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sábado, 28 de março de 2015

Corrupção e Politicagem Pesada

18/3/2015, [*] George Monbiot – Monbiot blog
Hard Graft
Traduzido por Emex, que nos ajuda do Canadá(Vila Vudu)



A Grã-Bretanha não é corrupta? Só não será, se se adotar a mais ridícula e estreita definição de “corrupção”.

Quase todos os dias, jornais e televisões ingleses estão repletos de histórias que me cheiram a corrupção. Mas, no ranking de corrupção da ONG “Transparência Internacional”, a Grã-Bretanha ocupa o 14º lugar entre 177 nações (1) – classificação que sugere que ela seria uma das mais bem governadas nações da Terra. A conta não fecha. Ou todos os 13 países ainda mais corruptos que a Grã-Bretanha são espetacularmente corruptos, ou há algo errado com esse ranking da “Transparência Internacional”.

É analisar um pouco, e logo que se vê que, sim, o problema é o critério para classificar os países, o chamado ranking com que essa ONG opera, e que se serve de definições de “corrupção” as mais estreitas e seletivas. Nas nações ricas, práticas corriqueiras que poderiam sem violência ser expostas como práticas corruptas, são simplesmente desconsideradas; as mesmas práticas corriqueiras, em países pobres, são dramática e teatralmente enfatizadas.

Esta semana, foi publicado um livro deveras inovador: editado por David Whyte, o livro leva o título de How Corrupt Is Britain? [Quão Corrupta é a Grã-Bretanha?] (vídeo no fim do parágrafo). É obra que deve ser lida por todos que concordem que a Grã-Bretanha merece(ria) a posição em que aparece no ranking de “Transparência Internacional”.


Será que algum setor comercial bancário sobreviveria ainda na Grã-Bretanha, não fossem as práticas muito corruptas dos bancos, ou que envolvem bancos, ou que seriam impossíveis sem os bancos? Pense na lista dos escândalos: pensões subfaturadas, fraudes hipotecárias, o golpe do seguro de proteção de pagamento, o golpe da manipulação da taxa interbancária LIBOR, as operações com informações privilegiadas e tantos outros mais. Depois, pergunte a si mesmo: espoliar pessoas está sendo definido como aberração, ou apenas como “modelo de negócios”?

Nenhum dirigente de banco foi indiciado, sequer desqualificado ou demitido por práticas que contribuíram para desencadear a crise financeira: a legislação que os teria coibido ou enquadrado em crimes já havia sido paulatinamente esvaziada, antes, por sucessivos governos.

Um ex-ministro do atual governo dirigia o banco HSBC (vídeo acima), quando este se lançou à prática sistemática dos crimes de evasão fiscal (3), lavagem de dinheiro do narcotráfico e a garantir serviços a bancos da Arábia Saudita e de Bangladesh ligados ao financiamento de terroristas (4). Em vez de processar o banco, o Diretor da Controladoria Fiscal do Reino Unido passou a trabalhar para aquele mesmo banco, tão logo se aposentou (5).

Operando com o apoio dos territórios britânicos de além-mar e postos avançados da Coroa, Londres é líder mundial dos paraísos fiscais, controlando 24% de todos os serviços financeiros(6) lá oferecidos.

Índice de Percepção de Corrupção da TI
A cidade oferece ao capital mundial um sofisticado regime de sigilo, dando assistência não apenas a sonegadores de impostos, mas também a contrabandistas, fugitivos de sanções e lavadores de dinheiro. Como disse a juíza de instrução francesa, Eva Joly, queixando-se, a City “nunca forneceu sequer uma ínfima evidência útil a qualquer magistrado estrangeiro”(7).

Reino Unido, Suíça, Singapura, Luxemburgo e Alemanha estão todos entre os países menos corruptos na lista de Transparência Internacional. Mas também figuram na lista da Rede de Justiça Fiscal (Tax Justice Network) como administradores dos piores regimes sigilosos de investimento e paraísos fiscais (8). Por alguma estranha razão, nada disso é levado em conta para definir o ranking da ONG Transparência Internacional!

A Iniciativa de Financiamento Privado (Private Finance Initiative) tem sido usada por sucessivos governos britânicos para iludir os cidadãos quanto à extensão dos empréstimos que canalizaram dinheiro público para corporações privadas. Envolta em segredo, recheada de propinas ocultas (9), a IFP tem fisgado hospitais e escolas sempre com dívidas impagáveis; ao mesmo tempo, a mesma IFP impede o controle público sobre inúmeros serviços públicos.

Espiões de estado lançam-se à vigilância (10) em massa, ao mesmo tempo em que a Polícia trabalha servindo-se de identidades de crianças mortas, mente em tribunais para fornecer provas falsas e incita crianças ao ativismo extremista, além de infiltrar-se em grupos pacíficos, tentando destruí-los (11). As forças policiais já mentiram sobre o desastre de Hillsborough (12); já protegeram pedófilos ativos (13), inclusive Jimmy Savile e, como hoje se afirma, toda uma gama de dirigentes políticos suspeitos também do assassinato de crianças. Savile foi protegido também pelo Serviço Nacional de Saúde (National Health Service) e pela BBC – que demitiu a maioria dos que tentaram expô-lo (14) e promoveu os que tentaram perpetuar o encobrimento.

Suiça - Paraíso Fiscal
Há o problema de nosso intocado sistema de financiamento de políticos, que permite a compra dos partidos (15) pelos mais ricos. Há o escândalo das escutas telefônicas e dos jornais que subornam policiais; da privatização dos Correios britânicos, o Royal Mail (16), vendido a preços insignificantes; o esquema da “porta giratória”, que permite que empresários e empregados de grandes empresas, depois de eleitos, estejam em posição que lhes permite redigir leis que defendem os seus próprios interesses ou dos respectivos patrões empresários; o assalto à seguridade social e aos serviços prisionais, por empresas privadas terceirizadas; a fixação do preço da energia por empresas; o roubo diário perpetrado por empresas farmacêuticas, e tantas dúzias de casos semelhantes. Nada disso é corrupção? Ou essas são operações consideradas “sofisticadas” demais para serem expostas sob o seu verdadeiro nome, “corrupção”?

Confiar no Banco Mundial para aferir corrupção, é como confiar em Vlad, o Empalador, para aferir direitos humanos

Entre as fontes usadas por Transparência Internacional para produzir seu ranking estão o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial.

Confiar no Banco Mundial para aferir corrupção, é como confiar em Vlad, o Empalador, para aferir direitos humanos. Orientado pelo princípio um dólar\um voto, controlado pelas nações ricas e atuando nas nações pobres, o Banco Mundial financiou centenas de elefantes brancos que enriqueceram enormemente as elites mais corruptas e beneficiaram capitais estrangeiros(17), ao mesmo tempo em que expulsava pessoas das próprias terras e deixava o país afogado em dívidas impagáveis.

Para espanto geral, a definição do Banco Mundial para a corrupção é tão limitada, que não considera esse tipo de prática.

E o Fórum Econômico Mundial estabelece sua escala de corrupção a partir de uma pesquisa que consulta executivos mundiais (18), precisamente eles, cujas empresas são beneficiárias diretas do tipo de práticas que estou listando nesse artigo. As perguntas se limitam ao pagamento de propinas e à aquisição corrupta de fundos públicos por interesses privados(19), excluindo o tipo de corrupção que prevalece nas nações ricas.


Quando entrevista cidadãos comuns, as entrevistas de Transparência Internacional seguem a mesma linha: a maior parte das perguntas específicas concerne ao pagamento de propinas(20).

A corrupção que cobra propinas é a única modalidade de corrupção na qual empresas e empresários privados são obrigados a pagarEm todas as demais modalidades de corrupção, empresas e empresários privados ficam com todo o produto do roubo para si.

Por isso, precisamente, todo o alarido metido a “ético” das investigações de corrupção, que chega ao grande público pelos veículos da mídia-empresa, expõe só, exclusivamente, um lado da corrupção (os servidores públicos corruptos ou apenas acusados de corrupção, sem que jamais se prove coisa alguma), e muito cuidadosamente esconde o outro (as empresas e empresários privados corruptores, os quais, não por acaso, são grandes anunciantes dos mesmos veículos da mídia-empresa metida a “ética” (NTs)].

Para o autor do livro Quão corrupta é a Grã-Bretanha?, essas concepções do que seja “corrupção” são parte de uma longa tradição de retratar o fenômeno como “desgraça” que só acometeria nações frágeis, as quais teriam de ser “resgatadas”  por “reformas” impostas por poderes coloniais e, mais recentemente, por organismos como o Banco Mundial e o FMI.

“Reforma” para essas entidades é sinônimo de arrocho [chamado de “austeridade”], privatização, terceirização e desregulamentação. Com suas “reformas”, aquelas entidades sugam dinheiro diretamente das mãos dos pobres, para entregá-lo a oligarcas nacionais e mundiais.  

Judiciário Corrupto (Lá e Cá)
Para organizações como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial, há pouca diferença entre o interesse público e os interesses das corporações internacionais. O que seria visto como corrupção, a partir qualquer outra perspectiva, é apresentado por eles como “economia saudável”.

O poder financeiro mundial e a imensa riqueza da elite global estão fundados na corrupção. Os beneficiários têm interesse, evidentemente, em operar com definições de “corrupção” que os “resgata” e preserva.

Sim, muitas nações pobres sofrem o flagelo do tipo de corrupção em que funcionários públicos aceitam propinas. Mas os problemas que afligem a Grã-Bretanha são mais profundos, porque quando o sistema já é dominado pela elite, propinas são detalhe pouco importante, são supérfluas.

NOTAS

6. John Christensen, 2015, in David Whyte (ed). How Corrupt is Britain? Pluto Press, London.
7. Nicholas Shaxson, 2011. Treasure Islands: Tax Havens and the Men Who Stole the World. Random House, London. http://treasureislands.org/
12. Sheila Coleman, 2015, in David Whyte (ed). How Corrupt is Britain? Pluto Press, London.
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[*] George Monbiot (inglês, nascido em 1963) estudou zoologia em Oxford e especializou-se em Gestão Ambiental. Tornou-se produtor de Programas Ambientais da BBC desde 1985 (rádio) com um programa sobre Vida Selvagem. Com um documentário sobre o naufrágio de um navio graneleiro largo da costa de Cork, descobrindo evidências de que sugeriu que tinha sido deliberadamente sabotado, ganhou um prêmio Sony. No governo Thatcher, que provocou a perda de independência da BBC e a consequente demissão de Alasdair Milne, em janeiro de 1987, a BBC tornou-se uma merda e ficou impedido de realizar programas investigativos. Ainda na BBC foi trans ferido para o Serviço Mundial. Viajou, ainda na BBC para a Indonésia onde passou 6 messes cobrindo (e escreveu seu primeiro livro – Poisoned Arrows – sobre o assunto) o genocídio perpetrado por Suhato naquele ano de 1987.
Em 1989 veio para o Brasil onde pode escrever sobre os Movimentos Sociais e o latifúndio criminoso vigente.  A história destas investigações é contada no livro Amazon Watershed . Voltou ao Brasil algum tempo depois, para fazer um programa Radio 4, chamado Going Back, durante o qual conseguiu rastrear o sargento da polícia responsável por torturar e matar ativistas camponeses no Maranhão. O episódio foi usado por vários anos no curso de formação de saúde e segurança da BBC, como um exemplo do que não fazer. Mudou-se para a África Oriental, em 1992, para investigar a vida dos povos nômades do Quênia e da Tanzânia que resultou em seu livro No Man's Land. A partir de 1996 passou a escrever uma coluna no The Guardian e dedicar-se a escrever mais alguns livros: 
  • Captive State: the corporate takeover of Britain, 2002 
  • The Age of Consent, 2003 
  • Heat: how to stop the planet burning, 2009 
  • Bring on the Apocalypse, 2013  
  • Feral: searching for enchantment on the frontiers of rewilding (em elaboração)

      terça-feira, 10 de março de 2015

      Brasil – Reforma Política e Corrupção


      13/2/2015, Samuel Pinheiro Guimarães – Carta Capital
      (Distribuído por e-mail, para assinantes do Boletim “Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST”) e enviado pelo pessoal da Vila Vudu


      Samuel Pinheiro Guimarães
      1 – Há um clamor público, uma revolta de todas as classes da sociedade, contra as revelações de corrupção.

      2 – Quando terá começado a corrupção? Quem são os culpados? É um fenômeno exclusivamente brasileiro ou do mundo subdesenvolvido ou humano em geral? A quem interessa? Ocorre apenas no setor público? Será uma característica inata da sociedade brasileira?

      3 – Os incidentes de corrupção que a operação Lava Jato vêm desvendando e que vazam para a imprensa, sem provas e a conta gotas, por quem deveria preservar o sigilo das investigações e a reputação dos acusados (mas não culpados por que não foram julgados) estariam relacionados com o financiamento de campanhas eleitorais.

      4 – O sistema de financiamento de campanhas eleitorais está vinculado à representação de interesses econômicos no Legislativo e no Executivo. O caso do Judiciário é um tema a parte, ainda que de grande interesse.

      5 – O candidato Aécio Neves gastou em sua campanha eleitoral, de acordo com as declarações ao TSE, cerca de 201 milhões de reais. A candidata Dilma Rousseff gastou cerca de 318 milhões de reais. O custo total das campanhas para presidente, governador, senador e deputado foi de cinco bilhões de reais.

      6 – De onde vieram esses recursos? Certamente (ou muito raramente) não vieram da fortuna pessoal dos candidatos, mas sim de doações, principal ou quase exclusivamente, de grandes empresas privadas.

      7 – O custo das campanhas é em extremo elevado devido aos custos de produção e de veiculação de programas de televisão, das viagens que se fazem necessárias devido à extensão territorial do país, dos custos de material de propaganda e de sua distribuição.

      8 – O objetivo dos que defendem o financiamento privado das campanhas eleitorais está vinculado à principal característica da sociedade brasileira que é a concentração de renda e de riqueza.

      9 – A concentração de renda é, em geral, estimada a partir dos rendimentos do trabalho conforme declarados à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE.

      10 – Os rendimentos do capital, isto é os lucros, os juros, os aluguéis, são subdeclarados na PNAD e a Secretaria da Receita Federal não publica esses dados de acordo com a sua distribuição por faixa da população, ainda que sem quebra de privacidade dos declarantes do Imposto de Renda.

      11 – A estimativa é de que os rendimentos do trabalho correspondam a cerca de48% da renda nacional.

      12 – O salário mínimo é de 788 reais, o salário médio do trabalhador brasileiro é inferior a 2.300 reais por mês e 90% dos brasileiros ganham até cinco salários mínimos por mês.

      13 – São 13,7 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família. Isto significa que cerca de 50 milhões de brasileiros tem rendimento mensal inferior a 77 reais. Por outro lado, há, no Brasil,cerca de 46 bilionários e 10.300 multimilionários, estes com patrimônios pessoais superiores a 23 milhões de reais.

      14 – Muitos são os mecanismos de concentração de renda e de riqueza.

      15 – Entre esses mecanismos estão às taxas de juros, o sistema tributário, os créditos do Estado a empresas e o sistema de aluguéis.

      16 – Quanto mais elevadas às taxas de juros “autorizadas” ou permitidas pelas autoridades monetárias maior a transferência de riqueza de devedores, que são a enorme maioria da população, para os credores privados, detentores do capital, e do Estado para os seus credores.

      17 – O sistema tributário pode ser regressivo ou progressivo. O sistema se diz regressivo quando a maior parte dos impostos arrecadados provêm da maioria da população, sem distinção de seu nível de renda (imposto sobre o consumo, por exemplo) e se diz progressivo quando os indivíduos detentores de maior riqueza ou de mais alto nível de renda pagam mais impostos mesmo em proporção a sua riqueza ou renda. É fato que um sistema regressivo de tributação concentra renda e riqueza. As isenções de impostos, as restituições e as desonerações para empresas ou indivíduos acentuam a concentração de renda.

      18 – Os créditos fornecidos pelo Estado privilegiam, em geral, as maiores empresas e, portanto, seus proprietários que são os indivíduos mais ricos da sociedade.

      19 – A leniência do Estado para com a evasão de tributos ou com seu não pagamento (por exemplo, pela não criminalização da evasão, pelo parcelamento e perdão das dívidas tributárias) também concentra renda e riqueza. São brasileiros os proprietários de 530 bilhões de dólares depositados em paraísos fiscais.

      20 – A concentração de renda e de riqueza em mãos de uma ínfima minoria da população brasileira tem importantes efeitos sobre o sistema democrático e sobre os episódios de corrupção.

      21 – Os indivíduos detentores de riqueza e renda tem interesse em preservar os mecanismos de concentração e interesse em que não surjam instrumentos legais (leis ou programas) que desconcentrem riqueza e renda.

      22 – Ora, as normas (as leis) que definem a estrutura e o mecanismo de riqueza, propriedade e renda (legislação trabalhista, tributária, monetária, da propriedade rural e urbana, etc.) são elaboradas no Legislativo, eventualmente no Executivo e cada vez mais no Judiciário.

      23 – Em um país de grande concentração de riqueza e renda, de elevado grau de urbanização, de grande penetração dos meios de comunicação, de sistema democrático e eleitoral relativamente livre de fraudes, seria natural que a enorme maioria da população (que é pobre ou no máximo remediada) elegesse a maioria dos representantes no Congresso, que deveriam ser como ela pobres e remediados e, portanto, legisladores dispostos a redistribuir a riqueza e a renda ou pelo menos a minorar os mecanismos de concentração.

      24 – Não é isto o que ocorre.

      25 – A ínfima minoria milionária e bilionária tem, assim, de procurar instrumentos para influir no processo político para evitar esse tipo de legislação e de ação redistributiva no Executivo. Essas, quando ocorrem, são taxadas de comunistas, socialistas, nacionalistas, e hoje em dia de bolivarianas.

      26 – O primeiro e mais importante desses instrumentos é o financiamento privado (empresarial) das campanhas eleitorais.

      27 – O segundo instrumento é o controle dos Partidos para que estes escolham como seus candidatos indivíduos que sejam favoráveis à sua visão (isto é, daquela minoria) da sociedade, ainda que não sejam eles mesmos, do ponto de vista pessoal, detentores de riqueza e renda elevadas.

      28 – O terceiro instrumento é o controle dos meios de comunicação para convencer a população das deficiências do Estado, do caráter corrupto dos candidatos dos Partidos e das políticas populares (isto é, daqueles comprometidos com programas de reforma social que leva à desconcentração de riqueza e renda).

      29 – O quarto instrumento é a campanha permanente dos meios de comunicação de desmoralização da atividade política, do Estado e dos políticos para manter a maioria do povo afastada da política. Uma das formas de manter o povo afastado da política seria a aprovação do voto facultativo como se este fosse apenas um direito e não um dever.

      30 – A campanha pela reforma política deve se concentrar no tema central do financiamento empresarial das campanhas, que é a verdadeira fonte de corrupção e de controle oligárquico, não democrático, da sociedade por aqueles que concentram o poder econômico e controlam os meios de comunicação.

      31 – Os representantes das forças conservadoras no Congresso Nacional já se empenham para votar o projeto que consagra o financiamento privado, isto é, empresarial, das campanhas eleitorais.

      32 – A consagração legal do financiamento privado consagrará o sistema fundamental de corrupção do processo político que tem como objetivo impedir a desconcentração de riqueza e renda que torna o Brasil um dos países mais injustos do mundo.

      terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

      SONEGAÇÃO versus CORRUPÇÃO; os interesses dos EUA e seus cúmplices no Brasil

      8/2/2015 -
      Enviado por Emilia M. de Morais
      Ilustrações: redecastorphoto



      Um amigo meu trabalha com lógica matemática e nunca fez política partidária. Diverte-se em fazer contas e delas extrair inferências mínimas; anda tão intrigado com a desinformação reinante, que escreveu o que segue logo abaixo.

      Pedi-lhe apenas para me repassar as fontes e, de preferência, que fossem “confiáveis” para os que se presumem bem informados.

      Vocês não lerão nada dos “blogues sujos”, simpatizantes do PT ou afins. Essa discussão precisa ser mais objetiva e menos partidária. Sem adjetivos ideológicos vamos aos números e aos substantivos!



      Vejam o que ele escreveu, passo a passo

      R$ 450 bilhões/ano + R$ 82 bilhões/ano = R$ 532 bilhões/ano é a soma de dois rombos anuais nos cofres públicos brasileiros. A parcela maior corresponde ao custo anual estimado da SONEGAÇÃO fiscal. A parcela menor corresponde ao custo anual estimado da corrupção.

      Desses R$ 532 bilhões/ano, R$ 0,2 bilhão/ano ou R$ 200 milhões/ ano corresponde ao escândalo da Petrobrás.

      Silêncio de cemitério sobre a diferença de R$ 531,8 bilhões. A classe amorfa dos indignados é descerebrada. É incapaz de comparar números em termos de magnitude. É incapaz de somar. É incapaz de subtrair. É incapaz de figurar proporções. É incapaz de um raciocínio aritmético elementar.

      Pelos dados mais atualizados (mais de R$ 500 bilhões de sonegação) a diferença entre os dois índices ainda seria maior. Confiram esta vídeo-entrevista da Folha de São Paulo de 4/8/2014.


      Sobre corrupção no Brasil e a histeria midiática

      Registre-se ainda:

      Notícia (I): R$ 82 bilhões é o custo anual estimado da corrupção no país.
      Notícia (II) - algumas continhas mínimas:

      Desses R$ 82 bilhões, R$ 0,2 bilhão ou R$ 200 milhões (anual) corresponde ao escândalo da Petrobrás (R$ 2,1 bilhões / 12 anos = 0,175 bilhão/ano. Arredondei o valor pra cima).

      Silêncio midiático de cemitério sobre a diferença de R$ 81,8 bilhões.

      Confiram essas notícias pelos links da grande mídia (imprensa-empresa venal), a seguir:



      Graça Foster
      Sobre Graça Foster, inferências impagáveis!

      Um mistério em torno da gestão de Graça Foster. Como é que ela conseguiu a tripla façanha de:

      (1) ser agraciada com o Distinguished Lifetime Achievement Award da prestigiada Society of Petroleum Engineers;
      (2) ter carreado para a Petrobrás o Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions da igualmente prestigiada OTC;
      (3) ter conseguido superar a Exxon Mobil no 3.º trimestre de 2014, tornando-se a maior produtora de petróleo do mundo dentre as empresas de capital aberto?

      A petezada deve ter aparelhado a SPE e a OTC. Só pode. Ou talvez os comitês que concederam os prêmios são constituídos por bananas. Não há outra explicação.

      Links para Graça Foster e a Petrobrás:




      In a letter informing Petrobras of the award, the chairman of the Offshore Technology Conference, Edward G. Stokes, emphasized that: “This award provides recognition for Petrobras’ notable, significant and unique achievements and its major contributions to our industry [offshore oil and gas]. The [OTC] selection committee was extremely impressed by the nomination. Petrobras’ achievements in the drilling and production of these challenging reservoirs are world-class. The industry has learned a lot from the information shared by Petrobras about pre-salt in papers and sessions presented at the OTC. We are all benefiting from your success.



      Sonegação da Globo versus Corrupção da Petrobrás - o incômodo “empate técnico” das manchetes!

      Links das manchetes imprensa-empresa a seguir:




      A manchete (1) os jornais da Globo e seus colunistas martelam todos os dias!
      A manchete (2) William Bonner, William Waack, Miliram Leitão, Merval Pereira, C. A. Sardenberg jamais noticiaram!

      Sobre corrupção vale relembrar o recente e certeiro artigo do empresário Ricardo Semler! O autor de Virando a própria mesa é um tucano de carteirinha, orgulhoso e confesso, e que conhece bem os meandros da política e do poder no Brasil, de longas datas. O que ele nos recordou:

      Ver em 21/11/2014, Ricardo Semler - Folha de São Paulo em: Nunca se roubou tão pouco”.

      Ives Gandra
      Martins
      Ele me enviou também uma singela perguntinha que faria ao eminentíssimo jurista, Dr. Ives Gandra Martins:

      Caro professor Gandra, que outros nomes e autoridades se enquadrariam na sua teoria do impeachment por omissão culposa? Dilma responderia pela fatia de R$ 0,2 bilhão/ano no caso da Petrobrás. Quantos mais responderiam, seguindo sua linha de raciocínio, pelo granel dos R$ 81,8 bilhões/ano relativo aos casos restantes?

      E nem os algoritmos do isento Google lhe escaparam:

      Googlômetro: 62.000.000 resultados para “corrupção” (que suga cerca de R$ 82 billhões/ano dos cofres públicos) contra míseros 615.000 resultados para “sonegação” (que suga cerca de R$ 500 bilhões/ano dos cofres públicos).

      Por quê? Joguinho para a meninada se divertir.

      Enfim, arremato:

      Poucos se dão conta de que a atual campanha contra a PETROBRÁS e as grandes empreiteiras brasileiras tem a ver com o B dos BRICS (países que, hoje, ameaçam a hegemonia do dólar) e com a cobiça nacional e internacional pelos TRILHÕES do Pré-sal; assim, não estão compreendendo quase nada do que está se passando no Brasil.

      Rodrigo Janot
      Poucos se dão conta de que, se corruptos têm de ser punidos, nunca a polícia federal teve autonomia para denunciar e prender tanta gente neste país!

      Relembrando Bob Fernandes sobre o pré-sal, agora que Janot foi aos EUA solicitar “ajuda” (???) da ECA - o muito poderoso CADE de lá!

      Vinte trilhões e 400 bilhões de reais equivalem a uns 5 PIBs do Brasil. Cinco vezes tudo o que o Brasil produz a cada ano.

      Por algo que vale US$ 8 trilhões e 800 bilhões, Estados Unidos, Inglaterra, as chamadas grandes potências fariam, farão qualquer coisa. Assista o vídeo: