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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Minha querida CIA

Altamiro Borges

As conspirações da CIA e a mídia

“A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países”.
Willian Colby, ex-diretor-geral da agência de inteligência dos EUA.

A sinistra CIA, a agência de espionagem e sabotagem dos EUA, acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de “jóias da família”, apelido que designa algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo ianque. São 11 mil páginas que revelam as ações terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70. Os documentos comprovam que esta central de “inteligência” sempre teve um papel ativo na América Latina. A desclassificação periódica destes relatórios é uma exigência legal e não significa que a CIA tenha abandonado os seus métodos espúrios de interferência em nações soberanas.

No caso do Brasil, tratado na época como “maior alvo do comunismo” na região, a CIA ajudou a orquestrar o golpe militar de 1964. Um dos documentos afirma que o presidente João Goulart é “um oportunista que ascendeu ao governo com o apoio da esquerda”, taxa Leonel Brizola de “líder demagogo anti-americano” e acusa o governador Miguel Arraes de ser “um pró-comunista”. O texto tenta criar um clima de pânico na burguesia ao falar da “crescente influência” do Partido Comunista. Outro documento, intitulado “A igreja engajada e a mudança na América Latina”, critica seu setor progressista e ataca dom Hélder Câmara, cujo “forte é fazer publicidade e exigir reformas, sem oferecer soluções práticas aos problemas que ele cria”.

Máfia e assassinato de Fidel Castro

Na época, no auge da chamada “guerra fria”, a maior preocupação dos EUA e de sua agência era com o aumento da influência da revolução cubana. Os documentos confirmam que a CIA se aliou à máfia para tentar envenenar o líder Fidel Castro. Um deles dá detalhes da contratação do ex-agente Robert Maheu para realizar “uma ação do tipo de gângsteres”, que envolveu vários chefes mafiosos, como Salvatore “Momo” Giancana, o sucessor de Al Capone. A CIA disponibilizou US$ 150 mil e forneceu seis pílulas “de alto poder letal” para assassinar o dirigente cubano. Allen Dulles, o chefão da agência, coordenou a operação terrorista pessoalmente, mas ela foi desativada devido a um grotesco incidente passional de Giancana.

Há também relatos sobre os planos da CIA para desestabilizar o governo chileno e assassinar o presidente Salvador Allende, inclusive com o uso de “empresas de fachada” para transportar armas. Outros relatórios descrevem várias operações ilegais de espionagem e sabotagem no continente, visando derrubar governos nacionalistas e destruir movimentos contrários ao dominio imperial. “Os EUA não podiam permitir uma outra Cuba no continente. Foi por isso que Kennedy, cuja diretriz da política para a América Latina era apoiar governos reformistas, apoiou ditadores”, explica Mary Junqueira, professora de história da USP.

Tarjas pretas e graves omissões

Os documentos agora desclassificados revelam apenas uma pequena parte dos crimes orquestrados por esta agência. Muitos textos ainda aparecem com longas tarjas pretas; nomes e detalhes das operações ilegais são omitidos. Não há menção, por exemplo, ao famoso “manual de torturas” da CIA, com seu “método médico, químico ou elétrico”, que serviu de orientação para vários ditadores no mundo. O assassinato de mais de um milhão de patriotas no golpe de 1965 na Indonésia também é excluído, assim como a brutal intervenção que derrubou o primeiro-ministro nacionalista do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953. Como afirma o jornal Hora do Povo, “a lista seletiva de crimes da CIA é uma operação de acobertamento”; visa limpar a imagem desta agência terrorista e de seus agentes e serviçais que continuam na ativa, inclusive na América Latina.

“O que estaria levando a famiglia Bush a divulgar estes documentos? Seria, como disse o general Michael Hayden, ‘porque os documentos verdadeiramente nos permitem vislumbrar uma era muito diferente e uma agência muito diferente’ e que a CIA agora tem ‘um lugar muito mais forte no nosso sistema democrático dentro do poderoso referencial legal’? Ele estaria se referindo a Abu Ghraib e Guantanamo? Ou às prisões secretas no mundo inteiro, seqüestros e vôos de tortura? Ao ‘Programa Talon’, dirigido contra organizações anti-guerra? Ou ao grampo da internet, do correio, do telefone e até dos cartões de consulta às bibliotecas dentro dos EUA? Às “novas técnicas” de preparação para a tortura, ministradas pelo general Miller? Aos atentados e esquadrões da morte da CIA no Iraque?”, questiona, com justa ironia, o jornal Hora do Povo.

Relações íntimas com a mídia

Entre as graves omissões chama a atenção o fato destes documentos não se referirem às guerras ideológicas orquestradas pela CIA através do uso enrustido dos meios privados de comunicação. Como a mídia está na berlinda na atualidade, em especial na América Latina, é compreensível que o governo Bush a mantenha sob forte proteção. Neste sentido, os documentos desclassificados agora ficam muito aquém dos relatórios produzidos em 1976 por uma comissão de investigação do Congresso dos EUA, presidida pelo senador Frank Church. No caso do sangrento golpe militar do Chile, a comissão constatou que o jornal El Mercurio recebeu milhões de dólares para desestabilizar e derrubar o governo constitucional de Salvador Allende.

“A intromissão da CIA neste periódico chegou ao extremo de infiltrar seus agentes até na diagramação. O informe Church denunciou que este organismo de espionagem contratou jornalistas, editou publicações de circulação nacional e elaborou matérias para diários, semanários e radiodifusoras, além de exportar estes ‘conteúdos’ para outros veículos latino-americanos e europeus”, lembra o escritor chileno Hernán Uribe. Já no Brasil, há suspeitas de que a CIA financiou vários jornais e jornalistas na “cruzada contra o comunismo” durante o governo de João Goulart e que, inclusive, esteve por detrás do nebuloso acordo entre a empresa estadunidense Time-Life e a recém-criada TV Globo, na véspera do golpe militar de 1964.

Espiões e seções especiais

Se estas barbaridades ocorreram no passado, é evidente que elas não foram descartadas no presente – ainda mais quando o ocupante da Casa Branca é o terrorista e torturador confesso, George W. Bush, e a América Latina vive um processo inédito de ebulição, com a vitória de vários governos progressistas. O jogo sujo da CIA, que só poderá ser conhecido oficialmente com as novas desclassificações daqui a décadas, prossegue. Os EUA temem as mudanças no tabuleiro político na região, não confiam em seus novos governantes – nem mesmo nos mais pragmáticos e conciliadores –, não toleram o avanço dos movimentos sociais e estão bem cientes dos riscos do atual processo de integração latino-americana. A CIA continua na ativa.

Numa recente passeata da direita venezuelana contra o fim da concessão da RCTV, algumas fotos flagraram a presença do agente da CIA Bowen Rosten, de camiseta azul e óculos escuros, na sua linha de frente. Há até um vídeo no Youtube com a cena grotesca. O ex-vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, no seu programa televisivo La Hojilla, comentou: “Um dos chefes da CIA na região é mister Bowen Rosten. Estadunidense, ele fala inglês, espanhol, português e francês. Está destacado para atuar na Colômbia, opera na Nicarágua, Argentina, Bolívia, Equador e Brasil e dirige a Operação Orión [de espionagem] em nosso país... O que o governo Bush tem a dizer da ingerência na política interna deste alto funcionário da CIA?”.

No final do ano passado, o presidente-terrorista Bush inclusive nomeou um diretor especial de inteligência para Cuba e Venezuela. Como denunciou o jornal cubano Juventude Rebelde, com a criação deste novo departamento “os EUA tentarão por todos os meios aumentar a presença de seus espiões nos dois países”. O agente Jack Patrick Maher, com 32 anos de experiência nos serviços de espionagem, informou ao congresso dos EUA que a sua missão é “assegurar a implementação de estratégicas”, com vistas à “transição” após a morte de Fidel Castro e às novas eleições na Venezuela. A criação desta seção especial da CIA coloca os dois países no mesmo nível da Coréia do Norte e Irã, nações incluídas no funesto “eixo do mal” de Bush.

Jornalistas pagos por Washington

A mesma ingerência ilegal e criminosa também prossegue na mídia da região. A advogada estadunidense Eva Golinger denunciou recentemente que a Casa Branca financia veículos e jornalistas venezuelanos. O plano da Divisão de Assuntos Educativos e Culturais visa influir na linha editorial destes órgãos. A grave denúncia se baseou em documentação oficial do governo ianque. “Lamentavelmente, existem jornalistas na Venezuela manipulados pelo Departamento de Estado dos EUA”, garante a renomada advogada. A VTV, o canal estatal de Caracas, inclusive divulgou os nomes dos “repórteres” que recebem dólares de Washington: Aymara Lorenzo, Pedro Flores, Ana Villalba, Maria Flores, Miguel Angel e Roger Santodomingo.

O último deles, Roger Santodomingo, foi acusado, em maio passado, pela Justiça da Venezuela de “instigar o magnicídio [assassinato de autoridades] e receber financiamento dos EUA para desestabilizar o governo”. O jornalista divulgou na televisão falsa pesquisa em que 30% da população opinava que “matar Chávez é a única solução”. Com a decisão soberana do governo de não renovar a concessão da emissora RCTV, que participou ativamente do golpe frustrado de abril de 2002, a ação destes e outros “jornalistas” teleguiados pela CIA se tornou ainda mais agressiva, convocando protestos e atacando o presidente.

Larry Rohter, agente da CIA?

Mesmo no Brasil, aonde inexiste o clima de radicalização política do país vizinho, há sérias desconfianças sobre a atuação da mídia hegemônica e de alguns colunistas e ancoras da televisão. Quando da reportagem do correspondente ianque Larry Rohter, que acusou o presidente Lula de ser alcoólatra e foi ameaçado de expulsão do país, o portal Resistir publicou um artigo de Célia Ladeira com graves denúncias contra o dito cujo. No texto, a professora de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) dá algumas informações reveladoras. “Conheci Larry Rohter há muitos anos e convivo com pessoas que o conhecem muito bem. Portanto, não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo”.

Entre outras acusações, ela afirma que “Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pago, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda a América Latina, sempre com um caderninho de missões debaixo do braço”. Informa que são comuns as suas visitas ao Departamento de Estado dos EUA. “Média de uma visita a cada ano, sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos”. Lembra ainda que o “jornalista” presta inúmeros serviços ao governo Bush, sempre desancando políticos e lideranças contrárias ao império, como numa reportagem em que ridicularizou a prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchu, da Guatemala, e nos inúmeros artigos contrários ao presidente da Venezuela. Outra diversão dele é escrever textos pregando abertamente a internacionalização da Amazônia.

Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição).
Extraído de NovaE

quinta-feira, 22 de julho de 2010

OLIVER STONE DESMASCARA LARRY ROHTER

Publicada em:21/07/2010

OLIVER STONE DESMASCARA LARRY ROHTER

Vou me permitir ocupar esse espaço com a carta enviada pelo cineasta norte-americano Oliver Stone ao The New York Times para refutar crítica a seu documentário “Ao sul da fronteira” (South of the Border), escrita pelo jornalista (se é que se pode chamá-lo assim) Larry Rohter.


Para quem não se lembra, Rohter é aquele jornalista que tentou desqualificar o presidente Lula, apresentando-o como um bêbado, incapaz de dirigir os destinos de um país. O New York Times deveria enquadrar a matéria de Rohter sobre Lula e pregá-la na parede junto a várias outras, de diversas publicações, que exaltam Lula cada vez mais e o apresentam como um dos maiores estadistas da atualidade.


Rohter é especializado em tentar desconstruir personagens ligados às causas populares, e o que fez com Lula já havia feito com Rigoberta Menchu e continua a tentar fazer com Hugo Chávez. Certamente o documentário de Oliver Stone, que trata das mudanças na América do Sul conduzidas por gente como Lula, Chávez e Evo Morales, incomodou Rohter, assim como a crítica que o cineasta faz às distorções dos fatos promovidas pela mídia.


O jornalista do The New York Times escreveu uma crítica intelectualmente desonesta, que foi desconstruída, item a item, por Oliver Stone e os roteiristas do filme Mark Weisbrot e Tariq Ali. Não vou me estender mais, pois o melhor são os argumentos dos autores do filme. A tradução é minha e pode conter algumas imprecisões. Quem quiser lê-la no original é só ir à página do filme:

OLIVER STONE RESPONDS TO ATTACK FROM THE NEW YORK TIMES’ LARRY ROHTER


***


Larry Rohter atacou nosso filme "South of the Border" por "erros, imprecisões e perda de detalhes". Mas um exame cuidadoso dos detalhes revela que os erros, imprecisões e perda de detalhes são dele, e que o filme é factualmente preciso. Nós vamos documentar isso para cada um dos seus ataques. Nós vamos mostrar, então, que há evidência de hostilidade e conflito de interesses na sua tentativa de desacreditar o filme. Finalmente, nós pedimos que sejam considerados os muitos erros factuais nos ataques de Rohter, assinalados abaixo, e que o The New York Times publique a correção integral desses numerosos erros.


1) Ao acusar o filme de informação incorreta, Rohter escreve que "um vôo de Caracas para La Paz passa na maior parte sobre a Amazônia e não sobre os Andes..." Mas a narrativa não diz que o vôo passa na maior parte sobre os Andes, mas apenas que passa sobre os Andes, o que é verdade. (Fonte: Google Earth)


2) Também na categoria de má informação, Rohter escreve "os Estados Unidos não 'importa mais petróleo da Venezuela do que qualquer outra nação da Opep', honra que pertenceu à Arábia Saudita durante o período 2004-10".


A citação mencionada por Rohter aqui foi feita no filme pelo analista da indústria do petróleo Phil Flynn, que aparece por cerca de 30 segundos em um clip da TV americana. E revela que Rohter está errado e Flynn, certo. Flynn está falando em abril de 2002 (o que está claro no filme), então é errado Rohter citar a data entre 2004-2010. Se nós olhamos para o período entre 1997-2001, que é a data relevante para o comentário, Flynn está correto. A Venezuela liderou as importações de petróleo dos EUA entre os países da Opep nesse período. (Fonte: US Energy Information Agency for Venezuela).


3) Rohter tenta desacreditar a breve descrição que o filme faz da disputa presidencial na Venezuela em 1998:


"Como South of the Border mostra, o principal oponente de Mr Chávez na sua primeira tentativa pela presidência em 1998, era ‘a ex-miss universo, loura, 1,77m’ chamada Irene Sáez, e a disputa ficou conhecida como a eleição entre a Bela e a Fera. Mas o principal oponente de Mr. Chávez então não era a senhora Sáez, que terminou em terceiro, com menos de 3% dos votos. Era Henrique Salas Romer, um ex-governador de estado, que recebeu 40% dos votos."


A crítica de Rohter é enganosa. A descrição da disputa presidencial no filme, citada por Rohter, é de Bart Jones, que cobria a Venezuela para a Associated Press à época. A descrição é precisa, a despeito do resultado final. Na maior parte da disputa, que começou em 1997, Irene Sáez era de fato a principal oponente, e a disputa foi apresentada como a "Bela e a Fera". Nos seis meses anteriores à eleição, ela começou a cair e Salas Romer conquistou apoio, com seus 40% mostrando uma decisão tardia do Copei e da AD (os dois maiores partidos da Venezuela naquele tempo, que governaram o país por quatro décadas) em apoiá-lo (Veja, por exemplo, esse artigo de 2008 da BBC, que descreve a disputa como no filme, e sequer menciona Salas Romer.


A descrição de Rohter faz parecer que Sáez era uma candidata menor, o que é absurdo.


4) Rohter tenta rotular o tratamento do filme ao golpe de 2002 na Venezuela como "teoria conspiratória". Ele escreve: "Como Mr. Stone fez com o assassinato de Kennedy, essa parte de South of the Border se apóia na identidade de um atirador ou de atiradores que podem ou não ter tomado parte de uma grande conspiração."


Essa descrição do filme é completamente falsa. O filme não faz nenhuma afirmação com base em atiradores e nem apresenta qualquer teoria de "grande conspiração" com base em qualquer atirador. Ao invés disso, o filme assinala duas questões sobre o golpe: (1) Que a mídia venezuelana (e isso foi repetido pela mídia dos EUA e internacional) manipulou imagens para parecer que um grupo de apoiadores de Chávez tinha atirado e matado 19 pessoas no dia do golpe. Essa manipulação das imagens é demonstrada claramente no filme, e não se "apóia pesadamente na conta de Gregory Wilpert", como Rohter falsamente alega. As imagens falam por si. (2) O governo dos Estados Unidos estava envolvido no golpe. Ironicamente, é Rohter quem se apóia em teorias conspiratórias, citando uma narrativa duvidosa em particular, que ele argumenta que deveria ter sido incluída no filme.


5) Rohter nos acusa de "distorcer fatos e omitir informações" sobre a Argentina por permitir "Mr. Kirchner e sua sucessora - e mulher - Cristina Fernández de Kirchner afirmarem que "nós começamos uma política diferente da anterior".


"Na realidade, o antecessor de Mr. Kirchner, Eduardo Duhalde, e o ministro da Economia, Roberto Lavagna, foram os arquitetos da mudança de política e da subsequente recuperação da economia, que começou enquanto Mr. Kirchner ainda era o obscuro governador de uma pequena província na Patagônia".


Essa crítica é algo obscura e provavelmente ridícula. Os Kirchner estiveram na presidência por cinco dos seis anos da extraordinária recuperação econômica argentina, nos quais a economia cresceu 63%. Algumas das políticas que possibilitaram essa recuperação começaram em 2002, outras em 2003, e até mais tarde. Quais são exatamente os "fatos distorcidos" e a "informação omitida" aqui?


6) Rohter tenta criar celeuma pelo fato do logo da Human Rights Watch aparecer por um par de segundos na tela, durante o debate sobre o duplo padrão de Washington em relação aos direitos humanos. O filme não diz ou sugere nada sobre a HRW. Mais importante, na sua entrevista com Rohter, o diretor da HRW Américas, José Miguel Vivanco, confirma exatamente o que o filme diz, que existe um duplo padrão nos EUA, que se foca nas alegações de abusos contra os direitos humanos na Venezuela, enquanto ignora alegações mais graves, mais numerosas e com mais substância na Colômbia. "É verdade que muitos dos ferozes críticos de Chávez em Washington fecharam os olhos para os estarrecedores registros de violação aos direitos humanos na Colômbia", diz Vivanco.


7) Rohter ataca o co-roteirista Tariq Ali por dizer que "o governo [da Bolívia] decidiu vender o fornecimento de água de Cochabamba para a Bechtel, uma empresa americana". Rohter escreve. "Na realidade, o governo não vendeu o fornecimento de água, ele concedeu o gerenciamento do fornecimento por 40 anos a um consórcio que incluiu a Bechtel".


Rohter realmente se supera aqui. "Vender o fornecimento de água" a interesses privados é uma descrição mais justa do que aconteceu do que "concedeu o gerenciamento do fornecimento por 40 anos". As empresas obtiveram o controle do fornecimento de água à cidade e o lucro de sua venda.


Nós demos a Rohter uma enorme quantidade de informações factuais para sustentar os principais pontos do filme. Ele não apenas ignorou os principais aspectos do filme, como só selecionou para seu artigo citações que não estavam relacionadas a fatos e que poderiam ser usadas para ilustrar o que ele considerou tendencioso no diretor e co-autor. Isso não é jornalismo ético; na verdade é questionável se isso sequer é jornalismo.


Por exemplo, foi apresentada a Rohter evidência detalhada e documentada do envolvimento dos Estados Unidos no golpe de 2002. Esse foi um ponto essencial do filme, e corroborado no filme pelo depoimento do então editor do Washington Post, Scott Wilson, que cobriu o golpe de Caracas. Nas nossas conversas com Rohter, ele simplesmente dispensou todas essa evidências e nada disso apareceu no seu artigo.


Rohter deveria ter revelado seu conflito de interesses nessa resenha. O filme critica o corpo editorial do The New York Times pelo endosso ao golpe militar de 11 de abril de 2002 contra o governo democraticamente eleito da Venezuela, o que foi embaraçoso para o jornal. Mais ainda, Rohter escreveu um artigo em 12 de abril que foi mais além do endosso do Times ao golpe.


"Nem a derrubada de Mr.Chávez, um ex-coronel do exército, e nem a de Mr. Mahuad, dois anos atrás, podem ser classificadas como um golpe militar convencional na América Latina. As forças armadas não tomaram o poder na quinta-feira. Foi a expulsão de apoiadores do presidente que parecem ter sido responsáveis pelas mortes de 12 pessoas se tanto ao invés de centenas ou milhares, e os direitos políticos e garantias que foram restaurados ao invés de suspensos" - Larry Rohter, New York Times, 12 de abril de 2002.


Essas alegações de que o golpe não foi um golpe - feitas não apenas por Rohter - geraram a réplica de colegas de Rohter no The New York Times, com Tim Weiner, que escreveu um artigo dois dias depois no Sunday Week in Review chamado "Um golpe com qualquer outro nome! (New York Times, 14 de abril 2002).


Ao contrário do corpo editorial do NYT que fez uma ressentida retratação de sua postura pró-golpe alguns dias depois (incluída no nosso filme), Rohter parece ter se apegado às fantasias da extrema direita sobre o golpe. Não é surpreendente que alguém que apóia a derrubada militar de um governo democraticamente eleito não goste de um documentário como esse, que celebra os triunfos da democracia eleitoral na América do Sul na última década.


Mas ele deveria ao menos ter informado a seus leitores que o New York Times estava sendo atacado no documentário e também sobre seus próprios artigos: Em 1999 e 2000, ele cobriu a Venezuela para o Times, escrevendo muitas reportagens anti-Chávez. As reportagens tendenciosas e distorcidas da mídia sobre a América Latina são o tema principal do documentário, o que Rohter também convenientemente ignorou nas 1.665 palavras que tentaram desacreditar o filme.


Nós gastamos horas com Rohter ao longo de dois dias e demos a ele toda a informação que ele solicitou, apesar de sua hostilidade estar clara desde o início. Mas ele estava determinado a apresentar sua narrativa de intrépido repórter expondo descuidada produção cinematográfica. O resultado é uma tentativa muito desonesta de desacreditar o filme apresentando-o como factualmente impreciso - usando declarações enganosas, fora de contexto, trechos pinçados de entrevistas com o diretor e roteiristas, e ataques ad hominem (falaciosos).


O Times deveria se desculpar de ter publicado isto.



extraído do Direto da Redação

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oliver Stone contesta crítica do NYT a "Ao Sul da Fronteira"

30 de Junho de 2010 - 12h53

Uma semana após ser lançado em Nova Iorque, o último documentário do cineasta Oliver Stone, Ao Sul da Fronteira, é alvo de polêmica, provocando um debate entre o diretor e o jornalista Larry Rohter, ex-correspondente do jornal New York Times no Brasil.

Em texto publicado na sexta-feira (25), Rohter apontou várias imprecisões ou erros no filme, acusando-o de apresentar uma visão deturpada sobre a “guinada à esquerda” dos governos latino-americanos, principalmente, do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Em resposta, Stone e os co-roteiristas Tariq Ali e Mark Weisbrot escreveram, nesta segunda (28), uma carta aberta ao NYT rebatendo as críticas.

No texto, Larry Rohter afirma que os 78 minutos de documentário de Stone não contêm apenas “erros e distorções, mas também detalhes que faltam, prejudicando o retrato de Chávez”. Nos 11 parágrafos seguintes, o ex-correspondente insiste que não foi apenas Stone que cometeu erros, mas também Tariq Ali.

No dia seguinte, Stone, Ali e o economista Mark Weisbrot escreveram a carta que responde cada acusação de Rohter. A réplica foi publicada no site oficial do filme, traduzida pelo Opera Mundi e publicada a abaixo.

Um dos argumentos usados por Rohter para desqualificar o documentário é o ponto de vista adotado pela narrativa para tratar das eleições de 1998, que levaram Chávez ao poder. Segundo ele, é um equivoco afirmar que a ex-miss universo Irene Saéz, então candidata à presidência, era a principal adversária do coronel, já que ela ficou em terceiro lugar, com 3% dos votos, e não o ex-governador Enrique Salas Romer, que teve 40%. Para os produtores do documentário, bastava ter feito uma análise mais abrangente do período eleitoral para entender o papel de Irene na campanha de 1998.

Detalhes

Sobre a escolha de ter mostrado imagens do documentário irlandês A Revolução Não Será Televisionada, que conta a história do golpe fracassado contra Chávez em 2002, Rohter afirma que Stone e Ali escolheram apenas uma das versões da história. Para o jornalista, o filme eliminou detalhes ao contar o processo da Revolução Bolivariana.

Respondendo aos comentários, Stone, Weisbrot e Ali alegam que as afirmações do jornalista são “falsas”, e que, "ironicamente, é Rohter quem abraça teorias conspiratórias".

"A mídia é tendenciosa e distorce as informações sobre a América Latina, o tema principal do documentário”, afirmam na carta, explicando que a tentativa de “desacreditar” o filme se deve a isso e ao fato de o jornalista, segundo os produtores, estar empenhando numa “campanha anti-Chávez".

Para Stone, os comentários do jornalista são enganosos e o NYT “deve desculpar-se por ter publicado aquele texto”.

Erros de Rohter

O jornalista norte-americano é conhecido por uma polêmica envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2004, quando era correspondente no Rio de Janeiro. Na época, fez uma reportagem com o título "Hábito de bebericar do presidente vira preocupação nacional", na qual descrevia supostos excessos alcoólicos do presidente.

O texto era acompanhado por uma foto de Lula bebendo cerveja na Oktoberfest no ano anterior. Em seguida, cometeu um erro em uma matéria sobre índice de obesidade na população brasileira, identificando em uma foto duas moças na praia como brasileiras mas, na verdade eram tchecas. O visto de jornalista de Rohter chegou a ser suspenso pelo Itamaraty, mas depois foi renovado.

Oliver Stone tem parte de sua produção focada na América Latina. O cineasta, vencedor do Oscar de melhor diretor por JFK – a pergunta que não quer calar (1991) e Nascido em 4 de Julho (1989), tem seis documentários sobre a região. Stone está produzindo atualmente um documentário sobre Fidel Castro e um filme com atores sobre o traficante de drogas colombiano Pablo Escobar.

Leia abaixo a carta aberta em resposta ao New York Times

Carta ao New York Times

Oliver Stone, Mark Weisbrot e Tariq Ali


Larry Rohter ataca nosso filme, Ao Sul da Fronteira, por “erros, afirmações incorretas e ausência de detalhes”. Mas um exame cuidadoso revela que os erros, afirmações incorretas e ausência de detalhes são dele, e que o filme é uma obra caprichada do ponto de vista factual.


Vamos documentar isto para cada um dos seus ataques. Vamos então mostrar que há provas de má-fé e conflito de interesses, em sua tentativa de desqualificar o filme.


Finalmente, pediremos a vocês que considerem os inúmeros erros factuais nos ataques de Rohter, registrados abaixo, e as claras evidências de má-fé e conflito de interesses em sua tentativa desqualificar o filme, e então pedimos ao New York Times que publique uma correção completa para esses erros.


1) Ao acusar o filme de “mal informado”, Rohter escreve que “um voo de Caracas a La Paz, Bolívia, cruza principalmente a Amazônia, e não os Andes”. Mas a nossa narração não diz que o voo cruza “principalmente” a Amozônia, e sim que ele voa sobre os Andes, o que é correto (fonte: Google Earth).


2) Também na categoria de “má informação”, Rohter escreve que “os Estados Unidos não importam mais petróleo da Venezuela do que de qualquer outra nação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)”, e que a posição “pertenceu à Arábia Saudita no período de 2004-10”.


A frase citada por Rohter aqui foi dita no filme por um analista da indústria do petróleo, Phil Flynn, que aparece por cerca de 30 segundos em um clipe de programas de TV exibidos nos Estados Unidos. O que ocorre é que Rohter está errado, e Flynn, correto. Flynn fala em abril de 2002 (o que está claro no filme), portanto Rohter está errado ao citar a data de 2004-2010.


Se olharmos o período de 1997 a 2001, que é relevante para a afirmação de Flynn, ele está correto. Venezuela está à frente de todos os países da OPEP, incluindo Arábia Saudita, para o petróleo importado pelos Estados Unidos durante todo esse período. (fonte: Agência de Informações sobre Energia dos EUA, para a Venezuela e Arábia Saudita)


3) Rohter tenta desqualificar o filme por conta da breve descrição da corrida presidencial de 1998 na Venezuela:


“Segundo Ao Sul da Fronteira, a principal oponente de Chávez na corrida inicial pela presidência em 1998 era uma loira de 1,85 m, a ex-miss Universo Irene Sáez, e então a eleição ficou conhecida como a disputa entre a Bela e a Fera. Mas o principal oponente de Chávez não era a senhora Sáez, que terminou em terceiro lugar com menos de 3 porcento dos votos. Era Henrique Salas Romer, um agradável ex-governador que venceu com 40% dos votos”.


A crítica de Rohter está mal direcionada. A descrição da corrida presidencial no filme, citada por Rohter, é de Bart Jones, que cobria a Venezuela para a Associated Press, a partir de Caracas, nesta época. A descrição é acurada, apesar do resultado final da eleição. Para a maior parte da disputa, que começou em 1997, Irene Sáez era sim a principal oponente de Chávez, e a disputa foi reportada como a escolha entre “a Bela e a Fera”.


Nos seis meses que antecederam a eleição, ela começou a cair enquanto Salas Romer ganhava apoio; seus 40% expressam fortemente o resultado de uma decisão dos dois grandes partidos políticos venezuelanos da época, COPEI e AD, que comandaram o país por décadas, de apoiá-lo. (Veja, por exemplo, este artigo de 2008 da BBC, que descreve a corrida presidencial como faz o filme, e nem mesmo menciona Salas Romer).


A descrição de Rohter faz parecer que Saéz era uma candidata menor, o que é absurdo.


4) Rohter tenta enquadrar o tratamento dado pelo filme ao golpe de 2002 na Venezuela como uma “teoria da conspiração”. Ele escreve:


“Como o sr. Stone fez com o assassinato de Kennedy, esta parte de Ao Sul da Fronteira depende da identidade de um ou mais atiradores que podem ou não fazer parte de uma conspiração maior”.


A descrição é completamente falsa. O filme não faz afirmações sobre a identidade dos atiradores nem apresenta nenhuma teoria de uma “conspiração maior” de qualquer atirador.


Diferentemente, o filme registra duas questões sobre o golpe: (1) que a mídia venezuelana (e isso foi repetido pela mídia norte-americana e pela mídia internacional) manipulou imagens para fazer parecer que um grupo de apoiadores de Chávez estava armado e que atirou em 19 pessoas, que foram mortas no dia do golpe. Esta manipulação da filmagem foi demonstrada de forma muito clara no filme, e, portanto, não é colocada “apenas na conta de Gregory Wilpert”, como Rohter também falsamente alega. A gravação fala por si só. (2) que o governo dos Estados Unidos estava envolvido no golpe (veja Ao Sul da Fronteira o Golpe na Venezuela e abaixo).


Ironicamente, é Rohter quem abraça teorias conspiratórias, citando versões discutíveis que, para ele, devíamos ter incluído no filme.


5) Rohter nos acusa de “juntar fatos e omitir informações” sobre a Argentina, permitindo a Néstor Kirchner e sua sucessora, Cristina Kirchner, declararar que “começaram antes uma política diferente”.


“Na realidade, o predecessor de Kirchner, Eduardo Duhalde, e seu ministro das Finanças, Roberto Lavagna, foram os arquitetos de uma mudança política e da subsequente recuperação econômica, que começou quando o sr. Kirchner era ainda um obscuro governador da pequena província da Patagônia”, escreve ele.


Esta crítica é em alguma medida obscura e, talvez, ridícula. Os Kirchners estiveram na presidência por cinco dos seis anos da destacada recuperação econômica argentina, em que o país cresceu 63%. Algumas das políticas que permitiram este crescimento começaram em 2002, e outras começaram em 2003, ou até depois. Onde exatamente estão “juntados” os fatos e “omitidas” as informações aqui?


6) Rohter tenta criar uma questão sobre o fato de que o logo da ONG Human Rights Watch aparece por dois segundos na tela durante a discussão dos "dois pesos, duas medidas" de Washington sobre direitos humanos. O filme não diz nem insinua nada sobre a HRW.


Mais importante que isso, em sua entrevista a Rohter, o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco, confirma exatamente o que o filme diz: que há dois pesos e duas medidas nos EUA para enquadrar as denúncias de abusos de direitos humanos na Venezuela enquanto se ignora ou desmerece as muito mais numerosas e mais embasadas denúncias de abusos de direitos humanos na Colômbia.


"É verdade que vários dos mais ferozes críticos de Chávez em Washington fizeram vista grossa para o currículo impressionante de direitos humanos na Colômbia", diz Vivanco.


7) Rohter ataca o co-roteirista Tariq Ali por dizer que "O governo [da Bolívia] decidiu vender o fornecimento de água de Cochabamba para a Bechtel, uma empresa dos EUA". Rohter escreve: "Na verdade, o governo não vendeu o fornecimento de água: concedeu a um consórcio que incluía a Bechtel um contrato de concessão de 40 anos".


Rohter realmente força a barra neste ponto. "Vender o fornecimento de água" para mãos privadas é uma descrição honesta do que aconteceu, tão correta em termos práticos quanto "atribuir uma concessão de 40 anos". As empresas ganharam controle sobre o fornecimento de água da cidade e a renda que pode ser obtida de sua venda.


A má-fé e o conflito de interesses de Rohter: demos a Rohter uma quantidade gigantesca de informação factual para embasar os principais argumentos no filme. Ele não apenas os ignorou, mas, nas citações que escolheu para a matéria, escolheu apenas aquelas que não tinham relações com fatos que poderiam ser usados para ilustrar o que considerava ser o viés do diretor e do co-autor. Isto não é jornalismo ético; de fato, é questionável se isso é jornalismo em absoluto.


Por exemplo, Rohter recebeu evidência detalhada e documental do envolvimento dos EUA no golpe de 2002 (ver Ao Sul da Fronteira - O Golpe na Venezuela). Este é um dos principais argumentos no filme, e foi embasado no filme pelo testemunho do então editor de internacional do Washington Post, Scott Wilson, que cobriu o golpe em Caracas. Em nossas conversas com Rohter, ele simplesmente descartou todas essas provas, e não aparece nada sobre isso na matéria.


Rohter deveria ter revelado seu próprio conflito de interesses nessa crítica. O filme critica o New York Times pelo respaldo de seu conselho editorial ao golpe militar de 11 de abril de 2002 contra o governo democraticamente eleito da Venezuela, o que foi constrangedor para o NYT. Além disso, o próprio Rohter escreveu uma matéria em 12 de abril que foi mais longe que o apoio do jornal ao golpe:


"Nem a derrubada de Chávez, um ex-coronel do exército, nem a de Mahuad, dois anos atrás, podem ser classificadas como um golpe militar latino-americano convencional. As forças armadas não tomaram o poder de fato na quinta-feira. Foram os apoiadores do presidente deposto que parecem ter sido responsáveis pelas mortes que não passaram de 12, em vez de centenas ou milhares, e os direitos políticos e garantias foram restaurados em vez de suspensos" - Larry Rohter, New York Times, 12 de abril de 2002.


Essas alegações de que "o golpe não foi um golpe" - não apenas por Rohter - provocou um desmentido por um colega de Rohter no New York Times, Tim Weiner, que escreveu uma matéria dominical dois dias depois, sob o título de “Um Golpe com Outro Nome” (New York Times, 14 de abril de 2002).


Ao contrário do conselho editorial do NYT, que publicou uma revisão rancorosa de sua posição pró-golpe de dias antes (incluída em nosso filme), Rohter parece ter-se apegado às fantasias direitistas sobre o golpe. Não surpreende que alguém que apoia a derrubada militar de um governo eleito democraticamente não iria gostar de um documentário como este, que comemora os triunfos da democracia eleitoral na América do Sul ao longo da última década.


Mas ele deveria ter pelo menos informado aos seus leitores que o New York Times estava sob ataque neste documentário, e também sobre seu próprio trabalho como repórter: em 1999 e 2000, ele cobriu a Venezuela para o NYT, escrevendo inúmeras matérias anti-Chávez. A representação enviesada e distorcida da Venezuela na América Latina é um dos grandes temas do documentário, o qual Rohter convenientemente ignora em sua tentativa de desqualificar o filme em 1.665 palavras.


Passamos horas com Rohter ao longo de dois dia e demos a ele toda a informação que ele pediu, ainda que sua hostilidade estivesse clara desde o início. Mas ele estava determinado a apresentar sua narrativa de repórter intrépido que revelaria uma direção desleixada. O resultado é uma tentativa muito desonesta de desqualificar o filme ao retratá-lo como factualmente impreciso - usando declarações falsas e enganosas, fora de contexto, citações seletivas de entrevistas com o diretor e escritores, e ataques pessoas.


O Times deveria pedir desculpas por ter publicado o texto.


Sinceramente,


Oliver Stone

Mark Weisbrot

Tariq Ali


Artigo original no Vermelho - enviado por André Lux (Tudo em Cima)