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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Desnacionalização e revolução


*Adriano Benayon – 29.10.2012

Desde há séculos o Brasil carece de governo autônomo, capaz de promover o progresso econômico e social. A independência proclamada em 1822 não se traduziu em autonomia real, pois o País atravessou o Império e os primeiros anos da República sob tutela financeira e política da Inglaterra, até o final da Primeira Guerra Mundial, e do império anglo-americano desde então.

2. Os lampejos de autonomia duraram pouco, logo apagados por intervenções da oligarquia mundial. Assim, nos anos 1840 com a tarifa Alves Branco, uma tentativa de viabilizar o surgimento de indústrias nacionais. Também, com os empreendimentos abrangentes do Barão de Mauá, dos anos 1850 aos 1880, e com iniciativas limitadas, como a fábrica de linhas de Delmiro Gouveia em Alagoas, 1912-1917.

3. Os avanços na redução da dependência econômica foram contidos ou anulados pela dependência política. E esta decorreu da subordinação da economia agrária e exportadora de bens primários aos interesses comerciais e industriais de potências estrangeiras.

4. Quando Getúlio Vargas, promoveu maior grau de autonomia nacional -  de 1934 a 1945 e de 1951 a 1953 - as potências hegemônicas - coadjuvadas pelas “classes conservadoras” locais e pela mídia venal – montaram complôs para desestabilizar e derrubar o governo.

5. Como Vargas antes, João Goulart, em 1962-1963, não se precaveu diante das maquinações imperiais, tarefa difícil em regime “democrático” no qual o poder financeiro determina o processo político.

6. Mesmo sendo escassa a proteção tarifária e a não-tarifária, e operassem no Brasil vários cartéis e grandes empresas estrangeiras, surgiram numerosas indústrias de capital nacional substituidoras de importações na segunda metade do Século XIX e na primeira do Século XX.

7. Cito quatro livros que o demonstram: Warren Dean, A Industrialização de São Paulo (1880-1945); Edgard Carone, O Centro Industrial do Rio de Janeiro e sua Importante Participação na Economia Nacional (1827-1977), ed. Cátedra, Rio 1978; Delso Renault, 1850-1939 O Desenvolvimento da Indústria Brasileira, SESI; Eli Diniz, Empresário, Estado e Capitalismo no Brasil 1930-1945, ed. Paz e Terra, SP 1978.

8. O próprio Vargas só restringiu investimentos estrangeiros em poucos setores e demorou a notar o volume das remessas de lucros ao exterior, o que está longe de ser único dos prejuízos que eles causam à economia.

9. As potências imperiais realizaram seus objetivos a partir de Café Filho, fantoche dos entreguistas civis e militares (1954). JK, eleito em 1955, pelos votos getulistas, ampliou os benefícios ao capital estrangeiro.

10. Daí não terminou mais a escalada de desnacionalização, não obstante se terem criado estatais na área produtiva –privatizadas de forma vergonhosa a partir de 1990 - tendo o Estado feito também investimentos nas infra-estruturas econômica e social.

11. O poder público subsidiou as transnacionais, e esmagou empresas nacionais.

12. Resultado: em 1971 o capital estrangeiro já controlava setores importantes: mercado de capitais 40%; comércio externo 62%; serviços públicos 28%; transportes marítimos 82%; transporte aéreo externo 77%; seguros 26%; construção 40%; alimentos e bebidas 35%; fumo 93,7%; papel e celulose 33%; farmacêutica 86%; química 48%; siderurgia 17%; máquinas 59%; autopeças 62%; veículos a motor 100%; mineração 20%; alumínio 48%; vidro 90%.

13. Em 1971 o estoque de investimentos diretos estrangeiros (IDEs) não chegava a US$ 3 bilhões. Em 2011 atingiu US$ 669,5 bilhões.

14. O montante de 2011 é 40 vezes maior que o de 1971 atualizado para US$ 16, 6 bilhões. No período, o PIB, em dólares corrigidos, só se multiplicou por 6.

15. Os IDEs referem-se só às empresas com maioria de capital estrangeiro, não aos “investimentos estrangeiros em carteira” (participações no capital de empresas e aplicações em títulos públicos e privados). Esses acumularam US$ 597 bilhões até 2011. Os empréstimos, US$ 190 bilhões. A soma dá quase US$ 1,5 trilhão.

16. É fácil emitir dólares do nada e com eles comprar ativos. Mais: grande parte dos IDEs é reinvestimento de lucros, e quantia muitíssimo maior que a dos ingressos foi remetida ao exterior a título de lucros, dividendos, juros, afora os ganhos camuflados em outras contas do balanço de transações correntes. Disso originou-se a dívida pública, fator de empobrecimento e de dependência.

17. A desnacionalização prossegue galopante. Conforme a “Pesquisa de Fusões e Aquisições” da consultoria KPMG, 247 empresas foram adquiridas por transnacionais de janeiro a setembro de 2012. Em todo 2011 haviam sido 208. De 2004 para cá foram 1.247.

18. Em 2012 destacam-se: tecnologia da informação (33); serviços para empresas (20); empresas de internet (19); supermercados, açúcar e álcool (35); publicidade e editoras (10); alimentos, bebidas e fumo (10); mineração (9); óleo e gás (8); educação (7); shopping centers (7); imobiliário (7).

19. Ainda mais estarrecedora que a avassaladora ocupação da economia brasileira é a persistência na mentalidade de que os investimentos estrangeiros beneficiam a economia.

20. Não houve evolução, desde os anos 50 e 60, no entendimento da realidade. Continuam sendo escamoteadas as causas do enorme atraso tecnológico do País e disto tudo: pobreza, insegurança, infra-estrutura lastimável, desagregação social, desaparelhamento da defesa e cessão de territórios a pretexto de proteção ao ambiente e a indígenas.

21. O impasse da economia brasileira, prestes a desembocar em dificuldades ainda maiores, sob o impacto da depressão nos países centrais, decorre das percepções errôneas, subjacentes às recomendações da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina da ONU) e à política “desenvolvimentista” de JK.

22. Estas foram as falsas premissas, ainda não atiradas ao lixo, como deveriam ter sido há muito tempo:
1) a industrialização como meta em si mesma, independente da composição nacional ou estrangeira e do grau de concentração do capital;
2) o capital estrangeiro tido por necessário para suprir pretensa insuficiência local de recursos.

23. As políticas decorrentes dessas ideias redundaram na desindustrialização e na descapitalização do País. Ignora-se a experiência histórica – sempre confirmada - de nunca ter existido real desenvolvimento em países nos quais predominem os investimentos estrangeiros.

24. Recorde-se que, de 1890 a 1917,  ano da débâcle na guerra e da revolução, o volume de investimentos estrangeiros na Rússia foi cerca de três vezes superior ao do capital nacional.

*Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras, SP.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Dr. Getulio, últimos momentos


Documentário "Dr. Getúlio, últimos momentos" (2000) do cineasta Silvio Tendler.


Esta postagem é uma “homenagem” aos MILICANALHAS golpistas. Jagunçada que SEMPRE envergonhou, ameaçou, assaltou, torturou e assassinou o Brasil e o povo brasileiro

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Getúlio, JK e Lula

Em oito anos, o operário superou os dois grandes mitos nacionais

 

Monte Rushmore
Se houvesse um monte Rushmore no Brasil, o rosto de Luiz Inácio Lula da Silva estaria agora sendo esculpido na rocha. Na pedra verdadeira, foram gravadas as imagens dos quatro maiores líderes da história americana: George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln.

No Brasil, só dois ex-presidentes – Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek – ocupam papéis míticos no imaginário nacional. Agora, há mais um. E ele, Luiz Inácio, conseguiu entrar no seleto clube unindo o que seus antecessores tinham de melhor: a visão social e o espírito desenvolvimentista.

Getúlio e Juscelino
Getúlio, nosso primeiro “pai dos pobres”, até hoje é amado porque incluiu na agenda política um agente antes excluído: o trabalhador. JK, por sua vez, foi o presidente que fez o brasileiro perder seu complexo de vira-lata e acreditar na própria capacidade de realização.

Lula tem traços de ambos. Foi o presidente da inclusão social e também aquele que despertou o “espírito animal” dos empresários, que voltaram a acreditar no futuro e a investir.

O resultado: um ciclo de oito anos que se encerra com crescimento do PIB de quase 8%.

A vida útil de um mito é determinada pela história. Mas o presidente operário tem tudo para durar mais tempo no coração dos brasileiros do que Getúlio e JK. Sobre o primeiro, haverá sempre a mancha da ditadura implantada no Estado Novo.

Sobre o segundo, o peso do desajuste fiscal e da inflação semeada pela construção desenfreada de Brasília.

Lula feliz
Lula conquistou os seus 80% de popularidade em plena democracia – e teve a sabedoria de rejeitar um terceiro mandato, que poderia colocá-los em risco. Para completar, controlou a inflação e reduziu a dívida pública.

Erros, tropeços, bravatas, escândalos... Nada disso terá muito peso no balanço final. A lembrança será sempre a do “Lulinha paz e amor”.

E ele, que a partir de agora passará a dar nome a avenidas, escolas e creches em várias metrópoles brasileiras, só terá uma “desvantagem” em relação aos dois outros mitos: a ausência de uma morte trágica.

Jornal Última Hora 
O suicídio de Getúlio, em agosto de 1954, e o acidente automobilístico de JK, em 1976, até hoje questionado, ajudaram a elevar os dois ex-presidentes à categoria dos mártires.

Lula, um homem feliz e sem inimigos, tem tudo para levar uma existência pacata até o fim dos seus dias. Tempo, ele terá de sobra depois de 31 de dezembro, como acontece com todo ex-presidente.

A diferença, no caso de Lula, é que seu verdadeiro espaço cronológico será o da eternidade.

Enviado por Jotamorim
Extraído da Istoé IndependenteLeonardo Attuch

sábado, 20 de novembro de 2010

Recomenda-se Estudar a História

Não faz sentido comparar Dilma Rousseff ao general Eurico Gaspar Dutra

Por Sydenham Lourenço Neto – Doutor em ciência política pelo Iuperj, é professor da Uerj e da PUC-RJ.
No dia seguinte à eleição de Dilma Rousseff, jornais de todo o Brasil começaram a especular sobre o retorno de Lula em 2014, alguns, inclusive, na manchete principal. Dentro da mesma expectativa, não foi completamente surpreendente que alguns colunistas tivessem sugerido um paralelo entre Dilma e o general Eurico Gaspar Dutra, que governou o Brasil no intervalo entre os dois períodos de Vargas. Enfim, muitas vezes o próprio Lula foi comparado a Vargas.

Dilma, assim como Dutra, teria sido eleita para uma espécie de mandato-tampão. Dilma, assim como Dutra, seria uma escolha pessoal do antigo governante, comprometida a manter as mesmas políticas sociais e econômicas. Dilma, assim como Dutra, seria marcada pela ausência de carisma e de definição política própria, o tipo ideal para apenas esquentar a cadeira para a volta do verdadeiro mandatário.

A presidência de Dutra, até em razão da imagem de mandato-tampão, foi pouquíssimo estudada pela historiografia brasileira. Com exceção de pequenos fascículos de coleções sobre presidentes ou verbetes em dicionários históricos, dispomos basicamente de textos relativamente antigos e inspirados numa historiografia tradicional. Ainda hoje, quem se interessa pela presidência de Dutra precisa consultar o livro O General Dutra e a Redemocratização de 45, escrito por Osvaldo Trigueiro do Vale com o objetivo explícito de comemorar o centenário do nascimento do general.

O livro tem caráter laudatório mal disfarçado. Ainda assim, pela quantidade de informações que fornece, acaba sendo uma fonte da qual ainda não podemos prescindir. Mesmo a política econômica do período Dutra não foi estudada de forma considerável e um dos poucos textos recentes sobre o tema, de Fausto Saretta, tem o título de "Um Elo Perdido: Um estudo da política econômica do governo Dutra". Claramente, o autor chama a atenção para um elo, quase esquecido, entre os dois governos de Vargas.

A quase ausência de trabalhos recentes sobre a presidência de Dutra facilita a tarefa de quem deseja forçar as informações até encontrar semelhanças entre Dutra e Dilma. A comparação de períodos históricos é tarefa por si só bastante complicada, ainda mais quando orientada pelo desejo de construir uma imagem negativa ou positiva. Mesmo quando aparentemente encontramos fenômenos semelhantes é preciso ter cuidado, mas no caso que estamos discutindo, até o momento ao menos, há muito mais diferenças do que semelhanças.

Dutra não foi escolhido por Vargas, seu nome foi imposto. No início de 1945 a queda do Estado Novo estava na prática decidida e nem Vargas poderia se opor às várias pressões nesse sentido. A oposição contava com um candidato: o brigadeiro Eduardo Gomes. Muitos dos integrantes do próprio governo acreditavam que a continuidade de Vargas era inviável, ele não poderia conduzir o processo de democratização do País e muito menos tentar um novo mandato naquele momento. 

Políticos como o interventor de Minas Gerais, Benedito Valadares, e o embaixador do Brasil em Portugal, João Neves da Fontoura, instavam Vargas a lançar a candidatura de Dutra com o objetivo de dividir o apoio das Forças Armadas e evitar que elas, unidas, caminhassem para uma solução golpista. Fontoura teria dito a Vargas em março de 1945: “Ou lança a candidatura de Dutra ou será deposto esta semana”. Não era um vaticínio excessivamente paranóico, Dutra já havia sido convidado por outros chefes militares a participar da derrubada de Getúlio.

Vargas decide publicizar seu apoio à candidatura de Dutra, mas não se esforça minimamente por sua vitória eleitoral. Ao contrário, o presidente inicia um movimento de aproximação com os comunistas e estimula que lideranças populares, como o paulista Hugo Borghi, lancem a campanha queremista: “Queremos a Constituinte com Getulio”.

Enquanto isso, a candidatura de Dutra se esvazia. Na medida em que os movimentos de Vargas mais explicitamente apontavam na direção do continuísmo, crescia dentro das Forças Armadas a pressão para que o presidente fosse derrubado antes das eleições, o que acabaria a ocorrer em 29 de outubro de 1945, contando com o decisivo apoio de Dutra. Vargas só declara apoio à candidatura do general nos últimos dias de novembro, e a eleição ocorreria em 2 de dezembro, e o fez porque a vitória de Eduardo Gomes seria a pior opção para ele e para todos os seus aliados. Mas mesmo esse apoio tardio parece ter sido crucial para garantir a ampla vitória eleitoral de Dutra.

Uma vez eleito, Dutra dedicou-se a tentar desmontar as bases varguistas e a perseguir o PCB. Seu ministério foi composto basicamente por políticos que atuaram no Estado Novo, mas que eram leais a Dutra. Nas eleições estaduais de 1947 o governo federal apoiou nomes como Edmundo Macedo Soares no Rio de Janeiro, com o objetivo de diminuir a influência de Amaral Peixoto, e Carlos Luz em Minas Gerais, combatendo a ala liderada por Juscelino Kubitschek. Finalmente, a partir de 1948, Dutra buscou uma aliança com a UDN, no chamado acordo interpartidário, que objetiva isolar Vargas e inviabilizar suas pretensões eleitorais.

Na política internacional, Dutra levou o Brasil a um completo alinhamento com os Estados Unidos, isso apesar de o general ter sido conhecido como um simpatizante do eixo nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Nossa delegação na ONU atuou em total harmonia com a política dos EUA no episódio de criação do Estado de Israel, por exemplo, e também na questão dos refugiados de guerra. Finalmente, a própria cassação do registro do PCB obedecia às novas diretrizes da Doutrina Truman.

A política econômica de Dutra distanciou-se bastante daquela de Vargas. Nos primeiros anos do seu governo foi adotada uma política de livre comércio que, convivendo com uma moeda valorizada, rapidamente esgotou nossas reservas.

Seus ministros tentaram, sem sucesso, modificar a proposta do estatuto do petróleo, de modo a permitir a entrada de empresas estrangeiras no setor. Dutra não foi desenvolvimentista. Tentar comparar o PAC com o Plano Salte, que era bastante tímido e praticamente não saiu do papel, só pode se justificar por um profundo desconhecimento do período.

Quando Vargas rompe com Dutra e inicia os preparativos para a sua campanha, inclusive tentando reconquistar o apoio de lideranças do PSD, não temos uma solução de continuidade, muito ao contrário. Vargas precisou derrotar a UDN, que, novamente, lançou Eduardo Gomes, e o PSD Dutrista.

Dutra não foi a continuidade de Vargas nem uma criatura que se revoltou contra o seu criador. A passagem do poder de Lula para Dilma materializa uma situação inédita na história recente da República, uma experiência de mudança de governante com continuidade, como nós não experimentamos nem mesmo na ditadura. É inútil buscar compreender essa situação forçando paralelos com o nosso passado.

Enviado por Jotamorim
CartaCapital - No.  623

domingo, 19 de setembro de 2010

Parece que foi ontem

Publicado em 19/09/2010 – por Mario Augusto Jakobskind

Os leitores mais velhos e os estudiosos da história brasileira vão se lembrar deste trecho de um documento histórico de 56 anos atrás, ainda muito atual:

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim! Não me acusam, me insultam; não me combatem, me caluniam. E não me dão o direito de defesa” .

Trata-se do trecho inicial (acima) da Carta Testamento de Getúlio Vargas, tornada pública a 24 de agosto de 1954, quando ocorreu o desfecho de uma crise fabricada pela direita. Como agora, a direita se valia dos grandes proprietários dos veículos de comunicação para fabricar crises. Um deles, o histórico Roberto Marinho, com O Globo, que tem a UDN em seu DNA. O jornal da família Marinho transformou-se nesta véspera de eleição de agora em um partido político de direita, da mesma forma que a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Veja nem se fala. Perderam a compostura.

Como se tudo isso não bastasse, o Clube Militar, que reúne a maior quantidade de golpistas de 64 por quilometro quadrado no Brasil, decidiu promover um seminário com o título “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de imprensa”. E sabem quem serão os palestrantes? Merval Pereira, de O Globo, Antonio Carlos Pereira, mais conhecido como Tonico Pereira (TV Globo), Reinaldo Azevedo (Veja), Ives Gandra Martins (Opus Dei) e Valdemar Zweiter, integrante de uma família que sempre teve vínculos profundos com a clã dos Marinhos.

O Clube Militar em vários momentos históricos esteve dividido. Em 1954, uma parte estava de mãos dadas com o conspirador mor Carlos Lacerda, Na época da criação da Petrobras, parte dos associados apoiou a campanha do Petróleo é Nosso. Em 1964 reuniu os golpistas que levaram o país para uma longa noite escura.

Na sede do Clube há placas alusivas ao fato.

E, vejam bem, apoiaram todos os tipos de restrições à liberdade de imprensa. Muitos dos associados tiveram participação ativa nos anos de terror que se seguiram a derrubada do Presidente constitucional João Goulart. E agora, a diretoria, integrada por golpistas históricos, promove o tal seminário que conta com o apoio do Instituto Millenium, uma entidade semelhante a outras do gênero que foram criadas para dar respaldo aos golpistas de 64.

Por estas e muitas outras, a Carta Testamento do estadista Getúlio Vargas precisa ser mais do que nunca divulgada e conhecida, sobretudo pelos jovens que, felizmente, não viveram os tempos hediondos de censura, torturas e assassinatos de brasileiros que se insurgiam, de armas na mão ou não, contra o ideário defendido hoje por alguns associados do Clube Militar saudosos daqueles tempos de censura e repressão ao povo.

Quanto à saída da ministra Chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, fica patente como a direita está preocupada com as pesquisas que apontam a vitória de Dilma Roussef. Na verdade, está se fazendo um jornalismo ao estilo “Escola de Base”, ou seja, condenando alguém antes de qualquer investigação.

Se ela tivesse continuado no cargo, nesta altura os mesmos que hoje aproveitaram o embalo do anúncio da demissão e reforçaram o aspecto da “gravidade da crise”, estariam pedindo a demissão.

As denúncias naturalmente precisam ser investigadas com rigor, da mesma forma que é necessário levar em conta que alguns dos denunciantes, como, por exemplo, o “consultor” Rubnei Quicoli tem ficha corrida assustadora. Quicoli é um meliante que já esteve preso por receptação de mercadorias roubadas, posse de dinheiro falso e assim sucessivamente.

Mas para a mídia conservadora isso é de menos, pois o que interessa é caluniar e ampliar a denúncia como a única verdade.

E Verônica Serra, a filha do candidato da avenida Paulista? Muito estranho o procedimento dos jornais e televisões que praticamente silenciaram em relação às denúncias da revista Carta Capital que a incriminam na questão da violação do Imposto de Renda de 60 milhões de correntistas graças a um acordo obscuro entre duas empresas na gestão FHC, sob auspícios do Banco Central. Ou seja, os jornalões só publicam o que interessa aos proprietários que apoiam o candidato da avenida Paulista, José Serra.

A denuncite que tomou conta da campanha eleitoral, que a TV Globo faz questão de diariamente repercutir entre os candidatos, é a única arma da direita para tentar evitar que a eleição se defina no primeiro turno a favor de Dilma. Querem encurralar Dilma agora e depois no governo.

A última denúncia da Veja é cômica. De repente, não mais que de repente, aparece 200 mil reais na gaveta de funcionários da Casa Civil, resultado de suposta propina de um laboratório que produz vacina contra a gripe. A revista, ao estilo qualquer coisa serve, “denunciava” que o laboratório ganhou sem concorrência, quando se sabe que o mesmo era o único a fabricar a vacina. Isso é jornalismo de esgoto praticado pela família Civita.

Os “defensores da democracia” encastelados na mídia conservadora, no Instituto Millenium e no Clube Militar continuarão com os venenos de sempre, na base de mentiras e meias verdades. Independente do resultado das eleições que se aproximam o setor continuará agindo sob a capa falsa de defesa da democracia. Ou será que ainda há quem acredite na democracia desses setores? Já imaginaram o motivo pelo qual militares golpistas estão hoje tão preocupados com a liberdade de imprensa? Seria cômico se não fosse trágico.

Por isso, todo cuidado é pouco, porque os setores conservadores seguirão fazendo ruído e tentarão de todas as formas impedir que o Brasil siga adiante e consolide o processo de democracia participativa. Foi assim em 1954 e 1964 quando os “democratas” desde criancinha fizeram e aconteceram. O Brasil não merece mais isso.


extraído do Direto da Redação