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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Midía conservadora preocupada



Publicado em 06/11/2013 por [*] Mário Augusto Jakobskind

O conservadorismo midiático sofreu uma grande derrota com a decisão da Corte Suprema da Argentina, por seis votos a um, considerando constitucional a legislação sobre os meios de comunicação. O Grupo Clarín, que terá de passar adiante boa parte de seus espaços midiáticos, porque a legislação não permite monopólios no setor, tentava desde 2009 na Justiça tornar sem efeito a lei aprovada pelo Congresso depois de pelo menos três anos de discussão pela sociedade. Agora, a decisão não permite mais recursos.

Poucas horas depois de ser conhecida a decisão final sobre a questão, a Rede Globo reforçou o linchamento midiático dos Kirchner. No editorial do jornal da madrugada, a tônica foi a crítica da composição dos ministros da instância máxima da Justiça argentina. Para os desesperados da Globo, a Corte é subordinada ao governo e grande parte dos integrantes foram nomeados por Nestor e Cristina.

Curioso que quando houve uma proposta no sentido de os ministros serem eleitos, a grita foi geral, ampla e irrestrita. O projeto não seguiu adiante. Na verdade, o esquema conservador, com fortes ramificações nos países latino-americanos, se desespera com o fato da ampliação do debate sobre a questão midiática. Na falta de argumentos investem contra o Executivo, Judiciário e Legislativo.

Os analistas de sempre centraram as baterias sobre a Argentina, mas preferiram não adotar um posicionamento tão crítico em relação ao acontecido na Grã-Bretanha, quando o Conselho Assessor da Rainha, composto por altos funcionários e membros do governo, sancionou o novo regime que contempla a criação de um órgão regulador da mídia e outro ouvidor com poderes ampliados e multas de mais de um milhão de dólares pela violação do código de ética da imprensa.

Os barões midiáticos ingleses ainda tentaram aos 45 minutos do segundo tempo dois recursos judiciais para impedir a aprovação da regulação midiática. Mas como se trata da Inglaterra, os midiáticos conservadores destas bandas preferiam atacar apenas a decisão da Justiça argentina.

Ao esquema de manipulação somou-se o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, em sua coluna de domingo em jornais que não podem ouvir falar em regulação da mídia. Cardoso utilizou argumentos do gênero senso comum ao afirmar que o objetivo era atingir o “grupo independente do Clarín”. O ex-presidente demonstrou com isso que não conhece a matéria e apenas comentou para ficar bem com seus parceiros conservadores.

FHC não é a figura mais abalizada para discorrer sobre meios de comunicação. Em seus dois mandatos era protegido por este mesmo esquema que hoje se insurge com a decisão da Suprema Corte de Justiça da Argentina.

Em outros países da América Latina, como o Equador, Uruguai e Venezuela,  a legislação midiática também foi adaptada para os tempos atuais em que se ampliam os espaços para os setores sociais discriminados nas mídias tradicionais.

O conservadorismo midiático, defendido com unhas e dentes pelo patronato agrupado na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), utiliza argumentos completamente sem sentido para criticar as legislações midiáticas discutidas pela sociedade e aprovadas pelos Parlamentos.

Cultuadores de esquemas de autocensura ao longo do tempo, os grandes proprietários de veículos de comunicação acusam os defensores das novas legislações midiáticas de promoverem a censura, argumento que não resiste a menor análise e é repetido por figuras do quilate de um Fernando Henrique Cardoso, sem um mínimo de credibilidade.

Para a sociedade brasileira, quanto mais se debater a questão midiática, que os barões midiáticas procuram evitar, melhores as possibilidades de mudanças se apresentam. Os fatos estão claros e é preciso separar os conceitos de liberdade de imprensa e liberdade de empresa, este último tão radicalmente defendido pela SIP mas sob o falso argumento de defesa da liberdade de imprensa.

Concomitante a essa discussão, na sede da Força Aérea argentina foram descobertos arquivos de documentos que mostram como o estado ditatorial pressionou os proprietários da empresa de papel jornal – Papel Prensa, que acabou sendo passada para o grupo Clarín. A documentação será submetida a exame rigoroso e isento. E também a Justiça dirá se além do valor histórico o material encontrado servirá em termos jurídicos.

Enquanto isso, no Chile passou praticamente em brancas nuvens por estas bandas a recente decisão do Senado de rejeitar iniciativa do governo de Sebastian Piñera, por 16 votos contra  12, que propunha a introdução da chamada Lei Hinzpeter, que contempla penas severas a quem apareça com os rostos cobertos nas manifestações de rua.

Para a Senadora Isabel Allende, a iniciativa do governo foi rejeitada por ser intolerante e contrária aos direitos humanos, E, além do mais, complementou a Senadora, existe no Chile um Código de Processo Penal que pune as pessoas que cometem delitos de desordem e danos à propriedade privada.

Aqui no Rio de Janeiro, uma Assembleia Legislativa estadual subserviente ao governador Sérgio Cabral aprovou o mesmo tipo de medida rejeitado pelo Senado chileno. Mas o que se podia esperar de um Parlamento estadual dirigido pelo peemedebista Paulo Melo? 
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[*] Mário Augusto Jakobskind – jornalista e escritor. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 16.10.1943. Após ter concluído o curso de História pela Universidade Federal Fluminense, ingressou no jornalismo. Atuou como repórter em diversas redações do Rio de Janeiro, São Paulo, e também do exterior. Em suas atividades jornalísticas foi editor em língua portuguesa da revista Prisma, uma publicação mensal da agência Prensa Latina, correspondente na América Latina da agência de notícias Cono Sur Press, então com sede em Malmö, Suécia, e redator na agência France Presse. Atuou também como repórter da Folha de São Paulo (sucursal no Rio de Janeiro). Foi colaborador de O Pasquim e redator e editor, no Rio de Janeiro, da revista Versus, a primeira publicação de caráter latino-americano publicada no Brasil. E editor de Internacional do jornal Tribuna da Imprensa (Rio), comentarista de política internacional da rádio Rio 1440 AM (Rio), correspondente da rádio Centenario CX 36 - 1250 AM (Montevidéu, Uruguai), colaborador correspondente do jornal La Juventud (Montevidéu, Uruguai), colunista de política internacional da Folha da Praia, do alternativo Bafafá. Além disso, é colaborador de órgãos da imprensa sindical como O Jornalista, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro. Reside no Rio de Janeiro.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Suspense na Venezuela



Publicado em 08/01/2013 por Mário Augusto Jakobskind*

E chegamos a 2013 com grandes expectativas quanto ao desenrolar dos acontecimentos. Nesta primeira semana do novo ano, a doença do Presidente Hugo Chávez ocupou grandes espaços midiáticos. Os analistas de sempre, sobretudo os mais conservadores, não escondem o desejo de ver o Presidente que introduziu o socialismo no século XXI fora de circulação. Alguns mais radicais falam de desligamento dos aparelhos para Chávez morrer e com destaque na mídia conservadora.

Editoriais de algumas publicações da mídia de mercado tecem considerações como se a República Bolivariana da Venezuela fosse uma republiqueta qualquer. Muito pelo contrário, trata-se de um país que, pelo menos desde a ascensão de Hugo Chávez, em 1999, deu saltos em matéria de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), moradias e fim do analfabetismo.

A Constituição da Venezuela vem sendo seguida em todos os seus detalhes e continuará sendo independente de Chávez assumir ou não o governo.

Não tem sentido, portanto, a recomendação do governo dos Estados Unidos sobre respeito à Constituição. A cúpula governamental estadunidense emite opinião como se na Venezuela não se respeitasse a Constituição.

O Vice Presidente Nicolás Maduro, indicado pelo próprio Chávez como seu sucessor, poderá enfrentar uma nova eleição, caso seja necessário.

O conservadorismo tenta “informar” sobre uma suposta divisão política entre e o vice presidente Maduro e o presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, reforçando o posicionamento da oposição derrotada nas urnas para Presidente e para os governos de Estado. Como se sabe, os aliados de Chávez ganharam em 30 dos 33 Estados.

Argentina: Clarín resiste à Lei dos Meios e Londres não falar das Malvinas

Nesta primeira semana do ano 13 do Terceiro Milênio, o primeiro-ministro britânico David Cameron reafirmou a posição colonialista negando-se a discutir a questão das Malvinas com a Argentina, território de que o Reino Unido se apoderou à força no século XIX.

De quebra, os meios de comunicação conservadores continuam a cruzada em defesa do Grupo Clarin, que não quer de jeito nenhum se adaptar a Lei dos Meios de Comunicação recorrendo à Justiça. O grupo midiático se nega a reconhecer a legislação aprovada pelo Congresso e que impede a existência de monopólio no setor midiático. Não quer se desfazer de meios de comunicação que controla, como exige a nova legislação para obedecer o critério de proporcionalidade entre os setores midiáticos público, privado e estatal.

A tática do Clarín é muita clara. Apelar à Justiça o quanto puder, para evitar a vigência da legislação e postergá-la até quando for possível, apostando numa derrota eleitoral do atual governo argentino. E a Justiça, dominada pelo conservadorismo, vai aceitando as justificativas do Clarín. Mas chegará um momento, segundo acreditam os analistas do setor, que o veredito final dará ganho de causa ao que foi decidido pelo Congresso e debatido pelo povo por mais de 3 anos.

Cuba: menor índice de mortalidade infantil

No Caribe, Cuba, em 2012, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), matéria esta divulgada pelo jornal Granma, teve o menor índice de mortalidade infantil do continente americano, na frente inclusive dos Estados Unidos e Canadá.

Para se ter uma ideia, no ano passado, o número de crianças mortas até o primeiro ano de vida foi de 4,6 para cada mil recém-nascidos. E tudo isso, apesar do bloqueio que afeta também a área de saúde de Cuba.

Política genocida contra os palestinos

No apagar das luzes de 20012, um fato divulgado pelo Centro Simon Wisenthal segue repercutindo até agora. Este Centro, que tinha por objetivo caçar nazistas acabou se tornando um defensor incondicional da política genocida contra os palestinos praticada pelo governo de Israel. Pois bem, o Centro publicou lista dos que considerou os dez mais antissemitas do mundo, cabendo o terceiro lugar ao cartunista brasileiro Carlos Latuff.

A entidade passou dos limites, porque misturou alhos com bugalhos. Colocou no mesmo nível Latuff, um militante do movimento social e defensor da causa palestina, ao lado de partidos de extrema direita e até de uma torcida de um clube de futebol racista localizado em um bairro de Londres. De quebra, como não poderia deixar de ser, colocou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na lista. O mesmo Ahmadinejad que tem boas relações com os judeus iranianos também críticos do sionismo.

Como o sionismo se nutre do antissemitismo, o Centro Simon Wiesenthal tornou-se então parceiro para toda obra do movimento. Está exatamente para isso, já que não tem mais nazista da 2ª Guerra Mundial vivo.

Ao colocar Latuff na lista demonstrou na prática que está no encalço dos que não aceitam a política que vem sendo executada pelo Estado de Israel.

De qualquer forma, todo cuidado é pouco, porque se acontecer algo com Latuff a responsabilidade é dos que o difamam.

Brasil: e o mensalão do PSDB?

Quanto ao Brasil, espera-se que depois de tantos meses do julgamento mensalão os Ministros do Supremo Tribunal Federal julguem os implicados do PSDB no mensalão. Resta saber qual será o comportamento dos meios de comunicação de mercado.
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Mário Augusto Jakobskind* é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de “América que não está na mídia”, “Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE”.

Enviado por Direto da Redação