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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Brasil. Como sobreviver?

[*] Adriano Benayon 01.09.2014
Texto enviado pelo autor
Ilustrações catadas na internet por Castor Filho



1. As TVs e a grande mídia promovem intensamente a candidata que surgiu com a morte do desaparecido na explosão. Marina da Silva costuma ser apresentada como defensora do meio-ambiente e como diferente de políticos que têm levado o País à ruína financeira e estrutural, como foram os casos, em especial, de Collor e de FHC.

2. Mas Marina não representa ambientalismo algum honesto, nem qualquer outra coisa honesta. O que tem feito é, a serviço do poder imperial angloamericano, usar a preservação do meio ambiente como pretexto para impedir - ou retardar e tornar absurdamente caras - muitas obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento do País.

3. Pior ainda, a tirania do poder mundial, com a colaboração de seus agentes locais, já ocupa enormes áreas, notadamente na região amazônica, para explorar não só a biodiversidade, mas os fabulosos recursos do subsolo, verdadeiro delírio mineral, na expressão do falecido Almirante Gama e Silva, profundo conhecedor da região e, durante muitos anos, diretor do projeto RADAM.

4. Além da pregação enganosa sobre o meio ambiente, o império vale-se de hipocrisia semelhante em relação à pretensa proteção aos direitos dos indígenas, a fim de apropriar-se de imensas áreas, que os três poderes do governo têm permitido segregar do território nacional, pois brasileiro não entra mais nelas.

EUA& INGLATERRA
Reconquistando o Mundo!
5. As ONGs ditas ambientalistas, locais e estrangeiras, financiadas pela oligarquia financeira britânica, como a Greenpeace e o WWF (Worldwide Fund for Nature) trabalham para quem as sustenta, não estando nem aí para o meio-ambiente.

6. Isso é fácil de notar, pois não dão sequer um pio contra a poluição dos mares, produzida pelo cartel anglo-americano do petróleo: a mais terrível poluição que sofre o planeta, pois os oceanos são a fonte principal do oxigênio e do equilíbrio da Terra.

7. Marina foi designada ministra do meio ambiente, em Nova York, quando Lula, antes de sua posse, em janeiro de 2003, foi peitado por superbanqueiros, em reunião após a qual anunciou suas duas primeiras nomeações: Meirelles para o BACEN e Marina Silva para o MME.

8. Empossada no MME, Marina, nomeou imediatamente Secretário-Geral do Ministério o Presidente da Greenpeace, no Brasil.

9. Marina foi dos poucos brasileiros presentes, quando o príncipe Charles reuniu, na Amazônia, outros chefes de Estado da OTAN e caciques das terras que ele e outros membros e colaboradores da oligarquia mundial já estão controlando por meio de suas ONGs e organizações “religiosas”, como igreja anglicana, Conselho Mundial das Igrejas etc..

10. Todos deveriam saber que os cartéis britânicos da mineração praticamente monopolizam a extração dos minerais preciosos, e a maioria dos estratégicos, notadamente no  Brasil, na África, na Austrália e no Canadá.

Marina Silva em Londres - 2010
11. Os menos desavisados entenderam por que Marina desfilou em Londres, nas Olimpíadas de 2012, única brasileira a carregar a bandeira olímpica.

12. É difícil inferir que o investimento da oligarquia do poder mundial em Marina da Silva visa a assegurar o controle absoluto pelo império angloamericano das riquezas naturais do País?

13. Algo mais notório: a mentora ostensiva da candidatura de Marina é a Sra. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, o que tem maiores lucros no Brasil, beneficiário, como os demais, das absurdas taxas de juros de que eles se cevam desde os tempos de FHC, insuficientemente reduzidas nos governos do PT.

14. Não há como tampouco ignorar as conexões do Itaú e de outros bancos locais com os do eixo City de Londres e Wall Street de Nova York.

15. D. Marina nem esconde desejar que o Banco Central fique ainda mais à vontade para privilegiar os bancos a expensas do País, que já gasta 40% de suas receitas com a dívida pública, sacrificando os investimentos em infra-estrutura, saúde, educação etc..

16. Contados os juros e amortizações pagos em dinheiro e os liquidados com a emissão de novos títulos, essa é despesa anual com a dívida pública, a qual, desse modo, cresce sem parar (já passa de quatro trilhões de reais)

Neca Setúbal e Marina Silva
17. Ninguém notou que Marina − além de regida pelo Itaú − já tem, para comandar sua política uma equipe de economistas tão alinhada com a política pró-imperial como a que teve o mega-entreguista FHC, e como a de que se cercou Aécio Neves?

18.  Como assinalou Jânio de Freitas, Marina e Aécio se apresentam com programas idênticos. Na realidade, é um só programa, o do alinhamento com tudo que tem sido reclamado pela mídia imperial, tanto pela do exterior, como pela doméstica.

19. Da proposta de desativar o pré-sal – a qual fere mortalmente a Petrobrás, que ali já investiu dezenas de bilhões de reais, e beneficiar as empresas estrangeiras, as únicas, no caso, a explorá-lo − até à substituição do MERCOSUL por acordos bilaterais − como exige o governo dos EUA. Marina e o candidato do PSDB estão numa corrida montando cavalos do mesmo proprietário, com blusas idênticas, diferenciadas só por uma faixa.

Miguel Arraes
20. Por tudo, a figura de Marina antagoniza o pensamento do patrono do PSB, João Mangabeira, e o de seu fundador, Miguel Arraes, cujas memórias estão sendo rigorosamente afrontadas.

21. Não há, portanto, como admitir que os militantes do PSB fiquem inertes vendo a sigla tornar-se instrumento de interesses rapinadores das riquezas nacionais e prestando-se a que oligarcas internos e externos se aproveitem do crédito que os grandes nomes do Partido granjearam no coração de milhões de brasileiros de todos os Estados.

22. Há, sim, que recorrer a medidas apropriadas, previstas ou não, nos Estatutos do Partido, para que este sobreviva e ajude o Brasil a sobreviver.

23. De fato, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por meios aparentemente legais, incluindo as eleições. Parafraseando o Barão de Itararé, há mais coisas no ar, além da explosão de avião contratado por um candidato em campanha.

24. A coisa começou quando políticos e parlamentares notoriamente alinhados com os interesses da alta finança, e outros enrustidos, articularam a entrada de Marina na chapa do PSB, acenando a Eduardo Campos com o potencial de votos e de grana que ela traria.

25. Fazendo luzir a mosca azul, a Rede o pegou como peixes de arrastão.

26. Alguém viu a foto de Marina sorrindo no funeral do homem? Alguém notou que, imediatamente após a notícia da morte dele, a grande mídia, em peso, dedicou incessantemente o grosso de seus espaços à tarefa de exaltar D. Marina?

Império Anglo/Americano
27. Os golpes, intervenções armadas e outras interferências, por meio de corrupção, praticadas a serviço da oligarquia financeira angloamericana, em numerosos países, inclusive o nosso, desde o Século XIX, deveriam alertar-nos para dar mais importância a contar com bons serviços de informação e de defesa.

28. Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império angloamericano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.


[*] Adriano Benayon: Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica e tecnológica. Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Greenpeace “versus” Rússia – o que interessa e as questões reais

12/11/2013, The Saker, Blog The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ativistas do Greenpeace sendo presos pela marinha russa ao tentar impedir manobras militares no Ártico
Mês passado, escrevi sobre as questões reais por trás da ação da empresa-ONG Greenpeace no Ártico russo. Naquele artigo mencionei vários exemplos de atividades relacionadas à avançada no Ártico iniciadas no governo de Vladimir Putin:

Há alguns anos, um submarino russo pôs uma bandeira russa no Polo Norte, como sinal claro de que a Rússia declarava sua participação nos recursos polares. Desnecessário dizer, EUA, Canadá e União Europeia não gostaram. Mas nada há que possam fazer, dentre outros motivos porque as tecnologias polares russas estão anos-luz à frente do que existe no ocidente. Não apenas os submarinos russos são muito mais bem adaptados às condições polares de operação que os ocidentais, mas os russos também têm navios quebra-gelo que lhes permitem abrir rotas em gelo muito espesso (e outros desses navios estão sendo construídos).

Vladimir Putin
As tecnologias ocidentais sempre foram mais “orientadas para o Equador”. Por exemplo, o sistema de navegação por satélite dos EUA (US GPS) é mais acurado em baixas latitudes; o russo GLONASS é mais acurado nas regiões polares.

Praticamente toda a potência da Marinha dos EUA está concentrada nas águas mais quentes do mundo. Diferente disso, a frota russa mais poderosa e mais bem equipada sempre foi a Frota do Norte, usada para operar em condições polares.

Com Putin, a Rússia embarcou num plano ambicioso para defender seus interesses no Ártico: velhas bases polares abandonadas estão sendo reabertas e foi criada uma divisão especial armada, para operação polar. A Força Aérea Russa retomou um intenso programa de operações no Ártico, e a Marinha iniciou um ciclo de manobras regulares no Ártico, com seus mais avançados navios de superfície (...) Fato é que o ocidente não tem nem o know-how nem o dinheiro necessários para tentar acompanhar os movimentos dos russos naquelas regiões.

E concluí, lembrando que, afinal, o ocidente ainda pode contar com algumas utilíssimas ferramentas da Guerra Fria: as organizações não governamentais, que são empresas, ditas “independentes”.

Naquele momento, contudo, não sabia que, enquanto eu escrevia aquele artigo, a Frota Russa do Norte estava no meio de vasta, massiva operação, sem precedentes, para construir, em apenas um mês, um “aeroporto ártico”. Há poucos dias, o canal de televisão das Forças Armadas Russas, Zvezda, exibiu interessante matéria sobre a missão, que mostra muitas das tecnologias “de Ártico” das quais falei no artigo do mês passado.

O vídeo é falado em russo, mas é autoexplicativo. Adiante, escrevi um resumo dos pontos importantes. Assista ao filme a seguir e, se precisar, leia aqui o resumo.


Eis alguns dos itens chaves mostrados ou mencionados no filme:

No início de setembro, 10 navios viajaram de Severomosrk até a Ilha Kotelnyi. Os objetivos oficiais da missão eram:

1) manter a presença militar russa no Ártico; e
2) defender interesses econômicos da Rússia no Ártico.

Como parte dessa missão, essa força tarefa recebeu ordens de construir um aeroporto, que teria de estar completamente funcional em menos de um mês; e encerrar completamente a missão antes do início de novembro. Além de alguns poucos navios de transporte, compuseram a força tarefa as seguintes naves:

1. O cruzador nuclear Peter Velikii (a embarcação mais pesadamente armada do planeta);
2. grandes carros anfíbios de ataque;
3. o quebra-gelo nuclear Vaigach;
4. o quebra-gelo nuclear Iamal;
5. o quebra-gelo nuclear Taimyr; e
6. o quebra-gelo nuclear “50 anos da Vitória”.

Significa que toda a frota nuclear da Rússia foi mandada para acima do paralelo 73, cruzando três mares árticos (o Mar de Barents, o Mar de Karsk e o Mar de Laptev), o que é mais de 4.000km, em menos de uma semana. A força tarefa foi comandada por Vladimir Korolev, comandante-em-chefe da Frota Norte e incluiu a nave madrinha da Marinha Russa, o pesado cruzador nuclear Peter Velikii, sob comando do 1º Capitão Vladislav Malakhovskii.

No curso da jornada, a força tarefa treinou interceptação de mísseis abaixo do alcance visual e missões de reconhecimento por helicóptero até a 200km de distância da força tarefa.

Quando a força tarefa chegou à Ilha Kotelnyi, unidades anfíbias de assalto da Infantaria Naval começaram por montar a rede de segurança da área de atracação e desembarque. Em seguida desembarcaram mais forças para limpar a área (que será declarada reserva natural) e despacharam-se batedores para localizar fontes de água potável. Montaram-se tendas polares especiais, que mantêm a temperatura interna entre 25C-28C, sejam quais forem as condições externas.

A força tarefa começou a trabalhar 24 horas/dia (naquele local, o “dia” dura apenas 4 horas); os helicópteros descarregaram 13 módulos de habitação e convivência e 4 contêineres. Foram descarregadas toneladas de roupas e botinas especiais. Em poucas horas, estavam operantes a comunicação por satélite e a Internet. Construiu-se um hospital, com completo centro cirúrgico (ver mapa abaixo).

Ilha Kotelnyi - mancha verde-escuro no centro.
(clique na foto para aumentar)

A construção do aeroporto começou por uma pista totalmente pavimentada. Por ela foram desembarcados, de um navio de carga, todos os veículos especiais de transporte necessários para dar mobilidade às forças desembarcadas, inclusive hidroaviões e veículos anfíbios.

Ali, em menos de um mês, construiu-se um aeroporto capaz de operar pousos e decolagens durante todo o ano, 24 horas/dia, com radares e sistemas aéreos de defesa eficientes e operantes. 8.500 toneladas de areia e cimento tiveram de ser trazidas de fora, para construir as fundações e a pista de rolamento desse moderno aeroporto.

A primeira aeronave que pousou no aeroporto ‘Temporário’ foi um An-72. Logo depois, aviões de transporte Il-76 passaram a entregar cada vez mais suprimentos, em contêineres baixados por paraquedas. O aeroporto, na sequência, recebeu todo o pessoal que passaria a operá-lo (50 especialistas militares).

Com o tempo, as tendas polares foram substituídas por sólidas construções modulares para habitação, em que se utilizam materiais de alta tecnologia capazes extrair calor mesmo sob temperaturas de -40C.

Na sequência, mais bases semelhantes a essa serão construídas nas ilhas Franz-Joseph e Wrangel e, a partir dessas, ao longo de todo o litoral norte da Rússia – servirão como guia e para proteger a navegação civil e comercial através da “Entrada Norte” da Rússia

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Por causa do caráter “Relações Públicas”, o vídeo acima foca equipamentos e tecnologias, e passa muito depressa, com breve menção, sobre a importância imensa, crucial, de operar em condições árticas. Só num específico momento no vídeo vê-se um oficial comentar a complexidade da operação de pouso nessas circunstâncias; diz que “há material de estudo suficiente aqui, para escrever uma tese”; e tem razão.

Há muito mais em operações militares no Ártico que apenas roupas quentes: as condições são tão dramaticamente extremas que se pode pensar naquele ambiente como se fosse outro planeta. É o motivo pelo qual se ouve o comandante-em-chefe da Frota Norte comentar, com orgulho, que “poderíamos ser chamados de Frota Norte e Ártica”.

Nenhum outro país no mundo tem hoje o know-how e as capacidades que a Rússia tem no Ártico, nem perto disso, e a Rússia de Putin avança com elas a toda a velocidade.

Mapa político da Região Ártica
(clique no mapa para aumentar)
Mostra a principal vantagem de que goza a Rússia, sobre as demais nações árticas: a Rússia tem, dentre elas, o mais longo litoral, e não esqueçam que o extremo norte da Rússia é habitado. Se EUA, Canadá, Dinamarca ou Noruega vierem a ter bases árticas, elas estarão muito, muito distanciadas do resto do país. No caso da Rússia, os postos do extremo norte são ligados organicamente à “terra grande” – que é como os russos referem-se com frequência as partes mais acessíveis do país.

Outro mapa que vale a pena examinar foi desenvolvido pela Unidade de Fronteiras Internacionais da Durham University; mostra as potenciais jurisdições marítimas e as zonas econômicas exclusivas, se o Tratado da Convenção da Lei do Mar estivesse plenamente implementado. O mapa e legendas estão logo abaixo:

Mapa das águas territoriais e fronteiras marítimas conforme a Convenção da Lei do Mar (clique no mapa para aumentar)
A Convenção da Lei do Mar foi assinada na ONU, por 157 países. Se se olha o mapa acima, pode-se ver facilmente que, dentre os grandes países, só os EUA não assinaram aquela Convenção. Porque, nos termos daquele tratado, só cabe aos EUA uma fatia estreita acima do Alasca. Até agora, o governo dos EUA ainda nada reclamou em termos agressivos, mas inúmeros políticos e praticamente todos os especialistas concordam que os efeitos do aquecimento global e necessidades econômicas imperativas farão, do Ártico, muito em breve, uma arena crucial, onde se confrontarão interesses internacionais.

Nesse contexto, afinal, é que toda a “operação” da ONG Greenpeace deve ser compreendida:

– No Ártico, a Rússia tem amplíssima vantagem geográfica e tecnológica. A Rússia é também o único país com significativa capacidade para projetar o próprio poder no Ártico. A Rússia tem desejo político e os necessários recursos financeiros para apoiar suas justas reivindicações, nos termos da Lei do Mar. Agora, a Rússia também já demonstrou que tem plenas, importantíssimas capacidades militares e tecnológicas. A única opção que resta ao “mundo anglo” (a “Anglosfera”) é tentar ou bloquear politicamente o avanço da Rússia ou, pelo menos, retardá-lo o mais possível. [Daí usar os prestimosos e bem remunerados serviços da Greenpeace (Nota da redecastorphoto)].

E a Mãe Natureza? Pode-se dizer que a importância que se dá a ela é proporcional à riqueza que um ou outro ponto ofereçam. Enquanto o Polo Norte foi terra inacessível, ninguém deu importância alguma à poluição que a União Soviética ou a Rússia pudessem gerar. Mas hoje, de repente, é prioridade absoluta e não se fala de outra coisa... [Daí a ação desta e outras ONGs ecológicas como as que agem contra a construção de Belomonte, p. ex.. (Nota da redecastorphoto)]

A coisa mais realmente triste é que o legado soviético de poluição é particularmente terrível no norte da Rússia; e de modo algum se pode admitir que o trabalho de recuperar e preservar aquela região seja atribuído a grupo militante tão fortemente financeiro-politizado como o Greenpeace.

Em outras palavras, o Greenpeace é piada metida a “ecológica”; mas a preservação do Ártico é assunto seriíssimo, e todos os países com acesso ao Ártico deveriam estar sendo pressionados para respeitar aquele ecossistema sem igual.

O fato de que a operação militar russa na Ilha Kotelnyi tenha começado por vastíssima operação de limpeza é ótima notícia; também é ótima notícia que a ilha será declarada área de preservação da natureza.

Esperemos que esse primeiro movimento dos russos não seja só ação de propaganda de um só evento; e que o modelo seja implementado daqui em diante, para todas as futuras expedições russas no Ártico.

Sobre os ativistas, a Rússia bem faria se os libertasse. Como fez bem ao confiscar todo o equipamento e aplicar pesadas multas à ONG-empresa Greenpeace. É no bolso – muito mais que em relação a alguma “causa” – que os doadores e administradores que mantêm essas empresas-ONGs, e tratam os militantes como bucha-de-canhão e ferramenta de propaganda, mais sentem os golpes.

[assina] The Saker


sexta-feira, 25 de junho de 2010

A diarreia da British Petroleum no Golfo do México: Greenpeace lambuzado de petrodólares



Beline Chaves

Interessante a atitude do Greenpeace, de acordo com matéria do site Terra:
"O Greenpeace decidiu não fazer campanha por um boicote [dos produtos específicos da BP]
. Ao invés disso, seus representantes apresentam um desafio diferente: as pessoas que realmente querem punir a BP precisam encontrar formas de viver sem o petróleo."

Eu particularmente posso viver sem o Greenpeace, mas qual será o real motivo de tanta tolerância, aliviando a barra do principal culpado e generalizando os criminosos? É claríssimo. Seus membros não podem ir contra quem lhes mantém como um batalhão de mercenários que realmente revelam ser.

Se quisessem parar o vazamento, torpedeando o local e lacrando o poço, já o teriam feito, mas o poder da BP é tão grande que Obama parece hesitante há algumas semanas, ou impotente perante as consequências da maior eco-tragédia já registrada em toda a era do petróleo. Impotente ou intimidado por uma assessoria incompetente e generais intolerantes, belicosos.
Se o vazamento fosse da nossa Petrobras e tivesse ocorrido na costa brasileira ou em qualquer de seus empreendimentos mundo afora, o Greenpeace já teria recrutado dezenas de milhares de velejadores do todo o mundo, partiriam rumo à costa brasileira, com a cobertura da mídia internacional, com o apoio incondicional dos seus pares autóctones e inserções de hora em hora, ao vivo, na BBC, alegando que, além da Amazônia, o oceano e a costa brasileira também seriam patrimônios da humanidade. Iriam boicotar nossas exportações até que o poço fosse lacrado e o vazamento estancado. Exigiriam que todo o processo de perfuração em alta profundidade fosse suspenso até que se apresentassem novos planos de segurança e atendimento emergencial em caso de acidente. Alguém tem dúvida de que seria assim?

Na luta contra o mar de petróleo no Golfo, uma ONG está se esforçando para barrar o óleo usando boias e tapetes recheados de tufos de cabelo humano. Com essa ONG posso até contribuir, doando alguns gramas de meus pentelhos.

Tá pianinho o Greenpeace, nem parece aquele que enfrenta barcos baleeiros como piratas abordando navios da Coroa britânica no Mar do Caribe.

Agora precisamos ver se algum lorde descendente de alguma tribo extinta do Reino Unido se manifesta com o apoio, por exemplo, da Survival. Afinal, tudo leva a crer que os donos do “óleo” (uma das gírias para “dinheiro”) são também donos das ONGs mais enganadoras do Planeta que está poluído delas, essas se apresentam como alternativa às inações dos governos corruptos, os que se sustentam com o apoio de seus comparsas corruptores.

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Beline Chaves é piloto comercial agrícola (código DAC 910018) e escritor; leitor assíduo desta nossa Agência Assaz Atroz, nos enviou esse texto a título de colaboração.

surrupiado do Assaz Atroz do Fernando Soares Campos