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quinta-feira, 30 de abril de 2015

O que quer Obama com seus tratados TPP & TTIP?

26/4/2015, [*] Eric Zuesse, Countercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Sherrod Brown e Elizabeth Warren
A motivação por trás do tratado comercial Trans-Pacífico (TPP) e do tratado comercial Trans-Atlântico (TTIP) de Obama — a motivação por trás desses dois tratados internacionais monstros – é a mesma, e os senadores Democratas dos EUA, Elizabeth Warren e Sherrod Brown estão certos: são tratados que nada têm de progressistas. Têm a ver com transferir poder político que é dos eleitores, para bem longe deles; e para entregar aquele poder aos pés da aristocracia internacional (quer dizer, mandar o poder político para o mais longe possível do alcance de qualquer democracia nacional).

Para consumar essa operação trata-se de modificar a coisa mais fundamental: a própria base de poder global. Em vez de essa base de poder estar nos votos democráticos dos corpos nacionais de eleitores, que elegem seus representantes, os quais determinam as leis e regulações, o sistema democrático nacional é convertido no exato oposto do que deve ser: serão os votos de acionistas aristocráticos, da aristocracia internacional, que elegem os diretores das empresas internacionais, os quais, por sua vez, selecionarão os membros dos painéis de comércio internacional que, pelos tratados TPP e TTIP, estarão determinando as leis e regulações que tenham a ver, especialmente, com direitos do trabalho, segurança para os consumidores dos produtos que eles mesmos venderão e meio ambiente.

O enfraquecimento de todas essas leis nacionais pela aristocracia internacional tornará possível baixar sempre mais os salários para a população em geral, que não controla megaempresas internacionais mas só controla o seu próprio trabalho pessoal, que perde valor até o valor mínimo por hora de toda a área comercial internacional. Esse novo sistema também permitirá minimizar as leis sobre segurança alimentar e segurança de outros itens e assim maximizar o poder das corporações internacionais para evitar despesas que, sem essas novas leis, seriam obrigatórias para aumentar a segurança dos produtos produzidos.

Todas as despesas relacionadas ao maior risco no consumo de produtos perigosos passam assim a ser cada vez mais descarregadas exclusivamente sobre os ombros dos consumidores dos produtos. Os riscos para o capital dos investidores (que é a coisa que os aristocratas mais querem evitar) são consequentemente reduzidos – e passam a só haver risco para os consumidores e os cidadãos em geral.

Os danos que sejam causados ao meio ambiente passam a ser virtualmente permitidos às corporações internacionais que os provoquem. Todos os custos passam a ser cobrados só do público em geral, em ar tóxico, em água contaminada, etc.. E assim se elimina mais uma categoria de riscos que pesavam contra os investidores. Aumentarão as margens de lucro, o que só beneficia os acionistas, não o público em geral. Os lucros ficarão cada vez mais concentrados nas corporações internacionais e nas famílias que as controlam, e só as perdas serão cada vez mais fartamente distribuídas entre consumidores e trabalhadores – e assim também entre os que mais precisam respirar para trabalhar: o público em geral.

“Governo” significará cada vez mais o agente que impõe e aplica riscos e penalidades ao público em geral; e isso, por sua vez, estimulará o ideal do “livre-mercado” para que haja cada vez menos e menos governo, ou governos cada vez “menores”; é o mesmo que dizer que tudo conspirará ainda mais diretamente para que haja cada vez menos governos “democráticos”.

O tal “governo pequeno” de que falam os aristocratas sempre significou sobretudo isso: transferência de todos os custos a pagar, dos aristocratas para os mais pobres, o chamado “público em geral”.

Assim, a percentagem máxima dos custos – para segurança dos produtos , direitos do trabalho, meio ambiente e segurança para os consumidores dos produtos que eles mesmos venderão – recairá sobre os mais pobres; os acionistas das corporações internacionais ficarão com a menor parte desses custos. Por sua vez, os aristocratas poderão passar adiante, aos herdeiros que eles mesmos designarão, esse poder assim sempre crescente e o controle sobre a maioria da população. A concentração de riqueza só aumentará, limitada a número cada vez menor de famílias, uma hiperaristocracia cada vez mais concentrada.

Efeito do TTIP na União Europeia
Já acontece quase tudo isso, mas muito mais acontecerá se forem aprovados esses tratados TPP e TTIP. (Segundo o mais detalhado estudo sobre o assunto, de 2012, “Os 0,7% mais ricos do mundo possuem 13,67% a mais que os 68,7% mais pobres”. Em outras palavras: o mundo já é extremamente desigual na distribuição da riqueza. Os tratados TPP eTTIP foram concebidos para aumentar essa desigualdade).

Além disso, o Presidente Obama e o Partido Republicano no Congresso (que o apoia nesse assunto e em todos os demais temas que interessam muitíssimo à aristocracia norte-americana, como submeter Rússia, China, Índia e Brasil, os países BRICS — por exemplo, o movimento do governo Obama, de roubar a Ucrânia da aristocracia russa, para entregá-la à aristocracia dos EUA – cuidam de garantir que a aristocracia norte-americana estará cada vez mais no topo, no cenário internacional. Esses tratados comerciais também tiram vantagem do fato de os EUA terem posição geográfica privilegiada para controlar militarmente os dois maiores oceanos do planeta, o Atlântico e o Pacífico.

Em outras palavras: os EUA, com esses tratados TPP & TTIP, estarão em posição extraordinariamente favorável para basicamente garantir o privilégio de exclusividade para a aristocracia norte-americana nesses dois grandes blocos compactos de comércio internacional. Esse privilégio dará à aristocracia dos EUA controle sobre as aristocracias nacionais de praticamente todas as grandes nações industrializadas – que cobrem virtualmente todo o hemisfério norte, que é onde está a maior massa de terras do planeta.

Consequentemente: não apenas a aristocracia global controlará as maiorias globais, mas a aristocracia dos EUA controlará também todas as outras aristocracias, de tal modo que aumentará o poder coletivo delas contra qualquer aristocracia nacional não membro do “bloco”. Assim o Império Norte-Americano será cada vez mais o maior Império global que o mundo jamais viu, explorando os pobres onde haja pobres no mundo, e não apenas os pobres de um ou outro país.


O crescimento econômico da China e o alcance militar de seus vizinhos. Do Brasil à Índia, classes médias em ascensão competem conosco e governos buscam voz mais potente em fóruns globais.

Em outras palavras, disse que parte do serviço daqueles jovens oficiais será ajudar a garantir que os países BRICS e outros países, que têm renda per-capita inferior à norte-americana, permaneçam como até hoje, pobres, para que os aristocratas dos EUA possam continuar a exportar empregos para lá, em vez de pagar salários superiores aos trabalhadores nos EUA. O que Obama disse foi:

(...) que os trabalhadores pobres dos EUA combatam contra trabalhadores pobres em outros países; muito melhor que os investidores norte-americanos terem de competir uns contra os outros nos países pobres.

Obama disse aos militares norte-americanos que são soldados nessa guerra de classes internacional, paga pelos contribuintes norte-americanos mais pobres, mas que, de fato, só interessa à aristocracia norte-americana e é guerra contra os norte-americanos mais pobres – porque só faz achatar salários e cortar garantias trabalhistas, de segurança para os consumidores, etc..

Países que já assinaram o TPP
Essa é a trilha que leva a certo tipo de governo pelos super-ricos e para os super-ricos, mantendo-os e os herdeiros deles no controle de todos os valores em todo o planeta – em recursos naturais e humanos – e usando, como agentes locais pelo mundo os aristocratas locais, que será o pessoal que manterá subjugada a opinião e os votos locais, todos trabalhando para aumentar a riqueza do planeta, desde que ela permaneça em mãos, primeiro, da aristocracia global; segundo, da aristocracia dos EUA na função de aristocracia globalmente dominante.

Dos governos nacionais locais só restará a concha vazia.

Benito Mussolini, que aprendeu todo aquele fascismo do fundador do fascismo, seu professor, Vilfredo Pareto (que Mussolini chamou de “o Karl Marx do fascismo”), e que foi também fundador da moderna teoria econômica e, especialmente, de seu Critério de Bem-estar, que tão fortemente modelou toda a economia e, sobretudo, as análises de custo-benefício (como a análise de meios que foram propostos para controlar o aquecimento global), explicou como segue o “corporacionismo” que, para ele, constitui o fascismo:

A corporação joga no terreno econômico exatamente como o Conselho Superior e o exército jogam no terreno político. O corporacionismo é economia disciplinada, e daí advém o controle, porque não se pode conceber disciplina sem diretor. O corporacionismo está acima do socialismo e acima do liberalismo. Criou-se uma nova síntese.

Adiante, nesse postado, depois desse artigo, ofereço um ensaio de Mussolini sobre esse tema, no qual expõe o que chama de ideologia pós-capitalista pós-socialista, e que o autodescrito pós-capitalista e pós-socialista Barack Obama (como agente da aristocracia global) está cada vez mais pondo, realmente, em prática – especialmente mediante os tratados TPP & TTIP.

Sobre especificamente trocas comerciais internacionais, o mestre de Mussolini, Pareto, disse que o livre-mercado deve reinar supremo e em todos os sentidos sem peias que lhe imponha o Estado, não só dentro das nações, mas também e, mesmo, especialmente, entre as nações. Como observei, em meu novo livro sobre o desenvolvimento histórico do fascismo até e incluindo também o nosso tempo:

Pareto foi consistentemente livre-mercadista purista, desde pelo menos 1896. Por exemplo, em artigo de 1/9/1897 “As Novas Teorias da Economia”, publicado no Journal of Political Economy, Pareto diz:

“Fosse eu de opinião que algum livro contribuiria mais que outro para estabelecer o livre-mercado no mundo em geral, não hesitaria um instante em me entregar de alma e coração ao estudo desse específico trabalho, deixando de lado, durante esse estudo, todo o estudo da ciência pura”. Diz também, no mesmo artigo: “Temos conseguido provar com vigor que os coeficientes de produção são determinados pelos empresários em regime de livre concorrência, precisamente do mesmo modo como um governo socialista teria de corrigi-los se quisesse realizar o máximo de ofelimidade [1] [termo inventado por Pareto para welfare, “bem-estar social”, para obscurecer o real valor-base e permitir que os economistas fingissem ser livres de valores, mesmo quando classificavam as coisas em análises de custo/benefício em que aplicam, de fato, a teoria pró-aristocracia ou ‘fascista’ do próprio Pareto]para seus objetos”. [Interessante também o ato falho de Pareto, para quem governos não teriam “cidadãos”, mas “objetos” – sempre subjacente o pressuposto aristocrático de que a maioria são “objetos”, nunca cidadãos reais].

Pareto sempre afirmou que nenhum governo socialista jamais conseguiria tal resultado, mas aqui diz que o livre mercado o faria naturalmente, exatamente como os fisiocratas disseram que a “lei natural” deve reinar, em vez de suavizações dela.

Pareto foi a base da economia de Adam Smith e da economia dos fisiocratas franceses que lançaram os fundamentos da teoria econômica de Smith, sobre uma base que economistas posteriores puderam desenvolver matematicamente, de tal modo que ocultariam o fascismo essencial da teoria – a forma modernizada (i.e., pós-agrária) de feudalismo.


Barack Obama e os Republicanos do Congresso estão, simplesmente, levando essa operação fascista ao nível seguinte.

Quanto aos Democratas do Congresso, estão divididos sobre o assunto, porque (pelo menos até a nova teoria econômica que exponho em meu novo livro) ninguém ainda formulara uma teoria econômica para estado democrático.

A teoria econômica hoje dominante foi concebida especificamente para um fascismo — um estado controlado aristocraticamente.

Consequentemente, os poucos Democratas que ainda há no Congresso dos EUA estão tendo muita dificuldade para explicar rapidamente à opinião pública o que está realmente em jogo, em termos políticos e econômicos, nos tratados TPP e TTIP propostos por Obama: a transferência da soberania nacional democrática para uma aristocracia internacional fascista, que será dominada pelos aristocratas norte-americanos.

Sem essa transferência, da soberania democrática nacional a corpos fascistas internacionais que representam a gestão corporativa global, os tratados TPP e TTIP de Obama seriam nada.

Essa transferência aparece, nos tratados, sob a rubrica de “Arbitragem para Resolução de Disputas Investidor-Estado” (ARDIE), em inglês Investor-State Dispute Settlement, ISDS.

E é realmente a emergência de um governo mundial caracteristicamente fascista. Não é mecanismo de modo algum democrático, e é assustadora forma de governo internacional o qual, na medida em que se torna imposto, reduz a soberania nacional. A proposta anterior, progressista, de governo mundial, que virou moda depois da IIª Guerra Mundial, para dificultar uma IIIª Guerra, era baseada na ideia de uma federação internacional de democracias independentes. A ARDIE (ISDS), de Obama, nada tem a ver com aquela visão original de governo mundial. Agora se trata de puro fascismo, numa escala internacional.

Nas primeiras décadas depois da IIª Guerra Mundial, predominou a visão de Franklin Delano Roosevelt do que seria um emergente governo mundial democrático, que se orientava para uma emergente ONU democrática, que evoluiria para acolher de modo cada vez mais democrático, mais e mais pedaços do mundo.

Mas depois que começou a ser recomposto o controle pelos Republicanos nos EUA, com Dwight Eisenhower e os irmãos Dulles que “Ike” promoveu, com a tarefa de controlar e modelar as políticas externas futuras dos EUA, as coisas andaram rapidamente na direção de um controle mundial centrado cada vez mais na aristocracia norte-americana (especialmente a partir do golpe de 1953 , conduzido pela CIA de Allen Dulles, no Irã). Hoje, Barack Obama segue atentamente essa tradição fascista, que sempre foi típica dos Republicanos, por mais que se apresente nominalmente como “um Democrata”.


Há analistas que há muito tempo insistem em que Obama seria criação da CIA e desde muito jovem. (Quando Eisenhower assumiu a presidência, pôs no comando os pró-nazistas da CIA; na sequência, esse comando só fez entrincheirar-se cada vez mais fundamente naquela organização.) O falecido jornalista britânico Robert Fitch parece ter visto logo quem era Obama, já desde 14/11/2008, pouco depois da eleição para a presidência. Basicamente, Fitch descreveu Obama como um fascista determinado a chegar ao poder induzindo os progressistas a crer que ele seria um deles. Retratou Obama como um Cavalo-de-Troia, Republicano travestido com retórica Democrata, agente conservador. Acertou, desde o primeiro momento.

Faz pleno sentido com o que, não pela teoria econômica, mas segundo indicam estudos empíricos de economia, será o efeito provável dos tratados TPP TTIP. Foram feitas duas análises econômicas independentes, uma dedicada a cada um desses tratados internacionais de comércio – e as duas análises chegaram à mesma conclusão: os povos em todos os cantos do mundo perderão riquezas em razão dos tais tratados; mas os aristocratas, principalmente nos EUA, ganharão riquezas também em razão dos mesmos tratados. Os tratados provavelmente levarão aos efeitos para os quais foram concebidos.

Quanto ao que alguns dos defensores de Obama dizem sobre seus tratados comerciais, a saber que o mecanismo de “Arbitragem para Resolução de Disputas Investidor-Estado” (ARDIE), em inglês Investor-State Dispute Settlement, ISDS, seria apenas um detalhe, é piada macabra: é como dizer que a saúde de alguém está ótima, mas o cérebro ou o coração estão tão mal que talvez precisem ser trocados. Toda essa gente sabe que os tratados são mau negócio para muitos; por isso precisamente o apoiam tão empenhadamente. São pagos pela aristocracia, para “argumentar” por ela.

E COM HILLARY CLINTON? ALGUMA COISA MELHORA?

E quanto à aspirante ao posto de Obama? Fará diferente? Eis o currículo da candidata sobre o mesmo tema:

Dia 23/2/2008, Hillary Clinton pôs-se à frente de câmeras e microfones para fazer sermão, com voz zangada: “Que vergonha, Barack Obama!” – e denunciou que dois flyers de campanha de Obama estariam divulgando mentiras sobre ela.

Um dos flyers dizia que o projeto dela para a saúde pública castigaria os norte-americanos que não tivessem seguro-saúde individual. Era verdade, mas ela insistira em negar tudo. (Depois de eleito, Obama copiou o plano dela, praticamente em todos os detalhes).

O outro flyer contra o qual Hillary protestava, citava o que seriam palavras de Hillary sobre o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (ing. North American Free Trade Agreement,NAFTA) em 2006: “Clinton acha que o NAFTA foi uma bênção para a economia”. Em 2008, Hillary insistia que era mentira. Muitos jornalistas logo apoiaram as acusações dela contra Obama nesse ponto, porque “uma bênção” [orig. “a boon”] era expressão inventada porNewsday, não era expressão dela. Mas outra vez quem estava mentindo no plano da substância era Hillary, não Obama.


Em seu livro de 2003 Living History (p. 182), ela realmente se vangloria de o marido ter conseguido aprovar o NAFTA, e dizia:

Criar uma zona de livre comércio na América do Norte – a maior zona de livre comércio do mundo – expandiria as exportações dos EUA, criaria empregos e garantiria que nosso país colhesse os benefícios, não só os prejuízos, da globalização.

Seria uma das realizações dela, de que ela mais se orgulhava (p. 231) “os sucessos de Bill no orçamento, a lei Brady e o NAFTA”. Em 2008, Hillary exigia desculpas pelo flyer que Obama distribuíra, no qual se lia “Só Barack Obama opôs-se ao NAFTA e a outros maus tratados comerciais”. De fato, o flyer de Obama não mentia, independente do que diziam Hillary e muitos dos principais veículos da mídia-empresa de “noticiário”, em 2008. (Obama estava guardando o pior dele para depois que fosse eleito — e, principalmente, para depois que fosse reeleito, quando estaria livre para avançar para a extrema direita, que sempre foi sua inclinação genuína desde o início; mas nunca poderia alcançar seus objetivos, se, de início, não os ocultasse, para conseguir chegar à posição da qual poderia afinal promovê-los).  

Dia 28/3/2008, um dia depois de Hillary finalmente distribuir os documentos relativos aos seus anos na Casa Branca, John Nichols blogou em Nation: “Mentira de Clinton Mata a Credibilidade Dela na Política Comercial”. No texto, dizia:

Agora que já lemos, nas 11 mil páginas de documentos da Casa Branca dos Clintons liberados essa semana, que a [ex-] Primeira Dama foi apaixonada defensora do NAFTA; (...) agora que sabemos que ela esteve no centro das manobras para bloquear todos os esforços dos trabalhistas, dos agricultores, dos grupos de defesa de direitos humanos e do meio ambiente para conseguir acordo menos catastrófico; (...) agora que sabemos, dos registros oficiais do tempo em que a própria Primeira Dama discursou, em reunião a portas fechadas com 120 mulheres formadoras de opinião, que receberam instruções precisas para pressionar seus deputados e senadores para que votassem a favor do NAFTA; agora que já sabemos da reportagem da ABC News sobre a sessão, em que se lia que “tudo o que a Primeira Dama disse foi totalmente pró-NAFTA” e que “não havia nenhuma dúvida, naquele momento, de que ela apoiava o NAFTA”'; (...) o que se faz agora, então, do mote de campanha eleitoral de Hillary, de que ela jamais se sentiu confortável com um Tratado que custou aos EUA centenas de milhares de empregos?!

Dia seguinte, Jane Tapper, da ABC, em seu Blog “Political Punch”, publicou em manchete: “Campanha de Clinton mente sobre a Reunião que ela coordenou sobre o NAFTA”, e escreveu:

Agora já falei com três ex-funcionários do governo Clinton nos quais confio, e eles me disseram que Hillary só se opunha à ideia de que a lei do NAFTA fosse votada antes da reforma da saúde que ela estava promovendo; e que jamais, nem em público nem privadamente, manifestou qualquer oposição ao conteúdo do Tratado NAFTA. Apesar disso, a campanha da ex-Primeira Dama continua a divulgar a mentira de que ela teria combatido o NAFTA.

E Hillary continuou a mentir, mesmo depois que todos já sabiam que o que ela dizia era comprovadamente falso.

Hillary foge do passado...
Conclusão: a única diferença real entre Hillary Clinton e Barack Obama é que Obama é mentiroso muitas vezes mais competente. Por isso chegou até onde chegou. Ela provavelmente não chegará: Hillary é hoje a mesma incompetente que era há mais de dez anos.
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Nota dos tradutores
[1] Orig. ophelimity. Do italiano ofelimità, pelo grego ōphelimos: útil, que ajuda, que tem serventia (verbo gr. ōphelein: ajudar, de ophelos, ajuda, vantagem), mais a terminação do it., -ità, ing. –ity, port. –idade. Tradução tentativa: “ofelimidade”.
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[*] Eric Zuesse é historiador. Seus livros mais recentes são They're Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010 [Ainda não estão nem perto: resultados econômicos de Democratas x Republicanos, 1910-2010] e CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity [Ventríloquos de Cristo: o evento que criou a cristandade] e Feudalism, Fascism, Libertarianism and Economics [Feudalismo, Fascismo, Libertarismo e Economia].

segunda-feira, 1 de julho de 2013

“Segurança nacional” nos EUA: Sempre MÁXIMA, para preservar o poder da aristocracia do dinheiro

28/6/2013, Wayne MADSEN, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Wayne Madsen
A Agência de Segurança Nacional dos EUA [orig. National Security Agency (NSA)] tenta agora outra campanha de propaganda superturbinada, pela imprensa e pela internet comercial. A maior agência de comunicações e de inteligência para tempos de ciberguerra do planeta insiste agora que sua infraestrutura de vigilância, gigantesca, descomunal, sem precedentes, existiria apenas para proteger os EUA contra ataques de terroristas e agentes ‘'estrangeiros'’ de inteligência.


De fato, a NSA existe exclusivamente para coletar informações, com vistas a proteger os interesses do dinheiro da aristocracia que governa os EUA.


Headquarter NSA - National Security Agency, Fort Meade, Maryland - USA
Sede da Agência de Segurança Nacional, Fort Meade, Maryland - EUA
Depois que o mundo tomou conhecimento da existência dessa rede de vigilância global massiva organizada na e a partir da Agência de Segurança Nacional dos EUA, graças às revelações feitas por Edward Snowden – ex-funcionário da CIA e depois empregado de empresa privada contratada para ‘terceirizar’ os serviços da Agência de Segurança Nacional dos EUA –, a elite no poder em Washington rapidamente se mobilizou. E passou a proclamar em uníssono, em todos os grandes jornais comerciais e redes comerciais de televisão, que Snowden seria “traidor”, e a NSA seria virtuosa guardiã da segurança nacional dos EUA.

O presidente Barack Obama pôs-se logo ombro-a-ombro, aliado ao presidente da Câmara de Deputados, o Republicano John Boehner; à líder da minoria, a Democrata Nancy Pelosi; à presidente da Comissão de Inteligência do Senado, a Democrata Dianne Feinstein; ao presidente da Comissão de Inteligência da Câmara de Deputados, o Republicano e ex-agente do FBI Mike Rogers; e a John Kerry, secretário de Estado, e, em uníssono, puseram-se todos a exigir que Snowden seja entregue aos EUA... para enfrentar sistema judiciário que está longe de merecer qualquer confiança de seja lá quem for.

Edward Snowden
Democratas e Republicanos puseram-se a gritar os mais desatinados desaforos contra todos os países que apareceram no percurso de Snowden como refugiado político: contra a Região Administrativa Especial de Hong Kong, a República Popular da China e o Equador.

Hong Kong respondeu que o pedido dos EUA, que “exigia” a extradição de Snowden, não era claro. E, na mesma resposta, exigiu que os EUA explicassem a espionagem e a invasão ilegal, pela Agência de Segurança Nacional dos EUA... contra redes de telecomunicações e de computadores em Hong Kong!

O governo Obama retaliou contra a China, que se recusou a violar as regras de “um país, dois sistemas” e não forçou Hong Kong a entregar Snowden aos EUA. Obama também condenou a Rússia por não deportar Snowden, de Moscou para os EUA.

A arrogância, a hipocrisia de Obama, apareceram expostas aos olhos do mundo, quando seu governo aplicou a “Lei Magnitsky” à Rússia. Chega a ser patético: a lei proíbe a entrada nos EUA e ex-funcionários do governo russo, porque a Rússia praticaria “violações dos direitos humanos”.

Em seguida, os EUA ameaçaram com “repercussões severas” o Equador, que forneceu documento oficial de refugiado, com o qual Snowden pode viajar internacionalmente, depois que Kerry revogou seu passaporte norte-americano. Quanto mais Washington arrancava as vestes, sapateava e berrava de fúria, mais o resto do mundo via o ridículo.

É o que acontece, se uma autoproclamada superpotência, proprietária do maior sistema de vigilância, controle e espionagem do mundo, põe-se a berrar palavrões e a rogar pragas, porque seu suposto inviolável programa de espionagem e coleta ilegal de informações, de posse das quais a tal superpotência pode chantagear e intimidar líderes políticos, foi exposto aos olhos do mundo, e por um único homem.

Mao Tse Tung da China referiu-se aos EUA, certa vez, como “tigre de papel”. Obama acaba de mostrar ao mundo que os EUA já não passam de resto de papel sem sentido, que vendem ao mundo como se fosse Constituição democrática. Já não são tigre.

Quando Obama defendia o poder de espionar e vigiar da Agência de Segurança Nacional, ninguém jamais o questionou sobre a participação do diretor-geral daquela Agência, general Keith Alexander, em cinco reuniões do grupo que comanda o dinheiro do mundo, o chamado “Clube de Bilderberg”.

Chega a ser cômico. Alexander vive a repetir que está(ria) protegendo o povo dos EUA contra número sempre variável de ameaças terroristas. Na verdade, Alexander é o que o general Smedley Butler da marinha dos EUA chamou uma vez de “apontador [orig. “finger-man”] a serviço do capitalismo”: alguém que identifica e aponta os inimigos da elite no poder. Butler – que comandava a Marinha dos EUA quando invadiu o México, o Haiti, Cuba, Nicarágua, República Dominicana e China – lamentou ter agido como “corneteiro pró-capitalismo”.[1] Hoje, o mesmo Alexander e seus apoiadores no governo Obama já são “corneteiros pró-fascismo”.

GCHQ - Government Communications Headquarters - Cheltenham, UK

Que a Agência de Segurança Nacional dos EUA e sua parceira britânica, Quartel-general das Comunicações de Governo [orig. Government Communications Headquarters (GCHQ)] inglês operam à margem de qualquer lei ou regulamentação internacional está fartamente comprovado pelo material já vazado. Por exemplo, pela evidência de que a agência britânica, a serviço da agência norte-americana, mantém escutas clandestinas no cabo transatlântico TAT-14 que liga Blaabjerg, Dinamarca, a Norden, East Friesland; a Alemanha a Katwijk; Países Baixos a St. Valery-en-Caux, França, a Bude, Cornualha, Inglaterra, a Tuckerton, New Jersey.

Em Bude, a GCHQ e a NSA, clandestinamente e em dupla, escutam o mesmo cabo, para recolher dados de internet e de tráfego de telefones que são então armazenados no sistema de metadados PRISM, da Agência de Segurança Nacional dos EUA, grande parte dos quais guardados no gigantesco centro de armazenamento de dados da NSA em Bluffdale, Utah. Essa operação clandestina de escuta e captura de dados em Bude leva o nome de “Operação TEMPORA”. Snowden divulgou e distribuiu todas as informações que comprovam que essa operação existe e opera.

A Inglaterra (UK) na Europa...
A Grã-Bretanha sempre foi vista como um “cavalo de Troia” da inteligência dos EUA enfiado na União Europeia. A operação de escuta clandestina em Bude chama a atenção para o fato de que a aliança de inteligência EUA-Grã-Bretanha desconsidera todas as demais alianças e tratados vigentes, inclusive o Tratado de Maastricht e o Tratado da Aliança do Atlântico Norte, OTAN. EUA e Grã-Bretanha espionam, em dupla, os seus próprios “aliados” alemães, franceses, holandeses e dinamarqueses.

Apesar do que agora se sabe, continuaram vigentes os acordos bilaterais de inteligência pelos quais a Agência de Segurança Nacional dos EUA recebia sinais interceptados pelas agências de inteligência de Alemanha, Dinamarca, Países Baixos e, em menos escala, da França, os chamados “Terceiros”. O que se constata é que a espionagem goza de prioridade absoluta, acima de qualquer acordo multinacional ou bilateral, sejam acordos militares, econômicos ou de qualquer natureza.

William Hague
William Hague, secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, menino-de-recados das elites globais, defendeu a aliança NSA-GCHQ quando discursou na Califórnia, na Biblioteca Presidencial Ronald Reagan. No mesmo momento, o ministro da Justiça do estado de Hesse, na Alemanha, dizia a Handelsblatt que “a Grã-Bretanha é uma sanguessuga de dados, operando dentro da União Europeia”. Para a ministra de Justiça da Alemanha, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, a operação TEMPORA “é um pesadelo hollywoodiano”.

Há muito tempo Hollywood produz filmes sobre mundos distópicos, onde forças obscuras assumem o controle sobre a vida privada dos habitantes do planeta. Hoje, a ficção científica já é fato, depois de eventos repetidos de divulgação de informações sobre o alcance descomunal da Agência Nacional de Segurança dos EUA, agência planetária de vigilância.

Michael Hastings
Assassinado pela NSA
Richard Clarke, o antigo “czar” do contraterrorismo de Bill Clinton e de George W. Bush, comentou que o terrível acidente de carro no qual morreu o jornalista Michael Hastings em Los Angeles pode ter sido resultado de o computador de seu [carro] Mercedes ter sido invadido; o carro teria sido descontroladamente acelerado, o que teria levado à colisão e à morte do motorista. Hastings, dentre outras investigações, já se aproximara do sistema de vigilância da Agência de Segurança Nacional que Snowden desmascarou, e distribuiu um e-mail, pouco antes de morrer, em que dizia que estava sendo seguido pelo FBI. Embora Hastings tenha morrido em rua próxima de Hollywood, nada há, aqui, de ficcional. Foi ação assustadoramente real. A Agência de Segurança Nacional dos EUA já é a agência sinistra, obscura, ultra secreta mostrada em incontáveis filmes, de 1984 e V de Vingança, a O mundo em 2022 [orig. Soylent Green] e Fahrenheit 451.

Russ Tice, ex-operador e analista de sinais de satélite da Agência de Segurança Nacional dos EUA está na imprensa e na internet, declarando que a NSA-EUA e seus parceiros de aliança jamais pouparan ninguém, na sua rede de vigilância e controle.

Barack Obama
Em 2004, a vigilância focou-se num senador recentemente eleito por Illinois, negro, de nome Barack Obama. Não há limites, nem reais, nem imaginários, para o tipo de informação pessoal privada que a Agência Nacional de Segurança dos EUA possui hoje, para chantagear o presidente Obama – e Obama jamais desobedeceu nem a mais ínfima das regras e ordens emitidas pela infraestrutura de inteligência dos EUA.

Obama, hoje, crê firmemente que controla a alucinada rede de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA.

De fato, não controla coisa alguma.

Em janeiro de 2017, quando deixar a presidência, ele, como antes dele os presidentes George W. Bush, Bill Clinton, George H. W. Bush, Ronald Reagan, Jimmy Carter, Gerald Ford, Richard Nixon e Lyndon Johnson serão alvos da vigilância ativa da Agência de Segurança Nacional, embora sejam membros da fraternidade ultra seleta dos ex-presidentes dos EUA.

A elite que controla o Panopticon de vigilância e controle da Agência de Segurança Nacional dos EUA é a elite do dinheiro: controla também o fechadíssimo clube dos ex-presidentes.

A NSA espiona e monitora todos os membros eleitos do Congresso dos EUA, todos os governadores dos 50 estados e territórios, cada celebridade, cada um que use aparelho de telefone celular ou computador ou qualquer rede em qualquer parte do mundo, das populosas ruas de Hong Kong e Cairo, à remota cidade de Kyzyl na República Tuva da Sibéria e em Grytviken na ilha antártica de South Georgia…

Ainda que os cidadãos do mundo decidissem levantar-se para destruir esse amaldiçoado sistema de supervigilância, não saberiam onde começar. A vigilância está em toda parte. Só os donos do sistema estão bem escondidos, longe dos sensores que tudo ouvem e tudo veem, oniscientes.


Nota dos tradutores

[1] I was a racketeer for capitalism, Maj. General Smedley Butler, 1935.