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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

O 11 de setembro latino-americano




Publicado em 11/09/2011 por *Mário Augusto Jakobskind

Enquanto os meios de comunicação de todos os quadrantes davam ampla repercussão aos 10 anos do 11 de setembro, com raras exceções alguns veículos recordavam outro 11 de setembro, o do Chile, quando um golpe de extrema direita derrubou o então Presidente constitucional Salvador Allende, com o apoio dos Estados Unidos e do Brasil.

Trinta e oito anos depois, o ideário de um país mais justo, com atendimento digno nas áreas de educação e saúde, segue vigente no Chile, o que indica que o pensamento de Allende, que quando jovem era líder estudantil, segue vigente.

Uma nova geração, nascida bem depois daquela fatídica data de 11 de setembro de 1973, está ocupando as ruas de Santiago e de outras cidades chilenas para dizer que não aceitam mais pagar preços extorsivos em verdadeiros shoppings centers que se tornaram as universidades.

Sebastian Piñera andou tentando enganar os estudantes com paliativos que não atacam o principal, ou seja, a participação efetiva do Estado na área da educação. Desde a ditadura de Augusto Pinochet e mesmo nos governos democráticos da Concertación foram dados os máximos incentivos para a iniciativa privada lucrar com o ensino. Criaram-se então mostrengos, que de educacionais só têm o nome.

No encontro que tiveram com Piñera,  os líderes estudantis demonstraram grande maturidade e que sabem o que querem. Rebateram os argumentos do Presidente e o deixaram de boca aberta quando leram alguns compromissos internacionais ratificados pelo Chile e que, segundo os estudantes, não estavam sendo cumpridos e que tinham a ver com tudo que pleiteavam.

O representante da Federação Mapuche de Estudantes sem rodeios foi logo lembrando, por exemplo, do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da Organização das Nações Unidas e do Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho. Piñera não esperava por isso e nem estava preparado para rebater os argumentos, demonstrando ser um Presidente despreparado e que tinha sido eleito devido a falência da Concertación e a capacidade, com muito dinheiro, de enganar o povo. Só mesmo os ricos sabiam que ele se elegeria para manter e ampliar privilégios em detrimento da maioria.

Os jovens entenderam perfeitamente que só poderão ter algum futuro se ocorrerem mudanças e o Estado voltar a dar as cartas no setor, neutralizando os empresários que só pensam no lucro fácil. Como Piñera tem grandes compromissos com o setor empresarial, a tática utilizada pelo Presidente era de enganar incautos, o que os estudantes nunca foram. Aí armou-se o impasse, obrigando os estudantes voltarem às ruas inclusive no 11 de setembro.

Aqui no Brasil ainda há partidos políticos que defendem e privatização do ensino. No Estado e município do Rio de Janeiro, usando artifícios, os governos tentam estabelecer a prédica privatista, tanto na área da saúde como na da educação. Contam com aliados no Parlamento e na mídia de mercado e entre os tais sabichões analistas de sempre.

O Chile deve servir de lição para estes grupos que embora tentem não aparecer como tal, professam o ideário neoliberal, o mesmo que levou o país andino à situação atual em que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres descem ladeira abaixo.

Em termos de canais de televisão, vale uma referência à TV e a Agência Brasil, duas mídias públicas que mandaram uma enviada especial, Monica Yanakiew, para acompanhar os acontecimentos no Chile e os seus desdobramentos. É importante este destaque, sobretudo pelo fato de as demais emissoras estarem praticamente em tempo integral jornalístico no 11 de setembro de Nova Yorque. Muito bem analisado por Rui Martins aqui no Direto da Redação.

No mais, enquanto na Líbia prossegue a caça a Muammar Kadafi, agora até a Interpol atrás, no Rio de Janeiro caiu a ficha do Complexo do Alemão. Sergio Cabral e o secretário de Segurança José Mariano Beltrame passaram quase um ano enaltecendo o novo tempo na região e de repente, não mais do que de repente, tudo voltou à estaca zero.

Os últimos acontecimentos naquela área da cidade deixaram claro  que tudo não passava de um jogo de marketing sem sustentação. O Rio de Janeiro vivia a ilusão de que a política de segurança de Cabral mudou a cara da cidade. Propaganda enganosa. E o Exército, absolutamente sem preparo para lidar com situações do gênero, mesmo com a experiência ganha no Haiti, onde reprimiu os pobres de Capacete Azul, está chafurdando no Complexo do Alemão.

E vale sempre lembrar que o Exército brasileiro, agindo como age, segue a recomendação do Pentágono que quer ver as Forças Armadas da América Latina ocupando-se com casos de polícia.

Em vez de efetivos militares, a segurança deveria se voltar para métodos de inteligência no combate ao crime, para não falar da presença social do Estado nas áreas carentes. Mas como isso demora e a Copa do Mundo está batendo às portas, repressão em cima das áreas pobres próximas aos locais onde serão realizados os jogos é necessária. Esta é a verdadeira face da política de segurança do farsante Sergio Cabral.


*Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Epitáfio para outro 11 de setembro

30/8/2011, Ariel Dorfman, The Nation (ed. impressa de 19/9/2011)
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Naquele 11 de setembro, daquela manhã letal de 3ª-feira, acordei apavorado, ao som de aviões que sobrevoavam minha casa. Quando, uma hora depois, vi fumaça subindo do centro da cidade, soube que a vida havia mudado para mim, para meu país, para sempre.

Era 11 de setembro de 1973, o país era o Chile, e as forças armadas haviam bombardeado o palácio presidencial em Santiago, no primeiro estágio de um golpe contra o governo democraticamente eleito de Salvador Allende. No fim do dia, Allende estava morto, e a terra na qual havíamos tentado uma revolução pacífica fora transformada em matadouro. Passar-se-iam duas décadas, a maior parte das quais vivi no exílio, antes de derrotarmos a ditadura e recuperar nossa liberdade.

28 anos depois daquele dia fatídico de 1973, noutro 11 de setembro, também uma manhã de 3ª-feira, foi a vez de outra cidade também minha cidade ser atacada do alto, e choveu outro tipo de terror, mas, outra vez, o coração cheio de medo, confirmei que nada nunca mais seria como antes, nem para mim, nem para o mundo. Já não se tratava de uma pátria afetada, nem de um povo que sofreria as consequências da fúria e do ódio, mas o planeta inteiro.

Nos últimos dez anos, várias vezes me vi pensando, intrigado, sobre essa justaposição de datas; não consigo tirar da cabeça a ideia de que há alguma espécie de significado oculto por trás ou dentro da coincidência. É possível que minha obsessão seja resultado de viver nos dois países no exato instante dos dois massacres, de tal modo que essas duas cidades assaltadas constituem as pedras angulares da minha identidade híbrida. Porque cresci criança que aprendia inglês em New York e passei minha adolescência e o começo da idade adulta apaixonando-me em espanhol em Santiago, e porque sou tão norte quanto sul-americano, não posso deixar de tomar pessoalmente a destruição paralela de vidas de compatriotas inocentes, esperando que se aprenda o que haja para aprender da dor e da assustadora confusão.

Chile e EUA mostram, com efeito, modelos contrastantes de como reagir a um trauma coletivo.

Qualquer nação que tenha padecido sofrimento tão grande enfrenta séries fundamentais de perguntas que testam seus valores mais profundos. Como buscar justiça para os mortos e reparação para os vivos? Pode-se restaurar o equilíbrio de um mundo partido, cedendo à compreensível sede de vingança contra nossos inimigos? Não nos expomos ao risco de nos transformarmos neles, sob o perigo de nos convertermos em sombra perversa deles – não estamos ameaçados de ser governados pela nossa ira?

Se 9 de setembro puder ser visto como teste, parece-me, infelizmente, que os EUA fracassaram. O medo gerado por uma pequena gangue de terroristas levou a uma sequência tão devastadora de ações que excederam em muito o sofrimento pelo qual passamos no suplício original. Duas guerras desnecessárias que ainda prosseguem, um colossal desperdício de recursos que poderiam ter sido aplicados para salvar nosso meio ambiente e educar nossas crianças, centenas de milhares de mortos e mutilados, milhões de expatriados e deslocados, uma desgraçada erosão dos direitos civis nos EUA e o uso da tortura e da entrega de prisioneiros a torturadores estrangeiros, que acabaram por servir como carta branca para que outros regimes atacassem os direitos humanos. E por último, mas não menos importante, o crescimento de um já excessivo estado de segurança nacional que se alimenta numa uma cultura de mentiras, espionagem, incerteza e insegurança.

O Chile também poderia ter respondido à violência, com mais violência. Se algum dia houve justificativa para pegar em armas contra poder tirânico, a luta dos chilenos satisfazia todos os critérios. Mas o povo chileno e os líderes da resistência – com poucas tristes exceções – decidiram derrotar o general Pinochet pela não violência ativa, tomando de volta para nós o país que nos fora roubado, palmo a palmo, organização por organização, até derrotá-lo num plebiscito que ele poderia ter vencido, mas não venceu. O resultado não foi perfeito. A ditadura ainda contamina a sociedade chilena, mesmo muitas décadas depois de perder o poder. Mas, feitas todas as contas, como exemplo de como criar paz duradoura a partir de perdas e sofrimentos inenarráveis, o Chile comprovou-se decidido a não permitir que jamais voltasse a acontecer outro 11 de setembro de morte e destruição.

O que há de mágico nessa decisão de combater o mal por meios pacíficos é que os chilenos ecoaram, sem saber, mais um 11 de setembro, de 1906, em Johannesburg, quando Mohandas Gandhi persuadiu vários milhares de indianos como ele, num Teatro Império, a aprovar a resistência não violenta contra o governo daquele apartheid injusto e discriminatório. Aquela estratégia da Satyagraha, com o tempo, levaria à independência da Índia e a muitos outros momentos em que se conquistou paz e justiça pelo mundo; levou inclusive ao surgimento do movimento pelos direitos civis nos EUA.

105 anos depois do memorável convite de Mahatma, para que se imaginasse um meio para escapar da armadilha da ira, 38 anos depois daqueles aviões que me acordaram pela manhã, para ensinar-se que eu nunca mais conseguiria escapar do terror, dez anos depois de a New York dos meus sonhos de infância ser destruída pelo fogo, espero que o epitáfio perfeito para todos esses 11 de setembro sejam as palavras imortais de Gandhi: “A violência só derrotará a violência, quando alguém me demonstrar que alguma escuridão possa ser iluminada por mais escuridão”.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

11th September - 09/11/2001


Este vídeo mostra os métodos utilizados pelos "defensores da democracia" para desestabilizar, assassinar e subjugar.
Mostra o papel dos militares covardes, pusilânimes e traidores, na história da América Latina.




enviado por Sílvio de Barros Pinheiro

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de setembro, 37 anos: Allende vive

sábado, 11 de setembro 2010

São 8:54 h em Brasília. A esta hora, há exatos 37 anos, a aviação chilena começava seu bombardeio ao palácio presidencial La Moneda. Depois de derrotada nas eleições parlamentares de 1972, a direita chilena decide abandonar a via eleitoral e o caminho da mera agitação golpista e da sabotagem. Passa a preparar o golpe militar que interromperia uma das interessantes experiências de um povo na reconquista de sua autoestima.

Apesar da intensa sabotagem, dos assassinatos cometidos por grupos de extrema-direita como o Patria y Libertad, dos blecautes patronais e do clima de desestabilização promovido pelo golpismo chileno e pela CIA, a Unidade Popular (coalizão que dava sustentação ao Presidente Salvador Allende, formada pelos Partidos Socialista e Comunista, além de importantes grupos de esquerda como o MIR e o MAPU) havia conseguido ainda mais votos em 1972 que nas eleições presidenciais que levaram Allende ao poder, em 1970.

Acossado em seu palácio sob intenso bombardeio, o Doutor Allende se comporta de maneira impecável: libera os seus funcionários para que salvem suas vidas (oferta que a esmagadora maioria deles recusa, optando por resistir junto a seu amado presidente), realiza gestões para que vários chilenos se protejam em embaixadas (notadamente a cubana) e faz um inesquecível discurso pelo rádio, em que insiste que sua vida não pertence a ele próprio, mas ao povo. Esse discurso imortaliza uma frase que até hoje emociona milhões de chilenos: Pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Allende resiste por algum tempo, com uma mera pistola e sua guarda presidencial.

Na saída do palácio que fica na Rua Morandé, 80, chilenos desarmados se rendiam e mesmo assim eram espancados pelas forças policiais. Já nos primeiros dias, um imenso campo de concentração se formava no Estádio Nacional. A casa do poeta maior, Pablo Neruda, foi pilhada e saqueada. A viúva de Allende foi até mesmo obrigada a enterrar seu amado em segredo, tal era o terror que tinham os militares da força simbólica do legado daquele que os chilenos chamavam de Compañero Presidente.

A experiência vivida pelo povo chileno entre o ano de 1970 e o 11 de setembro de 1973 é das histórias mais instrutivas e emocionantes da era moderna. Mesmo que você não entenda espanhol muito bem, reserve 90 minutos para assistir ao documentário de Patricio Guzmán, La Batalla de Chile. Trata-se de um filme que já trabalhei algumas vezes em sala de aula, mas hoje devo crédito ao Cristóvão Feil, por me lembrar que a obra está disponível no Google Videos:

37 anos depois, o general que traiu seu presidente e comandou o golpe é quase universalmente desprezado como um facínora torturador que, além de tudo, revelou-se depois, roubou dinheiro do seu povo em ato de enriquecimento ilícito. A memória do médico que entregou, com dignidade, sua vida num combate desigual é cada vez mais cultuada. Especialmente nos bairros mais pobres de Santiago e de outras cidades chilenas, não é raro ver uma foto do Compañero Presidente já logo na sala de estar. É uma experiência inesquecível visitar essas áreas mais humildes, conhecidas no Chile como poblaciones, e ouvir os relatos que ilustram a admiração e o amor que a memória de Allende evoca.

A luta dos chilenos entre 1970 e o 11 de setembro de 1973 para defender seu presidente se cristaliza na trajetória dessa simples palavra,compañero, que não deixaria de impactar outras línguas e passaria, sozinha, a significar o nome de toda uma experiência histórica. Parafraseando uma consigna muito usada nas assembleias populares chilenas a partir de 1970, e num gesto de carinho pelo país que me recebeu tantas vezes e onde tenho tantos amigos, deixo aqui minha homenagem à memória desse homem e dessa experiência: Compañero Biscoito, presente.

Não deixem de assistir ao documentário de Guzmán. Trata-se não só de uma aula de história e de política. É uma aula sobre o que é a dignidade.

Allende vive.

Escrito por Idelber às 09:54

extraído do Biscoito Fino e a Massa

11 de setembro se chama Allende

No dia 11 de setembro de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, foi assassinado na sede do governo, durante o golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet, com apoio declarado do governo dos Estados Unidos. Em seu discurso derradeiro, Allende pede ao povo chileno que aproveite a lição: “o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição”.

“Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão.

Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.”



extraído do
RSURGENTE