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domingo, 23 de janeiro de 2011

Nota conjunta de repúdio à Revista VEJA sobre Nova Friburgo

O PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A OAB/RJ, POR SUA 9ª SUBSEÇÃO, O MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO, O DIRETOR DO IML-AP/RJ E O DELEGADO DE POLÍCIA TITULAR DE NOVA FRIBURGO, vêm apresentar nota conjunta repudiando a matéria publicada na Revista Veja, edição 2200, ano 44, nº 03, de 19 de janeiro de 2011, em especial, o conteúdo do último parágrafo de fls. 54 até o primeiro parágrafo de fls. 56, em razão de seu conteúdo totalmente inverídico, conforme será esclarecido a seguir:

1) Inicialmente, cumpre esclarecer que em momento algum os corpos da vítimas fatais ficaram sobrepostos uns sobre os outros no Instituto de Educação de Nova Friburgo, local em que foi montado um posto provisório do IML, em razão da catástrofe que assolou toda esta região, mas sim acomodados separadamente lado a lado no ginásio do Instituto;

2) O acesso ao referido Instituto foi limitado às autoridades públicas e aos integrantes das Instituições inicialmente referidas, sendo certo que o ingresso dos familiares no local para a realização de reconhecimento somente foi permitido após autorização de um dos integrantes das mencionadas instituições e na companhia permanente do mesmo;

3) A liberação dos corpos para sepultamento somente foi autorizada após o devido reconhecimento efetuado por um familiar, sendo totalmente falsa a afirmação de que "ao identificar um conhecido, bastava levá-lo embora, sem a necessidade de comprovar o parentesco". Frise-se, que mesmo com o reconhecimento, foi realizado posteriormente procedimento de identificação pelos peritos da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, bem como de outros cedidos pela Polícia Civil de São Paulo, pela Polícia Federal e pelo Exercito Brasileiro, estes por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com a análise da impressão digital, do exame de arcada dentária e exame de DNA;

4) Ademais, cada um dos falecidos foi colocado em uma urna e sepultado individualmente, não existindo qualquer tipo de sepultamento coletivo, mas sim vários sepultamentos individuas e simultâneos no mesmo cemitério;

5) Em meio a infeliz perda de 371 vidas, somente neste Município de Nova Friburgo (até presente momento) é importante registrar que houve apenas 03 (três) casos de divergência dos reconhecimentos feitos pelos parentes, os quais estão sendo devidamente esclarecidos pelos peritos do IML/Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, através do exame das impressões digitais, das arcadas dentárias e do exame de DNA.

Assim, ao contrário do que a narrativa contida na matéria publicada leva o leitor a concluir, não houve uma feira livre na busca e no sepultamento de corpos, mas ao contrário, um trabalho sério realizado por profissionais exemplares, dedicados e comprometidos em minimizar, naquilo em que era possível, o sofrimento da população local, e ainda preservar, dentro das possibilidades existentes, a ordem e a saúde pública.

Aliás, o respeito pelas famílias e pelos corpos dos cidadãos falecidos não permitiria que os mesmos fossem tratados pelas autoridades da maneira descrita pelas jornalistas.

Assim, é com extremo pesar, que em meio a um evento trágico e que entristeceu a todos, tenhamos que vir a público repudiar as inverdades publicadas, de cunho meramente sensacionalista, a fim de evitar que o desserviço gerado pela matéria venha a causar mais prejuízo, sofrimento e comoção aos familiares das vítimas e a toda nossa comunidade.

Nova Friburgo, 21 de janeiro de 2011.

Paulo Vagner Guimarães Pena
Juiz de Direito
Dirigente do Fórum e do 9º NUR-N. Friburgo
Matrícula 21.121

Fernando Luis G. de Moraes
Juiz de Direito
Matrícula 29.813

Gustavo Henrique Nascimento Silva
Juiz de Direito
Matrícula 27.318

Hédel Nara Ramos Jr.
Promotor de Justiça
Coordenador Regional do Ministério Público
Matrícula 1.287/MPRJ

Dermeval Barboza Moreira Neto
Prefeito do Município de Nova Friburgo

Marcelo Barucke
Defensor Público
Coordenador Regional da Defensoria Pública
Matrícula nº 817.882-4

Carlos André Rodrigues Pedrazzi
Advogado – OAB/RJ nº 59820
Presidente da 9ª Subseção da OAB/RJ

Rômulo Luiz de Aquino Colly
Advogado – OAB/RJ nº 110.995
Vice-Presidente da 9ª Subseção da OAB/RJ

Sérgio Simonsen
Perito Legista
Diretor do IML-AP/RJ
Matrícula 872.246-4

José Pedro Costa da Silva
Delegado de Polícia de Nova Friburgo
Matrícula 823.230-8


Enviado por Carlos Caridade pelo twitter

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A TRAGÉDIA DO RIO DE JANEIRO

LaerteBraga

Não existe estado em qualquer lugar do mundo que possa sobreviver, ao longo dos anos, a governadores como Chagas Freitas (dois mandatos), Moreira Franco, Marcelo Alencar, Anthony e Rosinha Garotinho e agora Sérgio Cabral.

Se tomarmos como referência o ano de 1960, transferência da capital federal para Brasília e depois o de 1975, fusão com o antigo estado do Rio de Janeiro, preservando este nome, há uma longa história que hoje culmina numa tragédia de dimensões dramáticas, esta de 2011, trinta e seis anos após a fusão imposta arbitrariamente pela ditadura militar.

Negrão de Lima
Uma das primeiras tentativas de planejamento urbano no País, exceto cidades como Goiânia, Belo Horizonte e Brasília, foi feita pelo ex-prefeito da antiga capital federal, Francisco Negrão de Lima, mineiro de Nepomuceno (não confundir com São João Nepomuceno) e que havia sido ministro de Vargas, de JK e foi prefeito designado pelo próprio JK.

Diplomata de carreira, Francisco Negrão de Lima criou a SURSAN (Superintendência de Urbanismo e Saneamento), voltada para projetos de médio e longo prazos, já na preocupação de pensar a cidade do Rio de Janeiro como cidade/.estado (1956/1958).

Um “novo Rio” foi pensado pela SURSAN e boa parte começou a ser executada no governo de Carlos Lacerda, primeiro governador eleito da nova unidade da Federação (foi eleito em 1960, com mandato de cinco anos). A expressão NOVO RIO, inclusive, foi usada por Lacerda para caracterizar as obras que realizou. À sua característica de extrema-direita e golpista, juntou a de engenheiro de obras prontas, ou planos prontos.

O antigo estado do Rio de Janeiro, feudo da família Amaral Peixoto, desde a morte de Roberto da Silveira, em 1961, foi vítima de governadores indiretos (nomeados pela ditadura) até a designação do almirante Floriano Peixoto Faria Lima (1975/1979) para implantar e consolidar a fusão com a antiga capital federal, a cidade/estado da Guanabara.

Chagas Freitas
O primeiro governador eleito (indiretamente) desse novo estado, o que resulta da fusão RIO/GUANABARA foi Chagas Freitas, um político oriundo do ademarismo (uma das primeiras escolas do malufismo no Brasil), ligado ao ex-governador paulista Ademar de Barros e ao seu partido PSP – Partido Social Progressista.

Chagas Freitas foi um exemplo do fisiologismo político discreto, mas pleno e absoluto, e o único governador do antigo MDB em meio a governadores indiretos (eleitos pelas assembléias depois de indicados pela ditadura), já que a antiga Guanabara rejeitou, desde os primeiros momentos do golpe, a ordem fascista dos militares que se seguiram à deposição de João Goulart – Jango.

Um período sombrio e de barbárie na história do Brasil.

Carlos Lacerda
Quando governador eleito da Guanabara, em 1965, contra Carlos Lacerda e a ditadura militar (nas últimas eleições diretas até 1982 por obra e graça da ditadura), Negrão de Lima enfrentou tragédia de dimensões menores, mas proporcionalmente iguais às de hoje na cidade do Rio de Janeiro. O primeiro mês de mandato, o primeiro ano de governo.

Botou a mão na massa, retomou os projetos da antiga SURSAN – Lacerda havia tido um delírio com um “negócio” chamado DIOXIADIS – e de lá até o governo de Leonel Brizola, já no novo estado, nenhuma obra mais – a exceção das cosméticas – foi realizada na cidade do Rio de Janeiro, agora capital e no estado do Rio de Janeiro.

Negrão de Lima (Guanabara) e Leonel Brizola (Rio de Janeiro) foram os únicos governadores a priorizarem, cada um a seu tempo e cada qual com sua realidade, questões como meio-ambiente, saneamento, obras de contenção em encostas, todo o conjunto de atribuições do poder público para evitar o que aconteceu neste ano de 2011.

No caso específico de Brizola, a urbanização de favelas levou a GLOBO a acusá-lo de aliança com o tráfico. O mau caratismo da GLOBO tem dez mil anos como diria Nélson Rodrigues sobre o gol de Emerson na final do campeonato brasileiro do ano passado. 

Sergio Cabral
Sérgio Cabral, reeleito ano passado, por exemplo, das verbas destinadas para obras de contenção de encostas, preservação ambiental e saneamento, passou 24 milhões à Fundação Roberto Marinho (arapuca da máfia MARINHO - GLOBO para fugir de impostos e fingir que ajuda). Para que e por que ninguém sabe ao certo, mas não é incorreto concluir que o dinheiro tinha e teve a finalidade de fazer um mimo na mais poderosa rede de comunicações do País e ganhar apoio à sua candidatura à reeleição.

Se morreram até agora 630 pessoas por conta da incúria de governos estaduais e municipais e do próprio homem em relação à natureza, do ponto de vista da GLOBO e dos Marinho isso significa uma baita audiência.

Transformaram a tragédia em espetáculo.

Apropriaram-se da dor das pessoas, mentiram e mentem como no caso do desentendimento que não houve entre a Cruz Vermelha e a Prefeitura de Teresópolis, é possível até que tenha existido uma tabela extra para comerciais inseridos durante as transmissões especiais diante dos custos das mesmas.

Não são humanos, nunca foram.

Marcelo Alencar
O governo federal sistematicamente tem repassado verbas ao estado do Rio para obras nessa direção. Tais verbas sistematicamente prestam-se a demagogia de governantes (Marcelo Alencar sumiu com o dinheiro da despoluição da baía da Guanabara e Garotinho idem) e a decretos de luto oficial quando as tragédias ocorrem.

O protocolo da hipocrisia.

Orçamentos estaduais e municipais, cada qual dentro de suas possibilidades, têm incluído verbas para projetos visando a realização de obras necessárias a evitar que aconteça o que aconteceu em várias cidades do estado do Rio e de outros, como Minas e São Paulo (o primeiro, estado sob governo de um desvairado por oito anos – Aécio – e agora um alucinado Anastasia. São Paulo sob governo tucano desde a primeira eleição de Mário Covas, em 1994.)

A soma de recursos dos três níveis de governo, os contratos firmados com agências nacionais e internacionais de financiamento para projetos voltados a esse fim, prevenção de tragédias como a que está acontecendo, foi suficiente para que nada disso tivesse acontecido. Ou essa proporção de calamidade fosse menor, até na prevenção, como aconteceu na Austrália, onde as famílias em meio a enchentes as maiores da história do país fossem retiradas a tempo.

Em Cuba, antes da passagem do furacão Katrina o governo evacuou uma cidade inteira e apenas uma morte foi registrada.

Os governantes aqui é que foram e são incompetentes e corruptos. Uma ou outra coisa, ou as duas ao mesmo tempo.

Aldo Rebelo
Aldo Rebelo, que dizem ser comunista, nas mãos dos latifundiários, quer um novo Código Florestal que abra as florestas ao latifúndio, ao agronegócio, em parceria com o deputado Vacarezza, do PT. Líder da bancada, que, nas mãos da Monsanto, quer a semente conhecida como TERMINATOR em nossa agricultura, acentuando sua dependência a grupos e empresas estrangeiras e cedendo terras brasileiras a essas quadrilhas, numa proporção que afeta a soberania nacional, a integridade de nosso território.

Não há política voltada para o saneamento, para o meio-ambiente, existem operações cosméticas e demagogia em cima do sofrimento e da dor das vítimas desse tipo de desdém.

Criminoso, desdém criminoso.

A cidade é a realidade imediata de cada um de nós. É na cidade que nascemos, crescemos, nos formamos, constituímos nossas famílias, vivemos o dia a dia e na cidade é que terminamos esse dia a dia, mas que se estende aos que geramos.

Nossos governantes pensam em termos de um ou dois mandatos, um ou dois períodos de “grandes negócios”.

Roberto Marinho
A primeira lição que a tragédia nos traz é a da imperiosa necessidade de canais de participação popular, com caráter deliberativo, de fiscalização, para impedir que governos doem dinheiro público a fundações como a Roberto Marinho, disfarce, fachada de uma das maiores máfias do País.

Ou legalizem a casa, em área proibida, de um apresentador de tevê – Luciano Huck – porque cliente do escritório de advocacia da mulher do governador.

Não se pode permitir que o projeto de “reconstrução” das cidades destruídas pelas chuvas fique restrito a prefeitos e vereadores (câmaras municipais são uma aberração, conselhos de cidadãos substituem-nas e dão representatividade real aos habitantes da cidade, de cada cidade).

Do contrário vira uma festa de empreiteiras e todo o entorno dessas organizações criminosas, sob a batuta de prefeitos sem rumo e/ou corruptos.

Evo Morales
Quando Evo Morales, presidente da Bolívia, disse a propósito de um comentário sobre os bolivianos serem “pobres”, que “dizem que somos pobres, mas não somos pobres não, somos indígenas” – o povo boliviano em sua maioria é indígena – estava dizendo que os cidadãos são capazes de construir sua realidade em cima de estruturas que permitam a existência, a coexistência e a convivência em bases dignas e humanas, mantendo suas culturas, tradições, a realidade de cada povo.

Não há necessidade de uma loja da rede McDonald’s em cada cidade do mundo para que todos possam ser felizes.

E se temos uma realidade brasileira, temos uma realidade fluminense, uma realidade de Teresópolis, outra de Petrópolis, outra de Friburgo e assim por diante. Cada uma em seu contexto, em seus limites. Todas com pontos de semelhança, lógico, somos uma nação.

Somos um todo, mas somos partes também.

A tragédia do Rio de Janeiro vai se repetir dentro de mais alguns anos. Com certeza. Neste momento, a mídia está preocupada com o espetáculo. A GLOBO já está preocupada com a demora em esgotar o assunto, isso pode afetar a audiência do BBB-11 e o “drama” sobre determinada sister ser ou não transexual; e os governos em se mostrarem “presentes” numa realidade que é viva e cruel por conta de suas ausências.
BBB-11


Ou o povo das cidades atingidas, de todas as cidades brasileiras toma o destino de cada uma de suas cidades, nossas cidades, em nossas mãos, ou tudo vai continuar como farsa, se repetindo indefinidamente de tempos em tempos.

E é assim que vamos construir uma política ambiental, que envolva saneamento, obras básicas de contenção de encostas, preservação de áreas que implicam riscos, nas cidades, nos estados e no Brasil.

Do contrário, em breve, estaremos afogados nos “negócios” dos que ganham com tragédias como essa. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CRIME CONTRA A HUMANIDADE

Raul Longo
Suponha-se que alguém resolva utilizar da imagem de Slobodan Milosevic ou dos massacres étnicos dos anos 90 na antiga Iugoslávia, para tirar algum novo proveito político nos Bálcãs.

Até se pode considerar exagero comparar a índole desse hipotético alguém com os que promoveram a crueldade condenada como crime contra a humanidade. Mas deixaria de ser igualmente criminoso?

O uso do terremoto do Haiti, por exemplo, por manipulação, omissão ou emissão de intencionais falsas informações sobre aquela tragédia; poderá ser considerado como digno de manifestação da civilização humana?

Slobodan Milosevic 
O que é mais trágico? O inevitável evento natural de um tsunami, de um terremoto, de uma avalanche, uma tromba d’água provocada por uma tempestade, uma precipitação desproporcional; ou o que se utiliza da desgraça alheia, de centenas de vidas perdidas numa hecatombe ou numa determinação genocida, para induzir compreensões errôneas, para falsificar fatos?

Não se pode acusar um cataclismo de desumano, afinal os desastres naturais não possuem humanidade, mas qual humanidade possui a instituição que faz uso de uma calamidade, demonstrando idêntico desrespeito à vida humana que o dos que ordenaram os extermínios nos campos nazistas? Ou daqueles que comandaram o massacre de Gaza, de Ruanda, do Camboja?

Atentem para esta nota emitida pela Prefeitura Municipal de Teresópolis: “A Prefeitura de Teresópolis esclarece que está trabalhando em parceria com a Cruz Vermelha. O Governo Municipal e a organização humanitária estão empenhados em ajudar a quem está precisando neste momento de tantas dificuldades. Este é o objetivo: trabalhar em conjunto em prol da população e das pessoas atingidas pelo forte temporal que assolou a Região Serrana.”

Cruz e Cascente Vermelhos
Foi provocada por esta publicação no Globo on line: “RIO - Seis dias depois da tragédia e ainda com centenas de pessoas ilhadas e precisando de socorro, um incidente está atrapalhando os trabalhos de assistência aos desabrigados de Teresópolis na manhã desta segunda-feira. Membros da Cruz Vermelha e voluntários que trabalham na cidade acusam a prefeitura de Teresópolis de suspender a assistência que vinha sendo prestada pelo grupo à população da cidade.” 

A acusação é seriíssima! A Cruz Vermelha é uma entidade internacional de importância que suplanta praticamente todas as demais. A Cruz Vermelha nos países cristãos ou o Crescente Vermelho nos países muçulmanos, por seu histórico, é mais significativa do que a UNICEF, a UNESCO e a própria ONU.

Hermann Goering
Um agente público que numa situação como a sofrida pela população da região serrana do Rio de Janeiro, com o alarmante número de mortos, desaparecidos e feridos, na eminência de surtos epidêmicos provocados em tais ocasiões; impede a atuação da Cruz Vermelha, justifica uma investigação rigorosa e explicações não só às vitimas da cidade, do estado ou do país. Mas ao mundo!

Por outro lado, apesar de compreensível que o caos instaurado na região gere boatos e mal entendidos pela comoção e emotividade dos atores ali envolvidos, as empresas de comunicação que formam a instituição conhecida como Organizações Globo são reincidentes em especular com a desgraça alheia. Em Santa Catarina, por exemplo, o grupo RBS, associado à Globo, acaba de demitir o colunista Luiz Prates pela negativa repercussão nacional de uma nota em que culpa o governo brasileiro, ao qual qualificou de espúrio, pelos atropelamentos ocorridos na capital do estado, sugerindo que pobres deveriam ser impedidos de dirigir.

Luiz Carlos Prates - intelectual da Globo
Segundo funcionários da RBS, Prates é ali considerado um intelectual. Imagine-se o que sejam os demais! Um exército de Pol Pot? Slobodan? Goehring? Amin Dada? Talvez por essa consideração, a empresa anunciou que o ex-funcionário doravante se dedicará a projetos pessoais. Estéril especular a quais projetos terá se dedicado Prates até aqui, além de proferir e escrever sandices para promover intolerâncias, preconceitos e reacionarismos na preconceituosa elite catarinense; mas bem inversos a isso, os populares de Florianópolis já cogitam que Prates abrirá um lava-rápido para atender ao aumento de automóveis nas ruas da cidade.

Ao povo só resta fazer piada de tais mazelas que se lhe impõe, pois em nome de duvidosa “liberdade de imprensa”, o Poder Judiciário Brasileiro se comporta como conivente à ação nitidamente criminosa da Rede Globo e de outros grupos de empresas de comunicação, como quando culparam pessoalmente o Presidente Lula no imediato momento em que ocorreu o desastre com maior número de vítimas fatais da história da aviação brasileira.

Idi Amin Dada
Perceptivelmente, a Globo anseia por cadáveres! Às centenas, aos milhares! Brasileiros que se cuidem, pois se houver oportunidade repetem aqui um 11 de setembro como o de Nova Iorque e de maiores proporções, pois para a Globo quanto maior a desgraça, melhor! Mas se o Poder Judiciário do país é conivente aos crimes da Globo, comprovando-se neste caso de Teresópolis mais uma manipulação de informações para aumentar a comoção popular e piorar ainda mais a tão drástica situação, o Brasil, que acaba de ser condenado na OEA pelos crimes cometidos pela “ditabranda” da Folha de São Paulo, têm de ser julgado nos tribunais internacionais por crime contra a humanidade.

Lá vai a Justiça Brasileira, outra vez, para o banco dos réus! Uma vergonha global!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Rio virou Haiti




Publicado em 16/01/2011 – Mário Augusto Jakobskind

Sai ano entra ano e as tragédias se repetem no período das chuvas de verão. Em 2010 foi Angra dos Reis e Niterói, agora é a região serrana com centenas de vítimas fatais. Amanhã poderá ser outra área do Estado do Rio ou do País. Mas o pior disso tudo é que se providências preventivas fossem tomadas poderia se reduzir o número de vítimas. Para isso será necessário mudar o conceito de Defesa Civil.

No Rio de Janeiro e nas cidades serranas a especulação imobiliária tomou conta. Prédios e residências foram erguidos sem obedecer o mínimo critério de segurança e ocasionaram desequilíbrios ecológicos.

São anos na base de sinal verde à especulação imobiliária. Prefeitos, governadores e parlamentares financiados em suas campanhas por empresas do setor, posteriormente cobravam a fatura; e cobram ainda. Resultado: quebrou-se o gabarito dos prédios em vários bairros das cidades e foram permitidas construções, não poucas luxuosas, em áreas de risco. O Rio e a Região Serrana que o digam.

A mídia de mercado, que durante muito tempo vem sendo contemplada com rica publicidade imobiliária silenciou sobre esses fatos. Os jornalões e telejornalões, no entanto, não pouparam as construções em áreas de risco nas favelas. Como se somente os pobres fossem culpados pelas tragédias de verão. Até editoriais nesse sentido foram escritos, como se os pobres fossem culpados por morarem em condições precárias nas encostas de alguns morros.

Como se tudo isso não bastasse, o Poder Público pouco ou nada tem feito em matéria de prevenção. As fortes chuvas de agora, mais fortes ainda do que as habituais, estavam previstas há pelo menos três meses, segundo especialistas do setor. E o que foi feito de concreto para minorar as consequências a não ser promessas e mais promessas não cumpridas? 

Em países sujeitos a fenômenos naturais de graves consequências, os efeitos são minorados porque o Poder Público prepara a população com antecedência. Um dos exemplos é Cuba, uma ilha caribenha, pobre, sujeita anualmente a ciclones e furacões com efeitos perversos. Lá, o Estado oferece alternativas à população e quase não há vítimas fatais. Para se ter uma ideia, 16 furacões, entre 1998 e 2008 provocaram prejuízos materiais de 20,5 bilhões de dólares, o que corresponde a metade do PIB da ilha.

Enquanto isso, nestas bandas, o governador Sergio Cabral estava de férias na Europa, repetindo o ano passado quando demorou a aparecer em Angra dos Reis, pois se encontrava recolhido em sua mansão em local próximo da tragédia. Teve de antecipar a volta porque a Presidenta Dilma decidiu ir pessoalmente à região serrana. Ele agora culpou “governos populistas” instalados nos anos 80 por permitirem construções em áreas de risco em locais pobres da cidade, mas calou a boca em relação à especulação imobiliária.  Será por quê?

Cabral como governador deveria saber que muitas residências construídas em áreas de risco bem antes dos anos 80 também foram atingidas pelas chuvas na região serrana. E os pobres que constroem seus barracos em áreas de risco não o fazem porque querem, mas porque precisam. Culpá-los por isso é coisa da elite, da qual faz parte Sergio Cabral.

Outra coisa, se a população brasileira hoje é 85% urbana e 50 anos atrás a proporção era 85% rural, de que forma aconteceu esse deslocamento? Os governos promoveram reformas agrária e urbana? Cuidaram da ocupação do solo e ordenaram as cidades? 

Há exatamente um ano acontecia o terremoto do Haiti, tragédia que mobilizou o mundo com promessas de ajuda humanitária e verbas para reerguer Porto Príncipe. E o que está acontecendo neste momento? As imagens mostram que praticamente nada foi feito, dando a impressão que o terremoto foi ontem. Há até corpos ainda debaixo dos escombros, segundo informações da capital do Haiti. 

Menos de 20%, dos US$5,6 bilhões prometidos pela comunidade internacional, foram entregues. Da quantia que chegou, a maior parte foi usada para pagar dívidas. Cerca de um milhão de haitianos vivem em acampamentos improvisados, em condições de higiene precárias e ainda pior: em Porto Príncipe, centenas de milhares de seres humanos estão sendo obrigados pelos proprietários dos terrenos onde construíram suas tendas a sair dos locais. Como não têm para onde ir, apelam às autoridades no sentido de evitar as expulsões. O governo não os atende.

O mundo, com raras e honrosas exceções, prefere mandar efetivos para as “forças de paz” das Nações Unidas controlarem a situação no Haiti do que médicos para atender aos necessitados. Uma das honrosas exceções ficou por conta dos médicos cubanos, presentes no Haiti, aliás, bem antes do terremoto, com uma equipe que atendeu em duas semanas 9.857 pessoas vítimas de cólera e sem a ocorrência de nenhuma morte.

Por aqui, quando ocorrem as tragédias, também promessas e mais promessas são feitas. E quais os resultados? Perguntem às comunidades atingidas. No Rio, a Prefeitura pretende apenas aproveitar a ocasião e remover favelas que não estão em áreas de risco, tendo em vista os mega eventos de 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Olimpíadas). E tudo isso com o beneplácito dos jornalões e telejornalões com pautas preconceituosas e manipuladoras contra os segmentos pobres da população.

Por estas e várias outras, como disse o insuspeito Caetano Veloso, o Haiti é aqui.
 
Em tempo
: O governador do Estado do Rio, segundo o jornalista Luis Nassif, doou para a Fundação Roberto Marinho 24 milhões de reais do FECAM (Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente), para a contenção de encostas e obras de drenagem. Isso aconteceu em outubro do ano passado. Podem imaginar como isso se reflete na cobertura das Organizações Globo sobre as realizações de Cabral. Mas como ele foi eleito, agora é aguentar as consequências.



enviado por: Direto da Redação

sábado, 15 de janeiro de 2011

CATÁSTROFES E O MEDO DE DIZER NÃO!

José Flávio Abelha

A primeira catástrofe que presenciei foi em Caratinga/MG, nos anos 40, quando a natureza enfurecida alagou o bairro onde eu morava, destruiu casas, as famílias usando as janelas para pular nas carroças e a água crescendo misteriosamente na rua, sob um céu azul. Dos bueiros jatos de água inundavam nosso bairro, o Barro Branco.

Uma tragédia. O socorro comandado pessoalmente pelo prefeito municipal, José Augusto Ferreira Filho.

O famoso Doutor Zé Augusto, montado em um mulão, já com os pés arrastando na água, gritava para o povo, comandava o resgate das pessoas. Não havia helicóptero, TV, nada. Só a presença do alcaide.

Prefeito José Augusto Ferreira Fo.
Mais tarde vi uma fotografia de um incidente na construção do complexo da Pampulha e lá estava Juscelino também montado em um mulão comandando os reparos. Uma prévia do que mais tarde JK faria na construção de Brasília com as suas incertas noturnas depois do expediente no Catete, voando em um avião caindo aos pedaços. Depois vieram os dois Vickers Viscount 701.(Eu disse dois aviões, iguais ao da Rainha da Inglaterra. Um escândalo).

Bons mineiros, esses administradores sabiam que o olho do dono engorda o boi.

Também na maior enchente do Arrudas, em Belo Horizonte, lá estava Hélio Garcia, de capa de plástico e botas de borracha, na lama, comandando os serviços necessários para que a catástrofe não fosse maior.

Naquele dia Hélio Garcia disse um solene NÃO ao Arrudas. O chamado ribeirão não mais iria inundar boa parte da cidade e teve início a sua canalização.

Aprendi em Minas que é a presença do administrador o maior impulso para que uma obra seja feita com a urgência necessária. Nunca um mineiro pensou que a sua presença iria atrapalhar o serviço, como aconteceu, recentemente, na tragédia niteroiense do Bumba.

Estamos presenciando agora a maior tragédia nacional que é a destruição de bairros e cidades da região serrana, uma das mais belas do Brasil.

Globo
A Vênus Platinada assenhoreou-se da tragédia. Repetições e mais repetições de cenas lamentáveis. Close de gente chorando, expertos explicando o fenômeno. Ninguém, mas ninguém mesmo, com a coragem de colocar o dedo na ferida:

- O medo dos administradores de dizer NÃO!

NÃO aos pobres habitantes dependurados nos morros ou nas beiras dos córregos espremidos entre duas montanhas. NÃO aos ricos que, por exibição, construíram suas mansões nas mesmas condições dos pobres, nos morros ou nas beiradas dos córregos.

O NÃO aos pobres é doloroso, requer uma solução de moradia segura, transporte, qualidade de vida etc. E isso custa caro, mas o desgaste maior é o eleitoral. Ao se fazer vista grossa a essa desordenada invasão pelos deserdados da sorte, cria-se um curral eleitoral garantido. Mais tarde, quando a natureza chega cobrando o que é seu, sobrevoa-se a área destruída, contam-se os mortos, anunciam-se providências e nunca é demais lembrar que “em fevê tem carná”, a Copa vai ser aqui, assim como as Olimpíadas.

Quando os senhores administradores deixarem na garagem os carrões oficiais e se perderem na multidão, incógnitos, mas atentos aos problemas do município, o NÃO vai ser dado.

Grimpa de morro
Aqueles barracos dependurados nas grimpas de morros que se derretem no primeiro temporal só podem ser vistos se o administrador perambular pelo município, caminhando ou de ônibus superlotado.

Ao chegar ao seu local de trabalho, o doloroso NÃO! Isso não pode continuar.

Vamos retirar esse povo desses precipícios. De hoje em diante, nenhum barraco será mais construído nos locais perigosos. Os que já estão prontos, serão derrubados e nos locais, um reflorestamento. Os habitantes pobres transferidos para casas populares, com dignidade, com transporte, serviço de saúde, educação, ou seja, moradias que proporcionem um mínimo de dignidade aos que não podem construir mansões.

E dizer NÃO aos bafejados pela sorte, quando requererem, se requererem, alvarás para construção nos morros e nas beiras dos rios.

Mais tarde, de NÃO em NÃO, os deserdados vão descobrir que se libertaram do curral eleitoral e, beneficiados, vão votar em quem os beneficiou. Os ricos, ah! os ricos, esses se beneficiam de liminares e das doações para o caixa dois eleitoral e constroem suas mansões sub judice, cujo deslinde judiciário vai rumo às calendas gregas.

De uma coisa os administradores sabem; na catástrofe os ricos não vão reclamar cestas básicas, salário-aluguel e outros benefícios.

E que os planejadores mequetrefes, geólogos de gabinete, ONG's não sei das quantas, saiam do caminho ou, no máximo, deixem de arrotar frases feitas e bobagens que todo mundo já sabe. Não atrapalhem na base do palpite, o que já é uma grande colaboração.

E todos parem de culpar El Niño, La Niña, efeito estufa e aquecimento global.

O tal buraco na camada de ozônio (acho que é isso mesmo) já caiu em desuso.

A solução é simples. Chuvarada, sempre vai ter. Mas, antes dela, que venha o NÃO! NÃO PODE!

E, por favor, deixem os carrões pretos nas garagens e andem pelas ruas no meio dos eleitores. Ouçam a voz do povo, do Zé povinho que entende mais das coisas do que esse amontoamento de expertos, muito espertos, e reparem nas encostas e nos ribeirões.

Onde anda a tolerância ZERO?

Ela não “anda”. O judiciário não deixa.


enviado pelo autor: José Flávio Abelha