Mostrando postagens com marcador Civita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Civita. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de maio de 2012

PROCURA-SE O MENSALÃO


Quem achar, favor avisar à Revista Veja. Será regiamente recompensado.

Raul Longo

Por pura maldade o ex-prefeito da Anápolis, Ernani de Paula, deu um bico no Mensalão que o bichinho saiu ganindo e se entocou em algum canto. Agora só a CPMI do Carlinhos Cachoeira para desentocá-lo.

Uns dizem que está escondido debaixo da cama do Senador Demóstenes Torres, outros que se meteu atrás de um cofre do próprio Carlinhos Cachoeira, mas ninguém define se o das rendas do jogo do bicho, das máquinas caça-níqueis, do contrabando ou da corrupção em licitações com os mais variados níveis de governos de diversos estados. Há até quem aposte que no esconderijo de um cofre de tráfico de drogas. Vai se saber!

Fato é que a família Civita e seu corpo de colaboradores está desolada. Num desespero pungente, tal qual se lê no editorial da edição nº 2265 da revista Veja, principal boletim informativo dos Civita!

Informativo é modo de dizer, pois se o sabe mais para “alarmativo”. O que talvez justifique meu total desinteresse pelo que têm feito ou deixado de fazer os Civita, mas, obrigado a procurar uma clínica de exames gerais para ver se tudo anda em ordem com o corpo, já que o espírito continua bem aconchegado por Oxuns e Iemanjás, dou com o desespero daquela tradicional família máfio-judáica pendurado lá na revistaria para o passatempo dos consulentes da clínica.

Insensíveis, por sinal, pois de todas as outras publicações sobre diferentes frivolidades, só a desta capa mantinha-se ali, sem despertar o menor interesse:

Posso imaginar que as demais publicações escolhidas pelos que aguardavam, também seriam de edições antigas, mas aquela me intrigou pelo anacronismo do assunto de capa, já tão sobejamente desqualificado e ridicularizado pelas investigações dos crimes cometidos pela dupla Demóstenes-Cachoeira.

Claro que, como todo mundo, também sei que quem adotou o Mensalão foram as famílias da mídia brasileira em geral, coligadas ou cooperadas num esforço inaudito para dar corpo e vida à cria batizada pelo Roberto Jefferson. E que depois de desafinar aqui e ali nas tantas festinhas em comemoração à unção do prematuro (há quem diga que se parido uns 6 meses depois, Lula não se reelegeria), Jefferson o passou para as mãos de CPIs e da Mídia num claro “Segura que o filho é teu!” e, antes de ser mijado, escafedeu-se sem sequer se despedir do vigário.

Não é pra menos! Nem os pais da criança aguentavam mais o chato daquele padrinho metido a barítono! Mas a verdade é que até aí ninguém sabia quem eram os pais da criança (se é que assim se pode chamar o monstrinho prematuramente abortado) e acabou sendo alimentado e criado com muito carinho nas mesas de edição dos Marinho, dos Frias, dos Mesquitas. E dos Civita também, lógico!

Diariamente saia de uma casa ia pra outra a qualquer hora e sobretudo nas madrugadas de lançamento de circulação, crescendo a olhos vistos, engordando com todos aqueles mimos e atenções.

No entanto, apesar de tanto zelo o moleque não passou de ano em 2006. Um espanto! Depois de tanto biotônico, tantos cuidados e fermentos, tudo para se moldar em enorme rapagão, um gigante a papar qualquer eleição que viesse a frente... deu-se em raquítico!

O que poderia ter havido? - perguntaram-se os que o adotaram. Adotivos, mas tão corujas quanto biológicos fossem, chegaram até culpar todo o resto da nação por não marchar de acordo com o passo do pupilo.

Culpa do padrinho canastrão não foi, mas já não adiantava mais entoar a mesma ária e se foi produzindo outros cruzamentos, promovendo outros abortos, e até a Mônica Serra, experiente no assunto, entrou nesse parir de monstruosidades em origami, como a bolinha de papel que detonou com a careca do marido.

Nada deu certo e como com toda a ninhada que posteriormente veio de roldão, o Mensalão também foi abandonado.

Convenhamos que não foi pra menos! Afinal, embora tenha cumprido galhardamente com parte de seu papel ao promover bengaladas no José Dirceu, acabou provocando a ascensão e o reconhecimento nacional à Dilma Rousseff. Ou seja: trocou 6 por meia dúzia. Tirou o Palocci e pôs o Mantega! Mexeu com quase metade da equipe do governo Lula, mas o governo Lula provou-se ser mais do dobro de sua própria metade e acabou elegendo a sucessora que não precisou nem bater o pé pros vira-latas que latiam de longe, já receosos desde quando o Agripino Maia enfiou o rabo no meio das pernas, num tal aperto de um olho que os outros dois não paravam de piscar.

No entanto, a pergunta permanecia no ar: quem seriam os pais naturais do Mensalão? Os adotivos foram vários, entre os quais destacam-se as mais insignes famílias da mídia brasileira, mas até aí nenhum segredo. O assunto até andava meio morto, ainda que amornado pela previsão do julgamento do caso, há tantos anos requerido por seu principal acusado, o Dirceu.

Já se viu isso em algum lugar da história: um acusado implorar pelo próprio julgamento?

Pois quando a paternidade do Mensalão enfim se explicita, me espantou na esquecida edição pendurada ali na revistaria da clínica lotada de gente, hoje de manhã, o resgate do tema na capa do boletim dos Civita. Como havia muita gente que chegou na minha frente, não poderia deixar de tomá-lo às mãos, até para distrair o desconforto do jejum imposto, impondo outro ainda pior.

Pra minha sorte não foi assim nem com um nem com outro, pois a despeito de meu atraso na chegada fui chamado logo. Talvez em consideração ao duplo desconforto, o fato é que não tive de me expor à matéria e só deu para ler o apelo do editorial. Foi o que bastou para lembrar do conteúdo do link abaixo, que ainda nesta mesma semana distribui a todos meus correspondentes.

Copio novamente, aqui, o mesmo link da entrevista do Paulo Henrique Amorim com o Ernani de Paula, ex-correligionário e amigo do corrupto do DEM e do Contraventor, para que melhor se possa dimensionar o desespero dos Civita que, por enquanto, são os mais intimamente envolvidos com os pais biológicos da criança, embora se saiba não terem sido os únicos a se responsabilizar pela engorda do monstrengo.

Estes demais, antes do galo cantar já tentam negar o topete do Cachoeira ou a calvície do Demóstenes, mas o maternal sangue judaíco-siciliano clama por aquele a quem amamentou, implorando pelo filho pródigo!

Quem encontrar, favor avisar pelo amor do deus do Vaticano e das Sinagogas!
ASSISTA O VÍDEO:

terça-feira, 8 de maio de 2012

O ataque de O Globo à blogosfera



Em editorial publicado hoje (08/05/2012), O Globo, no afã de defender sua comparsa de denúncias e factóides, a revista Veja, sobe o tom dos ataques da mídia corporativa contra a blogosfera (leia reprodução comentada no blog da Maria Frô).

A peça, que vem com as digitais do “imortal” Merval Pereira, intitula-se “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, e é nosso dever admitir que, ao menos no título, está certa. Com efeito, o megaempresário proprietário do jornal sensacionalista News of the World é acusado tão-somente de grampear meio mundo no Reino Unido, enquanto as acusações que pesam sobre a publicação de Civita são muito mais sérias, pois - como aponta Luis Nassif - “A parceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública”.

Quem te viu, quem te vê: O Globo, um jornal sempre tão sensível às denúncias de corrupção, agora que a casa cai descarta como insignificante o envolvimento de Veja com o maior contraventor de nossos dias...

Folha corrida

Em post histórico, Nassif, que tem o mérito indiscutível de ter revelado com grande antecedência o grau de perversidade das práticas de Veja - sofrendo retaliações judiciais e ataques a sua família - elenca nada menos do que nove suspeitas "que necessitam de um inquérito policial para... Continue lendo è

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os burros à frente das cenouras


Raul Longo meditando...
Sobre Pulitzer!

Raul Longo
Recebo da querida correspondente Maria Rodrigues de Fortaleza postagem do Rodrigo Viana no Escrevinhador. Não tenho o que comentar sobre o já comentado pelo Rodrigo e que por si se explicita e revela, mas penso que mereça consideração uma das frases reproduzidas ao final da mensagem, não sei se incluídas pela Maria ou pelo pessoal do grupo “Amigas do Franklin”.

Trata-se de uma afirmação de um dos patronos da atividade jornalística mundial: o Joseph Pulitzer. Me provocou a necessidade de reflexão porque esse húngaro naturalizado estadunidense é o pai do jornalismo moderno.

Se a imprensa do mundo hoje é o que é, foi porque Pulitzer a fez ser assim e para compreender a importância desse nome para todos que exercem a atividade, basta saber que o Prêmio Pulitzer corresponde ao Nobel do jornalismo. Portanto, evidente que não serei eu a discordar do Mestre quando afirma:

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”  Joseph Pulitzer

Indiscutivelmente Pulitzer tinha toda razão, mas no caso brasileiro me faz reportar a uma consideração de anos atrás por um querido primo que vive no Rio de Janeiro. Na percepção daquele primo o Brasil é a grande comprovação de que o anarquismo é possível e pode dar certo, posto que se conseguimos, como povo, manter esse país apesar da desordem promovida durante 500 anos por elites tão canalhas, imagine-se o que faríamos se não tivéssemos governos e elites para bagunçar!

Daí a lembrança do verso da música do Milton Nascimento: “Um país onde o povo é mais sábio que seus governantes. Se a frase não é do Milton, é por ele interpretada numa música que não lembro o título, mas contradiz o recorrente axioma de que “cada povo tem o governo que merece”.

Mesmo quando George Bush foi reeleito não concordei com os amigos que então ressaltaram aversão ao povo dos Estados Unidos refutando minha discordância ao julgamento, tentando me convencer de que o “os americanos são mesmo idiotas prepotentes que se creem donos do mundo”.

Os estadunidenses, como qualquer outro povo, resultam de um processo de condicionamento de massas, conforme alertou Pulitzer. E o exemplo do povo alemão, igualmente condicionado ao nazismo por Joseph Goebbels, é uma demonstração de que tais processos não são irreversíveis.

O desmonte do condicionamento nazista se deu através do terrível sofrimento dos alemães e a vergonha que ainda hoje carregam e carregarão por muitos anos. O do povo estadunidense, certamente não será mais ameno. Mas os brasileiros vêm tendo maior sorte e se pode observar isso desde o final da ditadura militar quando se tentou implantar, aqui, o mesmo sistema utilizado naquelas potências do hemisfério norte.

Acontece que o condicionamento de massas no Brasil se limitou à degradação do sistema de ensino público, promoção do consumismo entre determinadas classes sociais e monopolização dos meios de comunicação social por alguns poucos empresários do ramo ou nele ingressos como atividade paralela consorciada a outros interesses internacionais.

Insuficiente.

Insuficiente porque as elites erroneamente se convencerem de que deixando meia dúzia de oligarcas da mídia se incumbir de justificar a truculência das armas, a merda de país em que se vivia se douraria como o melhor dos mundos, quase que igual aos Estados Unidos da “Maioria Silenciosa”. Faltando pouco para uma versão tropical do “Sonho Americano”, genialmente satirizado por Charles Chaplin, ainda no tempo do cinema mudo.

Se Chaplin não conseguiu alertar os estadunidenses do engodo com que se os enredavam e os sanduíches do MacDonald’s tiveram maior participação na formação na consciência do povo dos Estados Unidos do que as geniais metáforas cinematográficas do pequeno inglês que inventou o cinema crítico daquele país, tampouco o fariam os diários do húngaro que os ensinou a fazer jornal; a culpa não é dos dois nem do povo norte-americano.

É de quem insistiu no insistir da mentira que aí está no presente que Marx também previu...

Aprenderam mal, mas assim mesmo, , os donos do sistema sabiam que não adianta apenas pôr a cenoura na frente do burro para que trote sempre mais rápido, pois se nunca derem, de fato, uma cenoura; por mais instinto que tenha, o animal acabará não entendendo de que se trata aquele cone rosado.

Foi o que aconteceu quando a classe média brasileira cansou de puxar a carroça a troco de nada e saiu às ruas dos grandes centros do país pedindo pela redemocratização.

A meia dúzia de donos de empresas de comunicação fez de conta de que nada acontecia, só que a carroça estava irremediavelmente atolada e o burro empacou naquela coisa de “Movimento das Diretas Já”.

Pavlov explicaria, mas não teve outro jeito que não fosse inventar uma transição com o Tancredo Neves. Na continuidade com Sarney deu tempo para se constituir o que só duas décadas depois foi identificado como partido político pelo editor do Conversa Afiada.

Filho de jornalista, Paulo Henrique Amorim tem acompanhado a política brasileira desde que cobriu a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e, evidentemente, já distinguira uma formação partidária da mídia brasileira na eleição de Collor de Melo e na manipulação da cenoura “Caçador de Marajás”.

Apesar da derrota – cassação - que experimentaram com o candidato criado pela própria imprensa, nem por isso se afastaram da certeza de que a eles compete o direcionamento dos rumos do país.

Entendem que política no Brasil se resume em ser um Mesquita, Frias, Marinho ou Civita; e só precisam arrumar um FHC, Serra ou mesmo alguma “celebridade” de reality show para sentar no Palácio da Alvorada.

Mas antes de Sua Excelência – Bambam, Xuxa p. ex. - com o fracasso do Collor desistiram de produzir candidato próprio e adquiriram um já feito.

Havia que se reconhecer a experiência de Kissinger e não descartaram o “prêt–à-porter” Fernando Henrique Cardoso já formatado e com a vantagem de uma dúbia garantia de validade emitida por uma esquerda distraída.

Ao longo dos dois mandatos a validade venceu ou se mostrou improficiente e ordinário, mas só quando o diretório nacional do partidão da mídia insistiu no recurso da cenoura lançando sua 5ª campanha ao poder, o esperto e experimentado Amorim o identificou com a sigla PiG - Partido da imprensa Golpista.

Paulo Henrique Amorim trabalhou no QG do partido, a TV Globo, e sabia (e continua sabendo) do que estava falando.

Em que pese o costume no correspondente sentido da sigla em inglês, a legenda não deixou de ter sua glória. Afinal, de cara o Partido venceu as 3 primeiras disputas eleitorais de sua existência. Elegeu o Collor e o FHC duas vezes. Só foi perder para o Lula na 4ª campanha, com José Serra.

Ainda podem escolher coisa pior, mas daí pra frente o Partido vêm amargando sucessivas derrotas até em disputas que eles mesmos inventam, como na campanha do Mensalão.

Não conseguiram emplacar o impeachment.

Depois veio a derrota da 3ª campanha com Geraldo Alckmin e, por fim, insistindo com o azarão José Serra, perderam pela 4ª vez para o Lula quando elegeu a Dilma Rousseff, num país que Dona Ruth Cardoso reclamava, e com razão, ser machista.

Ô páreo duro! Se o PiG foi vitorioso em três, já perdem em quatro (Dona Ruth à parte) campanhas, contradizendo o Joseph Pulitzer aqui no Brasil.

Pobre mestre! Não só por cá, pela imprensa brasileira, mas além de criticado pelas elites norte-americanas do século 19 por defender melhorias nas condições de vida das classes mais pobres; redução de horário de trabalho aos operários, Pulitzer também foi acusado de sensacionalista por introduzir em seu diário uma página dedicada ao público feminino e outra ao humor dos cartunistas que até então não eram publicados por jornais.

Ziraldo Alves Pinto, um dos mais destacados cartunistas da imprensa brasileira (quando existiu), seguiu os rastros do mestre húngaro criando uma série que fez sucesso nos anos 60 pela revista “O Cruzeiro”. Além de produzir cartuns, nas “Fotopotocas” Ziraldo aproveitava as eventualidades que ocorrem com personalidades políticas, perseguidas pelas câmeras indefectíveis nas inúmeras solenidades a que toda autoridade é obrigada.

A FOTO-DESEJO do Estadão e sua covardia implícita
Não há político, em uma dessas ocasiões, que escape de um instantâneo jocoso, engraçado ou, ao menos, insólito. Um instante passageiro e imprevisível que nem mesmo o fotógrafo teria condições de planejar ou evitar. Centrado apenas no objeto da foto, ao apertar o obturador da máquina nem mesmo percebe o que ocorre no entorno do foco. E só depois da revelação e ampliação, muitas vezes na publicação - e há disputas judiciais a respeito - é que vai se dar conta de pés torcidos, olhos revirados, dedo enfiado no nariz, ou algo desse tipo.

Cabe ao editor a seleção do material, podendo, claro, orientar-se pelo conteúdo da matéria e até por suas afinidades e simpatias a esta ou aquela personalidade. Sempre se valendo do respeito a si próprio, mesmo que não ao fotografado. Afinal, por maior a antipatia a alguém não se vai arriscar, , a própria imagem como profissional!

(Não é mesmo companheiros? Será?)

Pois era nos calhaus refutados pelo bom senso dos editores de sua época que Ziraldo encontrava material a ser reciclado para a sua coluna de humor, inventando brincadeiras, mesmo com políticos conterrâneos e de sua afinidade como Juscelino Kubistchek.

O elitismo dos Mesquita como porta-vozes da elite quatrocentona do café, embora sejam de origem judia, sempre conferiu ao jornal “O Estado de São Paulo”  certa circunspecção aristocrática, mantida com autoritarismo vetusto.

O “Estadão” sempre foi acusado de sisudo, quadradão e cansativo, entre coisas piores. No entanto, por mais que se o critique nunca se pôde dizer que o Estadão fosse apelativo ou tão abertamente desonesto e manipulador quanto seus concorrentes. Assumiam a defesa dos interesses estrangeiros no Brasil, eram contrários aos reais interesses do povo brasileiro, mas sempre com sinceridade e rigor de compostura.

Mesmo no apoio à ditadura, similar aos demais veículos da imprensa da época -- a exceção da TV Excelsior do Wallace Simonsen, megaempresário que por apoiar Jango Goulart foi levado ao suicídio pelo regime MILICANALHA -- o “Estadão” conseguia ter certa aura de isenção e ainda hoje ostenta, com orgulho, a memória das edições de versos de Camões em substituição às matérias censuradas.
  
Há quem afirme ter sido mera estratégia, como a do Octávio Frias que no “staff” da Folha de São Paulo manteve jornalistas de esquerda, enquanto emprestava sua frota veicular de distribuição de jornais para a repressão transportar e “desaparecer” com jornalistas e militantes anti ditadura. Ou do Roberto Marinho, que hoje decantam eventuais apoios do pai a um ou outro protegido dissidente, para escamotear o quanto foi essencial no processo de condicionamento das massas brasileiras para beatificação do alto e baixo clero ditatorial que o recompensou com o que hoje se conhece como “império” da Rede Globo. Antes de 64, tal “império” se resumia a uma emissora e um jornal exclusivamente na cidade do Rio de Janeiro.

Há quem diga que na falta de um Dias Gomes ou um Cláudio Abramo (atuou no Estadão até um ano antes do golpe militar) o jornal dos Mesquita recorria aos versos de Camões para aparentar-se censurado. Não há como confirmar e é preciso reconhecer que, realmente, o “Estadão” sempre reclamou quando algum ato um pouco mais nacionalista, mesmo dos militares, era desagradável aos interesses multinacionais. Sobretudo dos Estados Unidos ou Israel.

Nessas ocasiões, com ditadura e tudo, demonstravam brios e galhardia admirável. Chegaram a produzir uma série apontando uma imaginária URSB - União da República Soviética Brasileira. Isso no auge da Guerra Fria e em plena ditadura militar, mas a matéria saiu completa e sem necessitar que desprestigiassem o maior poeta da Língua Portuguesa utilizando-o como calhau. E calhaus fotográficos como os utilizados pelo Ziraldo, no “Estadão” nem pensar! Humor ali, só a reprodução de tirinhas de alguns autores norte-americanos e, salvo engano, havia também um inglês.

O “Estadão” também gostava dos ingleses. Naquela época não se importava muito de ser importunado pela censura. Os Mesquita, rezando pelas sinagogas, chamavam Camões e ficava por isso mesmo. Não contabilizam os dias que estariam sob censura, como hoje fazem a respeito da decisão de um juiz que,considerando improcedentes as afirmações sobre o filho do José Sarney, suspendeu a publicação de uma matéria.

Poderia se perder tempo aqui, cogitando sobre as reais razões dos Mesquita, Frias, Marinho ou Civita, que incondicionalmente apoiaram Sarney quando presidente da ARENA e do Brasil; repentinamente se indisporem contra o mesmo na presidência do Senado durante o governo Lula.

Além deles, um exército de outra meia dúzia de éticos ou heréticos em busca de perdão da igreja que perderam em seus delírios e pela qual mendigam num individualismo desencontrado que mistura o pior da direita hidrófoba com um rescaldo de esquerda metida em etnicismo e humanismos canhestros, quando não em ecologismos perfunctórios.

Mas cá pra nós, menos afetados pelos conceitos, preconceitos e incoerências em voga, a frase de Pulitzer é mais interessante de ser analisada porque a utilização da foto aqui reproduzida pelo “O Estado de São Paulodemonstra o erro na conclusão do grande mestre.

Ao menos no Brasil.

Se fosse o Ziraldo nas “Fotopotocas” se justificaria o uso da eventualidade registrada na foto que qualquer editor de algum senso descartaria como de mau gosto, com um balãozinho para reproduzir antigo cartum publicado no “O Pasquim”, onde desenhou um sujeito com uma faca cravada nas costas, dizendo ao leitor: “Só dói quando eu rio!”

Não acredito que algum militar da ativa sorria ao ver essa foto, pois até os militares evoluem e nem todos são os MILICANALHAS (como diz o pessoal da redecastorphoto) que tomaram o poder de assalto em 64. Acredito mesmo que a maioria dos militares brasileiros se sinta ofendida pelo mau gosto com que se os aponta como covardes celerados, capazes de apunhalar um mulher pelas costas. Mormente com o esforço internacional para se extirpar de vez a violência contra as mulheres entre as sociedades humanas.

Também não sei se dá para rir do editor do jornal dos Mesquita, pois mesmo que a pretensa sisudez quatrocentona tivesse mais hipocrisia que real aristocracia, chega a dar pena tamanha decadência na já tão degradada imprensa brasileira. Se esse mau gosto, sem o refino do humor de um Ziraldo, derruba os Mesquita à vala comum dos ridículos da mídia nacional, podemos nos felicitar porque aqui, ao contrário do previsto pelo grande Joseph Pulitzer, quanto mais se acirra a vileza dos meios de comunicação, maior descrédito público conquistam.

Para comprovar é só comparar o tamanho do sistemático esforço com os resultados do último levantamento sobre a popularidade da Presidenta.

Por sinal, um resultado ao qual nunca sequer se aproximaram nenhum dos políticos que há anos recebem maciço apoio dos Mesquita, Frias, Marinho e Civitas.

Claro! Com o refinado senso” que se aplica em tal editoria do que se pretende um dos “mais-mais” jornais do país (com exemplos como os que temos, o posso incluir outros nessas aspas...) não há chiqueiro que contenha a lavagem do PiG do Paulo Henrique Amorim.

Com esta última reflexão concluímos que as redações e estúdios das grandes empresas de comunicação desse país estão ocupadas por maços de cenouras correndo atrás de récuas...

Merecem o Prêmio Pulitzer. Nem mesmo o velho Joseph imaginaria que se chegasse a tanto.