Mostrando postagens com marcador Ficha Limpa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficha Limpa. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de agosto de 2010

A FICHA LIMPA E O STF

Laerte Braga


A simples suposição que um assaltante de cofres públicos como Joaquim Roriz possa voltar a governar Brasília é repugnante. Roriz lidera as pesquisas de intenção de votos do eleitorado da capital e teve seu registro negado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral), mas permanece na disputa até decisão da última instância, no caso o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.


Como o STF vai decidir a matéria, especialistas ouvidos pela FOLHA DE SÃO PAULO consideram o assunto uma incógnita. Levam em conta decisões anteriores em casos semelhantes, mas anteriores também à Lei da Ficha Limpa. Há o preceito constitucional que toda e qualquer modificação na lei eleitoral deve ocorrer um ano antes de um pleito.


Em tese, em qualquer circunstância ou qualquer que seja o crime cometido por quem quer que o cometa ou não, a presunção da inocência é válida até que ocorra o trânsito em julgado do fato, ou seja, a última decisão, aquela da qual não cabe recurso mais.


O direito brasileiro não tem características de direito consuetudinário, ou seja, aquele que deriva dos costumes e tradições, embora em determinados aspectos a lei tenda a refletir, lógico, essas características.


Mas é inaceitável que no caso, estou citando um exemplo, de Joaquim Roriz o criminoso possa se beneficiar de brechas no arcabouço legal para, durante mais quatro anos, limpar os cofres públicos de Brasília, lesar o povo de Brasília, ainda que a maioria incauta e, sejamos diretos, alienada, imagine que Roriz seja uma espécie de pai dos pobres.


Roriz é só um bandido como é Beira-mar.


Quem quer que se recorde do processo de votação da LEI DA FICHA LIMPA há de se lembrar também de manobras protelatórias e modificações feitas ao sabor dos interesses dos muitos criminosos que exercem mandatos eletivos, a começar pelo presidente do Congresso Nacional, José Sarney. Foi um parto complicado e a criança nasceu pela metade, mas nasceu.


A lei em si pretende resgatar o mínimo de dignidade a ser requerido a quem pleiteia cargo público, no todo não resolve o grave problema do analfabetismo político no Brasil. Mesmo que se diga que esse analfabetismo é conseqüência do processo de alienação constante e crescente imposto por uma mídia a serviço das elites, do grande capital, do latifúndio, enfim, da mentira e do mundo do espetáculo. Como de fato o é.


Mas é também um avanço. Expõe as vísceras desses caras, faz com que tenham que vir a público, pelo menos para exercer o direito de mentir e jurar inocência.


“Soltem esse homem, o único que diz a verdade aqui”. Um califa ao visitar uma prisão e ouvir de todos os presos aos quais perguntava, um a um, o que havia feito, que era inocente, até que alguém se disse culpado.


É difícil também imaginar que ministros do STF como Gilmar Mendes, corrupto, venal, vá deixar de votar a favor de Roriz, aliado de seu candidato presidencial José Arruda Serra e ligado ao banqueiro Daniel Dantas, um dos patrões de Gilmar.


A situação do fato consumado é outra história. O candidato é impugnado, permanece disputando as eleições até decisão final, vence, toma posse e um ou dois anos depois o STF decide, levando em conta a morosidade da Justiça no País que tanto é pelo excesso de feitos, como por corrupção mesmo, que vai desde juízes, ministros de tribunais superiores a servidores.


Aquela história de segura o meu processo aí.


É uma realidade que tem que ser admitida.


E curiosamente a população, o eleitorado, reage à lei da FILHA LIMPA como quem se vê justiçado, mas mostra intenção de votar num pilantra como Joaquim Roriz.


Um contra senso sem tamanho, uma despolitização vergonhosa e que o fator de importância passa a ser o SHOW DAS ELEIÇÕES – virou um show – ou o as receitas de Ana Maria Braga que, provavelmente, nem sabe a diferença entre uma panela e uma frigideira.


Reduzir tudo isso a expressão modelo, ou sistema, é o modelo, é o sistema, é simples demais. Ou só a uma questão cultural não é tão simples, mas não é o todo da questão.


O desafio das forças populares – os sindicatos em sua maioria viraram meio de vida, não podem mais ser incluídos entre forças da classe trabalhadora, com as exceções de praxe – falo dos movimentos sociais, é buscar formas de impedir que candidatos como Roriz, assaltantes como era José Roberto Arruda, possam disputar eleições.


O bandido que era prefeito em minha cidade, virou manchete no JORNAL NACIONAL, o da mentira, ao receber uma bolada de empresários do setor de transportes coletivos, agora é pastor, já apascenta um rebanho e diz com toda a tranqüilidade que não tem culpa nenhuma que só assinava o que lhe era posto à frente, depois que muita gente, técnicos, secretários, etc, estudavam direitinho. Hoje participa dos lucros do governo atual, tucano, na divisão de propinas montadas em seu período e que permanecem.


O diabo é o dinheiro que apareceu na casa dele, ou o restaurante à beira do Lago Paranoá da família Roriz em franco desrespeito à lei.


O ex-prefeito virou pastor, vai salvar almas, vender tijolinhos para mansões no céu, pilantragem pura e Roriz ameaça voltar. E um monte de gente assim.


Nos corredores dos tribunais a disputa é intensa também, já que uns se apegam ao fato da lei ter entrado em vigor em cima da hora, digamos assim.


A ficha limpa não é necessariamente uma questão de firula legal, detalhe constitucional, mas de necessidade imperiosa de limpeza. A tevê não vive mostrando o tal desinfetante de banheiro que pensa mais que o ser humano e libera perfumes da natureza a cada trinta minutos? Qual o problema político da FICHA LIMPA?


Claro, ninguém vai vetar uma candidatura por críticas ao poder, mas no caso de políticos comprovadamente corruptos, público e notório, caso de Roriz, Sarney, esses pilantras que pululam por aí, não é saber se a lei tem uma brecha ou não, é vergonha na cara mesmo.


Reflete a podridão no todo do institucional, ainda que lá estejam figuras sérias e decentes, mas reflete o modelo falido, fracassado e vira um desafio para os movimentos populares.


O de virar a mesa pura e simplesmente.


Organizar a mesa depois de desinfetar com álcool, nada de perfume da natureza (a natureza hoje está associada ao capital predador, campanha de Marina da Silva, a que não aprendeu a pedir demissão).


É um escárnio um sujeito como Roriz ser candidato. E dependendo da decisão final vamos precisar de uma lei para tribunais limpos. Sem criminosos como Gilmar Mendes e outros.


No duro mesmo, vamos precisar e estamos, de uma Assembléia Nacional Constituinte, uma refundação do Estado, sem todo esses remendos que só ajudam os bandidos.


E os bandidos são a síntese do modelo capitalista. São conseqüência. A corrupção pode ter um que de natureza humana, mas é essencialmente implícita ao capitalismo. Está na gênese de qualquer Eike Batista. O que atua por trás dos bastidores, o Capone que não aparece.


A questão não é técnica, isso é firula, é política. E se um político bandido como Roriz vai ter a julgá-lo, ao final, um ministro bandido como Gilmar Mendes, estamos todos malhando em ferro frio. De uma certa forma fazendo coro com a farsa. Ou como dizia Darcy Ribeiro, “cacarejar para a esquerda e botar o ovo à direita”.


A cultura pior é a que dá a dianteira em Brasília a Roriz, é a do rouba, mas faz, pai dos pobres, introjetada no cidadão comum. Um cara que devia estar na cadeia, em cela de segurança máxima. Assim como Gilmar Mendes (o que emprega uns caras da GLOBO para comprar o silêncio da rede e compra).


O candidato Wadson Ribeiro, em Minas, está despejando rios de dinheiro numa campanha no mais violento esquema financeiro possível e escudado na tal moralidade. De onde surgiu o dinheiro? Apurem as verbas liberadas pelo Ministério dos Esportes para a região da Zona da Mata Mineira e o custo real das obras, a sobra é caixa dois de campanha do dito cujo.


Essa é outra questão. Poder econômico.


Ou seja, para cada Chico Alencar, ou Luciana Genro, ou Milton Temer, ou Nilmário Miranda, ou o comandante Carlos Eugênio Paes, tem duzentos Wadson, corruptos e venais.


O xis da questão é o institucional. Está falido, é preciso enterrá-lo do contrário vamos ter leis e ao mesmo tempo Joaquim Roriz governador de Brasília.


Onde anda a corrupta senadora Kátia Abreu (desviou verbas destinadas a CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA AGRICULTURA – nome dado à quadrilha latifúndio) depois que a CPI que ela quis, provou que, ao contrário do que a GLOBO fala na propagação da mentira, não houve um único centavo de desvio do MST, nos recursos destinados aos programas do movimento?


A questão da FICHA LIMPA é muito mais ampla e pode morrer nas eternas firulas jurídicas do falta uma vírgula aqui, ou essa palavra dá direito a duas interpretações.


Para gente da espécie de Gilmar Mendes isso é aquele negócio de tirar de letra.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Lei da Ficha Limpa põe em risco o estado de direito"

Entrevista: Estadão, 3 de agosto de 2010

Eros Roberto Grau. Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal

03 de agosto de 2010 | 0h 00
Fausto Macedo, Felipe Recondo - O Estado de S.Paulo

Eros Roberto Grau deixou ontem a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) convencido de que a Lei da Ficha Limpa põe "em risco" o Estado de Direito. Ele acusa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ignorar o princípio da irretroatividade das leis. "Há muitas moralidades. Se cada um pretender afirmar a sua, é bom sairmos por aí, cada qual com seu porrete. Estou convencido de que a Lei Complementar 135 é francamente, deslavadamente inconstitucional."

O ministro sai do Supremo, após quase seis anos na mais alta instância da Justiça, onde chegou por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em junho de 2004. Em entrevista ao Estado, Eros Grau critica também as transmissões dos julgamentos. "Isso só vai acabar no dia em que um maluco que se sentir prejudicado agredir ou der um tiro num ministro", afirmou.

O senhor deu várias demonstrações de cansaço no STF. O que o desanimou?

O fato de as sessões serem transmitidas atrapalha muito, porque algumas vezes o membro do tribunal se sente, por alguma razão, compelido a reafirmar pontos de vista. Existem processos que poderiam ser julgados com maior rapidez. Muitas vezes a coisa fica repetitiva e poderia ser mais objetiva.

O senhor é contra as transmissões?

Essa prática de televisionar as sessões é injustificável. O magistrado não deve se deixar tocar por qualquer tipo de apelo, seja do governo, seja da mídia, seja da opinião pública. Tem que se dar publicidade à decisão, não ao debate que pode ser envenenado de quando em quando. Acaba se transformando numa sessão de exibicionismo.

Existe a possibilidade de o tribunal deixar de exibir as sessões ao vivo?

Isso só vai acabar no dia em que um maluco que se sentir prejudicado agredir ou der um tiro num ministro. Isso pode acontecer em algum momento. Até que isso aconteça, haverá transmissão. Depois não haverá mais.

Em algum momento o senhor foi abordado na rua dessa forma?

Eu estava no aeroporto de Brasília com a minha mulher, depois do julgamento da lei de anistia, e veio uma maluca gritando, dizendo: "aí, está protegendo torturador". Foi a única vez que me senti acossado.

Para Eros Grau, o que é ficha limpa?

"Ficha limpa" é qualquer cidadão que não tenha sido condenado por sentença judicial transitada em julgado. A Constituição do Brasil diz isso, com todas as letras.

Políticos corruptos não são uma ameaça aos cofres públicos e ao estado de direito?

Sim, sem nenhuma dúvida. Políticos corruptos pervertem, são terrivelmente nocivos. Mas só podemos afirmar que este ou aquele político é corrupto após o trânsito em julgado, em relação a ele, de sentença penal condenatória. Sujeitá-los a qualquer pena antes disso, como está na Lei Complementar 135 (Ficha Limpa), é colocar em risco o estado de direito. É isto que me põe medo.

O que está em jogo não é a moralidade pública?

Sim, é a moralidade pública. Mas a moralidade pública é moralidade segundo os padrões e limites do estado de direito. Essa é uma conquista da humanidade. Julgar à margem da Constituição e da legalidade é inadmissível. Qual moralidade? A sua ou a minha? Há muitas moralidades. Se cada um pretender afirmar a sua, é bom sairmos por aí, cada qual com seu porrete. Vamos nos linchar uns aos outros. Para impedir isso existe o direito. Sem a segurança instalada pelo direito, será a desordem. A moralidade tem como um de seus pressupostos, no estado de direito, a presunção de não culpabilidade.

A profusão de liminares concedidas a candidatos, inclusive pelo Supremo, não confunde o eleitor?

Creio que não. Juízes independentes não temem tomar decisões impopulares. Não importa que a opinião publicada pela imprensa não as aprove, desde que elas sejam adequadas à Constituição. O juiz que decide segundo o gosto da mídia não honra seu ofício. De mais a mais, eleitor não é imbecil. Não se pode negar a ele o direito de escolher o candidato que deseja eleger.

Muitos partidos registraram centenas de candidaturas mesmo sabendo que elas poderiam ser enquadradas na Lei 135/2010, que barra políticos condenados por improbidade ou crime. Não lhe parece que os partidos estão claramente atropelando a Lei da Ficha Limpa, esperando as bênçãos do Judiciário?

Não, certamente. O Judiciário não existe para abençoar, mas para aplicar o direito e a Constituição. Muito pior do que corrupto seria um juiz, medroso, que abençoasse. Estou convencido de que a Lei Complementar 135 é francamente, deslavadamente inconstitucional.

Como aguardar pelo trânsito em julgado se na esmagadora maioria das ações ele é inatingível?

O trânsito em julgado não é inatingível. Pode ser demorado, mas as garantias e as liberdades públicas exigem que os ritos processuais sejam rigorosamente observados.

A Lei da Ficha Limpa é resultado de grande apelo popular ao qual o Congresso se curvou. O interesse público não é o mais importante?

Grandes apelos populares são impiedosos, podem conduzir a chacinas irreversíveis, linchamentos. O Poder Judiciário existe, nas democracias, para impedir esses excessos, especialmente se o Congresso os subscrever.

Não teme que a Justiça decepcione o País?

Não temo. Decepcionaria se negasse a Constituição. Temo, sim, estarmos na véspera de uma escalada contra a democracia. Hoje, o sacrifício do direito de ser eleito. Amanhã, o sacrifício do habeas corpus. A suposição de que o habeas corpus só existe para soltar culpados levará fatalmente, se o Judiciário nos faltar, ao estado de sítio.

O senhor teme realmente uma escalada contra a democracia?

Temo, seriamente, de verdade. O perecimento das democracias começa assim. Estamos correndo sérios riscos. A escalada contra ela castra primeiro os direitos políticos, em seguida as garantias de liberdade. Pode estar começando, entre nós, com essa lei. A seguir, por conta dessa ou daquela moralidade, virá a censura das canções, do teatro. Depois de amanhã, se o Judiciário não der um basta a essa insensatez, os livros estarão sendo queimados, pode crer.

Por que o Supremo Tribunal Federal nunca, ou raramente, condena gestores públicos acusados por improbidade ou peculato?

Porque entendeu, inúmeras vezes, que não havia fundamentos ou provas para condenar.

Que críticas o senhor faz à forma do Judiciário decidir?

As circunstâncias históricas ensejaram que o Judiciário assumisse uma importância cada vez maior. Isso pode conduzir a excessos. O juiz dizer que uma lei não é razoável! Ele só pode dizer isso se ele for deputado ou senador. Os ministros não podem atravessar a praça (dos Três Poderes, que separa o Supremo do Congresso). Eu disse muitas vezes isso lá: isso é subjetivismo. O direito moderno é a substituição da vontade do rei pela vontade da lei. Agora, o que se pretende é que o juiz do Supremo seja o rei. É voltar ao século 16, jogar fora as conquistas da democracia. Isso é um grande perigo.

Isso tem acontecido?

Lógico. Inúmeras vezes o tribunal decidiu, dizendo que a lei não é razoável. Isso me causa um frio na espinha. O Judiciário tem que fazer o que sempre fez: analisar a constitucionalidade das leis. E não se substituir ao legislador. Não fomos eleitos.

O senhor tem coragem de votar em um político com ficha suja?

Entendido que "ficha-suja" é unicamente quem tenha sido condenado por sentença judicial transitada em julgado, certamente não votarei em um deles. Importante, no entanto, é que eu possa exercer o direito de votar com absoluta liberdade, inclusive para votar em quem não deva.

O senhor está deixando o STF. Retoma a advocacia? Aceitará como cliente de sua banca um folha corrida?

Terei mais tempo para ler e estudar. Escrever também, fazer literatura. E trabalhar com o direito. Para defender quem tenha algum direito a reclamar, desde que eu me convença de que esse direito seja legítimo. Ainda que se o chame de "folha corrida".

E para Brasília o senhor pretende voltar?

Brasília é uma cidade afogada, seca, onde você não é uma pessoa, você é um cargo.

extraído do Estadão

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fichas Limpas, Fichas Sujas, e as Impunidades Por Atacado da Tucanalha

“Paulo Maluf está ansioso.
Não vê a hora de tirar sua
carteirinha de Ficha Limpa
no Congresso e esfregar na
cara do pessoal da Interpol,
do FBI, da Promotoria
Distrital de Nova York, da
Delegacia de Delitos Financeiros
De Jersey” – Carteirada, Tutty
Vasques, Caderno Aliás, Folha
De São Paulo…

foto: arquivo do autor

foto: arquivo do autor

De vez em quando algum suspeito nicho midiático redescobre a pólvora, por assim dizer, ou algum antro de escorpiões inventa de inventar o inexistente, com propósitos sempre suspeitos, de ocasião que seja, a rapsódia babaquara cai no olho nefasto do furacão midiático e, vá saber, todo mundo repete sem sacar o exato sentido por trás, o que rola de fato nos bastidores, qual o escuso interesse espúrio, quando se vê, estamos batendo palmas pra nada ou assinando embaixo do que nem sequer sabemos direito o que é exatamente. Já pensou?. Acontece.

Pra começar, conheço muita gente finíssima e de alto gabarito mesmo, que tem ficha suja. Só que é de tanto atacar corruptos e ladrões, de tanto discordar com atos e dialéticas – a nossa justiça incompetente (tendenciosa e parcial) corrupta, que tarda e falha – e essa gente fichada tem orgulho mesmo de dizer que tem a ficha suja, bater contra os rochedos, remar contar a maré, destoar da manada. Eu mesmo, já tive ficha na policia, e certamente sempre fui e sou mais honesto do que policial, delegado, promotor, militar, empresário, profissional liberal….

Falando sério meus concidadãos: ACM morreu com ficha limpa. Já pensou? Pois é. Maluf, eternamente inocente e loquaz para enganar a gregos e baianos, já foi pego en passant até na Inglaterra e França, aqui, no Brasil S/A d.C. (Depois de Collor), vive sendo muito bem defendido, e gostosamente impune, bancado livre e impune por estranhos juristas literalmente saindo pelo ladrão, juízes, ex-juizes, desembargadores, ex-desembargadores, todos regiamente pagos e sem o mínimo de qualquer quarentena ética. Vá sacando quem é quem e o que é o quê. Quando você ainda vê o Maluf na propaganda eleitoral, você nessa década nunca pensou a respeito, votou nele, como no Collor, FHC et caterva? Pois é.

O ególatra do FHC, por exemplo, só para citar um elemento bisonho, que nunca trabalhou e se aposentou muito cedo, com o funesto plano real trocou nossa grana pau a pau pelo dólar, para depois não valer nadica de nada, e, além de ter inventado o mensalão; ter dado alta grana pública a fundo perdido pros banqueiros amorais (PROER); ter propiciado as privatarias da privatizações-roubos (principalmente em Sampa que depois virou Samparaguai), tem uma ficha limpinha da silva, esse mesmo, o poliglota que o José Simão da Folha chama de FHNstão e eu tacho de o Pai da Fome, pelos quase dez milhões de desempregos que gerou com o “sucesso” do plano que deu no que deu. Vá sacando. Nem tudo que é legal é moral?

Ah, sei, no Brasil, a justiça é só para quatro pês agora: Pretos, Pobres, Prostitutas e Petistas. Para os demais é um hipócrita “Salve Geral” por atacado, imunidade parlamentar, a mídia corrupta blindando e uma justiça paulista-paulistana que tem uma relação promíscua com a tucanalha, pois, em todos os estados os promotores competentes e transparentes agem com firmeza, determinados, objetivos, doa a quem doer, aqui em Sampa – da força que ergue e destrói coisas belas – os promotores de araque se filiam à quadrilha, quero dizer, se filiam ao PSDB decrépito e não investigam nada do meio. São Paulo cada vez melhor? Só na propaganda enganosa do Serra, o pior governador que SP já teve. Aqui, professor ganha trinta por cento a menos do que no Piauí, e o PCC deita e rola nos presídios, para não dizer da corrupção no Metro, da ASLOM, do CDHU, do Denarc, do Detran, e ainda na alta grana federal desviada do Rodo-Anel, que o mesmo jornalista e crítico Zé Simão da Folha de São Paulo chama de Roubo-Anel e tal do jornalismo investigativo não faz nada, tudo é glosa, fica por isso mesmo. Ah, todos os envolvidos têm fichas limpas… Você certamente votou em alguns deles em algum tempo por algum motivo. Ou não?

Pior. Quer saber? O Pinóquio de Chuchu abortou mais de 70 CPIs na Assembléia Legislativa em SP – o mensalão paulista? – e tem sim sor, ficha limpa. São Paulo é o estado tucano-neoliberal do DEMO mais corrupto do Brasil. Como é que pode? E as privatizações que ele gerenciou, cadê a alta grana que deveria ser faturada? E o quantum da venda referente ao valor que valiam as empresas estatais perdidas a preço de banana com moedas podres? Pois é, ninguém sabe, ninguém viu. Cadê a ficha suja do incompetente Rei dos Pedágios mais caros do que nos Estados Unidos? Você votou nele, foi enganado, e quer falar de ficha limpa agora? Ele foi preso? Acredite se quiser.

Falando sério: conheço gente legal, honesta, cidadãos do mais alto nível, éticos, exercendo a cidadania, que são fichados e respondem a processos intimidatórios ou de ocasião, apenas, porque colocam os dedos em feridas que a mídia alega não vê, em beneficio próprio. E conheço tanta gente podre e suja de direita e bem garbosa que tem ficha limpinha da silva, a justiça em um preço, poses e status quo enganam, as aparências elegem arigós e coiós. Você votou em quem mesmo? Sacou o lance ou quer um mapinha com imagens, índices, estatísticas, desenhos, prismas, informações não oficiais? Assim, caras pálidas, numa inversão de valores mesmo. Não caia nessa. Numa listagem dos podres poderes, dados exatos, os que mais têm ficha suja mas nunca acabaram em nada, são do PSDB e do DEMO que foi PFL, foi ARENA, foi marionete dos militares incompetentes, corruptos, violentos e senis, etc. Já pensou que caterva? Eu por mim, conhecendo a historicidade de cada político, o que fez de contra ou a favor, o que aprontou não apenas porque diz a mídia – a mesma que elegeu Collor, protegeu Maluf e protege os corruptos do PSDB em Sampa – prefiro ver pra crer. E não leio – como não acredito em – mídia suja, marrom, como a rastaquara Veja, a boba Folha, o manjado Estadão, a amoral Rede Globo. Sou do lado bom da força. Leio Fórum, Caros Amigos, Revista Imprensa, por aí… Você foi contra quem antes? Foi contra quem depois? É contra quem agora? Só agora? Periga ver… você antes era omisso, conivente, eleitor corruptor, insensível ou virou oposição de ocasião feito embuste, aceitando o open-doping da mídia reacionária, feito um eleitor mané ou falso pensador à quem fizeram a cabeça…?

Cada um acredita no que acredita, claro. Muitos são chamados e poucos escolhidos. Cada um crê de acordo com seu índice de politização. Pensar acima da média pode. Aliás, falando sério, se toda a vida pregressa do eleito fosse passado a limpo, talvez TODOS fossem cem por cento de ficha suja na vida pregressa. O povo que elegeu? Cada povo tem o governo que merece? No mais, a impunidade da tucanalha, principalmente, considerando que eles ainda arrotam uma oposição pífia e rastaquera, a falácia de ficha limpa/ficha suja é para inglês ver, mote da oposição de corruptos e ladrões, a pior oposição da história da república. Você caiu nessa? Você vai votar em quem? E São Paulo Cada vez Pior! As empresas estão indo embora de SP. O Estado mais corrupto e caro do Brasil. São Paulo é um lugar seguro? Claro, pergunte aos bandidos, ao narcotráfico, aos contrabandistas, ao neoescravismo da terceirização… ou seja, Sampa é um Paraguai bem pior do que o Paraguai, com impunidade por atacado, os maiores corruptos e ladrões estão aqui, as piores máfias e quadrilhas, inclusive do capitalhordismo americanalhado. Só não vê quem não se enxerga. Os podres dos tucanos-do-DEMO não saem na grande mídia. Você reparou, sacou isso? Você sabia disso ou você só acredita naqueles que fazem a sua cabeça porque você é alvo fácil? Tucano não voa, não nada, não canta, não governa. Mas faz uma propaganda enganosa federal que é uma beleza. Você vendo o falso horário eleitoral se sente em Genebra, na Suíça. A vida real é só pra quem saca o óbvio ululante. O Juiz Lalau está livre em casa. Quércia, Fleury, Kassab, Pitta, você viu falar neles? Todos têm a ficha limpa. Suspeito? Mais do que isso. Você acredita em santos, papai noel, mula sem cabeça, OVNI? Eu só acredito naquilo que sei, não naquilo que sorrateiramente ou em mensagens subliminares querem me fazer acreditar. PSDB e seus antros podres?. Vampiro Serra, Pinóquio de Chuchu? Vade retro!

Ficha suja “nelles”!

PS:

Aprovado o Projeto Ficha Limpa, sancionado pelo presidente Lula, quem você acha que vai ficar “limpinho” com a ficha suja, e sujo com a “ficha limpa” senão os mesmos de sempre, os privilegiados da pequeno-burguesa, os ricos, estrangeiros, empresários, poderosos, enquanto a justiça é só para os quatros pês? Pois é. O Projeto Ficha Limpa não vai mudar nada. A impunidade por atacado viça e isso desde 1500. Uma justiça incompetente e corrupta, que ainda tarda e falha, e parte da mídia vendendo os amigos do alheio como neoliberais, modernos, promovendo privatizações-roubos (privatarias), promovendo o neoescravismo da terceirização (como em Samparaguai) – lotando a pior oposição da história da república (oposição de corruptos e ladrões todos com fichas limpas) – foi um projeto apenas para agradar a mídia e iludir os incautos e vampirizar os votos dos que acreditam que pensam. Você caiu nessa? Os que vão fazer e desfazer das tais fichas sujas e fichas limpas serão os mesmos de uma sociedade hipócrita e de uma justiça incompetente, corrupta, que tarda e falha. Já pensou? Pensar pode. Romeu Tuma et famiglia não tem ficha suja. Quem é que vai ser o dono das fichas?. Façam suas apostas. O cassino Brasil já tem todas as suas fichas marcadas para engodo global. Não caia nessa.

Silas Correa Leite

Conselheiro em Direitos Humanos, Jornalista Comunitário, Poeta e Ficcionista, autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design

E-mail: poesilas@terra.com.br

surrupiado do sítio Desacato

sábado, 29 de maio de 2010

Ficha limpa é projeto demagógico, autoritário e flerta com o fascismo

Posted on 29/05/2010 by Revista Espaço Acadêmico

por MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER*

Além de violar princípio da presunção da inocência, idéia retoma projeto da ditadura que estabeleceu a cassação dos direitos políticos pela “vida pregressa”. Se pessoas com “ficha suja” não podem se candidatar, por que mesmo poderiam votar? Agora mesmo, sindicalistas do RS e de SP sofrem condenações por protestos contra seus governos. Estão com a “ficha suja”?

O inferno está pavimentado de boas intenções. A frase cai como uma luva para contextualizar o debate sobre os políticos “ficha-suja” e o projeto “ficha-limpa” que ganhou grande apoio no país, à direita e à esquerda. Pouca gente vem se arriscando a navegar na direção contrária e a advertir sobre os riscos e ameaças contidos neste projeto que, em nome da moralização da política, pretende proibir que políticos condenados (em segunda instância) concorram a um mandato eletivo.

A primeira ameaça ronda o artigo 5° da Constituição, que aborda os direitos fundamentais e afirma que “ninguém será condenado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Professor de Direito Penal na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Túlio Vianna resumiu bem o problema em seu blog:

“Se o tal projeto Ficha Limpa for aprovado, o que vai ter de político sendo processado criminalmente só para ser tornado inelegível…Achei que o art.5º LVII exigisse trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Deve ser só na minha Constituição. Se o “ficha-limpa” não fere a presunção de inocência, é pior ainda, pois vão tolher a exigibilidade do cidadão mesmo sendo inocente. Êh argumento jurídico bão: nós continuamos te considerando inocente, mas não vamos te deixar candidatar mesmo assim! Que beleza! Ou o cara é presumido inocente ou é presumido culpado. Não tem meio termo. Se é presumido inocente, não pode ter qualquer direito tolhido”.

Na mesma linha, o jornalista e ex-deputado federal Marcos Rolim também chamou a atenção para o fato de que o princípio da presunção da inocência é uma das garantias basilares do Estado de Direito e que o que o projeto ficha limpa pretende estabelecer é o “princípio de presunção de culpa”. Além disso, Rolim lembra que a idéia de ficha limpa não é nova e já foi apresentada no Brasil, durante a ditadura militar:

“Foi a ditadura militar que, com a Emenda Constitucional nº 1 e a Lei Complementar nº 5, estabeleceu a cassação dos direitos políticos e a inegibilidade por “vida pregressa”; vale dizer: sem sentença condenatória com trânsito em julgado”.

E se a idéia de ficha limpa é pra valer, acrescenta o jornalista e ex-deputado federal, por que não aplicá-la também aos eleitores:

“Se pessoas com “ficha suja” não podem se candidatar, por que mesmo poderiam votar? Nos EUA, condenados perdem em definitivo o direito de votar, o que tem sido muito funcional para excluir do processo democrático milhões de pobres e negros, lá como aqui, “opções preferenciais” do direito penal. E a imprensa? Condenações em segunda instância assinalam uma “mídia ficha suja” no Brasil?”

Mas talvez a ameaça mais grave, e menos visível imediatamente, que ronda esse debate é a incessante campanha de demonização dos políticos e da atividade política, impulsionada quase que religiosamente pela mídia brasileira. Rolim cita como exemplo em seu artigo uma charge publicada no jornal Zero Hora sobre o tema: na charge de Iotti, políticos são retratados como animais peçonhentos, roedores, aracnídeos e felinos.

Nos últimos anos, diversas pesquisas realizadas em vários cantos do planeta registraram um crescente descrédito da população em relação à política e aos políticos de um modo geral. Prospera uma visão que coloca a classe política e a atividade política em uma esfera de desconfiança e perda de legitimidade. A tentação de jogar todos os partidos e políticos em uma mesma vala comum de oportunistas e aproveitadores representa um perigo para a sobrevivência da própria idéia de democracia. O que explica esse fenômeno que se reproduz em vários países? A política e os políticos estão, de fato, fadados a mergulhar em um poço sem fundo de desconfiança? Essa desconfiança deve-se unicamente ao comportamento dos políticos ou há outros fatores que explicam seu crescimento?

É sintomático que o debate sobre a “ficha limpa” apareça dissociado do tema da reforma política. Eternamente proteladas e engavetadas, as propostas de uma mudança na legislação sobre as eleições e o financiamento das campanhas não obtém mesmo o alto grau de consenso e mobilização. Vale a pena lembrar de uma observação feita pelo filósofo esloveno Slavoj Zizek acerca do papel da moralidade na política. Ele analisa o caso italiano, onde uma operação Mãos Limpas promoveu uma devassa na classe política do país. Qual foi o resultado? Zizek comenta:

“Sua vitória (de Berlusconi) é uma lição deprimente sobre o papel da moralidade na política: o supremo desfecho da grande catarse moral-política – a campanha anticorrupção das mãos limpas que, uma década atrás, arruinou a democracia cristã, e com ela a polarização ideológica entre democratas cristãos e comunistas que dominou a política italiana no pós-guerra – é Berlusconi no poder. É algo como Rupert Murdoch vencer uma eleição na Grã-Bretanha: um movimento político gerenciado como empresa de publicidade e negócios. A Forza Itália de Berlusconi não é mais um partido político, mas sim – como o nome indica – uma espécie de torcida”. (Às portas da revolução”, Boitempo, p. 332)

A eleição de políticos de “tipo Berlusconi” mostra outra fragilidade dessa idéia. Marcos Rolim desdobra bem essa fragilidade:

Muitos dos corruptos brasileiros possuem “ficha limpa” – especialmente os mais espertos, que não deixam rastros. Por outro lado, uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja “ficha suja” envolvia condenação por “terrorismo”. Várias lideranças sindicais brasileiras possuem condenações em segunda instância por “crimes” que envolveram participação em greves ou em lutas populares; devemos impedir que se candidatem?

Agora mesmo, cabe lembrar, no Rio Grande do Sul e em São Paulo lideranças sindicais estão sofrendo condenações por protestos realizados contra os governos dos respectivos estados. Já não estão mais com sua ficha limpa. Os governantes dos dois estados, ao contrário, acusados de envolvimento em esquemas de corrupção, de autoritarismo e de sucateamento dos serviços públicos seguem com a ficha limpíssima. É este o caminho? Uma aberração político-jurídica vai melhorar nossa democracia?


* MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER é editor-chefe da Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com ). Publicado em Carta Maior, 16.05.2010 – e aqui com a autorização do autor.

____________________________________________________________

Comentário da Caia

Concordo integralmente com a opinião do MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER. Esse artigo circulou aqui na minha caixa postal e li de cabo a rabo logo que foi escrito. É perfeito.

Sou totalmente contra essa asnice de pressupostos limpinhos decidindo quem é (seria) limpo ou sujo. Perfeita asneira, cuja extensão só aparecerá, pros pressupostos limpinhos de hoje, quando acontecer de eles elezinhos serem acusados, julgados e condenados pelos sujos e declarados sujos e inelegíveis.

O projeto é totalmente demagógico autoritário e acho que já rolô, entre esse projeto e o fascismo (sendo que "rolar" é um passo adiante de flertar).

Nem me animei a discutir isso, porque não me senti com ânimo pra discutir com os “éticos”. Errado, sempre, até quando por acaso esteja certo, é quem pressuponha que os diferentes são necessariamente criminosos. ISSO é ser autoritário e fascista. A parte demagógica do projeto é, eu acho, até, menos importante. É TOTALMENTE horrível esse projeto. Mas não seria rejeitado: é a própria arapuca “ética”, aí, já produzindo mais vítimas. HORRÍVEL.