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domingo, 31 de maio de 2015

Porque Obama quer cancelar as sanções contra o Irã


Em busca de fonte alternativa de gás
27/4/2015, [*] Mike Whitney, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
É essencial reconhecer que o Irã não tem atualmente qualquer programa de armas nucleares, nem possui arma nuclear.

Dia 26/2/2015, James Clapper, Diretor da Agência Nacional de Inteligência disse à Comissão das Forças Armadas do Senado que “o Aiatolá Khamenei, Líder Supremo do Irã, encerrou completamente o programa nuclear de seu país em 2003” e “tanto quanto sei não tomou qualquer decisão para construir alguma arma nuclear”.

Assim se repete a avaliação “altamente confiável” da Comunidade de Inteligência (CI) dos EUA, que disse exatamente isso em novembro de 2007

Micah Zenko, Putting Irã’s Nuclear Program in Context, Council on Foreign Relations.

Acordo Nuclear - Irã vs União Europeia/EUA (Suiça)

Começar com a verdade sempre ajuda, e, no caso do Irã, a verdade é muito simples. O Irã não tem armas nucleares, não tem programa para construir armas nucleares e jamais foi apanhado praticando desvio de combustível atômico, para usá-lo em objetivos diversos do original. O Irã pesquisa e produz tecnologias nucleares exclusivamente para fins pacíficos.
Esses são os fatos. Talvez não confirmem as mentiras propagadas pela imprensa-empresa comercial, mas nem por isso deixam de ser fatos. O Irã não é culpado de crime algum. O Irã é exclusiva e inteiramente a vítima de um atentado praticado pelo poder-alucinado de Washington, obcecado por controlar os recursos vitais que abundam no Oriente Médio e promover a hegemonia regional de Israel. É disso que se trata. Tudo é geopolítica. Nada tem coisa alguma a ver com armas atômicas.
A empresa-imprensa comercial que cobre as chamadas “negociações nucleares” em Lausanne e agora em Viena mantém-se maniacamente focada no “número de centrífugas”, nos programas de monitoramento da AIEA, na capacidade para enriquecer urânio e em miríades de outros tópicos que existem em grande número para, precisamente, afastar a atenção do único fato importante: que o Irã não tem armas atômicas, nem interesse em algum dia vir a tê-las.
Empurrado para uma simulação de afogamento nesse mar de notícias ocas, de questiúnculas sem importância, o leitor é induzido a sentir que o Irã “tem-de” estar escondendo alguma coisa e, portanto, sim, com certeza é ameaça real à segurança nacional dos EUA. Claro que isso, precisamente, é o que os “especialistas” autores desses artigos visam a conseguir. Vivem de meter um saco sobre os olhos do público consumidor de “notícias” e de levá-lo a crer em algo que é demonstrada e comprovadamente falso...
No que tenha a ver com o Irã, o único fato verdadeiro é o que NENHUM veículo da imprensa-empresa noticia: que o Irã não está fazendo nada que seja ilegal ou clandestino. O Irã, simplesmente, demanda o direito de enriquecer urânio para finalidades pacíficas, que o Tratado de Não Proliferação lhe assegura, tratado que o Irã deseja, com toda a razão, ver respeitado. O Irã não se deixará destratar pelos EUA, nem deixará que o tratem como “país de segunda classe”. O Irã sempre se comportou honradamente desde o início – o que está anos-luz à frente do que se pode dizer dos EUA.
A imprensa-empresa comercial não quer discutir os “protocolos adicionais” que o Irã aceitou para construir confiança entre os membros da ONU, porque, se as pessoas forem informadas desse assunto, todos verão que o Irã já concedeu muito mais, além do previsto no início das negociações. Mesmo assim, continua a ser alvo das acusações mais estúpidas e absurdas, com manchetes diárias sobre “a intransigência” dos iranianos, ou o “jogo duplo” dos iranianos. Mas se alguém exige provas da tal intransigência ou da má fé dos iranianos... não há provas. É tudo só opinionismo jornalístico o mais desavergonhado, e a continuada implantação de medo e mais medo na população, quando não é simples e reles maledicência dita “jornalística”. Leem-se páginas e páginas (impressas ou virtuais) de empresas da imprensa comercial, e tudo – literalmente tudo que ali se lê – é mentira integral ou parcial.
NYTimes - especialista em NOTÍCIAS FALSAS

O mais recente golpe-besteirol da “imprensa de informação” centra-se na questão do “breakout time” [apr. ‘tempo de pausa’], ‘nome’ que foi dado ao tempo necessário para que o Irã consiga construir uma bomba nuclear se decidir fazê-lo, o que já disse que não quer fazer.
Breakout time” é a nova palavra-propaganda repetida milhares de vezes na imprensa comercial, sempre para sugerir e reforçar que Teerã estaria a poucas horas de concluir a construção de uma bomba atômica a qual ato seguinte, seria lançada para aniquilar Israel. É ridículo. É conto de fadas que assume que – porque os EUA são país homicida que anda pelo mundo a aniquilar qualquer coisa que respire –todos os demais países teriam a máxima pressa para seguir o mesmo modelo, no instante em que tivessem chance. É ideia errada em muito níveis.
Primeiro, que o Irã não quer armas atômicas. Segundo, que nem todos os governantes do mundo são megalômanos, maníacos obcecados por matar-sem-parar, cujo único prazer na vida é reduzir a ruínas fumegantes grandes fatias do planeta. Não. Esse não é comportamento generalizado: esse comportamento é específico de governantes dos EUA. Outros governantes não são doentes pervertidos. Muitos não sofrem dessa doença sociopática em estado tão avançado.
A questão nuclear é só cortina de fumaça. Nada tem a ver com o inexistente programa nuclear iraniano. O verdadeiro problema é que o Irã é país soberano com política externa independente. Washington não gosta de países independentes. Washington gosta de países e calam o bico e fazem o que são mandados fazer. Países que não se deixam mandar são inimigos de Washington e são postos numa lista de matar. E é quando entram em cena as sanções. Sanções são o meio pelo qual Washington enfraquece o inimigo, antes de bombardeá-los até viraram fumaça. São o porrete que os EUA usam para pôr de joelhos os rivais.
Quem tenha acompanhado o noticiário nos últimos dias sabe que alguma coisa muito estranha está acontecendo. Os EUA fizeram como se não estivessem nem-aí e mudaram a política para o Irã. É desenvolvimento chocante. Os EUA mantiveram a mesma política de selvageria contra Cuba durante 60 anos, sem mudar coisa alguma. Que as políticas selvagens de Washington funcionem ou não, nunca fez diferença; o que interessa é causar dano máximo, sofrimento máximo aos povos que os EUA odeiem. Assim sendo, por que a repentina mudança no caso do Irã? Por que Obama tenta agora um acordo com um país que as elites norte-americanas abertamente desprezam?
E não se pode esquecer, que a “abertura” de Obama, hoje, para o Irã, é extremamente impopular também em grupos muito poderosos, no Congresso, nas empresas da mídia, em Israel e entre funcionários do mais alto escalão também no Departamento de Estado dentro do próprio governo Obama. Teria acontecido que os agentes de poder, que mexem o cordame que movimenta Obama e lhe dizem o que fazer, de repente viram a luz e resolveram que é chegada a era da reconciliação e da paz com o Irã? É claro que não. Ninguém acredita nisso.
Obama só assinará acordo com o Irã, se daí puder extrair alguma vantagem. E a vantagem que os EUA querem extrair do Irã chama-se “gás”. Os EUA querem um substituto para o gás russo que chega à Europa, para que possam destruir completamente a Rússia e implementar o tal plano estratégico de estender o poder norte-americano por toda a Ásia, para que as megaempresas norte-americana possam conservar a posição dominante na economia global. Obama faz-se de negociador sensível com o Irã, para poder pivotear-se para a Ásia o mais facilmente possível.
Mas... E é plausível que o Irã venha a substituir o gás russo no lucrativo mercado da União Europeia?

Os EUA querem reviver o Projeto Nabucco... 

Vejam esse trecho de um artigo de 2014 que previa exatamente o cenário que vemos hoje, vale dizer, os EUA tentando impedir que se crie uma zona UE-Rússia de livre comércio que fará encolher o PIB dos EUA e deixará a única potência indispensável em rota de apressado declínio. O título do artigo é “UE busca o Irã como alternativa ao gás russo” [orig. EU turns to Irã as alternative to Russian gas].
A União Europeia está silenciosamente promovendo a necessidade, cada vez mais urgente de um plano para importar gás natural do Irã, ao mesmo tempo em que as relações com Teerã vão sendo descongeladas, e as relações com seu maior fornecedor de gás, a Rússia, entram em processo de rápido resfriamento (...).
“O Irã caminha rapidamente para o topo de nossas prioridades, para adotar medidas de médio prazo que ajudem a diminuir nossa dependência da Rússia, como fornecedora de gás natural” – diz a fonte. “O gás do Irã pode chegar à Europa muito facilmente , e politicamente já se vê clara reaproximação entre Teerã e o ocidente.”
O Irã, que está vivendo sob sanções, tem a segunda maior reserva de gás, só inferior à da Rússia, e é possível alternativa, uma vez que as conversações entre Teerã e o Ocidente cheguem a algum acordo sobre o discutido programa nuclear da República Islâmica.
“Alto potencial para produção de gás, reformas no setor doméstico de gás que estão em andamento e a normalização das relações com o ocidente fazem do Irã alternativa viável à Rússia” – disse uma publicação que circula entre membros do Parlamento Europeu (...).
“O interesse do Irã em entregar gás à Europa é grande. Partes da elite econômica e política iraniana, assim como empresas ocidentais já se preparam para o fim das sanções” – disse Frank Umbach, diretor de pesquisas sobre energia do King’s College em Londres (...).
Há muito tempo o Irã trabalha para conseguir construir um gasoduto que conectaria seu imenso campo Pars Sul, de gás, e os consumidores europeus – o chamado Gasoduto Persa.
“É produto extremamente ambicioso” – disse Handjani. “Mesmo se só se construir metade do projeto, já será imensa realização para a Europa e para o Irã” (...).
Estudos independentes de viabilidade mostram que se as sanções forem levantadas e começarem logo os investimentos, o Irã poderá fornecer 10-20 bilhões de metros cúbicos de gás/ano à Turquia e à Europa, já no início da década dos 2020s” (euractiv.com 25/09/2014, EU turns to Irã as alternative to Russian gas).

- Sr. Presidente, queremos enrigecer sua espinha...

Por isso Obama tanto quer o fim das sanções. Porque precisa encontrar fonte alternativa de gás para a Europa, ou não terá aliados europeus em sua guerra contra a Rússia. E derrotar a Rússia já está convertida em prioridade estratégica top de Washington.
Os EUA estão dispostos a arriscar tudo – até a guerra nuclear – para manter o monopólio do poder global e para prolongar sua hegemonia até o próximo século.
__________________________________________
[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelance nos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o premio Project Censored por sua reportagem investigativa sobre a Operation FALCON, um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente em Counterpunch e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Sony hackeada? A “mídia” dos EUA e Obama não dizem coisa com coisa

24/12/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

"Embarcou" na mentira de Obama
Os EUA tentam fazer crer, absolutamente sem apresentar qualquer prova, que a [empresa] Sony teria sido hackeada pela República Popular Democrática da Coreia (RPDC). Os editores do New York Times acreditaram em mais esse conto de Armas de Destruição em Massa e “exigiram” guerra contra a RPDC.

Moon of Alabama, como muitos outros, duvidamos seriamente, desde o início, do conto que o governo Obama pôs-se a repetir:

As ferramentas para hackear a empresa são bem conhecidas e de domínio público. A empresa Sony têm rede vagabundíssima de segurança interna e já foi hackeada várias vezes antes. Os hackers provavelmente tinham informantes internos. Para infiltrar-se, usaram servidores na Bolívia, na China e na Coreia do Sul. Não há prova alguma, zero-prova, até agora, de que a ação tenha sido patrocinada pelo estado.

Kurt Stammberger
Na sequência, apareceu o FBI para “explicar a prova” – mas também não convenceu. Agora, uma empresa séria de segurança anunciou que já identificou o verdadeiro hacker:

Kurt Stammberger, vice-presidente da empresa Norse de cibersegurança, disse à CBS News que sua empresa tem dados que desmentem o que o FBI divulgou.

“A Sony não foi hackeada: é dessas empresas que pede para ser detonada de dentro para fora” – disse Stammberger.
...

“Temos certeza de que não houve ataque algum coordenado pela RPDC, e que houve insiders ativos na implementação desse que foi um dos ataques mais devastadores de que se tem notícia” – Stammberger continuou.

Disse que os dados da empresa Norse estão apontando para uma mulher que se autoidentifica como “Lena” e diz ter conexões com um grupo de hacking conhecido como “Guardiões da Paz”. Norse acredita ter identificado “Lena” como alguém que trabalhou na Sony em Los Angeles por dez anos, e deixou a empresa em maio passado.

“Essa pessoa estava na posição exata e tinha o profundo background técnico necessário para localizar os específicos servidores que foram atingidos” – disse-me Stammberger.


O artigo diz também que os hackers só estavam interessados em dinheiro, e nada tinham a ver com esse filme [horroroso!] patrocinado pela Sony, que prega o assassinato de um chefe de Estado soberano, e com cuja propaganda [horrorosa] pró-assassinato o presidente dos EUA burramente se comprometeu publicamente.

Encontrar autores de ciberataques é processo difícil, impossível, mesmo, segundo muitos, e que quase sempre oferece só conclusões parciais. Sem outros tipos de provas, a identificação de autores de ciberataques errará mais vezes do que acertará.

Que haja já uma pessoa identificada com o conhecimento e possivelmente também com um motivo interno para o ataque, e sem qualquer conexão com a Coreia do Norte, torna cada vez menos confiável a “conclusão” do governo Obama, de que a RPDC seria “culpada” pelo ataque.

Tudo sugere que Obama, interessado em iniciar um conflito com a Coreia do Norte, simplesmente mentiu sobre a “prova”, exatamente como Bush mentiu sobre “armas de destruição em massa de Saddam”.

Nos dois casos, os jornalistas e editores do The New York Times participaram como repetidores crédulos e tolos, ou como cúmplices, no crime.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.


sábado, 13 de dezembro de 2014

União Europeia (UE) “exige” que a Rússia resgate UE & Ucrânia


A União Europeia seria um bando de 
cretinos não fossem apenas ridículos

11/12/2-14, [*] Eric ZuesseCountercurrents
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

-- Estou feliz como um GREGO!
O FMI diz que a Ucrânia estará em bancarrota “dentro de semanas” e precisa de mais US$15 bilhões para a guerra contra o leste do país; a UE ameaça a Rússia com mais sanções, se a Rússia deixar falir a Ucrânia; a UE perderá bilhões na Ucrânia, se a Rússia não “resgatar” o país.

Detalhes em UE Observer (ing.) e em DW (al.).

E aqui a história por trás do palco que levou a isso tudo:

Mark Adomanis da revista Forbes é o analista mais honesto e mais claro no ocidente sobre a situação financeira da Ucrânia, embora faça incansável propaganda contra a Rússia, como todos os demais “jornalistas” pagos pela aristocracia ocidental (e têm de continuar a fazer, para não perderem o emprego).

Mark Adomanis
Dia 14/4/2014, Adomanis escreveu que,

(...) quando comprou US$ 3 bilhões em bônus [do governo da Ucrânia] no final de 2013, a Rússia inseriu uma cláusula no contrato de compra que estipula que o volume total da dívida garantida pelo estado ucraniano não pode exceder 60% do respectivo PIB anual. Se esse limite for ultrapassado, a Rússia pode, legalmente, exigir recompra dos bônus, em curto prazo. Dados o estado miserável da economia ucraniana e suas finanças extremamente frágeis, essa cláusula significa hoje que, se a dívida da Ucrânia exceder 60% do respectivo PIB, a Rússia pode legalmente forçar o país a declarar calote-falência [orig. legally force it to default].

A dívida externa da Ucrânia, de fato, já ultrapassou todos os limites, dos US$ 60 bilhões e outros, por causa de uma exigência que o que o FMI impôs para fazer seu repasse de US$ 17 bilhões do dia 1/5/2014, a saber: que a Ucrânia eliminasse ou esmagasse, fosse como fosse o povo na  área da Ucrânia onde 90% dos eleitores elegeram o presidente ucraniano pró-Rússia que Obama derrubou dia 22 de fevereiro de 2014.

A manchete da rede CNBC para o “evento”, dia 1º de maio de 2014, um dia antes de que os bandidos pró-governo massacrassem os resistentes, e assim iniciassem o programa para exterminar os residentes daquela região, foi: IMF Warns Ucrânia on Bailout if It Loses East” [“FMI alerta Ucrânia de que não será resgatada se perder o leste”].

O significado desse “alerta” é simples (mas, impressionantemente, jamais “noticiado” nem “analisado” pelos “especialistas”!):

Reservas de "shale" gas (fracking) na Ucrânia 
(clique na imagem para aumentar)
– sem os campos de gás e outros ativos vendáveis do leste, o governo da Ucrânia estará sem patrimônio suficiente para liquidar – “privatizar” como dizem os “especialistas” – e não terá como reunir dinheiro suficiente para pagar o empréstimo feito pelo FMI, de US$ 17 bilhões, à Ucrânia. Nesse caso, os contribuintes de EUA e Europa teriam de absorver o prejuízo; “portanto”, o governo ucraniano tem “obrigação” de prosseguir e exterminar qualquer oposição ativa no leste, se quiser continuar a receber a “ajuda” do FMI.

Aos aristocratas interessam o solo e o subsolo, não as populações. Populações são estorvo.

Aquele dinheiro foi emprestado pelo FMI à Ucrânia exclusivamente para ser repassado a empresas ocidentais (sobretudo para o Big Petróleo, Big Agronegócio [Big Ag] e BigComplexo Industrial Militar), para que comprassem patrimônio na Ucrânia e patrimônio daUcrânia, o que caracteriza também ocupação real do país. Bom exemplo-demonstração de tudo isso é que residentes nas áreas hoje sob bombardeio do ocidente estavam organizados e ativos contra o fracking e contra a instalação ali de uma base de mísseis da OTAN.

Além disso, a própria União Europeia emprestou mais meio bilhão de euros ao governo da Ucrânia, dia 10/12, a juros de 1,375%, muito abaixo dos juros de mercado, por 15 anos. É dinheiro dos contribuintes europeus, que está sendo posto no lixo (a taxa de juro nem faz qualquer diferença porque nada, nem o principal nem os juros do “empréstimo” será algum dia pago).

Jornalismo "ocidental" 
EUA e Europa estão investindo pesadamente nessa campanha de extermínio, mas quem paga são os cidadãos contribuintes; a aristocracia, beneficiária direta do “processo” nada investe e, portanto, não precisa preocupar-se com perder dinheiro, porque não está perdendo dinheiro seu [nessa guerra pró privataria, só se torra dinheiro e patrimônio público].

Disso, precisamente, é que trata a campanha para demonizar o presidente Putin da Rússia [e, no Brasil, para demonizar os governos Lula-Dilma (NTs)]: é esforço para jogar sobre Putin a culpa pelo assalto ao dinheiro público dos cidadãos europeus e norte-americanos que seus respectivos governos supostos “democráticos” estão jogando na fornalha sem fim da Ucrânia, para matar ucranianos. A aristocracia ocidental quer destruir a Ucrânia e quer que a culpa de tudo, naquele amontoado de escombros a que a Ucrânia está sendo reduzida recaia sobre a Rússia.


Agora, então, tudo é culpa da Rússia. A Rússia está sendo culpada não só por apoiar as populações ucranianas que o “ocidente” deseja exterminar: os propagandistas pró-aristocracias ocidentais já começam a culpar a Rússia também por não “salvar” os contribuintes ocidentais! Aqueles contribuintes ocidentais que terão de arcar com os prejuízos em todos os casos, ainda que alguns especuladores (chamados “empresários”) consigam ganhar algum, em ataques especulativos contra a Ucrânia.

Poucos são suficientemente idiotas a ponto de supor que a Rússia resgataria o ocidente depois de o ocidente ter atacado a própria Rússia e os russos étnicos na Ucrânia. Mas a campanha de propaganda para culpar a Rússia pelo agora iminente colapso econômico da Ucrânia já está em andamento.

Sanções...
As empresas-imprensa chamadas “de mídia”, “de comunicação”, “de informação” e de “notícias” não perdem audiência nem quando seus “âncoras”, “comentaristas”, “analistas”, “jornalistas” e “repórteres” dedicam-se incansavelmente a “noticiar” que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é culpado pelas centenas de milhares de ucranianos que estão fugindo para a Rússia, tentando escapar do massacre para limpeza “étnica” contra eles patrocinado pelo ocidente “democrático”.

Dia 9/12/2014, por exemplo, o The New York Times estampava a seguinte manchete “Ucranianos empurrados para os braços [abraço de urso, conforme a ilustração] de Putin”. E a matéria “informava”:

Recente relatório da ONU informa que cerca de meio milhão de ucranianos deixaram o país desde abril de 2014.

O fato de famílias terem de fugir de zona de guerra é terrível, mas não surpreende. O que realmente surpreende e perturba são os detalhes: de cerca de 454 mil pessoas que fugiram da Ucrânia até o final de outrubro de 2014, mais de 387 mil foram para a Rússia.

A maioria dos que fugiram eram falantes de russo que viviam no leste, mas mesmo assim ainda há muito a explicar: se a guerra se trava entre Ucrânia e Rússia, por que tantos ucranianos escolheriam o lado inimigo, quando precisam de ajuda?

Lev Golinkin
o repórter MENTIROSO
Na sequência, o “repórter” demonstra o quanto ele seria “independente” de Washington: nega uma declaração que o “repórter” diz que Washington teria feito, mas é coisa que NEM Washington disse, pelo menos até agora:

Mr. Putin e a mídia russa dizem que ucranianos pró-ocidente, como o governo de Mr. Poroshenko, são neonazistas. O ocidente nega e afirma que não há elementos neonazistas no governo de Kiev.

[O “repórter” mente. NEM Victoria Nuland negou que alguns “neonazistas” ajudaram a levar ao poder o novo governo ucraniano, e nenhum “repórter” ou “jornalista” jamais perguntou a ela quais são os nazistas lá incluídos naquele governo pró-ocidente. O NYT mente].

Putin e o ocidente estão ambos errados. Há neonazistas dos dois lados. O governo de Kiev e os exércitos que lutam no leste da Ucrânia incluem pequena minoria de ultranacionalistas neonazistas. Mas, para os ucranianos pró-Rússia, um só já é demais.

É tudo mentira. A verdade é que o governo de Kiev é controlado por nazistas; e as populações residentes no sudeste da Ucrânia estão fugindo para a Rússia (“caindo nos braços [de urso] de Putin”), na tentativa de escapar dos nazistas protegidos pelo ocidente.

Ilustração da "rePORCAgem" do NY Times acima
Por que há gente que ainda paga para ler esses “noticiários” distribuídos por empresas-imprensa? Todos esses “veículos” são como máquinas de repetição automática de mentiras que nunca mudam: só mentiras sobre as “armas de destruição em massa de Saddam”, o “apoio de Saddam à al-Qaeda”...

Quando começará a campanha de boicote contra as empresas-imprensa e à tal de “mídia”?!

QUANDO COMEÇARÁ A CAMPANHA PARA DEFENDER OS CONSUMIDORES QUE PAGAM PARA OBTER INFORMAÇÃO APROVEITÁVEL E SÓ RECEBEM MENTIRAS E PROPAGANDA DISTRIBUÍDAS PELOS NOTICIÁRIOS E PELO “JORNALISMO” DA IMPRENSA-EMPRESA OCIDENTAL?

Ou talvez os norte-americanos acreditam nesses mentirosos por profissão? Mas, se acreditam... Como é possível que ainda acreditem neles?! Até quando continuarão a acreditar?!





[*] Eric Zuesse é historiador, jornalista investigador e autor. Seu livro mais recente é They're Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, e CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.