Mostrando postagens com marcador Assassinato e corrupção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Assassinato e corrupção. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Palestra de José Cláudio Ribeiro (assassinado em maio/2011), em novembro de 2010


Zé Cláudio Ribeiro vive na região de Marabá, no Pará, produzindo castanhas de maneira sustentável e resistindo ao boom da construção na Amazônia, e à pressão de derrubar essas árvores impressionantes. Recebeu várias ameaças de morte.

Neste maio de 2011 a ameaça concretizou-se com seu assassinato juntamente com sua esposa.

Até quando ruralistas e madeireiros vão continuar assassinando e depredando impunemente no Brasil?

Outro dia li num desses blogs MILICANALHAS (não me lembro qual, pois são todos tão igualmente canalhas...) um ex-militar criminalizando o MST e os defensores dos Direitos Humanos. E nada sobre Reforma Agrária e concentração de propriedades no Brasil... Isso é até compreensível dada a ESTUPIDEZ e do adestramento dos MILICANALHAS brasileiros. Afinal são apenas isso: JAGUNÇOS das nossas podres elites e sem nenhum compromisso com o povo brasileiro.

Vocês já notaram que morre gente de um lado só? Só do lado dos POBRES. Do lado dos ricos, ninguém. Nem um único jagunço.
Vai chegar o dia em que os POBRES vão procurar igualar as coisas... E aí como é que vai ficar?

Extraído do Blog da REA (com texto itálico escrito pela redecastorphoto)

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro se chama Allende

No dia 11 de setembro de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, foi assassinado na sede do governo, durante o golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet, com apoio declarado do governo dos Estados Unidos. Em seu discurso derradeiro, Allende pede ao povo chileno que aproveite a lição: “o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição”.

“Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão.

Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.”



extraído do
RSURGENTE