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domingo, 6 de maio de 2012

Quem foi Osama? Quem é Obama?


Michel Chossudovsky


Enquanto o presidente e supremo comandante dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama “celebra” o primeiro aniversário da alegada morte de bin Laden, mantém-se inalterada a questão de fundo de QUEM FOI OSAMA BIN LADEN. (Remarks by President Obama in Address to the Nation from Bagram Air Base, Afghanistan, ver vídeo no fim do artigo). 

Cheio de mentiras e invenções, o discurso cuidadosamente elaborado do presidente Obama encerra um mundo de total fantasia, em que os “maus do filme” estão à espreita e “conspiram atos de terrorismo”. Entretanto, diz-se que os “jihadistas” estão ameaçando a civilização ocidental. 

Cada uma de todas as afirmações do discurso de 1º de Maio de Obama na base da Força Aérea de Bagram, relativas ao papel da Al Qaeda, é uma invenção: (abaixo damos excertos das Notas de Obama em itálico, os comentários do autor estão indicados entre colchetes [ ]):

Foi aqui, no Afeganistão, que Osama bin Laden instalou um porto seguro para a sua organização terrorista. [Osama foi recrutado pela CIA, a al Qaeda foi montada com o apoio da CIA. O porto seguro de Osama foi protegido pelos serviços secretos dos EUA].

Foi para aqui, no Afeganistão, que a al Qaeda trouxe novos recrutas, os treinou e planejou atos de terrorismo. [Os Mujahideen foram recrutados e treinados pela CIA. A Arábia Saudita, aliada dos EUA, financiou as escolas corânicas Wahabbi, Ronald Reagan elogiou os mujahideen como “Combatentes pela Liberdade”. Sem o público americano saber, os EUA divulgaram os ensinamentos da jihad islâmica em manuais “Made in America”, elaborados na Universidade de Nebraska ].

Foi aqui, a partir destas fronteiras, que a Al Qaeda lançou os ataques que mataram aproximadamente 3000 homens, mulheres e crianças inocentes. [Obama refere-se aos ataques do 11/Set. Até hoje não há provas de que a al Qaeda tenha estado envolvida nisso. Além disso, como confirmado pela CBS News, a 10 de Setembro de 2001, Osama bin Laden deu entrada num hospital militar paquistanês em Rawalpindi por especial favor do Paquistão, aliado da América . Terá coordenado os ataques de 11/Set a partir da sua cama no hospital?]

E assim faz agora 10 anos, os Estados Unidos e os nossos aliados entraram em guerra para garantir que a al Qaeda nunca mais poderia usar este país para lançar os seus ataques contra nós. [Os ataques do 11/Set foram a justificação para a guerra no Afeganistão, com base na “auto defesa”. Dizia-se que o Afeganistão abrigava al Qaeda e portanto era cúmplice num descarado ato de guerra contra os EUA.

A verdade é que o governo dos Talibãs por duas vezes nas semanas que se seguiram ao 11/Ser ofereceram-se (através dos canais diplomáticos) para entregar Osama bin Laden ao sistema judicial dos EUA. O presidente George W. Bush recusou a oferta do governo Talibã, alegando que a América “não negocia com terroristas”.

A OTAN entrou em guerra invocando o Artigo Cinco do Tratado de Washington: um ato de guerra contra um membro da OTAN é considerado um ato de guerra contra todos os membros da OTAN ao abrigo da doutrina da segurança coletiva].

Apesar do êxito inicial, por uma série de razões, esta guerra demorou mais do que o inicialmente previsto. Em 2002, bin Laden e os seus lugares-tenentes escaparam pela fronteira e estabeleceram um porto seguro no Paquistão. A América passou quase oito anos a travar uma outra guerra no Iraque. E os aliados extremistas da al Qaeda no seio dos Talibãs travaram uma brutal insurreição. [O paradeiro de Osama bin Laden foi sempre bem conhecido dos serviços secretos dos EUA. O presidente Obama transmite a ilusão de que as forças dos EUA-OTAN e os seus funcionários de informações não conseguiam encontrar bin Laden. Nas palavras do antigo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld (2002), “é como procurar uma agulha num palheiro”.

O presidente Obama também sugere que os operacionais da al Qaeda, equipados com mísseis Stinger e Kalashnikovs, tinham conseguido superar a máquina militar de muitos milhões de milhões de dólares dos EUA-OTAN].

Mas nos últimos três anos, a maré mudou. Quebramos a dinâmica dos Talibãs. Montamos fortes forças de segurança afegãs. Destruímos a liderança da al Qaeda, eliminando 20 dos seus 30 líderes de topo. E há um ano, a partir duma base aqui no Afeganistão, as nossas tropas lançaram a operação que matou Osama bin Laden. [Muito se tem escrito sobre esta questão. Não há provas quanto à identidade da pessoa que foi alegadamente morta pelas Forças Especiais SEAL. Nas palavras de Paul Craig Roberts, “A história do governo dos EUA sobre bin Laden foi tão mal cozinhada que não demorou 48 horas a ser alterada profundamente…”]

A meta que estabeleci – derrotar a al Qaeda e impedir qualquer hipótese de ela se reconstituir – está agora ao nosso alcance. [Há muitos indícios de que a al Qaeda, enquanto “trunfo secreto” patrocinado pelos EUA está “viva e se mexendo”. Desde 11/Set, a al Qaeda evoluiu para uma entidade multinacional com “filiais” em diversos lugares quentes geopolíticos por todo o mundo.

Na Líbia e na Síria, brigadas da al Qaeda são os soldados de infantaria da aliança militar EUA-OTAN.

Onde quer que o aparelho militar e de informações dos EUA esteja instalado, a al Qaeda está presente:

A al Qaeda no Iraque, a al Qaeda na Península Arábica (AQAP), o Grupo de Combate Islâmico da Líbia (GCIL), o Al Shaabab (Somália), a al Qaeda no Magreb Islâmico, o Jaish-e-Mohammed (JEM) (Exército de Maomé) (Paquistão), a organização Jemaah Islamiya (JI) (Indonésia), o Movimento Islâmico do Uzbequistão, etc. (Ver; Organizações Terroristas Estrangeiras do Departamento de Estado dos EUA, Conselho de Segurança das Nações Unidas, Lista de indivíduos, grupos, empresas e outras entidades associadas com a Lista de Sanções Al-Qaeda).

Ironicamente, em todos estes países, os serviços de informações dos EUA coordenam abertamente as atividades dos grupos filiados da al Qaeda. Oficialmente, o contraterrorismo consiste em combater a jihad islâmica. Não oficialmente, por meio de operações secretas, os serviços secretos ocidentais apoiam os seus “trunfos” incluindo entidades terroristas da lista do Departamento de Estado dos EUA.

Além disso, estas diversas organizações terroristas estão hoje sendo usadas em operações militares secretas EUA-OTAN contra países soberanos (por ex: Líbia e Síria). Segundo fontes dos serviços de informações israelenses:

“Entretanto, na sede da OTAN em Bruxelas e no supremo comando turco estão a ser traçados planos para o seu primeiro passo militar na Síria, que é armar os rebeldes com armas para combater os tanques e os helicópteros com a intenção de dissolver o contestado regime de Assad. Em vez de repetir o modelo líbio de ataques aéreos, os estrategas da OTAN estão a pensar mais em termos de injectar grandes quantidades de foguetões anti-tanques e anti-aéreos e metralhadoras pesadas nos centros de protesto para vencer as forças blindadas do governo”. (DEBKAfile,  OTAN vai fornecer aos rebeldes armas anti-tanque, 14/Agosto/2011)]
Reagan conversa com mujahideens.
Ronald Reagan conversa com combatentes “mujahideen” pela Liberdade

Quem é ou era Osama?

Um “trunfo dos serviços secretos”, nomeadamente um instrumento da CIA para justificar a “Guerra Global contra o Terrorismo”.

Vale a pena recordar que a 14 de Setembro de 2001, tanto a Câmara como o Senado adotaram a resolução histórica que autorizou o presidente a “perseguir” países que “ajudaram os ataques terroristas [de 11/Set]”.

O presidente está autorizado a usar toda a força necessária e adequada contra as nações, organizações, ou pessoas que considerar que planearam, autorizaram, praticaram, ou ajudaram os ataques terroristas que ocorreram a 11 de Setembro de 2011, ou albergaram essas organizações ou pessoas, a fim de impedir quaisquer atos futuros de terrorismo internacional contra os Estados Unidos por essas nações, organizações ou pessoas.

Atualmente, em 2012, há amplos indícios de que:

1) A al Qaeda não esteve por detrás dos ataques do 11/Set ao World Trade Center e ao Pentágono.

2) Também há indícios pormenorizados de que organismos do governo dos EUA e da OTAN continuam a apoiar e a "albergar essas organizações" [a al Qaeda e suas organizações afiliadas]. Na Líbia, os rebeldes “pró-democracia” foram liderados por brigadas paramilitares da al Qaeda sob a supervisão das Forças Especiais da OTAN. A “Libertação” de Trípoli foi levada a efeito por “antigos” membros do Grupo de Combate Islâmico da Líbia (GCIL). Os jihadistas e a OTAN trabalharam de mãos dadas. Essas “antigas” brigadas afiliadas da Al Qaeda constituem a espinha dorsal da rebelião "pró-democracia”.

3) Há indícios crescentes de que as torres do WTC foram postas abaixo através de demolição controlada, levantando a hipótese de cumplicidade e encobrimento no seio do governo dos EUA, dos serviços secretos e militares. (Ver os escritos de Richard Gage, Undisputed Facts Point to the Controlled Demolition of WTC 7 , Global Research, Março 2008. Ver também o vídeo, Richard Gage Controlled Demolitions Caused the Collapse of the World Trade Center (WTC) buildings on September 11, 2001, Global Research).

Quem é Obama?

Um mentiroso político e um criminoso de guerra.

Os discursos escritos de Obama são distorções descaradas. As realidades são viradas de pernas para o ar. Os atos de guerra são apregoados como operações de paz…

Ironicamente, o texto da resolução do Congresso de 14 de Setembro de 2001 (ver acima) não exclui ação judicial e investigação criminal dirigida contra patrocinadores dos EUA-OTAN de terrorismo internacional, incluindo o presidente Obama, que utilizaram os trágicos acontecimentos do 11/Set como pretexto para travar uma “guerra sem fronteiras” ao abrigo da bandeira humanitária da “Guerra Global contra o Terrorismo”.


O artigo original, em inglês, pode ser lido em: “WHO WAS OSAMA? WHO IS OBAMA?”
Tradução de Margarida Ferreira e adaptação ao português do Brasil pela redecastorphoto
Este artigo foi extraído de Resistir

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Discurso histórico




Publicado em 03/05/2012 por *Mair Pena Neto

A política de punhos de renda invariavelmente impede que governantes digam ao povo o que gostariam de dizer, de maneira clara, para que todos entendam o que está se passando, quais forças antagônicas se digladiam e quais os interesses por trás de cada grupo de pressão. Ao bom político, recomenda-se não acirrar as tensões para evitar fraturas sociais que poderiam vir a inviabilizar seus próprios governos.

Determinados momentos históricos, porém, exigem discursos mais claros e diretos. Que funcionem quase como consultas públicas. Uma maneira de dizer à população: “olha, viemos até aqui e para seguir adiante estamos enfrentando as seguintes barreiras. Vamos enfrentá-las?”. Tal explicitação exige que se dê nome aos bois. Que interesses estão sendo contrariados e por que.

Neste sentido, não seria exagerado classificar como histórico o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff alusivo ao 1º de Maio. A presidente não se limitou a destacar o papel do trabalhador no desenvolvimento do país, e apontou para a necessidade de que ele desfrute cada vez mais da riqueza que ajuda a produzir. Isso significa, segundo as palavras de Dilma, enxergá-lo como cidadão e como consumidor, “com condição de comprar todos os bens e serviços que sua família precisa pra viver de maneira cômoda e feliz”.

A presidente mencionou o esforço do governo em reduzir os juros e cobrou dos bancos privados a oferta de mais crédito a custo mais baixo. Mais ainda, Dilma considerou inexplicável aos brasileiros a “lógica perversa” do setor financeiro, que não reduz suas taxas nem para as empresas e nem para os consumidores apesar da estabilidade da economia brasileira e da queda contínua da taxa básica de juros.

“Nos últimos anos, o nosso sistema bancário é um dos mais sólidos do mundo, está entre os que mais lucraram. Isso tem lhes dado força e estabilidade. O que é bom para a economia. Isso também permite que eles deem crédito melhor e mais barato aos brasileiros. É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso”, afirmou Dilma, acrescentando que a “Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de credito não diminuem”.

O governo fez a sua parte reduzindo os juros cobrados pelas instituições financeiras públicas, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, o que mais uma vez revela a importância da presença do Estado no setor, como indutor de políticas públicas Depois da chiadeira inicial, os bancos privados tiveram que acenar com reduções diante do volume de operações alcançadas pelos bancos públicos. “É bom também que você consumidor faça prevalecer seus direitos, escolhendo as empresas que lhe ofereçam melhores condições”, salientou Dilma, em recado direto às instituições que não se adaptarem à tendência natural da economia do país.

Este tipo de discurso é pedagógico e politizador. A ascensão social não se dá somente pelo aumento do padrão de consumo, mas, principalmente, pela compreensão da transformação em curso, sobre que bases ela se sustenta e que interesses ela contraria. Pronunciamentos como o do 1º de Maio deveriam ser mais freqüentes para um contato direto do governante com a população, tanto para prestação de contas quanto para a conscientização. Afinal, essa não é uma das funções precípuas da política?

*Mair Pena Neto: jornalista carioca, trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.
Enviado por Direto da Redação
Discurso da Presidenta Dilma Rousseff extraído do Blog do Planalto