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quinta-feira, 30 de maio de 2013

“BRICS é uma união de diferentes”

25/3/2013, The BRICS Post (TBP) 
Entrevista traduzida pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido na Vila Vudu: O jornalismozinho das empresas-imprensa brasileiras PROMOVE A IGNORÂNCIA. “Liberdade de expressão”, pra essas empresas, empresários e empregados, é liberdade para que continuem a promover a ignorância. Quem precisa disso?!

Opinião da redecastorphoto: O “jornalismo” brasileiro das empresas de imprensa (em papel ou mídia eletrônica de massa) é tão vagabundo, mas tão vagabundo que qualquer pessoa, empresário, executivo ou mesmo classe social que se baseie nesses meios para tomar decisões de vida, investimentos, negócios, análises e mesmo em quem votar, terá a probabibilidade de quase 100% de estar cometendo um erro, certamente grave, por mera DESINFORMAÇÃO. Sugerimos que nossos leitores NÃO leiam e/ou assistam “jornais” ou “revistas”. Informe-se nos BLOGS. A probabilidade de terem alguma INFORMAÇÃO é, também, muito próxima de 100%.




Georgy Toloraya, diretor executivo da Comissão Nacional Russa de Pesquisa dos BRICS, conversa com The BRICS Post sobre o Banco dos BRICS e sobre por que “os BRICS não devem ser uma aliança de estilo ocidental”. Toloraya é também presidente do Departamento de Projetos Regionais para Ásia e África da Fundação “Russkiy Mir”.



TBP: O Banco dos BRICS deve ser uma alternativa às instituições financeiras ocidentais como o FMI e o Banco Mundial, agora que os clamores por reformas nessas instituições internacionais deram em nada?

Toloraya: Não posso dizer que o Banco dos BRICS, quando for constituído, será uma alternativa, mas será um concorrente das instituições à moda ocidental. O Banco dos BRICS deve começar como centro político para coordenar políticas macroeconômicas e estratégias de investimento. Assim sendo, não acho que o projeto possa receber financiamento do Banco Mundial ou de bancos regionais de desenvolvimento, nem que essa possibilidade seja cogitada, pelo menos no primeiro estágio. Mas o banco proposto terá, é claro, de manter cooperação próxima com instituições financeiras internacionais.

TBP: Onde será a sede do Banco dos BRICS?

Toloraya: Esse é problema filosófico. Pode-se dizer que deve ter sede num dos países BRICS. Minha opinião é que Moscou é a localização ideal. Como você sabe, estamos tentando construir aqui um centro financeiro internacional. Embora Moscou não esteja exatamente no centro das rotas financeiras internacionais, é a capital mais próxima de todas as demais capitais dos BRICS, mais próxima de todas, que qualquer outra. Outra possibilidade é localizar a sede em algum dos tradicionais centros financeiros mundiais, como Londres ou Genebra.

TBP: O senhor acha que o tema do Banco dos BRICS será item prioritário na agenda da reunião de Durban?

Toloraya: É uma das importantes questões que os BRICS definiram para a pauta, ano passado, num parágrafo relevante da Declaração de Delhi. Esse ano, a reunião tomará conhecimento do que foi feito. Entendo que esse processo de criar o Banco de Desenvolvimento dos BRICS prosseguirá, porque todos os países precisam desse banco. Mais importante que isso, ele é também um centro de análise e pesquisa, muito necessário e urgente para aproximar as economias dos cinco países membros.

TBP: Os EUA ou a União Europeia terão ações do Banco dos BRICS?

Toloraya: Houve boatos sobre isso. Mas não me parece que, pelo menos inicialmente, os EUA ou qualquer outro país fora do grupo dos BRICS terá ações do Banco de Desenvolvimento dos BRICS.

Não vejo nada de mal em o Banco de Desenvolvimento dos BRICS tomar empréstimos ou financiamento, ou que negocie com o sistema financeiro internacional, o qual, como se sabe, é dominado pelos tradicionais centros financeiros mundiais na Europa e nos EUA.

TBP: Como o senhor vê a Rússia fortalecendo os BRICS, agora que estará na presidência do G20, como anunciaram o presidente Putin e o ministro Lavrov (das Relações Exteriores)?

Toloraya: Bem, você sabe que o G20 é o mais próximo que temos hoje de uma governança global. E a estratégia dos BRICS é melhorar, ou modernizar, a governança global. Assim sendo, há, sim, uma sinergia. Acho que os BRICS estão-se entendendo bem dentro do G20.

TBP: O ministro de Relações Exteriores da África do Sul disse recentemente que:

A emergência dos BRICS não está sendo bem recebida por nós todos. Há os que não veem com bons olhos os BRICS, porque entendem que a existência do grupo ameaça o status quo e altera o atual equilíbrio internacional de forças.

O que lhe parece?

Toloraya: Para começar, o equilíbrio internacional de forças não é estável nem eterno, está sempre mudando. Vimos, em anos recentes, que esse processo de mudança foi acelerado. Já não é possível falar em mundo unipolar. E a mais recente crise financeira expôs, bem claramente, a impotência de um antigo status de poder, para resolver os problemas.

Assim sendo, e agora que o mundo já é policêntrico, precisamos de novos mecanismos de coordenação. O mundo precisa de algum tipo de novo sistema para fixar as novas regras, as quais, se supõe que serão mais justas que as atuais, que sempre foram baseadas, até agora, em ações unilaterais. Os BRICS, portanto, são instrumento muito útil no processo de construir um sistema novo ou de modernizar o sistema existente. Esse novo sistema não será violento e não levará a conflitos.

Os países BRICS, pelo empenho em pautar-se pela lei internacional, considerar o mecanismo da ONU, os métodos políticos e diplomáticos para resolver problemas – são a base sobre a qual se deve basear esse sistema novo, ou modernizado. Não me parece que os BRICS ameacem o atual sistema ou agravem tensões. Ao contrário: os BRICS possibilitam a transição lisa, pacífica e suave, para um novo estado de coisas.

TBP: Um especialista russo em governança global e análise de problemas disse recentemente que o principal problema dos BRICS é que não há nação líder. Será que os BRICS precisam disso? E quem pode liderá-los?


Toloraya: Essa é a principal diferença entre o velho sistema unipolar e o que estamos fazendo: não estamos tentando criar um novo sistema unipolar de relações internacionais. Os BRICS por definição não têm, nem devem ter nação líder. A força do grupo está na unidade entre diferentes. A unidade brota, precisamente, do fato de que os países do grupo são muito diferentes uns dos outros e assim devem continuar. Por isso, os BRICS jamais se converterão em alguma espécie de aliança à antiga moda ocidental, na qual um único líder governa o mundo.

sábado, 16 de junho de 2012

Do editor da BBC-Londres (no blog): “A cobertura da BBC do massacre de Houla só reproduziu propaganda da oposição síria”

15/6/2012, Chris Marsden, Countercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jon Williams
O mais discretamente possível, o editor de noticiário internacional da BBC, Jon Williams, admite afinal que a cobertura que a emissora e agência noticiosa britânica distribuiu, do massacre em Houla, Síria – matéria selecionada de agências e trabalho dos próprios jornalistas “da casa” – não passou de seleto compêndio de mentiras.

Em postado do dia 7/6, 16h23, em seu blog pessoal [1], Williams afinal confessa o que vários críticos já haviam observado e denunciado [2]: que não há qualquer prova que permita afirmar que o massacre do dia 25/5, no qual morreram mais de 100 pessoas, tenha sido perpetrado pelo Exército Sírio ou por milícias apoiadas pelo governo alawita de Al-Assad.

Fortemente sugerida nas entrelinhas no mesmo postado, há também a confissão de que o noticiário da BBC reproduziu material de propaganda distribuído pelos sunitas, que operam para derrubar o governo do alawita Bashar al-Assad.

Depois de algumas linhas introdutórias de autojustificação “preventiva”, em que fala da “complexidade da situação em campo na Síria”; da “necessidade de tentar separar fato e ficção”; e da “longa tradição síria [sic]” de “noticiar boatos como se fossem fatos”, Williams escreve:

Logo depois do massacre em Houla mês passado, as primeiras notícias falavam de cerca de 49 crianças e 34 mulheres decapitadas. Em Damasco, agentes ocidentais disseram-me que investigações posteriores não encontraram qualquer vestígios desse tipo de atrocidade. E que, porque o Exército Sírio havia bombardeado a área pouco antes, não havia absolutamente nenhuma certeza sobre a autoria do massacre ou sobre o que realmente aconteceu em Houla.

Por isso, conclui o jornalista e editor da BBC – em conclusão que chega, de fato, muito atrasada:

Nessas circunstâncias é mais importante do que nunca informar também sobre o que não sabemos, não só sobre o que se sabe. Em Houla, e agora também em Qubair, todas as evidências sugerem que os responsáveis pelo massacre em Houla tenham sido membros da milícia Shabiha. Mas, à parte o trágico número de vítimas, praticamente não há certeza de nada, nem sobre quem ordenou as mortes, nem por quê.

Infelizmente, a BBC, até agora, sempre noticiou [e vendeu suas notícias! E a Folha de S.Paulo, o Estadão e O Globo COMPRAM essas notícias e as REVENDEM a leitores brasileiros incautos!] como se tivesse certeza de tudo, da autoria e dos motivos de tudo que se passa na Síria; a BBC e, aliás, todos os grandes jornais britânicos [e dos brasileiros, então, que vivem de requentar noticiário internacional requentado, desses NEM SE FALA! Vide Notas de rodapé].

Em lugar de operar como agência de produção e distribuição de informação aproveitável, a BBC operou como ativo braço de propaganda de uma falsa indignação “humanitária” e correspondentes “certezas” fabricadas em Londres, Washington - e até, na ONU – em todos os casos divulgando, como se fosse fato, que o Exército Sírio ou milícias armadas que operariam sob as ordens do governo, ou ambos, seriam responsáveis pelo massacre.

Exemplo típico desse jornalismo de desinformação é a matéria publicada dia 28/5, “Syria Houla massacre: Survivors recount horror” [3], [reproduzida sem tirar nem por, título e tudo, no Brasil, pela Folha de S.Paulo, e, pra piorar, em TRADUÇÃO HORRÍÍÍÍÍÍÍÍVEL!]:

Os membros da milícia “Shabiha” atacou (sic) as casas. Eles não tiveram compaixão. Nós fotografamos crianças com menos de 10 anos de idade, com suas [4] mãos amarradas e mortas com tiros à queima-roupa, a 10cm de distância, apenas 10 cm. Eles cortaram seus [5] pescoços com facas, não todo o pescoço, mas eles fizeram um buraco no pescoço, um buraco nos olhos. [6]

Em momento algum se cogita de lembrar os leitores da possibilidade – se os “depoimentos” não forem integralmente inventados! – de esses “depoimentos” virem de pessoas politicamente alinhadas com a oposição síria, agindo e falando sob instruções de um ativo programa de propaganda.

E, só agora, Williams/BBC [mas não os jornais e os jornalistas do Grupo GAFE (Globo/Abril/FSP/Estadão), no Brasil, pelo menos até esse momento] lembra de lembrar que:

Dadas as dificuldades para o trabalho de reportagem na Síria, vídeos postados em Twitter, Facebook e YouTube podem servir como guia para conhecer os fatos em campo. Mas os fatos nunca são branco ou preto – quase sempre são cheios de nuances cinzentas. Os que se opõem ao presidente Assad têm agenda própria. Um alto funcionário ocidental chegou a descrever a estratégia de comunicação da oposição síria pelo YouTube, como “brilhante”. Mas lembrou também das técnicas de “guerra psicológica” e de lavagem cerebral, de propaganda, que militares norte-americanos e outros usam frequentemente, para convencer pessoas de versões que nem sempre são verdadeiras. [7]

Williams sabe bem do que está falando.

Dia 27/5, a BBC distribuiu uma foto, apresentada como se fosse recente e tirada em Houla, para “comprovar” o show: “corpos de crianças em Houla, ainda insepultos”.

A foto mentirosa da BBC denunciada por di Lauro
Mentira. Nada além de exemplo da propaganda a favor do golpe contra o governo de Assad, e que nada tem de “brilhante”. A foto de corpos enrolados em mortalhas brancas foi tirada pelo fotógrafo Marco di Lauro no Iraque, há quase dez anos, dia 27/3/2003. E eram ossadas descobertas num deserto, ao sul de Bagdá.

Di Lauro comentou:

O que muito me surpreende é que uma agência de notícias como a BBC não verifique suas fontes. Alguém está usando trabalho do outros para fazer propaganda de mentiras. Mas... A BBC?! [8] (...)

É perfeitamente possível que o mea culpa de Williams tenha motivos dignos, de preocupação com o papel que ele e outros jornalistas desempenham, de porta-vozes de uma campanha para derrubar mais um governante no mundo árabe, conhecida hoje, eufemisticamente, como “troca de regime”. Mas de pouco servirá a “confissão”, lá, escondida num blog da empresa (BBC British Broadcasting Corporation).

Porque fato é que, na BBC [como na Folha de S.Paulo, no Estadão e n’O Globo, no Brasil! (NTs)] a mesma propaganda – vendida como se fosse jornalismo a consumidores PAGANTES – continua, sem qualquer modificação, como se vê na cobertura, dia 6/6, de outro massacre, dessa vez na vila de Qubair.

Dessa vez, o correspondente da BBC, Paul Danahar, que viaja no comboio dos monitores da ONU, “noticiou” que escrevia “de uma casa devorada pela chamas”, “sentindo cheiro de carne calcinada”, cercado de “pedaços de cadáveres”. “Noticia” também que “massacrar o povo não satisfaz a fúria do exército de Assad. Agora matam também os animais”. E a matéria é ilustrada pela foto de um burro morto, que nada mostra, além do burro morto. Em seguida, sobre imagens de marcas de pneus numa estrada de terra, o mesmo Paul Danahar “noticia”: “Veem-se evidentes tentativas para apagar rastros de pneus e outros detalhes das atrocidades”. É possível que haja as tais “evidentes” tentativas. Mas nada, no jornalismo da BBC comprova o que o jornalista “noticia”. (...)

E é desnecessário lembrar que a BBC (a Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo, claro!) não dizem uma palavra sobre matéria publicada dia 7/6 pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung, com muitas evidências de que o massacre de Houla tenha sido cometido pelo Exército Síria Livre. 

A matéria oferece depoimentos recolhidos entre os habitantes da região, por grupos que se opõem ao governo de Assad e também se opõem ao Exército Síria Livre e a outras milícias também pagas e armadas (e noticiadas) pelo ocidente.



Notas de rodapé
[1] 7/6/2012, Jon Williams, Blog, BBC-Londres em: “Reporting conflict in Syria

[2] Em Portugal, o blog Clube dos Jornalistas já sabia das mentiras da BBC.

[3] 28/5/2012, BBC - Londres, em: Syria Houla massacre: Survivors recount horror”. E idêntico besteirol aparece copiado-publicado e REVENDIDO a leitores consumidores PAGANTES, no Brasil:

(1) Na FOLHA DE S.PAULO, no mesmo dia 28/5/2012 em: Sobreviventes relatam horrores de massacre na Síria”. E, claro, aparece também repetido...
(2) N’O ESTADO DE S.PAULO, dia 31/5, em: Perigo de guerra civil na Síria aumenta após massacre de Houla. E também, porque a copiação, por aqui, nunca falha, o mesmo besteirol TAMBÉM está publicado, igualzinho,

[4] E de quem, diabos, seriam as mãos?! Tradução ginasiana, amadora, infantiloide, debiloide... E os assinantes da Folha de S.Paulo PAGAM pra ler esse lixo!

[5] E de quem, diabos, seriam os pescoços?! Tradução ginasiana, amadora, infantiloide, debiloide e errada... E os assinantes da Folha de S.Paulo PAGAM pra ler esse lixo!

[6] 28/5/2012, Folha de S.Paulo/UOL, em: “Sobreviventes relatam horrores de massacre na Síria

[7] 28/5/2012, BBC -Londres, em: vide nota [3]
 
[8] Do Blog VigilantCitizen, 29/5/2012, em: BBC Uses a 2003 Picture from Iraq to Incite War Against Syria

sábado, 2 de junho de 2012

O reequilibramento do consumo na China já está em andamento


12/2/2012, Yiping Huang, Universidade de Pequim, East Asia Fórum
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também:
1/6/2012, redecastorphoto, Grupo de Bilderberg 2012: a lista - Começou a reunião do Grupo Bilderberg, em Chantilly, Virgínia, EUA
15/3/2010, Yiping HuangEASTASIAFORUM em: Krugman’s Chinese renminbi fallacy(em inglês) 

Nota do Coletivo da Vila Vudu: Lemos de cabo a rabo a lista dos militantes do tal grupo terrorista Bilderberg-2012 (endereço acima) – que vai, da rainha da Bélgica a Paul Zoelick, além de zilhões de jornalistas, alguns na função declarada de redatores de relatórios da reunião do grupo terrorista de Bilderberg-2012, outros, na função não declarada de repetidores das opiniões dos mesmos relatórios.

Não há evidência mais clara do que seja a tal “imprensa livre” em 2012: Le Monde, The Economist etc. estão, todos, representados em Chantilly, Virginia, 2012, além de zilhões de “institutos”, “consultorias”, “think-tanks” e o escambau, cujos intelectuais-profissionais vivem de escrever... para a “imprensa livre”, que é livre só para eles escreverem.

Um único nome realmente nos interessou, dentre aqueles magotes de terroristas que, classificados por tipos e traduzidos ao português do Brasil, vão, de legiões de mendoncinhas-da-Consultoria-Tendências e sergiosfaustos-dos-Instituto FHC & CEBRAP & USP, a legiões de joelmiresbettings & sardembergs & miriansleitões, e não passam disso, além dos reis da Holanda & Bélgica de sempre, tão irrelevantes quanto hors concours.

O único nome que realmente nos interessou naquela (longa) lista é Yiping Huang, o chinês.

Logo descobrimos que Yiping Huang é professor de Economia na Universidade de Pequim. É também economista-chefe para a Ásia, do Banco Barclays de Hong Kong; e é co-autor do relatório “A Grande Onda de Upgrade do Consumo na China” (jan. 2012).

Dado que artigos dos paulszoelicks do mundo, os editoriais do Le Monde e opiniões de The Economist são facilmente acessíveis no Brasil como vozes do grupo terrorista Bilderberg-2012, porque são caninamente traduzidos e reproduzidos sem-tirar-nem-por na “imprensa livre” no Brasil-2012, e dado que o rei da Bélgica e a rainha da Holanda são, ao que se suspeita, analfabetos crônicos, decidimos saber o que escreve, no mundo, o tal professor chinês – e único ser cuja opinião nos interessou, dentre os presentes à reunião, em curso, do grupo terrorista Bilderberg-2012.

O chinês-lá é especialista em upgrade do consumo (além de especialista em banking).

É provável que a rainha da Holanda, o rei da Bélgica, todos aqueles jornalistas de aluguel e outros subalternos, além dos trocentos subsubalternos de banqueiros lá presentes estejam, nesse momento, disputando a murros um lugarzinho na mesa, perto do chinês-lá.

Nós, aqui, oferecemos, grátis, uma amostrinha do que o chinês-lá sabe e talvez (mas ele ainda não decidiu tentar) explique aos panacas do grupo terrorista Bilderberg-2012, os quais, claro, não aprenderão é po**a nenhuma. Como sempre. O chinês manda dizer que lá está para ouvir, mais do que para falar.

A tradução que aí vai não é tradução feita por economista e, sim, pode conter imprecisões e erros – que aí vão, livres e leves, em busca de quem os corrija.

Em todos os casos, o que aí se lê, com erros de tradução que haja, e tudo, é e sempre será MUITO mais aproveitável que TUDO que Le Monde/O Estado de S.Paulo, Rede Globo, Folha de S.Paulo e revista (NÃO)Veja algum dia publiquem sobre os mesmos temas, nesse Brasil-2012 desgraçado pelos jornais e jornalismo que há aqui.

Professor Yiping Huang em Conferência na Austrália
A comunidade internacional, particularmente os políticos e planejadores norte-americanos, tem grandes expectativas quando à contribuição que a China pode dar à recuperação da economia global, pelo reequilibramento da economia chinesa mediante a promoção do consumo.

As autoridades chinesas aceitam amplamente essa prioridade e já implantaram várias medidas [1] para promover o reequilibramento do consumo.

Se se aproximam os dados oficiais e não oficiais, para construir quadro completo do consumo na China, veem-se alguns detalhes interessantes que mostram o quanto a China já andou na direção de impulsionar o consumo doméstico.

A relação consumo/PIB chineses foi provavelmente subestimada numa média de 3,1 pontos percentuais durante a década passada, quando declinou em ritmo constante, de 64% em 2000 para 50% em 2008, segundo estatísticas oficiais, com posterior recuperação até 54% em 2010.

Esses números podem significar que o longamente aguardado reequilibramento da economia chinesa já começou, sobretudo se se considera o agudo declínio no déficit comercial do país, de 7,5% do PIB em 2007, para 2,1% em 2011. Se essas mudanças continuarem, a economia chinesa poderá passar, de caso de “milagre” econômico, para ritmo de desenvolvimento mais normal – o crescimento arrefece, a inflação sobe, o upgrade das indústrias é acelerado e os ciclos econômicos tornam-se mais dramáticos.

Estimular o consumo interno na China é uma das políticas chaves do governo chinês, para reequilibrar a economia. Mas, segundo as estatísticas oficiais, a relação consumo/PIB caiu persistentemente, de 62% em 2000, para 47% em 2010, o que aponta para grave falha naquelas políticas.

Ainda mais surpreendente é a crescente diferença entre o crescimento das vendas no varejo e o crescimento do consumo em anos recentes. O fato de que o varejo relativo ao consumo cresça cada vez mais rapidamente que o consumo total indica a fragilidade relativa dos componentes do consumo relacionados à venda no varejo. Essa fragilidade concentra-se, sobretudo, no setor chinês de serviços. Mas contraria o senso comum, dado que, normalmente, a demanda por bens de serviço é mais elástica que a demanda por outros bens de consumo.

O Serviço Nacional Chinês de Estatísticas extrai dados de consumo, de pesquisa por domicílios. Se a renda das famílias foi gravemente subestimada, como vários estudos sugerem que tenha acontecido, é perfeitamente possível que o consumo das famílias também tenha sido gravemente subestimado, como, igualmente, as taxas de crescimento em geral.

Um recálculo da proporção PIB/consumo na China, que leva em conta essas distorções, sugere que essa proporção caiu, na China, na realidade, de 64% (as estatísticas oficiais falam de apenas 62%) em 2000, para 50% (oficialmente, 48,4%) em 2008, mas então subiu para 54% (oficialmente, 47%) em 2010.

O que teria provocado a melhora?

Há fortes argumentos que levam a pensar que as duas coisas, o “crescimento milagroso” da China e os desequilíbrios na economia durante o período das reformas no país, podem ser atribuídas a amplas distorções no fator mercados. Essas distorções em geral reprimem o fator custos e, portanto, operam como os subsídios dados a produtores, investidores e exportadores. E, ao mesmo tempo, também pesam sobre as famílias.

Assim se explicam, ao mesmo tempo, o crescente predomínio de investimentos e exportações no crescimento chinês, e o enfraquecimento do consumo na década passada. Isso implica que o fator chave para reequilibrar a economia chinesa é liberalizar cada vez mais os mercados e remover as distorções que pesam sobre os custos.

Vários fatos sugerem que o clima para maior consumo já começou a melhorar em anos recentes. Parece ter sido acionado, sobretudo, por mudanças no fator custos e lucros, mas, mas importante, as mudanças acontecem e se observam em amplas respostas naturais dos mercados, não em deliberados ajustes das políticas. O governo, sim, tomou medidas para reformar os mecanismos de preços para o fator mercados [2], sobretudo nos preços da energia e do câmbio. Mas rápido crescimento dos salários e papel maior atribuído a juros de mercado ainda são as mudanças mais significativas.

Embora o Banco do Povo da China não tenha tomado medidas concretas para liberar a taxa de juros, as medidas de mercado já começam a desempenhar papel cada vez mais importante na intermediação financeira na China. Mudanças em ambos, no mercado de capitais e no mercado de trabalho estão tendo impacto positivo no consumo, por, no mínimo, duas vias. Primeiro, elas aumentam a renda das famílias, e, ao mesmo tempo reduzem os ‘subsídios’ a empresas chinesas. E, segundo, os aumentos nos salários e os juros facilitados para famílias de baixa renda, promovem melhor distribuição da riqueza.

Essa análise foi recebida com ceticismo e desconfiança

Alguns críticos argumentaram que a venda a varejo não é parâmetro aproveitável para aferir demanda de consumo, porque os números da China têm de incorporar o atacado e os negócios dos quais o estado participa. Mas os números do varejo chinês não incluem negócios de atacado, e a análise não usa a venda a varejo como parâmetro para aferir consumo.

Outros fazem objeções a essa análise, porque a moeda chinesa subvalorizada, o baixo crescimento dos salários e a repressão dos juros não dão sinal de qualquer mudança – e esses são fatores que pesam crucialmente sobre o aumento de renda das famílias.

Mas a queda no superávit comercial, a diminuição das reservas e discussões ocasionais sobre a moeda depreciada, com a  desvalorização do renminbi, estão sendo significativamente corrigidas para baixo. De fato, os salários estão crescendo mais depressa e, embora não haja muitas mudanças nos juros controlados, a proporção da intermediação financeira entregue à flutuação dos juros de mercados aumentou muito. Essas são, exatamente, os tipos de mudanças que estão levando a um reequilibramento da economia e a uma recuperação do consumo na China.

Todos os números sobre a queda do consumo na China são distorcidos para cima, e a culpa disso é, em parte, das estatísticas oficiais.

A verdade, de fato, parece ser o contrário: o consumo na China já começou a crescer.



Notas dos tradutores
[1] e [2] 6/2/2012, EASTASIAFORUM, Chinese economic reform, full front and centre

terça-feira, 8 de maio de 2012

O ataque de O Globo à blogosfera



Em editorial publicado hoje (08/05/2012), O Globo, no afã de defender sua comparsa de denúncias e factóides, a revista Veja, sobe o tom dos ataques da mídia corporativa contra a blogosfera (leia reprodução comentada no blog da Maria Frô).

A peça, que vem com as digitais do “imortal” Merval Pereira, intitula-se “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, e é nosso dever admitir que, ao menos no título, está certa. Com efeito, o megaempresário proprietário do jornal sensacionalista News of the World é acusado tão-somente de grampear meio mundo no Reino Unido, enquanto as acusações que pesam sobre a publicação de Civita são muito mais sérias, pois - como aponta Luis Nassif - “A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública”.

Quem te viu, quem te vê: O Globo, um jornal sempre tão sensível às denúncias de corrupção, agora que a casa cai descarta como insignificante o envolvimento de Veja com o maior contraventor de nossos dias...

Folha corrida

Em post histórico, Nassif, que tem o mérito indiscutível de ter revelado com grande antecedência o grau de perversidade das práticas de Veja - sofrendo retaliações judiciais e ataques a sua família - elenca nada menos do que nove suspeitas "que necessitam de um inquérito policial para... Continue lendo è

DE IDIOTAS E CANALHAS


Raul Longo no Sambaqui

Enviado por Raul Longo em 8/5/2011


Ninguém pode nem deve se considerar um idiota apenas por acreditar nas mentiras da mídia brasileira. Afinal, os veículos da mídia, em tese, deveriam ser meios de informação, como acontece em países onde esses meios são obrigados a respeitar marcos regulatórios. Se aqui no Brasil enganam e enganaram o público, aqueles que foram enganados não tem culpa disso. Não podem ser considerados idiotas por terem acreditado em canalhas que se apresentam como informantes de fatos e divulgam mentiras.

Quem, pela internet, divulgou sua indignação pelo “Mensalão”, não tem culpa de ter acreditado naquela armação da mídia.

Quem, pela internet, denegriu o José Dirceu, não tem culpa de ter condenado uma vítima da mídia. Quem usou de seu computador para ajudar a mídia a difamar o José Genoíno, também não.

Nem mesmo aqueles que distribuíram as mentiras que recebiam pela internet sobre a fazenda do filho do Lula. Os que acreditaram que o PT recebia dólares de Cuba e em todas as outras mentiras que a mídia divulgou sobre a equipe do governo Lula.

Apesar do absurdo, até ridículo, não dá para se considerar como idiotas nem aqueles que distribuíam pela internet um tal documento do FBI ou CIA ou Pentágono sobre projeto de golpe de Lula para instaurar-se como ditador.

Não... Esses não foram idiotas. Muito ingênuos, é verdade. Um tanto preguiçosos para raciocinar, talvez. Uma certa incapacidade de percepção, sim, mas considerá-los idiotas é exagero.

São mais é vítimas de grupos que pretendiam desestabilizar o governo Lula e continuam pretendendo desestabilizar o governo Dilma para voltar a explorar esses mesmos que acreditaram em todas as mentiras que lhes foram contadas. Tantas que em algum momento deveriam ter começado a desconfiar, a enxergar a realidade... Mas é aquela história, repete-se a mesma mentira tantas vezes que até se convence os menos atentos.

Aqueles que pela internet divulgavam ofensas à Dona Marisa e se referiam a Lula como “apedeuta”, pelo preconceito demonstrado chegavam bem próximo à idiotia, é verdade. Sim, preconceito é coisa de idiota mesmo, mas há de se considerar que foram induzidos a esses preconceitos, estimulados para isso. Muitos já tinham uma certa predisposição para assimilar o preconceito porque para alguns é mesmo duro ter de reconhecer que apesar de ter cursado anos e anos de estudo escolar e do privilégio de ter podido estudar, não conseguiu desenvolver nem um quarto da metade da inteligência de outro que não teve a mesma oportunidade. Difícil mesmo ter de reconhecer que apesar de nunca ter se diplomado em coisa alguma, aquele é o brasileiro que mais recebeu título de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo.

Então, convenhamos, esses que há tantos anos vêm distribuindo todos os preconceitos que lhes foram incutidos, que usaram a internet para promover mentiras, e que acreditaram nas tantas falsas informações inventadas e divulgadas pela mídia brasileira, não são propriamente idiotas.

Daqui pra frente, se continuarem acreditando na mídia, claro! Afinal, quem cai no golpe do bilhete premiado a primeira vez, é apenas um ingênuo. Já quem cai no mesmo golpe outra vez, sem dúvida é um rematado idiota.

E aquele que já caiu, mas ao ver outro entrando na mesma conversa não o avisa? Não alerta para evitar que se faça outra vítima? Esse é o quê?

Esse é tão canalha quanto o golpista. E como não está ganhando nada com isso, é ainda pior do que o golpista! Pois o golpista é apenas um canalha, mas o que não avisa, além de canalha é idiota, pois não ganha nada com isso, mas ajuda o canalha a explorar e a mentir para outros.

Daí que ofereço a oportunidade destes links para aqueles que espalharam pela internet as mentiras produzidas pelos golpistas da mídia. É a oportunidade que precisam para demonstrar aos mesmos correspondentes aos quais distribuíram as velhas mentiras que, apesar de ingênuos, não foram idiotas. E muito menos canalhas.  

Sem dúvida, entre os que receberem essa oportunidade que aqui ofereço, haverão os que não vão querer demonstrar que ajudaram a divulgar mentiras nem reconhecer que foram enganados. E não vão distribuir para ninguém.

Esses coitados são tão idiotas que sequer conseguem atinar para o fato de que os links aqui distribuídos são de notícias já amplamente divulgadas e na verdade não estarão informando novidade alguma. E perderão a oportunidade de provar para seus correspondentes que não são canalhas, sendo.

“Links” extraídos do sítio Anais Políticos:


Clique aqui para ouvir Demóstenes e Cachoeira  tramando pilantragens com a ajuda da Veja.
Clique aqui para ver a Globo cortando o discurso de Dilma quando ela falava de Vargas, Jango e Brizola.
Clique aqui para saber quem é o Judas curitibano.
Clique aqui para assistir Dilma chamando os bancos na chincha.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O golpe da informação


Historiador a serviço da CIA revela como ideias e recursos dos Estados Unidos seduziram a imprensa brasileira nos anos 1950 e semearam o golpe de 1964




Publicado em 20/04/2012




Há 48 anos, quando o Brasil vislumbrava reformas constitucionais necessárias a seu desenvolvimento, os Estados Unidos financiaram e orientaram o golpe militar. E interromperam uma vez mais um projeto nacional proposto em 1930 por Vargas.

Os acadêmicos podem construir teses sofisticadas sobre a superioridade dos países nórdicos para explicar o desenvolvimento da Europa e dos norte-americanos e as dificuldades dos demais povos em acompanhá-los, mas a razão é outra.

Com superioridade bélica, desde sempre, impuseram-se como conquistadores do espaço e saqueadores dos bens alheios, os quais lhes permitiram o grande desenvolvimento científico e militar nos séculos 19 e 20 e sua supremacia sobre o resto do mundo.

Podemos ver a origem do golpe de 1964 mais próxima uma década antes.

Em 1953, diante da resistência de Getúlio, que quis limitar as remessas de lucros e criou a Petrobras e a Eletrobrás para nos dar autonomia energética, a ação “diplomática” dos Estados Unidos cercou o governo.

Com o aliciamento de alguns jornalistas e dinheiro vivo... Continue lendo è

terça-feira, 10 de abril de 2012

A mídia que torce pela morte de Chávez




Publicado em 10/04/2012 por *Mário Augusto Jakobskind

Acompanhar o noticiário dos jornalões brasileiros e latino-americanos sobre a Venezuela e em especial a doença do Presidente Hugo Chávez acaba se tornando um exercício sobre a mídia. Serve para o mundo acadêmico elaborar teses que ajudariam aos futuros profissionais de imprensa a refletir o conceito de parcialidade e imparcialidade.

Cerca de 19 milhões de eleitores poderão votar para Presidente no próximo dia 7 de outubro. O “poderão” fica condicionado a vontade de cada um, porque o voto por lá não é obrigatório. Neste momento, em plena pré-campanha, as atenções se voltam para o tratamento que o Presidente Chávez está se submetendo em Cuba.

Até bem pouco tempo, o noticiário da doença vinha de Miami através de fontes como Roger Noriega, um funcionário do Departamento de Estado norte-americano que há um ano prevê a morte do líder da Revolução Bolivariana, que estará se submetendo a décima sétima eleição desde que foi escolhido presidente em 1998.

De algumas semanas para cá, o Brasil substituiu Miami, cujo filme está queimado. As agências de notícias geralmente começam os informes assinalando que “segundo o jornal brasileiro O Globo” e também “segundo o jornalista brasileiro Merval Pereira”. O complemento tem sido sempre a indução da notícia segundo a qual Chávez está muito mal com metástese e pode não resistir a campanha eleitoral.

De vez em quando surge como “informante” o jornalista Nelson Bocaranda, muito familiarizado entre grupos anticastristas de Miami, para dizer que Chávez vai fazer isso e aquilo, mas poucas previsões se confirmam.

No último comentário de Merval Pereira, com base em Bocaranda, o leitor fica, na prática, com a certeza de que Chávez está nas últimas. O jornalista tinha anunciado também que o Presidente venezuelano viria para o Brasil continuar o tratamento contra o câncer no hospital Sírio-Libanês de São Paulo, fato desmentido menos de 24 horas depois da revelação de Merval Pereira, que de quebra ainda “informou” que o tratamento em Cuba foi mal feito etc. e tal.

Há informações nos bastidores que o jornalista brasileiro está inserido em um esquema internacional que visa exatamente induzir os leitores dos mais variados quadrantes a acreditar que não adianta votar em Chávez porque ele está nas últimas.

A direita internacional, capitaneada pelo Departamento de Estado norte-americano sabe perfeitamente que o seu candidato, Capriles Radowsky, não tem condição de reverter o quadro de vitória de Chávez e que a estratégia que lhe resta é exatamente a que está sendo colocada em prática e vem sendo executada com a ajuda de Merval Pereira, o jornalista que, na prática, virou um setorista da doença de Chávez, só que com base em informações distorcidas.

De modo geral o noticiário demonstra claramente a vontade do jornalista de que Chávez morra o mais rápido possível. Não se está fazendo jornalismo, mas sim uma estratégia que se põe a serviço de uma causa, exatamente a de impedir a continuidade de um processo de transformação em curso na Venezuela e com reflexos em toda a América Latina.

É preciso deixar claro o seguinte: a eleição na Venezuela é fundamental para o atual momento latino-americano. Uma vitória consagradora de Chávez, como até agora indicam as pesquisas, representará o avanço no processo de transformação em todo o continente. Já uma vitória do esquema Capriles Radowsky & Departamento de Estado norte-americano significaria um retrocesso

A direita venezuelana mudou de estratégia e procura apresentar Capriles Radowsky não mais como o extremista que sempre foi, inclusive militante do grupo de direita católico Tradição, Família e Propriedade (TFP), apoiador incondicional da frustrada tentativa de golpe de abril de 2002, inclusive com participação direta no cerco à embaixada cubana em Caracas.

Na tentativa de mudança de imagem, como se sabe, dois marqueteiros do governador Sergio Cabral foram contratados para cuidar da imagem de Capriles, apresentado agora como seguidor de Luis Inácio Lula da Silva, que restabelecido da doença deverá participar, em Caracas, em julho, da reunião do Fórum de São Paulo, o organismo político que reúne os partidos de esquerda da América Latina. Lula deverá confirmar seu apoio a Chávez.  

Este sinteticamente é o quadro atual da pré-campanha eleitoral venezuelana. Não será nenhuma surpresa se figuras como Fernando Henrique Cardoso e outros políticos do gênero forem acionados pelos marqueteiros de Radowsky, sobretudo depois da declaração de apoio de Lula a Chávez. Não será nenhuma surpresa também que qualquer dia destes o candidato da direita apareça no Brasil, quem sabe a convite do Instituto Millenium.

O ex-presidente brasileiro (FHC) esteve recentemente em Caracas participando, juntamente com o ex-premier espanhol Felipe González e o ex-presidente chileno Ricardo Lagos de debate sobre os rumos da economia mundial. Os três mencionados são responsáveis em seus países por modelos econômicos que - para ser mais suave - deixaram a desejar.

González, socialista, não se diferenciou em seu governo em termos concretos dos partidos defensores de estratégias neoliberais, como o direitista Partido Popular, de José Maria Aznár e do atual chefe do governo espanhol Mariano Rajoy. Lagos, no Chile, levou adiante o esquema da chamada Concertación, que não conseguiu mudar a política neoliberal iniciada pelo ditador Augusto Pinochet.

Depois de esgotado o modelo da Concertación, o Chile hoje está às voltas com Sebastián Piñera, o presidente que também não se difere muito do esquema anterior, mas com o agravante de ter ressuscitado companheiros de Pinochet e de ter servido ao ditador.

Fernando Henrique Cardoso é conhecido por estas bandas como defensor do Estado mínimo, embora em seus artigos dominicais nos jornalões tente induzir os leitores a pensar ser ele um político moderno.

E, para finalizar, aqui no Brasil seguem os reflexos da manifestação realizada no último dia 29 em frente ao Clube Militar. Nos sites de seguidores do ideário da época da Guerra Fria, um deles o coronel Brilhante Ulstra, militares da reserva, utilizando-se da mesma estratégia dos serviços de inteligência da ditadura, estão apresentando as imagens de jovens considerados por eles como responsáveis pela manifestação com fotos e os ameaçando de processo pelo “crime” de se exprimirem contra quem comemorava o golpe de 1º. de abril de 64.

Ah, sim: um dos palestrantes no Clube Militar foi o jornalista Aristóteles Drumond, citado na página 229 do livro de René Dreifuss “A Internacional Capitalista – Estratégia e Táticas do Empresariado transnacional 1981-1986” como responsável por levar ao Chile dinheiro e armas para o grupo extremista Patria y Libertad, que conspirava contra o governo de Salvador Allende.

Este é o nível dos que comemoravam no Clube Militar o golpe contra Jango.

*Mário Augusto Jakobskindé correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação