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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Diferenças de abordagem


4/6/2015,  El Murid – Slavyangrad.org
Tradução do russo/inglês, Gleb Bazov e ing/port., Vila Vudu


Cinturão Econômico e a Nova Rota da Seda
(clique na legenda para aumentar)
 

“… Os EUA não estão prontos para entrar em guerra pela Ucrânia [como fizeram no Iraque], disse a repórteres o secretário de Imprensa da Casa Branca Joshua Ernest, na 3a-feira, 23/5/2015. 
Esclareceu assim a posição dos EUA, ao responder a uma pergunta sobre diferentes modos de Washington abordar as situações na Ucrânia e no Iraque...”


O Secretário de Imprensa nada disse de novidade. O objetivo dos EUA não é pôr soldados na Ucrânia, mas criar situação tal em que a Rússia seja forçada a envolver suas forças militares na região. De fato, sequer é relevante que a Rússia seja forçada a envolver soldados seus naquela guerra em resposta a algum confronto militar direto entre Rússia e Ucrânia, ou, simplesmente, porque alguma ameaça emane do território ucraniano.

Apesar do total absurdo desse pressuposto (sobre ameaças a serem ainda inventadas), nem tudo aí é ficção. A Ucrânia tornou-se ameaça crítica contra a Rússia, independente de quaisquer possíveis cenários futuros que se venham a configurar. Na essência, o objetivo dos EUA é forçar a Rússia a repetir o erro que os EUA já cometeram – quando os EUA congelaram seus militares no Iraque e no Afeganistão, os EUA perderam toda sua força efetiva que tivessem na política global, porque se tornaram incapazes de ameaçar fosse quem fosse, com outras intervenções militares diretas.

O fato de que os EUA visam a minar a “Grande Rota da Seda” da China, gigantesco projeto de infraestrutura que conectará todos os continentes – interrompendo a rota na Ásia Central e no Pacífico – não é segredo, nem seria possível ocultar intenção desse tipo.

A região que foi a Ásia Central Soviética é ponto focal, um nodo – e o ataque está sendo preparado por métodos bem desenvolvidos de revoluções coloridas. De diferente, só, que dessa vez os cenários conhecidos estarão seriamente aumentados pela ação dos Talibã e do Estado Islâmico (EI), cuja expansão será orientada por corredores que estão sendo preparados.

Cinturão Econômico e a Nova Rota da Seda-pontos quentes 
(clique na legenda para aumentar)
Considerando as sérias tensões entre os Talibã afegãos e o Estado Islâmico, os norte-americanos estão tentando construir dois corredores, de tal modo que não haja intersecções entre esses dois poderosos elementos de desestabilização da construção na qual se empenham os chineses. Pelo menos, durante o primeiro estágio da expansão do projeto chinês.

Para dominar a Ásia Central, os EUA precisam excluir da política regional, na medida do possível, os principais atores políticos regionais, todos enormemente afetados pelo desenvolvimento dos eventos – em primeiro lugar e sobretudo o Iraque e a Rússia, mas também, em alguma medida, o Paquistão.

Para cada um desses atores estão sendo criados conflitos nos quais os EUA esperam que aqueles países intrometam-se e afundem-se, e quanto mais longe esses conflitos sejam de teatros futuros de novas operações militares, e quanto mais intensivos sejam, maior a chance que os EUA têm de conseguirem desestabilizar completamente a região da Ásia Central. Depois de ter interrompido essa porção da Rota da Seda chinesa, os EUA terão então de concluir a campanha no Oceano Pacífico. Aí os EUA serão obrigados a atuar com a própria capacidade “pessoal” – porque as oportunidades para ação indireta nessa área são poucas.

Já é perfeitamente visível o que, precisamente, será usado para distrair a atenção dos russos – um conflito difícil e prolongado por toda a fronteira ocidental do país, dos países bálticos ao Mar Negro. É difícil prever se esse conflito virá a converter-se em confronto militar direto, mas é indiscutível que a Rússia será obrigada a aumentar sua presença militar nessa área. Considerando que não há unidades e formações suficientemente preparadas para combate em nosso exército russo, o flanco sul será inevitavelmente deixado substancialmente descoberto.

Para excluir a possibilidade de uma manobra, é possível que os russos venhamos a enfrentar uma expansão de legiões estrangeiras falantes de russo do Estado Islâmico no Cáucaso. Isso, claro, se os EUA conseguirem distrair a atenção do extremamente difícil de controlar Shura(Conselho) do Estado Islâmico, afastando-o da direção sul contra a Arábia Saudita – a qual, por ela mesma, tem importância considerável para os EUA, porque a Península Arábica desempenha papel chave como fornecedora de petróleo à China.

Cinturão Econômico e a Nova Rota da Seda - Pontos/Linhas quentes e Front da OTAN
(clique na legenda para aumentar)
Na essência os dois pontos de vista diametralmente opostos no establishment norte-americano surgem de um conflito de interesses: não está decidido qual dos dois objetivos parece ter mais alta prioridade na construção de um corredor de expansão para o Estado Islâmico – a Península Arábica ou o Norte do Cáucaso (e, com ele, a região do Baixo Volga).

De um modo ou de outro, o conflito na Ucrânia, e agora o problema crescente da Transnístria, tem muito maior importância para os planos globais dos EUA do que simplesmente resolver problemas regionais na Europa.

É absolutamente imperativo para os EUA manter e continuar a inflamar o conflito, para manter as Forças Armadas russas em estado de prontidão para agir contra uma variedade de ameaças que lhe vêm do ocidente. O período ao longo do qual esse conflito continuará é determinado pelo estado de prontidão dos EUA para lançar processos de desestabilização na Ásia Central. Pelo que se pode ver hoje, estamos falando de um ano e meio, a dois anos.

Naturalmente, não se trata de teorema matemático, e não pode ser perfeitamente calculado previamente. Porém, os líderes russos parecem esperar que haja numerosas oportunidades, seja para alguma manobra, seja para rejeitar simultaneamente várias ameaças. A má notícia é que todas as contra-respostas reativas que estão sendo preparadas têm a forma de ações diretas.

Ações indiretas, como se pode ver do exemplo do Donbass, parecem ser extremamente ineficientes. As Colusões de Minsk tiveram o objetivo de deter Kiev e, em geral, de baixar o nível da ameaça que vinha da Ucrânia. Em alguma medida, funcionou; mas imediatamente surgiram conflitos e tensões na Transnístria, e não é clara a direção que tomarão. Os erros e tropeços que aconteceram no ano passado – quando era possível e necessário liquidar a Junta e eliminar a ameaça que vinha de Kiev – converteu-se hoje em completa ausência de iniciativa pelo lado de Moscou a qual, portanto, está sendo empurrada para posição secundária. Não há dúvidas de que, se a Rússia conseguir, de algum modo, resolver o problema da Transnístria, imediatamente os EUA criarão outro problema – provavelmente nos países bálticos.

Em termos estritamente racionais, a indecisão do Kremlin na questão ucraniana pode ser explicada precisamente pela constatação de que o Kremlin perdeu a iniciativa, e de que qualquer movimento criará imediatamente novo nodo de tensões, que então terão de ser contidas pelos mesmos meios diretos – fortalecendo a concentração de militares na direção oeste, a qual, como se vê, parece já ter ultrapassado todos os níveis de tolerância.

A inefetividade de métodos indiretos que excluiriam a necessidade de aplicar força militar direta ou a ameaça disso decorrente, a ausência de instrumentos para conduzir a guerra híbrida moderna, e as políticas sem nenhum talento no Donbass e na Crimeia tornam praticamente ilusória a possibilidade de a Rússia reconquistar a iniciativa. 

Marcha rumo a Kiev?
, é claro, uma possibilidade-oportunidade. E não apenas uma. Exigiria completa revisão das políticas no Donbass, a remoção de todas as marionetes, a criação de autoridades governamentais adequadas capazes de controlar efetivamente os territórios, e a criação de formações armadas adequadas, em lugar das Milícias – além do reinício das hostilidades, no rumo de uma marcha sobre Kiev.

Se tal decisão parece impraticável por causa das obrigações que Moscou assumiu em Minsk, resta a possibilidade de criar uma luta indireta com Kiev mediante o estabelecimento de um governo no exílio e um Exército Ucraniano de Libertação Nacional sob comando do mesmo governo no exílio. Essa estrutura nada tem a ver com os acordos de Minsk nem, portanto, com obrigações assumidas lá.

Claro é que métodos não triviais exigem abordagens não triviais; porém, até agora as coisas têm andado estritamente de acordo com o cenário dos norte-americanos, para o qual inúmeras versões são perfeitamente aceitáveis – e todas visam a empurrar a Rússia cada vez mais profundamente num grande conjunto de problemas.

Agora, os russos temos de tomar a iniciativa; transferir nosso papel “por acordo” a uma entidade nova ou a outra entidade, e assim nos distanciar do conflito. Se fizer isso, a Rússia livrará substancialmente a própria mão para ganhar espaço para manobras no espaço geopolítico e com recursos adequados. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ucrânia: Acordo de Minsk (texto integral) de 11/2/2015

12/2/2015, Acordo de Minsk publicado em News.Kremlin.Ru
Traduzido do russo ao inglês por Gleb Bazov, na Tlaxcala
Retraduzido do inglês para português pelo pessoal da Vila Vudu

Da esq./dir.: Alexander Lukashenko (Bielorrússia, anfitrião), Vladimir Putin (Rússia), Angela Merkel (Alemanha), François Hollande (França) e Petro Poroshenko (Ucrânia); participantes do Acordo de Minsk de 12/2/2015
Texto integral redigido e fixado pelos líderes de Ucrânia, Rússia, França e Alemanha, e assinado por elementos da resistência armada anti-Kiev, na 5ª-feira (12/2/2015) [1].

(1) Imediato e total cessar-fogo, nos distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, com totalmente obrigatório às 00:00 [meia-noite, 12h PM], horário de Kiev, dia 15/2/2015.

(2) Retirada de todo o armamento pesado dos dois lados, para igual distância [uns de outros], com o objetivo de criar uma zona de segurança de no mínimo 50 km de separação para artilharia de 100 mm ou mais de calibre, e uma zona de segurança de 70 km para Sistemas de Múltiplo Lançamento de Foguetes [orig. Multiple Launch Rocket System (MLRS)] e de 140 km para os Sistema de Múltiplo Lançamento de Foguetes Tornado-S, Uragan, Smerch e sistemas Tochka U de mísseis táticos;

(2.a) para as tropas ucranianas, a partir da atual linha de contato;

(2.b) para as formações da resistência armada anti-Kiev, particularmente dos distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, a partir da linha de contato segundo o memorando de Minsk de 19/9/2014.

(3) A retirada do armamento pesado a que se refere o item (2) e subitens tem de começar no máximo até o segundo dia depois do cessar-fogo e estar concluída no prazo de 14 dias.

(3.a) Esse processo será assistido pela OSCE com apoio do Grupo de Contato Trilateral.

(4) O monitoramento efetivo e a verificação do regime do cessar-fogo e retirada do armamento pesado pela OSCE será presente e ativo a partir do primeiro dia da retirada do armamento, valendo-se de todos os meios necessários, como satélites, drones, sistemas de radiolocalização etc..

(5) No primeiro dia depois da retirada, deve iniciar-se um diálogo sobre as modalidades pelas quais se conduzirão eleições locais, segundo a legislação ucraniana e a Lei Ucraniana “Sobre a Ordem Temporária de Autogoverno local nos Específicos Distritos das Oblats de Donetsk e Lugansk”, e também sobre o futuro desses distritos baseado na lei acima mencionada.

(6) Sem retardo e não em prazo superior a 30 dias a partir da assinatura desse documento, uma resolução terá de ser aprovada pelo Parlamento [Verkhovna Rada] da Ucrânia, indicando o território que fica sob regime especial conforme Lei Ucraniana “Sobre a Ordem Temporária de Autogoverno local nos Específicos Distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk”, baseada na linha definida pelo Memorando de Minsk de 19/9/2014.

(7) Assegurar perdão e anistia, mediante aprovação de lei que proíbe perseguição e punição de pessoas em relação aos eventos que tiveram lugar especificamente nos departamentos das Oblasts de Donetsk e Lugansk da Ucrânia.

(8) Providenciar a libertação e o intercâmbio de todos os reféns e pessoas ilegalmente mantidas prisioneiras, baseados no princípio do “todos por todos”. Esse processo terá de estar concluído – o mais tardar – no quinto dia depois da retirada [do armamento pesado].

(9) Prover acesso, entrega, armazenamento e distribuição seguros de ajuda humanitária aos necessitados, baseado num mecanismo internacional.

(10) Definir as modalidades de plena restauração de conexões sociais e econômicas, incluindo transferências sociais, como pagamento de pensões ou outros pagamentos (renda e reembolsos, pagamento em dia das contas das comunas, restauração do pagamento de impostos, dentro do campo legal ucraniano):

(10.a) Para esse objetivo, a Ucrânia restaurará a administração do seu sistema de banking nos distritos afetados pelo conflito; e será possivelmente estabelecido um mecanismo internacional, para facilitar essas transações.

(11) Restaurar o total controle pelo governo ucraniano sobre a fronteira do país em toda a zona de conflito, que tem de começar no primeiro dia depois da eleição local e terminar depois da plena regulação política (eleições políticas particularmente nos distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk baseadas na lei da Ucrânia e reforma Constitucional) ao final de 2015, como condição para o cumprimento do item 11 – em consultas e de acordo com representantes dos distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk, no quadro do Grupo de Contato Trilateral.

(12) Retirada do território da Ucrânia sob supervisão da OSCE de todas as formações armadas estrangeiras, equipamentos e mercenários. Total desarmamento de todos os grupos ilegais.

(13) Reforma Constitucional da Ucrânia; a nova Constituição deve entrar em vigência ao final de 2015; elemento chave dessa nova Constituição é a descentralização (levando em consideração as peculiaridades dos distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk, discutida e aprovada com representantes desses distritos), além de aprovação, até o final de 2015, de legislação permanente sobre status especial dos específicos distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk, conforme as medidas detalhadas na nota de rodapé.

NOTA ÚNICA – Tais medidas, de acordo com a Lei Ucraniana “Sobre a Ordem Temporária de Autogoverno local nos Específicos Distritos das Oblasts de Donetsk e Lugansk” devem incluir as seguintes:

(a) isenção de castigos, abusos e discriminação de indivíduos associados aos eventos que tiveram lugar em certas áreas das regiões de Donetsk e Lugansk;

(b) garantia ao direito à autodeterminação linguística;

(c) participação dos governos locais na nomeação dos presidentes das cortes e procuradorias em algumas áreas das regiões de Donetsk e Lugansk;

(d) capacidade assegurada às autoridades executivas centrais, para firmarem, com as autoridades locais relevantes, acordos relativos ao desenvolvimento econômico, social e cultural de certas regiões das regiões de Donetsk e Lugansk;

(e) apoio assegurado pelo Estado ao desenvolvimento socioeconômico das regiões especificadas de Donetsk e Lugansk;

(f) facilitação pelo governo central de cooperação transfronteira entre certas áreas das regiões de Donetsk e Lugansk, e regiões da Federação Russa;

(g) estabelecimento de unidades de Milícia Popular por ordem de conselhos locais, com o objetivo de manter a ordem pública em algumas áreas das regiões de Donetsk e Lugansk; e

(h) os poderes dos deputados dos conselhos locais e oficiais eleitos em eleições antecipadas, a serem definidas pelo Parlamento da Ucrânia, de acordo com esta lei, não podem ser rescindidos.

 ______ FIM DO DOCUMENTO______

Nota dos tradutores


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ucrânia: Briefings em sequência de Igor Strelkov − 25/6/2014


25/6/2014, The SakerThe Vineyard of the Saker
Traduzido do russo/inglês por Gleb Bazov e inglês/português por Vila Vudu

The Saker


24/6/2014: Em Semyonovka, o exército da Ucrânia mais uma vez usou cargas incendiárias de fósforo branco.


25/6/2014, Entrevista com Igor Strelkov


Anunciamos aqui as condições segundo as quais, em minha opinião, estamos preparados para oferecer [à força armada ucraniana], e em cujos termos consideraremos aceitar um cessar-fogo, seguido de negociações sobre algum tipo de trégua.

Nossas condições são as seguintes:

PRIMEIRA, retirada das forças da Ucrânia para distância de no mínimo 10 quilômetros de todas as cidades sob controle das milícias da República Popular de Donetsk [LPR]. Nesses termos, todos os acampamentos e quartéis da milícia que estão bloqueados, devem ser desbloqueados.

SEGUNDA, cessação de todos os voos de qualquer tipo de aeronave militar – helicópteros, aviões [de todos os tipos], seja para coleta de inteligência, ataques em solo ou voos de interceptação, sejam quais forem, sobre territórios controlados pela República Popular de Donetsk (RPD) e suas Milícias (LPR).

TERCEIRA, cessação de todo e qualquer fogo de artilharia, seja dirigido contra acampamentos [de manifestantes] ou posições das Milícias.

Só se essas três condições forem atendidas ou, pelo menos, tomadas como pontos de partida para possíveis negociações, as Milícias estão preparadas para cessar fogo.

Contudo, não há até agora nada nos foi oferecido por militares ucranianos, nem pelo comando ucraniano, o qual, de fato, deve ser nosso interlocutor nessas negociações.

Informação da Milícia, 25/6, 1h18
Original: Strelkov Info

Nos últimos 40 minutos, o exército ucraniano bombardeou ativamente com howitzers a cidade de Semyonovka, perto de Slavyansk, e prosseguiu com canhões automáticos de 30mm e 23mm.

Howitzers 30mm ou 23 mm 
Informação de residentes, 25/6, 1h23
Original: Strelkov Info

Em Rubezhnoy ouvem-se fortes explosões. Mais uma vez, estão bombardeando Privolye de Krasnyanka – [tão violentamente] que o vidro da janela estremece. Estão atacando a mina “Kapustin” em Lisichansk, usando howitzers de 152mm.

Howitzers de 152mm ou 155mm 

Informação da RPD (República Popular de Donetsk), 24/6, 22h35
Original: Strelkov Info

Rustam Abdullaev, membro do Conselho Supremo da República Popular de Donetsk, [explicou as circunstâncias] do confronto armado na área do aeroporto de Donetsk:

Durante as últimas duas horas houve confronto na área do aeroporto de Donetsk. Três APCs e uma unidade da Guarda Nacional foram vistas; eles deixaram o território do aeroporto e estão sob nosso controle. A milícia não sofreu baixas durante a escaramuça. Esse [incidente] novamente confirma que não há nem poderá jamais haver acordo de paz entre a Junta de Kiev e DPR e LPR.


Nota: Este vídeo apresenta gravação da conversa telefônica com Rustam Abdullaev durante a qual forneceu a informação acima. O que ele realmente disse sobre quem controla o aeroporto foi que a milícia DPR controlava parte do aeroporto, não toda a área.

Informação da Agência AnnaNews, 25/6/2014, 11h38
Original: Strelkov Info

Hoje (25/6/2014), às 6h05 da manhã, mercenários ucranianos bombardearam Slavyansk. A artilharia continuou por 40 minutos, aproximadamente 30 morteiros foram lançados sobre a cidade. Há baixas [noticiadas] entre civis, quatro mortos.

Briefing de Igor Strelkov, 25/6/2014
Original: Icorpus.ru

Dia 24/6/2014, o destacamento antiaéreo da milícia derrubou um helicóptero militar de transporte MI-8 na área do monte Karachun. [O helicóptero] transportava um grupo de oficiais superiores das Forças de Segurança da Ucrânia e equipamento especial para recolher inteligência. Segundo a declaração do lado ucraniano, morreram nove soldados das forças ucranianas; mas não excluo a possibilidade de que estivessem a bordo ou conselheiros estrangeiros ou diretores-comandantes de alguma empresa privada-militar contratada [orig. “a PMC [Private Military Contractor].

Ao longo do início e transcorrer da noite, continuou o fogo de artilharia e morteiros nas áreas de Slavyansk, Kramatarosk e Seversk. A artilharia das forças inimigas submeteram a bombardeio Semyonovka, Slav-Kurortnyi, os acampamentos de Khimik e o distrito de Artyom. Grande destruição. Em Semyonovka, o inimigo mais uma vez usou cargas incendiárias de fósforo branco.

Helicóptero MI-8 
Ao amanhecer, dia 25/5/2014, em resposta ao fogo noturno, destacamentos da milícia lançaram ataque de fogo de morteiro contra base inimiga localizada na estrada de Slavyansk a Kramatorsk. O inimigo sofreu baixas significativas.

Durante a noite de 24-25/6/2014, destacamentos do batalhão de Kramatorsk e da companhia Konstantinovka atacaram postos de controle do inimigo em Ulyanovka e Oktyabrskoe, que foram transferidos pelo inimigo na direção de Kramatorsk e Konstantinovka, depois da declaração do chamado “cessar-fogo”. [Esses destacamentos] também abriram fogo contra o grupo inimigo que tentava penetrar nossas posições. Resultado desses confrontos, vários soldados do inimigo foram feridos; do nosso lado, nenhuma baixa.

Declaração do Comando da Milícia da RPD, 25/6/2014, 11h05
Original: Icorpus.ru

O comando das milícias da República Popular de Donetsk [RPD] declara que não se deixará ficar inerte, assistindo às forças do inimigo que continuam a se concentrar nas posições definidas para próximos ataques.

As Milícias reservam-se o direito de ignorar o dito “cessar-fogo” e de atacar o inimigo em todos os pontos considerados convenientes.

O comando da Milícia da RPD considera as seguintes condições como necessárias antes de qualquer negociação de cessar-fogo:

● – Remoção imediata de todos os bloqueios em torno de cidades e dos acampamentos nos quais haja unidades das milícias, além de

● − relocação de todos os destacamentos das forças armadas ucranianas e outras unidades militarizadas, a distância de não menos de 10 km.

● – Relocação de todas as unidades e destacamentos mecanizados blindado para a retaguarda.

● – Cessação de todos os voos da aviação militar, inclusive drones, sobre os territórios controlados pelas milícias da República Popular de Donetsk (RPD) e da República Popular de Lugansk (RPL).

● – Imediata remoção, nos termos de acordos em separado, de todas as guarnições e bases militares localizadas no território da RPD e da RPL.

Só se as cinco condições preliminares acima expostas forem atendidas, a Milícia da RPD aceitará pôr fim à atividade militar à frente e na retaguarda do inimigo, e a começar negociações com as forças armadas ucranianas e todas as demais formações, sobre a continuação do cessar-fogo e troca de prisioneiros de guerra [ing. Prisioners of War, POW] e detidos.

O comando da Milícia da RPD manifesta esperanças de que o comando das forças armadas da Ucrânia e todas as demais formações militarizadas estejam bem conscientes da impossibilidade de vitória militar sobre o povo insurgente do Donbass e da necessidade de dar passos reais e efetivos para evitar mais derramamento de sangue.

Se nossas propostas forem aceitas como base para outras discussões, o comando da Milícia da RPD está preparado para considerar contrapropostas.

Briefing de Igor Strelkov, 25/6/2014, 12h31
Original: Strelkov Info

Durante a noite, prosseguiram os confrontos, inclusive com fogo de artilharia, na vizinhança de Slavyansk. O inimigo continuou a concentrar forças perto da cidade de Krivaya Luka, de onde já foi evacuada toda a população.

Na área de Kramatorsk e Konstantinovka, destacamentos das Milícias atacaram postos avançados das forças armadas punitivas, que avançaram com veículos blindados, na vizinhança de Oktyabrskoye e Ulyanovka. Os destacamentos também repeliram tentativas, pelo grupo [inimigo] que recolhe inteligência, de entrar em Konstantinovka. Houve baixas do lado inimigo.

Ao raiar do dia, a fortaleza do inimigo localizada na estrada Slavyansk-Kramatorsk foi alvo de ataque combinado, que usou artilharia, morteiros e AGS [Nota 1: AGS-17 "Plamya" (216P) lançador automático de granadas]. Concentrações de infantaria e veículos blindados leves do inimigo foram observados no ponto de controle. O inimigo, que estava concentrado de forma desorganizada em pequena área, sofreu baixas significativas. Observaram-se [visualmente] dois incêndios separados [na locação].

Às 11h, foram atacadas (com morteiros e armas leves) posições do inimigo próximas do posto de controle de Kombikormoviy.

Os Ukies responderam com howitzer e fogo de morteiro do Monte Karachun e de outras de suas posições. Agora, continuam as escaramuças por ali.

As condições atmosféricas não permitem voo, as pistas estão encharcadas depois das fortes chuvas de ontem; e o movimento de carros só é possível pelas estradas asfaltadas.

É possível que, além dos nove militares ucranianos, um grupo de conselheiros militares estrangeiros ou diretores-comandantes de forças armadas privadas [ing. PMC, de Private Military Corporation] também viajasse no helicóptero que nossos combatentes derrubaram ontem. Essa informação não pôde ser confirmada e não posso garantir que correta.

AGS-17 "Plamya" 
Nota 1: O AGS-17 "Plamya" (216P) é arma pesada para apoio à infantaria, projetada para operar sobre um tripé ou pode ser montada em solo ou na carroceria de veículo. O AGS-17 dispara granadas de 30mm, fogo direto ou indireto, para suprimir apoio letal ou supressivo contra alvos moles e, também, contra alvos fortificados. Ver Wikipedia e RuWiki.

Informação de Igor Strelkov, 25/6/2014, 14h21
Original: Icorpus.ru


Hoje, um grupo inimigo na área de Krivaya Luka foi atacado (i) da direção de Seversk (pela unidade “Lisa” do batalhão de A. Mozgovoi) e (ii) da direção de Nikolayevka (pela companhia Nikolayevka composta de pessoal da guarnição de Slavyansk). Um armazém de munição localizado num dos montes ocupados pelo inimigo explodiu, como resultado desses ataques de morteiros, e observaram-se três incêndios separados. A infantaria e o equipamento do inimigo, concentrados em dispor posições para assalto (o que significa que não estão entrincheirados) sofreram pesadas baixas.

A eletricidade foi restaurada em Slavyansk, mas não em todos os distritos. Praticamente não há água em lugar algum. Temos rações por hora, mais até do que o necessário, mas a distribuição não está funcionando bem. Estamos fazendo um levantamento dos estiques e organizaremos um sistema de cartão-comida.

Informação das locações, 25/6/2014

Original: Strelkov Info

Como sempre, os arredores de Slavyansk foram bombardeados durante a noite. Lisichansk também foi bombardeada durante a noite. Em Donetsk está tudo calmo, sem os canhões que se ouviam ontem; houve um confronto (e ninguém precisa aumentar as coisas).

Em Slavyansk, mais um dia de “trégua” à moda Poroshenko: começou com fogo de artilharia. Há mortos e feridos entre os civis. Um gasoduto foi atingido. Ouviram-se explosões durante todo o dia, na área de Slavyansk.

Um dispositivo explosivo foi detonado em Antratsit, distrito civil próximo de Pharmacy n. 68. Um bebê de 10 meses foi gravemente ferido e morreu no hospital.

Além da ferrovia Debaltsevo-Uglegorsk, as seguintes ferrovias foram explodidas ontem: Gorlovka-Pantelimonovka, Novobakhmutovka-Gorlkovka e Karavannaya.

Declaração de Alexander Borodai, primeiro-ministro da República Popular de Donetsk 25/6/2014, 18h50
Original: Strelkov Info

Alexander Borodai
O primeiro-ministro da RPD, Alexander Borodai, confirmou aos jornalistas que a RPD conta com tanques e howitzers:

Sim, a Milícia agora tem tanques em número substancial. O lado ucraniano é rico de tanques. Os veículos blindados foram obtidos pelos combatentes das nossas milícias, colhidos como troféus de guerra.

Além dos tanques, os combatentes das nossas milícias também conquistaram armamento pesado como, por exemplo, howitzer.

Relatos recentes das locações
Original: Strelkov Info

As forças Ukies plantaram sistemas de artilharia (que parecem ser “Acacias”) e tanques, em Varvarovka (perto de Rubezhnoye), numa fábrica enlatadora abandonada, e no depósito da brigada de tratores. Estão instalando barracas.

● − 17h55 (MSK) – Na área do Kombikormoviy há combates intensos. Durante o dia, aconteceram batalhas centradas em manobras, em todo o teatro de operações.

● − 19h25 (MSK) – O fogo de howitzer vem da direção de Ostavki; ouvem-se explosões próximas de Brusino.

● − 19h35 (MSK) – Ouvem-se tiros na área do lado sul de Krasniy Liman.

● −19h50 (MSK) – Quatro Hummers partiram para o lado de Borovenkova, na direção do Monte Karachun.

● − 20h20 (MSK) – Mercenários com forte sotaque ucraniano no ponto de controle próximo ao terceiro Bylbasovka no caminho para Cherkasskoye. Muito polidos.

Na área de Kombikormoviy, no ponto de controle Ukie estão aterrorizando as pessoas, atirando contra as pernas dos que passam, chamando de saqueadores os que tentam sair de carro [da área], roubando o que levam nos carros. Tentaram roubar o carro de um dos que passava, e só os gritos das mulheres que viajavam no carro assustaram os malditos assaltantes nazistas e os puseram em fuga.

● − 20h45 (MSK) – No lado sul de Krasniy Liman continua o fogo de artilharia.

● − 21h00 (MSK) – Ouviram-se explosões fortes e tiros de AP-30 [AP-30: “Plamya-A" (9A800) lançador de granadas montado em helicóptero). Ver Aviaros.Narod.Ru], perto de Nikolayevka.

AP-30: "Plamya-A" (9A800)

● − 21h20 (MSK) – Som de lançador aéreo ouvido na área de Krasniy Liman, voando na direção de Yampol. Na cidade de Vasilyevka (região Yasinovatskiy), um dos prédios da cooperativa “Motor” está em chamas. Não é fogo provocado por atividade militar.

Igor Strelkov, 25/6/2014, 17h30
Original: Icorpus.ru
Sobre uma “Medalha de Coragem Militar” proposta

Camaradas,

Temos um pedido a fazer:

Cel. Igor Strelkov
Como vocês já sabem, temos distribuído Cruzes de São George. A única diferença entre essas Cruzes e a versão original da Cruz de São George usada durante a Iª Guerra Mundial é uma gravação e a posição em que ela aparece [sobre a Cruz]. Dessa vez, entregamos cerca de 30 dessas condecorações (algumas delas, póstumas); e cerca de uma dúzia dos condecorados receberam também a Cruz.

Mas dessa vez a Cruz de São George é nossa mais alta forma de reconhecimento. As facas e pistolas personalizadas também são importantes, mas precisamos de outra condecoração, de nível menos complexo que a Cruz de São George (outorgada por serviços excepcionais associados a tarefas a cumprir no campo de batalha), e que nos permita condecorar outros grandes feitos militares, inclusive os não associados a risco de morte extremamente alto.

Dito de forma mais simples, entendemos que é necessário instituir um prêmio-medalha “Por Coragem Militar”, tomando como exemplo, para começar, uma medalha da URSS. A Federação Russa não reivindica a exclusividade desse tipo de prêmio (de fato, a FR já tem uma medalha aproximadamente semelhante – a Medalha Suvorov). Com pequenas modificações, o que nos faz falta é exatamente esse tipo de medalha.

Proponho que lancemos um concurso para decidir sobre o desenho dessa específica medalha, a ser decidido em curto período de tempo. E, logo que tenhamos decidido o desenho da medalha, que se fabriquem várias centenas dessas medalhas (para começar).

Agradeço antecipadamente pelas sugestões. Peço que os moderadores [de Icorpus.ru] criem um fórum à parte, para essa discussão. 

Respeitosamente: Igor