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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Editorial da Vila Vudu/redecastorphoto de 15/11/2013


Passamos adiante, aqui, uma mensagem publicada hoje por "The Saker", do blog The Vineyard of the Saker, que não se sabe quem é, e cujo trabalho na rede foi divulgado por Pepe Escobar, pelo Facebook, onde o descobrimos.

The saker
A mensagem pareceu-nos interessante e está, na íntegra (em inglês), em “An amazing week has turned to an amazing month - heartfelt thanks for all those who made this possible (UPDATED)”, porque o Saker (é um tipo de falcão, foto acima) parece trabalhar numa linha semelhante à nossa: escreve  e posta no blog (no nosso caso, traduzimos, postamos e espalhamos pela rede) sem qualquer tipo de “seleção” entre os destinatários: se o cara diz que quer receber, mandamos. O blog redecastorphoto é depositário da totalidade das traduções e manifestações do pessoal da Vila Vudu desde 2010.

Gostamos do que o Saker escreveu, porque ele pôs, num parágrafo, praticamente o resumo de algo que nós (também) pensamos -- e que pode ser o “fundamento teórico”, se algum houver, do que a gente pensa, com alguma variação nos “exemplos”:


Finalmente, a grande lição [da surpresa, para ele, que foi descobrir o que ele escreve traduzido para zilhões de línguas e distribuído pelo planeta inteiro] é que há uma sede no planeta por um tipo diferente de pensamento. As velhas categorias - Esquerda vs Direita, Leste vs Oeste, Progressistas vs Conservadores - estão morrendo e muita gente está farta delas. Muita gente também está farta das regras estritas do “politicamente correto” que *todos* os establishments sempre impõem. Digo isso, porque recebemos pouquíssimos e-mails de ódio. Não há dúvidas de que há “algo novo” em gestação no mundo. Na Rússia, esse “algo novo” aparece encarnado em Putin; na França, em Soral e Dieudo; na América Latina provavelmente em Morales; no Oriente Médio, em Nasrallah. Talvez, algum “consenso” pós-capitalista?

Cá na Vila Vudu / redecastorphoto, ainda não demos por morto-e-enterrado o discurso da esquerda. Nos declaramos completamente “de esquerda”. Entendemos que a luta continua, mas que, sim, que a esquerda europeia, sim, acabou-se, autodiluída em grupelhismos. E diríamos que “há algo de novo no Brasil, em Lula-Dilma”; na América Latina talvez, mais, em Correa (do Equador), melhor herdeiro do chavismo, nos parece, que Evo Morales”.

Na França, não sabemos e, assim, demos divulgação ao que pareceu “novo” ao Saker. E no Oriente Médio, sim, parece que, sem dúvida, “há algo de novo em Hassan Nasrallah” que traduzimos frequentemente já há muito tempo e que Assange entrevistou há um ano (entrevista que fica cada dia mais atual, se se consideram os desenvolvimentos contemporâneos na Síria, e que pode ser relida na redecastorphoto), e que é personagem DESCONHECIDO dos leitores/ espectadores/ ouvintes da imprensa-empresa brasileira (censurado também pelos blogueiros jornalistas ditos “progressistas” brasileiros).

No caso da Vila Vudu/ redecastorphoto, deve-se acrescentar que nós empenhadamente nos dedicamos a divulgar matérias e publicações que se encontram na rede, pelo mundo, e que NUNCA, JAMAIS, EM CASO ALGUM, apareceram ou algum dia aparecerão publicadas em língua portuguesa do Brasil nos JORNAIS/ REVISTAS/ RÁDIOS/ TVs brasileiros.

Nesse sentido, costumamos dizer, cá entre nós, que fazemos um trabalho DES-JORNALÍSTICO.

Em todos esses casos, o que fazemos é alguma espécie vaga de “seguir a multidão” - um conceito importante e utilíssimo, que aprendemos (e continuamos a aprender) criado por Antônio Negri - mais do que insistir em supor que saberíamos mais que a multidão.

Em todos os casos, nos interessam sempre mais as vozes que NÃO LEEM JORNAIS e REVISTAS BRASILEIROS E NÃO ASSISTEM À REDE GLOBO, nem TV comercial brasileira em geral, nem ouvem noticiários radiofônicos (tipo CBN, a rádio que troca notícias, p. ex.).

Se os muitos hoje, no mundo, são islamistas e só esses, no mundo, estão fazendo a oposição política (e armada) ao capitalismo selvagem que os EUA tentam impor pelas armas, pelo planeta, então oferecemos nossos ouvidos e dedos a Nasrallah, da resistência xiita, que parece ser o mais consequente, politicamente falando, dos islamistas.

Entendemos que o jornalismo que há no Brasil, jamais, em tempo algum -- e por definição -- será instrumento útil para construir e distribuir a informação que interessa ao esclarecimento e formação (no sentido complexo, de “ilustração”) da opinião pública brasileira.

O jornalismo brasileiro é o pior do mundo? É.

O jornalismo brasileiro tem de ser EXTINTO. As empresas têm de ser fechadas e o terreno salgado, para que ali nada mais do mesmo jamais torne a brotar. E para que os terrenos salgados e devolvidos ao estado de terra bruta, ali permaneçam, secos e estéreis, como monumento fúnebre, para que todos vejam, bem graficamente, o mal que o jornalismo brasileiro (teoria e prática) fez ao Brasil, por mais de um século e, hoje, ainda mais do que nunca antes.

Decidimos distribuir hoje este EDITORIAL para não deixar aí, como última palavra, ao nos desligarmos das listas “nômade”, as tolices/ besteiróis publicados por “nômades” do Rio de Janeiro, para os quais nós não faríamos outra coisa além de “inundar a lista com material islamista”. De fato, esse tipo de tolice jamais havia sido escrito, sequer, pelos sionistas que vivem a nos espinafrar e até ameaçar.

Há um risco muito específico da internet, que é o risco da palavra escrita por impulso.

Paul Virilio
A rede -- que é vastamente AÇÃO POR ESCRITO -- é lugar muito perigoso onde se vê, muito claramente, o que há de verdade no que Paul Virilio escreveu:

A Internet nos deu o tempo do reflexo e roubou-nos o tempo da reflexão.

Isso, precisamente, é o que fazem também o jornal, o rádio e a televisão comerciais liberais (no sentido de “liberal udenista”) que há no Brasil.

Nesse sentido, e se for usada só para distribuir reflexos & xiliques hiper-mega-over grupelhistas ou de clusters acadêmicos ou individualistas e roubar a todos o tempo da reflexão, a rede TAMBÉM é ferramenta a favor do capitalismo selvagem e seus comanditários.

O mesmo vale também para o jornalismo “ninja”, o qual é “comunicação” e como tal não nos interessa, porque nenhuma “Teoria da Comunicação” capitalista nos interessa, como nenhuma teoria do jornalismo liberal capitalista nos interessa, ainda que metida a “ninja”.

Sobre os black blocs, adotamos a posição dos Zapatistas: venham, se quiserem vir, mas,

escrevam meia página sobre o que pensam e sobre por que fazem o que fazem como fazem: mais importante que a quebradeira cenográfica, é vocês explicarem-ensinarem POR QUE vocês fazem a parte quebradeira, da luta comum de todos.

Por hora, é isso.


Vila Vudu e redecastorphoto

terça-feira, 29 de outubro de 2013

O Partido Comunista Chinês se reunirá em “Pleno” de 9 a 12/11/2013

29/10/2013, [*] Zhu Ningzhu (Editorial) Xinhuanet, Pequim
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Vista frontal do Grande Salão do Povo em Pequim onde se realizará o "Pleno"
Pequim (Xinhua) – A 3ª Reunião Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCC) acontecerá de 9 a 12 de novembro próximo em Pequim, segundo informe do Gabinete Político do Comitê Central do PCC distribuído hoje.

O anúncio foi feito depois de reunião dos membros do Gabinete Político com Xi Jinping, secretário-geral do Comitê Central do PCC, para estudar como “aprofundar amplamente as reformas”.

Durante a reunião desta 3ª-feira, todos ouviram um relatório das opiniões recolhidas dentro e fora do Partido, para uma primeira versão das decisões do Comitê Central do PCC sobre as principais questões relacionadas ao amplo aprofundamento das reformas.

Essa primeira versão será apresentada à 3ª reunião plenária, para revisão.

Reforma e abertura são uma “grande revolução” para o povo chinês sobre a liderança do PCC na nova era. Aprofundar as reformas exige melhorar e desenvolver o socialismo com características chinesas, como diz o informe.

Desde a 3ª sessão plenária do 11º Comitê Central do PCC, há 35 anos, o Partido promoveu reformas nos sistemas econômico, político, cultural e social, além das relacionadas ao progresso ecológico e à construção institucional do PCC. Desde então, diz o informe, a abertura foi continuamente ampliada.

A realização do sonho chinês de rejuvenescimento nacional exige aprofundamento amplo das reformas e reforço da confiança, teoria e sistema do socialismo com características chinesas; e “várias erros em sistemas e mecanismos têm de ser corrigidos” – nos termos do informe.

Plenário do Grande Salão do Povo
A sessão plenária verá o PCC trabalhar para apressar o desenvolvimento da economia socialista de mercado, da democracia socialista, do desenvolvimento cultural socialista, da harmonia social e da proteção ao meio ambiente.

Devemos deixar que o trabalho, o conhecimento, a tecnologia, a administração e o capital desenlacem o próprio dinamismo, que se soltem e espalhem-se todas as fontes de riqueza, e que o povo usufrua em justo equilíbrio mais frutos do desenvolvimento – diz o informe.

O documento acrescenta que a liderança do PCC deve ser reforçada e aprimorada, dando pleno desempenho à função central do Partido, que exerce liderança plena e coordena todos os esforços para assegurar o sucesso das reformas.

Todos os órgãos do Partido, em todos os níveis, são convocados para cumprir seu dever na liderança das reformas, aprimorar os mecanismos de tomada de decisões e aumentar a capacidade dos funcionários encarregados de impulsionar as reformas. Todos estão sendo convocados, também, a encorajar todos os membros do PCC a contribuir para as reformas.

Na mesma reunião, o comando do PCC aprovou regulação para combater o desperdício e a extravagância nos departamentos do Partido e do governo, conclamando a que se reforce a supervisão e imponham-se punições mais duras aos violadores.

Em anos recentes, departamentos do Partido e do governo puseram-se ocasionalmente a competir por ostentação e extravagância, o que levou a enormes gastos e desperdício, além de fortes reações do povo – diz o informe.

O Gabinete político aprovou e autorizou a divulgação da Regulação para Implantar a Frugalidade e Combater o Desperdício nos Departamentos do Governo e do Partido.

Membros do Comitê Central do PCC -Partido Comunista Chinês
Linha superior: Xi Jinping, Li Keqiang, Zhang Dejiang, Yu Zhengsheng;
Linha inferior: Liu Yunshan, Wang Qishan, Zhang Gaoli

Segundo o documento, a Regulação visa a limitar estritamente, supervisionar e punir várias violações relacionadas ao gasto de dinheiro público.

A Regulação oferece normas de amplo alcance, que cobrem a gestão de dinheiro público, viagens domésticas e ao exterior, recepções de negócios, encontros e outras atividades oficiais, o uso de veículos e de escritórios não privados, além da poupança de recursos.

O informe conclama o Partido e o governo a seguir resolutamente o que a Regulação determina, com os principais funcionários a liderar e supervisionar a campanha.

Conclama também os departamentos de todos os níveis a mapear medidas detalhadas, nos termos da Regulação, adequados à realidade do próprio trabalho, assegurando estrita supervisão e punições mais duras aos que violem as normas implantadas, considerados os eventos caso a caso.

A Regulação é parte da campanha “em linha de massa” que está em curso e visa a estreitar os laços entre os funcionários e membros do PCC e o público, ao mesmo tempo em que se erradicam estilos não desejáveis de trabalho, como o formalismo, a burocracia, o hedonismo e a extravagância.
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[*] Zhu Ningzhu é Editor-chefe do jornal Xinhua e da versão eletrônica Xinhua.net.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Fala a China: “Putin oferece a Obama uma escapatória, mas...”

11/9/2013, Global Times, Pequim - Editorial
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Manifestantes desfilam em frente à Casa Branca, em Washington DC, nos Estados 
Unidos, em 7/9/2013, instando o Congresso a rejeitar o plano de ação militar do 
presidente Barack Obama contra a Síria.
A mudança é dramática. Moscou sugeriu a Damasco que deve entregar suas armas químicas, destruí-las sob supervisão internacional e unir-se à Convenção pelo Banimento de Armas Químicas. A Síria rapidamente respondeu positivamente ao plano; e o presidente Obama também enviou um sinal; declarou que a resposta da Síria era “desenvolvimento potencialmente positivo”. Essa virada inesperada, depois que Washington mostrou seu plano para um ataque aéreo à Síria, trouxe algum alívio.

A mídia nos EUA já suspeitava de que o presidente Obama estivesse cuidando de uma “rota de escape”. Também muitos creem que seu ataque aéreo pode ser cancelado. O plano não obteve apoio suficiente dos cidadãos nos EUA e muitos deputados e senadores manifestaram objeções.

A proposta russa, para alguns analistas, é uma escapatória que Vladimir Putin oferece ao presidente americano.

A situação ainda é cheia de incertezas. Os EUA tornaram-se hesitantes, hesitação sem precedentes, no que tenha a ver com “punir” nação muito menor que os EUA. Obama passou a bola ao Congresso, onde logo emergiram divergências massivas. Estará Tio Sam tomado de temores, só porque a liderança do presidente Obama é fraca? O caso não parece ser esse.

Washington perdeu o senso de direção no Oriente Médio. Basta um estalo de dedos, e Tio Sam pode reduzir a cinzas a Síria, com um único ataque aéreo. Mas a ambiguidade dos propósitos políticos dos EUA está pondo o país numa situação de alto risco. Afinal, já se sabe que o Grande Oriente Médio, proposto depois da derrubada do regime de Saddam Hussein, nunca passou de utopia.


Ao mesmo tempo, a “conclamação” de Tio Sam aos amigos já não funciona tão bem como antes. Dessa vez, o mais provável é que a Royal Air Force britânica não compareça ao lado de Tio Sam. Mais importante, praticamente todas as grandes potências europeias já aplaudiram a solução pacífica concebida pelos russos.

A hesitação de Obama sugere que o poder dos EUA está declinante na comunidade internacional.

O mundo começa a preocupar-se com movimentos que lhe parecem inconsequentes ou temerários demais.

A proposta do Kremlin, clara, decisiva, tática e executável, foi golpe duríssimo no calcanhar de Aquiles de Washington. A Rússia superou o que foi em crises passadas, como na Iugoslávia, e acertou um cruzado no olho do mundo beligerante.

Contudo, deve-se notar que só o fim total desse “drama” pode forjar o futuro geopolítico no Oriente Médio. O que realmente fará diferença é se os EUA desistirão do ataque e se o governo de Bashar al-Assad será mesmo derrotado, caso o botão da guerra seja acionado.


Se Washington desistir do ataque aéreo, não importa por que motivo, ter-se-á o início do fim do intervencionismo militar comandado pelo ocidente. Os EUA talvez consigam começar a “raciocinar” com o mundo. Mas se a guerra eclodir, ela, em seguida, se converterá em vale-tudo dos mais incertos entre muitas diferentes potências.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Xi e os partidos de esquerda


(da Índia e ôtrospelaí no Brasil)

28/3/2013, MK Bhadrakumar*, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Xi Jinping
Xi, o enigma, o recém eleito novo presidente da China, continua a hipnotizar por aí, pelo planeta afora – e especialmente a esquerda. Já nos habituáramos ao ‘'socialismo com características chinesas'’. Mas o discurso histórico de Xi, dia 17 de março, sobre o “Sonho Chinês” dá ao socialismo chinês nova direção, rumo a um admirável/valente novo mundo [orig. a Brave New World] [1]. Não há dúvidas de que continuará a reverberar por muito tempo e, sim, será acolhido como proveitoso desenvolvimento da teoria marxista.

Xinhua noticiou que o People’s Daily, que vinha publicando uma série de artigos, ao longo das últimas semanas, dissecando o “Sonho Chinês”, saiu-se com surpreendente editorial na 4ª feira [27/3] em que enfatiza, dentre outras coisas, que o “Sonho Chinês” é composto essencialmente de cada novo, vívido, sonho individual. O que o povo busca: condições de vida mais próspera, que inclui boa educação e assistência médica, trabalho estável, renda satisfatória, segurança social confiável e casas confortáveis, são a parte mais vital do “Sonho Chinês”. [2]

O Editorial do People’s Daily acrescenta: “Todos têm direito iguais de buscar seu sonho e de ser o construtor dos próprios sonhos”. E “converter essas aspirações em realidade é precondição para alcançar o sonho do país”.

Hummmmm. Não mais o bem comum. Nada de luta de classes. Pensávamos que o marxismo fosse totalizante e que, assim individualizante, só a teoria burguesa. Pensávamos em totalidades sociais e rejeitávamos os que propunham o individualismo metodológico. Pois é. E Xi parece sonhar com reconstruir o socialismo, pelo modelo individualista.

Diz Xinhua: “A pujante história da China moderna é prova de que só país próspero e forte pode promover o renascimento nacional com prosperidade para o povo comum”.

O Editorial avalia que o sucesso do Partido Comunista Chinês advém de ter “promovido um milagre de crescimento econômico”, o qual, por sua vez, baseou-se em “conquistar o apoio do povo, respeitando as iniciativas do povo” e, assim inspirando “a criatividade pública”. 

Escrevi recentemente num semanário malaio, em comentário sobre o legado de Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana, que os partidos comunistas em Kerala precisam urgentemente se repensar. O que Marx pensou pode ser relevante e ajudar a bem encaminhar soluções adequadas aos problemas de nosso país, se e somente se for objeto de engajamento crítico – o que a esquerda evita.

Sim, veem-se hoje cartazes, em Kerala, que mostram Che Guevara, Narayana Guru e Swami Vivekananda lado a lado com Karl Marx e Lênin – e Stálin. Mas não passa de “política burguesa” com objetivos eleitorais, e nem chega perto do “rejuvenescimento” que Xi tem em mente.

Claro que a esquerda e seus companheiros de jornada na Índia têm pela frente a tarefa gigantesca – e não fazem outra coisa, há 25 anos, além de tentar adiá-la e adiá-la – de reinventar o socialismo com características indianas.

É isso, ou parecerão dogmáticos, arcaicos, mais irrelevantes a cada dia. Isso explica também por que tão rapidamente vão perdendo espaço para identidades políticas organizadas em partidos que se constituem em torno de carisma pessoal, afinidades familiares ou de castas; é o “Sonho Indiano”.
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Notas de rodapé

[1]  Título de romance de Aldous Huxley, BRAVE NEW WORLD, de 1931, ambientado em Londres no ano 2540 (632 A.F. – “After Ford”/pós-Ford). Pode ser lido em português – Admirável Mundo Novo - tradução de Vidal de Oliveira e Lino Vallandro, Ed. Globo, Porto Alegre, 1979, 5ª Ed..

[2] 27/3/2013, Xinhua, Editorial People’s Daily China, em: “Chinese dream” driven by individuals [“Sonho chinês” conduzido por indivíduos].
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MK Bhadrakumar* foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The HinduAsia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

domingo, 24 de março de 2013

A desavergonhada arrogância do Washington Post


(digo: d’O Estado de S.Paulo, p. ex.)

23/3/2013, Robert Parry, Consortium News
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu


Robert Parry
Talvez mais que qualquer outra empresa jornalística, o Washington Post empurrou os EUA para a invasão ilegal do Iraque. Mas um editorial do Post, que registrou, antecipado, o décimo aniversário da guerra, não admite qualquer erro, nem lição a aprender . Escreve Robert Parry



Nota dos tradutores: No Brasil, nem se pode(ria) dizer que só o Estadão viva de tentar arrastar o Brasil para trás, de volta às velhas neocatástrofes neoliberais tucanas (no plano interno) e reacionárias norte-americanófilas (no plano internacional): aqui, todas as empresas da imprensa-empresa (o chamado “jornalismo” [só rindo]) vivem de papagaiar agências noticiosas norte-americanas comerciais, nenhuma das quais jamais fez outra coisa além de propaganda pró-EUA (o que equivale a dizer “propaganda pró Israel e pró guerras e mais guerras). No Brasil, o problema é, mesmo, todo o Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão).

Mas deve-se registrar que, nos EUA, já se leem críticas de críticos consistentes, que já não se satisfazem – como ainda se vê no Brasil – com vagos comentários acadêmicos autoproclamados “críticos” sobre um vago conceito de “jornalismo”, do qual se servem tanto “jornalistas” como “críticos” academizados e professores do mesmo vago “jornalismo” e profissionais da mesma vaga “crítica”, sempre conservadora. 
(O lixo crítico produzido pelo Observatório da Imprensa – especialistas em observar o NADA – é exemplo típico [Nota da redecastorphoto])

Nos EUA já se leem comentários legitimamente críticos – críticos para transformar – que começam a declarar que é mais que hora de demitir uma dúzia e meia de propagandistas fascistizantes autodeclarados jornalistas. É excelente ideia! Só assim se pode pensar em começar a implantar alguma ordem democrática, no galinheiro das empresas comerciais do jornalismo [só rindo] brasileiro, as quais, afinal, vivem de VENDER notícias podres a consumidores, os quais, no Brasil, são necessariamente ELEITORES.

De fato, se se considera a crescente importância do Brasil no cenário internacional, é mais que hora de as empresas jornalísticas brasileiras entenderem que não conseguirão continuar a ser, para sempre, o que sempre foram, por aqui: organizações comerciais reacionárias, paroquiais, sempre burramente conservadoras, veículo, só, de “saberes arrogantes”, que escrevem e falam só para uma meia dúzia de eleitores udenistas já sem votos e sem partido e sem candidato (chega a ser CÔMICO!) – um erro de concepção empresarial que, bem feitas as contas, pode explicar os números DESPENCANTES de leitores consumidores de jornais e de revistas vejas, no Brasil.

A quem, diabos, interessaria a opinião de algum williamwaack, de alguma cantanhede, de alguma loprete, de algum augustonunes?! Por que alguém se interessaria por esse tipo de opinião, que, afinal, é sempre a mesma, igualzinha em diferentes caras e bocas?! Por que algum consumidor se interessaria por pagar por ISSO?!

O Brasil está rico e maduro para ver surgir uma (UMA – e seria dona do mercado!) empresa de jornalismo de boa qualidade. Não é preciso ser chinês, nem leninista, para ver.

Qualquer marketeiro, qualquer mercadólogo, qualquer crítico, qualquer professor de jornalismo, qualquer jornalista que não tivesse alma reacionária e conservadora, já teria percebido isso.

Quatro dias antes do décimo aniversário da Guerra do Iraque, o Washington Post publicou editorial sobre a desastrada opção pela guerra, conflito que os editores neoconservadores do Post promoveram com mentiras e distorções, tanto antes da invasão quanto por anos a fio, dali em diante.

Contudo, se alguém pensou que leria ali alguma confissão de culpa, pela longa litania de erros e vícios que o jornal difundiu, ou alguma espécie de pedido de desculpas aos que se opunham àquela guerra e foram diariamente demonizados nos editoriais e colunas do Post, só encontrou desapontamento. Nem qualquer mínima referência aos cerca de 4.500 soldados norte-americanos mortos, nem às centenas de milhares de iraquianos massacrados.

Além de dispensável reconhecimento de que o 10º aniversário daquela guerra “gerou muitos comentários sobre lições”, os editores do Post nada disseram sobre o quê, no mínimo, eles mesmos talvez tivessem aprendido. Em vez disso, mantiveram o tom de jornalismo de propaganda e promoção do próprio jornalismo fracassante, “noticiando” um pressuposto sucesso da invasão.

Pela primeira vez em décadas, o Iraque contemporâneo não representa qualquer ameaça aos seus vizinhos – “noticia” o Post.

Pois também isso é só mentira, em dois fronts.

Primeiro, que o Iraque de Saddam Hussein já não representava qualquer ameaça aos seus vizinhos desde a Guerra do Golfo de 1990-91, a menos que os editores do Post estivessem tendo um surto de lembranças dos dias de glória de 2002-03, quando o jornal vivia de disseminar as mentiras do ex-presidente George W. Bush sobre armas de destruição em massa. Será que o Post ainda acredita nesses delírios?

Segundo, que o Iraque de hoje, em governo do Primeiro-Ministro Nouri al-Maliki, tornou-se, sim, ameaça aos países vizinhos, porque extremistas sunitas aliados à al-Qaeda, do oeste do Iraque, já atravessaram a fronteira para a Síria, onde assumiram posição destacada na violenta oposição ao governo do presidente Bashar al-Assad.

Mas os editores do Post, querem que os leitores acreditem que a expedição dos tresloucados neoconservadores à Bush ao Iraque teria sido imensíssimo sucesso... até que o presidente Obama apareceu e estragou tudo... porque não insistiu em manter a ocupação militar norte-americana no Iraque.

“A influência do Irã sobre o governo de Maliki aumenta dia a dia, graças, em parte, ao fracasso do governo Obama que não conseguiu qualquer acordo com Bagdá, para que uma força norte-americana lá permanecesse” – escreveu o Post, tentando fazer crer que alguma petulância, no governo Obama, teria impedido a continuada presença militar dos EUA no Iraque, e tentando fazer não ver que o governo de Maliki impôs aos EUA um “Acordo do Estado das Forças” inaceitável.

Influência perdida

Na fantasia que o Post divulga como se fosse notícia, contudo, esse fracasso, que teria impedido que se mantivessem dezenas de milhares de soldados dos EUA no Iraque, teria levado a terríveis consequências:

Segundo funcionários do governo dos EUA, o Iraque está permitindo que o Irã envie armas para o regime sírio de Bashar al-Assad. Repetidos apelos de Washington, para conter esse contrabando, não são ouvidos.

A verdade, como qualquer observador realista já teria notado, é que a fúria sanguinária dos neoconservadores de Bush, que mal podiam esperar para entrar em guerra e depor o regime de Hussein e dos sunitas, é que fez aumentar, como faria sempre, inevitavelmente, a influência do Irã sobre o regime xiita que os EUA impuseram no Iraque. Responsáveis por isso são os neoconservadores à Bush. Pois o Post não faz outra coisa além de “noticiar” que a culpa seria de Obama e só de Obama.

O editorial do Post, então retoma sua ininterrupta campanha para pressionar o governo Obama na direção de mais uma guerra, dessa vez contra a Síria – a acusa o presidente de ser “mole”, pouco viril:

A guerra civil na Síria, e a passividade da resposta do governo Obama a ela, reforçaram essas tendências negativas. Maliki teme que a queda do governo de Assad leve a um governo de sunitas, que apoiaria a insurreição sunita em parte do Iraque. (...) Como outros líderes em todo o Oriente Médio, Maliki percebe que os EUA não dão sinais de interesse em defender os próprios interesses na região, seja atacando para conter o banho de sangue na Síria, seja atacando para conter as intervenções do Irã. O risco de tumulto ainda maior, ou, mesmo, de nova guerra civil no Iraque, é um dos fatores que obrigam os EUA a empreender ação mais agressiva para pôr fim à guerra na Síria.

O Post então resume a causa a favor da qual trabalha, e sugere que Obama teria traído a grande vitória que os neoconservadores, como o Post delira, teriam obtido no Iraque:

O presidente Obama várias vezes deu a impressão de ter virado as costas ao Iraque, e muitos norte-americanos, compreensivelmente, simpatizam com ele. Mas um fracasso no envolvimento com a frágil situação que os soldados dos EUA deixaram para trás põe sob grave risco interesses dos EUA e traem os muitos norte-americanos que morreram para defendê-los.

Chama particularmente a atenção, no editorial do Post – o qual, curiosamente apareceu quatro dias antes do 10º aniversário da Guerra do Iraque – é que o principal jornal da capital dos EUA ainda vive sob num delirante mundo de fantasias neoconservadoras ou, no mínimo, recusa-se a ver realidades chaves do Oriente Médio.

Na Neoliberalândia, o grande erro dos EUA não foi ter suposto que obrigariam os iraquianos a aceitar ocupação militar norte-americana eterna. O grande erro teria sido Obama não aceitar o “convite” de Israel para bombardear o Irã e enfiar-se, até o pescoço, em outro sorvedouro de sangue, na Síria. Os EUA, para os jornais da Neoliberalândia, teriam de dar prosseguimento ao grande projeto dos neoliberais neoconservadores para “mudanças de regime”, várias, em todo o Oriente Médio.

O editorial do Post, intitulado Iraq, 10 years later, is less threatening but riven by turmoil não faz qualquer autorreflexão sobre os inúmeros erros factuais que o jornal difundiu sobre as inexistentes armas de destruição em massa; não se veem pedido de desculpas por ter enganado os leitores e por ter induzido a erro tanta gente; nem qualquer reconhecimento do fato de que o jornal foi cúmplice de uma invasão criminosa. Os editores do jornal não dão qualquer sinal de ter aprendido coisa alguma, da tragédia para a qual tanto contribuíram para empurrar os EUA, há dez anos.

A incompetência e a incapacidade para escrever, pelo menos, que fosse, um necessário mea culpa são incômodas e perturbadoras, por elas mesmas. De fato, se o Post ainda fosse organização jornalística séria, comprometida com os princípios do jornalismo comercial sério, já teria, pelo menos, promovido um remodelação na equipe de editores. E não conservaria lá aqueles mesmos profissionais que tanta vergonha atraíram sobre a empresa, ao errar tão completamente no caso da Guerra do Iraque.

Fred Hiatt
De fato, é pior que isso: os editores do Post insistem em pontificar com a mesma arrogância, contra fatos sobejamente conhecidos, não conseguem ver sequer os próprios erros, bem conhecidos, já, de tantos leitores, são impermeáveis – mais que muitos leitores – à própria incompetência e à própria imoralidade.

Nesse sentido é que se pode dizer que o Washington Post já se converteu em ameaça muito real aos EUA e ao mundo. [Para mais detalhes, ver Why WPost’s Hiatt Should be Fired [Porque Hiatt, editor do Post, deve ser demitido].

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Península Coreana não é, toda ela, problema da China


25/1/2013, Global Times, China, Editorial
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido na Vila Vudu: Não é ma-ra-vi-lho-so haver jornal e jornalistas que AJUDAM governo eleito e seus eleitores a entender o que realmente se passa? Não é lindo ler isso que aí vai, e NÃO LER O BESTEIROL PATÉTICO que se acumula nos editoriais de TOODOS os veículos do Grupo GAFE - Globo, Abril, Folha de SP, Estadão?!

Em resposta à Resolução n. 2.087 do Conselho de Segurança da ONU aprovada na 4ª-feira, a Coreia do Norte declarou que fará teste nuclear “de alto nível”. É possível que aí haja mais que palavras de indignação pela intromissão em seus assuntos, porque a Coreia do Sul diz que um novo teste nuclear estaria já em preparação na Coreia do Norte.

A Resolução da 4ª-feira condenou o lançamento pela Coreia do Norte, em dezembro, de um foguete nuclear; e expandiu as sanções. Depois de empreender amplos esforços para introduzir emendas no texto da Resolução, a China também votou a favor.

Parece que a Coreia do Norte não valoriza os esforços chineses. Criticou a China, sem citar-lhe o nome, na declaração distribuída ontem:

Esses grandes países, que são forçados a defender suas posições de liderança na construção de uma ordem mundial mais justa, já deixaram de lado sem hesitar até os princípios mais elementares, sob influência das práticas autoritárias e arbitrárias dos EUA. E tudo faz crer que ainda não caíram em si.

A China vive um dilema: estamos muito afastados do objetivo de desnuclearizar a Península Coreana, e não há o que possamos fazer para buscar um equilíbrio diplomático entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, Japão e os EUA.

A China deve relaxar e baixar as nossas próprias expectativas quanto ao efeito de nossas estratégias para a península. Temos de manter uma atitude pragmática para lidar com os problemas e buscar a proporção ótima entre nosso investimento de recursos e os ganhos estratégicos.

A China não pode nem assumir a defesa de um dos lados no conflito na Península, como fazem EUA e Japão; nem pode sonhar com ignorar tudo completamente. Temos de aceitar prontamente que a China está envolvida; e há risco de a China ofender um dos lados, ou ambos.

O papel e a posição da China são claros, na discussão da questão da Coreia do Norte no Conselho de Segurança da ONU. Se a Coreia do Norte insistir em fazer novos testes nucleares, a China reduzirá a assistência que dá ao país. Se os EUA, Japão e Coreia do Sul aplicarem sanções extremas à Coreia do Norte, a China os conterá com firmeza e os forçará a reformar aquelas resoluções.

Deixem que a Coreia do Norte dê sinais de “zanga”. Não podemos sentar de lado e nada fazer, só porque tememos que o caso tenha impacto na relação sino-norte-coreana. EUA, Japão e Coreia do Sul que resmunguem o quanto queiram sobre a China. Não temos nenhuma obrigação de aliviar as emoções tristes daqueles países.

Dada a força da China, e desde que mantenhamos atitude firme, a situação será, gradualmente, influenciada por nossos princípios e nossa firmeza.

A China é uma potência, muito próxima da Península Coreana. Implica que nossos interesses estratégicos são complexos e diversificados. A China deve perseverar para proteger e manter nosso interesse nacional em sua totalidade, não qualquer dos interesses de outros países.

A China aspira a ver uma península estável, mas não é o fim do mundo que haja tumultos ali. Essa deve ser a linha básica da posição da China.

A China é condenada a estar localizada no leste da Ásia, onde a situação hoje é muito caótica. Mas, felizmente, a China é o país mais poderoso dentre todos da região. Evidentemente, será influenciada, no mínimo, pela situação. A China deve manter a calma.