em seguida, a Casa de Saud invadiu o Bahrain; o Qatar pôs-se a treinar os “rebeldes” líbios da OTAN em seu próprio território, ao mesmo tempo em que enviava forças especiais qataris para a Líbia. E, agora, aí está: uma “aliança de segurança multilateral, mais forte” entre o Clube Contrarrevolucionário do Golfo (ou Conselho de Cooperação do Golfo), CCG, e o Pentágono. 

Senadores norte-americanos perdidos no espaço, a repetir que a retirada dos EUA do Iraque será interpretada “como vitória estratégica dos nossos inimigos no Oriente Médio” [4], é business, como sempre. 

Mas coisa muito diferente é ver o NYT fazendo papel de bobo – ou, de fato, tratando os leitores como idiotas – e engolindo a ideia, da propaganda saudita, segundo a qual “o Irã é a mais grave ameaça” que preocupa(ria) todos os países do CCG, “além do próprio Iraque”. É como se o jornal fosse editado em Riad. 

Mas a verdade é que toda a política externa do governo Barack Obama para o Oriente Médio parece mesmo editada em Riad. Basta ver as grandes empresas de mídia curvadas até o chão para beijar a barra da túnica do novo príncipe coroado (o primeiro, na linha sucessória) da Casa de Saud, príncipe Nayef bin Abdul Aziz.

Nayef, 78 anos, sempre apoiado pelo nec plus ultra do medievalismo e da contrarrevolução, maldita Primavera Árabe, é, em pessoa, o Inquisidor-mór da Casa de Saud. Desde 1975 comanda o aparelho de segurança no Ministério do Interior, o qual, com a Guarda Nacional treinada nos EUA, fiel ao frágil rei Abdullah, 87 anos, são os dois corpos mais bem armados da Arábia Saudita. 

Nayef é o Darth Vader de uma força paramilitar de 130 mil homens, de toda a polícia local e nacional, da alfândega, da imigração, da guarda costeira, da guarda de fronteira e da temida polícia religiosa. A resposta de seu ministério à Primavera Árabe foi pancadaria sem parar. Todos os suspeitos de algum dia ter tentado iniciar uma manifestação política, para nem falar em movimento político, estão presos. O que inclui a rapaziada que distribuiu vídeos por YouTube. 

Há pelo menos 20 mil presos políticos em prisões sauditas. Desde abril, é crime “ameaçar a segurança nacional” ou “insultar o Islã”. Nayef foi responsável pela imprecisão do texto da lei e tudo que isso implica. Quem se meter a tentar “Occupy Riad” ou “Occupy Jeddah” será decapitado. 

E, para seus incontáveis fãs em Washington, que se emocionam com seus 36 anos de currículo “no contraterrorismo”, Nayef é um “conservador pragmático”. Virou título honorífico, desde que se leu a expressão em telegrama secreto, de 2009, ao Departamento de Estado dos EUA, revelado por WikiLeaks [5]. 

Não surpreende que Nayef seja amado em Washington. Santíssima Trindade, para ele, é Washington e Riad unidos pela pélvis: odeia o Irã e todos os xiitas (inclusive os xiitas sauditas); e é uma vida dedicada a combater a al-Qaeda. 

Ninguém fala do ódio visceral que nutre por todos os direitos da mulher e por todos os direitos democráticos. É onde entra, utilíssimo, o rótulo de “conservador nas questões sociais”. No início da Primavera Árabe, Nayef declarou que os tunisianos eram “franceses, basicamente”. Dos habitantes da cidade do Cairo, disse que não passavam, todos, de “urbanos desavergonhados” [orig. “louche urbanites”]. Os únicos verdadeiros árabes eram os sauditas: democracia, para os sauditas (ou é o que a Casa de Saud pensa, por todos) é coisa para maricas. 

Na política interna da Casa de Saud, aquele reino de intrigas palacianas, de machões solitários dos desertos que amam pintar os bigodes de negro-cor-da-asa-da-graúna, a principal oposição a Nayef não vem de seus irmãos, os poderosos “sete Sudayri”, que já são cinco (depois da morte do rei Fahd e, recentemente, do príncipe Sultan), batizados com o nome da tribo da mãe, Hassa, esposa favorita de Ibn Saud. 

Gerontocracia é o nome do jogo: as condições de saúde dos irmãos Bandar, Musaid e Mishaal são precaríssimas. Quanto ao irmão Salman, governador de Riad, gosta de posar de jornalista: é dono do jornal Asharq al-Awsat. 

Os principais opositores de Nayef são os sobrinhos de Ibn Saud, começando pelo matreiro ex-embaixador em Washington, Bandar bin Sultan, também conhecido como “Bandar Bush”; o príncipe Talal, pai do bilionário príncipe al-Waleed; o vice-ministro da Defesa Khaled bin Sultan; e o príncipe Turki al-Faisal, ex-chefe da inteligência nos anos 1980s e ex-amigão de Osama bin Laden. 

Mas nenhum desses ameaçará Nayef; o que interessa à Casa de Saud é que a dinastia sobreviva. Com o rei Abdullah já às vésperas de reunir-se ao Criador, o Pentágono não poderia encontrar parceiro regional mais confiável: Nayef, o Inquisidor-mór. 

Em breve, a OTAN reinará sobre todo o Mediterrâneo, lago da OTAN. O Africom está implantando-se cada vez mais fundo, e fundo, na África. O Centcom reina no Golfo Persa, com todo o CCG em fila. Democracia é coisa para maricas. Não há business como o business da “arquitetura da segurança”.



Notas dos tradutores

[1] Ptolomeu referiu-se à região como Eudaimon Arábia (gr.), em latim Arabia Felix, “feliz Arábia”.

[2] NYT, 29/10/2011, Thom Shanker e Steven Lee Myers, “U.S. Planning Troop Buildup in Gulf After Exit From Iraq”.

[3] The South Asian Times, “Clinton to Iran: Stay off Iraq

[4] Senador John McCain, 21/10/2011, em Político.

[5] “... mas, mais acuradamente, se pode descrevê-lo como um conservador pragmático, convencido de que segurança e estabilidade são imperativos para preservar o reino saudita e garantir prosperidade aos cidadãos sauditas” (trecho do telegrama 09RIYADH1402, 23/10/2009)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Royalties: Siqueira critica posição de Cabral


Fernando Siqueira - Presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e Vice- Presidente do Clube de Engenharia

O presidente da AEPET, Fernando Siqueira enviou e-mail à jornalista Flávia Oliveira da coluna “Negócios & Cia.”, do jornal O Globo sobre a tabela de perdas do Rio de Janeiro calculada pela Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro. Siqueira criticou a posição do governador Sérgio Cabral.

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA;

Data:
31/10/2011 

Prezada Flavia

Lendo a sua coluna de hoje, vimos a tabela de perdas do Rio de Janeiro calculada pela Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Sou nascido e criado no Estado do Rio de Janeiro, tenho três filhas nascidas aqui, mas não concordo com a posição do Governador Sergio Cabral por vários motivos:

1) O Governador foi contra o novo projeto do Governo Lula e defendeu a Lei 9478/97. Esta Lei dava 100% do petróleo a quem produzisse e o direito de só pagar 10% de royalties e a média de 11% de participação especial, em dinheiro. No mundo, os países exportadores ficam com mais de 70% do petróleo produzido, em petróleo. É uma lei antinacional;

2) O Governo Lula propôs uma nova lei, com vários avanços, discussão dos royalties (10%) num primeiro momento, porque queria melhorar a Legislação, recuperar a propriedade do petróleo para a União, para depois discutir a sua distribuição interna;

3) O Governador Sergio Cabral e o Governador Paulo Hartung, ambos defensores da Lei anterior, introduziram a discussão dos royalties, para tumultuar o processo e dificultar a aprovação da nova lei do contrato de partilha, em que o petróleo volta para a União. Acabaram despertando a cobiça, correta dos não produtores;

4) O Governador se negou a discutir o assunto royalties com a as demais bancadas no Congresso, as quais queriam salvaguardar os interesses do Rio de Janeiro e proibiu os deputados de discutirem, tendo exonerado o secretario Sveiter para que ele assumisse o seu mandato no lugar do Brizola Neto, seu suplente, que queria o diálogo. Fizemos duas audiências públicas no Congresso para discutir o assunto e o único parlamentar do Rio a comparecer foi o deputado Edson Santos, por sinal com a postura de diálogo muito bem aceita pelos demais; 

5) Sabendo que 24 estados não produtores querem participar do pré-sal, tendo portanto, maioria esmagadora, o Governador tenta jogar a presidente Dilma no fogo, contra esses 24 estados.

6) Agora manipula os resultados das perdas, pois não leva em consideração que a produção irá aumentar dos atuais 2,5 milhões de barris por dia para 3,7milhões em 2015 e 6 milhões em 2020. Essas contas estão propositalmente erradas;

7) Outro ponto que o Governador se recusa a discutir: a aplicação equivocada da Lei Kandir sobre a exportação do petróleo. A Lei Kandir foi feita para incentivar a exportação de produtos nacionais. Mas não tem sentido a sua aplicação sobre o petróleo, que é o bem mais cobiçado do planeta. O Rio perde 18% do ICMS na exportação. Hoje, isto representa cerca de 7 bilhões por ano. Em 2020, serão R$ 34 bilhões por ano. É o Brasil subsidiando os EUA e a China.

8) Mas o que está por trás dessa grita toda: O lobby internacional, liderado pelo IBP, introduziu no projeto do Governo Lula uma emenda/contrabando que devolve, em petróleo, os royalties pagos. Isto representa uma apropriação indébita de 15 bilhões de barris pelos consórcios produtores (15% de 100 bilhões de barris do pré-sal). Denunciamos isto no Senado, o relator Romero Jucá retirou essa emenda, mas pressionado, a recolocou de volta em 4 artigos, dificultando a supressão. Esse é o segredo mais bem guardado da República. Ninguém o menciona.

A discussão o esconde mais ainda. Cabral, Dorneles e agora o Lindberg, estão sendo “inocentes úteis” do lobby do Cartel internacional incrustado no Instituto Brasileiro do Petróleo.  

Abraços
Fernando Siqueira - presidente da AEPET e vice do Clube de Engenharia.

enviado por AEPET

Contra os EUA: a resistência no Paquistão e o rádio


Amir Mir

1/11/2011, Amir Mir, Asia Times Online 
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

ISLAMABAD – Haji Mangal Bagh Afridi, ex-motorista de ônibus e comandante de um grupo de guerrilheiros islamistas denominado Lashkar-e-Islam, é a nova face da resistência contra os EUA e o governo do Paquistão na agência Khyber, um dos sete distritos tribais onde vivem os pashtuns nas Áreas Tribais sob Administração Federal [ing. Federally Administered Tribal Areas (FATA)] ao longo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, onde os Talibã e outras milícias continuam a disputar o controle, contra o governo do Paquistão e os EUA, desde 2004. 

A agência Khyber está hoje sob pesado ataque militar, que visa a arrancar os guerrilheiros comandados por Bagh Afridi de sua base a noroeste de Peshawar, de onde os guerrilheiros têm atacado a principal rota de suprimentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, que abastece o exército ocupante no Afeganistão. A base comandada por Bagh Afridi, a cidade-mercado de Bara, na agência Khyber, fica a apenas 20 minutos, de carro, do centro da capital da província de Khyber Pakhtunkhwa. 

O ataque militar massivo contra os guerrilheiros, iniciado dia 21/10 (um dia depois de os guerrilheiros do grupo Lashkar-e-Islam terem emboscado um comboio militar dos EUA-OTAN), visou, de início, duas vilas a sudoeste de Peshawar; agora já foi estendido para cinco outras vilas na agência Khyber. 

Cerca de 18 mil moradores já fugiram de suas casas, sob ataque dos militares de EUA-OTAN-Paquistão, e mais de 1.500 famílias já chegaram ao campo de refugiados de Jalozai, a leste de Peshawar. 

O ataque militar na agência Khyber é o mais recente, contra a guerrilha liderada por Bagh Afridi, que há sete anos luta em Peshawar, atacando os comboios de suprimentos para os soldados de EUA-OTAN que ocupam o Afeganistão, ao longo da estrada para Peshawar e no desfiladeiro Khyber, na fronteira com o Paquistão. 

O desfiladeiro Khyber é há séculos uma importante rota comercial e, hoje, considerada linha vital de abastecimento para os soldados da OTAN no Afeganistão. Passam por ali diariamente dezenas de caminhões tanques carregados de combustível e contêineres de comida, armas e combustível, na direção de Torkaham, ponto de controle da fronteira com o Afeganistão. Os guerrilheiros de Bagh Afridi várias vezes já conseguiram fechar esse corredor, vital para o abastecimento das tropas de EUA-OTAN que ocupam o Afeganistão. 

Os 38 km da perigosíssima estrada entre Paquistão e Afeganistão, no já lendário desfiladeiro Khyber, são o trecho mais perigoso, no Paquistão, da viagem para os caminhões-tanque de combustível e contêineres de suprimento para as tropas de EUA-OTAN. 

Apesar de os paramilitares do Corpo de Fronteira e os guardas da Força Khyber Khasadar (que policia as áreas tribais) manter postos de vigilância em praticamente cada palmo de montanha, os guerrilheiros do grupo Lashkar sempre conseguem atacar as linhas de suprimento, porque é virtualmente impossível vigiar todos os pontos do desfiladeiro Khyber até Torkhum. 

O momento desse mais recente ataque comandado por militares paquistaneses contra os guerrilheiros do grupo Lashkar coincide, não por acaso, com mais um ataque comandado por EUA-OTAN, pelo lado afegão, em Khost, também na fronteira. 

Segundo círculos paquistaneses bem informados, as duas ofensivas militares contra os guerrilheiros no desfiladeiro Khyber e em Khost, são parte de um acordo informal de colaboração entre militares do Paquistão e dos EUA, firmado durante recente visita da secretária Hillary Clinton a Islamabad. 

Comandantes militares e de inteligência do Paquistão e dos EUA trabalharam em grupos, durante aquela visita, e definiram as condições de cooperação entre a CIA norte-americana e o ISI, serviço secreto paquistanês, para partilharem informações que, agora, estão sendo mobilizadas nesses ataques aos guerrilheiros dos dois lados da fronteira Af-Pak. 

A ação militar Paquistão-EUA-OTAN já matou, segundo moradores locais, mais de 200 civis, destruiu mais de 50 vilas e cidades e já desalojou mais de 18 mil moradores da agência Khyber. Mas nada sugere que Bagh Afridi e seus guerrilheiros estejam próximos de ser desalojados de seu território preferencial, sobretudo na região de Bara. Os guerrilheiros continuam a oferecer dura resistência. 

De cabelos e barbas longas e figura magra, aparentemente frágil, Mangal Bagh Afridi, 39 anos, é militante desde muito jovem. É o sucessor, no comando, do Mufti Munir Shakir, clérigo sunita deobandista que criou um ministério de pregação religiosa pelo rádio, na agência Khyber, em 2004, depois de expulso da agência Kurram por anciãos da hierarquia tribal, que o acusaram de incitar a guerra sectária. 

Munir Shakir entregou sua estação de rádio a Bagh Afridi, que então trabalhava como motorista de ônibus, e que, logo depois, organizou o grupo Lashkar-e-Islam, expressão que significa “Exército do Islã”. Seu grupo combateu contra outro grupo de guerrilheiros islamistas, o Ansarul Islam, comandado por Pir Saifur Rehman, até que Ustad Yasir, dos Talibãs afegãos, intermediou um acordo de cessar fogo entre os dois grupos. Pouco depois, o Lashkar-e-Islam reemergiu mais forte, tendo, de fato, incorporado a maioria dos guerrilheiros do grupo rival. 

De família pobre, Bagh Afridi, com o tempo, construiu uma imagem de comandante antifeudeal e defensor dos mais pobres, que “rouba dos ricos para dar aos pobres”. Sua fama cresceu rapidamente, e ele instalou um governo paralelo no desfiladeiro. A eficácia com que seus guerrilheiros resistiram à implantação do exército regular paquistanês naquela região levou as autoridades militares de Islamabad a deflagrar enorme ofensiva militar contra o grupo, em meados de 2008, antes das eleições gerais. A casa de Bagh Afridi foi explodida e ele teve de deixar a área.

Dia 3/1/2008, em reunião gigante de mais de 65 mil pessoas em Mandi Kas Ground, na agência Khyber, o comando do grupo guerrilheiro Lashkar-e-Islam exigiu que todos os candidatos da agência Khyber, que concorriam às 46 cadeiras da agência nas eleições para a Assembleia Nacional, jurassem pelo Santo Corão que, se eleitos, jamais assinariam qualquer lei anti-islamista. 

Depois da cerimônia de juramento, Bagh Afridi avisou que cada tribo ficava responsável por vigiar o cumprimento do juramento de seus respectivos candidatos a deputado. 

O crescimento meteórico de Bagh Afridi, como Robin Hood paquistanês, carrega várias contradições e complexidades. Dizia-se inimigo dos Talibã paquistaneses, mas, como eles, também trabalha para implantar um sistema semelhante à lei da Xaria; conseguiu acabar com os crimes de sangue e o consumo de drogas na área sob seu comando, mas, ao mesmo tempo, recolhe uma “taxa de proteção”, a jazia [1], cobrada das comunidades minoritárias que vivem no Khyber. 

Membros das comunidades sikh, hinduísta e cristã nas áreas comandadas por Bagh Afridi pagam esse imposto, em troca de segurança. O imposto, obrigatório para os não muçulmanos residentes na agência Khyber, é de 1.000 rúpias (pouco menos de US$12) por pessoa, por ano. 

Cerca de 10 mil sikhs, hinduístas e cristãos vivem na agência Khyber, dos quais 7 mil são sikhs, a maioria deles comerciantes ou donos de terras que cultivam. Embora Bagh Afridi declare-se analfabeto, sabe-se que lê jornais em urdu e todas as cartas que recebe de pessoas que pedem sua intervenção para resolver disputas. A fala noturna que faz todas as noites, pelo rádio, é aplicadamente acompanhada por todos os seus seguidores. 

Apesar de pregar a implementação da lei da Xaria, Bagh Afridi não está alinhado com os Talibã no Paquistão. Embora Bagh Afridi oponha-se à presença dos EUA no Afeganistão, exatamente como o grupo Talibã no Paquistão (Tehrik-e-Taliban, ing. Pakistan Taliban, TTP), ele já recusou várias propostas para unir seus guerrilheiros aos do TTP que controlam outras áreas na fronteira noroeste do país, sobretudo nas agências do Waziristão Norte e Waziristão Sul. 

Houve uma reunião de conselho de várias tribos (jirga) entre os guerrilheiros dos grupos Lashkar-e-Islam e o TTP em fevereiro, em que se discutiu a possibilidade de Bagh Afridi unir-se ao TTP comandando por Hakeemullah Mehsud. Mas Bagh teria dito, como publicado num jornal local: “Disse aos Talibã que basta o que já estou fazendo. Estou na direção certa. Disse a eles que não é preciso unir-me com eles. Os Talibã no Paquistão são na maioria intelectuais religiosos islâmicos. Nós somos grupo de combate pelo Islã, não somos cultos. Não temos clérigos em nossa organização.” 

Segundo declarações do próprio Bagh Afridi, em 2008, seu grupo Lashkar-e-Islam conta com 120 mil homens armados e treinados que controlam quase todo o território da agência Khyber, com exceção de algumas áreas de Jamrud e Maidan, no vale Tirah. “Basta que eu convoque pela nossa rádio FM, e meus voluntários mujahideen estão prontos para combater pelo nosso Lashkar-e-Islam. Temos cerca de 70 caminhões doados pelos religiosos ricos das tribos, prontos para serem usados” – disse Bagh Afridi ao jornal The News, em entrevista publicada dia 11/5/2008. 

Perguntado na mesma entrevista, sobre os objetivos do grupo Lashkar-e-Islam, Bagh Afridi disse: “Somos organização reformista que tenta promover a virtude e evitar o vício. Livramos Bara dos traficantes de drogas, dos jogadores, dos sequestradores, dos ladrões de carros e de outros criminosos; queremos expulsar de Jamrud e de toda a província de Peshawar, todos que vendem drogas e bebidas e mantêm casas de jogatina.” 

Simultaneamente, a ameaça cada vez maior que Bagh representa, contra a autoridade do estado paquistanês na região, pode ser avaliada pelo fato de que cerca de mil funcionários públicos e policiais da guarda Khasadar (que policia as áreas tribais) abandonaram os postos e o trabalho recentemente, depois de ouvir, pelo rádio, discurso ameaçador, em que Bagh dizia que deixassem os empregos, ou se preparassem para as consequências. 

Falando por sua rádio, depois de iniciada a operação militar hoje em curso na agência Khyber, o comandante do grupo Lashkar-e-Islam avisou que todos os guardas da polícia tribal que continuassem nas funções seriam multados em um milhão de rúpias, e suas casas seriam derrubadas. 

Especialistas em terrorismo temem que Bagh Afridi converta-se em mais um dilema a devastar as forças de segurança do estado paquistanês, como Maulana Fazlullah, também conhecido como “Mulá Rádio” (cujos combatentes se reagruparam depois de derrotados no Vale do Swat e hoje operam a partir de santuários no Afeganistão). Por isso, agora, o exército paquistanês trabalha para destruir toda a vasta infraestrutura dos combatentes jihadi na agência Khyber, de modo que não reste ponto de apoio a partir do qual se possam reestruturar.


Nota dos tradutores
[1]  Jazia, arab, aproximadamente: “compensação” ou “sujeição”. É um antigo imposto religioso, que governantes islâmicos cobravam de pessoas de outras religiões ou de derrotados em guerras. Tem longa história no islamismo. O jornalista que assina a matéria parece não saber disso, ou não se surpreenderia tanto nem veria, nesse imposto, traços de “incoerência” ou de “contradição”. Leia mais, sobre jazia (em inglês).

Pepe Escobar: “Entendendo a Líbia”



Depoimento gravado no Encontro Mundial de Blogueiros em Foz do Iguaçu

A mostra sem Leon Cakoff


Leon e Renata
Publicado em 01/11/2011 por *Rui Martins  


Mal cheguei ao interior de São Paulo, me deram a notícia da morte de Leon Cakoff. Comprava uns livros num sebo na cidade de Tatuí, quando o livreiro me transmitiu a informação à queima-roupa. E acabo de ver, pela TV Cultura, um programa sobre a Mostra de Cinema a êle dedicado.

A cidade de São Paulo tem uma dívida, que nunca poderá pagar, com Cakoff. A Mostra de Cinema era conhecida em todo mundo e muitos cineastas internacionais nutriam a esperança de terem seus filmes exibidos nesse importante festival internacional.

Lembro-me da euforia de Cakoff, num Festival de Locarno, quando ali presente o cineasta iraniano Abbas Kiarostami, em pleno apogeu naquele momento. Abbas já havia aceitado o convite para ir a São Paulo e estava pronto o cartaz da Mostra, concebido pelo próprio cineasta iraniano. Com seu olhar vivo e penetrante, aquele sorriso sempre juvenil, Cakoff tirou de sua pasta e me mostrou orgulhoso o cartaz. No ano seguinte, me falou do desejo do iraniano de fazer um filme na capital paulistana.

Falar em Kiarostami me faz lembrar de Jafar Panahi, cumprindo prisão política de seis anos em Teerã e condenado a não mais fazer cinema, que também foi a São Paulo levar seus filmes premiados em Veneza, Cannes e Locarno. Essa era a diferença de Cakoff com relação ao Festival do Rio, da época de Nei Sroulevich e de agora, a preferência pelo cinema de autor, pelo cinema independente e não comercial, responsável pelo sucesso da Mostra.

Vez ou outra, quando surgia em Locarno (também festival de cinema independente) um bom filme, no formato que imaginava ser da Mostra, procurava alertar Cakoff, como colaboração voluntária de um seu admirador e do seu excelente trabalho. Durante uma época, quando cobria o Festival de Berlim para o Estadão ou para a CBN, ainda na época da Budapeststrasse, encontrava sempre Cakoff tentando ver o máximo de filmes, enquanto eu extenuado me restringia apenas aos filmes da competição internacional.

Este ano, de retorno a Berlim depois de alguns anos de ausência, não vi Cakoff e nem o verei mais por lá. Entretanto, a Mostra de São Paulo vai continuar porque Renata de Almeida , esposa e parceira de Cakoff em cinefilia (foto), é a garantia.

*Rui Martins – Berna: jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress.

Enviado por Direto da Redação  

Cakoff e Abujamra em: Provocações – 19/1/2011 – TV Cultura, SP

Eliane Cantanhêde versus Caco Barcelos (trecho censurado)


Eliane Cantanhêde

No dia 20/09/2011 foi ao ar o programa “Em Pauta” em que o entrevistado era o excelente jornalista Caco Barcelos. 

Lá pelas tantas, a jornalista Eliane Cantanhêde (Folha) resolveu abordar o “bom momento” (sic) do jornalismo brasileiro. Caco, surpreso, logo retruca: “Você acha?”. Pois sabe bem ele que o jornalismo (?) no Brasil passa por uma das mais graves crises de credibilidade. Você vai perceber que Caco usa a expressão “jornalismo declaratório” como eufemismo ao péssimo jornalismo praticado inclusive pela Folha de São Paulo e seus colunistas amestrados. 

Caco Barcelos
O que se segue no vídeo é uma verdadeira lição de jornalismo de Caco que Cantanhêde talvez nunca tenha escutado.

Vergonhosamente, a Globo News cortou sumariamente este trecho da entrevista. 

Durante a campanha eleitoral de 2010, a Folha (juntamente com Veja, Estadão, Globo etc.) praticou o mais abjeto jornalismo em favor do PSDB, mostrando apenas denúncias contra o PT e ocultando todas as denúncias contra o PSDB.

E até hoje tem sido assim. 

Assista sem censura:



Enviado por Raul Longo e Rosângela Calado da Costa