Mostrando postagens com marcador Paulo Henrique Amorim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Henrique Amorim. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de maio de 2012

PROCURA-SE O MENSALÃO


Quem achar, favor avisar à Revista Veja. Será regiamente recompensado.

Raul Longo

Por pura maldade o ex-prefeito da Anápolis, Ernani de Paula, deu um bico no Mensalão que o bichinho saiu ganindo e se entocou em algum canto. Agora só a CPMI do Carlinhos Cachoeira para desentocá-lo.

Uns dizem que está escondido debaixo da cama do Senador Demóstenes Torres, outros que se meteu atrás de um cofre do próprio Carlinhos Cachoeira, mas ninguém define se o das rendas do jogo do bicho, das máquinas caça-níqueis, do contrabando ou da corrupção em licitações com os mais variados níveis de governos de diversos estados. Há até quem aposte que no esconderijo de um cofre de tráfico de drogas. Vai se saber!

Fato é que a família Civita e seu corpo de colaboradores está desolada. Num desespero pungente, tal qual se lê no editorial da edição nº 2265 da revista Veja, principal boletim informativo dos Civita!

Informativo é modo de dizer, pois se o sabe mais para “alarmativo”. O que talvez justifique meu total desinteresse pelo que têm feito ou deixado de fazer os Civita, mas, obrigado a procurar uma clínica de exames gerais para ver se tudo anda em ordem com o corpo, já que o espírito continua bem aconchegado por Oxuns e Iemanjás, dou com o desespero daquela tradicional família máfio-judáica pendurado lá na revistaria para o passatempo dos consulentes da clínica.

Insensíveis, por sinal, pois de todas as outras publicações sobre diferentes frivolidades, só a desta capa mantinha-se ali, sem despertar o menor interesse:

Posso imaginar que as demais publicações escolhidas pelos que aguardavam, também seriam de edições antigas, mas aquela me intrigou pelo anacronismo do assunto de capa, já tão sobejamente desqualificado e ridicularizado pelas investigações dos crimes cometidos pela dupla Demóstenes-Cachoeira.

Claro que, como todo mundo, também sei que quem adotou o Mensalão foram as famílias da mídia brasileira em geral, coligadas ou cooperadas num esforço inaudito para dar corpo e vida à cria batizada pelo Roberto Jefferson. E que depois de desafinar aqui e ali nas tantas festinhas em comemoração à unção do prematuro (há quem diga que se parido uns 6 meses depois, Lula não se reelegeria), Jefferson o passou para as mãos de CPIs e da Mídia num claro “Segura que o filho é teu!” e, antes de ser mijado, escafedeu-se sem sequer se despedir do vigário.

Não é pra menos! Nem os pais da criança aguentavam mais o chato daquele padrinho metido a barítono! Mas a verdade é que até aí ninguém sabia quem eram os pais da criança (se é que assim se pode chamar o monstrinho prematuramente abortado) e acabou sendo alimentado e criado com muito carinho nas mesas de edição dos Marinho, dos Frias, dos Mesquitas. E dos Civita também, lógico!

Diariamente saia de uma casa ia pra outra a qualquer hora e sobretudo nas madrugadas de lançamento de circulação, crescendo a olhos vistos, engordando com todos aqueles mimos e atenções.

No entanto, apesar de tanto zelo o moleque não passou de ano em 2006. Um espanto! Depois de tanto biotônico, tantos cuidados e fermentos, tudo para se moldar em enorme rapagão, um gigante a papar qualquer eleição que viesse a frente... deu-se em raquítico!

O que poderia ter havido? - perguntaram-se os que o adotaram. Adotivos, mas tão corujas quanto biológicos fossem, chegaram até culpar todo o resto da nação por não marchar de acordo com o passo do pupilo.

Culpa do padrinho canastrão não foi, mas já não adiantava mais entoar a mesma ária e se foi produzindo outros cruzamentos, promovendo outros abortos, e até a Mônica Serra, experiente no assunto, entrou nesse parir de monstruosidades em origami, como a bolinha de papel que detonou com a careca do marido.

Nada deu certo e como com toda a ninhada que posteriormente veio de roldão, o Mensalão também foi abandonado.

Convenhamos que não foi pra menos! Afinal, embora tenha cumprido galhardamente com parte de seu papel ao promover bengaladas no José Dirceu, acabou provocando a ascensão e o reconhecimento nacional à Dilma Rousseff. Ou seja: trocou 6 por meia dúzia. Tirou o Palocci e pôs o Mantega! Mexeu com quase metade da equipe do governo Lula, mas o governo Lula provou-se ser mais do dobro de sua própria metade e acabou elegendo a sucessora que não precisou nem bater o pé pros vira-latas que latiam de longe, já receosos desde quando o Agripino Maia enfiou o rabo no meio das pernas, num tal aperto de um olho que os outros dois não paravam de piscar.

No entanto, a pergunta permanecia no ar: quem seriam os pais naturais do Mensalão? Os adotivos foram vários, entre os quais destacam-se as mais insignes famílias da mídia brasileira, mas até aí nenhum segredo. O assunto até andava meio morto, ainda que amornado pela previsão do julgamento do caso, há tantos anos requerido por seu principal acusado, o Dirceu.

Já se viu isso em algum lugar da história: um acusado implorar pelo próprio julgamento?

Pois quando a paternidade do Mensalão enfim se explicita, me espantou na esquecida edição pendurada ali na revistaria da clínica lotada de gente, hoje de manhã, o resgate do tema na capa do boletim dos Civita. Como havia muita gente que chegou na minha frente, não poderia deixar de tomá-lo às mãos, até para distrair o desconforto do jejum imposto, impondo outro ainda pior.

Pra minha sorte não foi assim nem com um nem com outro, pois a despeito de meu atraso na chegada fui chamado logo. Talvez em consideração ao duplo desconforto, o fato é que não tive de me expor à matéria e só deu para ler o apelo do editorial. Foi o que bastou para lembrar do conteúdo do link abaixo, que ainda nesta mesma semana distribui a todos meus correspondentes.

Copio novamente, aqui, o mesmo link da entrevista do Paulo Henrique Amorim com o Ernani de Paula, ex-correligionário e amigo do corrupto do DEM e do Contraventor, para que melhor se possa dimensionar o desespero dos Civita que, por enquanto, são os mais intimamente envolvidos com os pais biológicos da criança, embora se saiba não terem sido os únicos a se responsabilizar pela engorda do monstrengo.

Estes demais, antes do galo cantar já tentam negar o topete do Cachoeira ou a calvície do Demóstenes, mas o maternal sangue judaíco-siciliano clama por aquele a quem amamentou, implorando pelo filho pródigo!

Quem encontrar, favor avisar pelo amor do deus do Vaticano e das Sinagogas!
ASSISTA O VÍDEO:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Rede Globo – uma rede de intrigas e mentiras


Entrevista: Eduardo Campos desmonta privilégio de Pernambuco


Paulo Henrique Amorim conversa com Eduardo Campos, governador de Pernambuco, sobre os pseudo-escândalos envolvendo o Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra e o mentiroso favorecimento ao Estado nordestino.

Enviado por Urariano Motta

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Debate: “A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia” - Barão de Itararé

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, promoveu um debate sobre o livro “A Privataria Tucana” que contou com a participação do autor do livro, Amaury Ribeiro Jr., do jornalista Paulo Henrique Amorim e do Deputado Federal Protógenes Queiroz.

Realizado dia 21/12/2011


Enviado por Dani Tristão

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os burros à frente das cenouras


Raul Longo meditando...
Sobre Pulitzer!

Raul Longo
Recebo da querida correspondente Maria Rodrigues de Fortaleza postagem do Rodrigo Viana no Escrevinhador. Não tenho o que comentar sobre o já comentado pelo Rodrigo e que por si se explicita e revela, mas penso que mereça consideração uma das frases reproduzidas ao final da mensagem, não sei se incluídas pela Maria ou pelo pessoal do grupo “Amigas do Franklin”.

Trata-se de uma afirmação de um dos patronos da atividade jornalística mundial: o Joseph Pulitzer. Me provocou a necessidade de reflexão porque esse húngaro naturalizado estadunidense é o pai do jornalismo moderno.

Se a imprensa do mundo hoje é o que é, foi porque Pulitzer a fez ser assim e para compreender a importância desse nome para todos que exercem a atividade, basta saber que o Prêmio Pulitzer corresponde ao Nobel do jornalismo. Portanto, evidente que não serei eu a discordar do Mestre quando afirma:

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”  Joseph Pulitzer

Indiscutivelmente Pulitzer tinha toda razão, mas no caso brasileiro me faz reportar a uma consideração de anos atrás por um querido primo que vive no Rio de Janeiro. Na percepção daquele primo o Brasil é a grande comprovação de que o anarquismo é possível e pode dar certo, posto que se conseguimos, como povo, manter esse país apesar da desordem promovida durante 500 anos por elites tão canalhas, imagine-se o que faríamos se não tivéssemos governos e elites para bagunçar!

Daí a lembrança do verso da música do Milton Nascimento: “Um país onde o povo é mais sábio que seus governantes. Se a frase não é do Milton, é por ele interpretada numa música que não lembro o título, mas contradiz o recorrente axioma de que “cada povo tem o governo que merece”.

Mesmo quando George Bush foi reeleito não concordei com os amigos que então ressaltaram aversão ao povo dos Estados Unidos refutando minha discordância ao julgamento, tentando me convencer de que o “os americanos são mesmo idiotas prepotentes que se creem donos do mundo”.

Os estadunidenses, como qualquer outro povo, resultam de um processo de condicionamento de massas, conforme alertou Pulitzer. E o exemplo do povo alemão, igualmente condicionado ao nazismo por Joseph Goebbels, é uma demonstração de que tais processos não são irreversíveis.

O desmonte do condicionamento nazista se deu através do terrível sofrimento dos alemães e a vergonha que ainda hoje carregam e carregarão por muitos anos. O do povo estadunidense, certamente não será mais ameno. Mas os brasileiros vêm tendo maior sorte e se pode observar isso desde o final da ditadura militar quando se tentou implantar, aqui, o mesmo sistema utilizado naquelas potências do hemisfério norte.

Acontece que o condicionamento de massas no Brasil se limitou à degradação do sistema de ensino público, promoção do consumismo entre determinadas classes sociais e monopolização dos meios de comunicação social por alguns poucos empresários do ramo ou nele ingressos como atividade paralela consorciada a outros interesses internacionais.

Insuficiente.

Insuficiente porque as elites erroneamente se convencerem de que deixando meia dúzia de oligarcas da mídia se incumbir de justificar a truculência das armas, a merda de país em que se vivia se douraria como o melhor dos mundos, quase que igual aos Estados Unidos da “Maioria Silenciosa”. Faltando pouco para uma versão tropical do “Sonho Americano”, genialmente satirizado por Charles Chaplin, ainda no tempo do cinema mudo.

Se Chaplin não conseguiu alertar os estadunidenses do engodo com que se os enredavam e os sanduíches do MacDonald’s tiveram maior participação na formação na consciência do povo dos Estados Unidos do que as geniais metáforas cinematográficas do pequeno inglês que inventou o cinema crítico daquele país, tampouco o fariam os diários do húngaro que os ensinou a fazer jornal; a culpa não é dos dois nem do povo norte-americano.

É de quem insistiu no insistir da mentira que aí está no presente que Marx também previu...

Aprenderam mal, mas assim mesmo, , os donos do sistema sabiam que não adianta apenas pôr a cenoura na frente do burro para que trote sempre mais rápido, pois se nunca derem, de fato, uma cenoura; por mais instinto que tenha, o animal acabará não entendendo de que se trata aquele cone rosado.

Foi o que aconteceu quando a classe média brasileira cansou de puxar a carroça a troco de nada e saiu às ruas dos grandes centros do país pedindo pela redemocratização.

A meia dúzia de donos de empresas de comunicação fez de conta de que nada acontecia, só que a carroça estava irremediavelmente atolada e o burro empacou naquela coisa de “Movimento das Diretas Já”.

Pavlov explicaria, mas não teve outro jeito que não fosse inventar uma transição com o Tancredo Neves. Na continuidade com Sarney deu tempo para se constituir o que só duas décadas depois foi identificado como partido político pelo editor do Conversa Afiada.

Filho de jornalista, Paulo Henrique Amorim tem acompanhado a política brasileira desde que cobriu a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e, evidentemente, já distinguira uma formação partidária da mídia brasileira na eleição de Collor de Melo e na manipulação da cenoura “Caçador de Marajás”.

Apesar da derrota – cassação - que experimentaram com o candidato criado pela própria imprensa, nem por isso se afastaram da certeza de que a eles compete o direcionamento dos rumos do país.

Entendem que política no Brasil se resume em ser um Mesquita, Frias, Marinho ou Civita; e só precisam arrumar um FHC, Serra ou mesmo alguma “celebridade” de reality show para sentar no Palácio da Alvorada.

Mas antes de Sua Excelência – Bambam, Xuxa p. ex. - com o fracasso do Collor desistiram de produzir candidato próprio e adquiriram um já feito.

Havia que se reconhecer a experiência de Kissinger e não descartaram o “prêt–à-porter” Fernando Henrique Cardoso já formatado e com a vantagem de uma dúbia garantia de validade emitida por uma esquerda distraída.

Ao longo dos dois mandatos a validade venceu ou se mostrou improficiente e ordinário, mas só quando o diretório nacional do partidão da mídia insistiu no recurso da cenoura lançando sua 5ª campanha ao poder, o esperto e experimentado Amorim o identificou com a sigla PiG - Partido da imprensa Golpista.

Paulo Henrique Amorim trabalhou no QG do partido, a TV Globo, e sabia (e continua sabendo) do que estava falando.

Em que pese o costume no correspondente sentido da sigla em inglês, a legenda não deixou de ter sua glória. Afinal, de cara o Partido venceu as 3 primeiras disputas eleitorais de sua existência. Elegeu o Collor e o FHC duas vezes. Só foi perder para o Lula na 4ª campanha, com José Serra.

Ainda podem escolher coisa pior, mas daí pra frente o Partido vêm amargando sucessivas derrotas até em disputas que eles mesmos inventam, como na campanha do Mensalão.

Não conseguiram emplacar o impeachment.

Depois veio a derrota da 3ª campanha com Geraldo Alckmin e, por fim, insistindo com o azarão José Serra, perderam pela 4ª vez para o Lula quando elegeu a Dilma Rousseff, num país que Dona Ruth Cardoso reclamava, e com razão, ser machista.

Ô páreo duro! Se o PiG foi vitorioso em três, já perdem em quatro (Dona Ruth à parte) campanhas, contradizendo o Joseph Pulitzer aqui no Brasil.

Pobre mestre! Não só por cá, pela imprensa brasileira, mas além de criticado pelas elites norte-americanas do século 19 por defender melhorias nas condições de vida das classes mais pobres; redução de horário de trabalho aos operários, Pulitzer também foi acusado de sensacionalista por introduzir em seu diário uma página dedicada ao público feminino e outra ao humor dos cartunistas que até então não eram publicados por jornais.

Ziraldo Alves Pinto, um dos mais destacados cartunistas da imprensa brasileira (quando existiu), seguiu os rastros do mestre húngaro criando uma série que fez sucesso nos anos 60 pela revista “O Cruzeiro”. Além de produzir cartuns, nas “Fotopotocas” Ziraldo aproveitava as eventualidades que ocorrem com personalidades políticas, perseguidas pelas câmeras indefectíveis nas inúmeras solenidades a que toda autoridade é obrigada.

A FOTO-DESEJO do Estadão e sua covardia implícita
Não há político, em uma dessas ocasiões, que escape de um instantâneo jocoso, engraçado ou, ao menos, insólito. Um instante passageiro e imprevisível que nem mesmo o fotógrafo teria condições de planejar ou evitar. Centrado apenas no objeto da foto, ao apertar o obturador da máquina nem mesmo percebe o que ocorre no entorno do foco. E só depois da revelação e ampliação, muitas vezes na publicação - e há disputas judiciais a respeito - é que vai se dar conta de pés torcidos, olhos revirados, dedo enfiado no nariz, ou algo desse tipo.

Cabe ao editor a seleção do material, podendo, claro, orientar-se pelo conteúdo da matéria e até por suas afinidades e simpatias a esta ou aquela personalidade. Sempre se valendo do respeito a si próprio, mesmo que não ao fotografado. Afinal, por maior a antipatia a alguém não se vai arriscar, , a própria imagem como profissional!

(Não é mesmo companheiros? Será?)

Pois era nos calhaus refutados pelo bom senso dos editores de sua época que Ziraldo encontrava material a ser reciclado para a sua coluna de humor, inventando brincadeiras, mesmo com políticos conterrâneos e de sua afinidade como Juscelino Kubistchek.

O elitismo dos Mesquita como porta-vozes da elite quatrocentona do café, embora sejam de origem judia, sempre conferiu ao jornal “O Estado de São Paulo”  certa circunspecção aristocrática, mantida com autoritarismo vetusto.

O “Estadão” sempre foi acusado de sisudo, quadradão e cansativo, entre coisas piores. No entanto, por mais que se o critique nunca se pôde dizer que o Estadão fosse apelativo ou tão abertamente desonesto e manipulador quanto seus concorrentes. Assumiam a defesa dos interesses estrangeiros no Brasil, eram contrários aos reais interesses do povo brasileiro, mas sempre com sinceridade e rigor de compostura.

Mesmo no apoio à ditadura, similar aos demais veículos da imprensa da época -- a exceção da TV Excelsior do Wallace Simonsen, megaempresário que por apoiar Jango Goulart foi levado ao suicídio pelo regime MILICANALHA -- o “Estadão” conseguia ter certa aura de isenção e ainda hoje ostenta, com orgulho, a memória das edições de versos de Camões em substituição às matérias censuradas.
  
Há quem afirme ter sido mera estratégia, como a do Octávio Frias que no “staff” da Folha de São Paulo manteve jornalistas de esquerda, enquanto emprestava sua frota veicular de distribuição de jornais para a repressão transportar e “desaparecer” com jornalistas e militantes anti ditadura. Ou do Roberto Marinho, que hoje decantam eventuais apoios do pai a um ou outro protegido dissidente, para escamotear o quanto foi essencial no processo de condicionamento das massas brasileiras para beatificação do alto e baixo clero ditatorial que o recompensou com o que hoje se conhece como “império” da Rede Globo. Antes de 64, tal “império” se resumia a uma emissora e um jornal exclusivamente na cidade do Rio de Janeiro.

Há quem diga que na falta de um Dias Gomes ou um Cláudio Abramo (atuou no Estadão até um ano antes do golpe militar) o jornal dos Mesquita recorria aos versos de Camões para aparentar-se censurado. Não há como confirmar e é preciso reconhecer que, realmente, o “Estadão” sempre reclamou quando algum ato um pouco mais nacionalista, mesmo dos militares, era desagradável aos interesses multinacionais. Sobretudo dos Estados Unidos ou Israel.

Nessas ocasiões, com ditadura e tudo, demonstravam brios e galhardia admirável. Chegaram a produzir uma série apontando uma imaginária URSB - União da República Soviética Brasileira. Isso no auge da Guerra Fria e em plena ditadura militar, mas a matéria saiu completa e sem necessitar que desprestigiassem o maior poeta da Língua Portuguesa utilizando-o como calhau. E calhaus fotográficos como os utilizados pelo Ziraldo, no “Estadão” nem pensar! Humor ali, só a reprodução de tirinhas de alguns autores norte-americanos e, salvo engano, havia também um inglês.

O “Estadão” também gostava dos ingleses. Naquela época não se importava muito de ser importunado pela censura. Os Mesquita, rezando pelas sinagogas, chamavam Camões e ficava por isso mesmo. Não contabilizam os dias que estariam sob censura, como hoje fazem a respeito da decisão de um juiz que,considerando improcedentes as afirmações sobre o filho do José Sarney, suspendeu a publicação de uma matéria.

Poderia se perder tempo aqui, cogitando sobre as reais razões dos Mesquita, Frias, Marinho ou Civita, que incondicionalmente apoiaram Sarney quando presidente da ARENA e do Brasil; repentinamente se indisporem contra o mesmo na presidência do Senado durante o governo Lula.

Além deles, um exército de outra meia dúzia de éticos ou heréticos em busca de perdão da igreja que perderam em seus delírios e pela qual mendigam num individualismo desencontrado que mistura o pior da direita hidrófoba com um rescaldo de esquerda metida em etnicismo e humanismos canhestros, quando não em ecologismos perfunctórios.

Mas cá pra nós, menos afetados pelos conceitos, preconceitos e incoerências em voga, a frase de Pulitzer é mais interessante de ser analisada porque a utilização da foto aqui reproduzida pelo “O Estado de São Paulodemonstra o erro na conclusão do grande mestre.

Ao menos no Brasil.

Se fosse o Ziraldo nas “Fotopotocas” se justificaria o uso da eventualidade registrada na foto que qualquer editor de algum senso descartaria como de mau gosto, com um balãozinho para reproduzir antigo cartum publicado no “O Pasquim”, onde desenhou um sujeito com uma faca cravada nas costas, dizendo ao leitor: “Só dói quando eu rio!”

Não acredito que algum militar da ativa sorria ao ver essa foto, pois até os militares evoluem e nem todos são os MILICANALHAS (como diz o pessoal da redecastorphoto) que tomaram o poder de assalto em 64. Acredito mesmo que a maioria dos militares brasileiros se sinta ofendida pelo mau gosto com que se os aponta como covardes celerados, capazes de apunhalar um mulher pelas costas. Mormente com o esforço internacional para se extirpar de vez a violência contra as mulheres entre as sociedades humanas.

Também não sei se dá para rir do editor do jornal dos Mesquita, pois mesmo que a pretensa sisudez quatrocentona tivesse mais hipocrisia que real aristocracia, chega a dar pena tamanha decadência na já tão degradada imprensa brasileira. Se esse mau gosto, sem o refino do humor de um Ziraldo, derruba os Mesquita à vala comum dos ridículos da mídia nacional, podemos nos felicitar porque aqui, ao contrário do previsto pelo grande Joseph Pulitzer, quanto mais se acirra a vileza dos meios de comunicação, maior descrédito público conquistam.

Para comprovar é só comparar o tamanho do sistemático esforço com os resultados do último levantamento sobre a popularidade da Presidenta.

Por sinal, um resultado ao qual nunca sequer se aproximaram nenhum dos políticos que há anos recebem maciço apoio dos Mesquita, Frias, Marinho e Civitas.

Claro! Com o refinado senso” que se aplica em tal editoria do que se pretende um dos “mais-mais” jornais do país (com exemplos como os que temos, o posso incluir outros nessas aspas...) não há chiqueiro que contenha a lavagem do PiG do Paulo Henrique Amorim.

Com esta última reflexão concluímos que as redações e estúdios das grandes empresas de comunicação desse país estão ocupadas por maços de cenouras correndo atrás de récuas...

Merecem o Prêmio Pulitzer. Nem mesmo o velho Joseph imaginaria que se chegasse a tanto.

domingo, 14 de agosto de 2011

Dilma e o Presente - Entrevista (Parte 1)


A presidenta fala sobre a troca na Defesa, as denúncias de corrupção e a crise econômica mundial

A Luiz Gonzaga Belluzzo, Mino Carta e Sergio Lirio

A entrevista com a presidenta será publicada em duas partes. A próxima sairá na edição especial 660, que chega às bancas em São Paulo na sexta-feira 19.

______________________________________________________

CC: Aquela simpatia inicial da mídia em relação à senhora parece ter passado. Há as denúncias de corrupção, que precisam ser investigadas, mas há também essa tentativa de criar uma tensão do nada, como no caso da nomeação de Celso Amorim para a Defesa.
Presidenta: O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é muito ruim, porque há uma tendência de as pessoas se importarem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas. É normal, talvez por isso, inclusive, que todos gostemos de folhetins. Não posso ficar reclamando. Agora, essa relação com a mídia, não sei se ela não é assim em todos os governos, desconfio que...

CC: Em todos os governos do Brasil ou do mundo?
Presidenta: Do mundo. Você tem uma relação contraditória com a mídia. Veja o que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, entre a Fox e o Obama. E há essa coisa horrorosa que é o New of the World na Inglaterra. Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis. Não acho que o governo deva se pautar por isso, pela mídia. Isso não significa não dar importância. Dou importância e tenho obrigação de responder e levar em considerações as demandas. Agora, não vou gastar nisso todo o meu tempo, que é político. Tenho de gastar meu tempo tratando dos assuntos que resolvem problemas do País.

CC: Mas, nas últimas semanas, a começar pela crise nos Transportes até a mais recente na Agricultura, o seu governo parece apenas reagir a uma série de denúncias de corrupção publicada pela mídia.
Presidenta: Afastamos as pessoas quando achamos que o caso era grave. Não acho que somos pautados pela mídia em nenhum desses casos. Nem na história dos Transportes, nem da Agricultura ou de qualquer outro caso que por ventura ocorra, não temos o princípio de ficar julgando as pessoas, fazendo com que elas provem que não são culpadas. Somos a favor daquele princípio da Revolução Francesa, muito civilizado, que cabe a quem acusa provar a culpa de quem é acusado. Mas não acho que o governo deva abraçar processos de corrupção. Por razões éticas, mas também por conta de outro fator: um governo que se deixa capturar pela corrupção é totalmente ineficiente. É inadmissível diante de tão pouco dinheiro que temos para fazer as coisas. Então, por uma questão não só ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência.

CC: Falamos da nomeação de Celso Amorim. Essa história de que as casernas estão irritadas com a nomeação dele...
Presidenta: É relevante?

CC: É relevante?
Presidenta: Não acho. Primeiro, porque não estamos mais na época das vivandeiras. As Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais. Estão subordinadas ao Poder Civil e é assim pelo fato de a sociedade brasileira ter evoluído nessa direção. Não é uma conquista do governo ou da mídia, é da sociedade brasileira. Agora, se há setores, absolutamente minoritários, entre os militares ou na mídia que assim pensam, é irrelevante, faz parte do passado, de uma visão atrasada da História. Outra coisa muito grave, aquém da realidade, é achar alguém insubstituível. As pessoas têm de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis, a gente descobre isso quando criança, principalmente se você perde algum parente importante, como o pai ou a mãe, cedo. Além disso, nem na época da monarquia o rei era insubstituível, havia aquela história dos dois corpos do rei, o divino e o humano. O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é o senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma capacidade de gestão, vai levar à frente a nossa Política Nacional de Defesa e vai fortalecer e modernizar as Forças Armadas. Vamos discutir daqui a um ano. Tem gente que olha para o passado. Eu olho para o futuro.

CC: A senhora já refletiu, fez alguma interpretação, sobre o comportamento do ex-ministro Nelson Jobim?
Presidenta: Ah, não faço nenhuma interpretação. É uma página virada, não temos de ficar discutindo. Isso pode até ser interessante para a mídia, mas para o governo não é.

CC: Acompanhei as suas declarações recentes sobre a crise. A senhora disse que o Brasil está mais preparado do que em 2008. É isso?
Presidenta: Você me ouve e eu te leio, viu Belluzzo (risos). Vivemos um momento que ninguém da nossa geração imaginou viver. Jamais pensei na minha vida que eu veria uma agência de classificação de risco rebaixar a nota dos títulos dos Estados Unidos. Fiquei perplexa. De uma certa forma, tirando um aspecto um tanto irônico da situação, não acho que essa agência (Standard & Poor's) seja muito responsável ou tenha tomado uma decisão fundamentada. Não houve nenhuma grande alteração, a não ser política, que justificasse. De qualquer forma, isso indica muito o momento que o mundo vive, no qual há duas coisas incontestáveis.

CC: Quais?
Presidenta: Temos uma crise profunda, que, como todos sabem, não foi produzida pelos governos. Deve-se a uma crise do mercado financeiro, da sua desregulamentação, com aquiescência, aí sim, do poder público. Ontem, por acaso, estava com dificuldade de dormir e voltei a assistir ao documentário Inside Job, um filme que todo mundo deveria assistir. É impressionante como, por meio dos depoimentos, o absoluto descontrole fica patente. E em vez de tomarem medidas cabíveis para retomar as condições de crescimento, encheram os bancos de dinheiro outra vez, mantiveram a desregulamentação, continuaram com o processo de descontrole e agora a crise se exprime de forma muito forte na Europa. Há duas utopias apresentadas como possíveis. Há aquela americana, a solução dos republicanos, que acham ser possível sair de uma das maiores crises, gerada não pelo descontrole dos gastos públicos, diminuindo o papel do Estado. Nesse debate há a tentativa dos republicanos de reduzir a nada o Estado. Não se recupera uma economia desse jeito.

CC: E a outra?
Presidenta: Tem uma segunda utopia vendida lá na Europa. É a seguinte: é possível a gente ter uma união monetária em que a economia central, ou as economias centrais, se beneficiam de uma única moeda, estruturam um mercado, vendem os seus produtos para esse mercado e não têm a menor responsabilidade fiscal, punindo seus integrantes quando eles entram em crise, também provocada pelo nível de empréstimo dos bancos privados. Há um sujeito oculto engraçado, um Estado supranacional com uma política fiscal comum para socorrer os integrantes e não deixar, por exemplo, que a Grécia não tenha outra saída a não ser matar seus velhinhos, atirá-los do penhasco, que era o que acontecia antes, ou acabar em uma redução brutal dos salários e das pensões. Agora, com a Itália e a Espanha, o problema ficou mais complexo, entra em questão a União Europeia. Parece, lendo os jornais europeus, que as ofertas de socorro são poucas e chegaram tarde. São duas utopias muito graves, porque, como disse o Belluzzo, é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou. Em vez de mudar o roteiro da pauta, responde-se com o que a causou. Agora, o Brasil tem de reagir a essa situação.

CC: Como?
Presidenta: Todas as situações são inusitadas, não são aquilo que ocorreu no passado. O momento agora não é igual ao de 2008 e 2009. Temos um problema sério, porque os EUA podem ir para o quantitative easing3 (emissão de dólares) e aí eles vão inundar nosso País. Não tem para onde ir e então eles virão para os mercados existentes, ou seja, nós. Como disse a ministra da Indústria da Argentina, virão para um mercado apetecible. Somos apetecibles, acho que o espanhol tem essa capacidade sonora de às vezes mostrar quão apetecibles somos. Começamos a tentar uma política bastante clara no sentido de conter esses avanços quando o governo colocou aquela tributação sobre os derivativos, porque sabemos que o efeito disso é a entrada aqui, ela se dá por essa arbitragem dos juros.

CC: Mas o que se pode fazer? Começar a baixar os juros?
Presidenta: Não vou te dizer qual é a nossa receita, porque, se fizer essa antecipação, cometerei um equívoco político e econômico. Vamos, o governo, olhar a partir de agora de uma forma diferente essa situação que vem pela frente, porque é algo distinto. Não estamos mais na mesma situação de antes, nem sabemos direito o que vem, mas estamos com abertura suficiente para perceber que pode ser exigido de nós um grande esforço para conter isso. De outro lado, percebemos que, além de tudo, há o fato de que a indústria manufatureira no mundo está com uma grande capacidade ociosa, procurando de forma urgente mercados, e que somos esse mercado. Não vamos deixar inundar o Brasil com produtos importados por meio de uma concorrência desleal e muitas vezes perversa. Vamos fazer uma política de conteúdo nacional com inovação, a mesma que aplicamos em relação à Petrobras e que deu origem à encomenda de estaleiros novos produzidos no País. Também vamos olhar o efeito da crise por setor, porque ele é assimétrico. Alguns são mais prejudicados que outros. Os mais afetados receberão estímulos e proteção específicos. Haverá uma política de defesa comercial, além da continuidade de nossas políticas sociais e de estímulo ao investimento e ao consumo. Hoje (terça-feira 9), por exemplo, ampliamos o Supersimples. Fizemos uma grande isenção tributária que beneficiará um universo muito grande de empresas. Teremos ainda uma política de incentivo à exportação por meio do Reintegra, uma novidade. Nunca tínhamos feito nessa escala. Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho, vamos acompanhar de forma pontual. É como se diz no futebol, marcação homem a homem. Aqui também será marcação mulher a mulher e de todos os jeitos possíveis (riso).

CC: Falemos um pouco de Copa de 2014. Por que as coisas não estão andando como deveriam?
Presidenta: Gostaria de entender por que isso.

CC: Por que achamos isso?
Presidenta: Baseados em quê?

CC: As obras estão lentas, outras foram paralisadas...
Presidenta: Quais?

CC: Estádios...
Presidenta: Vivemos em uma democracia. Temos o Judiciário, o Legislativo e o Executivo.

CC: Há outro motivo.
Presidenta: Qual?

CC: A Fifa é uma organização mafiosa e nosso líder futebolístico fica muito bem dentro desse panorama.
Presidenta: Quem é o nosso chefe?

CC: O Ricardo Teixeira.
Presidenta: Do governo ele não é.

CC: Do futebol. Há quem diga que a senhora não o recebe.
Presidenta: Recebo sim, são relações institucionais. Mas voltemos às obras. É preciso fazer uma diferença: as obras essenciais e aquelas que serão legado. No caso dos estádios, essenciais, tomamos uma providência muito clara. Eles disseram que os estádios serão privados. Dentro dessa visão, eles não estariam na matriz de responsabilidade do governo federal. Mas a União, sabendo do seu poder de financiamento, principalmente de longo prazo, escalou o BNDES para financiar dentro dos valores definidos internacionalmente pela Fifa. São até 400 milhões de reais. Na última avaliação, das obras de estádios em andamento, dez estavam com zero de problemas, fora as dificuldades normais inerentes a grandes projetos. Uma licença que atrasa aqui, algo que precisa arrumar ali. Dois não tinham iniciado obras ainda e eram problemáticos. Um por problema na licitação, que foi refeita. O outro, por conta de uma discussão entre o Ministério Público Federal, o TCU e a CGU. E havia o estádio em São Paulo, cuja situação é pública e notória, e por isso eu a cito aqui. Fizemos muita pressão para resolver o impasse de uma vez por todas. O governo estadual decidiu então entrar, assim como a prefeitura. Acreditamos que o estádio em São Paulo será o que vai ficar pronto mais em cima da hora, mas vai ficar pronto antes do começo da Copa. Vamos supor, porém, que haja algum que não fique pronto. Temos 12 sedes e, em qualquer hipótese, seria possível realizar a Copa com bem menos do que isso. Não vejo risco nenhum nesse sentido.

CC: E o resto da infraestrutura? Aeroportos, por exemplo.
Presidenta: No dia dos jogos vai ter feriado e não haverá concorrência com a estrutura logística. Os aeroportos são, ao contrário, essenciais, ainda mais em um país continental. Dos aeroportos com grandes problemas, temos São Paulo e Brasília, os demais têm muito menos problemas. Por isso decidimos fazer concessões privadas em ambos. Estamos perto de bater o martelo na formatação do leilão. O edital sai em dezembro, a contratação em fevereiro ou março. Concederemos 51%, os outros 49% ficam com a Infraero. Antes, explico o que não vamos conceder: o sistema de navegação e o de aproximação, portanto, nenhuma das torres. Nem o sistema público responsável pela gestão dos voos. Vai continuar a ser responsabilidade do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), na sua grande maioria, e da Infraero, em menor proporção. Sobre para o setor privado a exploração comercial, a administração do aeroporto e a ampliação.

CC: Aumentar a capacidade.
Presidenta: Em São Paulo, vamos reforçar Guarulhos, mas o futuro está em Viracopos, pois Cumbica caminha a passos acelerados para o esgotamento de sua capacidade. Ele não tem retroárea suficiente para expandir, a cidade cresceu naquela direção e o custo para desapropriar é elevado, tanto no que se refere a pequenos imóveis unifamiliares quanto a empresas. Já estudamos várias alternativas, inclusive mudar a configuração da pista, mas é inviável. O que podemos expandir? Os terminais de passageiros. Há ainda o que fazer no pátio e na pista. Fizemos agora uma contratação por emergência de um módulo e de um terminal. Serão entregues até dezembro, pois nossa preocupação não é só a Copa. A taxa de uso de avião cresce 20% ao ano no Brasil, um escândalo.

CC: São os puxadinhos.
Presidenta: Puxadinhos, meu filho, foi o que segurou a Copa da África do Sul. Não faremos isso. Vamos segurar até a Copa, mas, quando ela chegar, teremos estrutura. Qual é o problema? Guarulhos sustenta o sistema. A licitação terá de levar em conta esse fato. Vamos ter de criar um fundo que pague parte dessa renda e a distribua. Ela não pode ficar apenas para quem explora o aeroporto. Não é uma licitação trivial, portanto. Em um segundo momento, vamos nos concentrar no Galeão (Rio de Janeiro) e em Confins (Belo Horizonte). O problema dos aeroportos não é da Copa, é algo para depois de amanhã. Asseguro que em 2014 estará tudo prontinho.

CC: E os legados?
Presidenta: Há 50 obras de legado. A Copa não depende delas para funcionar, é algo a deixar para as cidades. Os prefeitos e governadores têm até dezembro deste ano para ao menos iniciar a fase de licitação. Caso contrário, a obra sai do PAC da Copa e vai para o PAC normal. Por quê? Porque, se não licitar até o fim do ano, elas não ficarão prontas em dezembro de 2013. O governo federal pode fazer várias coisas, mas não pode obrigar ninguém a manter um ritmo se não tiver essas condições prévias.

CC: Como a senhora imagina o Brasil em 2014?
Presidenta: Farei tudo que estiver ao meu alcance para que o Brasil, em 2014, tire 16 milhões de cidadãos da miséria. Que a nossa classe média tenha na educação um caminho para manter sua condição e que aqueles que estão um pouquinho acima na pirâmide social desses 16 milhões de miseráveis passem para a classe média. Quero consolidar um Brasil de classe média. Além disso, quero ter transformado, ao menos em parte, a área da saúde. Não podemos ter hospitais em quantidade absurda, mas podem ter uma política de regionalização, como tivemos nos casos das universidades. E aí tem outra solução. Não sei se vocês sabem, mas precisamos ter, no governo, obsessões. E a minha próxima obsessão é o tratamento em casa, o home care, levar o atendimento de um hospital às casas das famílias. Por quê? Por que queremos inventar uma coisa sofisticada? Não, porque é mais barato, é melhor para as pessoas e por poder ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante. Isso vai descongestionar o tratamento final nos hospitais e diminuir a quantidade de tempo que as pessoas permanecem ocupando um leito.

CC: A senhora poderia dar mais detalhes?
Presidenta: Ainda não. Estamos fazendo as contas, na ponta do lápis, pois não faremos nada sem convicção. Hoje, a convicção sobre a viabilidade do projeto é de 90%. Vamos dimensionar o tamanho. Por isso falo: coisas só se fazem com obsessão. Começamos pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Estamos reequipando, remodelando e modernizando cerca de 40 mil unidades. Temos o mapa da pobreza feito pelo Censo, por grupo e região, e as 3 mil UBS que temos para construir vão para esses locais. O mesmo acontece com a Rede Cegonha. Não vamos conseguir fazer em todos os municípios, mas estamos começando por aqueles com o mais baixo nível de tratamento, de acesso e equipamento de saúde.

CC: Falemos de uma obra bastante criticada. Por que o seu governo insiste no trem-bala?
Presidenta: As mesmas pessoas que hoje criticam o trem-bala diziam, nos anos 80, que o Brasil não deveria fazer metrôs, era coisa de país rico. Deu no que deu. O trem-bala não se justifica naquelas extensões chinesas, de 1,5 mil quilômetros. Na extensão entre Rio e São Paulo é absolutamente justificável. Não se trata apenas de oferecer mais uma alternativa de transporte, mas de produzir uma reconfiguração urbana. É um ponto que ninguém discute. No trajeto entre Rio e São Paulo vai ocorrer uma desconcentração urbana. O cara entra no trem-bala, desce no centro da cidade e vai trabalhar. Se não encontrarmos uma solução para as duas metrópoles, teremos uma banana gigantesca nas mãos. Ficarão inviáveis. Uma vez em Tóquio percebi que as ruas eram estreitas, mas não havia congestionamentos. Quis saber o motivo e me explicaram que o sistema de trens criado depois da Segunda Guerra Mundial tinha mudado a direção urbana das cidades. Nas paradas entre Tóquio e Kyoto criaram-se bairros, áreas de moradia. Pense no percurso entre São Paulo e Rio, entre a serra e o mar. É um dos lugares mais bonitos do País. Não existirá motivo para que as pessoas não queiram morar nesse caminho. Com o trem-bala, alguém que viva a 60, 70, até 100 quilômetros do Rio ou de São Paulo chegará rapidamente aos centros dessas cidades.

CC: A Comissão da Verdade vai sair do papel?
Presidenta: Vai sim, vamos criá-la. Queremos que seja unânime nas bancadas do Congresso. Não há motivo nenhum para o PSDB e o DEM não a aprovarem. Não é algo que pode ser visto partidariamente, é uma dívida que temos.

Extraído da Revista CartaCapital n˚ 659

Enviado por Julio Cesar Macedo Amorim 





A partir da página 20 desta edição da Carta Capital, a Presidenta Dilma Rousseff, em entrevista a Mino Carta, Luiz Gonzaga Belluzzo e Sergio Lírio mostra por que o Nunca Dantes a escolheu e por que a popularidade dela dá uma surra no Fernando Henrique . Começa que ela já assistiu duas vezes ao “Trabalho por Dentro” (Inside Job), o documentário que mostra por que os Estados Unidos quebraram em 2008 e como Obama está inteiro, lá dentro.

(Este Conversa Afiada se sensibiliza com o gosto cinematográfico da Presidenta, depois compartilhar com ela a devoção incomparável a Emily Dickinson.)

A Presidenta analisa as duas utopias em curso.

Uma, a dos republicanos americanos – e ela dá nome aos bois - que acreditam na destruição do Estado como solução.

(Ronald Reagan foi quem cunhou a expressão “o Estado não é parte da solução; ele é O problema”).

A outra utopia é a que vige na Europa: uma união monetária em que a economia central estrutura o mercado, vende os produtos ao mercado e não tem nenhuma responsabilidade fiscal.

Quando alguém quebra, porque tomou muito dinheiro emprestado aos bancos da economia central, como a Grécia, o centro vai lá e salva.

Mas, quando é a Itália ou a Espanha, aí, fica “mais complexo”, diz ela.

Ou seja, a vaca vai pro brejo, diz o ansioso blogueiro.

Dos Estados Unidos, o temor é o Banco Central optar por um “quantitative easing 3”, ou sejam, irrigar o sistema financeiro com a compra de títulos – e derramar dinheiro em mercados emergentes, como o brasileiro, que é segundo ela, “apetecible”, para usar uma expressão que ouviu de uma ministra argentina.

Sem bravatas, a Presidenta enumera ponto por ponto o que pode fazer, diante de uma crise de tipo novo e cujo perfil ainda não se conhece definitivamente.

Vai ser uma “marcação homem por homem”, diz ela.

Ela desconcerta os entrevistados, quando tentam demonstrar que as obras para a Copa não ficarão prontas.

E quando a Carta afirma, “a FIFA é uma organização mafiosa e o nosso líder futebolístico fica muito bem dentro desse panorama”, ela pergunta:

Quem é o nosso chefe ?

A Carta responde:

Ricardo Teixeira.

Do Governo ele não é, diz ela.

Por isso, ela escalou o BNDES para financiar as obras e não deixar o Teixeira ficar perto do cofre (essa dedução é do ansioso blogueiro).

Se houver algum problema, diz ela, será com o estádio de São Paulo, que vai ficar pronto em cima da hora.

(Quem mandou eleger o Padim Pade Cerra governador?)

Ela defende o trem-bala de forma irrefutável.

E apresenta uma nova “obsessão”, depois de jurar que vai tirar 16 milhões de brasileiros da miséria.

É a obsessão pelo tratamento médico em casa, o home care: levar o hospital à casa do doente.
É mais barato, descongestiona os hospitais e diminui o tempo em que as pessoas ficam no hospital.

Sobre o Johnbim.

Ora, sobre o Johnbim.

Até nas monarquias os reis eram substituíveis, diz ela.

Daqui a um ano ela quer conversar com o pessoal da Carta sobre o desempenho do Celso Amorim.

E se alguém ainda é vivandeira, é uma minoria entre militares e na mídia.

(No PiG (*), a Eliane Catanhêde foi quem liderou a oposição ao Celso Amorim). Afinal, Amorim sempre foi a primeira escolhadela para a Defesa.

Resumo da ópera.

O PSDB não tem um quadro para enfrentar a Dilma, tecnicamente,  num debate.

O PSDB não tem um líder para enfrentar a Dilma numa campanha pelo país afora.

O PSDB não tem programa para se contrapor ao da Dilma.

Quem mandou a oposição delegar ao PiG (*) a formulação de idéias ?

Quem mandou a oposição ficar atrelada ao PSDB de São Paulo, a maior província do Brasil ?

Paulo Henrique Amorim