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sábado, 3 de março de 2012

Stratfor - “Inteligência global”?! O “global”, dá pra ver, mas... cadê a “inteligência”?!


Você pagaria um réis de mel coado pela “informação” abaixo?!
Traduzido e enviado pelo pessoal da Vila Vudu


Re: Sobre os hackers 
Email-ID 1549513
Date : 9/6/20122 01:33:34

Pergunto: 

o que forçaria Anonymous ou LulzSec a mudar seu modus operandi?

Lulzsec não foi um desenvolvimento e, portanto, uma mudança no modus operandi, a partir dos Anonymous?

Os hackers top-de-linha só trabalham para a Agência Nacional de Segurança ou trabalham também para os chineses?

_________________________________________

On 28/6/2011 13:23, Renato Whitaker wrote:

Temos planos para examinar algum dos recentes fenômenos hacker, como os ataques dos “Anon” e “lulzsec” a páginas do governo? Quero dizer: “Anonymous” é mais uma ideia que um grupo real, mas pode ser considerado como uma espécie de “lobo solitário” eletrônico, não é?

Não tem muito a ver com nossa discussão, mas, dia desses, procurei a palavra “Lulz” no banco de dados de Stratfor, e só encontrei o seguinte: “Chavez e Correa estiveram em Manaus, Brasil, para encontrar o presidente do Brasil, Lulz Inacio “Lula” da Silva” (em http://www.stratfor.com/venezuela_chavez_says_banco_del_sur_open_november).

Assina: Marc Lanthemann / ADP / 

[pano rápido]

Editorial da Vila Vudu: Questões abissais sobre “informação”


O que é? Quanto vale? Pra que serve? Quem lê tanta notícia? [1] E as táticas?


Ainda não sabemos exatamente que conclusões extrair desse fato, mas fato é que:

(a) os caros (no sentido de que custam muito dinheiro) analistas da empresa Stratfor;
(b) os clientes que compram a informação (também muito caro) que essa empresa vende; e
(c) o pessoal aqui do bairro – além de muita gente por aí pelo mundo – esses últimos lendo deliciosamente gratuitamente e em português.

Lemos, nós todos, (a), (b) e (c) acima, exatamente a mesma “informação”, que todos consideramos importantíssima, e no mesmo dia.

Esse espantoso fato (achamos espantoso, pelo menos assim, avaliado no momento do espanto, porque parece que obriga a pensar sobre o que seja a tal “informação” que tantos tanto prezam, pela qual tantos cobram tão caro, e que a gente aqui distribui fartamente e de grátis) ficou comprovado hoje, quando WikiLeaks divulgou o e-mail ID 758143, datado de 8/11/2011.  
Nesse telegrama Sean Noonan, da empresa Stratfor, reencaminha mensagem que recebera, e recomenda a leitura de artigo publicado na revista Wired, assinado por Quinn Norton, intitulado “Anonymous 101: Introdução ao ‘Lulz’”, que traduzimos.

Sean Noonan, da empresa Stratfor, escreve, no e-mail:

“Dez pontos a quem inventou a expressão “ultra-coordinated motherfuckery” (que nós traduzimos por “sarro ultracoordenado”, porque as soluções alternativas “filha-da-putagem ultracoordenada” e “ferro-ultracoordenado-na-boneca” foram derrotadas por votos, e “sarro ultracoordenado” venceu).

Infelizmente, a expressão se aplica ali a gente completamente não coordenada que jamais ferrará ninguém. Mas aguardem, que vou achar melhor uso para a expressão.

Na mensagem inicial, Marc Lanthermann escrevera:

... comentário cultural bastante bom sobre os Anon, mas inútil em termos de expor detalhes “táticos”.

OK. É a opinião deles. O que se vê, tão claro em tão poucas linhas, é que Noonan avisa que há de achar uso em que ferrará, sim senhor, algum incauto. E Lanthermann só se interessa por “informação” que exponha “detalhes táticos” dos Anons (ou, talvez, de qualquer coisa, não se pode saber).

Sobre a empresa Stratfor, há “informação” em “Stratfor: por dentro de uma CIA privada”, de jornal libanês, traduzida.

Sobre os e-mails da empresa Stratford, que WikiLeaks começou a publicar essa semana, há “informação” de WikiLeaks, traduzida, em WIKILEAKS-2012: “Stratfor: Os Arquivos da Inteligência/ Espionagem Privada Global”.

Absolutamente não obramos aqui pra nos exibir oo por autopromoção, porque não vemos vantagem alguma em constatar que a gente aqui distribui “informação” que pressupomos interessante para nós... e aquela “CIA privada” acha que a mesma “informação” também é interessante para ela e seus clientes (mas a “CIA privada” anota, cautelosamente, que a informação é inútil se não expõe “detalhes táticos”). 

Alguma coisa estranha, para a qual não estamos dando atenção – e para a qual talvez devêssemos estar dando atenção – há, nesse negócio aí, de recolher e distribuir “informação”. Estamos terrivelmente intrigados. Estamos convencidos que alguma coisa há aí, sim. Pra começar: a coisa talvez esteja na evidência de que uns vendem informação, e a gente dá. 

Os Anonymous também fazem deliciosamente gratuitamente o que fazem (“Nossa esquisitice é grátis” (ou, talvez, “Nossa esquisitice é livre”, questão indecidível), como se lê em A lógica dos Anonymous – exército online, agente do caos, em busca de justiça, 13/1/2012, Gabriella (Biella) Coleman, Triple Canopy, n. 15,  (em tradução). Parece que, sim, a grana (ou a não-grana) tem alguma coisa a ver com construir e distribuir “informação”. (E, seja como for, continua sem análise e discussão a questão dos “detalhes táticos”, de que a “CIA privada” já sabe, mas nós, ainda não.)

Estamos nesse pé da reflexão. Todas as contribuições, ressalvas, correções são bem-vindas.


Nota de rodapé
[1] “Quem lê tanta notícia?” é verso de Alegria, alegria, Caetano Veloso, 1967, que se vê e ouve em...


... do tempo em que Caetano Veloso cantava sem arrogância udenista e desafinava um tantinho. Tinha algo (não muito, mas algo, um traço, uma coisinha) a ver com “lulz”, né-não? \o/ \o/ \o/?
Infinitamente mais bonito que o que se ouve a seguir:


Caetano já igualzinho ao ex-FHC e atual NADA, hoje super afinadíssimo-chato. 1967 é também o ano de “Domingo no parque”, do grande, grande imenso nosso ministro Gilberto Gil, que parece que via o momento em que a festa vira tragédia (vê-se ouve-se a seguir) , como tudo virou tragédia, logo no ano seguinte, em 1968.


Mas... 1967?! Já lá vão 45 anos! Faltavam ainda 13 (epa!) anos, para o PT aparecer no mundo!

Clicando no “link” podemos ver foto do Presidente Lula em 1967. Nesse mesmo ano (1967), a presidenta Dilma militava no POLOP e a ditadura brasileira inventou a Lei do Mobral, pra alfabetizar e emburrecer simultânea e rapidamente o maior número possível de pessoas. 

A revista Veja estava sendo montada; foi lançada no ano seguinte, feito do qual Mino Carta se orgulhou no início, depois se arrependeu. 

Em 1967, Bruno Giorgi criou a escultura Meteoro, que lá está hoje, sobre o espelho d’água do Palácio das Relações Exteriores, em Brasília. 

Em 1967, o PCdoB publicou um documento intitulado “Alguns problemas ideológicos”, contra o foquismo e contra a ideia de substituir o papel dirigente do partido, pela guerrilha. 

Naquele ano, Aloysio Nunes Ferreira Filho assumiu a presidência do Centro Acadêmico XI de agosto, da Faculdade de Direito, e trabalhava como motorista de Carlos Marighella, então, para Aloysio um ídolo, embora guerrilheiro. Atualmente já ninguém sabe o que é o senador (hoje) tucano-udenista Aloysio. 

Em 1967 foi ao ar, pela primeira vez, o “Jornal da Globo”, que, em 1969, passou a chamar-se “Jornal Nacional” e prestar, jamais prestou. 

Ora, tudo são “informações”. O xis da questão, afinal, talvez esteja, mesmo, em aprimorar os “detalhes táticos”...