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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Vila beduína de al-Arakib destruída outra vez.

4/8/2010, Blog Promised Land, Israel

Traduzido por Caia Fittipaldi


the ruins of al Arakiv (photo: activestills.org)
Se a imagem não abrir, clique aqui



A vila beduína al-Arakib, no norte do Negev, foi novamente posta abaixo hoje. Centenas de policiais [1] bloquearam o acesso à vila, removeram os moradores das tendas onde estavam instalados provisoriamente, construídas pelos próprios moradores depois de suas casas terem sido destruídas já uma vez, e passaram com tratores sobre as tendas.


Al-Arakib fora destruída pela primeira vez há uma semana [2]. Foi reconstruída pelos residentes e voluntários nos dias seguintes. Segundo notícias da página Ynet, foram construídas 10 abrigos temporários em al-Arakib durante a semana passada. Hoje, foram novamente destruídas.


O deputado árabe ao Parlamento israelense Taleb El-Sana (Raam-Taal), desmaiou ao ser removido a força de uma das tendas. Foi levado a um hospital da cidade Beersheba.


O Dr. Awad Abu-Farikh, porta-voz dos moradores de Al-Arakib e residente local, disse à página Ynet [3] que:


“Os policiais vestidos de negro da forças das unidades especiais são a verdadeira face da democracia do ministro [de Negócios Estrangeiros] Avigdor Lieberman. Essa operação é o primeiro passo para a destruição de muitas outras vilas. Voltaremos às nossas vilas, reconstruiremos nossas casas e não sairemos daqui.”


A polícia israelense anunciou que processará a vila, para ser reembolsada do custo da evacuação. O custo da operação da semana passada, só ela, foi estimado em 500 mil dólares.


A vila de al-Arakib fica próxima da cidade histórica de al-Arakiv, construída na virada do século 19, quando a maior parte da população beduína que vive no deserto de Negev (ao sul de Israel) abandonou o nomadismo e distribuiu-se em pequenas vilas. Nesse postado [4] [em hebraico], vêem-se as ruínas da antiga al-Arakib que, como muitos acampamentos árabes, foram destruídos entre 1948 e 1951. Desde então, o povo de al-Arakib luta para ver respeitados seus direitos de acesso às suas casas e terras.


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Um dos comentários enviados a esse blog sobre outra matéria que publicamos sobre a destruição de al-Arakib [5] refere-se ao fato de que a vila beduína foi declarada ilegal por um Corte de Justiça israelense, e esse seria o motivo de a vila ter sido evacuada. Sobre isso, tenho a dizer o seguinte:


(a) O governo israelense aplica suas leis de modo muito seletivo. Há apenas algumas semanas, o governo decidiu tornar novamente vigente uma lei que reconhece a legalidade das colônias exclusivas para judeus e suas fazendas que, ao longo da última década, foram declaradas construções ilegais no Negev. Ao mesmo tempo, o Estado israelense não reconhece as mais de 40 vilas beduínas que há nas mesmas terras há décadas – muitas delas desde antes do nascimento do Estado de Israel. O Estado também se recusa a evacuar os postos avançados [núcleos iniciais para a criação de novas colônias exclusivas para judeus] que o próprio Estado considera ilegais (não confundir com a maioria dos chamados “assentamentos” exclusivos para judeus e considerados “legais”). A lógica aí é muito simples: em todas as regiões de terra “disputada” [que são, de fato, territórios palestinos ocupados], os judeus são estimulados a instalar-se para permanecer, tomando a maior extensão possível de terras; simultaneamente, os árabes são evacuados por forças policiais.


(b) Sobre a legislação e o próprio Estado de Direito: nos anos 50, Israel introduziu todo um conjunto de leis que tornariam impossível para muitos não-judeus fazer valer seus direitos sobre propriedade de terras, mesmo as terras fossem reconhecidas como propriedade de não-judeus desde antes de haver Estado de Israel. Quem não tenha documentos legais de propriedade de sua terra e/ou foi temporariamente deslocado na guerra de 1948 e nos anos seguintes perdeu seus direitos legais de propriedade. Assim, boa parte dos moradores históricos de al-Arakib foram convertidos em “invasores” da própria casa onde sempre viveram. Assim sendo, não se trata apenas de uma política de governo: todo o sistema legal, no que tenha a ver com propriedade de terra em Israel, é distorcido e discriminatório.


Para saber mais, recomendo o excelente artigo de Eyal Niv, “Law in Service to Thievery” [A lei a serviço do roubo] [6], de 29/7/2010, que explica como Israel está expulsando a população beduína de suas terras.


Notas de rodapé:


[1] Ver Requerimento de investigação sobre o ataque dos policiais, pela Organização Adalah .

[2] Ver matéria (e filme), no Guardian, 3/8/2010, em: Israel criticised over demolition of 'unrecognised' Bedouin villages”
[3] Em: Bedouin village razed again; MK forcefully removed
[4] Em: 1951 סיבוב בשרידי אלעראקיב / כפר בדואי שתושביו גורשו בשנת
[5] 28/7/2010, com foto, em: In a few hours, an entire village is destroyed
[6]
Em: Truth from Eretz Yisrael [em tradução].


O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Bedouin village al-Arakib destroyed again, police to sue cost of evacuation from residents

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A lição dos Nazis

sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Israel continua a própria atividade na frente interna.


Não há só os Palestinos, há também os Beduínos, povo pacifico que goza da nacionalidade israelense.


Mas não são Israelenses no verdadeiro sentido do termo, não são os Israelenses desejados pelo governo de Tel Avive; e isso é suficiente para que sejam tratados como não-cidadãos, privados dos próprios rebanhos, até das próprias casas.

Os Hebreus foram alvo de limpeza étnica na Alemanha nazi entre 1941 e 1945. E ainda hoje choram cada vez que é citada a Shoa.

Agora, demonstram de ter aprendido a lição e não hesitam a transformar-se de vítimas em carnífices.


E o mundo ocidental? Prontos também a chorar os horrores do passado cada vez que alguém lembrar a Shoa, os Países do Ocidente ultrapassam de forma leve e despreocupada os horrores do presente.


Eis o relato de Neve Gordon, um israelense, publicado nas páginas do The Guardian.
E a seguir o vídeo com as principais fases da destruição da aldeia.

Limpeza étnica em Israel

O desmantelamento duma aldeia beduína pela polícia israelita, mostra até que ponto o Estado pode ir para atingir a meta de judeização da região de Negev. A polícia israelense demoliu a aldeia beduína de Al-Arakib desmantelando cerca de 45 casas em apenas três horas.


Enquanto eu estava no carro em direção a Al-Arakib, uma aldeia beduína pouco mais de 10 minutos de Beer Sheva, um ameaçador comboio de tratores estava de retorno à cidade. Logo tomada a estrada de terra para a aldeia, vi uma dúzia de caminhões com policiais fortemente armados prontos para partir. Aparentemente, a missão estava cumprida.



As consequências da destruição foram visíveis imediatamente. Antes notei que as galinhas e os gansos corriam livres perto de uma casa demolida, então vi uma outra casa e outra ainda, todas reduzidas a escombros. As crianças estavam à procura de um local com sombra para fugir do sol escaldante do deserto, enquanto atrás deles uma nuvem de fumaça negra subia do feno em chamas. Não havia ovinos, caprinos e bovinos, confiscados provavelmente pela polícia.


Um grupo de beduínos estava no topo duma pequena colina a falar do que se tinha passado desde as primeiras horas da madrugada, cercados por árvores desenraizadas deitadas no chão. Uma aldeia inteira de 40-45 casas foi completamente destruída em menos de três horas.


Imediatamente tive um deja vu: caminhar no meio dos escombros duma vila destruída nos arredores da cidade libanesa de Sidon. Há mais do que 25 anos, durante o meu serviço como para-quedista em Israel. A diferença é que os residentes no Líbano tinham fugido muito antes da chegada do meu pelotão, e nós simplesmente atravessamos os escombros. Havia algo de surreal naquele evento, que durante anos impediu-me de compreender plenamente a sua importância. Na época, parecia caminhar na lua.


Hoje, imediatamente, senti o impacto da destruição. Talvez porque as 300 pessoas que viviam em Al-Arakib, incluindo crianças, estavam sentadas nos escombros e ansiedade deles era evidente, talvez porque a aldeia está localizada a 10 minutos da minha casa, em Beer Sheva, e aqui passo para ir para Tel Aviv ou Jerusalém, ou talvez porque os beduínos são cidadãos de Israel e de repente eu percebi até onde o Estado está preparado para ir visando tornar "Israel" a região de Negev; o que eu tinha presenciado foi um verdadeiro ato de limpeza étnica .


Diz-se que a próxima intifada será a dos beduínos. Há 155 mil beduínos no Negev, e mais de metade vivem em aldeias ilegais, sem eletricidade ou água corrente. Não sei o que eles poderiam fazer, mas deixar 300 pessoas sem abrigo, das quais 200 são crianças, Israel está semeando a discórdia no futuro.


http://www.youtube.com/watch?v=bvD-2BsPAQU&feature=player_embedded


Fonte: The Guardian via ComeDonChisciotte

Traduzido, editado e comentado por Informação Incorrecta