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segunda-feira, 9 de junho de 2014

George Friedman e a Alemanha

7/6/2014, [*] Natalia MEDEN, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

George Friedman, diretor do think-tank norte-americano Stratfor, entende que alguns países da OTAN devem aumentar os gastos militares. No caso da Polônia, cujo gasto militar é próximo de 2% do PIB, deve ser aumentado para 5%. [1] A “ameaça russa” em torno da qual Freedman e tantos deliram está sendo usada para impor aumento no gasto militar dos países que compõem a OTAN.

“Os gastos de defesa russos cresceram mais de 10% em termos reais anualmente ao longo dos últimos cinco anos” – disse o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, numa conferência de segurança em Bratislava, Eslováquia (15/5/2014). Comparou os investimentos crescentes de Moscou, com os números declinantes em vários países europeus membros da OTAN – vários dos quais cortaram gastos em 20% (até mesmo, 40% – imaginem só!), no mesmo período. [2]

Será que alguém, no ocidente, está realmente com medo da Rússia? Parece que não. A Casa Branca e Stratfor, por exemplo, não parecem intimidadas pela “ameaça” russa. George Friedman vê a Rússia como potência regional, não global; e Barack Obama não faz outra coisa além de meter-se a “ensinar” à Rússia o que ela deve(ria) e não deve(ria) fazer. Por exemplo, uma das lições de Obama à Rússia é que deve normalizar imediatamente as relações com Petro Poroshenko. Isso, só para começar. Porque a lista de instruções é longa:


1) Todas as tropas russas devem ser retiradas da fronteira da Ucrânia. O presidente dos EUA mete-se a dizer à Rússia onde deve(ria) pôr ou não pôr tropas, em território russo. É i-na-cre-di-tá-vel. É cômico. É além de ridículo.

2) É hora de pôr fim ao apoio dos russos às formações de resistência e autodefesa. Pronto. Não há o que abale a fantasia de BO, segundo a qual as unidades de autodefesa na Ucrânia são fantoches do Kremlin, assim como não há o que faça os EUA suspenderem o apoio que dão à operação de punição coletiva que soldados ucranianos fazem contra a população local, o que faz aumentar o ódio contra o governo de Kiev apoiado pelos EUA. Pela ‘lógica’ norte-americana, milhares de refugiados que cruzam a fronteira russa só saíram para visitar uns parentes por ali perto, na região vizinha de Rostov.

O número dos que querem deixar a Ucrânia está aumentando. As pessoas têm de enfrentar longas filas para comprar bilhetes para os trens que passam por Slavyansk, Kramatorsk e Volnovakha. Os fatos são óbvios, mas os números que a Rússia apresentou não convenceram os membros do Conselho de Segurança da ONU. Só a China acompanhou o voto dos russos. E o projeto de resolução que criaria corredores humanitários no leste da Ucrânia – região que está sob ataque do governo da junta de Kiev – foi rejeitado.

3) Que a Rússia não se atreva a suspender o fornecimento de gás. Por que os EUA assim o “exigem”, isso, é perfeito mistério. Talvez os EUA entendam que a Rússia deva doar gás à Ucrânia... E caso a Rússia discorde, que peça instruções a Barack Obama, que já tem um Prêmio Nobel e talvez receba também inspirações divinas, e Obama lhe dirá o que fazer. Um dos antecessores de Obama no trono da Casa Branca entendia que o excepcionalismo dos EUA o poria em contato direto com o Altíssimo... que teria sido apontado por Deus para agir em Seu nome sobre a terra.

Bases militares - forças terrestres - dos EUA na Alemanha
Ora! Se os norte-americanos veem a Rússia como simples potência regional, não há por que temer que os russos movam seus exércitos para lá ou para cá. E por que alarmar tanto aliados, em torno de uma “ameaça” que ninguém leva a sério? É fácil – a crise ucraniana é bom motivo para fortalecer a unidade no “Atlântico Norte”.

E quanto à Alemanha? Para George Friedman, a posição da Alemanha é obscura e instável; e ele tem lá seus motivos para pensar assim.

Já há muito tempo, a Alemanha balança entre a solidariedade transatlântica e a realidade que reflete interesses nacionais e europeus reais. É verdade: a Alemanha aumentou o número de Eurofighters para ampliar a patrulha aérea no Báltico, e tomou a decisão de enviar mais 50 oficiais graduados para o Corpo Multinacional do Nordeste (Szczecin/Poland).

Os alemães fizeram como se não tivessem percebido que não foram consultados na decisão dos EUA para modernizar a munição nuclear norte-americana em solo alemão. Mas não, não... A Alemanha não pode aumentar o orçamento militar, a chanceler e o ministro das Finanças entendem que deve ficar nos 32 bilhões de euros. Eles não creem que os Estados do Báltico estariam realmente “ameaçados” e, assim, não veem necessidade de a OTAN manter presença militar permanente na Europa Central e do Leste. O exemplo alemão é contagioso: não importa que pretexto o ocidente use, a República Tcheca e a Eslováquia absolutamente não querem receber militares norte-americanos.

Nem os contribuintes alemães nem as elites alemãs querem uma Guerra Fria com a Rússia. Até os mais altos líderes militares, que apoiam a ideia de ampliar gastos militares, opõem-se à ideia de fazer da Ucrânia estado membro da OTAN. [3] Os mais conhecidos e qualificados think-tanks alemães entendem que a finlandização será a melhor solução para a Ucrânia e para a Europa. [4]

Bases aéreas dos EUA na Alemanha
(clique na imagem para aumentar)
Rols Muetzenich, representante dos social-democratas alemães, relembrou o “Relatório Harmel” [Harmel Report, 1967]. Quando era ministro de Relações Exteriores, Harmel apresentou aos ministros da OTAN um documento intitulado “Tarefas Futuras da Aliança”. O documento, aprovado pelo conselho em dezembro de 1967, expunha a chamada “Doutrina Harmel”: advogava defesa forte, combinada com boas relações diplomáticas com os países do Pacto de Varsóvia. Essa “Doutrina Harmel” ajudou a pavimentar o caminho para a détente entre leste e oeste do início dos anos 1970s, que levou à Cúpula de Helsinki de 1975, e à criação da Organização de Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). O próprio Harmel visitou vários países do Pacto de Varsóvia.

Quanto mais se disseminam na Europa esse tipo de sentimentos e de pensamentos, mais difícil, para Washington, disfarçar a própria aflição. Já faz quase um ano que se divulgaram notícias de que os EUA espionavam as comunicações alemãs; agora, há poucos dias, o Procurador-Geral da Justiça Alemã, Harald Range, anunciou que iniciou investigação criminal oficial sobre as denúncias de que o celular da chanceler Angela Merkel teria sido grampeado.

Harald Range
A decisão do Procurador-Geral alemão e a firmeza com que declarou que há crime se o celular da chanceler é invadido sem autorização judicial, mostra bem o quão profundamente os alemães se ressentiram ao saber que os EUA espionavam, há anos, a sua chanceler.

Há alguns dias, Range informou que já havia feito contato com Edward Snowden, através do advogado alemão da equipe de defesa de Snowden, para convocar Snowden a testemunhar. Snowden – que está vivendo em Moscou desde que divulgou centenas de milhares de documentos secretos ano passado, que expuseram a extensão planetária da espionagem/vigilância eletrônica feita pela Agência de Segurança Nacional dos EUA – ainda não respondeu à convocação da autoridade alemã. Os EUA não estão nada satisfeitos com a atitude do Procurador-Geral alemão, que lhes parece fora de lugar e tomada em momento bem pouco oportuno.

Segundo George Friedman, a Alemanha estaria virando problema para a Europa. [5] George Friedman erra. A Alemanha não é problema para a Europa: a Alemanha só é problema para os EUA, nessa sua ânsia démodée e pervertida de sempre querer dominar o mundo.



Notas da autora

[1] 29/5/2014, George Friedman, Germany – a Problem for Europe, Polski Radio (em polonês, mas a tradução do GOOGLE, embora fraca é legível)
[2] Entrevista de Rasmussen, publicada (al.) por Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung (Rasmussen: Nato muss sich ruesten, Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung, 4/5/2014, p. 1), “Rasmussen’s remarks at OTAN defense ministers session”, 3/6/2014.
[3] 14/4/2014, Keine Aufnahme Ukraine in die OTAN/Stuttgarter Zeitung.
[4] Kaim M. Partnerschaft Plus: Zur Zukunft der OTAN_Ukraine Beziehungen. SWP-Aktuell 38, Mai 2014. 


sábado, 17 de março de 2012

Stratfor, a “CIA privada”, comprou um “jornalista de renome”


16/3/2012, Adam Weinstein, Mother Jones
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido na Vila Vudu:
Quem leia os e-mails de Stratfor publicados por Wikileaks e leia as colunas jornalísticas publicadas no Brasil sobre questões internacionais (aquele ridículo festival de “a Casa Branca informou” e “o Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que houve 63,78 novas mortes hoje” etc.) – já viu, desde o primeiro e-mail, que o que escrevem os “especialistas” de Stratfor e o que “noticiam” os jornalistas e correspondentes internacionais brasileiros são, de fato, os mesmíssimos péssimos jornalismo & opinionismo mais toscos.  Quanto a Robert D. Kaplan, cuja contratação por Stratfor é aí abaixo espinafrada, sempre foi colunista traduzido e publicado n’O Estado de S.Paulo, como se comprova, por exemplo, em: Novas democracias. Ou algo parecido com isso


Adam Weinstein é reporter de assuntos de Segurança Nacional, Relações Civis-Militares, Orçamento e Política Nuclear. Veterano da Marinha dos EUA e ex combatente no Iraque



Stratfor, a agência-empresa privada de inteligência que tem sede no Texas, e que já foi chamada de “a CIA privada”, ou “a CIA clandestina”, anunciou essa semana que contratou o jornalista Robert D. Kaplan, há muito tempo correspondente nacional do jornal The Atlantic, para trabalhar como “principal estrategista geopolítico da empresa” [1].

É movimento no mínimo curioso, e dos dois lados, e que visa, pelo menos aparentemente, a soprar nova vida naquela empresa, hoje em frangalhos, que viu recentemente seus e-mails de comunicação interna expostos a críticas devastadoras.

“Além de mobilizar todo o vasto conhecimento que acumulou sobre os muitos países pelos quais viajou, Robert trabalhará como valioso mentor de nossos analistas regionais e globais” – disse George Friedman, presidente da empresa Stratfor, em declaração. “Os leitores de Stratfor terão acesso ao pensamento de um dos mais importantes escritores do campo dos assuntos internacionais”.

Muito conhecida (e raramente elogiada) nos círculos políticos e de segurança desde a fundação, nos anos 1990s, Stratfor ganhou as manchetes do mundo no mês passado, quando Wikileaks começou a publicar na rede os 5 milhões de e-mails que hackers capturaram da empresa. Em vez de comprovar os talentos e competências nos prognósticos, sempre alardeados pela empresa, a maioria dos e-mails até agora divulgados só comprovaram o espírito de cínico mercantilismo e de autoelogio desbragado dos empregados da empresa (“Posso pôr as mãos nos materiais confiscados da fortaleza de Osama bin Laden”, um deles escreveu, na noite em que Osama bin Laden foi morto no Paquistão [2]). Desde o início da publicação dos e-mails por Wikileaks, Stratfor viu-se obrigada a oferecer de graça aos clientes [3], as suas análises e informações, antes caríssimas. 

A captura e publicação dos e-mails pode ter provocado grave dano aos negócios futuros de Stratfor; assim sendo, o que sugere a contratação agora anunciada? Kaplan [4] é autor prolífico, cujas dúzias de livros publicados cobrem conflitos em, praticamente, todos os continentes. Suas ruminações pop-históricas sobre guerras – com citações de Tucídides e Bismarck, para fazer sermões sobre democracia, exibem um etos de guerreiro “pagão”, e muito ajudaram a promover a invasão do Iraque – sempre imediatamente citadas e recitadas por líderes políticos de várias bandeiras. Os presidentes Bill Clinton e George W. Bush sabidamente recorreram a seus conselhos, e Kaplan já participou de um influente painel político no Pentágono durante o governo Obama. Nesse sentido, a contratação pode ser vista como um movimento da empresa Stratfor para refazer pontes abaladas com seus clientes dentro do governo, dentre os quais os Marines e o Departamento de Segurança Nacional.

Mas especialistas em política internacional dizem que o casamento também pode ser interessante por razões menos nobres.

“Além do polpudo salário que suspeito que Kaplan passe a receber, a união faz pleno sentido intelectual”, diz Daniel Drezner, professor na Escola Fletcher de Direito e Diplomacia da Tufts University, e blogueiro da revista Foreign Policy, por e-mail: “Kaplan e George Friedman partilham um mesmo senso de determinismo geográfico que os autoriza a proclamar os próprios supostos poderes para prever acontecimentos”.

Robert D. Kaplan
De fato, Stratfor e Kaplan subscrevem uma escola de pensamento tida em alta conta por muitos especialistas em inteligência e política externa. São crentes devotados da “geopolítica”, termo de política externa particularmente caro a Henry Kissinger, que denota um pressuposto cuidado amoral, desapaixonado, pelos “interesses nacionais” (como acesso a minérios e petróleo). É conceito muito discutido em seminários de alunos e frequentemente descartado por gente de melhor estofo, por simplório e imperialista. “O talento de Kaplan consiste em dizer aos poderosos o que querem ouvir, com ares de conhecimento empírico e vestes teóricas, sem que, de fato, haja nem uma coisa nem outra no que dizem”, escreve Robert Farley, professor de relações internacionais que assina um blog em Lawyers, Guns, and Money.

As credenciais jornalísticas de Kaplan não poderiam ser menos confiáveis. Fez fama com matérias sobre terras sempre distantes, em prosa sempre assustadora – cobriu a ação dos mujahideen no Afeganistão em 1990, antes que a maioria dos norte-americanos conseguissem achar o país no mapa. Seus livros são regularmente elogiados pelo New York Times, pelo Washington Post e pelo Wall Street Journal, dentre outros veículos afamados que lhe compram artigos e reportagens. Trabalhou no The Atlantic por mais de 25 anos e foi recentemente listado entre os “100 principais pensadores globais” pela revista Foreign Policy.

Apesar disso, para alguns especialistas em questões internacionais, o trabalho de Kaplan reproduz e perpetua estereótipos étnicos. Segundo um analista britânico de política internacional, o livro Balkan Ghosts, de Kaplan, que se supõe que tenha influenciado as ideias de Clinton sobre Bósnia e Kosovo, é conhecido no campo dos estudos europeus sobre o sudeste da Europa por pintar os povos da ex-Iugoslávia como primitivos e violentos. “É um dos textos no qual nasceu a “teoria” dos “ódios regionais seculares” para explicar as guerras na Iugoslávia”, escreveu-me, por e-mail, aquele analista. “Por isso é considerado texto muito problemático pelo pessoal que há 20 anos estuda o sudeste europeu e os conflitos étnicos.” 

Esse tipo de raciocínio geopolítico redutivo aparece bem claro no primeiro comentário de Kaplan já a serviço de Stratfor, no qual compara a Primavera Árabe às revoltas esquerdistas na Europa de meados do século 19 (“1848 na Europa: o ano que não aconteceu”). Assim também a conversa [vídeo] com Friedman, da Stratford, na qual Kaplan explica que “o Irã é uma potência regional potencial” porque tem acesso às águas cálidas e às linhas de gás natural da Ásia Central  [5]. (E acrescenta: “Os iranianos respondem a pressões, mas só a pressões extremas”.) É perfeito para fazer dueto com Friedman, que disse uma vez, a uma multidão reunida para ouvi-lo em Davos: “Há uma solução para a proliferação [de armas]: bombardear tudo”.

George Friedman
Friedman gosta de dizer que sua empresa não vende mero jornalismo “retrógrado” [6] , o que não é difícil, porque jornalistas sérios não vivem, em geral, de seguir ativistas que se opõem a grandes empresas como Coca-Cola, Intel e ADM. Esse tipo de atividade levanta uma pergunta óbvia sobre Kaplan: Depois de trabalhar para uma butique de espionagem privada, os veículos de mídia continuarão a valorizar seu trabalho [7], ou sua carreira como jornalista está definitivamente encerrada?

Nem Kaplan nem Friedman responderam meus convites para comentar essa matéria. Kaplan ainda aparece listado como correspondente nacional no expediente de The Atlantic, mas, se espera manter o posto ativo, é parada dificílima. Stratfor “é piada”, escreveu Max Fisher, um dos colegas de Kaplan no Atlantic  [8], mês passado.

“A reputação do grupo entre o pessoal das relações internacionais, professores, analistas e jornalistas, é baixa; são considerados mais como panfleteiros que como fonte de informação ou ideias aproveitáveis”, escreveu. “Um amigo meu, que escreve sobre questões de inteligência, disse, certa vez, que Stratfor é The Economist, uma semana antes, e muitas centenas de vezes mais cara”.



Notas dos tradutores

[2] Telegrama 1146487, de 14/5/2011, 1h47, The Global Intelligence Files em: “Re: OBL take -- quick response needed
[3] Março, 2012, Stratfor.com em: FAQ
[5] Blip TV – Stratfor.com –Confronting Iran's Growing Ambitions (Agenda)
[6] Stratfor single (free) – Institucional
[7] “No Brasil, um carinha como esse Kaplan sempre encontrará emprego de jornalista na Rede Globo e em todo o Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão), com direito a fotinho na página do Instituto Millenium. Na pior das hipóteses, pode fazer um bico no canal Globo News, como yesman do William Waack, ou como professor do Celso Lafer. Avisa-lá!” [risos, risos] (Entreouvido na Vila Vudu).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

WikiLeaks e os arquivos da “CIA nas sombras”


27/2/2012, Plaza Pública, Guatemala
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Ler também:


Comentário:
15 meses depois de publicar 250 mil telegramas das embaixadas norte-americanas em todo o mundo, WikiLeaks volta a lançar luz sobre as relações obscuras entre uma empresa global, informantes dentro das forças de segurança dos estados e ex-agentes da inteligência/espionagem dos EUA: a empresa Stratfor. WikiLeaks, que tem sede em Londres, obteve 5 milhões de e-mails da empresa Stratfor, especializada em segurança, e selecionou 25 jornais em todo o mundo, para divulgá-los e comentá-los para a opinião pública. O jornal Plaza Pública, na Guatemala, é um deles.


Nenhuma publicação de mercado do Brasil está incluída nessa seleção de 25 publicações decentes, em todo o mundo.



De um dos e-mails agora publicados, de 8/3/2011:

“Abriu-se a caixa de Pandora (com a candidatura de Sandra Torres como candidata). O setor privado vai tratar de matá-la. Los Zetas vão protegê-la. Logo será o Apocalipse. E então? Como tiramos dinheiro disso tudo?
Abraços
[assina] Jaime Rivera, CEO de Bladex



“Os Arquivos da Inteligência/espionagem Global” que começaram a ser publicados hoje em todo o mundo são e-mail s dessa empresa de “inteligência global” com sede no Texas e revelam como opera uma empresa que vende serviços de inteligência confidencial a grandes empresas e agências de governos nos EUA. Os e-mails mostram a rede de informantes, a estrutura de pagamentos, as técnicas de lavagem de dinheiro e de métodos psicológicos para obter informação.

Há quase 30 mil e-mails nos quais se discute a Guatemala, entre 2004 e 2011. Plaza Pública os publicará ao longo dos próximos meses, oferecendo a nossos leitores, como fez com os telegramas diplomáticos do Cablegate no ano passado, o contexto necessário no qual cada e-mail está inserido.

Como advertimos no ano passado, nada garante que o que se lê nos e-mails de Stratfor seja verdade. Do nosso ponto de vista, Stratfor é uma fonte. Nesse caso, é uma fonte que tem acesso a dados e informações que se compram e vendem-se, no limite entre a legalidade e a ilegalidade. E Stratfor é também, por vocação empresarial, “fonte de outras fontes”, sem que ninguém, até agora, se tenha preocupado com a veracidade da “inteligência” que Stratfor vende, regida, como empresa, por seus próprios interesses empresariais.

Nesses “Arquivos da Inteligência/espionagem Global” vê-se o processo pelo qual Stratfor paga aos seus informantes através de contas na Suíça e cartões de crédito pré-pagos.

Dentre os e-mails sobre a Guatemala, já encontramos coisas que dão calafrios, sem qualquer credibilidade, mas que, tanto quanto se sabe, bem poderiam ser tratados como informação “de inteligência”. Por exemplo, um e-mail recente, que ainda não completou um ano, datado de 8/3/2011:

“Abriu-se a caixa de Pandora (com a candidatura de Sandra Torres). O setor privado vai tratar de matá-la. Los Zetas vão protegê-la. Será o Apocalipse. E então? Como tiramos dinheiro disso tudo?
Abraços. 
 [assina] Jaime Rivera, CEO de Bladex

O problema para a Guatemala é que, embora o comentário acima nada tenha a ver com a realidade, o e-mail é assinado por ninguém menos que o hoje presidente do Banco Latino-americano de Comercio Exterior, ouvido recentemente pela revista Forbes. Em seu perfil, aparece como assessor da Bolsa de Valores de Nova York, com renda anual de quase um US$1 milhão.

Essa é apenas uma amostra de quem são as fontes e informantes de Stratfor e do que dizem; muitos deles em postos de decidir, por exemplo, se o país recebe ou não investimentos externos e o que se faz com o dinheiro.

E Stratfor – diferente do que dizem os telegramas que chegam dos EUA – serve-se de métodos pouco ortodoxos. George Friedmann, fundador, gerente financeiro e diretor de Stratfor, resume numa frase: “Você tem de controlar [sua fonte]. Controlar quer dizer controle financeiro, sexual ou psicológico”, Friedman explicava à analista Reva Bhalla, dia 6/12/2011, que quer extrair, de um informante israelense, informação sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chávez.

Stratfor também menciona o jornal Plaza Pública pelo menos uma vez, quando zomba de uma coluna de David Martínez Amador na qual David critica o modo de os norte-americanos obterem informações em campo no México e na América Central, que só conseguem de informantes infiltrados. “David não gosta de nós porque somos gringos”, dia 19/8/2011.

O que WikiLeaks faz agora está sendo feito apesar do bloqueio econômico que lhe foi imposto por Bank of America, Visa, Mastercard, PayPal e Western Union, o que dificultou muito o processo de as doações de colaboradores chegarem até WikiLeaks.

Simultaneamente, as mesmas empresas nada fazem para impedir que seus serviços sejam usados para financiar organizações antissemitas, sionistas, racistas suprematistas brancos e criminosas de todos os tipos. Julian Assange continua em prisão domiciliar em Londres, há seis meses.

A falta de ética de algumas empresas jornalísticas, como o jornal The Guardian, destruiu a relação cooperativa que WikiLeaks havia construído com o jornal britânico, e obrigou a organização a publicar, de uma só vez, todos os telegramas diplomáticos dos EUA que tinha em seu poder. Diferente do que divulgaram os maiores jornais do mundo, os telegramas diplomáticos tiveram de ser divulgados em bloco, porque jornalistas, entre os quais jornalistas do TheGuardian, publicaram em livro as senhas de acesso ao material; e um desertor de WikiLeaks vendeu as senhas que tinha em seu poder.

Para salvar a integridade dos telegramas, antes de que fossem manipulados, WikiLeaks decidiu liberar todos. Na nossa avaliação, do jornal Plaza Pública, não foi a melhor opção, mas entendemos os motivos de WikiLeaks.

Assim aconteceu que, um ano depois, a própria embaixada dos EUA na Guatemala, para expor argumentos seus, citou artigos do jornal Plaza Pública que usavam informação dos telegramas vazados por WikiLeaks.

O que temos agora é mais um esforço a favor da transparência da informação, e esforço mundial. Jornais de prestígio em todo o mundo, como Público na Espanha; a revista Rolling Stone nos EUA; The Hindu na Índia; La Nación na Costa Rica; Página 12 na Argentina, La Jornada no México ou Plaza Pública na Guatemala são alguns dos parceiros de WikiLeaks nessa ocasião.

Cobertura mais completa sobre temas globais pode ser encontrada, no jornal Público/WikiLeaks, espanhol.

Ao longo das próximas semanas, Plaza Pública distribuirá, comentada, informação que haja nos e-mails de Stratfor sobre a Guatemala e alguns dos países vizinhos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

WIKILEAKS-2012: “Stratfor - Os Arquivos da Inteligência/Espionagem Privada Global”


27/2/2012, WikiLeaks - 2012
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


LONDRES – Hoje, 2ª-feira, 27 de fevereiro de 2012, WikiLeaks começou a publicar os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL [ing. The Global Intelligence Files – mais de 5 milhões de e-mails da empresa Stratfor de “inteligência/espionagem privada global” com escritórios no Texas. 

Os e-mails cobrem o período entre julho de 2004 e dezembro de 2011. Revelam o funcionamento interno de uma empresa que, sob a fachada de editor-publisher de artigos e estudos sobre temas de inteligência, vende serviços confidenciais de inteligência/espionagem privada a grandes empresas, entre as quais Dow Chemical Co. de Bhopal; Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon; e também a agências estatais, como o Departamento de Segurança Nacional dos EUA [ing. US Department of Homeland Security], os Marines dos EUA e a Agência de Inteligência da Defesa dos EUA [ing. US Defense Intelligence Agency]. 


Os e-mails mostram a rede de informantes de Stratfor; a estrutura de pagamentos; as técnicas de lavagem de dinheiro para pagamentos ilegais; e os métodos “psicológicos”, como, por exemplo, em:


“[Vocês] têm de controlá-lo. Controlar significa controle financeiro, sexual ou psicológico (...). Digo-lhe isso, para iniciar nossa conversa sobre sua segunda fase”

– como escreveu o diretor-presidente da empresa Stratford, George Friedman, a um dos analistas da mesma Stratfor, Reva Bhalla, dia 6/12/2011, com instruções sobre como explorar um informante israelense que lhes oferece informação sobre as condições médicas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O material inclui informação secreta sobre os ataques pelo governo dos EUA contra Julian Assange e WikiLeaks, e as tentativas feitas pela própria empresa Stratfor para subverter WikiLeaks. As palavras “WikiLeaks” ou “Julian Assange” aparecem mencionadas em mais de 4.000 e-mails. Nos e-mails também se veem, em operação, as portas giratórias que conectam entre si as empresas privadas de inteligência nos EUA. Fontes governamentais e diplomáticas de todo o mundo oferecem à empresa Stratfor informação privilegiada sobre política e eventos globais, em troca de pagamento.

Os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL informam sobre como a empresa Stratfor recrutou uma rede global de agentes informantes que são pagos através de contas em bancos suíços e cartões de crédito pré-pagos. Stratfor mantém um mix de informantes oficiais e clandestinos, no qual se veem nomes de funcionários públicos, pessoal diplomático e jornalistas, em todo o mundo.

O material mostra como opera uma agência privada de inteligência/espionagem, e como espionam indivíduos, a serviço de seus clientes privados e estatais. Por exemplo, a empresa Stratfor monitorou e analisou as atividades online de ativistas de Bhopal, inclusive os “Yes Men”[1], para a gigante norte-americana da indústria química, Dow Chemical. Os ativistas, nesse caso, buscam reparação para o desastre ecológico provocado pelas empresas Dow Chemical/Union Carbide, em 1984, em Bhopal, Índia, que provocou milhares de mortes, atingiu mais de meio milhão de pessoas e foi causa de dano ambiental de longo prazo.

A empresa Stratfor já sabia que sua rotina de trabalho e modus operandi, de distribuir propinas e pagamentos secretos em dinheiro para obter informação do pessoal interno de empresas privadas e órgãos governamentais, é pouco segura. Em agosto de 2011, o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, escreveu confidencialmente aos seus empregados:

“Estamos contratando uma empresa de advocacia, para que crie uma política para nossa empresa [Stratfor], que não agrida os termos da Lei Anticorrupção em Negócios Estrangeiros [orig. Foreign Corrupt Practices Act]. Não quero ser arrastado algemado pela calçada para que os fotógrafos se fartem, nem quero ver arrastado ninguém do nosso pessoal”.

A prática da empresa Stratfor, de usar pessoal interno de outras empresas e agências estatais, rapidamente se converteu em esquema de distribuição de dinheiro, de legalidade questionável. 

Os e-mails mostram que, em 2009, o então diretor-gerente de Goldman Sachs, Shea Morenz, e o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, tiveram a ideia de “usar a inteligência/espionagem” que estava sendo extraída da rede de elementos “internos” [orig. insiders] em empresas e nos governos, para iniciar um captive strategic investment fund. Em telegrama confidencial de agosto de 2011, que leva um selo de “NÃO DISTRIBUIR NEM DISCUTIR”, o presidente-executivo da empresa Stratfor, George Friedman explicou:

“O StratCap [Fundo Stratfor de Capitalização] usará nossas inteligência/espionagem e análises para comerciar em vários instrumentos geopolíticos, sobretudo papéis de governos, moedas e itens semelhantes”.

Os e-mails mostram que, em 2011, Morenz, de Goldman Sach, investiu “substancialmente” mais de $4milhões, e passou a integrar o conselho de diretores da empresa Stratfor. Ao longo de 2011, foi montada uma estrutura complexa de offshore share, que alcançava até a África do Sul, com o objetivo de fazer crer que o Fundo StratCap seria legalmente independente. Mas, confidencialmente, Friedman escreveu à equipe de Stratfor:

“Não pensem que [o fundo] StratCap seja organização de fora. Será integral (...). Será útil que vocês, em nome da maior conveniência, raciocinem como se [o fundo] fosse mais um aspecto de Stratfor; e que pensem em Shea como mais um executivo em Stratfor (...). Já estamos trabalhando em mock portfolios and trades [talvez, “portfólios para treinamento”?].

O Fundo Stratford de Capitalização [StratCap] será lançado em 2012. 

Os e-mails de Stratfor mostram uma empresa privada que cultiva laços muito íntimos com agências oficiais e emprega vários ex-funcionários do governo dos EUA. A empresa está preparando o quadro das próximas promoções, para os próximos três anos, no Comando do Corpo de Marinha dos EUA [orig. the 3-year Forecast for the Commandant of the US Marine Corps], e dá treinamento aos marines dos EUA e “a outras agências governamentais de inteligência” que desejem “tornar-se Stratfors do governo”. 

O vice-presidente para Inteligência de Stratfor, Fred Burton, foi agente especial do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e vice-diretor da divisão de contraterrorismo. Apesar desses laços com o estado, Stratfor e outras empresas assemelhadas operam sob completo segredo, sem qualquer supervisão pelo estado ou por órgãos de fiscalização oficial, e sem qualquer transparência. 

A empresa Stratfor alega que opera “sem ideologia, agenda ou viés nacional”, embora os e-mails agora publicados mostrem em ação uma equipe de inteligência/espionagem privada, sempre bem firmemente alinhada com as políticas do governo dos EUA e com canais de contato direto com o Mossad. Esse contato direto está comprovado, através de um funcionário do jornal israelense Haaretz, Yossi Melman, que conspirou com o jornalista David Leigh, do Guardian, e, em flagrante violação do contrato entre WikiLeaks e Guardian, entregaram a Israel telegramas diplomáticos dos EUA, do lote de telegramas que WikiLeaks deixara sob a guarda do Guardian.

Ironicamente, considerando as circunstâncias atuais, Stratfor tem tentado entrar no que a empresa chama de “trem da alegria” [orig. gravy train] “dos vazamentos”, que teria surgido depois das revelações dos papeis do Afeganistão, em WikiLeaks:

“Será que não há alguma coisa a ganharmos, nesse trem da alegria dos ‘vazamentos’? Obviamente, se trata de vender medo, quer dizer: é bom negócio. E temos alguma coisa a oferecer, que as empresas de segurança das tecnologias da informação não têm, sobretudo nosso foco em contrainteligência e vigilância, que Fred e Stick conhecem melhor que qualquer um no planeta (...) Talvez possamos desenvolver algumas ideias e procedimentos sobre alguma rede de segurança focada contra ‘vazamentos’, para impedir que empregados das empresas consigam vazar informação sensível (...). De fato, não estou muito convencido de que se trate de problema de segurança de TI, ou que exija solução de TI.”

Como aconteceu com os telegramas diplomáticos publicados por WikiLeaks, grande parte do real significado desses e-mails só virá à tona ao longo das próximas semanas, quando a coalizão de jornais que construímos em todo o mundo para publicação dos documentos Stratford, e os internautas, em trabalho de pesquisa pública, já tiverem começado a vasculhar os documentos e encontrem conexões significativas. 

Os leitores verão que, à parte o grande número de assinantes das publicações e clientes dos serviços da empresa, Stratfor também mantém, entre seus clientes, o controverso general paquistanês Hamid Gul, ex-chefe do serviço secreto do Paquistão (ISI), o qual, segundo os telegramas diplomáticos dos EUA, planejou explosões contra as forças internacionais no Afeganistão, em 2006. Os leitores descobrirão o sistema interno de classificação de e-mails de Stratfor, que organiza a correspondência em categorias como “alpha”, “tático” e “protegido”. A correspondência também inclui nomes em código para personagens considerados particularmente interessantes, como “Hizzies” (membros do Hezbollah), ou “Adogg” (Mahmoud Ahmedinejad).

Stratfor mantém negócios secretos com dúzias de empresas-de-mídia e jornalistas – da Agência Reuters ao Kiev Post. Uma lista dos “Confederation Partners” [Parceiros da Confederação] de Stratfor, que a empresa designa, internamente, como sua “Confed Fuck House”, está incluída nos documentos agora publicados.

Embora seja aceitável que jornalistas troquem informações entre eles, ou que sejam pagos por empresas outras, diferentes do jornal/rede do qual são empregados, dado que Stratfor é empresa privada de inteligência/espionagem que presta serviços a clientes estatais e clientes privados, o relacionamento entre jornalistas e esses atores é relacionamento ou corrompido ou que corrompe.

WikiLeaks também está divulgando a lista dos informantes da empresa Stratfor e, em muitos casos, recibos de pagamentos que receberam, inclusive pagamento mensal regular de $1.200, feito ao informante “Geronimo”, administrado por Fred Burton, ex-agente do Departamento de Estado, hoje empregado da empresa Stratfor. 

WikiLeaks construiu uma parceria investigativa com mais de 25 organizações de mídia e ativistas, para informar o público em geral sobre esse imenso corpo de documentos. Aquelas organizações tiveram acesso a um sofisticado banco de dados e de pesquisa desenvolvido por WikiLeaks e, com WikiLeaks, estão avaliando os e-mails do ponto de vista do interesse jornalístico. Revelações importantes às quais cheguemos mediante o sistema de pesquisa em uso serão publicadas na imprensa comercial nas próximas semanas, ao mesmo tempo em que prosseguirá a publicação dos próprios documentos-fontes.

FIM

Nota dos tradutores
[1] Leia mais sobre os “Yes Men” 

Parceiros públicos de WikiLeaks:
Mais de 25 parceiros na imprensa mundial (outros serão divulgados após esta primeira listagem)

 Al Akhbar – Lebanon – http://english.al-akhbar.com 
 Al Masry Al Youm – Egypt – http://www.almasry-alyoum.com 
 Bivol – Bulgaria – http://bivol.bg 
 CIPER – Chile – http://ciperchile.cl 
 Dawn Media – Pakistan – http://www.dawn.com 
 L’Espresso – Italy – http://espresso.repubblica.it 
 La Repubblica – Italy – http://www.repubblica.it 
 La Jornada – Mexico – www.jornada.unam.mx/ 
 La Nacion – Costa Rica – http://www.nacion.com 
 Malaysia Today – Malaysia – www.malaysia-today.net 
 McClatchy – United States – http://www.mcclatchy.com 
 Nawaat – Tunisia – http://nawaat.org 
 NDR/ARD – Germany – http://www.ndr.de 
 Owni – France – http://owni.fr 
 Pagina 12 – Argentina – www.pagina12.com.ar 
 Plaza Publica – Guatemala – http://plazapublica.com.gt 
 Publico.es – Spain – www.publico.es 
 Rolling Stone – United States – http://www.rollingstone.com 
 Russia Reporter – Russia – http://rusrep.ru 
 Ta Nea – Greece –- http://www.tanea.gr 
 Taraf – Turkey – http://www.taraf.com.tr 
 The Hindu – India – www.thehindu.com 
 The Yes Men – Bhopal Activists – Global http://theyesmen.org 
 Nicky Hager – New Zealand