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sábado, 2 de junho de 2012

O reequilibramento do consumo na China já está em andamento


12/2/2012, Yiping Huang, Universidade de Pequim, East Asia Fórum
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também:
1/6/2012, redecastorphoto, Grupo de Bilderberg 2012: a lista - Começou a reunião do Grupo Bilderberg, em Chantilly, Virgínia, EUA
15/3/2010, Yiping HuangEASTASIAFORUM em: Krugman’s Chinese renminbi fallacy(em inglês) 

Nota do Coletivo da Vila Vudu: Lemos de cabo a rabo a lista dos militantes do tal grupo terrorista Bilderberg-2012 (endereço acima) – que vai, da rainha da Bélgica a Paul Zoelick, além de zilhões de jornalistas, alguns na função declarada de redatores de relatórios da reunião do grupo terrorista de Bilderberg-2012, outros, na função não declarada de repetidores das opiniões dos mesmos relatórios.

Não há evidência mais clara do que seja a tal “imprensa livre” em 2012: Le Monde, The Economist etc. estão, todos, representados em Chantilly, Virginia, 2012, além de zilhões de “institutos”, “consultorias”, “think-tanks” e o escambau, cujos intelectuais-profissionais vivem de escrever... para a “imprensa livre”, que é livre só para eles escreverem.

Um único nome realmente nos interessou, dentre aqueles magotes de terroristas que, classificados por tipos e traduzidos ao português do Brasil, vão, de legiões de mendoncinhas-da-Consultoria-Tendências e sergiosfaustos-dos-Instituto FHC & CEBRAP & USP, a legiões de joelmiresbettings & sardembergs & miriansleitões, e não passam disso, além dos reis da Holanda & Bélgica de sempre, tão irrelevantes quanto hors concours.

O único nome que realmente nos interessou naquela (longa) lista é Yiping Huang, o chinês.

Logo descobrimos que Yiping Huang é professor de Economia na Universidade de Pequim. É também economista-chefe para a Ásia, do Banco Barclays de Hong Kong; e é co-autor do relatório “A Grande Onda de Upgrade do Consumo na China” (jan. 2012).

Dado que artigos dos paulszoelicks do mundo, os editoriais do Le Monde e opiniões de The Economist são facilmente acessíveis no Brasil como vozes do grupo terrorista Bilderberg-2012, porque são caninamente traduzidos e reproduzidos sem-tirar-nem-por na “imprensa livre” no Brasil-2012, e dado que o rei da Bélgica e a rainha da Holanda são, ao que se suspeita, analfabetos crônicos, decidimos saber o que escreve, no mundo, o tal professor chinês – e único ser cuja opinião nos interessou, dentre os presentes à reunião, em curso, do grupo terrorista Bilderberg-2012.

O chinês-lá é especialista em upgrade do consumo (além de especialista em banking).

É provável que a rainha da Holanda, o rei da Bélgica, todos aqueles jornalistas de aluguel e outros subalternos, além dos trocentos subsubalternos de banqueiros lá presentes estejam, nesse momento, disputando a murros um lugarzinho na mesa, perto do chinês-lá.

Nós, aqui, oferecemos, grátis, uma amostrinha do que o chinês-lá sabe e talvez (mas ele ainda não decidiu tentar) explique aos panacas do grupo terrorista Bilderberg-2012, os quais, claro, não aprenderão é po**a nenhuma. Como sempre. O chinês manda dizer que lá está para ouvir, mais do que para falar.

A tradução que aí vai não é tradução feita por economista e, sim, pode conter imprecisões e erros – que aí vão, livres e leves, em busca de quem os corrija.

Em todos os casos, o que aí se lê, com erros de tradução que haja, e tudo, é e sempre será MUITO mais aproveitável que TUDO que Le Monde/O Estado de S.Paulo, Rede Globo, Folha de S.Paulo e revista (NÃO)Veja algum dia publiquem sobre os mesmos temas, nesse Brasil-2012 desgraçado pelos jornais e jornalismo que há aqui.

Professor Yiping Huang em Conferência na Austrália
A comunidade internacional, particularmente os políticos e planejadores norte-americanos, tem grandes expectativas quando à contribuição que a China pode dar à recuperação da economia global, pelo reequilibramento da economia chinesa mediante a promoção do consumo.

As autoridades chinesas aceitam amplamente essa prioridade e já implantaram várias medidas [1] para promover o reequilibramento do consumo.

Se se aproximam os dados oficiais e não oficiais, para construir quadro completo do consumo na China, veem-se alguns detalhes interessantes que mostram o quanto a China já andou na direção de impulsionar o consumo doméstico.

A relação consumo/PIB chineses foi provavelmente subestimada numa média de 3,1 pontos percentuais durante a década passada, quando declinou em ritmo constante, de 64% em 2000 para 50% em 2008, segundo estatísticas oficiais, com posterior recuperação até 54% em 2010.

Esses números podem significar que o longamente aguardado reequilibramento da economia chinesa já começou, sobretudo se se considera o agudo declínio no déficit comercial do país, de 7,5% do PIB em 2007, para 2,1% em 2011. Se essas mudanças continuarem, a economia chinesa poderá passar, de caso de “milagre” econômico, para ritmo de desenvolvimento mais normal – o crescimento arrefece, a inflação sobe, o upgrade das indústrias é acelerado e os ciclos econômicos tornam-se mais dramáticos.

Estimular o consumo interno na China é uma das políticas chaves do governo chinês, para reequilibrar a economia. Mas, segundo as estatísticas oficiais, a relação consumo/PIB caiu persistentemente, de 62% em 2000, para 47% em 2010, o que aponta para grave falha naquelas políticas.

Ainda mais surpreendente é a crescente diferença entre o crescimento das vendas no varejo e o crescimento do consumo em anos recentes. O fato de que o varejo relativo ao consumo cresça cada vez mais rapidamente que o consumo total indica a fragilidade relativa dos componentes do consumo relacionados à venda no varejo. Essa fragilidade concentra-se, sobretudo, no setor chinês de serviços. Mas contraria o senso comum, dado que, normalmente, a demanda por bens de serviço é mais elástica que a demanda por outros bens de consumo.

O Serviço Nacional Chinês de Estatísticas extrai dados de consumo, de pesquisa por domicílios. Se a renda das famílias foi gravemente subestimada, como vários estudos sugerem que tenha acontecido, é perfeitamente possível que o consumo das famílias também tenha sido gravemente subestimado, como, igualmente, as taxas de crescimento em geral.

Um recálculo da proporção PIB/consumo na China, que leva em conta essas distorções, sugere que essa proporção caiu, na China, na realidade, de 64% (as estatísticas oficiais falam de apenas 62%) em 2000, para 50% (oficialmente, 48,4%) em 2008, mas então subiu para 54% (oficialmente, 47%) em 2010.

O que teria provocado a melhora?

Há fortes argumentos que levam a pensar que as duas coisas, o “crescimento milagroso” da China e os desequilíbrios na economia durante o período das reformas no país, podem ser atribuídas a amplas distorções no fator mercados. Essas distorções em geral reprimem o fator custos e, portanto, operam como os subsídios dados a produtores, investidores e exportadores. E, ao mesmo tempo, também pesam sobre as famílias.

Assim se explicam, ao mesmo tempo, o crescente predomínio de investimentos e exportações no crescimento chinês, e o enfraquecimento do consumo na década passada. Isso implica que o fator chave para reequilibrar a economia chinesa é liberalizar cada vez mais os mercados e remover as distorções que pesam sobre os custos.

Vários fatos sugerem que o clima para maior consumo já começou a melhorar em anos recentes. Parece ter sido acionado, sobretudo, por mudanças no fator custos e lucros, mas, mas importante, as mudanças acontecem e se observam em amplas respostas naturais dos mercados, não em deliberados ajustes das políticas. O governo, sim, tomou medidas para reformar os mecanismos de preços para o fator mercados [2], sobretudo nos preços da energia e do câmbio. Mas rápido crescimento dos salários e papel maior atribuído a juros de mercado ainda são as mudanças mais significativas.

Embora o Banco do Povo da China não tenha tomado medidas concretas para liberar a taxa de juros, as medidas de mercado já começam a desempenhar papel cada vez mais importante na intermediação financeira na China. Mudanças em ambos, no mercado de capitais e no mercado de trabalho estão tendo impacto positivo no consumo, por, no mínimo, duas vias. Primeiro, elas aumentam a renda das famílias, e, ao mesmo tempo reduzem os ‘subsídios’ a empresas chinesas. E, segundo, os aumentos nos salários e os juros facilitados para famílias de baixa renda, promovem melhor distribuição da riqueza.

Essa análise foi recebida com ceticismo e desconfiança

Alguns críticos argumentaram que a venda a varejo não é parâmetro aproveitável para aferir demanda de consumo, porque os números da China têm de incorporar o atacado e os negócios dos quais o estado participa. Mas os números do varejo chinês não incluem negócios de atacado, e a análise não usa a venda a varejo como parâmetro para aferir consumo.

Outros fazem objeções a essa análise, porque a moeda chinesa subvalorizada, o baixo crescimento dos salários e a repressão dos juros não dão sinal de qualquer mudança – e esses são fatores que pesam crucialmente sobre o aumento de renda das famílias.

Mas a queda no superávit comercial, a diminuição das reservas e discussões ocasionais sobre a moeda depreciada, com a  desvalorização do renminbi, estão sendo significativamente corrigidas para baixo. De fato, os salários estão crescendo mais depressa e, embora não haja muitas mudanças nos juros controlados, a proporção da intermediação financeira entregue à flutuação dos juros de mercados aumentou muito. Essas são, exatamente, os tipos de mudanças que estão levando a um reequilibramento da economia e a uma recuperação do consumo na China.

Todos os números sobre a queda do consumo na China são distorcidos para cima, e a culpa disso é, em parte, das estatísticas oficiais.

A verdade, de fato, parece ser o contrário: o consumo na China já começou a crescer.



Notas dos tradutores
[1] e [2] 6/2/2012, EASTASIAFORUM, Chinese economic reform, full front and centre

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Manipular a realidade é atacar a democracia


21/2/2012, *Lawrence Davidson, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido na Vila Vudu: Fato é que os norte-americanos médios são MUITO dignos de pena.
É como se os coitados vivessem dia e noite sob as metralhadoras de trocentas redesglobo! Quem pensar que a Folha de S.Paulo é o pior jornal do mundo, não conhece o New York Times, o Wall Street Journal!
(E os americanos médios, aqueles infelizes, sempre ameaçados de serem mandados morrer à-toa no Vietnã, no Iraque, do Afeganistão, no Paquistão, no Irã...)

*Lawrence Davidson
Em meados de fevereiro, alguns dos principais comandantes da inteligência dos EUA compareceram ante a Comissão de Inteligência do Senado para apresentar seu relatório anual sobre “ameaças mundiais atuais e futuras” à segurança nacional dos EUA. Depuseram naquela Comissão, dentre outros, o diretor da CIA David Petraeus, o Diretor da Inteligência Nacional James Clapper, o diretor da Agência de Inteligência da Defesa tenente-general Ronald Burgess e o diretor do FBI Robert Mueller.

O que disseram sobre o que é e não é ameaça real aos EUA e a reação dos senadores daquela Comissão revelou-se exercício de pensamento unidimensional. O que é fato? Ora, o que concorde com o ponto de vista deles. Aqui, dois exemplos daqueles depoimentos:

1. Sobre o “inimigo interno” – Indivíduos renegados que operam “dentro das fileiras” da comunidade de inteligência e das forças armadas são hoje grave ameaça à segurança dos EUA. Segundo o tenente-general Burgess, são “lobos solitários autorradicalizados”  [1]. Falou sobre “vazamentos massivos pelo site WikiLeaks”. 

Todos os presentes envolvidos naquelas audiências concordaram, mesmo sabendo que é ideia baseada no pressoposto duvidoso, mas não questionado, de que o comportamento das forças do governo dos EUA seria modelo de comportamento aceitável normal de militares e agentes de inteligência. Os que trabalham para o governo, mas consideram inaceitável esse comportamento, os que o veem de fato como traição criminosa contra toda a decência humana, e, por isso, trabalham contra aquela pré-condenação, são perigos “autorradicalizados” à segurança nacional.

Mas e se o apoio a regimes opressores e racistas, a invasão de outros países baseada em mentiras, a matança de milhares e mais milhares de civis e o uso oficial de tortura e da prática das “entregas excepcionais” [prisioneiros entregues pelos EUA a outros governos, para serem torturados] for considerado comportamento radical e inadmisível? Nesse caso, os que denunciem esse extremismo não poderiam ser vistos como radicais. Seriam campeões da normalidade mais racional, seriam os heróis dos tempos que vivemos.

Entendo que se trate exatamente disso. A busca em que os EUA se empenham hoje por alegados interesses nacionais está sendo conduzida por uma gangue metida em ternos caros, que tomaram para eles a tarefa de definir como radicais os heróis cidadãos que denunciam aquela gangue e fatos conhecidos de muitos. A gangue teme que mais e mais norte-americanos vejam afinal a natureza bárbara das políticas da gangue e levantem-se contra ela e a acusem. Então, para impedir que assim seja, a gangue criminaliza (e demoniza) os que veem e dizem a verdade.

O Diretor da Inteligência Nacional (DIN) dos EUA, James Clapper
conversa com o Presidente Barack Obama no Salão Oval da Casa Branca.
Crédito da foto: Gabinete do DIN
2. A ameaça iraniana – Segundo James Clapper, diretor da Inteligência Nacional, “apesar do alarido que cerca os movimentos do Irã em busca de tecnologia nuclear, é baixa a probabilidade de os líderes iranianos desenvolverem armas nucleares, se não forem atacados”. E, além disso, disse também Clapper, “dificilmente os iranianos iniciarão ou provocarão intencionalmente um conflito”. 

Como os senadores da Comissão de Inteligência receberam essa opinião de especialista? A maioria deles recusou-se a acreditar, fazendo eco ao que a maioria do Congresso diz e praticamente toda a imprensa dos EUA repete. A norma, nesse caso, é a que o Sen. Lindsey Graham, Republicano da Carolina do Sul respondeu a “Pessoalmente, estou convencido de que os iranianos estão a caminho de desenvolver uma bomba atômica”. 

Calma lá! Isso, só o senhor e sua gangue, Sen. Graham. Como?! O senhor e sua gangue não vivem dizendo que os Serviços de Inteligência dos EUA são os melhores do mundo e sabem do que estão falando? E, de repente, o senhor não acredita no que dizem?! Por que não?! Que outras fontes de informação os senhores têm sobre o Irã, que os autoriza a dizer o que dizem? E é fonte mais confiável de informação que a CIA, a DIA, a NSA, etc.?

Ah! É o lobby sionista! A fonte de informação de Graham e dos senadores que o seguem, sobre qualquer coisa que tenha a ver com Israel (e assunto iraniano é caso exemplar, sempre, da paranóia dos israelenses) é a cartilha das declarações do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee).

Esses políticos jamais discordarão desse lobby, nem quando o que dizem contradiz o que diz a inteligência dos EUA. Isso, porque o lobby contribui com dinheiro para suas campanhas eleitorais e ameaça impedir que se reelejam, se os senadores não obedecerem. A comunidade de inteligência dos EUA simplesmente não consegue fazer-se ouvir, contra o lobby.

Assim, mais uma vez, somos todos obrigados a ouvir “notícias” construídas para apoiar as ideias de um grupo. O que significa ser um perigoso “radical”? Ser um perigoso “radical” é denunciar os crimes do governo. E o que é “fato”, quando se trata de Irã? “Fato” será o que o comitê que financia a reeleição de um senador decida que seja “fato”.

E o que é “fato” para o resto dos norte-americanos?

Fato é o que cremos e vemos. E, em vários sentidos importantes, nós sabemos dos fatos. Sabemos que se alguém pula da janela de um prédio, a lei da gravidade cobra seu preço. Em termos gerais, muitos de nós conhecemos os fatos que nos cercam no ambiente imediato no qual vivemos todos os dias. O que quero dizer com isso?

Vivemos a vida de todos os dias em ambiente relativamente limitado, local. Nesse espaço temos experiências diretas, interativas, diárias, a partir das quais conseguimos saber razoavelmente o que esperar. Nossas experiências têm bom valor preditivo. Se alguém aparece dizendo sandices – que quem vive na cidade vizinha está fabricando uma bomba atômica que usará para nos explodir – sabemos imediatamente que é sandice, loucura.

Mas e quando nos falam de gente que vive longe? Quem de nós conhece o Irã, quantos viveram lá, quantos conversam com iranianos? Nada, na nossa vida diária, nos habilita a emitir julgamentos sobre o que é real é o que não é real, do que se passa por lá.

Fazemos o quê, nesse caso? Em geral, vivemos como se aqueles lugares distantes não existissem, a menos que haja motivo próximo para crer que o que aconteça por lá venha a ter algum impacto em nossas vidas. Para isso, muitos de nós confiam cegamente nos que nos são apresentados como “especialistas”: praticamente sempre são funcionários do estado ou “especialistas” de mídia, “cabeças falantes”.

Aí pode haver um grave problema. O que assegura que sejam especialistas e mereçam confiança? Como se pode saber que aqueles “especialistas” do governo ou da imprensa não trabalham por agendas próprias que nunca nos são expostas e que modelam todos os seus julgamentos? Como sugerem os dois exemplos acima, políticos eleitos também podem perfeitamente trabalhar a partir de pressupostos que, se olhados a frio, são pressupostos anti-humanos. Qualquer deles, aliado a interesses especiais e que jamais se vêem com clareza, é perfeitamente capaz de declarar que todas as informações dos Serviços de Inteligência dos EUA são falsas, não passam de bobagens. “Real” é o que já tinham na cabeça antes de os serviços de inteligência porem-se a trabalhar. E quanto a nós, os que dependemos, para viver, da nossa experiência diária, imediata, acreditaremos em quê, em quem? 

Quando não se consegue saber o que é fato e o que é opinião, o que é fato e o que é ficção, talvez possamos usar algumas regras simples, para assim forçar os políticos a agir de modo a minimizar (em vez de multiplicar por mil) os erros. Por exemplo, em caso de dúvida quanto a em quem ou em que acreditar, os cidadãos podemos começar por:

1. Duvidar sempre, o mais possível, em tudo que digam os políticos e a imprensa. Lembremos os últimos desastres, nos EUA (o maior dos quais foi a invasão do Iraque), quando o que nos diziam sobre o que seria “fato” não passou de mentiras e mais mentiras. Os cidadãos temos o dever, para conosco e para com nosso país, de buscar várias, muitas, fontes de informação.

2. Exigir que os políticos eleitos trabalhem a partir do melhor cenário possível, por mais que se preparem para o pior. Na maior parte das vezes, a opinião dos “especialistas” sobre o que seriam ameaças externas contra nós é opinião ideologicamente distorcida; muitas vezes é exagerada; muitas vezes, também, é simplesmente errada (por exemplo, o que tantos “especialistas” nos diziam sobre o Vietnã); ou é opinião que segue uma ou outra agenda específica, interesses especiais (por exemplo, no caso do Iraque, no caso do Irã e sempre que a imprensa fala sobre o “santificado” estado de Israel e o estado “terrorista” dos palestinos).

3. Exigir que, nas relações exteriores, tente-se primeiro e principalmente, a via diplomática. A guerra deve ser necessariamente o último recurso, recurso extremo, que poucos conhecem de perto e a maioria dos políticos só viu em livros ou no cinema. Se a conhecessem de perto, com certeza não seriam tão rápidos em mandar para o front, na imensa maioria das vezes, só os filhos dos outros.

4. Exigir punição exemplar aos que mintam sabendo que mentem e agridem leis internacionais e direitos humanos (como a Convenção de Genebra e as muitas leis que proíbem a tortura). Há várias boas razões para que aquelas leis existam. Atropelá-las é voltar ao estado de barbárie.

É estranho, mas nas democracias, os que não se empenhem nas discussões políticas, que não se esforcem para influenciar o curso dos acontecimentos, acabam por ser responsáveis por tudo que seus governos façam. É assim, porque, nas democracias, quem não participa abdica do direito potencial de atuar no mundo. 

Ninguém pode recolher-se completamente à existência privada. Quem o faça, logo verá que a gangue dos ternos caros ganha novas chances de o derrotar. E afinal, a gangue dos ternos caros lá estará, agindo também em nome dos que abdicam do direito de participar e influir.



Nota dos tradutores

[1] 7/2/2012, BBC, em: “'Lone wolf' terror threat warning


*Lawrence Davidson é professor de História na Universidade de West Chester, na Pensilvânia. É autor de: Foreign Policy Inc.: Privatizing America’s National Interest; America’s Palestine: Popular and Offical Perceptions from Balfour to Israeli Statehood; e Islamic Fundamentalism.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Guerra Global ao Terror: o Placar


Da libertação ao assassinato, em três rápidosrounds

19/2/2012, Andrew J. Bacevich, Tom Dispatch
From Liberation to Assassination in Three Quick Rounds
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Andrew J. Bacevic
Com os EUA já bem entrados na segunda década do que o Pentágono chama agora, para modernizá-la, de “era de conflito persistente”, a “Guerra Antes Conhecida Como Guerra Global ao Terror” (sigla não oficial: GACGGT) parece cada vez mais fragmentada e difusa. Sem vitória e pouco interessados em reconhecer a derrota, os militares dos EUA retiraram-se do Iraque. Agora, tentam retirar-se do Afeganistão, onde os fatos teimam em não permitir que se veja lá qualquer resultado positivo. 

Em outros pontos – no Paquistão, na Líbia, no Iêmen e Somália, por exemplo – as forças dos EUA trabalham empenhadamente para abrir novos fronts. Relatórios divulgados que informam que os EUA estão fixando “uma constelação de bases secretas de aviões-robôs, os drones, no, ou próximas do, Chifre da África, e na Península Arábica, sugerem que o âmbito das operações só fará crescer. Em matéria de primeira página, o New York Times [1] descreveu planos para “dar mais espessura” [orig. “thickening”] à presença global das forças de operações especiais dos EUA. Planos acelerados na Marinha, para converter um envelhecido veículo anfíbio em “base avançada flutuante” – uma plataforma móvel de lançamento, tanto de ataques de comandos [2] como de operações de semeadura de minas [3] no Golfo Persa – só reforçam esse ponto. Mas, à medida que alguns fronts são fechados e outros são inaugurados, a narrativa da guerra vai-se tornando cada dia mais difícil de entender.  Quanto falta para que cheguemos ao equivalente a Berlim, do “formato” GACGGT? O que, exatamente, é o equivalente a Berlim, do “formato” GACGGT? Afinal, há aí algum roteiro discernível?

Observada em close-up, a “guerra” parece ter perdido forma e contornos. Mas, se nos afastamos um pouco, começam a aparecer padrões importantes. O que aqui se lerá, adiante, é uma tentativa de descobrir como está o placar da GACGGT, dividindo-se o conflito em três rounds de jogo. Embora talvez haja muitos outros rounds pela frente, eis o que os EUA já padecemos, até agora.

A era Rumsfeld 

Round: Libertação. Mais que qualquer outro personagem – mais que o próprio presidente – o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld dominou a cena nos primeiros estágios da guerra. Parecendo às vezes personagem maior que a vida – o “Secretário de Guerra” aos olhos de um fã clube neoconservador de adoradores (embora pouco confiáveis) – Rumsfeld dedicou-se à ideia segundo a qual, em batalha, a rapidez é a chave do sucesso. Jogou todo o seu peso a favor de uma versão norte-americana de blitzkrieg, “guerra relâmpago”. As forças dos EUA, repetiu com regularidade, eram mais inteligentes e mais ágeis que qualquer adversário. Empregá-las em táticas que tirassem vantagem dessas qualidades era vitória garantida. A imprensa cunhou, para designar esse conceito, a expressão “choque e pavor” [orig. “shock and awe”].

Ninguém cria mais apaixonadamente em “choque e pavor” que o próprio Rumsfeld. O projeto da “Operação Liberdade Duradoura” [orig. Operation Enduring Freedom], lançada em outubro de 2001, e a “Operação Liberdade para o Iraque” [orig. Operation Iraqi Freedom] iniciada em março de 2003, refletia aquela fé. Em todos os casos, a campanha teve início promissor, com as tropas dos EUA conseguindo acertar alguns golpes rápidos e impressionantes. Mas em nenhum caso, contudo, foram capazes de derrubar o oponente; nem sequer, de fato, de ver com clareza quem era o oponente. Desgraçadamente para Rumsfeld, os “terroristas” recusaram-se a jogar pelas regras de Rumsfeld, e as forças dos EUA mostraram ser menos inteligentes e ágeis do que faziam crer os seus equipamentos de alta tecnologia – e sua máquina de relações públicas pela imprensa. De fato, quando atacados por pequenos grupos de guerrilheiros ou enxames de jihadis, as forças dos EUA mostraram-se surpreendentemente lentas para entender quem, ou o quê, os atacara.

No Afeganistão, Rumsfeld deixou que a vitória lhe escapasse entre os dedos. No Iraque, o seu mau gerenciamento da campanha pôs os EUA face a face com completa derrota. O chefe de Rumsfeld sonhara com libertar (e, claro, dominar) todo o mundo islâmico, com uma série de golpes curtos e rápidos. Em vez disso, Bush obteve duas versões de uma longa, difícil, terrível campanha. Ao final de 2006, a “Choque e Pavor” estava acabada. Muito atrasado em relação ao resto do país e de todas as forças armadas, o presidente afinal perdeu a confiança nas teorias de seu secretário de Defesa. Resultado, Rumsfeld perdeu o emprego. O 1º Round chegou ao fim. Embaraçoso, mas os EUA perderam por pontos.

A era Petraeus 

Round: Pacificação. Entra em cena o general David Petraeus. Mais que qualquer outro personagem com ou sem uniforme, Petraeus dominou a segunda fase da GACGGT. O 2º round começou com baixas expectativas. Idos eram os tempos da conversa de libertação. Idas, também, as previsões de vitórias relâmpago. Os EUA já aceitavam acordo por muito menos, embora continuassem a declarar vitória. 

Petraeus apareceu com uma fórmula para restaurar um arremedo de ordem, oferecida a países já reduzidos a ruínas (resultado do 1º round). A ordem permitiria que os EUA conseguissem sair de lá, dando alguma impressão de que suas políticas tivessem alcançado alguns dos seus objetivos. Essa passou a ser a definição de trabalho, de “vitória”. 

Petraeus concebeu a palavra Contrainsurgência (abreviada, COIN), como nome formal da tal fórmula. Em vez de tentar derrotar o inimigo, a COIN visava a facilitar o parto de um estado-nação viável e estável. Foi esse o objetivo declarado da “avançada” [orig. “surge”] no Iraque ordenada pelo presidente George W. Bush no final de 2006. 

Com Petraeus no comando, a violência naquele país declinou verticalmente. Se esse efeito foi provocado, ou se foi pura coincidência [4] ainda não se sabe com certeza e discussão prossegue. Mesmo assim, o aparente sucesso de Petraeus convenceu alguns observadores de que a contrainsurgência numa escala global – GCOIN, como a chamavam – formaria doravante a base da estratégia nacional de segurança dos EUA. Eis ali, argumentavam, uma abordagem que conseguiria arrancar definitivamente os EUA, da GACGGT, com alguma espécie de vitória. Em vez de usar “choque e pavor” para libertar o mundo islâmico, as forças dos EUA aplicariam a doutrina da contrainsurgência para pacificá-lo.

A tarefa de comprovar a validade da teoria da COIN em áreas além do Iraque coube ao general Stanley McChrystal, nomeado com muito mais fanfarras, em 2009, para comandar as forças dos EUA e da OTAN no Afeganistão. Matérias de jornal celebraram McChrystal [5] como outro Petraeus, candidato ideal para repetir os sucessos já creditados ao “Rei David.” 

O reinado de McChrystal começou num momento em que Washington vivia tomada por um culto ao generalato. Em vez de a tecnologia ser o fator determinante do sucesso, como Rumsfeld acreditava, a chave era pôr no poder o general certo e deixar que ele comandasse. Figuras políticas dos dois lados do plenário apressaram-se a declarar que McChrystal era o general certo para o Afeganistão. Especialistas de todos os lados juntaram-se ao coro [6].

Uma vez instalado em Kabul, o general estudou a situação e, para surpresa de ninguém, anunciou [7] que “o sucesso exige uma ampla campanha de contrainsurgência”. Para implementá-la seria necessário outra “avançada” afegã, em tudo semelhante à que, como se supunha, teria virado o jogo no Iraque. Em dezembro de 2009, embora dando mostras de nenhum entusiasmo, o presidente Barack Obama acedeu [8] ao pedido (ou ultimato) de seu general-no-comando. Aumentou rapidamente o número de soldados dos EUA enviados para combater no Afeganistão.

Nesse ponto, as coisas começaram a dar para trás. O avanço na direção de reduzir a insurgência ou melhorar as capacidades das forças de segurança afegãs era – até nas avaliações mais generosas – praticamente zero.  McChrystal fez promessas [9] – como a de atender as necessidades básicas dos afegãos com “governo entregue numa caixa, pronto para funcionar” – que logo se mostrou absolutamente incapaz de cumprir. As relações com o governo do presidente Hamid Karzai permaneciam tensas. As relações com o vizinho Paquistão, que jamais haviam sido boas, só pioraram. Os dois governos manifestavam profundo desagrado [10] em face do que viam como comportamento insuportavelmente arrogante dos norte-americanos, que matavam ou feriam civis com incômoda frequência.

Para piorar, apesar dos elogios e muitas esperanças, a nomeação de McChrystal acabou por revelar-se gravemente errada: era o homem errado para o serviço. O que mais chamou a atenção, em McChrystal, foi a absoluta incapacidade de entender a necessidade de, no mínimo, fingir respeito [11] ao princípio constitucional segundo o qual quem manda nos militares é Washington, o poder civil. No verão de 2010, McChrystal já estava demitido. E Petraeus voltou à cena.

Em Washington (embora não em Kabul), a reputação superinflada de Petraeus fez crer que, com a estratégia de McChrystal de pacificação, o Afeganistão seria causa perdida. Com certeza absoluta o mais celebrado soldado de sua geração repetiria no Afeganistão a mágica que operara no Iraque, afirmando a própria grandeza e continuada viabilidade da COIN. 

Mas, infelizmente, não aconteceria. As condições no Afeganistão melhoraram durante o período de Petraeus – embora “melhoraram” nem seja a palavra certa – mas só muito modestamente. A guerra sem fim passou a ser o que qualquer um facilmente descreveria como “sem saída” [orig. guagmire]. Com considerável ânimo para simplificar as coisas, um relatório do próprio governo, o 2011 National Intelligence Estimate preferiu a palavra “impasse” [orig.stalemate]. [12] Rapidamente já não se ouvia mais a conversa sobre “contrainsurgência ampla”. Com a linha de definição de sucesso despencando cada vez mais para baixo, a solução de abandonar a luta nas mãos das forças afegãs de segurança e voltar correndo para casa passou a ser anunciada como objetivo de guerra.

Essa missão ficou inconclusa, quando o próprio Petraeus tomou o rumo de casa, abandonando o exército para tornar-se diretor da CIA. Apesar de Petraeus continuar alvo de alta consideração, sua aposentadoria do serviço ativo deixou o culto ao generalato em situação mais, que menos, lastimável. Quando o general John Allen foi nomeado para substituir Petraeus – tornando-se assim o 8º oficial nomeado para comandar aquela inacabável Guerra do Afeganistão – já ninguém acreditava que algum general, por mais certo que fosse, faria mágicas. Nesse tom generalizante, terminou o 2º round da GACGGT.

A era Vickers 

Round: Assassinato. Diferente de Donald Rumsfeld e David Petraeus, Michael Vickers [13] jamais alcançou o status de celebridade. Apesar disso, ninguém, nem uniformizado nem paisano, merece, mais que Vickers – que carrega o título de Subsecretário de Defesa para a Inteligência – merece ser reconhecido como a figura emblemática do 3º round da GACGGT. Sua persona discreta, low-profile, adapta-se perfeitamente à última transfiguração pela qual passou a guerra. Poucos o conhecem, fora de Washington, o que é ótimo, porque ele comanda uma guerra à qual pouca gente fora de Washington continua a dar atenção.

Depois da aposentadoria do Secretário de Defesa Robert Gates, Vickers é o mais alto funcionário remanescente do Pentágono de George W. Bush. Seu currículo nada tem de eclético. Serviu nas Forças Especiais do Exército dos EUA e foi agente operacional da CIA. Assim disfarçado, teve papel central no apoio aos mujahedeen afegãos na guerra contra os ocupantes soviéticos nos anos 1980s. Depois, trabalhou num think tank em Washington, e obteve seu diploma PhD em estudos estratégicos na Johns Hopkins University (título da dissertação de conclusão de curso: “A Estrutura das Revoluções Militares”). 

Nem durante a era Bush, Vickers jamais subscreveu as esperanças de que os EUA pudessem libertar ou pacificar o mundo islâmico. Sobre a GACGGT sempre teve diagnóstico que, mais singelo, impossível: “Só quero matar aqueles caras” – dizia ele. “Aqueles caras” eram os afiliados da al-Qaeda. Matar todos que queiram matar norte-americanos e não parar até matar o último: essa é a estratégia de Vickers, a qual, na presidência de Obama, suplantou a COIN como derradeira variante da estratégia dos EUA. 

A abordagem de Vickers implica máxima agressividade para eliminar matadores potenciais, onde quer que se escondam, e usando para isso todos os meios necessários. Vickers “tende a raciocinar como gângster” – comenta um de seus admiradores [14]. “Ele entende as tendências e, em seguida, altera as regras do jogo, para torná-las mais vantajosas para o lado de vocês.”

No 3º round da GACGGT, trata-se exclusivamente de burlar, quebrar, ignorar e reinventar regras para torná-las vantajosas ao que se suponha que mais interesse aos EUA. Assim como a estratégia COIN suplantou a estratégia “choque e pavor”, um amplo, multidirecional programa de assassinatos seletivos suplantou a estratégia COIN, como expressão dominante do modo norte-americano de guerrear. 

Os EUA estão fora do negócio de enviar imensos exércitos de infantaria para invadir e ocupar países no continente eurasiano. Robert Gates, quando ainda era secretário da Defesa, é autor da declaração definitiva [15] sobre o assunto. O negócio dos EUA, agora, é usar aviões-robôs, drones, armado [16] e forças de operações especiais [17] para assassinar qualquer um (e não escapa nem se for cidadão norte-americano) que o presidente dos EUA decida que causa incômodo intolerável. Com o presidente Obama, esses ataques proliferaram. 

É o novo modus operandi dos EUA. Parafraseando aviso emitido pela secretária de Estado Hillary Clinton, matéria doWashington Post [18] resume as implicações disso: “Os EUA reservam-se o direito de atacar qualquer um que os EUA entendam que representam ameaça direta à segurança nacional dos EUA, em qualquer ponto do mundo”. 

Não bastasse, agindo em nome dos EUA, o presidente exerce esse seu pressuposto direito sem avisar, sem considerar impedimentos de soberania nacional [19], sem autorização do Congresso, e sem consultar ninguém, além de Michael Vickers alguns outros poucos membros do aparelho nacional de segurança. Ao povo dos EUA cabe o papel de aplaudir, se e quando for informado de que algum assassinato seletivo foi bem sucedido. E aplaudimos. [20] Por exemplo, quando um grupo de ousados membros da Equipe 6 de SEALs entraram no Paquistão para mandar dessa para melhor Osama bin Laden com dois tiros certeiros. A vingança tantas vezes adiada tornou dispensável considerar, por um instante que fosse, as complicações políticas que o assassinato pudesse gerar. 

É difícil prever como terminará o 3º round. O melhor que se pode dizer é que não terminará nem rapidamente nem bem. Como Israel descobriu, depois que se adotam assassinatos predefinidos como política, a lista de alvos sempre dá algum jeito de aumentar. 

Nesses termos, o que se pode dizer, mesmo que tentativamente, sobre a GACGGT ainda em andamento? 

Em termos operacionais, uma guerra que nasceu convencional, acabou por cair, progressivamente, sob controle dos que habitam o que Dick Cheney chamou uma vez de “o lado obscuro” [21], com implicações que poucos parecem interessados em explorar. Em termos estratégicos, uma guerra que, no início, tinha algumas expectativas utópicas, prossegue hoje sem nenhuma expectativa declarada e conhecida; o simples encadeamento dos eventos já deslocou qualquer consideração séria sobre objetivos. Em termos políticos, uma guerra que, antes, ocupava o centro do cenário da política nacional deslizou para o fundo obscuro do palco, o povo norte-americano com outras preocupações e distrações; e as questões legais e morais que a guerra levantou flutuam por aí, ninguém sabe onde, soltas no ar. 

Isso é avanço?



Notas dos tradutores
[1]  14/2/2012, New York Times, em:
[2]  27/1/2012, New York Times, em: 
[3]  4/2/2012, Bloomberg, em:
[4]  27/1/2012, Rolling Stone, em:
[5]  21/5/2009, Tom Dispatch, em: 
[6]  13/5/2009, Real Clear World em: 
[7]  30/11/2009, New York Times, em: http://www.nytimes.com/2009/12/01/opinion/01brooks.html
[8]  1/12/2009, Discurso sobre Af-Pak, em
[9]  12/2/2012, New York Times, em
[10]  31/5/2011,McClatchy.com em
[11]  22/6/2010, Rolling Stone, em:
[12]  11/1/2012, New York Times, em:
[13]  Wikipedia – Michael G. Vickers (em inglês) em: 
[14]  30/11/2007, Small Wars Journal em:
[15] 25/2/2011, New York Times, em: 
[16] 16/10/2011, Tom Dispatch, em: 
[17] 3/8/2011, Tom Dispatch, em
[18]  16/1/2012, Washington Post, em:
[19]  5/2/2012, Tom Dispatch, em
[20] 16/5/2011, My West Texas em
[21] 7/11/2005, Washington Post, em: