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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Por trás da crise grega


2/7/2015, [*] William R. Polk, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Crise grega
por Latuff - 2010
Ao focar exclusivamente os aspectos monetários da crise grega, a narrativa construída e distribuída pela mídia perde de vista grande parte do que realmente atormenta os gregos e também do que poderia possibilitar alguma solução.
Por mais de meio século, os gregos viveram tempos de grande perigo. Nos anos 1930s, viveram sob uma ditadura brutal, cujo modelo foi a Alemanha Nazista, com polícia secreta copiada da Gestapo e com os dissidentes mandados para morrer num campo de concentração numa ilha. E então, aconteceu coisa estranhíssima: Benito Mussolini invadiu a Grécia.
Para proteger o autorrespeito e o próprio país, os gregos puseram de lado o ódio contra a ditadura de Metaxas e uniram-se para combater o invasor estrangeiro. Os gregos fizeram tão belo trabalho na defesa do país deles, que Adolf Hitler teve de adiar a invasão da Rússia, para ir até lá resgatar os fascistas italianos.
Há quem diga que esse movimento pode ter salvo Josef Stalin, porque o adiamento forçou a Wehrmacht a combater na lama, neve e gelo da Rússia, condições para as quais não estava preparada. Mas, ironicamente, isso também salvou a ditadura de Metaxas e a monarquia. O rei e os mais altos oficiais gregos fugiram para o Egito então ocupado pela Grã-Bretanha e, como novos aliados, foram declarados parte do “Mundo Livre”.
Enquanto isso, na Grécia, os alemães saqueavam grande parte da indústria grega, dos estaleiros e estoques de comida. Os gregos passaram fome. Como Mussolini disse então, “os alemães tiraram dos gregos até os cordões dos sapatos”.
Então os gregos começaram a reagir. Em outubro de 1942, iniciaram um movimento de resistência que, em dois anos, tornou-se o maior da Europa. Quando a França se orgulhava dos seus menos de 20 mil partisans, o movimento da resistência grega alistara 2 milhões de resistentes, e já derrotara pelo menos duas divisões de soldados alemães. E sem nenhuma ajuda externa.

Winston Churchill
por Strogulski

Quando o desfecho da guerra começou a se configurar, o Primeiro-Ministro britânico, Winston Churchill, decidiu devolver a Grécia ao regime de antes da guerra, com a monarquia e o antigo governo. Temia a influência dos comunistas ativos dentro do movimento de resistência.
Churchill tentou conseguir que o exército anglo-americano, que se aprontava para invadir a Itália, invadisse não a Itália, mas a Grécia. Fato é que tanto insistiu nessa mudança no plano de guerra que quase rompeu a aliança militar dos Aliados. Quando não conseguiu o que queria, mandou para a Grécia todos os soldados que ainda estavam sob o comando dele. Com isso precipitou uma guerra civil que rachou ao meio o país. Os líderes da resistência clandestina foram derrotados e o movimento foi esmagado. A burocracia, a polícia e os programas da ditadura do pré-guerra retomaram o controle do país.
Depois da guerra, com a Grã-Bretanha já arruinada e sem meios para sustentar sua política imperial, Londres entregou a Grécia aos norte-americanos que anunciaram a “Doutrina Truman” e afogaram o país em dinheiro, com o que impediram o sucesso eleitoral da esquerda. O dinheiro norte-americano funcionou bem por algum tempo, mas a mão pesada da ditadura criou uma nova geração de supostos democratas que desafiaram a ditadura.
Esse é o tema belamente exposto no filme Z, de Costa Gavras, estrelado por Yves Montand (trailer no fim do parágrafo, em francês). Como o filme mostra, o movimento liberal do início dos anos 1960s foi derrotado por uma nova ditadura militar, “o governo dos coronéis”.
Quando a junta militar foi derrubada em 1974, a Grécia conheceu um breve período de “normalidade”, mas nenhuma das fissuras profundas que havia na sociedade haviam sido realmente remediadas. Independente de que partido político designasse os ministros, a burocracia sempre autoperpetuada continuava no controle. A corrupção era generalizada. E, mais importante que tudo isso, a Grécia tornara-se um sistema político que Aristóteles chamaria de oligarquia.
Os muito ricos usavam o dinheiro para criar para eles mesmos um estado dentro do estado. Estenderam seu poder para todos os nichos da economia e construíram o sistema bancário grego de modo que se tornou essencialmente extra-territorializado. O porto de Piraeus encheu-se de megaiates de gente que não pagava impostos e Londres foi comprada, pelo menos em boa parte, por gente que sangrava a economia grega. Todo o dinheiro “inteligente” [orig. “smart money”] da Grécia estava aplicado fora do país.
A crise atual
Esse estado de coisas poderia ter durado muito mais tempo, mas quando a Grécia uniu-se à União Europeia em 1981, banqueiros europeus (principalmente alemães) farejaram uma oportunidade: voaram em bandos para a Grécia, para oferecer empréstimos. Até quem não tinha renda que tornasse razoável qualquer empréstimo ganhou empréstimos. Na sequência, os banqueiros começaram a cobrar pagamentos. Chocados, os empresários começaram a demitir. O desemprego cresceu. As oportunidades evanesceram.
Não há qualquer remota chance de aqueles empréstimos serem pagos. Nunca deveriam ter sido oferecidos e nunca deveriam ter sido aceitos. Para manter-se à tona o governo cortou em serviços públicos (não cortou gastos militares) e o povo sofreu muito. Nas eleições de 2004, o povo ainda não havia sofrido o suficiente a ponto de eleger a coalizão radical liderada pelo partido “Unidade” (SYRIZA). Naquele ano, o partido recebeu apenas 3,3% dos votos.
Então, depois do crash financeiro de 2008 vieram anos de dificuldades que aumentavam dia a dia, todos os políticos eram considerados culpados de tudo e havia muita ira. Era ira popular, dos que se sentiam desorientados pelos banqueiros e pela própria loucura. Não havia esperança nem havia saída à vista, e os gregos começaram a virar-se na direção do partido SYRIZA. Depois de várias tentativas, afinal nas eleições de 2015 o SYRIZA alcançou 36,3% dos votos, e elegeu 249 dos 300 membros do Parlamento.
Hoje, as condições que empurraram na direção dessa eleição são ainda mais graves: a renda nacional da Grécia caiu 25% e o desemprego entre os mais jovens é superior a 50%. Assim sendo, o que resta aos negociadores fazer?

Taxas de desemprego Eurozona, Alemanha e Grécia

Com Alemanha e UE a exigir mais e mais ARROCHO, os gregos estão furiosos. Há no país memórias profundas de ódio aos alemães (antes eram soldados, agora são banqueiros). Os gregos foram mal interpretados, mal representados e traídos pelos seus próprios políticos vezes sem conta. O Primeiro-Ministro Alexis Tsipras sabe que, se for marcado com o rótulo “vendido”, sua carreira está acabada.
E o pacote do dito “resgate” que o FMI e o BCE ofereceram pesa muito contra a Grécia. Os gregos veem a opção de sair do euro como semelhante à posição que Grã-Bretanha e Suécia assumiram desde o início, de não adotar a moeda europeia – mas terá de haver ajuste doloroso para a economia grega, caso a Grécia tome a decisão, sem precedentes, de desligar-se do euro.
Mesmo assim – a menos que FMI e BCE façam nova oferta, que traga alguma coisa que dê aos gregos chance de uma vida melhor e cancelem parte significativa da dívida – entendo que os gregos acertarão se votarem “Não”, no domingo; se rejeitarem as demandas dos banqueiros, que querem mais e mais ARROCHO; e se abandonarem o euro.
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[*] William Roe Polk (nascido em 1929 em Fort Worth , Texas) é um veterano consultor de política externa, diplomata, autor e parente do presidente James K. Polk e do proeminente advogado e diplomata Frank Polk. É ex-professor de História e ex-Reitor da Universidade de Harvard e da Universidade de Chicago tendo sido também Presidente da Adlai Stevenson Institute of International Affairs.
Polk ensinou História do Oriente Médio e Política em Harvard 1955-61, e foi então nomeado pelo Presidente Kennedy para o Departamento de Estado no Conselho de Planeamento de Política com foco no Oriente Médio e Norte da África. Serviu como membro da equipe de gestão na Crise dos Mísseis Cubanos.
Polk demitiu-se do governo federal para se juntar à Universidade de Chicago como professor de História em 1965, onde lecionou por 10 anos e estabeleceu seu Centro de Estudos do Oriente Médio. Foi vice-presidente da Fundação WP Carey e membro do Conselho de Relações Exteriores dos EUA Vive atualmente no sul da França e é casado com a Baronesa Elisabeth von Oppenheimer. Lecionou no Instituto Canadense de Relações Internacionais, no Conselho de Relações Exteriores, no Instituto Real de Relações Internacionais e no Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia de Ciências da União Soviética (hoje Rússia), bem como mais de uma centena de universidades e faculdades.
É autor de inúmeros livros:


  • Backdrop to Tragedy: The Struggle for Palestine (1957). coauthors William R. Polk, David M. Stamler, and Edmund Asfour. Beacon Press online edition.
  • The Opening of South Lebanon, 1788-1840: A Study of the Impact of The West on the Middle East (1963). Harvard University Press
  • The United States and the Arab World (1965). Harvard University Press, 3rd edition 1975: ISBN 0-674-92718-4
  • The Arab World. 4th edition 1980, hardcover: ISBN 0-674-04316-2, paperback: ISBN 0-674-04317-0
  • The Arab World Today. 5th edition 1991, ISBN 0-674-04319-7
  • Beginnings of Modernization in the Middle East: The Nineteenth Century (1968). University of Chicago Press, ISBN 0-226-67425-8
  • Passing Brave (1973). Alfred Knopf, ISBN 0-394-47893-2 reprint Panda Press 2013
  • The Elusive Peace: The Middle East in the Twentieth Century (1979). Palgrave Macmillan, ISBN 0-312-24383-9
  • Neighbors and Strangers: The Fundamentals of Foreign Affairs (1997). University Of Chicago Press, ISBN 0-226-67329-4
  • Polk's Folly: An American Family History (2000). Doubleday, ISBN 0-385-49150-6, Anchor paperback ISBN 0-385-49151-4
  • Understanding Iraq: The Whole Sweep of Iraqi History from Genghis Khan's Mongols to the Ottoman Turks to the British Mandate to the American Occupation (2005). HarperCollins hardcover: ISBN 0-06-076468-6, paperback: ISBN 0-06-076469-4
  • The Birth of America: From Before Columbus to the Revolution (2006). HarperCollins hardcover: ISBN 0-06-075090-1
  • Violent Politics: A History of Insurgency, Terrorism, and Guerrilla War, from the American Revolution to Iraq (2007). HarperCollins hardcover: ISBN 0-06-123619-5
  • Understanding Iran: Everything You Need to Know, From Persia to the Islamic Republic, From Cyrus to Ahmadinejad (2009). Palgrave * *Macmillan hardcover: ISBN 978-0-230-61678-3
  • Personal History: Living in Interesting Times Panda Press 2013
  • Distant Thunder: Reflections on the Dangers of Our Times Panda Press 2013
  • Humpty Dumpty: The Fate of Regime Change Panda Press 2013
  • Blind Man's Buff, a Novel set in Afghanistan Panda Press 2013

terça-feira, 9 de junho de 2015

“Operação Impensável”:Em 1945 os “aliados” já tinham planos secretos contra a Rússia soviética


25/5/2015, [*] Yuriy Rubtsov, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
Entreouvido no Beco do Zuluá na Vila Vudu:  

O que aí se lê não são idas e vindas do bem contra o mal, nem de algum “ocidente” contra algum “oriente”. 

O que aí se lê são 70 anos de idas e vindas dos interesses do CAPITAL, que sempre foi global.

Se o capital parece “mais global” hoje, do que nos séculos XV, XIX ou XX, é só porque AS COMUNICAÇÕES globalizaram-se. 

OS DISCURSOS globalizaram-se, uniformizaram-se e viraram o insuportável tédio “jornalístico” que há hoje.

O capital não mudou uma vírgula: sempre foi global. E o capital sempre temeu mortalmente o comunismo e os sovietes. 

O resto é jornalismo desdemocrático, de notícias vestidas para matar, fatos arranjados, celebridades & golpismos, TOTALMENTE INDEMOCRATIZÁVEL, o desgraçado.



Em Yalta, EUA e Inglaterra já tramavam traição à Rússia
No final de maio de 1945 Josef Stálin ordenou que o Marechal Georgy Zhukov deixasse a Alemanha e viesse a Moscou. Stálin estava preocupado com as ações do aliados britânicos. Stálin observara que as forças soviéticas desarmavam os alemães e os enviavam a campos de prisioneiros; mas os britânicos, não. Em vez de desarmar e prender os alemães, os britânicos estavam cooperando com eles e lhes permitiam manter a capacidade de combate. Para Stálin, a única explicação para esse comportamento era que os britânicos planejassem usar depois aqueles soldados alemães. Stálin sabia que a atitude dos britânicos era flagrante violação do acordo entre governos, segundo os quais tropas que se rendessem tinham de ser desarmadas e imediatamente desmontadas.
A inteligência soviética pôs as mãos (e os olhos) no telegrama secreto que Winston Churchill enviara ao marechal-de-campo Bernard Montgomery, comandante das forças britânicas. O telegrama ordenava que Montgomery recolhesse as armas e as conservasse disponíveis para serem devolvidas aos alemães, caso a ofensiva soviética continuasse.
Seguindo instruções de Stálin, Zhukov condenou duramente as atividades dos britânico no Conselho de Comando dos Aliados (União Soviética, EUA, Reino Unido e França). Disse que a história registrava poucos exemplos de tamanha traição e descaso com compromissos assumidos entre nações que tinham, ou se haviam comprometido a ter, status de aliadas. Montgomery rejeitou a acusação. Poucos anos depois admitiu que recebera ordens para fazer exatamente o que Zhukov acusara os ingleses de terem feito e que as executara. Como soldado, não tivera alternativa.
Disputava-se batalha feroz nos arredores de Berlim. Dessa vez, Winston Churchill disse que a Rússia Soviética convertera-se em ameaça mortal para o mundo livre. O primeiro-ministro britânico queria que se criasse um novo front no leste, imediatamente, para conter a ofensiva soviética. Churchill vivia obcecado pela ideia de que, depois de derrotado o exército nazista alemão, a União Soviética já surgia como nova ameaça.
Essa é a razão pela qual Londres quis que Berlim fosse tomada por forças anglo-norte-americanas. Churchill quis também que os norte-americanos libertassem a Checoslováquia e Praga com a Áustria controlada pelos aliados, todos sob as mesmas condições.
Georgy Zhukov
Já em abril de 1945, Churchill dera instruções para que o Grupo de Planejamento Conjunto das Forças Armadas Britânicas planejasse a Operação Impensável [orig. Operation Unthinkable], nome de código de dois planos relacionados de um conflito entre os aliados ocidentais e a União Soviética. Os generais receberam ordens para traçar meios para “impor à Rússia a vontade dos EUA e do Império Britânico”. A data hipotética marcada para o início da invasão, pelos aliados, da Europa hipoteticamente tomada pelos soviéticos, seria 1º de julho de 1945. Nos últimos dias da guerra contra a Alemanha de Hitler, Londres deu início a preparativos para apunhalar a União Soviética pelas costas.
O plano previa guerra total para ocupar as partes da União Soviética que tiveram significado crucial para o esforço de guerra, e assestar assim golpe decisivo, que tiraria das forças armadas soviéticas a capacidade para defender-se.
O plano incluiu a possibilidade de as forças soviéticas recuarem com profundidade para dentro do próprio território, tática que já havia sido usada em guerras anteriores.
O Alto Comando Britânico considerou esse plano militarmente irrealizável, porque as forças soviéticas superavam as forças aliadas na proporção de três para um – na Europa e no Oriente Médio, onde o plano previa que se travassem os combates. As unidades alemãs entravam nessa conta como tentativa de equilibrar a correlação de forças: por isso Churchill tanto precisava de que os prisioneiros alemães continuassem em prontidão para combater.
O Gabinete de Guerra concluiu:
O Exército Russo desenvolveu um Alto Comando capaz e muito experiente. O exército é incomensuravelmente mais forte, vive e se movimenta em escala muito mais leve de manutenção que qualquer exército ocidental, e usa táticas firmes, baseadas sobretudo na pouca importância atribuída às baixas, para alcançar o objetivo. O equipamento foi rapidamente aprimorado durante a guerra e hoje é bom. Sabe-se o suficiente sobre esse desenvolvimento, para dizer que com certeza absoluta o exército soviético não é inferior aos das grandes potências. A facilidade que os russos mostraram para desenvolver e aprimorar equipamento e armas existentes, e para produzi-los em massa foi realmente muito impressionante. Já se sabe até que houve casos de os alemães terem copiado traços básicos de armamento russo.
Os planejadores britânicos chegaram a conclusões pessimistas. Disseram que qualquer ataque seria “imprevisível” e que a campanha seja “longa e cara”. Na verdade, o relatório dizia:
Se vamos iniciar guerra contra a Rússia, temos de estar preparados para guerra total, que seria longa e cara.
A superioridade numérica das forças do campo soviético deixavam poucas possibilidades de sucesso.
Russos dançam comemorando a rendição de Berlim (2/5/1945)
A avaliação, assinada pelo Comandante do Estado-Maior das Forças Conjuntas, dia 9/6/1945 – na próxima 4ª-feira serão 70 anos! – concluía:
Estaria além de nossas capacidades alcançar sucesso rápido, mas sempre limitado, e estaríamos comprometidos em guerra longa, contra todas as probabilidades de sucesso. E essas probabilidades convertem-se em pura fantasia, se os americanos cansarem, ficarem indiferentes e deixarem-se arrastar pelo ímã da guerra no Pacífico.
O primeiro-ministro recebeu rascunho do plano dia 8 de junho de 1945. Por mais que o enfurecesse, Churchill teve de se conformar, ante a evidente superioridade do Exército Vermelho. Mesmo com a bomba atômica já incluída no inventário militar dos EUA, o novo presidente dos EUA Harry Truman também teve de aceitar o argumento e a conclusão.
Vyacheslav Molotov
Na sequência, em reunião com o Ministro de Relações Exteriores da URSS, Vyacheslav Molotov, Truman pegou o touro pelos chifres. Fez ameaça mal disfarçada de que se poderiam aplicar sanções econômicas contra a União Soviética. Dia 8 de maio de 1945, o Presidente dos EUA ordenou que se reduzissem significativamente, sem qualquer notificação prévia, a venda e a entrega de suprimentos. Chegou a ponto de fazer retornar às bases nos EUA, todos os navios norte-americanos que já estavam a caminho da URSS.
Algum tempo passou, e a ordem foi cancelada, ou a URSS não entraria na guerra contra o Japão, algo de que os EUA muito precisavam. Mas as relações bilaterais haviam sido feridas para sempre.
Joseph Grew
O memorando assinado pelo Secretário de Estado em exercício, Joseph Grew, dia 19 de maio de 1945, dizia que a guerra contra a URSS era inevitável. Ordenava “endurecer posições” nos contatos com a URSS. Segundo Grew, recomendava-se iniciar imediatamente os combates, antes que a URSS conseguisse recuperar-se da guerra e restaurar seu vastíssimo potencial militar, econômico e territorial.
Os militares receberam impulso dos políticos. Em agosto de 1945 (a guerra contra o Japão ainda não terminara), o mapa dos alvos estratégicos dentro da URSS e Mandchúria foi apresentado ao general L. Groves, chefe do programa nuclear dos EUA. O plano indicava 15 das maiores cidades da URSS: Moscou, Baku, Novosibirsk, Gorky, Sverdlovsk, Chelyabinsk, Omsk, Kuibyshev, Kazan, Saratov, Molotov (Perm), Magnitogorsk, Grozny, Stalinsk (provavelmente, Stalino – a atual Donetsk) e Nizhny Tagil. Cada alvo vinha acompanhado de descrições: geografia, potencial industrial e alvos a atingir primeiro. Washington abriu novo front: dessa vez, contra seu aliado.
Londres e Washington imediatamente esqueceram que haviam combatido lado a lado, ombro a ombro, com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esqueceram também todos os compromissos que haviam assumido nas conferências de Yalta, Potsdam e São Francisco.
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Nota dos tradutores
[1] “Operação Impensável é o nome de um plano inicial de guerra feito pelo governo britânico em 1945. Tal operação consistia na invasão da então União Soviética por forças militares britânicas, poloneses exilados, americanos, e até alemães recém rendidos. Dada a superioridade do poder militar da União Soviética, os demais “aliados” optaram por não executar tal operação.
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[*] Yuriy Rubtsov nasceu em 21/2/1957 em Kaliningrado, região de Moscou. Em 1980, graduou-se na Escola de Engenharia Naval Superior da FE Dzerzhinsky. Em seguida doutorou-se em História. De 1980 a 1996 serviu em unidades da Marinha. Desde 1987, ele serviu como oficial da Frota do Norte nos destróiers “Almirante Nakhimov” e “Almirante Isachenkov”. Nos anos de serviço no Norte começou a estudar Heráldica e História do Ártico. De 1991 a 1996 foi presidente da Sociedade Heráldica de Severomorsk e membro da Comissão de Heráldica da Frota do Norte, cargo que ocupou até o fim do serviço militar. Em 1993 graduou-se no curso de Formação em Serviço Público já sob o Governo da Federação da Rússia, hoje Academia Norte-Oeste da Administração Pública. Desde 1996, ele atuou na TV e na Rádio do Ministério Central de Defesa da Federação Russa (Moscou). Em 2004 foi transferido para a reserva no posto de Capitão (equivalente a tenente-coronel no Brasil). Foi premiado com 14 medalhas da URSS e da Rússia, entre eles: Comenda de Cooperação Militar, a “Distinguished Service” em 2º e 3º graus, e a medalha “Almirante Kuznetsov”. Foi é professor emérito da Universidade Militar do Ministério da Defesa da Rússia. Atualmente é Vice-Presidente da Empresa “TSENKI” − Roscosmos e engenheiro-chefe do estúdio de televisão dessa empresa. Neste último local de trabalho foi premiado com a medalha Agência Espacial Federal por promoção e divulgação de atividades espaciais russas . Continua a se envolver com Heráldica apenas como amador.
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