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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Não há qualquer “vácuo de poder” no Oriente Médio

5/1/2013, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido na birosca do Furdunço na Vila Vudu: Desnecessário dizer que a matéria ontem publicada no NYT (4/1/2014) – adiante diagnosticada como “tese alucinada” – JÁ ESTÁ COPIADA E REPUBLICADA, hoje mesmo (6/1/2014), n’O Estado de S.Paulo.
Por que, diabos, alguém teria algum interesse de ler, em O Estado de S.Paulo, o BOBAJOL publicado ONTEM (4/1/2014) no New York Times?!
Delete O Estado de S.Paulo. A Internet bem usada a nosso favor É O MÁXIMO!
A rapaziada aqui lê o blog The Moon of Alabama e, de uma penada, já aprende a esculhambar, além do “jornalismo” do NYT, também o “jornalismo” sub-do-sub, d’O Estado de S.Paulo!
Te cuida, Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão)! \o/ \o/ \o/

Uma explosão abalou na 5a.-feira (2/1/2014) um prédio do partido Hezbollah em Beirute, um dia após as autoridades libanesas anunciarem a prisão de um líder sênior de origem saudita da al-Qaeda.
Vácuo é a ausência de matéria. Mas, para o New York Times, a única “matéria” que conta são militares norte-americanos. Daí brotou a tese alucinada segundo a qual um “Vácuo de Poder no Oriente Médio Fortalece os Militantes” (NYT, 5/1/2013):

Por todos os seus ecos, o banho de sangue que engolfa o Iraque, o Líbano e a Síria nas duas últimas semanas expõe algo novo e desestabilizante: a emergência de um Oriente Médio pós-EUA, no qual nenhum dos atores tem poder, ou vontade, para conter os ódios sectários regionais.

Nesse vácuo de poder, islamistas fanáticos floresceram tanto no Iraque como na Síria sob a bandeira da Al-Qaeda, com os conflitos dos dois países amplificando-se mutuamente e fazendo prever radicalismo cada vez mais profundo. [aqui traduzido por nós].

Hmm... Como assim, NYT [e O Estado de S.Paulo]?! Não houve sangue na guerra civil no Líbano? Não houve a guerra Iraque-Irã? Tudo por lá estava em paz, enquanto os EUA invadiram e ocuparam o Iraque?

A tal tese do “vácuo” é asneira.

E a ideia do “vácuo de poder” é ainda mais estúpida, se se considera a lista de forças poderosas que estariam operando no tal “vácuo” inventado pelo NYT:

Pela primeira vez desde a retirada das tropas dos EUA em 2011, combatentes de um grupo associado à al-Qaeda conseguem recapturar território iraquiano. Nos últimos dias, esses combatentes tomaram partes de duas das maiores cidades da província de Anbar, onde o governo, que os combatentes desprezam como ferramenta do Irã xiita, lutam para manter uma aparência de autoridade.

No Líbano, houve duas explosões mortais de carros-bomba, um dos quais matou político importante e aliado dos EUA.

Na Síria, o ritmo da violência acelerou, com centenas de civis mortos por bombas lançadas indiscriminadamente sobre casas e mercados.

Ligando toda essa cacofonia, há o crescente apelo às lealdades atávicas de clã e seita.

Assim sendo, o “vácuo de poder”, a ausência absoluta da “matéria poder”, estaria, segundo os que escrevem no NYT, preenchida pela al-Qaeda, pelo exército iraquiano, por terroristas no Líbano e por várias forças que lutam na Síria, todas, de um modo ou de outro, envolvidas na guerra “à distância” da Arábia Saudita contra o Irã.

UAU! Mas que vácuo mais cheio de matéria! \o/ \o/ \o/

Além de propaganda do tal “vácuo”, o que se vê aí é, nada mais nada menos, que a vontade de que os EUA envolvam-se cada vez mais, de modo que o tal “vácuo” fique bem cheio da única “matéria de poder” que (não se sabe como ou por quê) seria essencialmente importante: militares norte-americanos.

De onde esse pessoal que escreve para o NYT [e o pessoal do Grupo GAFE que, no Brasil, COPIA o NYT] tirou essa ideia estúpida, sobre o tal “vácuo” cheio de militares norte-americanos? A primeira ideia que vem à cabeça é que BOBAGEM dessa magnitude só sairia, de fato, de cabeça neoconservadora/neoliberal [isso, nos EUA; no Brasil, BESTEIROL dessa magnitude saem aos borbotões, todos os dias, de cabeças de jornalistas “globais”-tucano-udenistas do tipo dos vaaks-sardimburgers-tacanhedes-leitões-grilos! \o/ \o/ \o/].

Rápida pesquisa basta para encontrar, noutra matéria, mas no mesmo NYT, a fonte do BESTEIROL sobre o tal “vácuo”:

Dois Republicanos críticos da decisão do presidente Obama de retirar do Iraque os soldados dos EUA – senadores John McCain, do Arizona e Lindsey Graham, da Carolina do Sul – disseram que “muitos de nós previmos que o vácuo seria preenchido por inimigos dos EUA, e emergiria como ameaça aos interesses da segurança nacional dos EUA.

Mas... que “vácuo” e que “interesses da segurança nacional” seriam esses?!

Foi o ataque dos EUA contra o Iraque que fez crescer a guerra sectária no Iraque e além do Iraque. Foi a derrubada de Saddam Hussein que alterou o equilíbrio entre sunismo saudita e xiismo iraniano, o que, na sequência, motivou os sauditas a arregimentar e disparar seus bandos de jihadistas.

Não foi algum “vácuo de poder” que criou aquela guerra que continua até hoje e continuará ainda por muito tempo para o futuro. Foi a inserção de forças militares dos EUA no Oriente Médio que levou gerou superpressão e, depois, as explosões que se ouvem hoje.

Pretender que essas inserções militares e a presença militar dos EUA seriam necessárias para preencher algum espaço vazio (“vácuo”) no Oriente Médio só comprova o vácuo (de matéria cinzenta) no crânio desses jornais e jornalistas.




[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como“Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). No Brasil, produzimos versão SENSACIONAL, na voz de Cida Moreira, gravada em “Cida Moreira canta Brecht”, que incorporamos às nossas traduções desse blog Moon of Alabama, à guisa de homenagem. Pode ser ouvida a seguir:



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Síria e Líbano: O fogo amigo dos sionistas brasileiros


Raul Longo
Escrito e enviado por Raul Longo

O que me escandaliza não é o Ruy Mesquita -- que já foi. Atrasado, mas foi! -- ser judeu. Bob Civita é outro judeu e isso não me escandaliza em nada.

Não me escandalizam porque sei que apesar do trabalho conjunto entre judeus sionistas e os nazistas na 2ª Guerra Mundial, nem todos os socialistas judeus foram exterminados e ainda tem muitos bons judeus espalhados pelo mundo para um dia se libertar o povo de Israel dos criminosos nazissionistas.

Ruy Mesquita
Também não me escandaliza os retardatários Ruy e Robert serem sionistas. Pelo mundo afora os sionistas são mesmo os maiores detentores dos meios de condicionamento de massas. Judeu libertário dono de empresa de comunicação de verdade, se é que existe, é raríssimo. Com perdão à má memória o Roberto Marinho, por exemplo, era judeu. Dizia-se católico, mas na hora de reportar os crimes nazistas do Estado de Israel contra os palestinos e árabes em geral se revelava sionista dos mais sinistros.

Católico para disfarçar a origem judaica ou por real conversão, também pouco importa, pois judeu não é etnia, nem nacionalidade. É religião. A etnia é semita, como a de qualquer palestino e de todo o povo árabe, incluindo os hebreus. Já que foi forjado um país chamado Estado de Israel, digamos que Roberto Marinho era um descendente de israelitas que se dizia católico, mas pelos veículos de suas empresas de condicionamento de massas se assumia um autêntico sionista, com todas as mentiras e deturpações da realidade dos fatos, comuns ao sionismo.

Isso de alguém se assumir sionista deveria ser execrável, já que sionista e nazista são sinônimos com nacionalidades diferentes. Nazistas eram os sionistas alemães e sionistas são os nazistas israelenses que dizem seguir a fé judaica. Mas mesmo em Israel há muito rabino que contesta e diz que todo sionista é tão infernal e nocivo aos judeus quanto foram os nazistas.

IstoÉ  no. 8
Então não é por acaso que os donos dos maiores conglomerados condicionamento de massas do Brasil: Organizações Globo, Editora Abril e O Estado de São Paulo apoiavam a Ditadura Militar, de franca orientação nazista.

Só aqui no Brasil é que se faz de conta que a Ditadura Militar não foi nazista, pois o resto do mundo inteiro reconhece e a Argentina assume que a ditadura militar lá deles foi nazista. Ainda agora, com a outra retardatária da Thatcher, um amigo inglês lamentou os bombardeios que seu país sofreu na 2ª Guerra Mundial para depois vir a ser governado por uma nazista. E confirmou: “Tão nazista que era amiga do Pinochet”.

De fato, Pinochet negou a extradição de Walter Rauff que executava judeus através de uma frota de 20 caminhões de caçambas fechadas com pouco menos de 2 metros de largura por 6 de comprimento, conectadas ao cano de escape dos veículos para asfixia por gás. Requisitado para julgamento por crime contra a humanidade, Pinochet negou sua extradição.

Bob Civita
Rauff também foi usado para espionar Fidel Castro, conforme noticiado pela revista alemã Der Spiegel. Em contrapartida o nazista Pinochet foi protegido pela inglesa Thatcher, também amiga dos sionistas que apoiaram todas as ditaduras nazistas da América Latina, inclusive a do Brasil que através dos Mesquitas, Marinhos e Civitas foi condicionada ao povo brasileiro.

Isso de que O Estado e o Jornal da Tarde tinham de substituir matérias por receitas e versões de Camões é balela. O Otávio Frias fazia a mesma coisa contratando colunistas e até editores de esquerda como o Abramo e o Amâncio, enquanto publicava foto e notícia de morto em resistência à prisão que só morreria dias depois, nas celas do DOI CODI.

Frias e Mesquitas conquistavam leitores passando por críticos de seus aliados da ditadura, mas nunca sofreram os mesmos atentados, sanções financeiras e pressões experimentadas pelos que eles mesmos chamavam de imprensa marginal: Pasquim. Ex, Movimento, Opinião, etc.

Portanto nenhum escândalo em a Veja, o Estadão ou o Jornal da Tarde e o jornal ou a TV Globo de sempre denegrirem árabes e apoiarem o estado nazissionista de Israel, o que está muito claro na diferenciação que fazem ao noticiar alguma ação palestina contra Israel, sempre indicando como de autoria de extremistas, fundamentalistas ou terroristas; e quando contra um governo antissionista como foi o de Kadafi se referirem a heroicos rebeldes.

Jamais apontarão os grupos que atacam o governo da Síria como um exército de mercenários. Para os sionistas da Globo, do O Estado de São Paulo ou da Editora Abril não passam de rebeldes.

E tome pau no Egito, na Líbia, no Iraque, na Palestina, na Síria ou no Líbano.

Tudo muito normal, compreensível. Hitler e Goebbels usaram das mesmas mentiras e condicionamentos contra os judeus socialistas e já com apoio dos sionistas como o Ruy Mesquita que morreu e o Robert Civita que segundo as notícias está muito mal.

O que não consigo compreender é:  

Por que esses sionistas não foram para o Hospital Albert Einstein?

Einstein também era antissionista e foi contra a criação do Estado de Israel, mas se o Hospital é de judeus e considerado uma referência nacional...

Por que quando mal de saúde o Ruy e o Bob foram para o Hospital Sírio-Libanês?
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Ler também:


Leia mais alguns artigos sobre “Sionismo”:




quinta-feira, 17 de maio de 2012

Quem é quem no banquete da OTAN


17/5/2012, M K Bhadrakumar*,  Asia Times Online
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu



Nota do pessoal da Vila Vudu e da redecastorphoto

Hoje, 17/5/2012, um influente blog de soldados veteranos norte-americanos sobreviventes das guerras da OTAN-EUA, publica editorial intitulado Veterans For Peace exigem o fim da OTAN, onde se lê:

“Depois de fazer guerras de agressão na Yugoslávia, no Iraque, no Afeganistão e na Líbia, a OTAN permanece no Afeganistão, ilegalmente e imoralmente, para nenhum objetivo conhecido. O povo dos EUA, das demais nações que fornecem soldados à OTAN e do próprio Afeganistão, exige a saída da OTAN do Afeganistão, enquanto os presidentes Obama e Karzai, contra o desejo manifesto dos povos, trabalham para manter soldados dos EUA-OTAN no Afeganistão por, no mínimo, os próximos 12 anos e meio. (...)

A matança e a destruição da Líbia, pela qual EUA-OTAN são responsáveis, foram ilegais, imorais e contraproducentes, tanto quanto o é a agressão da OTAN ao Afeganistão. As guerras da OTAN não levaram democracia, paz ou direitos humanos a lugar algum do planeta. (...) A Líbia tampouco é modelo para futuras ações da OTAN.

Não há nem pode haver modelo para futuras ações da OTAN. A OTAN perdeu sua razão de ser.

Os Veterans For Peace unem-se aos nossos irmãos e irmãs na Europa e em todo o mundo, que se mobilizam em manifestações pacíficas para exigir o imediato desmonte da OTAN.”

No mesmo dia, o jornal O Estado de S.Paulo publica, requentado do New York Times, artigo do secretário-geral da OTAN, É imperativo armar a OTAN, no qual o muito sinistro Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da OTAN, pede dinheiro ao mundo para armar ainda mais a OTAN.

Em linguajar cifrado-sinistro, para engambelamento da opinião pública – que o sinistro O Estado de S.Paulo endossa e subscreve, ao requentar e repetir o que escreve aquele (mais um!) sinistro colunista do sinistro Estadão – Rasmussen fala da necessidade de “equipar adequadamente a OTAN”.

Assim se veem, bem claramente, os dois lados: de um lado, a OTAN-EUA e seus veículos de jornalismo de repetição pelo planeta, a pregar guerras e mais guerras. De outro lado, os cidadãos, sobreviventes precários de todas as guerras, que se organizam para resistir à fúria desse aparelho bélico-jornalístico.

Como tradutores militantes, nos alinhamos firmemente ao lado dos Veterans for Peace, contra a OTAN, contra as guerras dos EUA em todo o mundo e contra o jornalismo obsceno que desgraça o Brasil-2012.

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ainda está imprimindo os cartões de identificação para sua Conferência em Chicago no próximo domingo. Imprimiram um cartão para o presidente do Paquistão Asif Zardari na 4ª-feira. O Paquistão tornou-se “elegível”, depois de dar sinais de que baixará a crista e reabrirá as rotas de passagem para os comboios militares que seguem para o Afeganistão – apesar de os EUA continuarem obcecadamente a recusar-se a pedir desculpas formais pelo massacre de soldados paquistaneses em novembro e a suspender os ataques mortais, com aviões-robôs, os drones, contra aldeias paquistanesas.

O Paquistão receberá da OTAN US$1 milhão/dia, à guisa de taxa de pedágio. E é bom negócio? Um convite para o banquete da OTAN em Chicago, em troca de reabria as rotas de passagem? Os principais partidos da oposição paquistaneses entendem que não. Mas... O partido governante é sempre quem decide onde está o melhor negócio. Além do mais, os militares paquistaneses querem que assim se faça. E assim será feito.

Zardari ainda não confirmou presença, mas só para fazer-se mais esperado. Mostrar-se numa festança daquelas é questão de prestígio nacional. A OTAN não convida Zé ninguéns: nem o presidente da China nem o presidente da Índia foram convidados àquele congresso de bruxas em Chicago. (A Rússia foi sondada, mas respondeu niet [em russo ‘Não!”], mas essa é outra história complicada; e OTAN-EUA sonharam com convidar Israel, mas a Turquia bateu pé e disse haver [em turco: ‘Não e não!”]).

A lista de convidados da OTAN mostra a ingenuidade (ou a arrogância) do ocidente e é como um mapa do caminho das estratégias globais ocidentais para o século 21. Que cara tem a tal lista de convidados? O mais espantoso é que, mais ou menos como no Inferno de Dante, há “círculos”, “estações”.

No núcleo mais hardcore, estão os 28 países-membros da OTAN. O círculo seguinte é dos 13 países considerados “parceiros globais” da OTAN – Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, do Pacífico Asiático; Qatar, Emirados Árabes Unidos e Marrocos, do Oriente Médio; a Geórgia, da Eurásia; e Áustria, Suíça, Suécia e Finlândia, do velho bom quintal europeu.

Esse é o crème de la creme dos aliados da OTAN. As mais luminosas omissões são a Indonésia e as Filipinas (essa última, apesar de “estado-de-frente” no Pacífico Asiático e desejosa de espetar o dragão chinês), a Arábia Saudita (apesar de ser a bomba de gasolina n.1 das economias ocidentais há bem mais de meio século), o Egito, a África do Sul, o México, o Brasil e a Argentina (que são prima-donas nas respectivas regiões). No geral, parece que a OTAN sente-se meio desconfortável com o Grupo dos 20, que luta para constituir-se.

Jogo de “amor-bandido”

Marchando avante, há outro círculo mais externo formado dos países que são partícipes ou colaboradores na guerra da OTAN no Afeganistão. São os verdadeiros “VIPs” (ou “heróis”, dependendo do ponto de vista de cada um sobre a sangrenta guerra afegã), porque põe a cara a tapa e atraíram a atenção da al-Qaeda para resgatar a OTAN do atoleiro afegão. São (em ordem alfabética, não em termos das respectivas quotas de suor e lágrimas): o Azerbaijão, a Armênia, o Bahrain, El Salvador, a Irlanda, Montenegro, a Malásia, a Mongólia, Cingapura, a Ucrânia e Tonga.

Detalhe sensacional nisso tudo é que, se algum dia alguém vencer a guerra do Afeganistão, o mérito pode ser todo de Tonga e sua contribuição, mas fato é fato.

A lista está incompleta. Esse círculo tem um subcírculo, em cujo centro está o Afeganistão (principal tópico de discussão da Conferência da OTAN), cercado por seus vizinhos da Ásia Central. Parece que a Rússia foi acomodada sob essa subchefia. Zardari, certamente, encaixa-se nesse nicho.

A Rússia designou um simples chefe do comitê afegão do Ministério de Relações Exteriores em Moscou para declarar alto e claro que está ressentida por ter sido excluída das reuniões chaves da OTAN sobre a condução da guerra afegã, que acontecem regularmente, faça chuva faça sol, em Bruxelas. Mas também é ressentimento “nuançado”. A Rússia não tem qualquer objeção à guerra da OTAN no Afeganistão e é, até, ardorosamente favorável. Mas a Rússia ressente-se, sim, de a OTAN monopolizar a guerra; a guerra deveria ser “democratizada”.

Os estados da Ásia Central designaram os ministros de Relações Exteriores, porque, tecnicamente, são membros também da aliança rival, chamada “a OTAN do Leste” – a Organização do Tratado de Segurança Coletiva [ing. Collective Security Treaty Organization (CSTO)].

Essa CSTO está atada num jogo de “amor-bandido” com a OTAN: é rival da OTAN na disputa pelo título de principal aliança militar no espaço pós-soviético, mas também sonha com que a OTAN a reconheça como igual, para que, assim, a própria CSTO possa convencer-se de que, sim, existe (reconhecimento o qual, como se pode bem imaginar, a OTAN lhe recusa, obediente aos desígnios de Washington, porque os EUA preferem tratar com as ex-repúblicas soviéticas individualmente, não como parceiras ‘júnior’ de Moscou). 

As dificuldades da aliança CSTO são quase imagem especular das da Rússia – anseia por teto e cama quente no lar europeu comum, mas é insistentemente mantida à chuva, condenada a espiar de longe, enquanto os EUA continuam a engajar-se seletivamente nas áreas que interessam às estratégias norte-americanas. (É bem possível que a OTAN também, algum dia, engaje seletivamente a CSTO, para, por exemplo, caçar traficantes de drogas na Ásia Central, que muito atrapalham a economia afegã). A aliança CSTO é formada de Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão.

Mas, também é verdade que Moscou sente-se pouco segura por a OTAN ter convidado líderes da Ásia Central ao banquete em Chicago. Desconfia das intenções da OTAN na Ásia Central, sobretudo no contexto do possível estabelecimento, ali, de bases militares dos EUA.

Afinal, um dos objetivos da conferência de Chicago é avançar na construção da “estratégia inteligente” [ing. “smart strategy”] da aliança, aprovada na Conferência de Lisboa, em 2010, para projetar a OTAN como a única verdadeira organização de segurança global que poderia eventualmente operar mesmo sem mandado da ONU nos “pontos quentes” [orig.“hot spots”] do mundo.

Moscou preocupa-se, ante a evidência de que a OTAN já está pegando o gosto por forçar “mudança de regime” em terras estrangeiras, como o comprova a guerra contra a Líbia – e também no caso de as tendências perversas que se veem na Síria levarem a idêntico resultado.

Além do mais, a OTAN está lançando iscas na direção de estados da Ásia Central, sob a forma de ofertas cada dia mais irresistíveis. A dura realidade é que os regimes da Ásia Central têm visto aumentar seus interesses na guerra afegã, com a OTAN gerando generosamente contratos lucrativos para fornecimento de bens e serviços, que chegam, abundantes, a empresas de propriedade das elites regionais.

Os EUA pagam quantia interessante ao Quirguistão, pelo aluguel da base aérea Manas. Agora, fala-se que parte das armas e equipamentos usados no Afeganistão podem ser doados a países da Ásia Central, ao longo da retirada, até 2014.

Não há dúvida de que grossas mamatas, sob direção da OTAN, alastram-se pelas estepes da Ásia Central e muito incomodam a Rússia. Seja como for, é interessante: os estados da Ásia Central decidiram, coletivamente, que seus presidentes manter-se-ão bem longe da Conferência da OTAN e da deliciosa Chicago, cidade dos ventos. Mas também se pode supor que não passe de supremo ato de autonegação, nos líderes da Ásia Central, em deferência à sensibilidade de Moscou.

Pergunta ao chef

Verdade é que um país chave, vizinho do Afeganistão, foi escrupulosamente mantido longe da conferência da OTAN, embora ainda mantenha considerável capacidade para influenciar a maré da guerra afegã: o Irã. 

Desperdiçou-se grande oportunidade ao não engajar construtivamente o Irã. Mas o presidente Barack Obama, dos EUA, decidiu que a hora não está para jogadas de risco.

O presidente Mahmud Ahmadinejad é personalidade mercurial, muitíssimo carismático e poderia acabar roubando o show que Obama cuidadosamente, dolorosamente coreografou para proclamar ao mundo que é líder de estatura planetária. Seria arriscado demais, para Obama, sim, num ano eleitoral carregado de percalços. E o Republicano Mitt Romney ajudado por todo o lobby israelense lhe criariam terríveis dificuldades, obrigando-o a explicar tanta “softnessem relação ao Irã.

Outro dos círculos em que se divide a relação de convidados da OTAN é o dos quatro candidatos que esperam na antessala, pela inclusão como membros da aliança – a Bósnia-Herzegovina, a Geórgia, Montenegro e Macedônia.

A Geórgia ostenta a medalha de ser o único estado que figura em três círculos: é aliado global da OTAN, é parceiro na guerra afegã e é elegível ao posto de membro pleno. A mensagem cifrada na atenção extraordinária dedicada à Geórgia não passaria despercebida em Moscou. Não por acaso, os primeiros governantes “estrangeiros” que o presidente Vladimir Putin recebeu depois de eleito vinham de Abecásia e Ossétia do Sul, regiões da Geórgia.

Não implica dizer que Moscou tenha qualquer apreensão quanto à Geórgia ser admitida como membro pleno da OTAN. Putin tem parceiros europeus importantes, como Alemanha, França e Itália, para garantir que a OTAN não entre em confronto direto com a Rússia. Putin está satisfeito com a saída de Nicolas Sarkozy e a emergência do governo socialista em Paris.

E Obama também já sabe que a prioridade de seu segundo período de trabalho no Salão Oval – se chegar lá – terá de ser reiniciar o reinício das relações entre EUA e Rússia, e conseguir que fazer da parceria Rússia-EUA instrumento previsível e maximamente útil para as estratégias globais dos EUA – sobretudo ante o desafio muito complexo que vem da China.

Não há dúvidas de que a lista de convidados da OTAN oferece bom quadro do que os marxistas-leninistas chamariam “a correlação de forças” na política internacional hoje. O que aqui se lê não é o quadro completo da política global, mas é mais da metade do cenário num panorama muito fluido.

Permitam-me concluir com um raro toque de húbris, e perguntar: o que é uma conferência da OTAN, quando China e Índia estão ambas cuidando da própria vida e arando as próprias searas independentes?

No mínimo, Bruxelas deveria ter incluído uma categoria de convidados chamados “OTAN + BRICS”. Os países BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – com certeza não são menos importantes que a União Europeia, para a configuração do mundo de amanhã. Por que não foram convidados, é pergunta que o grand chef do banquete de Chicago – Obama – terá de responder. 

MK Bhadrakumar* foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The HinduAsia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Justiça valida Acordo Judicial entre Bancoop e MP, mas Estadão traz Haddad para o banco dos réus


Soube pela Folha de São Paulo que Haddad tem 3% de menção espontânea em pesquisa sobre as eleições municipais, ou seja, ninguém em SP sabe quem ele é. Mas parece que o Estadão tem muito medo de Lula se recuperar e entrar na campanha e dizer: “meu candidato é o Haddad”, afinal, esse ex-torneiro mecânico (o Estadão não suporta o fato de Lula ser ex-presidente, só lembra disso pra falar do “mensalão”) tem um capital eleitoral em São Paulo de 44%, ou seja, 44% dos eleitores da cidade de São Paulo afirmam que votaria num candidato indicado pelo ex-presidente.

Será que é por isso que o Estadão quer por toda força colocar um candidato completamente desconhecido dos eleitores da cidade no banco dos réus? Vejamos.

O Tribunal de Justiça de São Paulo validou, por è Continue lendo... 



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os burros à frente das cenouras


Raul Longo meditando...
Sobre Pulitzer!

Raul Longo
Recebo da querida correspondente Maria Rodrigues de Fortaleza postagem do Rodrigo Viana no Escrevinhador. Não tenho o que comentar sobre o já comentado pelo Rodrigo e que por si se explicita e revela, mas penso que mereça consideração uma das frases reproduzidas ao final da mensagem, não sei se incluídas pela Maria ou pelo pessoal do grupo “Amigas do Franklin”.

Trata-se de uma afirmação de um dos patronos da atividade jornalística mundial: o Joseph Pulitzer. Me provocou a necessidade de reflexão porque esse húngaro naturalizado estadunidense é o pai do jornalismo moderno.

Se a imprensa do mundo hoje é o que é, foi porque Pulitzer a fez ser assim e para compreender a importância desse nome para todos que exercem a atividade, basta saber que o Prêmio Pulitzer corresponde ao Nobel do jornalismo. Portanto, evidente que não serei eu a discordar do Mestre quando afirma:

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”  Joseph Pulitzer

Indiscutivelmente Pulitzer tinha toda razão, mas no caso brasileiro me faz reportar a uma consideração de anos atrás por um querido primo que vive no Rio de Janeiro. Na percepção daquele primo o Brasil é a grande comprovação de que o anarquismo é possível e pode dar certo, posto que se conseguimos, como povo, manter esse país apesar da desordem promovida durante 500 anos por elites tão canalhas, imagine-se o que faríamos se não tivéssemos governos e elites para bagunçar!

Daí a lembrança do verso da música do Milton Nascimento: “Um país onde o povo é mais sábio que seus governantes. Se a frase não é do Milton, é por ele interpretada numa música que não lembro o título, mas contradiz o recorrente axioma de que “cada povo tem o governo que merece”.

Mesmo quando George Bush foi reeleito não concordei com os amigos que então ressaltaram aversão ao povo dos Estados Unidos refutando minha discordância ao julgamento, tentando me convencer de que o “os americanos são mesmo idiotas prepotentes que se creem donos do mundo”.

Os estadunidenses, como qualquer outro povo, resultam de um processo de condicionamento de massas, conforme alertou Pulitzer. E o exemplo do povo alemão, igualmente condicionado ao nazismo por Joseph Goebbels, é uma demonstração de que tais processos não são irreversíveis.

O desmonte do condicionamento nazista se deu através do terrível sofrimento dos alemães e a vergonha que ainda hoje carregam e carregarão por muitos anos. O do povo estadunidense, certamente não será mais ameno. Mas os brasileiros vêm tendo maior sorte e se pode observar isso desde o final da ditadura militar quando se tentou implantar, aqui, o mesmo sistema utilizado naquelas potências do hemisfério norte.

Acontece que o condicionamento de massas no Brasil se limitou à degradação do sistema de ensino público, promoção do consumismo entre determinadas classes sociais e monopolização dos meios de comunicação social por alguns poucos empresários do ramo ou nele ingressos como atividade paralela consorciada a outros interesses internacionais.

Insuficiente.

Insuficiente porque as elites erroneamente se convencerem de que deixando meia dúzia de oligarcas da mídia se incumbir de justificar a truculência das armas, a merda de país em que se vivia se douraria como o melhor dos mundos, quase que igual aos Estados Unidos da “Maioria Silenciosa”. Faltando pouco para uma versão tropical do “Sonho Americano”, genialmente satirizado por Charles Chaplin, ainda no tempo do cinema mudo.

Se Chaplin não conseguiu alertar os estadunidenses do engodo com que se os enredavam e os sanduíches do MacDonald’s tiveram maior participação na formação na consciência do povo dos Estados Unidos do que as geniais metáforas cinematográficas do pequeno inglês que inventou o cinema crítico daquele país, tampouco o fariam os diários do húngaro que os ensinou a fazer jornal; a culpa não é dos dois nem do povo norte-americano.

É de quem insistiu no insistir da mentira que aí está no presente que Marx também previu...

Aprenderam mal, mas assim mesmo, , os donos do sistema sabiam que não adianta apenas pôr a cenoura na frente do burro para que trote sempre mais rápido, pois se nunca derem, de fato, uma cenoura; por mais instinto que tenha, o animal acabará não entendendo de que se trata aquele cone rosado.

Foi o que aconteceu quando a classe média brasileira cansou de puxar a carroça a troco de nada e saiu às ruas dos grandes centros do país pedindo pela redemocratização.

A meia dúzia de donos de empresas de comunicação fez de conta de que nada acontecia, só que a carroça estava irremediavelmente atolada e o burro empacou naquela coisa de “Movimento das Diretas Já”.

Pavlov explicaria, mas não teve outro jeito que não fosse inventar uma transição com o Tancredo Neves. Na continuidade com Sarney deu tempo para se constituir o que só duas décadas depois foi identificado como partido político pelo editor do Conversa Afiada.

Filho de jornalista, Paulo Henrique Amorim tem acompanhado a política brasileira desde que cobriu a renúncia de Jânio Quadros em 1961 e, evidentemente, já distinguira uma formação partidária da mídia brasileira na eleição de Collor de Melo e na manipulação da cenoura “Caçador de Marajás”.

Apesar da derrota – cassação - que experimentaram com o candidato criado pela própria imprensa, nem por isso se afastaram da certeza de que a eles compete o direcionamento dos rumos do país.

Entendem que política no Brasil se resume em ser um Mesquita, Frias, Marinho ou Civita; e só precisam arrumar um FHC, Serra ou mesmo alguma “celebridade” de reality show para sentar no Palácio da Alvorada.

Mas antes de Sua Excelência – Bambam, Xuxa p. ex. - com o fracasso do Collor desistiram de produzir candidato próprio e adquiriram um já feito.

Havia que se reconhecer a experiência de Kissinger e não descartaram o “prêt–à-porter” Fernando Henrique Cardoso já formatado e com a vantagem de uma dúbia garantia de validade emitida por uma esquerda distraída.

Ao longo dos dois mandatos a validade venceu ou se mostrou improficiente e ordinário, mas só quando o diretório nacional do partidão da mídia insistiu no recurso da cenoura lançando sua 5ª campanha ao poder, o esperto e experimentado Amorim o identificou com a sigla PiG - Partido da imprensa Golpista.

Paulo Henrique Amorim trabalhou no QG do partido, a TV Globo, e sabia (e continua sabendo) do que estava falando.

Em que pese o costume no correspondente sentido da sigla em inglês, a legenda não deixou de ter sua glória. Afinal, de cara o Partido venceu as 3 primeiras disputas eleitorais de sua existência. Elegeu o Collor e o FHC duas vezes. Só foi perder para o Lula na 4ª campanha, com José Serra.

Ainda podem escolher coisa pior, mas daí pra frente o Partido vêm amargando sucessivas derrotas até em disputas que eles mesmos inventam, como na campanha do Mensalão.

Não conseguiram emplacar o impeachment.

Depois veio a derrota da 3ª campanha com Geraldo Alckmin e, por fim, insistindo com o azarão José Serra, perderam pela 4ª vez para o Lula quando elegeu a Dilma Rousseff, num país que Dona Ruth Cardoso reclamava, e com razão, ser machista.

Ô páreo duro! Se o PiG foi vitorioso em três, já perdem em quatro (Dona Ruth à parte) campanhas, contradizendo o Joseph Pulitzer aqui no Brasil.

Pobre mestre! Não só por cá, pela imprensa brasileira, mas além de criticado pelas elites norte-americanas do século 19 por defender melhorias nas condições de vida das classes mais pobres; redução de horário de trabalho aos operários, Pulitzer também foi acusado de sensacionalista por introduzir em seu diário uma página dedicada ao público feminino e outra ao humor dos cartunistas que até então não eram publicados por jornais.

Ziraldo Alves Pinto, um dos mais destacados cartunistas da imprensa brasileira (quando existiu), seguiu os rastros do mestre húngaro criando uma série que fez sucesso nos anos 60 pela revista “O Cruzeiro”. Além de produzir cartuns, nas “Fotopotocas” Ziraldo aproveitava as eventualidades que ocorrem com personalidades políticas, perseguidas pelas câmeras indefectíveis nas inúmeras solenidades a que toda autoridade é obrigada.

A FOTO-DESEJO do Estadão e sua covardia implícita
Não há político, em uma dessas ocasiões, que escape de um instantâneo jocoso, engraçado ou, ao menos, insólito. Um instante passageiro e imprevisível que nem mesmo o fotógrafo teria condições de planejar ou evitar. Centrado apenas no objeto da foto, ao apertar o obturador da máquina nem mesmo percebe o que ocorre no entorno do foco. E só depois da revelação e ampliação, muitas vezes na publicação - e há disputas judiciais a respeito - é que vai se dar conta de pés torcidos, olhos revirados, dedo enfiado no nariz, ou algo desse tipo.

Cabe ao editor a seleção do material, podendo, claro, orientar-se pelo conteúdo da matéria e até por suas afinidades e simpatias a esta ou aquela personalidade. Sempre se valendo do respeito a si próprio, mesmo que não ao fotografado. Afinal, por maior a antipatia a alguém não se vai arriscar, , a própria imagem como profissional!

(Não é mesmo companheiros? Será?)

Pois era nos calhaus refutados pelo bom senso dos editores de sua época que Ziraldo encontrava material a ser reciclado para a sua coluna de humor, inventando brincadeiras, mesmo com políticos conterrâneos e de sua afinidade como Juscelino Kubistchek.

O elitismo dos Mesquita como porta-vozes da elite quatrocentona do café, embora sejam de origem judia, sempre conferiu ao jornal “O Estado de São Paulo”  certa circunspecção aristocrática, mantida com autoritarismo vetusto.

O “Estadão” sempre foi acusado de sisudo, quadradão e cansativo, entre coisas piores. No entanto, por mais que se o critique nunca se pôde dizer que o Estadão fosse apelativo ou tão abertamente desonesto e manipulador quanto seus concorrentes. Assumiam a defesa dos interesses estrangeiros no Brasil, eram contrários aos reais interesses do povo brasileiro, mas sempre com sinceridade e rigor de compostura.

Mesmo no apoio à ditadura, similar aos demais veículos da imprensa da época -- a exceção da TV Excelsior do Wallace Simonsen, megaempresário que por apoiar Jango Goulart foi levado ao suicídio pelo regime MILICANALHA -- o “Estadão” conseguia ter certa aura de isenção e ainda hoje ostenta, com orgulho, a memória das edições de versos de Camões em substituição às matérias censuradas.
  
Há quem afirme ter sido mera estratégia, como a do Octávio Frias que no “staff” da Folha de São Paulo manteve jornalistas de esquerda, enquanto emprestava sua frota veicular de distribuição de jornais para a repressão transportar e “desaparecer” com jornalistas e militantes anti ditadura. Ou do Roberto Marinho, que hoje decantam eventuais apoios do pai a um ou outro protegido dissidente, para escamotear o quanto foi essencial no processo de condicionamento das massas brasileiras para beatificação do alto e baixo clero ditatorial que o recompensou com o que hoje se conhece como “império” da Rede Globo. Antes de 64, tal “império” se resumia a uma emissora e um jornal exclusivamente na cidade do Rio de Janeiro.

Há quem diga que na falta de um Dias Gomes ou um Cláudio Abramo (atuou no Estadão até um ano antes do golpe militar) o jornal dos Mesquita recorria aos versos de Camões para aparentar-se censurado. Não há como confirmar e é preciso reconhecer que, realmente, o “Estadão” sempre reclamou quando algum ato um pouco mais nacionalista, mesmo dos militares, era desagradável aos interesses multinacionais. Sobretudo dos Estados Unidos ou Israel.

Nessas ocasiões, com ditadura e tudo, demonstravam brios e galhardia admirável. Chegaram a produzir uma série apontando uma imaginária URSB - União da República Soviética Brasileira. Isso no auge da Guerra Fria e em plena ditadura militar, mas a matéria saiu completa e sem necessitar que desprestigiassem o maior poeta da Língua Portuguesa utilizando-o como calhau. E calhaus fotográficos como os utilizados pelo Ziraldo, no “Estadão” nem pensar! Humor ali, só a reprodução de tirinhas de alguns autores norte-americanos e, salvo engano, havia também um inglês.

O “Estadão” também gostava dos ingleses. Naquela época não se importava muito de ser importunado pela censura. Os Mesquita, rezando pelas sinagogas, chamavam Camões e ficava por isso mesmo. Não contabilizam os dias que estariam sob censura, como hoje fazem a respeito da decisão de um juiz que,considerando improcedentes as afirmações sobre o filho do José Sarney, suspendeu a publicação de uma matéria.

Poderia se perder tempo aqui, cogitando sobre as reais razões dos Mesquita, Frias, Marinho ou Civita, que incondicionalmente apoiaram Sarney quando presidente da ARENA e do Brasil; repentinamente se indisporem contra o mesmo na presidência do Senado durante o governo Lula.

Além deles, um exército de outra meia dúzia de éticos ou heréticos em busca de perdão da igreja que perderam em seus delírios e pela qual mendigam num individualismo desencontrado que mistura o pior da direita hidrófoba com um rescaldo de esquerda metida em etnicismo e humanismos canhestros, quando não em ecologismos perfunctórios.

Mas cá pra nós, menos afetados pelos conceitos, preconceitos e incoerências em voga, a frase de Pulitzer é mais interessante de ser analisada porque a utilização da foto aqui reproduzida pelo “O Estado de São Paulodemonstra o erro na conclusão do grande mestre.

Ao menos no Brasil.

Se fosse o Ziraldo nas “Fotopotocas” se justificaria o uso da eventualidade registrada na foto que qualquer editor de algum senso descartaria como de mau gosto, com um balãozinho para reproduzir antigo cartum publicado no “O Pasquim”, onde desenhou um sujeito com uma faca cravada nas costas, dizendo ao leitor: “Só dói quando eu rio!”

Não acredito que algum militar da ativa sorria ao ver essa foto, pois até os militares evoluem e nem todos são os MILICANALHAS (como diz o pessoal da redecastorphoto) que tomaram o poder de assalto em 64. Acredito mesmo que a maioria dos militares brasileiros se sinta ofendida pelo mau gosto com que se os aponta como covardes celerados, capazes de apunhalar um mulher pelas costas. Mormente com o esforço internacional para se extirpar de vez a violência contra as mulheres entre as sociedades humanas.

Também não sei se dá para rir do editor do jornal dos Mesquita, pois mesmo que a pretensa sisudez quatrocentona tivesse mais hipocrisia que real aristocracia, chega a dar pena tamanha decadência na já tão degradada imprensa brasileira. Se esse mau gosto, sem o refino do humor de um Ziraldo, derruba os Mesquita à vala comum dos ridículos da mídia nacional, podemos nos felicitar porque aqui, ao contrário do previsto pelo grande Joseph Pulitzer, quanto mais se acirra a vileza dos meios de comunicação, maior descrédito público conquistam.

Para comprovar é só comparar o tamanho do sistemático esforço com os resultados do último levantamento sobre a popularidade da Presidenta.

Por sinal, um resultado ao qual nunca sequer se aproximaram nenhum dos políticos que há anos recebem maciço apoio dos Mesquita, Frias, Marinho e Civitas.

Claro! Com o refinado senso” que se aplica em tal editoria do que se pretende um dos “mais-mais” jornais do país (com exemplos como os que temos, o posso incluir outros nessas aspas...) não há chiqueiro que contenha a lavagem do PiG do Paulo Henrique Amorim.

Com esta última reflexão concluímos que as redações e estúdios das grandes empresas de comunicação desse país estão ocupadas por maços de cenouras correndo atrás de récuas...

Merecem o Prêmio Pulitzer. Nem mesmo o velho Joseph imaginaria que se chegasse a tanto.